E se Wladimir Garotinho, em vez de ir resolver ficar?

Por Douglas Barreto da Mata 

Desde que o nome do Prefeito Wladimir Garotinho começou a circular como hipótese para várias possibilidades nas eleições de 2026, que vão desde a vice-governadoria, parlamentar federal, e até a governadoria, não sendo indesejável para ele, eu penso, uma vaga ao Senado da República, o fato é que um caminho foi pouco lembrado, e até desprezado mesmo, pela maioria dos analistas sérios, e palpiteiros como eu.  Seria a permanência de Wladimir Garotinho como prefeito, até o fim do mandato.  De certo que isso mudaria todas as expectativas, e adiaria um pouco a assunção do vice Frederico Paes.

O fato é que, talvez, mais dois anos permitiriam a Wladimir organizar a passagem do bastão, ao mesmo tempo que ele poderia entregar o governo a um vice que se elegeu prefeito, e não apenas herdou o cargo por renúncia.

Uma nova base parlamentar seria eleita, já com essa configuração do novo prefeito, que exerceria com mais ênfase suas demandas na montagem dessa nominata, e faria seus próprios acordos, afastando o desgaste de ter que gerenciar acordos e as bases do Prefeito Wladimir Garotinho. Não que haja dissenso entre eles, o prefeito e o vice, ou entre o vice e a base atual, nada disso, apesar das insistentes fofocas, vai tudo bem no governo, é o que parece. Mas é diferente, quando você recebe o acervo político e quando você o monta.

Por outro lado, Wladimir Garotinho, exercendo o mandato até o fim, pode eleger sua esposa para a Câmara Federal em 2026, e rearrumar sua carreira para 2028, em um universo onde seu arqui rival estaria no TCE/RJ. O governador eleito, em dois anos, já diria a que veio, e a depender de quem Wladimir apoiar, ele poderia passar o período de 2026 até 2028 como secretário de Estado.

Tudo isso atenderia a um cálculo mais sofisticado, que consiste em garantir a aprovação de suas contas ainda nesta legislatura, e ao mesmo tempo, estando na estrutura do Estado, poderia manter o olho no TCE/RJ, para evitar surpresas desagradáveis.

Quem sabe?  A chance é pequena? Eu acho que sim, mas vai que ele resolve dizer, ali na curva da Lapa:  “Se é para o bem da cabruncada, e felicidade geral dos lamparão, diga à planície goytacá que eu fico.

Caminhando no fio da navalha: Eduardo Paes e A Escolha de Sofia

r/DrawMyTattoo - andando sobre o fio da navalha, desenho disponível

Por Douglas Barreto da Mata

Para quem tem mais passado que futuro, a expressão A Escolha de Sofia é conhecida. Sofia é a personagem vivido por Meryl Streep, uma judia na época do nazismo, que diante da iminência da morte de seus dois filhos, ela tem a chance de escolher salvar um deles. Como se vê, uma escolha dramática, uma sinuca de bico. Claro que essa alegoria não se aplica às escolhas que Eduardo Paes poderá enfrentar em breve, mas é certo que há uma enorme carga de tensão agregada. Explico. 

Os movimentos recentes de Paes, em acenos ao bolsonarismo mais extremo, como o pastor Silas Malafaia, ao mesmo tempo que trocou afagos com Cláudio Castro, podem significar muitas coisas, porém, estas são as que enxergo:  No plano nacional, Tarcísio de Freitas pode ter sido ungido pelo “Meta Centrão” para concorrer a Presidente da República. “Meta Centrão” é algo acima do conhecido eixo fisiológico do Congresso, e representa o PODER, a grana.  Faz parte desse clube gente como Temer, Kassab, Artur Lyra, etc.  Cada um desses medalhões tem suas zonas de influência, e no caso de Tarcísio, seu “dono” é Kassab.  Logo, se Kassab mandou Tarcísio concorrer, a configuração dos acordos pelos palanques estaduais do PSD tende para a direita. Kassab e o Meta Centrão sabem do potencial do espólio de Bolsonaro, e temem que Lula, na sua última missão, consiga diminuir o tamanho do Centrão. 

Todos dizem que a PEC da blindagem e a lei da anistia tentam encurralar o STF, após as sentenças do núcleo principal do golpe.  Pode ser, mas o principal motivo da ira parlamentar é o controle que Flávio Dino faz das emendas parlamentares.  É uma questão de grana. 

A questão de Bolsonaro virou troca de refém, moeda de negociação…um espantalho no milharal. É o dinheiro das emendas que mobiliza, tanto o parlamentar, quanto as empresas que lucram com as obras e compras públicas.  Sem grana, a bancada conservadora encolhe, e a Faria Lima empobrece.

Então, sabedores desses riscos, o “Meta Centrão” resolveu romper os laços com o governo Lula e partiu para o ataque. Bem, mas e Paes, o que ele tem a ver com isso?  Ora, tudo indica que Paes foi instado a fazer o dever de casa, e atrair o PL, e parte da federação União e PP, esvaziando qualquer chance de uma candidatura alternativa forte. 

Nessa conversa entrará Washington Reis, cujo cacife depende da inelegibilidade, que pode ser revogada ou não pelo STF. Paes teria, então, que escolher.  Ignorar Lula, romper uma amizade-aliança de anos, que permitiu ao alcaide carioca receber um oceano de recursos federais, eventos globais e etc, e ter um governo federal hostil, caso vença e Lula se reeleja, ou cumprir a missão partidária de se inclinar para direita. Não é uma situação confortável.

O Rio com um Governador sem apoio do Presidente passa fome. Por outro lado, romper com seus padrinhos políticos e o “Meta Centrão” é um problema na certa, inclusive do ponto de vista do financiamento partidário e da manutenção de sua base parlamentar, por exemplo. 

Enfim, Eduardo Paes vai caminhar no fio da navalha.

Eleições 2026: as placas tectônicas da política fluminense se agitam, talvez um pouco cedo demais

Por Douglas Barreto da Mata

Animado pelo aperitivo oferecido pelo editor deste blog, professor Marcos Pedlowski, vou colocar minha colher nessa sopa de eventos.  Há algum tempo atrás eu mantenho a opinião de que a pré campanha para o cargo de Estado do Rio de Janeiro, e demais posições vinculadas, como a composição de chapas (vice), senadores e deputados federais e estaduais, não serão definidas por uma afirmação de supremacia completa de uma facção sobre outra. Ao contrário, vai ser uma luta renhida, onde vão sobressair sobreviventes, e a depender da conjuntura a ser desenhada, os candidatos e os vencedores terão tantas cicatrizes que a vitória poderá ser comparada a de Pirro.

Além das questões próprias de todas as campanhas eleitorais em todos os níveis e lugares, o Estado do Rio de Janeiro carrega questões bem específicas, ou como dizem os gaiatos, “o Rio não é para amadores”. Nesse pleito de 2026, esse Estado estará em péssimo estado, me perdoem o trocadilho, e as representações políticas tendem a refletir esse ambiente de fragmentação e atritos. Não é fácil construir consensos no meio na penúria e caos, pois “onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”.

Uma olhada rápida para um dos concorrentes, o deputado estadual Rodrigo Bacellar e sua trajetória, até aqui, acidentada e truncada, são um exemplo dessa hipótese que defendo.  Claro, nenhum processo de construção de uma posição é isento de conflitos, rusgas, cotoveladas e dedos nos olhos.  Porém, olhando o adversário, Eduardo Paes, o único declarado até agora, observa-se que mesmo expostos ao mesmo tempo de especulação, pois os dois (Rodrigo e Paes) já revelaram seus planos desde 2022, parece que o caminho de Rodrigo pode ser comparado a escalada do Everest, enquanto Eduardo Paes, no máximo, sobe o morro da Pedra da Gávea.

Por certo, alguns dirão, principalmente os correligionários de Rodrigo, que isso pode fortalecer seu capital político e seu ânimo em vencer a tudo e a todos, e que uma queda de 50 metros é tão letal quanto uma de 500 metros.  Sim, o jogo só acaba quando termina. Não duvido, e a derrota do próprio Eduardo Paes para Wilson Witzel seria uma comprovação dessa teoria, que precisa ser ponderada àquela que ensina que as coisas só se repetiriam em condições exatamente iguais, e isso é impossível, porque o tempo sempre será outro. Em resumo, Rodrigo não é Witzel, Paes não é o mesmo daquele tempo, e o tempo é outro.

A experiência nos mostra que campanhas iniciadas com esse nível de esforço raramente conseguem manter o ritmo até o fim. É diferente ser um azarão desacreditado, sem máquina, sem apoios de peso, ser uma “zebra”, e estar na condição de governador em exercício, presidente da assembléia estadual e controlador de orçamentos, e ainda assim não conseguir pacificar nem seu próprio quintal, nem na sua cidade natal.

Olhemos as circunstâncias. O governo Cláudio Castro padece de um sintoma antigo, que incide sobre a maioria das administrações que o chefe não concorrerá à reeleição, que é o fim antecipado do governo e de sua força. Aqui adicionamos os problemas da estratégia eleitoral em si, que exige que o governador atual “troque o pneu com o carro andando”, ou seja, “deixe de ser” o centro das atenções para dar impulso ao concorrente que ele diz apadrinhar (outros juram que foi obrigado a fazê-lo). Tudo isso em um governo que não reúne boas condições administrativas (para ser bem gentil), acossado por questões jurídicas pendentes, e com baixíssimo apoio do eleitor.

“Ah, mas Eduardo Paes” também viverá esse problema da transição e enfraquecimento. Sim, mas quem olha esse processo na prefeitura carioca observa que o prefeito Paes parece muito mais confortável que o pessoal do governo do Estado. A cidade carioca firmou-se como destino de eventos importantes, e o prefeito conseguiu angariar toda a atenção, enquanto o governo do Estado parece um coadjuvante distante.  No debate sobre a segurança pública, Paes ganhou de lavada, e inverte uma lógica conhecida: mesmo alguns problemas sendo estaduais, como a segurança, o povo cobra do prefeito.

Eduardo Paes, nesse quesito, deu um nó tático no pessoal do governo do Estado.  Nesse sentido, talvez o silêncio da família Bolsonaro não seja apenas uma reticência pessoal do primeiro filho Flávio com o deputado Bacellar, como todos os bastidores da política comentam, mas um cálculo político, ou seja, os Bolsonaro aguardam para anunciar apoio, caso o deputado Bacellar sobreviva a essa primeira etapa.

É um recado importante, que mesmo não verbalizado, precisa ser ouvido.  Na política, às vezes, mais relevante é o que não é dito, arrisco a dizer que na maioria das vezes.  Os Bolsonaro devem saber que não hipotecar apoio antecipado e público ao deputado enfraquece sua posição de partida, pois pouparia o concorrente de vários embates e definiria aos agentes envolvidos quem é quem.

Ainda que lá na frente os Bolsonaro, como todo grupo político, refizessem cálculo e substituíssem o deputado, com outra estratégia ou uma improvável, porém não impossível aliança com Paes, mesmo assim o deputado estaria em condições de negociação muito melhores, inclusive em relação a caminhos eleitorais alternativos, ou até, como dizem, uma opção por uma vaga ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Então, sabedores de tudo isso, por que fazem desse jeito?  Bem, não ouso adivinhar, mas sei dizer porque não o fazem, não o apoiam de antemão porque não o julgam merecedor desse apoio, não agora, e adotam o critério da oportunidade (ou oportunista), isto é, se ele emplacar, vamos com ele mesmo.

Um outro método de observação que aprendi, com o passar dos tempos, é olhar com atenção às aparições e gestos públicos em torno do candidato.  Com exceção de seus deputados da chamada tropa de choque, e dos prefeitos que precisam de dinheiro, e por isso nunca ousariam fazer o que o fez o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, as visitas do governador em exercício em atos oficiais (e pré eleitorais) carecem de densidade (gente) e de repercussão, para além das bolhas de mídias já conhecidas.

Eu não posso afirmar com 100% de certeza, mas nessas agendas cruciais para o governador em exercício, pois são a largada de seu projeto, não vi nenhum nome “peso”, nenhum senador, como o próprio Flávio ou Portinho, que poderiam aproveitar para cerrar fileiras e, de quebra, começar as tratativas da campanha que vem por aí.  Pode ser zelo para impedir interpretações de campanha antecipada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE)? Pode ser reflexo das incertezas em relação a quem caberá qual vaga na chapa? Pode.

O estranho é que esse suposto cuidado não combina com tantas outras aparições descuidadas, ao mesmo tempo que seria normal a um pretendente a ser candidato a senador, como Portinho, e que não tem vaga certa, estivesse ali,  justamente, para demarcar seu território, disputar espaço, conquistar o apoio, ou ao menos, não ter o futuro governador e candidato contra si.  Enfim, o que parece é que Rodrigo Bacellar foi deixado no meio da arena, com leões como os Reis, os Garotinho, sem apoio explícito dos Bolsonaro, com a total indiferença de outro quadro relevante, como Dr Luizinho do PP.

Se ele conseguir sobreviver e sair debaixo dos escombros do terremoto causado pelo choque de tamanhas placas tectônicas, vai ter outra tarefa:  se conseguir construir uma campanha, ele já estará bem ferido, enfrentando alguém que não sofreu tanto, como Eduardo Paes.

Para não fugir a metáfora esportiva, é como se ele tivesse lutado e ganho uma luta de doze duríssimos assaltos contra Evander Holyfield, e duas horas depois voltasse ao ringue para enfrentar um George Foreman totalmente descansado. A vitória é possível, porém, improvável.

Freio de arrumação põe fim na paz tensa: Rodrigo Bacellar exonera Washington Reis

Fim do armstício e guerra declarada: governador em exercício, Rodrigo Bacellar, exonera o secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB)

Fim dos sorrisos de fachada:  com a caneta na mão, Rodrigo Bacellar exonera Washington Reis

Em uma mais uma demonstração de que as eleições de 2026 já estão afetando a geopolítica fluminense, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro traz hoje a exoneração do ex-prefeito e ex-deputado Washington Reis (MDB) do cargo de secretário estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (ver extrato abaixo).

Como até as pedras do Rio Saracuruna sabem das pretensões de Washington Reis de se candidatar ao cargo de governador no ano que vem, essa exoneração tem claramente a intenção de não deixar que ele continue usando o cargo de secretário para mostrar sabe-se lá qual tipo de serviço.

Mas como na política do Rio de Janeiro, pau que bate em Chico sempre acaba batendo em Francisco, aguardemos os próximos capítulos dessa novela trágica agora que o armísticio tenso entre Bacellar e Reis chegou ao fim. 

Café com poesia para animar uma manhã fria

Por Douglas Barreto da Mata

“João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.”

2026 não será o ano dos concorrentes ou oponentes que medindo forças trarão um resultado nas urnas.  Apesar de ser esta a aparência, a disputa não consagrará um vitorioso, mas antes de tudo, um sobrevivente.  Não há em 2026 uma comparação de projetos antagônicos de poder político, ou visões distintas de mundo, esquerda ou direita. Ao contrário, 2026 é um ambiente conflagrado entre forças de mesma polaridade. 

Sendo assim, forças do mesmo polo em movimento acabam por colidir, e dessa colisão vem a fricção, o calor e as explosões.  Paradoxalmente, dada essa natureza política similar, essas forças, se estiverem isoladas, não conseguem chegar a lugar algum.

Rodrigo sem Wladimir, sem Reis não vence Paes. Paes sem Wladimir e/ou Reis não vence Rodrigo.  Reis sem Paes, sem Wladimir, não derrota Rodrigo.

Esses personagens estão irremediavelmente atados no campo da direita, disputando espaços sobrepostos (capital e Baixada) ou complementares (capital/Baixada e interior).  Ainda que haja uma indicação de que os palanques presidenciais sejam diferentes para Paes (com Lula?) e o restante com Jair Bolsonaro (?), o fato é que todos estão em busca do eleitorado conservador fluminense, já que o chamado eleitorado progressista talvez faça pouca diferença nesse jogo.

E  Cláudio Castro? Bem, Castro pode ser o J. Pinto Fernandes dos versos de Drumond ou Joaquim, quer dizer, pode perder tudo ou ganhar tudo. 

A julgar pelas caneladas passadas e as recentes entre os dois chefes de poderes estaduais, Castro também pode recitar outros versinhos de Drumond:

“No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.”

Rodrigo Bacellar, nas eleições de 2026 qual vai ser a sua pílula: a azul ou a vermelha?

Blue Pill or Red Pill – música e letra de M501 | Spotify

Por Douglas Barreto da Mata

Em 2026, o Estado do Rio de Janeiro e seus personagens políticos vão enfrentar “escolhas” dignas daquela apresentada a Neo (Keanu Reeves), o herói da saga Matrix, ou seja, vamos de pílula azul ou de pílula vermelha? Um dos principais concorrentes, o Presidente da Assembleia Legislativo do estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Rodrigo Bacellar está diante dessa “escolha de Sofia” (perdão por misturar as referências cinematográficas). No mundo da simbologia política, dos gestos, dos vídeos e fotos das redes sociais, são inequívocos o poder e influência do parlamentar estadual.

Ao mesmo tempo, no mundo chamado real, esse poder e capacidade de articulação nos bastidores da política são flagrantes. Ninguém chega à presidência da Alerj sem ter predicados, isso é óbvio, apesar de seus detratores argumentarem que a fraqueza evidente do governador Cláudio Castro, que chegou ao cargo sem um grupo, ou um projeto, tornaram a tarefa da captura do governo pelo deputado Bacellar bem mais fácil.

Poder ser, mas chegar onde chegou não foi pouca coisa. Porém, dar o salto para a cadeira de governador (re)eleito, para além das substituições ou renúncia do atual titular, em tática rumo às eleições, é algo bem mais complexo.

Aí eu recorro às pílulas azul e vermelha. No filme, a escolha é entre a versão da realidade e a realidade em si, embora a história do filme ainda traga outra questão filosófica, a saber, se a escolha é realmente livre, ou se ela é limitada pelas opções apresentadas, restringindo a imprevisibilidade do resultado a uma condição já determinada antes. É a eterna discussão do livre arbítrio, que atormenta a Humanidade, porque se Deus é Deus, e sabe de tudo, o passado, o presente, e o futuro, como dizer que há uma escolha livre se Ele já sabe o que vamos escolher?

Vamos deixar essa confusão de lado, porque o texto pretende ser simples, embora trate de tema igualmente complexo. Rodrigo Bacellar pode ter feito a pior escolha de sua vida. Ao se colocar como um pré candidato a governador, desde sua reeleição para a presidência da Alerj, pelo menos, ele incorre no risco de sepultar sua meteórica carreira. Não porque ele não reúna condições ou qualidades para o cargo, e esse julgamento é, em última instância, do eleitor, de seus aliados, e dele mesmo.

A questão não é essa. O problema é se colocar em rotas que o levam a quartos escuros sem portas de saída ou janelas. Parece ser o caso, principalmente porque ele, há muito tempo, não permitiu a si mesmo outra alternativa, que não fosse a declarada por seus atos e decisões. Não é muito saudável se apresentar como: ou sou candidato a governo do Estado ou não tenho outro caminho.

Em primeiro plano, há um fator real e inexorável: Eduardo Paes é o franco favorito nesta corrida, apesar de que haja sempre espaço para o imponderável em corridas eleitorais. Comparações são inúteis.Cada momento é um momento, e mesmo as derrotas de Paes nos pleitos anteriores devem ser consideradas em seus contextos. Essas condições não se repetem, embora sirvam como balizas para estudos e estratégias.

Porque se adotarmos a lógica dos partidários de Bacellar, de que Paes é um “cavalo paraguaio” quando concorre a governador, temos que lembrar que nenhum presidente da Alerj chegou ao Palácio Guanabara. Não de forma direta, pois o exemplo mais recente, Cabral era senador quando foi eleito.

Os obstáculos de Bacellar são outros. Qualquer pessoa honesta o suficiente para torcer por esse ou aquele, mas sem contaminar seu olhar, sabe dizer que nas cúpulas partidárias, que formam aquilo que se chama de campo da direita, PP, União, PL, MDB, há um consenso formado: Nenhum dos caciques quer a candidatura de Bacellar, e nesse grupo há os que admitem por falta de opção e os que não admitem de jeito algum. Nenhum, exceto Antônio Rueda.

Todos os movimentos recentes, as falas e cotoveladas apontam isso. Em dias próximos da maior manifestação evangélica do Estado, A Marcha Para Jesus, um dos líderes do segmento, Silas Malafaia verbalizou de forma direta: “Com ele eu não vou”. O pior: lá no calor do evento, o pastor Malafaia fez questão de agradecer a Castro e ao prefeito da cidade, Eduardo Paes. Bacellar não foi ao evento, assim como Paes também não foi, mas o nome de Bacellar foi ignorado, ao contrário do prefeito.

Os maledicentes dizem que Malafaia ampliou o vídeo de Wladimir Garotinho, que dias antes falou o mesmo. É claro que o prefeito Wladimir Garotinho não é “dono” do eleitorado em sua cidade, mas quem obteve 192.000 votos para reeleição a prefeito, não pode ser minimizado como um obstáculo. A cidade de Campos dos Goytacazes é conhecida por ser um pólo regional, e mais, foi a única cidade do interior que elegeu governadores, e que hoje tem um outro pretendente, que é presidente da Alerj.

Ora, então, mesmo que os amigos e aliados de Bacellar digam que a declaração do prefeito é pouco relevante, a verdade é o contrário, a cidade tem muito peso político, e irradia seus humores pelo interior. Depois a família Reis atacou em dois flancos, ao mesmo tempo que protagonizou um chamou-não chamei Wladimir para ser candidato a governador, abraçado aos pais dele, o patriarca Washington entrou em rota de colisão com o governador Castro, sobre a tarifa de trens.

Dirão os otimistas que esses movimentos são comuns, são próprios de “uma dança do acasalamento”, onde os gestos ríspidos são uma forma de aumentar o cacife de quem vai aderir, com o objetivo a tirar compromissos mais vantajosos de quem quer o apoio. Pode ser. Mas a diferença entre a escaramuça de aliança e a uma resistência consistente é a dose, o alcance e amplitude do movimento.

Quem olha o cenário tem a nítida impressão de que se houver uma candidatura de Bacellar, ela corre o risco de ter gasto toda sua força para se impor, para se colocar no “grid”, deixando o competidor sem combustível para corrida. Ainda que concorra, e ainda que ganhe, outros dizem que é muito esforço para governar por 4 anos, já que lhe seria vedada nova reeleição. Seria uma vitória de Pirro.

No entanto, essa chance de vitória é bem pequena, como dizem as projeções. O fato é que Bacellar, apesar de ter sido o homem mais forte do governo Castro, pode estar sendo utilizado por este último como ponta de lança para forçar uma vaga para o atual governador ao senado na chapa do PL, que tem vagas de menos e gente demais querendo. Por outro lado, o melhor que o PL tem a oferecer, o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, parece não estar disponível a Bacellar. Salta aos olhos que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio hesitem tanto em manifestar apoio a Bacellar.

Cautela? Como assim? Esse cuidado só se justifica caso eles considerem outra alternativa senão o Presidente da Alerj, certo? Caso contrário, qual seria o óbice a ungir Bacellar e fortalecer seu nome desde já, junto ao eleitorado cativo do ex-presidente, que não conhece Bacellar, como mostram as pesquisas, e que, ao mesmo tempo, rejeitam o atual governador e o seu governo, justamente o ponto de apoio e lançamento de Bacellar? Não é urgente reverter esse quadro com as bênçãos do ex-presidente? Por essas razões, é justo supor que Bacellar esteja sendo encaminhado para um ponto sem retorno, sem plano B.

Seja pela rejeição dos caciques aliados, seja pela indisposição dos Bolsonaro, seja pelos interesses cruzados de que diz lhe apoiar, ou pelo favoritismo do adversário, e seu arco de influência, que vai desde a centro esquerda, passando pelo centro, além de ser o preferido das organizações Globo, dos bancos, e de empresários chamados “tradicionais”, parece que, apesar do compreensível ufanismo bairrista de analistas locais, a candidatura de Bacellar pode ser descrita como um parto complicado.

A História tem poucos exemplos de candidaturas impostas, a ferro e fogo, que deram bons resultados. Geralmente, candidaturas bem sucedidas derivam de amplos consensos, de um “processo natural”, mesmo que haja focos de oposição aqui e ali. Se olharmos para a pré candidatura de Bacellar poderemos saber exatamente qual das alternativas acima ela se encaixa. Então, um outro pensamento que me ocorre quando penso em escolhas, em pílulas azuis ou vermelhas é: Às vezes, o desastre não é escolher entre um caminho ou outro, mas sim que essa opção nos leve a não termos mais saída alguma.

É preciso adequar nosso apetite àquilo que podemos mastigar, engolir, digerir, e, botar para fora depois.

A quarta-feira de cinzas da sucessão estadual: vai ter nota 10 ou choro na Apoteose?

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Por Douglas Barreto da Mata

Eu não tinha nenhuma intenção de fazer uma espécie de “minissérie” de análises sobre a sucessão estadual, mas o desenrolar dos acontecimentos torna irresistível esse formato, algo como um enredo, ou uma mini novela.  Nos dois primeiros textos [Aqui! e Aqui!) , que você pode ler abaixo, o eixo central foi a intrincada engenharia que será necessária para tornar candidato a governador o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacelar.

Apesar da torcida de seus correligionários, e das “análises” de seus órgãos de imprensa, o fato é que a coisa é mais complicada do que parece.  Hoje vamos tentar dar um desfecho no raciocínio, deixando claro, óbvio, que não temos a pretensão de ir além da mera projeção de cenários.

Se a candidatura de Rodrigo Bacelar depende da renúncia de Thiago Pampolha, é sobre essa questão que devemos nos debruçar, embora haja outras subjacentes, que não podem ser desprezadas, como ressentimentos e vinganças guardadas como iguarias no freezer para serem consumidas no devido tempo.

Aqui eu menciono a possibilidade de Cláudio Castro devolver ao presidente da Alerj todas as desfeitas que teve que suportar nesse trajeto, soprando ao ouvido de Pampolha que aceite o acordo, mas não renuncie.

Mas voltemos ao principal, isto é, para onde vai Thiago Pampolha?  Ora, os “bacelar-boys” juram que o vice-governador aceitou ir para o TCE. 

Tomemos isso como certo.  A questão não é querer, pois Thiago, por ele mesmo, já sabe que ficou com poucas opções eleitorais.  Talvez uma candidatura de deputado federal pelo MDB. O problema é Thiago acreditar em Rodrigo Bacelar e Cláudio Castro.

Com a possibilidade de discussão judicial de sua indicação, como já anunciou o advogado Travanca, e com a jurisprudência recente do STF, acionada recentemente pelo MP, contra o deputado Albertassi, fica claro que não há vaga certa.

Ora, como já disse em outro texto, seria o “crime perfeito”. A promessa  da dupla Rodrigo/Castro a Pampolha, lembremos, é de indicação e aprovação do nome, não é de assunção da vaga.  Assim, como disse um amigo observador atento dos bastidores, Thiago ficaria sem a vaga, que seria reservada para Castro ou o próprio Rodrigo, caso os planos eleitorais de ambos não dessem certo.

Bem, Thiago pode ter pensado nisso.  Porém, Thiago pode ser muito mais esperto do que julgam. Afinal de contas, ele sabe, e todos os integrantes deste desfile sabem que Thiago é um dos candidatos que mais pode atrapalhar Eduardo Paes, ainda mais se ele tiver um vice com Wladimir Garotinho.  Seria uma nova formatação capital e interior.

Para Wladimir Garotinho não seria má ideia, já que ele seria vice de um governador de um mandato, já que Pampolha não poderia se reeleger.  Para o campo da direita seria ótimo, dois jovens, de centro, um evangélico, um vice-governador, com alguma penetração na capital, e outro herdeiro de uma família de governadores.

Thiago, se tiver noção desse cacife, pode ter negociado com Eduardo Paes, não para compor a chapa dele, já que os dois se sobrepõem na capital, e ambos sabem que essa vaga deve ser ofertada a Wladimir.  Pampolha pode receber de Eduardo as chaves da prefeitura do Rio, e a garantia de torná-lo o futuro prefeito em 2028. Não é pouca coisa.  Esse arranjo pode ter selado a sorte de Rodrigo Bacelar e de Castro, quem sabe?

Thiago Pampolha, nesse momento, está “fingindo de morto para ver quem vai a seu enterro”. Por que trocar um acordo com melhores chances de concretização com Paes, para ficar com uma promessa de quem já lhe maltratou tanto?

Enfim, por onde quer que se olhe, as chances de Pampolha renunciar ao cargo de vice-governador para que Rodrigo Bacelar seja candidato é uma ilusão de Carnaval, que pode acabar em choro na Apoteose.

Thiago Pampolha está afinado com Rodrigo Bacelar ou vai atravessar o samba?

Castro reitera apoio a Bacellar e diz que Pampolha não é mais do seu grupo  político - blogdoarnaldoneto.com.br
Por Douglas Barreto da Mata

Um termo muito em voga em tempos de realidade líquida (Baumann) é a teoria da conspiração. Com a dificuldade em estabelecer a relação de causa e efeito, e por conseguinte, determinar os fatos por sua natureza, é comum que se criem versões fantasiosas e alternativas, impregnadas de vieses, que não raro defendem interesses inconfessáveis. Esse fenômeno não é novo, como dizem.

A mídia comercial gosta de nos fazer crer que ela é quem pode validar a verdade, com slogans tipo “fato ou fake” e outras baboseiras, e que esse tipo de conduta manipuladora é algo da internet. Tudo mentira. Mídia empresarial e redes sociais disputam entre si o monopólio da mentira, que durante muito tempo era um mercado exclusivo das mídias tradicionais. Estava tudo ali, discurso de ódio, racismo, etc, desde as produções de “entretenimento”, até às redações jornalísticas.

Os princípios que nos tornaram violentos, escravocratas modernos, misóginos estão todos ali, desde Bom Dia, Brasil, passando pela Sessão da Tarde, novelas, Jornal Nacional, e com os filmes de violência enlatada produzidos pelos EUA. A grande embalagem desse pacote tóxico sempre foi o preconceito de classe, óbvio.

Não se esqueçam das propagandas, por favor, que misturavam cigarros com esporte, álcool com corrida de carros, de material de limpeza, cama, mesa e banho só para mulheres, enquanto aos homens brancos, os produtos que simbolizavam a macheza, o sucesso. Os pobres nordestinos sempre na portaria, o “malandro” dos morros, as pretas sempre lavando, passando e cozinhando.

Então, a briga entre mídia e redes sociais é só para disputar esse legado. Mas por que eu fiz esse enorme nariz de cera? Para abordar novamente a sucessão estadual. Eu trago uma “teoria da conspiração”, que eu já apresentei neste blog prestigioso, e como uma boa teoria, ela só especula. Não é conspiratória, na verdade, não desejo tirar proveito dela, ela apenas traz hipóteses. Meu trabalho é juntar pedaços, indícios, rumores, movimentos anormais, e juntar com dados.

Dois dados recentes. Um advogado de sobrenome Travanca resolveu dizer que vai atravancar (desculpem o trocadilho) a indicação de Tiago Pampolha, atual vice-governador, para a vaga de conselheiro do TCE, que seria uma das contrapartidas oferecidas a ele, caso aceite entregar o governo do Estado ao presidente da Assembleia Legislativo do estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacelar. 

Eu achei que fosse uma simples chantagem.  Aí aconteceu outra coisa.  O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as indicações aos Tribunais de Contas dos Estados  (TCEs) devem seguir, por simetria, as regras da Constituição Federal 1988 para o Tribunal de Contas da União (TCU).  Em resumo, essa imposição determina que haverá uma alternância para ocupação das vagas, com parte delas para privilégio de critérios técnicos e/ou de carreira dos órgãos, diminuindo as margem de discricionariedade dos governadores, traduzindo, estreitou o caminho para indicados políticos, como seria o Pampolha.

Muita gente boa passou a jurar aos pés da cruz do Monte do Calvário que Thiago Pampolha vai aceitar a vaga no TCE.  O problema são os detalhes.  O diabo, sabemos, mora nos detalhes.  Para o presidente da Alerj sentar na cadeira faltam muitas variáveis, que por serem muito individuais, são muito imprevisíveis.

Vejamos: o governador Cláudio Castro precisa renunciar, e para tanto ele quer ter atendido seu pleito de ser candidato ao senado. Não há garantia disso pelo clã Bolsonaro, que controla essas escolhas.  Se o governador sair, o vice-governador Thiago Pampolha tem que acreditar nas promessas que lhe foram feitas, e resistir a tentação de ser ele mesmo o candidato.  Seus dotes eleitorais medidos pelas pesquisas são tão ruins como os do presidente da Alerj, então, esse não é um balizador para afastar ele do propósito.

]Thiago Pampolha ainda tem outra qualidade, seu nome é muito mais bem aceito que o nome do presidente da Alerj, e a aprovação de seu nome evitaria uma revoada dos cardeais da política fluminense, que já disseram à boca miúda que não vão com o presidente da Alerj.  A única ressalva dos cardeais do PL, parte do PP, parte do União e do MDB a Pampolha é a pouca quilometragem.  Por fim, se Pampolha olhar para trás, e tomar como base o tratamento que recebeu do governador e do presidente da Alerj, ele tem muita chance de não confiar nas promessas.

Com o anúncio do Travanca, a base de jurisprudência construída pelo STF, recentemente, há sinais de que Thiago Pampolha pode ser abatido em pleno voo para o “asilo TCE”, antes mesmo de assumir. Seria um crime perfeito, afinal, aparentemente, a promessa foi paga.  Mas, afinal, vocês perguntariam, por que fazer isso com o Pampolha?  Pelo mesmo motivo que Pampolha pode estar acordado com o governador para não deixar a vaga para o presidente da Alerj.

Com a chegada desse grupo político no Guanabara, se estabelecer como um político de peso tem muito mais a ver com destruição de adversários, do que com realizações ou capacidade de articulação.  Não há aqui nenhuma crítica, só uma constatação.  Por isso, enfim, eu acho que esse triângulo político Castro, Rodrigo e Tiago ainda vai dar enredo para muito “desfile”.

Wladimir está sob fogo cerrado, mais por suas qualidades do que por seus defeitos

Por Douglas Barreto da Mata 

“Onde todos vêem coincidências, eu vejo consequências…”

Essa frase aí em cima é dita por uma personagem de nome Merovingian, de um filme bem famoso, A Matrix.   É auto explicativa. Não há acaso, há relação de causa e efeito. Concordo. 

Olhando a situação do prefeito Wladimir Garotinho pelas mídias e redes sociais temos a impressão de que o mundo desaba sobre Campos dos Goytacazes. Problemas? Muitos, e nem o prefeito ou qualquer outro integrante de sua administração escondem as dificuldades orçamentárias atuais e as iminentes.

A imagem do prefeito “caixeiro viajante” já foi incorporada no imaginário político local, com as frequentes idas de Wladimir Garotinho a Brasília em busca de emendas e leis, como a do semiárido, que tragam algum recurso ou que viabilizem determinadas atividades econômicas. 

Concordando ou não (eu, por exemplo, não sou entusiasta dos subsídios e facilidades para o setor sucroalcooleiro), o fato é que o alcaide não hesita em pedir mais e mais verbas para a cidade. 

Ele só não bateu mais a porta do governo do Estado, como me disseram em segredo alguns integrantes da administração, porque depois que o palácio Guanabara virou comitê de campanha do presidente da Alerj, ninguém mais tem recursos do Estado se não hipotecar apoio ao presidente da Alerj.

É nessa toada que volto ao título. 

O aparente “inferno astral” da administração, com servidores, donos de hospitais, permissionários de transporte complementar (Van) e etc berrando para ganharem mais um pouco não é coincidência, é consequência.

Tudo indica um esforço concentrado de sabotagem e pressão política para dobrar o prefeito em direção ao “Castelo da Guanabara”, onde se pratica aos amigos tudo, aos adversários, a lei (do cão).

Nesse momento em que o prefeito é cortejado por Eduardo Paes parece estranho que movimentos sincronizados se levantem contra o prefeito.  Há de se pensar, se tudo estivesse tão ruim, quem ia insistir em ter o prefeito como parceiro de chapa? Pois é.

Por exemplo, essa série de eventos tem como um de seus destaques as intermináveis obras da Rodovia dos Ceramistas, que empurram o tráfego pesado de carretas para dentro da cidade.  Digo e repito, eu nunca vi, em toda a minha vida, uma obra de recuperação de pavimento sem a possibilidade de pare-e-siga.  Mas, faço a ressalva para os limites de meu conhecimento empírico frente a engenharia contratada pelo DER/RJ.

Servidores têm todo direito a reivindicações salariais, mas quem olhasse os gatos pingados em frente a prefeitura não pode deixar de pensar que foi uma “manifestação encomendada”, algo feito para fazer conteúdo para redes sociais.  Quem faz uma reivindicação com 20, 40 pessoas em nome de 30 mil servidores? 

Ao mesmo tempo, temos os hospitais privados de Campos dos Goytacazes batendo tambor.  Mais de 1 bilhão em 4 anos!  Reclamam valores de 100 milhões, que uns dizem que não há documentos, outros dizem que foi ajuizada.  Funcionários amigos da saúde me dizem que a dívida real, que remonta a gestão Rafael Diniz seria de cerca de 40 milhões, e segue sendo discutida na justiça.  Sendo ou não verdadeiras as versões, então que se resolva na justiça.  Agora, parece muito estranho que uma cidade pague 1 bilhão de reais ou mais em quatro anos, e se negue a pagar ou negociar 100 milhões.

Cadê o bom senso da mídia?  A questão que não foi perguntada é :  o prefeito e seu secretário de saúde, o presidente da FMS têm direito a mudar a gestão do atendimento e contratualização?  Claro, eles foram eleitos para isso, e se eles entenderem que deverá diminuir ou acabar a contratualização de hospitais privados, é direito deles, desde que se ofereça alternativa.

E mais, eles têm o dever de informar as irregularidades do setor, como a cobrança duplicada de consultas e procedimentos (cobra do paciente “social” e cobra do SUS), caso constatem tais desvios de conduta.  Há fundadas suspeitas de que administradores dos hospitais não resistiriam a um exame detalhado de seu patrimônio, que contrasta com a penúria das instituições.  Essas instituições, diga-se, não podem ser confundidas com os seus péssimos administradores.

Quem vai julgar é o eleitor.  Enfim, tudo indica que as raposas da terra estão a dizer que as uvas estão verdes.  Querem abater o prefeito porque parecem ter escolhido um lado na corrida eleitoral de 2026.  Wladimir está sob ataque por suas qualidades, e não pelos defeitos.

Entre sapos e escorpiões, assim caminha a sucessão fluminense

Por Douglas Barreto da Mata

O anúncio veiculado pela página Tribuna NF é mais um movimento interessante no cenário estadual fluminense.  Os analistas, militantes, assessores, enfim, toda a fauna política que circula entre o Palácio Tiradentes e o Guanabara, sejam da capital ou do interior sempre tiveram a mesma dúvida:  qual seria o preço, e melhor, quando seria cobrado o preço da intensa e conflituosa relação do Presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj) e do Governador Cláudio Castro, que hoje é apresentada como uma relação maravilhosa, mas que, como toda relação política, já teve seus momentos de ruptura e ódio recíproco? A resposta parece ter chegado. 

O Governador, ele mesmo com opções políticas restritas às circunstâncias de fim de governo, que, educadamente, chamaremos de melancólicas, sinalizou que está disposto a puxar o pino da granada e abraçar o Presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar.  Mesmo que consideremos que nem toda fala corresponde ao ato anunciado por ela, a questão é que a mera exposição de seu conteúdo pode estremecer tudo e todos ao redor.

Explico.  Quando afirma que não renunciará, e não permitirá ao vice que ele assuma, o chefe do executivo estadual pode querer dizer o seguinte, não nessa ordem, e nenhuma hipótese exclui a outra: Vai embaralhar o jogo todo, diminuindo as chances de negociação entre o vice-governador Thiago Pampolha e Rodrigo Bacelar, já que não haverá a cadeira para a cadeia de sucessão.

Esse movimento pode ser dirigido ao principal nome do bolsonarismo no Estado, o primeiro filho, Flávio, que seria instado a prometer a Claúdio Castro uma das vagas para o Senado, e assim “remover” o atual governador, e permitir a retomada das conversas entre Rodrigo Bacelar e Thiago Pampolha.

Atrapalhar qualquer possibilidade de Thiago Pampolha sentar na cadeira, e impedi-lo de descumprir o acordo de renunciar em favor de Rodrigo, o que tornaria Pampolha um nome de chances reais, já que, até aqui, sua candidatura (de Pampolha) não passa de um desejo pessoal do vice-governador, sem qualquer repercussão na corrida real, dada sua baixíssima densidade eleitoral, até aqui.

Sim, pode ser tudo isso, mas…Primeiro é bom dizer em alto e bom som. Com a renúncia de Castro, Bacelar pode ou não suceder Pampolha. Sem isso, nunca o fará.  Pampolha hoje depende muito menos de Castro ou de Bacekar, ou ainda, dos Bolsonaro para se movimentar.

Não, seu principal eixo de interesse parece ser aproximar-se de Eduardo Paes, seja para disputar como vice dele, e neste caso, vencer o argumento de que não preenche o perfil de “ser do interior”, que é o que o prefeito carioca precisa, seja para ser ele o cabeça de chapa, caso Paes seja vice de Lula, como jogou aos ventos o prefeito de Maricá, Washington Quaquá.  

Então, Thiago Pampolha precisa menos das ações do governador que Rodrigo Bacelar, óbvio, ainda mais com o atual estado de aprovação do Governo do Estado. Um parêntese:  note você, leitor, que há uma corrida para ser vice de Paes, e nenhuma comoção para ser vice na chapa do PL/União. Esse sintoma demonstra a dificuldade que terá o “Hub” da direita bolsonarista em atrair prefeitos e forças regionais.

Voltando à estrada principal.  Mas e se Castro tem razão, e Pampolha realmente não se inclinasse a renunciar e deixar o seu candidato (é o que diz Castro) ocupar a cadeira a tempo de reunir a máquina estadual em torno dele (Bacelar)?

Ora, dirão os que ainda acreditam que a travessia do rio pelo sapo com o escorpião de carona será concluída sem problemas, restaria a Bacelar com esmagadora maioria parlamentar, impor um processo de impedimento a Pampolha, tomando-lhe a cadeira, e ao mesmo tempo, imobilizando sua candidatura, assumindo ele o cargo a tempo de ampliar suas chances.

É aí que está o caroço nesse angú. Se Castro parece ter um temperamento mais manso, não podemos duvidar do teor de veneno que carregue em seu ferrão, sendo essa vingança a prova dessa natureza.  Impedindo a vacância de sua cadeira, mantendo-se até o fim do mandato, estaria fadado a um período de ostracismo político, é certo. Mas não permitirá que seu “candidato” Bacelar seja viável, deixando poucas opções para ele, já que Flávio Bolsonaro não parece inclinado a negociar uma das vagas na chapa ao senado.

Melhor dizendo, dada a posição de Castro na preferência e aprovação do eleitor fluminense, digamos que ele não seria o “favorito” dos Bolsonaro para concorrer ao senado, aliás, essa falta de densidade também acomete o Presidente da Alerj.  Talvez essa dupla falta de capital eleitoral seja o reconhecimento pelo eleitor fluminense de que o governador e o Presidente da Alerj sejam “uma coisa só”, imagem que eles se esforçaram em construir, mesmo que só para consumo externo.

Cláudio astro parece saber disso tudo, e joga para a “galera” um “ultimato”, já que sabe que são pequenas as chances de Flávio Bolsonaro lhe ceder o que deseja, o senado.  Assim, pode dizer a todos que se “sacrificou” para impedir a ascensão de Pampolha, que uma vez governador, e candidato de Lula e de Paes, poderia “ganhar” o apoio dos deputados da Alerj.

Pode ir além, e dizer que Pampolha conhece a casa parlamentar estadual, sabe que os deputados tendem a oscilar em fim de ciclos, como o de Castro, e que muita gente ali espera com ansiedade a chance de retaliação ao atual Presidente, pelos vários incidentes que causa com seu estilo. Novamente, e enfim, reafirmo que o deslocamento do governador para essa posição anunciada pode estar impregnado de muitas razões e objetivos.

O objetivo principal?  Executar uma ultra sofisticada retaliação a quem nunca fez questão de esconder de que era o poder de revisão no grupo, às vezes (muitas vezes) sem a menor fidalguia.  Uma coisa é certa, nenhuma das alternativas imaginadas por Cláudio Castro leva em conta o sucesso da candidatura de Rodrigo Bacelar.  Sendo assim, neste caso, até interessa pouco saber quem é o sapo, quem é o escorpião.