Em Campos, o prefeito-candidato recebeu muitos presentes da oposição “Papai Noel”

papai-noel

Por Douglas Barreto da Mata

Se me perguntassem o que eu desejaria para ser candidato à reeleição, caso fosse prefeito de alguma cidade, eu diria, sem pestanejar: uma oposição como esta que enfrentou Wladimir Garotinho, o atual prefeito de Campos dos Goytacazes, e candidato à reeleição.

Eu não vou repetir aqui, para não ficar enfadonho, que as táticas e estratégias da oposição, em especial aquela representada no pessoal da delegada, e no pessoal do PT, foram um total desastre. Não me preocupa aqui o resultado das eleições, que podem sim, mudar até lá, diga-se de passagem.  Só voto apurado é voto certo, dizem as raposas políticas, apesar de todo favoritismo do atual prefeito. 

Hoje eu me refiro aqui a uma derrota muito pior.  A derrota de reputações de dois candidatos que, até o início das eleições, eram reconhecidos como pessoas corretas, com biografias de alguma importância, com carreiras profissionais respeitáveis, ainda que sem nenhum traço de genialidade, é verdade.

Porém, eu diria, sem medo de errar, que o professor e a delegada saem muito menores que entraram nessa campanha, a despeito dos votos que possam ter.  Os expedientes e truques aos quais recorreram o professor e a delegada foram vergonhosos.  Rebaixaram a si mesmos e a campanha a um nível rude e grotesco, com direito a acusações sem provas (como o professor no caso dos RPA), ou mentiras e distorções (o caso do IDEB), ou das pesquisas.

Teve coisa pior, eu sei, mas até cansa falar de novo.  Eu finjo que esqueço, para esquecer de fato, tamanha a decepção!  No caso da delegada tivemos ofensas do deputado que veio em seu socorro, no início da campanha, e que atacou a honra da primeira-dama, enquanto seus padrinhos políticos se esmeraram, ao longo da corrida eleitoral, em adjetivos inapropriados em direção ao atual prefeito, que, justiça seja feita, ou os ignorou, ou respondeu com a mais fina ironia.

Ironia, sabemos, é sinal de inteligência.  Claro que a gente sabe que eleição é terreno propício a temperaturas elevadas, debates mais acalorados.  Mas xingamentos e ofensas desvinculados de quaisquer propostas, beiram a vulgaridade, a falta de decoro, a pobreza intelectual, que não parecem combinar com figuras do professor e da delegada.

Neste sentido, se as urnas comprovarem as prospecções dos institutos de pesquisas (os sérios, não aquela fantasia da oposição), vamos ter, talvez, um alento.  Sim, apesar das tragédias pessoais dos candidatos, que se expuseram a tamanho vexame moral, paradoxalmente, essa queda acena para o fato de que, ainda que conservador, o eleitorado campista rejeitou a fórmula desqualificada apresentada pelo professor e pela delegada.

No atual contexto da política brasileira e local, não é pouca coisa!

E no sprint final, Wladinho, quem diria, derrotou até Pinóquio

wladinho pinoquio

Por Douglas Barreto da Mata

Não há problema no boneco Wladinho imitar uma pessoa, nesse caso, o prefeito Wladimir Garotinho.  Sério é quando a oposição quer imitar um boneco, neste caso, o Pinóquio, conhecido personagem da literatura infantil. Feito de madeira, Pinóquio ganha vida, e tenta desesperadamente ser o que não era, gente de verdade, e para isso recorre às mentiras, denunciadas pelo crescimento imediato de seu nariz.

O pessoal da oposição, do jeito deles, busca, também, aparentar o que não são, isto é, não são os preferidos dos eleitores, e também recorreram, como vemos hoje, à mentira.  A divulgação de uma pesquisa mentirosa é outro capítulo do desespero da oposição na luta por votos na eleição do dia 06 de outubro próximo.

Já publicamos vários textos nesse blog, tanto eu, quanto o seu “inoxidável” editor, Marcos Pedlowski, onde demos conta de que, se é verdade que Wladimir se mostrou um candidato eficiente, a oposição, a seu modo (o da infinita capacidade de dar tiros no próprio pé), ajudou demais.

Não acho que será o último ato tresloucado da oposição, liderada pela Delegada-candidata, mas, certamente, a reprimenda pública da Justiça, chamando de fantasiosa (um jeito delicado de dizer mentirosa) a pesquisa divulgada, apontando para possível abuso de poder econômico, e uso indevido dos meios de comunicação, pode ainda repercutir, e muito, nas esferas jurídicas dos envolvidos, para além do 06 de outubro.

Por vias transversas, discurso de um dos líderes do grupo, na manifestação deste fim de semana, na Praça São Salvador, quando disse que a eleição não acaba no domingo, pode ter algo de profecia, caso a Justiça resolva ir a fundo na questão da pesquisa, e das condutas adjacentes elencadas pelo Meritíssimo Senhor Juiz Eleitoral Leonardo Cajueiro

Note o peso da decisão, cujo trecho reproduzimos abaixo:

“(…)Se é certo que a exiguidade dos prazos eleitorais, por si só ,não justifica o reconhecimento do perigo na demora, não é menos certo que, no presente caso concreto, o periculum in mora é manifesto. Estamos na semana imediatamente anterior à votação e temos pesquisa manifestamente fantasiosa (resultado antes da coleta de dados !?!?) e divulgação de margem de erro equivocada maior até que a margem metodologicamente comunicada ao TSE.

Portanto, estão presentes a plausibilidade do direito e o perigo de dano necessários ao deferimento de liminar para  suspender a divulgação dos resultados da pesquisa. Por fim, há indícios de abuso de poder econômico (caso provada pesquisa com propósito de ludibrio ao eleitorado) e uso indevido dos meios de comunicação. (…)”

Bem, nada mais a dizer sobre a enrascada jurídica em que se meteram os oposicionistas.  Quanto aos tropeços políticos tragicômicos, resta dizer que não há como esperar que as coisas melhorem, ou seja, me parece que o limite do ridículo e do grotesco foram ultrapassados, sem sinais de que possa haver um retorno à razão pelos oposicionistas. 

Infelizmente, esses Pinóquios não serão transformados em bons meninos e meninas pela fada madrinha, já que a condição é bom comportamento.

Nas eleições de Campos, qual é o teto do candidato-prefeito?

ceu é o limite

Por Douglas Barreto da Mata

Faz algum tempo, um veículo de comunicação campista lançou essa pergunta a um grupo de analistas, acadêmicos e estatísticos.  Buscava estabelecer um limite para a popularidade de Wladimir Garotinho, neste caso expressa em intenções de votos na corrida eleitoral, onde ele é candidato à reeleição.

Pois é, era difícil responder antes, e parece mais difícil agora. Porém, eu acrescento uma outra variável a essa dúvida:  até onde, ou melhor dizendo, qual é a profundidade onde será enterrada a oposição e suas incapacidades?

Se por um lado, nos parece que o candidato-prefeito chegou a um estágio que pode ser chamado “teflon”, pois nada de negativo parece “grudar” nele, e as pesquisas qualitativas disponíveis, que circularam entre os dois principais lados da disputa, apontavam nessa direção, por outro lado, a oposição tem  nos brindado com um espetáculo grotesco de incompetência e mal gosto.

Assim, o candidato-prefeito, além de imune aos ataques, que não aderem à sua pessoa, alcançou outro patamar, o de massa de pão, que quanto mais apanha, mais cresce. Então, hoje eu diria que é difícil estabelecer um teto para Wladimir, porque ele parece não ter um, na medida que, do lado contrário, a imbecilidade para não ter um fundo, ou seja, um piso.

Eu já disse isso aqui, aqui e aqui.   Hoje à tarde, Marcos Pedlowski, o editor desse blog que acolhe minhas palavras rotas e mal escritas, também nos brindou com seu humor ferino, que serve a uma lógica afiada.

E quando eu pensava que nada mais me surpreenderia, desde recolocar Rafael Diniz na sala (o bode), como fez a deputada Carla Machado ao pular do barco petista para a “nau dos insensatos” da oposição, mas não sem antes furar o casco e deixar Jefferson Azevedo se afogar nele, passando pelo briga com os números de pesquisas e IDEB, o processo contra um boneco, e outras tantas trapalhadas, agora no fim da tarde, a oposição trouxe mais uma: está comemorando a retirada da divulgação de pesquisas já publicadas, e pelo que se sabe até aqui, a motivação que foi acolhida pela Justiça Eleitoral seriam aspectos formais das autorizações, ou seja, não houve erro nos dados, mas sim em aspectos como informações dos dias das entrevistas, por exemplo, registros no TSE, etc.

Claro que a oposição está alardeando como se fosse um gol de placa, e como se isso fosse mudar o que já foi veiculado e assimilado por todos, exaustivamente.  No calor das campanhas, cada um conta a versão dos fatos que melhor lhe convém, mas há limites para distorção da realidade, ou pelo menos, deveria haver.  Tem que existir um sentido prático na mentira, na meia-verdade, senão fica parecendo coisa de maluco. 

E neste caso, como já mencionamos, todo mundo já estava “careca” de saber os números, cuja veiculação a Justiça Eleitoral cassou. Essa “vitória”, por si só, já seria um “mico” do tamanho de um elefante, mas tem mais.  As pesquisas retiradas das redes sociais do prefeito caducaram, viraram notícia velha.

Explico. Hoje, o Instituto PreFab mostrou os dados da última sondagem registrada no TRE, e os números indicam  Wladimir com 79,7% dos votos.  Enquanto isso, a delegada patina em 15%, aproximados, dos votos válidos.  Se transformados em votos brutos, seria algo em torno de 68% de votos para o atual prefeito, e algo como 12% ou 11% para a delegada.

Olhados em perspectiva, e descontada a outra pesquisa O Dia/Paraná, escondida pelo grupo da oposição, em outra vergonha colossal, há um viés claro de queda, na série histórica, e como já dissemos em outro texto, esse é o desespero que tomou conta da oposição.

Ao que parece, mais umas duas semanas de campanha, a delegada ficaria devendo votos ao TRE, seguindo esse ritmo.

Voltando ao começo, eu diria: quem estiver à procura do candidato-prefeito Wladimir Garotinho, eu sugiro um telescópio, já para enxergar a oposição, só com a ajuda de um microscópio.

O cúmulo do desespero tem nome: tentar barrar Wladinho

wladinho

Acabo de ler uma notícia em relação à tentativa fracassada da coligação “Campos pode mais” de barrar o uso do alter ego de pelúcia do prefeito Wladimir Garotinho, o boneco Wladinho, nas veiculações eleitorais da chapa situacionista.

O juíz responsável pelo processo, o honorável Márcio Roberto da Costa, indeferiu o pedido de barrar Wladinho porque o uso do mesmo não fere a legislação eleitoral vigente.

E aí eu fico pensando: quem foi o gênio da campanha da coligação “Campos pode mais” que teve a ideia de barrar o uso de um boneco por uma campanha adversária? Isso parece, e é, um famoso tiro no pé e de bazuca. É que, primeiro, alguém deveria ter analisado se havia alguma ilegalidade no uso do boneco. Segundo, e mais importante, se a sua campanha não consegue fazer frente ao alter ego de pelúcia, isso mostra que a disputa com o prefeito está mais para lá de perdida.

Wladimir e Wladinho devem ter esfalfado com mais essa bizarrice da campanha da “Campos pode mais”, que poderá terminar mais para “pode menos”.

Particularmente, acho a ideia do uso de Wladinho “fofa”, mas também um tanto despolitizante. Coisa que seria melhor deixada para lá.   Agora, convenhamos Wladinho ficou e o estrago que ele vai causar só aumentou.

Faça o que eu falo, mas não o que eu faço. Ou como a oposição foi o maior aliada de Wladimir Garotinho

falo faço

Por Douglas Barreto da Mata

Este texto não procura diminuir as qualidades eleitorais e da gestão municipal, apesar de eu achar que há muita coisa a ser feita.  Nada disso.  No entanto, não é possível ignorar a capacidade de articulação política do atual prefeito, a forma como entendeu a carência deixada pelo seu antecessor, Rafael Diniz, O Incapaz, e mais, como dominou a comunicação de si mesmo, e do seu governo.

Não posso afirmar se Getúlio (Vargas) criou a obrigação de colocar o quadro do mandatário (no caso dele, presidente) nas repartições públicas, mas ficou para a História o jingle da sua campanha de 1950:  (bota o retrato de Velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar, letra de Francisco Alves). 

Essa musiquinha dava contorno à concepção da onipresença, como se a imagem conferisse um olhar do líder sobre seus subordinados, compelindo-os a executar suas tarefas.  Ou seja, o líder cuida de todos, mas a todos observa.  Em tempos de rede social, a tarefa de se fazer presente se torna um pouco mais fácil. 

Nos tempos do pai do atual prefeito, o ex-Governador Garotinho, essa maneira de agir se manifestava em presença física em obras, escolas, etc, e justiça seja feita, o filho Wladimir ainda guarda essa rotina, para além da presença virtual nas redes sociais.

Zezé Barbosa, avô de Rafael Diniz, preferia madrugar no “triturador”, instalação usada para moer ossos em um antigo matadouro, convertida como instalação da prefeitura, ao lado do cemitério do Caju, de onde o então prefeito despachava desde muito cedo.

Essa conjugação de fatores (presença, marketing pessoal de rede e fracasso do antecessor) porém, não deve ser a única explicação, eu presumo, para tanta vantagem de Wladimir sobre os oponentes.

Como o título já entrega, a fragilidade, ou pior dizendo, a indigência intelectual dos opositores ajudou, e muito!  Vejam o caso do PT.  Primeiro, sob as ordens do grupo político que tem no presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) seu comandante, manteve a tese de que a deputada Carla Machado poderia ser candidata, ainda que até as pedras do Cais da Lapa soubessem que não.

A justificativa?  Mesmo na impossibilidade, a projeção do nome dela faria com que houvesse um capital político acumulado, que poderia ser herdado por quem ocupasse a vaga de dublê da deputada.

Bem, se foi isso, alguém tem que reclamar com o roteirista desse filme, que neste caso, dizem foi o pessoal do “Sou Feijó, mas Voto PT”, personificado em ninguém menos que Luciano D’  Angelo, considerado um dos alquimistas da político local, mas que, ao que tudo indica, perdeu um pouco a mão na dose de antigarotismo.

Além do constrangimento ao candidato, Jefferson, que sempre foi visto, e sempre se sentiu como um estepe, o tal capital político desejado (votos de Carla Machado) migrou sim, mas para o centro (Wladimir) e para a extrema direita (delegada), por um motivo simples: esse é o perfil do eleitor de Carla, a direita, conservadora, que enxerga nela um tipo de matriarca de São João da Barra.]

Pois bem, os tropeços e vergonhas se acumularam, com Jefferson debatendo dados do IDEB, mesmo com todas as evidências em seu desfavor, tingindo a campanha do PT de um negacionismo só visto nos piores tipos da extrema-direita, pois atacou, alucinadamente, dados de uma medição promovida pelo governo federal, que sabemos, hoje é liderado pelo PT.

Se já não fosse suficiente, Jefferson ainda teve que encarar o constrangimento de ter seu trágico desempenho nos índices de avaliação (ENEM-ENAD) trazidos ao público, já que em sua gestão a colocação do IFF Norte Fluminense despencou. 

O outro vexame se deu pelo fato de o PT funcionou como cavalo de aluguel da candidatura da extrema-direita, e essa certeza veio quando Jefferson tentou, de forma criminosa, criminalizar a campanha de Wladimir, inferindo que o prefeito tivesse vínculo com as supostas condutas ilícitas, atribuídas a um vereador, candidato à reeleição.  Logo o PT, querendo atacar e “lawfare”sendo o PT uma das grandes vítimas da ditadura das togas(Faça o que eu falo, não faça o que faço.)  Não ficaram só para o PT as trapalhadas.

O pessoal da candidata delegada também se esmerou. Primeiro a abordagem raivosa, quase bélica, contra um prefeito bem avaliado, com fama de bonachão e gente boa.  O episódio de um deputado estrangeiro ofendendo a primeira-dama foi o clássico tiro no pé, ainda mais para alguém que tem no seu único ítem no currículo a passagem pela DEAM. 

(Faça o que falo, não o que faço).

Ao invés de trazer debates necessários, a campanha da delegada preferiu o caminho do desgaste da imagem do atual prefeito, sem considerar o óbvio: na atual conjuntura, lendo as mesmas pesquisas qualitativas que, por certo, todos os grupos políticos têm acesso (ou deveriam), já deveria estar claro que essa tática não levaria a lugar algum.

O eleitor de Wladimir não identifica os erros como sua responsabilidade por dois motivos:  Wladimir conseguiu fazer com que parte dos erros sejam entendidos como resultado da gestão passada (o que é correto), mas principalmente, porque ele mesmo, Wladimir, tomou da oposição a narrativa desses erros, quando admite as suas existências, e diz que só ele poderá acertar no próximo mandato.

Isso só foi possível, como já dissemos, porque ele construiu uma relação bem sucedida com o eleitor, atributo pessoal dele, e que supera qualquer argumentação em contrário.

Restava à oposição falar daquilo que não se fala, mas aí faltou, do lado petista a coragem, e talvez também houvesse o impedimento pela estranha aliança com a extrema-direita, que interditou, por exemplo, uma discussão sobre tributos, questões fundiárias urbanas e rurais, ambiente, etc.

Já no caso da extrema-direita, esta agenda nunca seria trazida ao centro do debate, por questões óbvias.  Assim, o prefeito “cercou por todos os lados”, como se dizia na contravenção, antigamente. 

Claro que tudo isso foi salpicado com passagens grotescas, porém bem-humoradas, ao contrário do triste episódio do deputado alienígena ofendendo a primeira-dama, ao lado de uma sorridente delegada da DEAM.

Teve também, por exemplo, a piada que foi a representação pela censura de um boneco, o Wladinho.  Ao morderem a isca e passarem ao ataque a uma referência, os opositores mostraram o quanto perdidos estão.  Sim, a metalinguagem transferida ao boneco é um truque antigo, mas ainda hoje, como vemos, é super eficiente.

Para responder a uma metáfora, só outra.

Não se responde a um boneco com fala de gente, formal, séria…você responde a um boneco com a mesma linguagem, no mesmo campo do humor e da jocosidade.  Atributos que não se encaixam no raivoso figurino da extrema-direita, e como também já falamos, foi a escolha desde o começo.

Já no campo dos debates, assistimos a um vídeo cansativo da deputada Carla Machado, deitando longos minutos de falação, enquanto suas mãos repousavam sobre um tipo de diploma ou título, como se a conferir respeitabilidade à interlocutora, um tipo de chancela.

Aquilo que ela prega aqui, para Campos dos Goytacazes, a candidata dela em SJB não pratica, ou seja, lá em São João da Barra, Carla Caputi, favorita à reeleição e apoiada por Carla Machado, não vai fazer debate com o opositor.

(Faça o que falo, não o que faço).

Como ato de “grand finale”, a deputada Carla Machado deu a facada final na moribunda campanha de Jefferson do PT, ao declarar apoio à delegada candidata.  Matou duas campanhas com uma paulada só. Talvez nem se ela desejasse tal consequência, ela teria tanto êxito, a deputada.

Ao aderir à delegada, talvez tenha tirado qualquer chance de que ela (a delegada) fizesse um pouco mais de votos, e assim se revelasse como um quadro político relevante para o futuro próximo.

Eleitores de direita e de extrema-direita da delegada, provavelmente, não engoliram essa união, e se não migraram para o campo dos brancos e nulos, ainda podem fazer o pior, e votar em Wladimir.

Quanto ao Professsor Jefferson, eu nem sei ao certo, talvez essa “facada” fosse a deixa para ele retirar a campanha, e se poupar um pouco da extrema vergonha que se fez passar, em um auto flagelo poucas vezes visto na História.

Quem sabe faltou ensaio, e ele não seguiu o roteiro?  Por último, e não menos importante, nestes últimos dias, a oposição se superou.  É claro que é leviano dizer que o time da delegada tenha censurado a publicação dos resultados da pesquisa Paraná/O Dia.

Não acho que um veículo com a dimensão do O Dia aceite fazer um papel tão rasteiro.  Porém, as más línguas (sempre elas) juram que essa censura pode ser verdade, pois a situação é ainda mais grave.

O resultado não seria apenas uma confirmação do quadro anterior, mas traria notícias ainda piores, ou seja, confirmava a tendência de queda já observada.

Alguns se perguntam, atônitos:  Uai, se eles dizem que pesquisas não importam, e que o resultado que importa é o dos urnas (e é verdade), por que tanto trabalho para esconder os resultados (negativos) da pesquisa?

(Faça o que falo, não o que faço). 

Outros ainda mais maldosos dizem que a debandada de eleitores da delegada levou o comando da campanha a gestos desesperados, como a contratação de milhares de pessoas para empunhar bandeiras pelas ruas, para dar ideia de volume (e vitória). O evento pode ser chamado de Invasão dos Bandeirantes.

Mesmo assim, o efeito parece ser o contrário, e há a nítida impressão de que os bandeirantes aceitem a remuneração, mas votem no atual prefeito, o que não seria inédito na história e anedotário eleitoral.

Como a última pesquisa foi, de fato, censurada, o que fica é a especulação, a quiromancia estatística.

Eu lembro do sincericídio de Rubens Ricúpero, chanceler do Itamaraty nos tempos de FHC, falando das estratégias de marketing do Plano Real, que foi capturado antes da entrevista, mas vazado, para desespero dele:  “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.

 
 
 
 

Wladimir surfa no espectro de Rafael Diniz, mas esconde que também tem o seu

wladimir rafael

Wladimir Garotinho e seus espectros: um que alavanca e o outro que poderia derrubar suas chances eleitorais

Há um acordo quase geral que boa parte da aprovação que impulsiona as chances de que Wladimir Garotinho se reeleja já no primeiro turno que ocorrerá no dia 6 de outubro tem muito a ver com a triste memória deixada por seu antecessor, Rafael Diniz.

Wladimir, como político sagaz que já demonstrou ser, soube estabelecer uma diferença marcante em relação a Rafael, a começar pela reabertura do restaurante popular cujo fechamento foi um dos maiores tiros no pé que eu já vi um político cometer em início de mandato.  Como se sabe, o funcionamento daquela unidade não é tão oneroso e seu fechamento privou de alimentos o setor mais frágil da população. Em suma, foi uma maldade pura.

Quem acompanhou o governo de Rafael e seus menudos neoliberais sabe que o fechamento do restaurante popular na alvorada de um governo que seguiu fazendo maldades contra os mais pobres foi apenas o primeiro passo na desconstrução da rede de políticas sociais municipais que mantinham os pobres com um mínimo de acesso a serviços públicos básicos.

Mas o que me surpreende em relação aos núcleos duros das campanhas que querem derrotar Wladimir e que o veem usando o espectro de Wladimir para convencer a população que é melhor não trocar novamente o certo pelo incerto se refere ao fato de que o prefeito também tem um espectro que poderia ser mortífero para suas chances eleitorais.

Não falo aqui do fato de Wladimir ser filho de Anthony e Rosângela, fato inescapável do qual ele conseguiu se descolar com maestria ao adotar um estilo próprio de governar, ainda que algumas das tinturas herdadas de seus pais.

Falo sim do fato que Wladimir Garotinho deverá deixar a cadeira de prefeito para concorrer ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro em 2026. Com isso, a cidade de Campos dos Goytacazes passará a ser governada por Frederico Paes, um dublê de usineiro e empresário da saúde privada. Quem conhece Wladimir e Frederico, como eu conheço, sabe que essa aliança poderia ser justificada em 2020, mas não faz muito sentido na atual corrida eleitoral.  É que, convenhamos, Frederico Paes acrescentou quase nada ou muito pouco à gestão de Wladimir, e também não é alguém próximo políticamente ao grupo Garotinho.

No entanto, a verdade é que temos diante de nós o espectro de Frederico Paes ser o prefeito na segunda metade do mandato que se iniciará em janeiro de 2025. Por que ninguém falou disso até agora? Eu me arrisco a dizer, parafraseando Bob Dylan, que “the answer is blowing in the wind”. E nosso caso, sudeste.

Errar é humano, persistir no erro é uma prova de baixa inteligência. Se for em período eleitoral, pior ainda

abraço dos afogados 1

Por Douglas Barreto da Mata

Hoje cedo dei uma passeada, muito à contragosto, pelas redes sociais.  Parece que, no campo da delegada Madeleine, o desespero se aproxima.

Pelo que li, as críticas sobre o fato da deputada Carla Machado ter trazido o “bode para a sala”, defendendo o ex-prefeito Rafael Diniz e seu “governo” (que esteve mais para desgoverno) calaram fundo nos apoiadores da delegada, e principalmente, porque essa fala se deu por uma parlamentar do PT, o que é inimaginável para aqueles que disputam a primazia de serem a extrema-direita campista.

Pois bem, o argumento fajuto deles é que o atual prefeito trouxe para seu lado pessoas que estiveram no “governo” Rafael Diniz.  Ora, pelotas!  Em uma cidade onde os grupos políticos que se revezaram no poder, ou estiveram ao lado da família Garotinho, ou contra eles, e vice-versa, muito pouca gente pode escapar de ter, um hora ou outra, participado deste ou daquele governo.

A questão não é essa, embora os fundamentalistas da delegada desejem rebaixar a conversa para o aspecto pessoal, e diga-se, como forma de fazer justiça, tais abordagens pessoais nunca foram proferidas (em público) por Rafael ou por Wladimir, conhecidos por suas fidalguias.

Porém, afastadas essas circunstâncias menores, há um campo para debater o recrutamento pelo atual prefeito de vários quadros, inclusive alguns da gestão Rafael Diniz.

Ninguém nunca disse que o governo Rafael Diniz deu errado por causa das pessoas, ao contrário, havia ali quadros tidos como muito capacitados, como foi o caso de Brand Arenari, ex-secretário de Educação, do ex- Procurador Geral do Município, tido como um jurista novo, mas talentoso.

Há outros exemplos de pessoas inteligentes, mas que não deram certo sob o comando de Rafael.  Parece óbvio que não deu certo foi  o governo, a reunião desses quadros em torno de uma ideia ruim. Um governo com princípios ruins só poderia dar errado.

Rafael Diniz preferiu usar todo o capital político que tinha, conferido por uma surpresa alucinante nas urnas, que o levou a derrotar a família Garotinho, na empreitada de apagar da memória da cidade o legado desse grupo político.

Era possível? Sim, era, mas para tanto, ele precisava governar, dialogar, articular, e não apenas repetir jargões da mídia e da campanha. Era preciso fazer mais e melhor, ainda que com menos dinheiro.  Lamentar e chorar pela perda de receita não adianta, os problemas da população não entendem essa choradeira.

No fim, sobrou para Rafael e seus seguidores apenas o ressentimento. Ressentimento, sabemos, não é um bom adubo para semear carreiras políticas.

O que a oposição a Wladimir, que hoje se reúne em torno de Rafael Diniz, não entende, quando parte para esse desagravo tardio e burro, trazendo ele de volta ao cenário, para a alegria do prefeito Wladimir Garotinho, é que o atual prefeito conjugou a fórmula que era necessária: usou o antecessor desastroso como referência sim, mas articulou, conseguiu recursos externos, fez o dever de casa no quesito fiscal, criou obras de impacto, e principalmente, estabeleceu uma interlocução diária e cotidiana com o povo, através de todos os meios que soube utilizar magistralmente, as mídias e redes sociais, mesmo quando aparecia em desvantagem.

Rafael Diniz, eleito à base da onda digital, nunca pareceu entender o que havia lhe beneficiado, ao contrário, deu a entender que estava ali de passageiro e não de motorista do seu próprio destino.

Desmontou uma rede de proteção social, que embora não fosse perfeita, conseguiria deter os efeitos do que estava por vir, e veio, com a diminuição das rendas do petróleo, e depois, com a pandemia, já no governo atual.

Rafael Diniz quando se deparou com verbas menores, tirou os recursos dos programas que atendiam quem mais seria vulnerável a essa carência orçamentária.  Cortou os programas de renda mínima municipais.  Implodiu um sistema de transporte público que já era precário, é verdade, mas não colocou nada no lugar.  Deixou a cidade sem avaliação junto ao MEC, zerando a nota do IDEB.

Enfim, todo mundo se lembra da sua gestão como a pior de todas.

A presença dos quadros políticos de Rafael Diniz, que foram reaproveitados no atual governo, de Wladimir Garotinho, e que contribuíram para uma avaliação positiva de 76% da população, mostra que faltava liderança, faltava prefeito.

Quando os apoiadores da delegada mostram fotos desses quadros ao lado de Rafael Diniz, e hoje, ao lado de Wladimir, eles afundam ainda mais no desgoverno de Rafael, porque se estes quadros funcionam bem na atualidade, com Wladimir, por quê não deram certo antes?

Sim, o problema era o comandante. Justamente aquele com quem o PT, a delegada, e a deputada Carla Machado querem abraçar. Abraço de afogados?  As urnas dirão.

O PT Campos na encruzilhada: se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come

crossroads campos

Por Douglas Barreto da Mata

Eis a situação do PT de Campos hoje, muitíssimo bem retratada no texto do editor, que dá nome a esse blog (do Pedlowski), me chamou atenção, especialmente o parágrafo final, que reproduzo abaixo:

“(…)Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.(…)”

É uma questão importante, que não merece passar despercebida.  O que o PT de Campos fará com Carla Machado, e mais, como irão se comportar suas instâncias acerca do triste papel desempenhado por seu candidato, e a coordenação de campanha, que levaram a legenda ao desastre político, desastre este muito mais significativo, diga-se, que as meras somas eleitorais desfavoráveis?  Como encarar o eleitor, e pior, como encarar a sociedade, após a eleição?

A fusão do PT com a extrema-direita é um movimento estranhíssimo e difícil de engolir. Ainda mais da forma como se deu, com a adesão da deputada petista Carla Machado à candidatura da delegada Madeleine, ao mesmo tempo que, na mesma ocasião da declaração de apoio, a deputada trouxe de volta o bode para a sala.

O bode é Rafael Diniz.  Não foi possível entender como a deputada teceu elogios e defesas ao ex-prefeito Rafael Diniz, que vinha sendo evitado como uma doença contagiosa pelo grupo da delegada. 

A coordenação de campanha da delegada buscou, de todo modo, esconder as conexões com o ex-prefeito Rafael Diniz, como escondem um parente indesejável, já que a administração dele é considerada a pior de todos os tempos, sendo atribuída a esta administração boa parte do favoritismo e vantagem do atual prefeito Wladimir Garotinho, quando comparadas as gestões.

Inexplicável que a deputada, em pleno discurso de apoio à delegada, tenha trazido o pobre Rafael Diniz, que implorava ser esquecido, de novo à ribalta do debate político municipal. Se havia alguma dúvida para o eleitor, agora ficou claro e escancarado:  Carla Machado é Rafael Diniz, que é o mesmo que o PT e o Professor Jefferson, e todos são a delegada e seu grupo político!

Com a surpresa por este péssimo passo da deputada em mente, que passo à minha conversa com George Gomes Coutinho, neste sábado, dia 21/06, pela manhã. Coutinho me alertou sobre a impropriedade de um partido, que teve seu principal líder preso e impedido de concorrer à uma eleição (2018), pelo emprego do lawfare, recorrer a esta prática nefasta de judicializar a disputa.  Não poderia concordar mais.

O PT padece de uma Síndrome de Estocolmo, depois de apanhar com as vergastadas das varas judiciais, parece ter assumido para si o papel dos seus algozes, e se lança na cruzada de protagonismo judicial.  O uso pornográfico (emprestando a expressão de Nelson Rodrigues) do poder judiciário é algo que não faz sentido para um partido que foi esmagado pela república das togas.

É preciso dizer que todas suspeitas embasadas em indícios razoáveis devem ser apuradas com rigor máximo, ao mesmo tempo que devemos evitar, a todo custo, levar ao conhecimento da Justiça meras ilações e leviandades, com o intuito provocar danos ao concorrente, como veda, inclusive, o Artigo 326-A da Lei 4737/65.

Esse é o remédio amargo que deverá ser ministrado ao Professor Jefferson, agora chamado nas redes de Professor Girafales, ou Playmobil, tamanho o ridículo que se fez passar.  Bem, se eu fosse o corpo jurídico do candidato Wladimir Garotinho, é por aí que eu começaria. 

Como agora não consegue justificar o papelão, o Professor Jefferson Manhães cavou mais o fundo do poço onde se encontra, e clama desafios sobre advogados, como se essa fosse a questão principal.  Não é. 

Antes de propor desistência de candidaturas, ele mesmo deveria repensar a sua, depois do vexame que passou, desde o início, quando foi preterido por uma tese jurídica impossível, e agora, quando a deputada estadual Carla Machado lhe retira a escada, deixando-o pendurado na brocha, como diziam os antigos.

Há várias outras questões cruciais. Pois bem, por último, eu trago outras considerações de ordem prática. O movimento de Carla Machado para apoiar a delegada Madeleine pode ser ainda mais deletério para a delegada, além do que já enumeramos.

Explico.  Agremiações políticas como o PT, ou aquelas de extrema-direita sobrevivem na reivindicação de uma originalidade específica, isto é, dizem a todos que são diferentes e portam uma mensagem “pura” da política. Necessitam de certa “radicalização”. No caso da extrema-direita, essa perspectiva se amplia ao grotesco, como o influencer goiano admirado pela delegada Madeleine, o moço da “cadeirada”, da luta com tubarões, da ressuscitação e das tentativas de curas. 

Ora, embora não seja um cálculo exato, a presença de uma petista, mesmo que seja uma “petista tipo Carla Machado”, traz para os setores mais conservadores (leia-se extrema-direita) que se alinham junto à delegada e seu grupo, um desconforto que, muito provavelmente, provocará deserções, cujo número, já dissemos, não é muito fácil de estipular, mas não é leviano supor. 

Nessa extrema-direita estão os que detestam a família Garotinho, justamente por causa da inclinação social dos governos deles, considerados pelos ultraconservadores como “socialistas” ou “de esquerda”, ou como a própria delegada disse, “Wladimir melancia”, vermelho em seu interior.

Parte desse pessoal disputou ferrenhamente o apoio do ex-presidente Bolsonaro, enquanto acusava o atual prefeito Wladimir de não ser “direita raiz”.  E agora, José?  Como explicar para os enfurecidos da extrema-direita que o PT chegou para o baile, e vai dançar com a delegada?

O que fará esse pessoal?  Eu apostaria em um derretimento de entre 2 a 5% nos votos da delegada, sendo certo que destes votos perdidos, uma parte iria para brancos e nulos, já que o antigarotismo não cederia espaço a conversão destes eleitores desiludidos.

É possível, no entanto, que uma parte do eleitorado migre para o atual prefeito Wladimir Garotinho, como uma aposta de “voto de vingança”, para punir a delegada, com uma derrota mais acachapante, ou ainda, um “voto de rendição”, é melhor não perder o voto, e votar no vencedor, já que a desafiante mostrou-se pior do que o prefeito.  As urnas soberanas falarão.

O certo é que a frase de Napoleão Bonaparte parece cada vez mais atual, deve ecoar nos corredores da campanha de Wladimir: “Não incomode nossos inimigos, enquanto eles cometem erros”.

A planejada cadeirada da InTerTV no eleitorado campista é daquelas que nem o Datena daria

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Por Douglas Barreto da Mata

Antes de tudo, e mais nada, é bom que se diga:  Não me cabe discutir as táticas eleitorais deste ou daquele candidato.  Se o Prefeito Wladimir Garotinho deseja não comparecer ao debate, é uma escolha dele e, de certa forma, os manuais de marketing eleitorais dizem que o franco favorito não ganha nada indo a debates, ao contrário, eles se expõem a ambientes não controlados.  Quem deve avaliar a conduta, grosso modo, é o eleitor.

A julgar pelos fatos recentes, apesar do pessoal da GloboNews dizer que detesta o que aconteceu no debate da TV Cultura, quando o “influencer” Pablo Marçal levou uma cadeirada do jornalista e apresentador José Luiz Datena, protagonista maior do blood news  made in Brazil (blood é sangue, em inglês), antigamente chamado jornalismo “escorre sangue”, tudo indica que a mídia comercial tenta correr atrás do prejuízo, e tirar sua casquinha desse circo de horrores que virou a disputa eleitoral de São Paulo.

É só assistir aos programas do canal fechado do grupo Globo, que não se move em outra direção, a não ser repercutir aquilo que ela diz detestar repercutir.  Engraçado, não? Não, não é engraçado, é trágico.

Em Campos dos Goytacazes, outra “cadeirada” está em preparação.  Hoje ouvimos o candidato Wladimir declinar da sua participação, exceto se todos os candidatos participarem, o que foi negado “pelas regras” da seção local da Rede Globo.  Novamente, não questiono os motivos, eles existem, mas não tornam os argumentos que os sustentam falhos. 

Vamos a eles:  Se a TV diz que o debate é crucial para esclarecer e ajudar o processo eleitoral, como imaginar que ela, a TV, exclua do debate um ou outro candidato, tendo como linha de corte a não representação parlamentar no Congresso?

Ora, é o mesmo argumento de quem exige experiência do jovem para dar o primeiro emprego…Como ter experiência, se te negam o acesso a ela?  Como aumentar seu capital político, se a TV lhe negou acesso ao público?  Pois bem, esse foi o primeiro.

Eis o segundo:  Ora, TV é concessão, e eleição é certame público, de natureza especial, é verdade, mas em sua essência, uma concorrência pública, um tipo de concurso público.  Como uma concessão concorre para dificultar ao eleitor (o contratante, lato sensu) escolher a melhor proposta?  Aliás, é a eleição a única oportunidade que o eleitor escolhe em um certame a melhor proposta!  Isso, além de politicamente inexplicável, pode ser considerado crime contra licitação.

Há um problema ainda maior.  Um passarinho me contou que a regra draconiana da Inter TV diz (não sei se eles vão manter) que essa regra de exclusão é “de cima”, ou seja, de todo grupo Globo.  Como punição, o candidato ausente terá um púlpito vazio, com sua identificação, e mais, os candidatos poderão perguntar, e logo depois, usar o tempo para responder a si mesmos, atacando permanentemente o ausente.  Meu Deus!

Se nem em delegacias, onde acusados de crimes podem ser questionados depois que se manifestam pelo silêncio, se suas ausências nos atos de Inquéritos Policiais podem ser tomadas como presunção de culpa para indiciamentos, sob pena de responsabilização dos delegados por abuso de autoridade, como imaginar que um canal de TV permita um ausente ter sua imagem atacada, em afronta ao que dizem os princípios constitucionais e as leis acolhidas por tais princípios?

Eis o Artigo 15 da Lei 13689 (Abuso de Autoridade):

“(…)

Art. 15.  Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo:

Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 

Parágrafo único.  Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: 

I – de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou

(…)”.

Em suma, a lei nos diz que se a pessoa fica em silêncio (o STF já decidiu que esse silêncio também se expressa pela ausência ao ato inquisitorial) ela não pode ser punida ou ter seu interrogatório continuado.

Em detalhes:  O silêncio e a ausência a uma convocação policial não podem ser consideradas como elementos de assunção de culpa, ou servirem como indício em prejuízo dos investigados!  Então, quem não pode mais, não pode menos (princípio comezinho do Direito).  Uma vez que é vedada a um delegado(a) de polícia, ou agente a mando dele(a) punir um acusado por não querer falar, como é que uma concessionária pública de canal de TV (aberto) reivindica um poder (neste caso, abuso de) que sequer o sistema criminal permite?

Se eu fosse a assessoria do candidato Wladimir entraria com uma representação contra esse absurdo, prevenindo que aconteça.  A memória do país é curta, mas é bom lembrar a edição do debate em 1989, onde Lula foi garfado por Armando Nogueira, editando o debate a favor de Fernando Collor.

Os mais antigos lembrarão da fraude do Proderj (autarquia estadual que contabilizava os votos em 1982), denunciada por Brizola, que acabou eleito.  Não é demais dizer que o compadrio da TV com juízes levou a lava jato, um capítulo sombrio de nossa História. 

Mais uma vez, muito me estranha que o PT, sua coordenação e seu candidato tenham ficado silentes frente a este abuso.  Que a extrema-direita dê pauladas na Democracia eu entendo. O que me espanta é o PT, juntando-se com a mídia para dar uma cadeirada no eleitor campista.

Socorro Brecht:

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

A reforma agrária ignorada eleva o custo da comida para os pobres e perpetua a injustiça social em Campos dos Goytacazes

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O fato de existirem 11 assentamentos de reforma agrária  criados a partir de 1998 em Campos dos Goytacazes, os quais abrigam em torno de 800 famílias de pequenos agricultores não está, mais uma vez, merecendo a devida atenção na atual campanha eleitoral. 

Como alguém que estuda a dinâmica social e produtiva dessas áreas desde que cheguei para trabalhar na Uenf, olho essa situação como um misto de incredulidade e impaciência, na medida em que vivemos em uma cidade que quase metade de seus habitantes possui acesso precário a uma alimentação digna e que garanta nutrição saudável.

O fato é que estudando esses assentamentos, e o estudo mais recente foi a da agora mestre em Políticas Sociais, Mariana Batista, enfatiza a falta de políticas municipais que permitam não apenas o escoamento da produção que sai dos lotes de reforma agrária, mas também que haja o devido investimento para a agregação de valor que sirva para gerar mais renda entre os assentados.

Como temos um vice-prefeito que é um dos impulsionadores de um tentativa de reviver o moribundo setor sucro-alcooleiro campista, o fato da primeira gestão de Wladimir Garotinho ter investido centavos (se muito) no apoio à agricultura familiar dinamizada pela reforma agrária não chega a ser surpreendente. É até de se esperar, pois o compromisso continua sendo com os usineiros e grandes proprietários de terra.

Mas essa é uma fórmula cara e ineficiente e, pior, socialmente injusta, na medida em que o apoio à produção dos assentamentos seria mais racional, já que dali sai muito comida. Mas com a falta da participação municipal, boa parte dessa comida acaba sendo adquirida por atravessadores que exportam essa produção para outros municípios e capitais. Com isso se reforça a injustiça social de impedir que os assentados elevem a sua renda, já que os atravessadores pagam menos pelo que compram, e a comida que poderia matar a fome dos campistas vai para outras regiões do estado e do país.

Por isso, acho extremamente positivo a presença de dois candidatos a vereador que são ligados umbilicalmente à luta pela reforma agrária, um literalmente já que nasceu no Assentamento Zumbi dos Palmares. Falo aqui do candidato pelo PT,  “Mateus do MST” (13713),  que vem a ser um dos filhos do líder do MST, Cícero Guedes, que foi covardemente assassinado quando lutava pela criação de um assentamento nas terras da Usina Cambahyba. O outro candidato ligado à luta pela reforma agrária é uma liderança importante na luta pela criação de canais coletivos de comercialização da produção oriunda dos assentamentos, sendo ele próprio assentado no Assentamento Antonio de Faria.  Falo aqui do “Hermes Mineiro”  (13014) que conheço desde os tempos em que chegou para se instalar no acampamento que deu origem ao assentamento onde ele vive e produz alimentos em base ecológica. 

A minha expectativa é que sendo bem votados, tanto Mateus quanto Hermes possam avançar na luta pelo criação de estruturas de agregação de valor e comercialização da produção de alimentos oriundos dos assentamentos existentes em Campos dos Goytacazes e outros municípios vizinhos (como Cardoso Moreira e São Francisco do Itabapoana). Afinal, eles entendem bem não apenas a importância da realização da reforma agrária, mas do papel central que os assentamentos podem cumprir em garantir acesso a comida barata e livre de agrotóxicos.

Para mim, enquanto pesquisador e cidadão que vive nesta cidade, está muito claro que um dos principais focos da luta política em nossa região continua sendo a realização de uma ampla reforma agrária nos muitos latifúndios improdutivos que existem nela. É que, com a reforma agrária não apenas teremos a democratização da distribuição da terra, mas também teremos mais alimentos disponíveis para a matar a fome que campeia livre por um município tão desigual quanto rico.