Terminal da Edison Chouest no Porto do Açu e suas promessas fabulosas de geração de empregos

Vista aérea do T2

A mídia corporativa regional e nacional estão trombeteando a aprovação de mais um financiamento público para o Porto do Açu e aproveitando a ocasião para anunciar a geração de milhares de novos empregos (Aqui!Aqui!Aqui!Aqui!).

Confesso que esperei um pouco para comentar sobre mais esse desembolso milionário no Porto do Açu por não ter identificado claramente quem iria bancar mais essa fatura de R$ 610 milhões. Agora, me parece que mais essa “bagatela” sairá dos cofres do tesouro nacional via a Secretaria Nacional dos Portos.  Só esse aspecto já merece um comentário inicial que é de como deve ser maravilhoso atuar num país que oferece dinheiro público subsidiado para empresas e fundos de investimentos que remeter quase todos os seus lucros para os países centrais onde suas sedes estão localizadas, nem sempre em prédios claramente identificados.

O outro elemento que me parece peculiar se refere à promessa de geração de novos empregos. Como em todos os casos anteriores que se referiam ao anúncio de investimentos públicos no Porto do Açu, a entrega de adicionais R$ 610 milhões é acompanhada pela promessa de, pelo menos, 26.100 empregos. Esse número é curioso porque não se explica onde eles aparecerão dentro do empreendimento ou fora dele. É que algumas matérias falam de empregos diretos e indiretos, sem explicar a diferença. Além disso, a menção é de que eles se materializarão na “região”, deixando propositalmente imprecisa a distribuição espacial onde os postos serão gerados. 

Acho particularmente estranho que um terminal portuário possa gerar milhares de novos empregos após iniciar seu funcionamento, já que o normal é que ocorra o oposto. Mas é provável que a imprecisão sobre localização e distribuição dos novos postos sirva exatamente apenas a um propósito: gerar expectativas exageradas de empregos para justificar o dispêndio de recursos públicos vultosos num período em que hospitais e escolas estão sendo fechados por falta de recursos.

Em meio a esse descompasso entre a propaganda e o que efetivamente poderá ocorrer, a imagem mais reveladora que encontrei é da própria cerimônia realizada no Palácio Guanabara para celebrar a aprovação do dispêndio em favor da Brasil Port Logística Offshore (subentenda-se Edson Chouest) e que vai logo abaixo.

pezao neco

Será que sou só que noto as face contritas do (des) governador Luiz Fernando Pezão e do ainda prefeito de São João da Barra, José Amaro Martins de Souza, popularmente conhecido como Neco? Para uma ocasião tão festiva seria de se esperar que os sorrisos estivessem presentes e aqueles famosos momentos de “olhos nos olhos” aparecessem em alegre profusão.  Mas não é isso o que se vê, o que não deixa de ser curioso.

O pior é que enquanto centenas de milhões são disponibilizados para o Porto do Açu, a vida de agricultores e pescadores que habitam o V Distrito de São João da Barra continua sendo marcada por grandes dificuldades. Erosão, salinização, fechamento de áreas de pesca e expropriação de terras são até agora as principais marcas do legado dos bilhões de dinheiro públicos que foram colocados no empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista, e que hoje é controlado pelos fundos internacionais EIG Global Partners e Mubadala.

E aqueles milhares de empregos que foram prometidos por Eike Batista? Obviamente ficaram muito aquém do prometido.  O pior é que não há qualquer garantia que a história não se repita com essa nova liberação para a Edson Chouest. Simples, mas tragicamente assim.

Mesmo com todo o desrespeito, os agricultores do V Distrito continuam generosos

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No início desta noite recebi a visita do agricultor Adeilço Toledo, um dos filhos do Sr. José Irineu Toledo, que continua na labuta de cultivar a terra e produzir alimentos, mesmo depois de ver a terra do seu pai expropriada pela CODIN no dia em que ele faleceu. A razão da visita foi uma daquelas demonstrações de generosidade que recebo toda vez que visita os agricultores que lutam para continuar nas suas terras no V Distrito de São João da Barra. Adeilço passou pela minha casa para deixar uma caixa cheia de abacaxis, cumprindo uma promessa de me presentear com o fruto do trabalho que ele luta para continuar fazendo.

E ainda tem gente que não entende o tamanho da injustiça que o (des) governo comandado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão comete contra centenas de famílias de agricultores que há gerações fazem brotar alimentos dos solos arenosos do V Distrito de São João da Barra.

Ao Adeilço e seus irmãos, só posso agradecer tanta gentileza e generosidade. E com certeza, a luta continuará até que eles tenham seus direitos respeitados!

filhos

 

Quissamã: mais um mega empreendimento, mais expropriações de agricultores familiares

Vem do blog do jornalista Roberto Barbosa a informação de que em mais um município do Norte Fluminense o Estado resolveu assumir o papel de grileiro de terras para favorecer um mega empreendimento privado. Agora foi a vez do prefeito de Quissamã, Octavio Carneiro (PP), se valer da caneta para desapropriar uma área equivalente a 5.000 hectares para favorecer a construção de um aeródromo. Apenas à guisa de comparação, a área desapropriada pelo (des) governo Cabral para a construção de um suposto distrito industrial no V Distrito de São João da Barra foi de 7.500 hectares. Em suma, é muita terra!

Agora é esperar que os proprietários esbulhados resolvam se organizar para defender os seus direitos, como já o fizeram os agricultores liderados pela ASPRIM. Do contrário, vai ter suas terras expropriadas a preço de banana. Ou melhor, a preço de minério de ferro que é mais barato!

Quissamã é terra sem lei: prefeito desapropria metade da cidade para entregar as grandes empresas

DECRETO-foto

 Trecho do decreto publicado nesta terça-feira, dia 31, pelo prefeito de Quissamã Octávio Caneiro, que destina uma de 50 milhões de metros quadrados para fins de desapropriação

O prefeito de Quissamã, no Norte Fluminense, Octávio Carneiro (PP), é um grande fazendeiro e criador de gado nesta pequena cidade. Tem ódio do Movimento Sem-Terra e qualquer outro grupo que defenda a espoliação de propriedade privada. Não gosta nem de ouvir falar na palavra desapropriação, quando o negócio se refere as suas posses, é claro.

Já as terras do vizinho, ele quer mais é que caíam nos domínios das empresas que almejam grandes negócios no Estaleiro de Barra do Furado. É uma triste constatação! É também uma frustração para todos que acreditaram na palavra deste senhor de 80 anos.

Nesta terça-feira, dia 31, véspera de ano novo, Carneiro acaba de desferir mais uma apunhalada nos proprietários rurais de Quissamã. Ele publicou decreto declarando uma área de 50.000.000 metros quadrados para fins de desapropriação. É uma faixa que vai de São Miguel do Furado à Machado.  O objetivo, segundo o decreto, é a construção de um Aeródromo.

O município, com isso, perde a metade do seu território. Octávio Carneiro praticamente encampou a maior parte das propriedades privadas da cidade. Está tomando as terras dos pequenos produtores para entregar aos grandes empresários.

O decreto é muito mais do que um ato oficial. É a declaração de que Octávio Carneiro é muito pior do que muitos imaginam. Outra pergunta que não quer calar: este município tem Procuradoria-Geral? Como é que advogados permitem uma barbaridade desta?

Imagem

Octávio Carneiro: na foto ele reage a manifestação de populares contra o seu governo em setembro deste ano, mas a língua, na verdade, simboliza o desprezo pela opinião pública.

O ato será objeto de Ações Populares. O caso está sendo analisado pelo advogado Antônio Maurício Costa. Os proponentes, entre outras coisas, irão pedir o imediato bloqueio dos bens de todos os responsáveis por esta aberração, principalmente de Octávio Carneiro, que a partir de hoje carimbou o passaporte para deixar a política pela porta dos fundos. Entra para história como um autêntico entreguista.

Fica aqui a lembrança do que Ignácio Barbosa ensinava aos mais jovens: “Respeitem sempre os cabelos brancos, mas tenham cautela, porque os canalhas também envelhecem”.

Ignácio Barbosa foi meu distinto avô, que viveu até os 110 anos, e construiu um patrimônio moral sedimentado sobre sua honradez que orgulha seus herdeiros.

Impacto social

Nesta faixa de 50 milhões de metros quadrados, está situada a propriedade do senhor Homero. Ele é o maior produtor de leite do Estado do Rio. Sua produção abastece a Cooperativa de Macuco, que funciona na Zona Especial de Negócios. Se este senhor deixa de produzi, a cooperativa simplesmente fecha as portas.

A partir da publicação do decreto, o senhor Homero e todos os demais produtores ficam impedidos de vender suas respectivas propriedades. A partir de agora não são mais donos de nada.

E a fazenda de Octávio Carneiro? Está totalmente livre do ato oficial que toma a propriedade dos outros.

FONTE: http://www.viuonline.com.br/blogs/robertobarbosa/quissama-e-terra-sem-lei-prefeito-desapropria-metade-da-cidade-para-entregar-as-grandes-empresas/