Pitacos sobre o que poderá vir após as ações policiais contra o grupo de empresários bolsonaristas

empresarios bolsonaristas

Em seu livro publicado em 1995 “Democracia contra Capitalismo“, a já falecida Ellen Meiksins Wood postulava que a ideia  de que a  democracia ocidental é de alguma forma herdeira daquela praticada na Grécia antiga é equivocada, na medida em que o Capitalismo não toleraria um governo realmente orientado pela vontade do povo. A decorrência disso para Meiksins Wood é, que sob o capitalismo, seria impossível que viesse a ter a democracia em sua forma plena, tal como aquela em que viviam os cidadãos da Atenas da Antiguidade.

Pensei em Meisksins Wood ao ler algumas notícias que estão pululando na mídia alternativa e até na corporativa sobre as descobertas já feitas nos telefones dos “empresários bolsonaristas” que sofreram uma batida policial no dia de ontem, e que deverá ter muitos desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos dias e semanas.

O que já surgiu de informação vai no sentido de que o seleto grupo de milionários bolsonaristas não estava, digamos, apenas regurgitando ideias perigosas sem finalidades práticas, mas envolvidos na captação (em alguns casos forçada) de recursos para financiar a propaganda eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (um desses sendo o sócio majoritário da rede de restaurantes Coco Bambu, o sr. Afrânio Barreira Filho).  Esse dinheiro captado extra-oficialmente muito provavelmente não desembarcaria na campanha oficial, mas em uma outra que já está correndo pelos subterrâneos do Whatsapps e Telegrams da vida.

Assim, tudo indica que esse segmento das elites brasileiras estavam planejando reeditar campanhas que foram efetivas em 2018 como a “mamadeira de piroca” que fez tantos estragos na campanha de Fernando Haddad. Aliás, a sinalização de que a campanha subterrânea já estava azeitada e em curso foi a mirabolante história de que o ex-presidente Lula iria fechar as igrejas evangélicas em caso de vitória. Mirabolante, mas que forçou a que a campanha de Lula gastasse tempo para responder a uma questão que os ex-aliados da IURD sabem que não há qualquer fundo de verdade.

A ação contra os empresários Bolsonaristas pode secar a fonte dos recursos extra-oficiais da campanha de Jair Bolsonaro?

Há muita gente neste momento se perguntando qual será o efeito prático, se algum, da ação determinada pelo ministro Alexandre Moraes. Os indícios iniciais por quem vem acompanhando o grupo de Whatsapp onde os empresários bolsonaristas articulavam sua campanha pró-Bolsonaro é que o primeiro efeito prático foi um processo de fuga de parcela dos membros, a maioria receosa de sofrer o mesmo destino dos que tiveram seus bens congelados e telefones apreendidos no dia de ontem. Afinal de contas, sabe-se lá o que pode ser encontrado no telefone desse pessoal.

A segunda consequência que já deve estar ocorrendo é a diminuição do fluxo de recursos financeiros para as contas que estavam custeando determinadas ações, incluindo as antecipadas mobilizações pró-golpe no dia 7 de Setembro.  É que até o mais ingênuo dos brasileiros já deve ter notado que a apreensão dos telefones dos empresários bolsonaristas já rendeu revelações bombásticas nas últimas 24 horas. Com o passar do tempo é possível que mais coisa venha à superfície, tornando a situação ainda mais complicada para alguns personagens.

Se essas duas coisas realmente acontecerem, podemos esperar um arrefecimento na propagação das chamadas fakes news de cunho eleitoral, o que, por sua vez, gerará complicações para um candidato à reeleição que não possui nada muito positivo para oferecer como prova do trabalho realizado desde que ocupou a cadeira de presidente em janeiro de 2019. Como diriam os jovens, “pode ter dado ruim”.

Mas e a democracia brasileira como fica nesse rolo todo? Certamente sua saúde dependerá do que se fizer contra aquele impoluto grupo de senhores que usavam o Whatsapp para sonhar com a imposição de uma nova ditadura no Brasil.