Portos e estruturas eólica e solar em alto mar ameaçam a existência da pesca artesanal no Norte Fluminense

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Uma matéria escrita pela jornalista Mariana Londres para o site UOL sobre a pressa do governo Bolsonaro em aprovar um marco regulatório para a produção de energia eólica e solar em áreas marinhas passou despercebida, mas ela representa novas más notícias para os pescadores artesanais de águas oceânicas, especialmente no Norte Fluminense.

Vejamos, por exemplo, a situação criada pela implantação do Porto do Açu que causou fortes abalos na sobrevivência dos pescadores artesanais que atuavam nas áreas hoje tornadas de exclusão no município de São João da Barra.  Mas o problema poderá ser agravado se forem confirmadas as construções do Porto Central em Presidente Kennedy (ES) e do Porto Norte Fluminense em São Francisco de Itabapoana (ver imagem abaixo).

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Mas a situação poderá ser bastante piorada se for confirmada a instalação em áreas marinhas de unidades de produção de energia elétrica com base eólica e solar (ver imagem abaixo). A má notícia é agravada pelo fato de que para porto construído ou em planejamento parece haver a previsão de uma dessas mega unidades de produção de energia elétrica dentro do mar.

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A questão é que para nova estrutura construída na costa ou dentro das águas marinhas há um aumento de áreas de exclusão para a pesca e outras atividades econômicas realizadas por comunidades tradicionais que dependem do acesso a direto a recursos que se tornam escassos ou inexistentes.

São Francisco de Itabapoana, onde a pressão será forte, não parece ainda entender o problema

Se olharmos as figuras acima veremos que o município de São Francisco de Itabapoana está em uma posição particularmente frágil, na medida em que sua área costeira se tornará virtualmente cercada por portos e fazendas de energia caso todos os projetos previstos sejam de fato construídos.

O problema irá além das áreas de exclusão para a pesca artesanal, devendo incluir aí um aumento do processo erosivo que já incomoda parte da área litorânea do município, apenas para começo de conversa. O curioso é que a própria prefeitura de São Francisco de Itabapoana ainda não acordou para o problema, na medida que também há ali apoio entusiasmado para a construção do chamado Porto Norte Fluminense que representa uma ameaça para a pesca artesanal e para a comunidade quilombola da Barrinha.

 

Ferramenta de acesso aberto mapeia em escala global projetos de solar e eólica

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Dados dos rastreadores de energia solar e eólica do Global Energy Monitor (GEM) lançados agora mostram que a China tem mais energia eólica em escala operacional (261GW) do que a soma de EUA (127GW), Alemanha (39GW), Espanha (26GW), Índia (23GW) e Reino Unido (22GW) e tem três vezes mais energia solar (130GW) do que os EUA (43GW). 

As duas ferramentas têm acesso aberto e foram desenvolvidas para acompanhar a transição global para a energia renovável. Elas fornecem dados sobre mais de 18 mil projetos eólicos em operação e planejados em 144 países, e cerca de 8 mil projetos solares em operação e planejados em 148 países, capturando com isso toda a extensão da construção de energia eólica e solar em todo o mundo.

O Brasil lidera com ampla margem a geração eólica na América Latina, com 19GW de energia solar em operação, bem à frente de México (7GW), Argentina (3GW) e Chile (2GW). Com esses números, o Brasil é o sexto maior gerador de energia dos ventos atualmente, atrás de Índia, Espanha, Alemanha, EUA e China. Quando se leva em conta os projetos em fase de construção, contratação ou anunciados, o país está na quarta colocação, com 70GW, em um ranking liderado por Austrália (111GW), China (95GW) e EUA (95GW).

Na energia solar, o país é o 9° maior gerador global, com pouco mais de 3GW em 98 projetos em operação mapeados, bem atrás do México (10GW), que lidera entre os latino-americanos. Mas o país tem uma grande capacidade solar projetada, com 484 propostas em desenvolvimento – a maior delas no norte de Minas Gerais – e 101 já em construção, a maioria nos estados do Nordeste.

Os rastreadores revelam grande competitividade regional, com lideranças atuais ameaçadas por projetos futuros em outros mercados. No continente africano, por exemplo, embora a África do Sul esteja atualmente liderando a corrida tanto na operação eólica como solar, a Argélia assumirá a ponta com seu potencial de capacidade eólica, seguida pelo Marrocos com seu potencial solar.

As ferramentas de rastreio e os relatórios do GEM já são usados por organizações como o Banco Mundial, AIE, Bloomberg Global Coal Countdown e órgãos da ONU para observar o mercado de combustíveis fósseis. As duas novas ferramentas sobre energias solar e eólica serão a mais confiável fonte de rastreamento de capacidade solar e eólica operacional ou planejada em todo o mundo, afirmam os desenvolvedores.

“Capturar toda a extensão do desenvolvimento de energia solar e eólica em todo o mundo é fundamental para medir o progresso em direção à transição energética”, afirma Ingrid Behrsin, gerente de projeto do Rastreador de Energia dos Ventos do GEM. “Com dados em nível de projeto e de acesso aberto como estes, estamos agora em uma posição muito mais forte para acompanhar como cada país está se posicionando em relação às suas próprias metas declaradas de energias renováveis.”