Campanha de desfinanciamento contra mensagens de ódio e fake news já causou prejuízos bilionários à “holding” do Facebook

A campanha “Stop Hate for Profit” já causou prejuízos de pelo menos R$ 35 bilhões ao Facebook por sua suposta indolência em conter a disseminação mensagens de ódio e “fake news” em troca de verbas por propaganda

Um campanha iniciada por um grupo de organizações de direitos civis nos EUA chamada “Stop Hate for Profit” (Pare o ódio por lucro) já causando prejuízos bilionários à “holding” do Facebook (Facebook e Instagram) e também ao Twitter. É que dezenas de empresas, incluindo as arquirrivais Coca Cola e Pepsi, já informaram que irão suspender os anúncios em redes sociais, pois as empresas que as controlam não estão fazendo o suficiente para impedir a circulação de mensagens de ódio e “fake news” (notícias falsas) na rede mundial de computadores.

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A velocidade com que as empresas estão aderindo ao boicote do “Stop Hate for Profit” é resultado da percepção que a empresa de Mark Zuckerberg tem sido tolerante com empresas e pessoas que divulgam mensagens de ódio em função dos grandes lucros que a publicidade que elas pagam para serem mostradas no Facebook e no Instagram.

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Anúncio da multinacional Unilever diz que “Marcas têm o dever de ajudar a criar um ecossistema digital confiável e seguro. É por isso que nossas marcas irão parar de publicar propogandas no Facebook, Instagram e no Twitter nos EUA

Como apenas no caso do Facebook a renda obtida com a venda de espaços publicitários é de um valor em torno de  R$ 350 bilhões, a pressão que está aumentando em função da rápida ampliação da campanha boicote deverá gerar impactos importantes não apenas no tipo de propaganda que continuará sendo veiculada pelas redes sociais, mas também em processos eleitorais onde as campanhas de desinformação têm resultado na eleição de candidatos que se baseiam nas mensagens de ódio para se elegerem. 

Em uma demonstração de que a “Stop hate for Profit” já se fez notar pelas corporações que controlam as redes sociais, na última 6a. feira o próprio Mark Zuckerberg veio à público para reconhecer que o Facebook está enfrentando dificuldades por causa da sua percebida tolerância com mensagens de ódio e disseminação de notícias falsas, e que procuraria fazer mais para acalmar os críticos.

Entretanto, dada a posição ainda relativamente cômoda do Facebook em relação ao controle do mercado representado das redes sociais, isto não significa que algo mais efetivo vá ser feito pela empresa para conter a disseminação de mensagens de ódio. Esse fato, por sua vez, reforça a necessidade de se apoiar iniciativas que pressionem as corporações para que parem de pagar por espaços publicitários no Facebook e no Instagram até que mudanças substanciais sejam efetivamente realizadas.

Importante lembrar que no Brasil quem tem iniciou este tipo de pressão foi a “Sleeping Giants Brasil” que em pouco de existência já atingiu 375 mil seguidores no Twitter, e declara ter causado perdas significativas na renda publicitária que até pouco tempo movia a máquina de fake news que apoiava a disseminação de notícias falsas, a maioria em prol do presidente Jair Bolsonaro e seu governo.

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Mas a verdade é que a disputa em torno dos conteúdos publicitários nas redes sociais é apenas uma faceta de uma disputa política mais ampla. Para que haja a criação do ecossistema digital propalado pela Unilever há ainda muito trabalho a ser feito, pois há que se reconhecer que, como em qualquer outra seara do Capitalismo, os capitalistas não recusam facilmente a chance de obter lucro, nem que o instrumento de sua obtenção seja a divulgação do ódio e da mentira.

 

Reitor da Universidade de Rosário desmente doutorado do novo ministro da Educação

O governo Bolsonaro tem oferecido ao Brasil uma sucessão interminável de vexames, vários deles na área da titulação acadêmica, pois vários de seus ministros (incluindo os casos mais notáveis de Ricardo Salles e Damares Alves) foram flagrados acenando diplomas que se descobrem serem inexistentes. Esse é um fato curioso, pois os mesmos que tanto parecer desprezar as titulações acadêmicas dos seus críticos, acabam sendo flagrados não com “fake news“, mas com “fake diplomas“.

Eis que agora temos uma situação inusitada: ao informar da nomeação do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que o terceiro ocupante da chefia da pasta possui um título de doutor em Administração pela Universidade de Rosário na Argentina. Com uma curiosidade natural, me dirigi à Base Lattes e acessei o curriculum vitae do ministro da Educação, onde foi confirmada a informação de que ele deteria um diploma de doutor pela Universidade de Rosário . E o interessante é que a versão atualizada no dia de hoje oferece a informação de forma explícita (ver imagem abaixo)

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Tudo certo então? Si, pero no mucho.  É que no início da tarde desta 6a. feira, o reitor da Universidade de Rosário, professor Franco Bortalacci, usou sua página na rede social Twitter para desmentir a informação fornecida pelo presidente Jair Bolsonaro de que o novo ministro da Educação deteria um título de doutor pela instituição da qual Bortalacci é o dirigente máximo (ver imagem abaixo).

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Apesar deste não ser o primeiro caso de titulação alegada mas não possuída, o caso ganha tons de vexame, na medida em que Franco Bortalacci é um cientista político interessado na representação dos sistemas eleitorais, participação democrática e partidos políticos. Assim, ao emitir esse desmentido de forma tão categórica, o reitor da Universidade de Rosário acaba colocando um carimbo indesejável na testa de Jair Bolsonaro e do seu  novo ministro da Educação.  Esse carimbo é o do “fake diploma”, algo que pega muito mal, se não no Brasil, mas no resto do mundo. É que, por exemplo, na Europa vários ministros importantes foram arremessados para fora de seus respectivos governos por deslizes em seus currículos acadêmicos.

E pensar que ontem escrevi que com Decotelli iríamos ter outro ministro com perfil acadêmico de baixo impacto. Eu só não imaginava que o impacto baixo começava logo com um título de doutor inexistente.

Resta ainda lembrar que no momento do preenchimento do currículo na Base Lattes, a pessoa que presta informações é lembrada que o fornecimento de informações acadêmicas falsas remonta a crime de falsidade ideológica. Resta agora acompanhar o que dirá oficialmente novo ministro da Educação.  A ver!

Observatório do Clima lança plataforma “Fakebook.eco” para combater a disseminação de fake news ambientais

Facebook.eko

Hoje é aniversário do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o pessoal do Observatório do Clima decidiu não “deixar essa boiada passar em branco”, e decidiu lançar a primeira plataforma de combate à desinformação ambiental do Brasil, que foi denominada de “Fakebook.eco“.

Considero essa ação do Observatório do Clima como fundamental, pois é importante aumentar o conhecimento e afastar as notícias falsas que são lançadas para avançar a destruição ambiental no Brasil. 

De minha parte, espero que Ricardo Salles se sinta lisonjeado com a coincidência entre seu aniversário e o aparecimento da Fakebook.eco.

Quem checa os checadores de fatos?

fato checadores

O vídeo abaixo, lamentavelmente em inglês, é uma porção de uma audiência pública realizada no congresso dos EUA em abril de 2018, onde o CEO da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, é fortemente questionado pela deputada Alejandra Ocasio-Cortez sobre a posição da empresa de permitir a publicação de conteúdos que sabidamente disseminam “fake news” (notícias falsas) ou mesmo mensagens consideradas como de ódio a minorias e oponentes políticos.

Após muita pressão por parte de Ocasio-Cortez, Zuckerberg reconheceu que o Facebook não pararia de publicar conteúdos pagos que pudessem ser eventualmente falsos. A alegação apresentada naquela audiência é que o Facebook disponha de “agências independentes de checagem de fatos” que verificariam a autenticidade de determinados conteúdos.  Em resposta a Zuckerberg, Ocasio-Cortez então perguntou se o CEO do Facebook que um dos seus “checadores de fatos” era ele próprio um disseminador de ideias racistas, e se, apesar disso, poderia ser considerado um checador confiável de conteúdos. 

Todo esse debate que permanece mais do que atual me leva à seguinte pergunta: quem checa os checadores de fatos? É que, como em outras partes do mundo, os tais “fact checkers” assumem como capazes de verificar o que é verdadeiro ou falso em termos do que circula com conteúdo na mídia, mas raramente se questiona quem são os “checadores”  e, mais importante ainda, quem paga pelo trabalho de checagem.  E também muito raramente é questionada quão neutros os checadores são em relação aos conteúdos que supostamente checam com imparcialidade. A verdade é que a “checagem de fatos” é, por si só um novo tipo de empreendimento, uma indústria se preferirem, que também é influenciada por interesses econômicos e políticos.

A questão da autenticidade das informações que circulam nas redes ganhou grande interesse esta semana com a operação policial a mando do Supremo Tribunal Federal que já se sabe paralisou parte da rede de “robôs” que dão apoio ao presidente Jair Bolsonaro, e já se sabe que isso poderá gerar uma grave descontinuidade na dinâmica pela qual a narrativa política acerca da realidade brasileira era apresentada até esta semana. É que justamente na hora que a justiça agiu para impor limites, a principal reclamação é que se está atacando o direito de livre expressão.

Mas não é só no Brasil que sérios conflitos estão ocorrendo entre as empresas que operam as novas mídias e governantes que até agora fizeram amplo uso para determinar o rumo dos debates políticos. O maior exemplo disso é o presidente dos EUA, Donald Trump, que é usuário contumaz das redes sociais que agora está sendo contrariado por causa dos limites que lhe estão sendo impostos pela rede social Twitter que finalmente resolver impor limites na disseminação de “fake news” e mensagens de ódio.

O mais interessante disso é que Mark Zuckerberg está sendo apontado como uma voz contrária a que se aplique regras de contenção na disseminação de conteúdos. Até aqui não há nenhuma surpresa, pois o Facebook gera bilhões de dólares em receitas por meio da publicação de conteúdos pagos. A questão aqui é que agora está ficando claro que é preciso que limites sejam estabelecidos para o tipo de conteúdo que pode ser livremente distribuído sem que haja a devida responsabilização daqueles que distribuem notícias falsas e mensagens de ódio.

Coronavirus: Facebook combats misinformation with facts in news feed

A pandemia da COVID-19 veio, entre outras coisa, para demonstrar que é preciso existirem limites e necessidade de responsabilizar os que distribuem conteúdos falsos ou apenas que não sobrevivem ao exame da racionalidade científica.  É que não se trata mais de vencer esta ou aquela eleição, mas também definir sobre a vida e a morte das pessoas que são influenciadas direta ou indiretamente pela disputa de narrativas que estão ocorrendo em torno da pandemia da COVID-19. O problema mais uma vez não se resume apenas sobre a checagem dos fatos, mas também dos seus checadores.

Já basta! Protestos com a citação nazista pelo ministro da Educação do Brasil

weintraub deutschAbraham Weintraub comparou as buscas domiciliares da Polícia Federal l brasileira entre políticos com a “Noite dos Cristais”.   Organizações judaicas estão indignadas com essa comparação.

Organizações judaicas nos Estados Unidos e a embaixada de Israel no Brasil protestaram contra a comparação nazista do ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub. Como noticiou a mídia brasileira na quinta-feira, o ministro comparou as buscas domiciliares pela polícia federal brasileira com o “Kristallnacht” em 9 de novembro de 1938 na Alemanha nazista e seus argumentos contra famílias, empresas e sinagogas judias.

Na quarta-feira, a polícia federal realizou buscas domiciliares contra políticos,  empresários e blogueiros, sob as instruções do Supremo Tribunal Federal. Dizem que fazem parte de uma rede que distribui notícias falsas sobre os oponentes do presidente Jair Bolsonaro .  Membros do congresso nacional e do Supremo Tribuna Federal (STF) também foram alvos de difamação e ameaças.

Weintraub então twittou que a ação policial seria “lembrada como a Noite Brasileira de Cristal”, a “imprensa socialista” chamaria “Sieg Heil” de alegria. Ele também forneceu uma foto na qual capangas nazistas adornam uma loja judaica com pôsteres “Alemães! Defenda-se. Não compre de judeus! ”Nos eventos de 1938, pelo menos 400 judeus foram assassinados e outros 30.000 foram presos.

“Já  basta!”

A embaixada de Israel em Brasília criticou a “banalização da memória da tragédia do povo judeu”. A política do Brasil deve, por favor, manter o Holocausto fora da controvérsia política e ideológica. O Holocausto, com seus seis milhões de vítimas, não deve ser comparado a eventos políticos.

O Comitê Judaico Americano nos Estados Unidos disse: “Basta!” O abuso político repetido dos termos do Holocausto por membros do governo brasileiro é um insulto à comunidade judaica e uma zombaria das vítimas e sobreviventes do terror nazista.

O ministro Weintraub disse depois das críticas que seus avós eram sobreviventes dos campos de concentração nazistas, razão pela qual ele “tinha o direito de falar sobre o Holocausto”.

O  STF já está investigando alegações de racismo contra o ministro conhecido por seu temperamento ardente. Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo comparou as medidas de isolamento recomendadas em todo o mundo diante da crise do coronavírus aos campos de concentração nazistas em abril.  Finalmente, o presidente  Jair Bolsonaro já descreveu o Partido Nacional Socialista (NSDAP) de Hitler como sendo um partido de esquerda.

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Este artigo foi originalmente publicada em alemão pelo Frankfurter Allgemeine [Aqui!].

Ação do STF contra a indústria de fake news bolsonarista mostra que o jogo está sendo jogado

fake newsPor determinação do STF, Polícia Federal lançou tarrafas sobre a rede de financiadores e de produtores de fake news que apoiam o presidente Jair Bolsonaro.

O dia de ontem foi de grande celebração por parte das hostes do presidente Jair Bolsonaro que celebraram a “blitzkrieg” em cima do governador Wilson Witzel. O presidente celebrou publicamente às gargalhadas a ação da Polícia Federal que realizou a aplicação de múltiplas mandados de busca contra Wilson Witzel, sua esposa e vários dos implicados em supostas irregularidades no uso de dinheiro público no combate à pandemia da COVID-19.

Menos de 24 horas depois, as mesmas hostes que ontem celebravam a desgraça pública de Wilson Witzel estão em razoável caos por causa de uma operação também realizada pela Polícia Federal (PF), mas agora para apurar os executores, e também os financiadores, da indústria de “fake news (notícias boas e outros quetais) que assolam as redes sociais e a mídia eletrônica brasileira com mensagens de desinformação, ódio e incitação à violência contra os que são vistos como detratores das ideias e valores pregados pelo presidente Jair Bolsonaro.

As tarrafas da PF a serviço do Supremo Tribunal Federal estão alcançando atores públicos que incluem empresários, parlamentares e um exército de produtores de conteúdo. Todos esses nomes foram provavelmente arrolados durante a chamada “CPI das Fake News“, e o material apreendido pelos agentes da PF deverá ser útil para destrinchar as complexas relações entre quem financia e o conteúdo que é gerada por uma imensa rede de distribuidores de fake news.

Muito provavelmente hoje será um daqueles dias em que o presidente Jair Bolsonaro mostrará o lado mais colérico de sua persona pública. É que se há um beneficiário desse caudaloso mundo (ou seria submundo?) das fake news é ele.  Além disso, ao atingir as redes de financiamento, os produtores de conteúdo e aqueles que transformam as fake news em instrumentos de mobilização da militância bolsonarista, o que o ministro Alexandre Moraes fez foi colocar em risco a já baixa capacidade de mobilização popular que o presidente Jair Bolsonaro vem demonstrando nas últimas semanas, enquanto sua popularidade cai  de forma consistente.  É muito provável que sem o apoio da rede de fake news, o tropeço na popularidade de Jair Bolsonaro apareça ainda maior nas próximas pesquisas de opinião.

E não esqueçamos que a rede de fake news foi fundamental para gerar o caos político em que está imerso o claudicante modelo de gestão e combate à expansão da pandemia da COVID-19 no Brasil. Sem o apoio dessa rede é bem provável que toda as fabricações em torno da capacidade miraculosa da cloroquina jamais tivessem ganho tração para alavancar a demissão dos dois ministros da saúde que se opuseram público ao seu uso no Brasil.

O  principal elemento que surge disso é a demonstração que as disputas intra- e inter- grupos de poder ainda estão sendo jogadas. E, pior, com as ações de hoje, a posição já difícil de Jair Bolsonaro ficará ainda mais exposta.  Se fosse um jogo de xadrez eu diria que o peão ficou à descoberto em face de um ataque da dama.  Agora resta ver como o dia se desdobra. Mas com certeza, Jair Bolsonaro não estará nem tão risonho nem tão disposto a fazer piadinhas com ocorreu ontem. A ver!

Sleeping Giants ganha versão brasileira para dificultar financiamento de fake news por empresas

Movimento expõe empresas do Brasil que financiam, via anúncios, sites de extrema direita e notícias falsas

Movimento expõe empresas que financiam sites bolsonaristas ...

Inspirada em modelo dos EUA, versão brasileira da conta Sleeping Giants alerta companhias sobre publicidade em páginas que ajudam a propagar a desinformação. Banco do Brasil, Dell, O Boticário, Submarino e Telecine retiram propaganda

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Telecine e Dell se comprometeram a vetar a anúncios em página denunciada por fake news.

Por Breiller Pires para o jornal “El País”

Com o intuito de minar a sustentação econômica de sites e canais ligados à extrema direita, o movimento Sleeping Giants, nascido há quatro anos, nos Estados Unidos, fincou bandeira em solo brasileiro no último domingo. Após ler uma reportagem do EL PAÍS sobre o perfil no Twitter que desidratou a publicidade online dos principais influenciadores ultraconservadores norte-americanos, um estudante que desenvolve pesquisas a respeito de fake news decidiu criar uma conta em português para difundir prática semelhante no Brasil: alertar empresas de que seus anúncios aparecem em conteúdos pouco confiáveis, associados a notícias falsas e desinformação, e alimentam o financiamento de páginas extremistas.

“Sempre pensei em formas de combater notícias falsas, mas nunca havia encontrado uma eficiente”, diz o administrador da versão brasileira, que, em apenas dois dias, ganhou mais de 20.000 seguidores. “Até que descobri essa maneira simples de aplicar usando a desmonetização.” Por questões de segurança, ele prefere não se identificar e celebra ter obtido aval dos precursores do Sleeping Giants para replicar a iniciativa. Seu fundador na matriz, o publicitário Matt Rivitz, recebeu ameaças de morte depois de um site conservador revelar sua identidade.

Enquanto a conta original norte-americana se define como “um movimento para tornar o fanatismo e o sexismo menos lucrativos”, o perfil adaptado ao contexto político brasileiro pretende “impedir que sites preconceituosos ou de fake news monetizem através da publicidade”. Em pouco tempo de atuação, o Sleeping Giants Brasil já conseguiu que pelo menos seis empresas se comprometessem a revisar políticas de anúncios via Google após serem alertadas de que suas marcas estampavam a página Jornal da Cidade Online. Em 2018, o site disseminou notícias falsas e informações distorcidas a favor da campanha de Jair Bolsonaro, como um artigo insinuando que, no segundo turno da eleição, Ciro Gomes teria se decidido pelo voto no candidato de extrema direita.

Agências de checagem como a Aos Fatos atribuem outras fake news à página, que atualmente tem se dedicado a atacar governadores que apoiam as medidas de isolamento social no enfrentamento à pandemia de coronavírus e, em sintonia com as redes bolsonaristas, utiliza dados imprecisos para defender a eficácia (não comprovada por estudos científicos) da hidroxicloroquina no tratamento da doença. Jornal da Cidade Online exibe anúncios por meio do sistema de publicidade digital desenvolvido pelo Google.

Um dos anunciantes expostos no Sleeping Giants Brasil que aparecem no site é o Telecine, primeiro a manifestar publicamente a intenção de retirar sua propaganda da página alinhada à extrema direita. “Somos totalmente contra a disseminação de fake news e precisamos, juntos, combatê-la”, expressou o perfil do canal fechado ao assumir o compromisso de analisar todos os portais que veiculam seus anúncios. “Restringimos e estamos sempre atentos para não estarmos em sites questionáveis voltados à disseminação de fake news, difamação e linguagem grosseira, conteúdos sensacionalistas e chocantes e propagação de mensagens de ódio, afirma o Telecine. “As restrições que incluímos diminuem drasticamente a probabilidade de termos nossas campanhas veiculadas em sites contrários às nossas políticas, e o trabalho dos nossos times é incansável para corrigir eventuais falhas que possam ocorrer com mídias automatizadas.”

A Dell, que também aparece em banners exibidos pelo Jornal da Cidade Online, atendeu à solicitação do Sleeping Giants Brasil. “Assim que recebemos essa informação, solicitamos a retirada dos anúncios automáticos. Repudiamos qualquer disseminação de notícias falsas.” Em nota enviada ao EL PAÍS, a empresa de computadores diz manter parceria com a DoubleVerify, serviço que mede a efetividade das entregas de anúncios, para monitorar suas campanhas publicitárias, além de possuir “uma extensa lista de negativação de sites de fake news e com conteúdo duvidoso, que é constantemente atualizada”.

Nesta quarta, o Submarino afirmou ter bloqueado anúncios no Jornal da Cidade Online e estar tomando providências para barrar sites semelhantes. “Caso vejam mais outro caso, podem me mandar, tá? Obrigado por avisarem!”, postou o perfil da empresa. O Banco do Brasil também comunicou a retirada de propagandas do site, repudiando a divulgação de fake news, o que gerou reação do vereador Carlos Bolsonaro. O filho do presidente criticou a decisão da entidade e saiu em defesa do Jornal da Cidade Online. “Marketing do Banco do Brasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas. Não falarei nada pois dirão que estou atrapalhando…”, comentou o vereador do Rio de Janeiro.

Outras grandes empresas e marcas como O Boticário e Samsung são citadas por seguidores do Sleeping Giants Brasil entre anunciantes do Jornal da Cidade Online, que tem o topo da página preenchido por um anúncio fixo do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). A reportagem do EL PAÍS ainda identificou anúncios da Polishop no site. Segundo o marketing da empresa, a propaganda exibida se baseia na ferramenta de display do Google, que rastreia sites recentemente visitados por usuários ao direcionar anúncios. O TCE-MS não respondeu aos questionamentos enviados ao órgão.

Em nota, a Samsung afirma aplicar o bloqueio padrão a sites que propagam desinformação e que revisa constantemente seus anúncios automáticos para aprimorar as inserções. “A Samsung reforça seu compromisso ético com a transparência e reitera que não compactua com a disseminação de notícias falsas”, escreve a empresa de tecnologia, que não especificou se o Jornal da Cidade Online se encaixa em seus parâmetros de páginas que deveriam ser bloqueada. Já O Boticário informou que incluiu o Jornal da Cidade Online em uma lista de sites vetados em campanhas online, identificados como páginas tendenciosas ou de conteúdos sensíveis a exemplo de álcool, drogas e violência. “Quando percebemos algo que passou despercebido, incluímos imediatamente na lista de bloqueios”, diz a marca de beleza. “Nossos parceiros são escolhidos de acordo com o perfil do nosso consumidor, somado às especificidades da mensagem que queremos passar. E grande parte da entrega do Google é pautada em mídia programática, pois foca nos usuários, e não no anunciante.”

Sistema permite vetar sites e canais específicos

Mídia programática é uma das maiores fontes de receita de sites e influenciadores de extrema direita. A ferramenta proporciona aos anunciantes a compra de espaços publicitários de acordo com dados de usuários da internet, enquanto produtores de conteúdo recebem por visualizações e cliques em anúncios exibidos em suas páginas. O serviço é oferecido por plataformas como Facebook e Google, desenvolvedor do Adsense, um dos meios de publicidade mais populares do mercado. Entre seus filtros de controle, as empresas podem evitar que anúncios sejam veiculados para determinados grupos de pessoas, em conteúdos peneirados por palavras-chave ou até mesmo em páginas específicas negativadas pelo anunciante.

“Entendemos que os anunciantes podem não desejar seus anúncios atrelados a determinados conteúdos, mesmo quando eles não violam nossas políticas”, afirma o porta-voz do Google. “Temos políticas contra conteúdo enganoso em nossas plataformas e trabalhamos para destacar conteúdo de fontes confiáveis. Agimos rapidamente quando identificamos ou recebemos denúncia de que um site ou vídeo viola nossas políticas.” De acordo com a empresa, somente em 2019, mais de 21 milhões de páginas tiveram anúncios retirados e 1,2 milhão de contas foram encerradas por desrespeitar as regras da plataforma.

Em seu perfil, o Sleeping Giants Brasil ressalta que, devido ao sistema de anúncios em larga escala, “a maioria das empresas não sabe que está financiando esse tipo de mídia [de extrema direita ou propagação de fake news], então buscamos conscientizá-las”, em vez de promover campanhas de boicote às marcas, para que retirem propagandas de conteúdos sensacionalistas e, consequentemente, os desmonetizem. No YouTube, que também é gerido pelo Google, a reportagem identificou mais ações de publicidade exibidas em canais ultraconservadores.

Uma campanha da Mastercard, estrelada chef de cozinha Alex Atala, precede o início de vídeos do canal O Giro de Notícias (GDN), com mais de 1 milhão de inscritos. Em publicações recentes, o apresentador bolsonarista Alberto Silva se concentra em incitar manifestações pelo fim do Congresso e do STF, além de minimizar o impacto da pandemia no país. No último dia 6 de maio, ele subiu um vídeo com o título “Urgente – Descoberta a cura do Covid-19”, em que repercute matéria do Estadão sobre uma pesquisa holandesa em torno de um anticorpo com potencial para neutralizar o coronavírus. Embora leia a parte da notícia que destaca a necessidade de mais testes antes de certificar a eficácia do anticorpo em seres humanos, Silva trata o estudo como “cura”, além de identificar a repórter que assina a matéria como cientista. Em 2017, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que um site mantido pelo influenciador retirasse do ar uma notícia que atribuía afirmação falsa ao cantor Gilberto Gil.

Campanha da Mastercard veiculado em vídeo de canal bolsonarista.
Campanha da Mastercard veiculado em vídeo de canal bolsonarista.

No vídeo em que aparece o anúncio da Mastercard, o apresentador relata que o PT estaria “fazendo reunião na calada da noite” com “a turma do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, entre outras pessoas, com o objetivo dpegar o presidente Bolsonaro”. Entretanto, ao longo da fala de 10 minutos, Silva não menciona quando nem onde teria acontecido a suposta reunião. “A mídia programática é uma parte importante de nossa estratégia e mix de marketing em geral”, escreve a Mastercard em comunicado enviado ao EL PAÍS. “Estamos monitorando continuamente essa abordagem, fazemos ajustes contínuos para que nosso conteúdo seja exibido apenas em canais adequados e comprometidos com altos padrões éticos de publicidade, não apoiando a disseminação de notícias falsas.”

O EL PAÍS ainda registrou anúncios de produtos, que direcionam para a loja online da Drogaria São Paulo, em vídeos do Folha Política. Com quase 2 milhões de inscritos, o canal é derivado de um site homônimo, que, em 2018, teve páginas derrubadas pelo Facebook por propagação de notícias falsas e uso de técnicas irregulares que criavam uma espécie de “fazenda de anúncios” em mídia programática. Apesar da Drogaria São Paulo divulgar em seu site vídeos do médico Drauzio Varella alertando sobre a necessidade de cumprimento das recomendações de isolamento social e a falta de comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina, seus anúncios surgem em vídeos do Folha Política que incentivam aglomerações em protestos a favor do presidente Jair Bolsonaro e fazem lobby pela liberação do medicamento para tratamento do coronavírus. A rede de farmácias não respondeu aos questionamentos da reportagem.

No vídeo em que aparece o anúncio da Mastercard, o apresentador relata que o PT estaria “fazendo reunião na calada da noite” com “a turma do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, entre outras pessoas, com o objetivo de pegar o presidente Bolsonaro”. Entretanto, ao longo da fala de 10 minutos, Silva não menciona quando nem onde teria acontecido a suposta reunião. “A mídia programática é uma parte importante de nossa estratégia e mix de marketing em geral”, escreve a Mastercard em comunicado enviado ao EL PAÍS. “Estamos monitorando continuamente essa abordagem, fazemos ajustes contínuos para que nosso conteúdo seja exibido apenas em canais adequados e comprometidos com altos padrões éticos de publicidade, não apoiando a disseminação de notícias falsas.”

O EL PAÍS ainda registrou anúncios de produtos, que direcionam para a loja online da Drogaria São Paulo, em vídeos do Folha Política. Com quase 2 milhões de inscritos, o canal é derivado de um site homônimo, que, em 2018, teve páginas derrubadas pelo Facebook por propagação de notícias falsas e uso de técnicas irregulares que criavam uma espécie de “fazenda de anúncios” em mídia programática. Apesar da Drogaria São Paulo divulgar em seu site vídeos do médico Drauzio Varella alertando sobre a necessidade de cumprimento das recomendações de isolamento social e a falta de comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina, seus anúncios surgem em vídeos do Folha Política que incentivam aglomerações em protestos a favor do presidente Jair Bolsonaro e fazem lobby pela liberação do medicamento para tratamento do coronavírus. A rede de farmácias não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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Esta reportagem foi originalmente publicada pelo jornal El País [Aqui!].

É natural! Governo da “fake news” usa crianças “fake” para se promover

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Há muito já se sabe que o governo Bolsonaro é composto por quadros políticos e técnicos que não entrariam nem pela porta de frente de qualquer gabinete em tempos normais. A ruindade é tanta que nós já nos tornamos uma espécie de piada pronta na mídia internacional.

Mas, agora, mais do que de repente isso fica ainda mais evidente com o uso de imagens de crianças (todas brancas por sinal) obtidas em um site árabe para promover uma campanha do governo federal (vejam sequência abaixo).

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Agora me respondam com sinceridade: é ou não é um governo que adora “fake news”? Pessoalmente sinto no ar um cheiro de fim de feira. Serei o único a sentir isso?

Diretoria da Aduenf repudia fake news implicando docentes da Uenf em grande apreensão de drogas

nota de repúdio

NOTA ADUENF DE REPÚDIO A FALSAS NOTÍCIAS VEICULADAS EM MÍDIA LOCAL

A ADUENF vem a público esclarecer que as últimas notícias veiculadas por mídias locais são inverídicas. A recente manchete “Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e outros 9 homens presos com 11 kg de droga em condomínio” é sensacionalista. A notícia faz referência a um indivíduo que teria se identificado como professor da UENF ao ser preso. Na verdade, trata-se de um ex-aluno da UENF. Os estragos são enormes e incalculáveis mesmo com a retificação da matéria. Sem qualquer comunicação com a Universidade para averiguar a veracidade dos fatos, a publicação compromete a imagem de uma instituição de ensino superior consolidada no Rio de Janeiro e decisiva no desenvolvimento da região norte fluminense. Nossa comunidade soma mais de 5000 alunos na graduação, 1555 alunos em pós graduação. Somos 300 docentes e aproximadamente 600 técnicos atuando em Campos dos Goytacazes, Macaé, Itaocara, São Fidelis, Itaperuna, Miracema, São Francisco, Bom Jesus de Itabapoana.

O ano de 2019 foi particularmente grave para as Universidades Públicas e para educação no Brasil. Mesmo assim, a Universidade Estadual do Norte Fluminense manteve sua excelência a observar indicadores recentes como Índice Geral de Cursos. Construir uma Universidade e manter ensino, pesquisa e extensão são desafios cotidianos a considerar as recentes crises vividas no Rio de Janeiro. As Universidades vêm enfrentando campanhas difamatórias diariamente. Sem nenhuma comprovação, somos atacados com falsas notícias cujo objetivo claro é cooperar para destruição do ensino público e de qualidade oferecido à população.

Repudiamos enquanto docentes e pesquisadores que manchetes como esta, comprometam publicamente a imagem de uma Universidade e sua comunidade, seus alunos, professores, técnicos e todos aqueles ligados a nossa instituição.

Diretoria da ADUENF

Gestão AVANÇAR NA LUTA

Campos dos Goytacazes, 14 de Dezembro de 2019

O Ururau Irado manda lembranças

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Bons tempos em que o “Ururau Irado” era o caçador de “jacarés” em textos alheios

Hoje tive a peculiar honra de ter um post deste blog citado em um blog hospedado em um veículo da mídia corporativa campista. Se eu bem entendi o que foi escrito para ser uma crítica, um erro datilográfico banal serviu para que meus vários diplomas fossem relativizados (sim, eu tenho três, e um deles sendo o de doutoramento em uma prestigiosa universidade dos EUA, a Virginia Polytechnic Institute and State University, a Virginia Tech), usando surpreendentemente um argumento levantado pelo ex-presidente Lula contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Aliás, confesso que meu título de PhD pela Virginia Tech é, sem dúvida, o meu maior triunfo.

Pois bem, sou réu confesso em escrever textos que possuem erros pontuais, pois nem sempre paro para revisar o que posto. Aliás, já foram incontáveis as vezes em que leitores me enviaram mensagens notificando de algum “jacaré” em uma das minhas postagens.

Nunca tomo essas mensagens que sugerem correções negativamente, pois mostram que alguém leu o que escrevi e se importou o suficiente para meu enviar uma notícia de erro. E como errar é parte de qualquer empreendimento humano, eu sempre agradeço quem me envia estes pedidos de correção e envio o “jacaré” para outras paragens.

Como estou há mais de duas décadas em Campos dos Goytacazes e este blog existe por uma, não consigo deixar de sentir certo saudosismo dos tempos em que corria solto por nossa planície o blog  “Ururau Irado” que fez fama caçando erros básicos de português produzidos em uma determinada redação, ainda que não somente nela.

É que, confesso, eu teria enorme honra de ser corrigido pelo “Ururau Irado”, pois do seu mentor eu esperaria mais do que piadas mal enjambradas com o meu sobrenome.  Mas que mais esperar quando quem nos critica é um conhecido intelectual de orelhas de livros e nada mais?

Quanto ao elemento de evidente irritação em minha postagem anterior, só posso reafirmar o meu entusiasmo pelo aparecimento do “Fonte Exclusiva“. É que nutro a esperança de que seu surgimento tenha repercussões positivas sobre a qualidade do que se vende como jornalismo em nossa cidade.  A ver!