Aécio Neves, Michel Temer, José Serra e Eduardo Cunha ganham justo reconhecimento internacional! A palavra “putschst” equivale a golpista. E não é que são mesmo?
Eduardo Cunha
O impeachment como pedagogia do que pensa o opressor
Aos que querem mudanças reais no Brasil, o resultado da votação ocorrida na Câmara de Deputados deverá valer menos pelo resultado, mas mais do que aprendemos sobre a composição deste congresso e do pensam (pensam?) os seus membros.
A partir da permissão de que Eduardo Cunha, dada de forma explícita pelo Supremo Tribunal Federal é preciso que se diga, tocasse o impeachment da melhor maneira que lhe interessasse, o resultado já estava mais ou menos definido.
Agora, o que não estava escrito em nenhum lugar foi o show de nonsense que emergiu de bocas famosas como Jair Bolsonaro, Paulinho da Força e Marco Feliciano, e de outras nem um pouco famosas que só aprendemos quem é a figura se procurarmos pela ficha corrida da mesma.
Aos que estão em choque ao ver o que pensam os que apoiaram o golpe parlamentar para encurtar o mandato de Dilma Rousseff, eu aconselho a ver o que acontece na sua Câmara de Vereadores ou na Assembléia Legislativa do seu estado. A coisa é igual ou pior, e a explicação para essa é a mesma: a maioria que está lá o conseguiu a partir de campanhas milionárias, algumas vezes das mesmas empresas que alimentam os esquemas que eventualmente são apurados na polícia, e raramente são punidos na justiça.
A verdade nua e crua, e principal lição do dia de ontem, é que esse parlamento, a começar pelas figuras caricatas que soltaram voz ontem em Brasília, representa a reprodução mais fiel do que pensam as elites oligárquicas do Brasil, sem tirar nem por. A verdade é que por detrás do refinamento aparente, o que existe é o antigo latifúndio escravocrata que se recusa a tornar o Brasil um país minimamente moderno e democrático.
Agora, passado o frenesi da aprovação, o que essas mesmas elites que se utilizaram dessas figuras caricatas precisam entender é que todos os planos de ataque trazem consigo outro de reação. E como eu sempre disse desde o início, todo esse jogo está sendo jogado sem combinação prévia com os russos, quer dizer, os pobres. E como não vivemos mais numa sociedade rural dominada pelos senhores de escravos, há sempre espaço para imponderável que escape ao script que está traçado nas mansões e corredores do poder. A ver!
Eduardo Cunha e o “táxi” estacionado em sua garagem são um tapa na cara dos pobres
O milhar de Eduardo Cunha
Número da placa do táxi de Altair Alves Pinto, que está na residência do presidente da Câmara, é o mesmo que o deputado utilizou em suas últimas campanhas eleitorais
Rio – O milhar da placa do táxi de Nilópolis que estava estacionado na manhã desta terça-feira no jardim da casa de Eduardo Cunha, na Barra, é igual ao número que o deputado utilizou em suas últimas campanhas eleitorais: 1530.
Amigos do presidente da Câmara disseram que ele usava o carro com frequência, inclusive em atividades de campanha. Por estar registrado como táxi, o carro facilita o deslocamento do deputado que pode utilizar vias expressas vedadas a veículos particulares.

Foto: Montagem
Como o ‘Informe’ revelou na manhã desta terça-feira, com exclusividade, o carro, um Touareg modelo 2014, está registrado em nome de Altair Alves Pinto, que, de acordo com o delator Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, é homem de confiança de Eduardo Cunha.
Em depoimentos, Baiano afirmou que entregava a Altair o dinheiro de propina que deveria ser repassado a Cunha. Altair é lotado no gabinete do deputado estadual Fábio Silva (PMDB), ligado ao presidente da Câmara.
O salário bruto do dono do táxi usado por Eduardo Cunha é de R$ 9.835,63. Fabricado na Eslováquia, um Touareg novo custa cerca de R$ 230 mil.
FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-12-15/o-milhar-de-eduardo-cunha.html
Por que demorou tanto? PF cerca residência oficial de Eduardo Cunha em Brasília
O impeachment de Dilma Rousseff e a falência do parlamento
No ano passado quando fui entrevistado pelo Instituto Humanitas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) tracei um prognóstico sombrio do segundo mandato de Dilma Rousseff e da eleição de Luiz Fernando Pezão para governar o Rio de Janeiro (Aqui!). Mais de um ano depois daquela entrevista, vejo que subestimei o tamanho da crise do modelo Neodesenvolvimentista (Neoxtrativista para outros) implantado por Luis Inácio Lula da Silva e dos efeitos que isto teria na esfera política.
Mas tenho assistido todo o desenrolar da ópera bufa em que se tornou o debate em torno do impeachment de Dilma Rousseff, o que eu vejo é que estamos numa situação em que as forças partidárias brasileiras estão derretendo na velocidade das geleiras, e o que nos espera em 2016 é uma crise ainda mais profunda, pois teremos a mistura explosiva entre a piora da situação econômica com a perda ainda maior de legitimidade do parlamento brasileiro. É que o que se vê é um cidadão com acusações comprovadas de possuir contas secretas na Suíça e que teriam sido abastecidas com propinas de diversas origens tendo o apoio de lideranças expressivas da oposição se valendo do seu cargo para chantagear o executivo e o parlamento como um todo.
Entretanto, há que se ressaltar dois aspectos na aceitação do pedido de impeachment pelo ainda presidente da Câmara Federal, o deputado Eduardo Cunha do PMDB/RJ, e que me parecem lapidares da degeneração política que toma conta do parlamento. A primeira coisa é que Cunha aceitou o pedido após ver que os membros do PT na Comissão de Ética da Câmara Federal votariam pelo prosseguimento do seu processo de cassação. Assim, reagindo explicitamente pelo desejo da vingança e também para garantir sua autopreservação, Eduardo Cunha manobra para se manter no cargo. A segunda coisa que me parece inexplicável é que Eduardo Cunha ainda continue solto, enquanto, por exemplo, o senador Delcídio Amaral (PT/MS) está preso, o que mostra que o sistema de justiça também é vítima das mesmíssimas contradições que assolam o parlamento.
E qual é o moral dessa novela macabra? É que precisamos recusar o falso dilema de apoiar ou não o impeachment de Dilma Rousseff. A juventude de São Paulo, como já o fizeram os professores paranaenses, mostram que o PSDB é um partido ainda mais atrasado e truculento do que o PT se mostrou ser. Além disso, o PMDB onde tem o controle dos governos estaduais tem se mostrado igualmente inimigo da classe trabalhadora e da juventude. Esses partidos majoritários não apontam caminhos positivos para a resolução da crise econômica, pois eles e seus satélites são os causadores da crise.
Mas, felizmente, o que se tem visto é que há uma retomada vigorosa de mobilizações em diferentes partes do Brasil contra o modelo econômico e contra os partidos que o sustentam. Nesse sentido, o importante é apoiar o fortalecimento das ações diretas que estamos assistindo em diferentes regiões brasileiros. Assim, destes confrontos, é que poderemos ter uma saída positiva para o Brasil.
Eduardo Cunha toma “banho” de dólares, mas não deve ter gostado porque eram falsos
A imagem acima é do dia de hoje, quando Eduardo Cunha levou um “banho” com dólares falsos por uma militante do chamado Levante Popular da Juventude (Aqui!). Cunha não deve ter gostado, já que os dólares eram falsos.
Até quando Eduardo Cunha será tratado apenas como “suspeito” de possuir contas secretas na Suiça?
A mídia corporativa e os setores que apoiam o impeachment da presidente Dilma Rousseff estão fazendo um esforço tremendo para continuar chamando o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), como “suspeito” de possuir contas secretas recheadas de dólares obtidos por vias não republicanas em esquemas ainda menos republicanos.
O irônico nessa situação é que a mesma cortesia não é dispensada à Dilma Rousseff contra quem não há qualquer acusação de estar envolvida nas mesmas estripulias em que Eduardo Cunha foi solenemente denunciado pelo Ministério Público da Suíça.
Mas a partir de hoje a mídia corporativa vai ter maiores dificuldades de continuar tratando Cunha como “suspeito”. É que hoje o Supremo Tribunal Federal na pessoa do ministro Teori Zavascki deu dois golpes duros na armadura que a mídia e os áulicos do impeachment estavam tentando colocar sobre o ainda presidente da Câmara: primeiro indeferiu o pedido escandaloso de Cunha para manter o processo movido contra ele por causa das contas sob sigilo de justiça, e em seguida determinou o bloqueio e sequestro de quase 10 milhões de reais que estão nas contas arrestadas pela justiça suíça.
Enfim, de suspeito Eduardo Cunha não tem mais nada. Resta saber quando a mídia corporativa vai se dignar a escrever isso.
E se Eduardo Cunha fosse ateu?
Uma das coisas que mais causa horror a muitas pessoas com que converso sobre minhas posições acerca da religião é exatamente o fato de que eu não possuo uma. Parece que a mim falta alguma coisa fundamental para que eu alcance os critérios éticos com que as pessoas pensam se guiar. Não sei o que é pior na reação das pessoas: o asco ou o dó que vejo em suas faces em face da minha falta de afiliação religiosa.
Mas como nunca tive religião, essa postura não me incomoda, pois entendo a perspectiva da qual a maioria dos religiosos partem para se posicionarem, qual seja, que a afiliação religiosa concede um certo tipo de selo de garantia moral à pessoa que se declara convencido de que há um ser sobrenatural que rege nossas vidas e destinos.
Pois bem, a curiosa situação do deputado Eduardo Cunha que acaba de ser pego em um complexo enredo de contas secretas na Suíça que teriam abastecidas com recursos oriundos de fontes ilegais parece confirmar a minha percepção de que aos que declaram ser religiosos sempre cabe uma tolerância que aos ateus não é dispensada. O pior é que mesmo em face de todas as provas enviadas pelo Ministério Público da Suiça, o silêncio protetor permanece.
Aí é que me ocorre perguntar aos leitores deste blog: o que aconteceria se em vez de religioso declarado, Eduardo Cunha se revelasse um ateu? Será que haveria tanta tolerância às suas incongruências entre o que prega e o que pratica?
O que o último feriadão me ensinou sobre a crise brasileira
O feriadão que se encerrou ontem (12/10) me fez voltar da aprazível praia de Meaípe no município capixaba de Guarapari com alguns ensinamentos sobre a natureza da atual crise política que o Brasil atravessa neste momento. A primeira coisa que eu verifiquei foi que a praia estava lotada, chegando a ser difícil até de se caminhar pela avenida Beira Mar. Além disso, havia gente não só do Espírito Santo, mas como eu de regiões próximas do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
As conversas que pude ouvir raramente tocavam na situação política ou sequer na crise econômica e muito menos no tão noticiado impeachment de Dilma Rousseff. E olha que notei que a mistura social, fosse na areia ou nos restaurantes, era a mais diversa possível, mas com uma forte tonalidade de classe média, inclusive dos segmentos menos abastados.
Nas conversas que pude ouvir, a primeira constatação é de que as pessoas não estavam nem um pouco ligadas na crise política que rola em Brasília, e que agora acaba de ter uma capítulo contundente com a decisão do Supremo Tribunal Federal de barrar manobras pouco republicanas do ainda menos republicano Eduardo Cunha, as quais visavam puxar o tapete da presidente Dilma Rousseff (Aqui!). Aliás, se meu final de semana me ensinou algo é que a principal demanda das pessoas é que tenham como viver suas vidas com alguma dignidade e tranquilidade.
Dito tudo isso, o que mais me parece evidente é que toda essa confusão que os partidos da direita estão fazendo em Brasília só é possível porque o governo Dilma não está disposto a ouvir o que maioria da população que lhe entregou o segundo mandato realmente quer para o Brasil. Agora, a covardia politica de Dilma associada aos seus compromissos com a banca financeira é que acabam dando espaço para os golpistas. Mais simples do que isso, impossível!
Os tucanos como portadores de alta moral política? Conta outra!
Com o aparecimento das estripulias do neoPT que se envolveu em diversos casos de corrupção a partir da tomada do leme da presidência da república, tenho ouvido muitas pessoas (inclusive muitas detentoras de títulos de doutor) repetir a ladainha insustentável de que o PSDB seria portador de outro padrão de moral.
Sempre soube que esse é uma ilusão, pois me lembro bem do que o mesmo PSDB fez no processo de privatização das estatais, onde parte dos seus quadros participou da tomada daquele imenso patrimônio público. No caso de Fernando Henrique Cardoso, ele conseguiu a proeza de colocar o genro para dirigir a Agência Nacional do Petróleo (ANP), e o filho no conselho gestor da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) após a mesma ser privatizada a preços camaradas. Também lembro da vergonhosa venda da Vale que foi vendida a uma fração do seu valor real.
E ainda temos com os tucanos, vários escândalos nunca devidamente apurados, como é o caso do “Mensalão mineiro” e o “Tucanoduto” no Metrô de São Paulo, No entanto, seja por sectarismo ou conviniência esperta, nada disso serviu para abalar a suposta aura de moralidade que a mídia e parte da suposta intelectualidade nacional oferece ao PSDB.
Mas agora, com a confirmação de que o presidente da Câmara de Deputados possui numerosas contas secretas na Suíça onde estocou milhões de dólares não declarados ao fisco, eis que a líder do PSDB na Câmara de Deputados, o probo Carlos Sampaio (SP), nos dá outra demonstração da “alta moral” tucana, ao oferecer a seguinte declaração sobre o atoleiro onde Eduardo Cunha se encontra:
“Evidente que o caso que envolve o presidente Eduardo Cunha é um caso grave, que precisa ser apurado, e as informações ainda não vieram. O Ministério Público aguarda as informações da Suíça para saber o que deve fazer. Ele tem, por ora, o benefício da dúvida. Nós temos que aguardar essa documentação que, se vier, é um fato gravíssimo”, afirmou o líder tucano na Câmara, Carlos Sampaio (SP), na tarde desta segunda-feira (5).“(Aqui!)
Tamanha leniência só é compreensível se entendermos que o PSDB só quer mesmo é encurtar o mandato de Dilma Rousseff para tentar mais uma vez controlar a máquina federal para lá exercer as mesmas práticas que diz condenar durante o governo do neoPT. O problema aqui é que este tipo de relativismo moral pode até render os frutos desejados a curto prazo, mas periga trazer resultados desastrosos já no médio prazo. É que, como já disse o jornalista Josias de Souza em seu blog na Folha de São Paulo, o que o PSDB está fazendo em relação a Eduardo Cunha é tomar banho e depois brincar no barro.
Entretanto, uma coisa positiva dessa postura do PSDB. Não vou mais ter de aturar as declarações antipetistas de determinados colegas, pois sempre poderei enviar-lhes essa bela declaração de Carlos Sampaio como prova da insustentabilidade de sua ladainha tucana.









