Porto do Açu: jornal O Diário traz ampla matéria sobre possíveis desvios de recursos do BNDES

PORTO  corrupção

O jornal O DIÁRIO traz hoje uma ampla matéria com denúncias relativas sobre possíveis casos de corrupção envolvendo empresas que atuaram ou atuam no Porto do Açu (Aqui!). A minha primeira leitura da matéria apenas confirma muitos relatos orais que eu recebi ao longo dos últimos 5 anos sobre problemas que estariam envolvendo empresas do conglomerado do ex-bilionário Eike Batista, políticos, e também pessoas ligadas à iniciativa privada.  Como nesse tipo de situação todo cuidado é pouco, não me ative a abordar a questão da corrupção por me faltar um elemento fundamental para tratar do ponto, qual seja, documentos que comprovassem a veracidade dos relatos.

Agora pelo que eu posso notar o denunciante diz estar munido de documentos que comprovam suas denúncias, a começar pela pedreira que não tem pedras, mas que custou a quantia de R$ 30 milhões (modesta para os valores envolvidos na construção do Porto do Açu, é preciso lembrar). Mas aparentemente o caso da Pedreira Sapucaia é apenas um grão de cristais na pedreira que essas acusações podem gerar.

Uma curiosidade que eu tenho, e que nunca foi devidamente esclarecida pelos dirigentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) é sobre quanto efetivamente foi entregue às empresas que construíram e as que hoje fazem funcionar parcialmente o Porto do Açu. A matéria aponta para o valor de R$ 8,8 bilhões, mas há que se ver se valor foi efetivamente entregue às empresas “X”. Além disso, como já foi noticiado que em 2014 o Bndes autorizou um empréstimo ponte para a Prumo Logística de R$ 1,8 bilhão, há que se ver se este montante está computado no valor citado na matéria ou não.

É interessante notar que recentemente Eike Batista declarou em entrevista à jornalista Mariana Godoy (ver imagem abaixo) que teria quitado sua dívida de R$ 10 bilhões com o Bndes, declaração esta que surpreendeu quase meio mundo, pois pareceu inverossímil,  dado que não foi acompanhada de dados concretos sobre como ele conseguiu este verdadeiro “milagre”. A famosa frase “ I am sorry, não devo nada” poderá agora passar por um escrutínio que Eike inicialmente não deveria esperar.

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Um elemento que considero sintomático no conteúdo da matéria é que parte dos atores envolvidos se negaram a responder às perguntas do O DIÁRIO (as empresas Coobranorte, Pedreira Pronta Entrega e Construtora Avenida) e outra parte apresentou respostas que vão de encontro à documentação que teria sido apresentada pelo denunciante (a Prumo Logística Global e o Instituto Estadual do Ambiente).  Esta peculiaridade deverá ainda gerar mais material jornalístico, pois parece, ao menos à primeira vista, e desculpem-me o trocadilho, um forte indicativo de que nessa pedreira tem lama.

Para Eike Batista, as perspectivas são as piores possíveis, caso as presentes denúncias sejam apuradas e comprovadas. É que ele já está investigado, como notei aqui neste blog, em função da “notícia crime” que foi apresentada contra ele, Sérgio Cabral e o presidente do Bndes por causa de problemas envolvendo a desapropriação de terras no V Distrito de Sâo João da Barra (Aqui!).

Finalmente, dada a gravidade das denúncias e que envolvem recursos federais, há que se ver se e quando o Ministério Público Federal vai querer tomar depoimentos do denunciante, já que suas denúncias supostamente estão acompanhadas de farta documentação. A ver!

Porto do Açu: mais uma estranha novidade na questão da compra e venda de terras desapropriadas

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A imagem acima é um extrato de um conjunto de anúncios publicados no último dia 25/06 na seção de classificados do jornal Folha da Manhã. E o conteúdo deste material lança um pouco mais de luz num processo que até recentemente corria de uma forma bem menos, digamos, documentada. 

Mas ao ler o conteúdo das convocações feitas por um escritório de advocacia em nome da “Porto do Açu Operações S/A” para que um determinado número de condôminos se manifestem em termos de exercer o seu direito de preferência sobre a compra/venda da quota parte de um determinado imóvel, que suponho estar localizado na área desapropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) para a implantação do Distrito Industrial de São João da Barra, algumas questões surgem em minha mente:

1. Por que é a “Porto do Açu Operações S/A” quem está intimidando condôminos, e não a Codin ou a LL(X) Açu

2. De que forma a “Porto do Açu Operações S/A” se tornou parte interessada deste processo? É que se são desapropriadas, em tese Codin repassou as quotas partes desse condomínio para a LL(X) Açu. Ou não?

3. O que acontecerá se um dos condôminos citados decidir exercer o direito de compra da quota parte do imóvel para o qual está sendo citado?

4. E no meio desse imbróglio todo, onde anda a Codin que não se manifesta e permite que a “Porto do Açu Operações S/A” o faça?

O interessante é que essa “intimação” ocorreu justamente num período em que vários proprietários que se sentem lesados no processo de vendas de suas terras para a LL(X) começaram a se mobilizar para anular os contratos de gaveta que assinaram em troca de valores bem aquém do que suas terras no V Distrito valem atualmente no mercado. Pode ser até coincidência, mas não deixa de ser curioso.

Mubadala, o investidor que engoliu o que sobrou do Império X

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A recente declaração de amor de Eike Batista aos fundos de investimento acaba de receber um pouco mais de luz após uma reportagem produzida pelo jornal O ESTADO DE SÃO PAULO e repercutida, como mostrado abaixo, pela Revista Exame.  Na verdade o que a matéria mostra é que esse acabou sendo um amor bandido, pois grande parte do que sobrou do Império X (e olha que não foi muito!), agora é diretamente controlado pelo fundo soberano Mubadala, um dos três mantidos pelo governo de Abu Dabi.

O mais interessante nesta matéria foi a citação de dois dos “investidores” do Mubadala, a General Eletric e a gestora americana Carlyle, o que na prática evidencia uma evidente desnacionalização de ativos que foram vitaminados com quantias significativas de dinheiro público, como no caso dos portos Sudeste e do Açu.

Aos adoradores de Eike Batista, felizmente em número bem mais minguado do que nos tempos áureos em que ele era um dos campeões nacionais do Neodesenvolvimentismo lulopetista, a pergunta que fica é a seguinte: é esse o tipo de “campeão” que o Brasil precisa? 

O fundo que controla o que restou do império X

Emirados Árabes: em março de 2012, estava assinado o cheque de US$ 2 bilhões

Mariana Sallowicz e Naiana Oscar, do Estadão Conteúdo

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Emirados Árabes: em março de 2012, estava assinado o cheque de US$ 2 bilhões

Rio e São Paulo – Desde que foi criado, em 2002, o mais novato dos três fundos soberanos do governo de Abu Dabi – o Mubadala – nunca teve um escritório fora do território árabe, embora esteja presente em 20 países, com US$ 48 bilhões em ativos.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Zayed Al Nahyan, filho do fundador de Abu Dabi e presidente do conselho de administração do fundo, decidiu que os negócios seriam todos tocados de lá.

Até que um brasileiro cruzou seu caminho e o obrigou a mudar de planos.

Antes da derrocada, Eike Batista conseguiu convencer o Mubadala a investir em suas empresas.

As conversas começaram em 2011, duraram quase um ano, exigiram muitas idas do empresário e de representantes do governo brasileiro ao país mais rico dos Emirados Árabes e culminaram com uma visita do príncipe ao carnaval do Rio.

Em março de 2012, estava assinado o cheque de US$ 2 bilhões.

Não era pouco dinheiro, considerando que o fundo já registrou alguns prejuízos e, no ano passado, por exemplo, lucrou US$ 282 milhões – uma queda de 28% na comparação com 2013.

“O time do Mubadala ficou impressionado com a capacidade de Eike de gerar negócios, num momento em que o Brasil estava muito bem lá fora, e se interessou muito pelos ativos”, diz uma fonte que acompanhou a aproximação dos árabes com o empresário brasileiro.

“Eles chegaram a fazer uma avaliação gigantesca no grupo, que durou quase um ano.” Mas os números traíram os árabes. A começar pela petroleira OGX, os projetos de Eike Batista não deram os resultados prometidos e foram caindo um a um.

Renegociação

Com o risco cada vez mais real de perder o dinheiro investido, o Mubadala, que tem participações em empresas como a General Eletric e a gestora americana Carlyle, se apressou em mudar o acordo inicial, segundo o qual o fundo converteria o aporte em ações à medida que as empresas X começassem a entrar em operação e dar resultado.

Pelo que foi divulgado à época, os árabes teriam 5,6% das ações da holding de Eike. Como acionistas, numa situação de falência, seriam os últimos a recuperar o dinheiro – se recuperassem.

Por isso, em 2013, o príncipe sentou novamente à mesa com Eike Batista e o pressionou a mudar o contrato por meio de uma operação complexa, em que o investimento foi convertido em dívida e o Mubadala virou um dos principais credores do grupo X, com direito de ficar com alguns de seus principais ativos.

Hoje, o Mubadala controla a mineradora de ouro AUX, a empresa de entretenimento IMX, dona da marca Rock in Rio, e tem participação na Prumo Logística (antiga LLX). Mas é na Ilha da Madeira, no município fluminense de Itaguaí, que está seu ativo mais valioso no Brasil: o Porto Sudeste.

Ao lado da trading de origem holandesa Trafigura, o Mubadala detém 65% do terminal portuário privado, que já está pronto, à espera de licença para iniciar operação.

Para acompanhar de perto os negócios e recuperar o quanto for possível do investimento, Al Nahyan fez alguns de seus executivos trocarem o clima árido de Abu Dabi pelo calor úmido do Rio de Janeiro.

Desde o fim do ano passado, cerca de 20 executivos do Mubadala ocupam uma sala no segundo andar do Centro Empresarial Mourisco, em Botafogo, na zona sul do Rio.

É um escritório improvisado, alugado pelo sistema de coworking – em que o espaço é compartilhado com outras empresas.

Em nota, o fundo confirmou a informação e, sem dar detalhes, disse que “tem uma pequena equipe no Brasil gerindo ativamente o portfólio e interesses no País, tendo em vista a criação de valor a longo prazo”.

À frente da operação está o sueco Oscar Fahlgren, de 35 anos. Ex-executivo do JP Morgan em Londres, ele trabalha há cinco anos no Mubadala e é o braço direito de Hani Barhoush, responsável pela área de investimentos globais do fundo soberano.

De acordo com o fundo, uma “parte substancial do investimento inicial na EBX foi recuperada”.

Uma fonte próxima aos árabes disse que, por enquanto, novos investimentos na área de infraestrutura no País estão descartados.

Ainda que esse seja um bom momento para comprar ativos baratos no Brasil, o Mubadala está “fechando a torneira” em meio à queda do preço do barril de petróleo.

O fundo é um dos instrumentos do governo de Abu Dabi para investir a riqueza oriunda da atividade petroleira e diversificar a economia local.

“Se o Porto Sudeste funcionar bem, quem sabe eles tenham vontade de colocar mais dinheiro no Brasil”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Por enquanto, eles têm de se livrar dos problemas que herdaram do Eike.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/o-fundo-que-controla-o-que-restou-do-imperio-x

A volta de Eike Batista como prova de que cadeia no Brasil é coisa só para ladrão de galinhas

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O retorno de Eike Batista à cobertura da mídia é um daqueles casos exemplares de que o Brasil é um país onde a cadeia é feita apenas para ladrões de galinha. Mas na matéria abaixo publicada pela cambaleante Revista Veja, Eike Batista consegue se superar em muitos aspectos. O primeiro é que ele aparece para dizer que zerou suas dívidas e que está de volta aos negócios. Como assim zerou suas dívidas? E voltou a qual tipo de negócios?

Também achei interessante a declaração tardia de amor feita por Eike Batista indicando que fundos de private equity e fundos soberanos são preferíveis ao mercado de ações porque “ficam com você por dez anos”. Essa nova inclinação de Eike Batista parece ter resultado dos seus contatos com o EIG Global Partners (private equity) e o Mubadala (soberano).  Aqui a coisa beira o surreal, pois foi justamente para esses dois fundos que Eike teve que vender algumas jóias da sua coroa quando a coisa apertou. Exemplo maior disso é o Porto do Açu que tem esses dois fundos como controladores, ainda que o EIG Global Partners seja o dominante.

A pitada de sarcasmo Eike Batista reservou aos que indicam que o BNDES teve prejuízo com os empréstimos feitos ao Grupo EBX. O problema é que como cedo ou tarde haverá uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os empréstimos feitos pelo BNDES aos “campeões nacionais” do neodesenvolvimentismo lulopetista, é bem possível que essa declaração ainda venha a assombrar Eike Batista num futuro não muito distante. A ver!

 

Eike diz ter zerado as dívidas e que está de volta aos negócios

‘Aos contribuintes, I’m sorry, não devo nada’, diz o empresário sobre empréstimos do BNDES

QUE PERSONAGEM – Eike, no auge: filhos com o nome de deuses nórdicos, recorde mundial em corrida de lancha apesar da asma e restaurante chinês para chamar de seu
QUE PERSONAGEM – Eike, no auge: filhos com o nome de deuses nórdicos, recorde mundial em corrida de lancha apesar da asma e restaurante chinês para chamar de seu( André Valentim/VEJA)

O empresário Eike Batista disse que não tem mais dívidas e que está de volta aos negócios, com projetos na área de biotecnologia. “I’m back. Eike Batista zerou a sua dívida. E eu tenho algum patrimônio para começar”, afirmou na noite de sexta-feira, no programa Mariana Godoy Entrevista, da Rede TV!. “Quer saber qual o tamanho do meu patrimônio? Sabe o que está escrito no manual de um Rolls-Royce, na potência do motor? ‘O suficiente.'” Eike não quis dar detalhes, mas explicou que não pretende mais levantar recursos financeiros para os seus projetos na bolsa de valores. “Fundos de private equity e fundos soberanos ficam com você por dez anos“, afirmou.

Eike negou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenha perdido dinheiro com os empréstimos que fez para as empresas do grupo X. “O BNDES ganhou comigo”, disse o empresário. Ele usou como argumento o fato de que parte do capital do banco vem de recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional, ou seja, bancados pelos contribuintes. Mas ele negou estar em dívida com os brasileiros. “Eu não devo nada ao BNDES. A vocês contribuintes, I’m sorry, eu não devo nada.”

O empresário disse que as dívidas que tinha foram assumidas pelos credores que passaram a controlar as suas empresas. “A OGX tinha uma dívida de 5,7 bilhões de dólares com os credores. Eles assumiram o controle da empresa e, na negociação, aceitei todos os pedidos deles”, disse o empresário, que aproveitou para se defender. “Nos Estados Unidos, vergonha não é fracassar. Vergonha é não negociar de peito aberto, que foi o que eu fiz.”

O empresário criticou o ambiente de negócios ao tentar se justificar. “No Brasil, quando você é muito bom, vai atrasar dois anos na execução do projeto. É a nossa realidade”, disse Eike, citando greves trabalhistas e a demora na concessão de licenciamento ambiental como fatores que acabam atrasando a conclusão de projetos no país.

Eike é investigado pela suspeita de manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas na negociação de ações de suas empresas. Ele já foi multado em 1,4 milhão de reais pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão que regula o mercado de capitais, por irregularidades na divulgação de informações das companhias.

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/eike-diz-que-zerou-as-dividas-e-que-esta-de-volta-aos-negocios

Acionistas minoritários entram novamente contra Eike Batista (e Luma)

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A Associação Nacional de Proteção aos Acionistas Minoritários (ANA) acusa o empresário Eike Batista e sua ex-mulher, Luma de Oliveira, de crime contra o sistema financeiro; em ação impetrada nesta sexta-feira 5 no Ministério Público do Rio de Janeiro, a entidade afirma que há comprovação da prática de “insider trading” pelo fato de a mãe dos filhos de Eike ter comprado ações da MPX no fim de 2011 com base na informação – sigilosa para o mercado – de que a empresa fecharia acordo com a alemã E.ON; confira os documentos

Rio 247 – A Associação Nacional de Proteção aos Acionistas Minoritários (ANA) entrou nesta sexta-feira 5 com uma ação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra o empresário Eike Batista e sua ex-mulher e mãe de seus dois filhos, Luma de Oliveira, por crime contra o sistema financeiro.

Os acionistas minoritários afirmam que há comprovação da prática de “insider trading” – uso de informação privilegiada para benefício na negociação de valores mobiliários.

A ação, que pode ser conferida aqui, na íntegra, acusa Luma de ter comprado ações da empresa MPX, que era do grupo de Eike, em novembro de 2011 com base na notícia de que a companhia fecharia uma joint venture com a alemã E.ON. – fato ainda desconhecido pelo mercado.

“Entre os dias 22 e 28 de novembro de 2011 LUMA DE OLIVEIRA comprou mais de meio milhão de ações da MPX, mais exatamente 508.600 ações, distribuídas conforme tabela a seguir: 22.11.11 – 20.400 ações, 23.11.11 – 41.000 ações, 24.11.11 – 86.100 ações, 25.11.11 – 163.800 ações e 28/11/11 – 197.300 ações.

Em 9 de fevereiro de 2012, portanto depois da publicação do fato relevante anunciando a joint venture, LUMA DE OLIVEIRA vendeu 180. 700 ações, e o saldo em maio daquele ano. A operação rendeu a LUMA DE OLIVEIRA um lucro de 27%, à custa de quem lhe vendeu as ações e não dispunha das informações privilegiadas das quais ela certamente dispunha”, diz trecho do texto.

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/183818/Acionistas-minorit%C3%A1rios-voltam-ao-MP-contra-Eike.htm

O tubarão sem dentes

O campo de Tubarão Azul: não rendeu o prometido

Em agosto, a OGPar (ex-OGX) deixa de explorar o campo de Tubarão Azul. Não é mais economicamente viável. Numa palavra, o campo está esgotado.

Tubarão Azul era uma das promessas mais reluzentes de lucros para a OGX nos tempos delirantes em que Eike Batista imaginava ter uma petrolífera do tamanho de uma Petrobras.

Eike prometeu ao mercado que Tubarão Azul tinha condições de produzir 20 000 barris de petróleo por dia. Mas o campo nunca conseguiu passar dos 5 000 e atualmente produz 3 500 barris.

A partir de agosto, a empresa tem apenas um campo em produção, o de Tubarão Martelo.

FONTE:http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/o-tubarao-sem-dentes-de-eike-esta-esgotado/

OGX: de “campeã nacional” do neodesenvolvimentismo lulista ao fundo do poço

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A matéria abaixo, produzida pelo jornal Valor Econômico traz ainda mais notícias para os acionistas, principalmente os minoritários, da OG(X), a petroleira que causou o colapso do império do ex-bilionário Eike Batista. 

A leitura da matéria não deixa dúvidas sobre o final melancólico para a qual se dirige uma empresa que mereceu todos os carinhos e suporte financeiro por parte dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Aliás, se Eike Batista tem alguém para culpar por o destino inglório da OGX, basta se olhar no espelho.

OGX

Finalmente, não custa nada lembrar que da visita que a presidente Dilma Rousseff fez ao Porto do Açu, onde foi feita uma imensa cerimônia com direito a todos os gestos de grandeza. É que se olharmos os cenários otimistas pintados hoje pela atual controladora do porto, veremos que apenas otimismo e promessas de futuro róseo não bastam para fazer do empreendimento algo mais do que uma promessa.

UOL e a infindável desgraça de Eike Batista

Era para ser um hotel 5 estrelas de Eike; virou ocupação de sem-teto no Rio

Gustavo Maia, Do UOL, no Rio

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A piscina, no térreo, está vazia há anos. A pintura das paredes, descascada. Muitas das janelas e portas estão quebradas. A fachada exibe pichações. O abandono evidente contrasta com a beleza arquitetônica do edifício Hilton Gonçalves dos Santos, localizado no Flamengo, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro.

Inaugurado em 1953 para ser sede do Clube de Regatas do Flamengo, o prédio de 24 andares e 148 apartamentos foi arrendado em 2012 pelo clube à Rex Hotel, imobiliária do grupo EBX, do empresário Eike Batista. O plano era transformá-lo num moderno hotel de cinco estrelas com 454 quartos, em um investimento de R$ 100 milhões. Com a crise que desfigurou o império do empresário, o projeto nunca saiu do papel.

Na madrugada da última terça-feira (7), a história do edifício ganhou um novo capítulo com a chegada de cerca de 100 sem-teto, que ocuparam o local. O cenário dos dois primeiros andares se transformou radicalmente. Nos amplos corredores e salões do prédio, os novos moradores se instalaram em colchões encontrados nos apartamentos vagos e degradados dos andares superiores. Adultos e crianças, veteranos de ocupações, estão mobilizados para se adaptar ao novo e temporário lar.

A estada do grupo no prédio, situado no número 170 da avenida Rui Barbosa, vai durar pouco. Na última quinta (9), a Justiça do Rio determinou a reintegração de posse do edifício, que pode acontecer a qualquer momento. Ontem pela manhã, um oficial de Justiça foi até o local e informou os invasores sobre a decisão. A Polícia Militar, que auxiliará na ação, informou, à noite, que não divulgaria a data e a hora da reintegração.

A ocupação é feita majoritariamente por removidos em 26 de março de um terreno da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) na zona portuária. Entre a última remoção e a nova ocupação, muitos dormiram na rua, inclusive mães com bebês. De acordo com os ocupantes, cerca de 250 pessoas se revezam no edifício desde a terça. Alguns deles moraram, no ano passado, no antigo prédio da Oi, no Engenho Novo, na zona norte do Rio. A desocupação do imóvel completa um ano neste sábado (11).

Um dos representantes do grupo, Alexandre Silva, 37, criticou a decisão judicial e disse esperar que os defensores públicos que os representam revertam as liminares. “A decisão saiu em menos de um dia, o que é isso?”, questionou. “O prédio estava abandonado há muito tempo. Sempre ouvia isso e pensava: vou trazer o povo para cá”, conta Silva, que disse estar engajado na luta por moradia há 15 anos.

Ex-ocupante do edifício da Oi, Elizabeth da Silva, 37, se espantou com o tamanho do prédio e lamentou: “como é que pode? Um lugar tão grande desses, com tanta coisa se estragando, e tanta gente precisando de lar”.

Faxina, apreensão e fome

Viver em uma ocupação, em comunidade, exige disciplina. É o que ensina Cassiane Serafim, 42, que fez parte do grupo expulso do terreno da Cedae. “A gente lava e arruma tudo direitinho. Nos revezamos para lavar banheiro, varrer o chão. Agora estamos morando na frente do mar, né?”, comenta a mulher, que, desempregada, vivia de aluguel na Mangueira, zona norte, quando se integrou à ocupação na zona portuária.

“Quando a gente chegou aqui, só tinha entulho. A gente ajeitou tudo”, conta Alessandra de Souza, 45. Além da limpeza, os atuais moradores do edifício Hilton Santos têm que se preocupar diariamente com o que vão comer. “Estamos sobrevivendo de doações”, diz a mulher, enquanto cozinha macarrão instantâneo. “As crianças são prioridades. A gente às vezes passa fome o dia todo”.

Na tarde desta sexta, a reportagem presenciou o momento em que uma mulher parou o carro e entregou um saco com comida. Segundo os moradores, foi a segunda doação do dia. Água também está sempre no topo da lista de necessidades.

A presença de pelo menos uma viatura da PM na frente do prédio e de um segurança contratado pela Rex Hotel dentro do edifício durante todo o dia às vezes atrapalha a entrada de mantimentos e o trânsito dos ocupantes. Alguns deles disseram se sentir presos, já que podem ser impedidos de voltar caso deixem o imóvel. Um guarda ouvido sob anonimato pela reportagem, no entanto, disse que “dança conforme a música”.

Por serem os únicos com energia elétrica disponível, apenas os dois primeiros andares do prédio estão ocupados. Os ocupantes utilizam quatro banheiros no espaço e tomam banho de balde, com a água “amarelada” da cisterna do local.

“Distrair a mente”

Enquanto espera a definição da situação do grupo, José Ricardo, 31, tenta distrair a mente como pode. Nesta sexta, ele desenhou um tabuleiro de damas no verso de um quadro achado em meio ao entulho, recolheu tampas de garrafas para usar como peças e começou a jogar com a cunhada.

Na área externa do prédio, um grupo jogava bola. Quatro televisões, de variados tamanhos e estados de conservação, ficam ligadas durante a maior parte do dia. Mães e pais tentam entreter as crianças, muitas delas de colo.

O menino Carlos Silva, que tem um ano e dois meses de idade, corria pela piscina vazia atrás da mãe. “Ele está adorando brincar aqui”, disse a mulher.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/11/era-para-ser-um-hotel-5-estrelas-de-eike-virou-ocupacao-de-sem-teto-no-rio.htm

Rádio CBN faz matéria esclarecedora sobre a situação do Porto do Açu

Colapso de Eike Batista afeta obras do Porto do Açu

O empreendimento projetava, quando foi lançado há oito anos, ganhos aos comerciantes e trabalhadores que foram para a região de São João da Barra (RJ).

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Ouça reportagem 

FONTE: http://cbn.globoradio.globo.com/rio-de-janeiro/2015/04/18/COLAPSO-DE-EIKE-BATISTA-AFETA-OBRAS-DO-PORTO-DO-ACU.htm#ixzz3XfgKs4qk

Porto do Açu: investimentos bilionários combinados com multiplicação de mazelas socioambientais colocam em xeque a Prumo Logística

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A Prumo Logística vem encontrando eco na imprensa corporativa e na blogosfera para disseminar a informação de que investimentos bilionários já foram realizados no porto idealizado pelo ex-bilionário Eike Batista (Aqui!,  Aqui! Aqui!). Segundo os dados divulgados, apenas na construção do Porto do Açu já teriam sido investidos algo em torno de R$ 5,0 bilhões, o que somado a outros investimentos feitos em parceria com a Anglo American e com outros clientes chegaria a fabulosos R$ 10,3 bilhões!

Um primeiro detalhe a ser lembrado é que uma parcela nada desprezível desses recursos chegou via empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que apenas num empréstimo-ponte concedeu R$ 1,8 bilhão para a Prumo Logística tentar concluir as obras no Porto do Açu (Aqui!), o que tornou a empresa a principal beneficiária de empréstimos do banco estatal em 2014.

Diante de valores tão fabulosos, e levando em conta que a Prumo Logística também anuncia estar empenhada em estabelecer um modelo exemplar de governança corporativa (Aqui!), é que me parece estranho (para não dizer claramente contraditório) que uma série de mazelas estejam ocorrendo no entorno do Porto do Açu sem que a empresa passe do discurso e das promessas feitas nas apresentações de Powerpoint (do tipo daquelas que Eike Batista tanto usou para encantar e atrair sócios) para a ação prática. 

É que apenas para começo de conversa, sendo heranças malditas vindas do tempo da LL(X), o que temos atualmente é uma sinergia entre salinização, erosão costeira, dispersão de material particulado e, ainda mais importante, centenas de famílias que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo do Rio de Janeiro e permanecem há quase cinco anos a ver navios (que não são aqueles que estão saindo carregados de minério do Porto do Açu, devo frisar!). E diante disso, o que tem feito essa empresa se não negar suas responsabilidades e jogar o problema para o colo da Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN).

O problema é que não estamos mais numa época em que a informação não circula de forma rápida. Aliás, muito pelo contrário! Assim, além de ver a imagem vendida colocada em xeque pela realidade que se impõe a partir dos fatos objetivos, o que a Prumo está arriscando é ter que arcar com custos mais altos quando não tiver outra alternativa a não ser assumir suas responsabilidades. Por isso, talvez já tenha passado da hora de praticar as palavras proferidas pelo  seu gerente-geral de Sustentabilidade, Vicente Habib, durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal de São João da Barra em 01 de Outubro de 2014 para discutir a situação da erosão na Praia do Açu , quando ele afirmou que a Prumo não iria virar as costas para a população de São João da Barra (Aqui!).

Afinal de contas, dinheiro para isso, segundo declara a própria Prumo Logística, não falta!