Dois presos, dois meios transportes: o que isso nos diz sobre o Brasil?

Achei as duas imagens abaixo numa página do Twitter e quem as postou apontou para a discrepância evidente na forma com que o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-deputado Eduardo Cunha foram transportados pela Polícia Federal em algum momento não distante no passado.

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O que salra aos olhos nestas duas imagens é o claro tratamento diferenciado a que dois políticos acusados por crimes de corrupção até na hora em que são transportados pela Polícia Federal.    A verdade que estas imagens evidenciam é o fato de que a lei até pode ser para todos, mas é mais dura para uns do que para outros.

Mais ainda, estas imagens mostram que a lei é sempre mais dura para aqueles que incidentalmente sejam vistos como uma ameaça ao status quo vigente, seja qual for o status e o quo.

Pagando Mico! (Des) governador Pezão desiste de nomear aliada de Eduardo Cunha para secretaria de proteção e apoio à mulher e do idoso

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A mídia corporativa está noticiando que o (des) governador Luiz Fernando Pezão resolveu cancelar a nomeação da ex-deputada federal e ex-prefeita do município de Rio Bonita, Solange Almeida, para chefiar a secretaria estadual de Proteção e Apoio à Mulher e ao Idoso ( Aqui!, Aqui!  ). 

O suposto motivo para este inesperado desdobramento é que o (des) governador Pezão repentinamente foi informado de que Solange Almeida além de ser ré no caso Lava Jato, também já foi condenada em segunda instância por ato de improbidade administrativa!

A situação do (des) governador Pezão beira o ridículo, visto que está sendo obrigado a exonerar uma secretária menos de 48 horas após sua nomeação por ela já ter sido “fisgada” pela justiça. 

Já no caso de Solange Almeida, ela pelo menos terá que se preocupar  em ter explicar os múltiplas mazelas que teimam a continuar a surgir envolvendo figuras de proa da gestão do ex (des) governador Sérgio Cabral, como foi o caso da prisão preventiva ocorrida no dia de hoje  do diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, e o subsecretário de Turismo, Luiz Carlos Velloso (ex-subsecretário estadual de Transportes na gestão de Sérgio Cabral (Aqui!).

Do jeito que vai, não é preciso ser oráculo para prever que , cedo ou tarde, a coisa vai chegar no (des) governador Pezão.

Crise, que crise? (Des) governo Pezão cria nova secretaria e a entrega a ex-prefeita e ré da Lava Jato

Uma matéria do site G1 de autoria do jornalista Gabriel Barreira nos dá conta que em meio à propalada crise financeira que impede o pagamento em dia de salários e aposentadorias, o (des) governador Pezão resolveu criar uma nova secretaria de estado para entregá-la a uma aliada do ex-deputado Eduardo Cunha, Solange Almeida, que é  ré no caso da Lava Jato (Aqui!).

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Com essa tacada de mestre, o (des) governador Pezão nos mostra de forma irrefutável que a maior crise que assola o maltratado estado do Rio de Janeiro não é a financeira, mas uma que combina amoralidade e falta de ética no trato da coisa pública.

É que criação de secretaria implica em aumento de custos para operar a máquina pública. E, além disso, ao entregar essa nova secretaria a uma política que é ré num rumoroso caso de corrupção como a Lava Jato, Pezão diz à toda sociedade fluminense que ele está literalmente despreocupado com o que a população pode pensar a seu respeito ou da condição em que se encontra o seu (des) governo.

Como o (des) governador Pezão ainda não foi visto rasgando dinheiro em público, o caso está mais ou para uma inusitada despreocupação com sua imagem ou para, o que  é o mais improvável, a certeza de que seria inatingível pelos males que afetam o seu mentor político, o ex (des) governador Sérgio Cabral e até o padrinho da nov secretária, o ex-deputado Eduardo Cunha.

Mas sim, do que é mesmo acusada a agora secretária Solange Almeida? De ter, na condição de deputada federal, feito requerimentos na Câmara Federal pedindo investigações sobre o lobista Júio Camargo e a  multinacional sul-coreana Samsung, objetivando exercer pressão pelo pagamento de novas propinas!  

Com certeza, Solange Almeida é mais do que talhada para dirigir de forma ilibada uma secretaria voltada para apoiar as mulheres e os idosos no Rio de Janeiro, não é?

Nova denúncia contra Eike Batista coloca Porto do Açu no olho do furacão

O jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” publicou hoje (20/02) uma reportagem assinada pelos jornalistas Fabio Serapião, Fábio Fabrini e Beatriz Bulla que deverá aumentar ainda mais a tensão dentro do Porto do Açu. É que segundo a reportagem, o ex-bilionário Eike Batista teria pago propinas o corretor Lúcio Funaro e ao ex-deputado Eduardo Cunha para que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) investisse, em 2012, R$ 750 milhões na empresa LLX Açú Operações Portuárias S.A. (Aqui!).

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A matéria lembra ainda que  a  LL(X) fazia parte do grupo EBX e que, atualmente, é controlada pelo Grupo EIG, que adquiriu aproximadamente 53% do capital social da LLX Logística S.A e mudou o nome para Prumo Logística S.A.

Diante dessa denúncia me parece inevitável que a Polícia Federal faça novas e mais focadas visitas ao inerior do Porto do Açu, já que agora está aparecendo um parte do intrincado e obscuro processo de financiamento público do megaempreendimento iniciado por Eike Batista.

Mas uma coisa me chama a atenção. Onde é que Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e Eike Batista não se envolveram em tratativas, digamos, pouco republicanas? E ainda teve gente que defendeu a necessidade de Eike Batista de participar de esquemas “alternativos” de obtenção de recursos públicos. Inocente é que ela não era.

 

Operação Timóteo: Silas Malafaia é conectado a esquema de corrupção envolvendo royalties minerais

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O pastor Silas Malafaia é um daqueles exemplos de como o uso político da religião pode ser benéfico já que ele se tornou uma pessoa de influência graças à sua habilidade de carregar nas tintas contra seus adversários a partir de uma leitura bastante moralista do livro sagrado dos cristãos.

Agora, mais uma vez, Silas Malafaia é flagrado em um caso envolvendo a apropriação indébita de recursos públicos para fins privados como mostram hoje os principais veículos da mídia corporativa. O caso envolve desvios de recursos obtidos com o pagamento de dívidas de royalties cobrados pela exploração mineral (Aqui! e Aqui!).

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Segundo informou a Agência Reutera, com base em informações fornecidas pela Polícia Federal,  Silas Malafaia é suspeito de ter usado contas correntes de uma instituição religiosa com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.

Hábil usuário das redes sociais que é Silas Malafaia já está negando que tenha participado de qualquer ato de corrupção, pois apenas teria recebido uma “doação” de um dos envolvidos no esquema que está sendo agora desbaratado pela justiça. Resta saber se a famosa oratória de Malafaia vai ser suficiente para que ele se livre de problemas com a justiça.

É interessante lembrar que o ex-deputado Eduardo Cunha também foi acusado de ter usado  a igreja evangélica que frequentava , a Assembleia de Deus de Madureira, no Rio de Janeiro, para fazer a mesma coisa de que Silas Malafaia é agora acusado, mostrando que pode haver mais do que coincidência nesses casos (Aqui!). 

Eduardo Cunha: uma queda orquestrada para manter um sistema corroído de pé

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A cassação do mandato do agora ex-deputado federal Eduardo Cunha por 450 votos a favor, 10 contra, 9 abstenções e 43 ausências (!!) vai ser apresentada como uma vitória contra a corrupção, provavelmente pelos mais corruptos.  Esse movimento de cassar o líder do impeachment de Dilma Rousseff, entretanto, era uma pedra cantada e ele sabia bem que passada a sua utilidade, as baterias seriam voltadas contra seu mandato.

Então por que Eduardo Cunha se prontificou a cumprir o papel de “sacrificial lamb“? A resposta para essa pergunta deve rejeitar qualquer forma de altruísmo por parte do sacrificado, já que Cunha é um especialista em sobrevivência política em meio a graves denúncias que incluem, entre outras coisas, corrupção.   E notemos que a sua queda se deu não por tais crimes, mas pela prosaica razão de “quebra do decoro parlamentar”, o que é uma piada num congresso onde decoro é algo raríssimo.

A alternativa mais crível é de que Eduardo Cunha entendido perfeitamente que para salvar os anéis (no caso o sistema política do qual ele se beneficiou e continua se beneficiando tremendamente), alguém importante teria que sair do palco principal. E a ampla margem de votos pela cassação indica que ele se entendeu inclusive com seus aliados, que agora estão livres para continuar atacando direitos sociais e entregando as riquezas nacionais para as multinacionais.

Outra hipótese que eu tenho é que Eduardo Cunha recebeu garantias de que aqueles muitos milhões que ele possui estocado em contas ainda secretas serão deixadas em solene paz para que possam ser devidamente desfrutados quando a poeira baixar. 

Assim, penso que qualquer ilusão de que Eduardo Cunha vai ajudar a colocar abaixo o governo de Michel Temer deve ser jogada na mesma lata de lixo em que o seu mandato acaba de ser colocado. A vingança de Eduardo Cunha deverá vir de outra forma, provavelmente com custos altos para o governo Temer. É que o chamado “centrão” continuará tendo nele a bússola que orientará as “negociações” que estão por vir para que se acabe com a CLT e se privatize tudo o que for possível.

Diante desses fatos não posso deixar de indicar que a saída de Eduardo Cunha do parlamento será apenas aparente e ele deverá continuar sendo um jogador importante nos próximos capítulos da crise social e econômica em que o Brasil está metido.

Deste modo, não há outra saída para a classe trabalhadora e a juventude que não seja a organização política e a ocupação das ruas para continuar o bom combate. É que do parlamento que aí está certamente nada de bom sairá. Com ou sem Eduardo Cunha.

A vergonhosa prisão de Eduardo Suplicy e suas múltiplas revelações sobre a realidade brasileira

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A mídia corporativa está dando alguma repercussão ao ato de resistência seguido de prisão do ex-senador Eduardo Suplicy (ver vídeo abaixo) durante uma ação de reintegração  de posse na cidade de São Paulo.

Entretanto, para além dos lugares comuns de ter um político famoso e carismático sendo preso, o que essa ação da PM de São Paulo evidencia é aquilo que pode acontecer nas áreas periféricas onde as “reintegrações” ocorrem sem que haja alguém desse quilate para defender os pobres.

Afinal, o que pode fazer quem arrasta Eduardo Suplicy pelas ruas às vistas da equipes de TV em momentos em que só os pobres estão presentes para vivenciarem a ação policial?

A resposta mais óbvia foi dada durante a desocupação da Favela do Pinheirinho em São José dos Campos onde grosseiras violações contra os direitos humanos dos moradores foram cometidas e que permanecem até hoje impunes (Aqui!).

De toda forma, as cenas do ex-senador Eduardo Suplicy sendo arrastado pela rua certamente serão positivas potencialmente em uma coisa: convencer muitos ativistas sociais de que é necessariamente superar as divagações inúteis e partir para a organização política dos mais pobres. Pelo menos é o que eu sinceramente espero!

Finalmente, que país é esse onde se prende e arrasta Eduardo Suplicy, e se deixa solto o outro Eduardo, o Cunha?  No mínimo um onde as prioridades estão totalmente invertidas!