Reitoria emite comunicado à comunidade universitária após “visita” à minha sala na UENF

Informei neste blog de uma inspeção que ocorreu na minha sala de trabalho no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense por pessoas que se apresentaram como sendo membros da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral  (TRE) em Campos dos Goytacazes [1].  Os que leram a postagem onde informei de tal “inspeção” notaram que houve uma série de comentários por parte do Sr. Matheus Machado, que se apresentou como fiscal do próprio TRE,  negando que qualquer operação de fiscalização oficial tivesse ocorrido no meu local de trabalho, e que eu estarei propagando uma “fake news“.

Pois bem, dado a gravidade do ocorrido, já que agora está clara a hipótese de que quem inspecionou a minha sala não estavam realizando uma operação oficial do TRE,  o reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, divulgou um comunicado à toda comunidade universitária da Uenf indicando o procedimento que deverá ser adotado na ocorrência de visitas de pessoas que se apresentem como “fiscais eleitorais” (ver documento abaixo).

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Como já disse de forma repetida, não tenho como prática a produção de “fake news” e não teria porque começar agora. Desta forma, vou aguardar os procedimentos que a Uenf adotará para apurar o que de fato ocorreu no meu espaço de trabalho e quem foram os responsáveis pelo fato.

Mais informações sobre esta situação inusitada serão oferecidas assim que forem obtidas.


[1] https://blogdopedlowski.com/2018/10/19/fiscais-do-tre-inspecionaram-minha-sala-na-uenf-vao-agora-nas-igrejas-e-templos/

Mídia global dá ampla repercussão ao financiamento ilegal de campanha envolvendo Jair Bolsonaro

Enquanto a mídia corporativa brasileira está tentando dar uma de “leão da montanha” em relação à descoberta de um esquema ilegal de financiamento de campanha em benefício da usina de “fake news” que foi utilizada para atacar a campanha de Fernando Haddad por empresários simpáticos a Jair Bolsonaro, a mídia internacional não está poupando tinta nas manchetes.

A repercussão está sendo tão grande que o caso está ocupando o topo dos chamados “trendings topics” do Twitter em nível internacional, e ameaça pior ainda mais a já péssima imagem que Jair Bolsonaro possui nos países desenvolvidos.

Abaixo mostro as matérias publicadas pelo The New York Times e Washington Post (EUA), El País (Espanha), Guardian e Telegraph (Reino Unido) e Público (Portugal).

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E que ninguém se surpreenda se a repercussão continuar aumentando, pois estes foram apenas os primeiros a repercutir o escândalo do financiamento ilegal de campanha que foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo.

Eleições 2018: Desenvolvimento acelerado da tecnologia dificultará o controle das fake news

Professor da FGV e especialista em inovação, Arthur Igreja analisa a relação entre novas ferramentas digitais e o aumento de alcance e velocidade de propagação de notícias falsas

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Na era da informação digital, a preocupação com as fake news, ou notícias falsas, cresce na mesma velocidade da tecnologia. Do domínio nas redes sociais à preocupação com a interferência nas eleições de 2018, o impacto na opinião pública é inegável. Para o professor da FGV e especialista em inovação Arthur Igreja, à medida em que o desenvolvimento avança, fica mais difícil controlar o problema, dado o surgimento de robôs cada vez mais inteligentes, que chegam mais longe em menos tempo.

Segundo ele, vivemos uma onda de desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial capazes de gerar fake news que pareçam aceitáveis, engajando humanos e aumentando o impacto. “Porém, grandes plataformas como Facebook e Google, até por uma questão de credibilidade do usuário e sustentabilidade do seu negócio, farão cada vez mais investimentos na direção contrária, criando algoritmos especializados em detectar fake news. Mas ainda está distante uma inversão considerável desta tendência”, explica.

Pesquisa desenvolvida pela empresa Pew Research indica que o ecossistema de notícias falsas ataca alguns dos instintos humanos mais profundos – a busca pelo sucesso e poder. Sendo assim, a proliferação de fake news continuará a degradar o ambiente de informações on-line na próxima década, já que os agentes manipuladores usarão novas ferramentas digitais para aumentar o alcance e a velocidade da propagação.

Para Igreja, as mídias digitais são os grandes propulsores das fake news já que, virtualmente, qualquer um torna-se voz ativa na rede. “Estamos em um estágio muito preliminar de revisão automática e filtros que sejam capazes de verificar notícias e posts ofensivos, por exemplo. A falta de curadoria das informações nas redes sociais dificulta em evitar notícias falsas”, completa.

Como identificar e combater fake news?

O especialista lista algumas dicas fundamentais para identificar e evitar a propagação de notícias falsas. Para ele, “por mais democrática que a internet seja, os menores índices de fake news são ainda encontrados nos jornais mais tradicionais exatamente porque vivem de credibilidade essencialmente”.

  • Verifique se a notícia foi veiculada em mais de uma fonte e fique atento aos sinais que podem gerar estranheza. Por exemplo, a notícia original foi postada em um domínio que não corresponde a um grande veículo jornalístico ou está em um blog de pouca repercussão.
  • A propagação de fake news ocorre com títulos que geram grande impacto e com viés sensacionalista.
  • O objetivo principal de quem espalha fake news é que mais pessoas façam o compartilhamento sem necessariamente ler e verificar a veracidade da informação.
  • Denunciar nas redes sociais, marcando a postagem como suspeita, é uma das principais formas de se combater as fake news. Facebook, Youtube e Instagram já possuem esse recurso.
  • Converse com amigos e familiares sobre a importância em se verificar a procedência das notícias recebidas em grupos de WhatsApp, por exemplo, ao invés de sair distribuindo qualquer tipo de informação.

Sobre Arthur Igreja

Masters em International Business pela Georgetown University (EUA), Masters of Business Administration pela ESADE (Espanha) e Mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV. Pós-MBA e MBA pela FGV. Certificações executivas em Harvard e Cambridge. Atuação profissional em mais de 25 países. Palestrante e investidor-anjo.

FONTE: Kbcomunicacao.com.br 

MBL reage a banimento do Facebook e decide criar sua própria rede social

O auto intitulado Movimento Brasil Livre (MBL) realizou hoje um micro comício na frenre da sede do Facebook para protestar contra de desativar 196 páginas e 87 contas que estariam sendo utilizadas para disseminar fake news e mensagens propugnando conteúdos que estimulam ódio e violência.

Diante do “sucesso” do micro ato, os líderes nacionais do MBL decidiram iniciar a criação de uma nova rede social para disseminar as suas ideias e valores, o Fakebook.

Abaixo o anúncio oficial do lançamento do Fakebook!

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Pega na mentira! Os defensores do Pacote do Veneno espalham inverdades para atacar fatos

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Sob pressão para aprovar um projeto de lei que colocará o Brasil como uma espécie do “paraíso dos agrotóxicos banidos no resto do mundo” (também conhecido como projeto do veneno), a bancada ruralista e seus aliados na indústria química resolveram fazer algo que se tornou bastante comum: contrataram um marqueteiro acostumado a dourar a pílula em campanhas eleitorais para nos fazer engolir a ideia de que agrotóxicos não são tóxicos e nem representam grave ameaça à saúde de ecossistemas naturais e à nossa.  

Falo aqui da contratação pela Confederação Nacional da Agricultura (leia-se confederação dos latifundiários brasileiros) do “publicitário” Nizan Guanaes que prontamente colocou em xeque a denominação dos agrotóxicos por, provavelmente, revelar que os produtos sob este rótulo são tóxicos [1]. 

E tudo indica que Nizan Guanaes e seu pessoal já começaram a fazer valer o contrato, pois já circula pela internet uma versão editada de um vídeo produzido com artistas globais e outras personalidades do mundo cultural brasileiro para denunciar o perigo dos agrotóxicos, acusando que o material seria “fake news”, e apresentando contra-argumentos que ou são totalmente falsos ou de autenticidade discutível (ver vídeo abaixo).

Por exemplo, o vídeo apresenta o contra-argumento de que existem países que usam mais agrotóxicos por unidade produtiva que o Brasil, o que pode ser verdade já que os países citados possuem extensões de terras agriculturáveis muito menores do que as do Brasil como é o caso do Japão e da Alemanha. Mas isto está sendo dito para ocultar um dado irrefutável: o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos desde 2008, superando o volume consumido até pelos EUA que foi o país a tornar o uso deste tipo de substância uma espécie de mantra da agricultura contemporânea.

Também é apresentado o contra-argumento de que é uma mentira que todo cidadão brasileiro está consumindo agrotóxicos derivados da produção agrícola.  A verdade é que hoje o cidadão brasileiro está não apenas comendo, mas também está bebendo agrotóxicos [2]. E este fato já está largamente comprovado por inúmeros estudos científicos que demonstraram a presença de resíduos de agrotóxicos, seja do princípio ativo aprovado para venda ou de subprodutos que são ainda mais tóxicos e perigosos, em alimentos e água consumida pela nossa população. 

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O vídeo ainda traz o contra-argumento de que o projeto do veneno  servirá para acelerar a velocidade de agrotóxicos mais modernos e que resultarão na diminuição do uso dos agrotóxicos.  A primeira coisa a se dizer é que esta suposta aprovação se dará com a retirada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do IBAMA do processo de análise de agrotóxicos que poderão ser comercializados no Brasil, ficando o processo de avaliação restrito ao Ministério da Agricultura onde, claro, predominam os interesses dos grandes latifundiários e dos fabricantes de agrotóxicos.

A segunda coisa é que atualmente o Brasil já consume uma quantidade significativa de agrotóxicos que já foram banidos nos países membros da União Europeia, EUA e até na China. Com essa suposta aceleração, o que se está querendo não é apenas manter a venda destes agrotóxicos banidos no resto do mundo, mas como também autorizar a venda de outros que também já proibidos fora do Brasil. Um caso muito provável de agrotóxicos que serão autorizados são vários neonicotinóides que acabaram de ser proibidos pela União Europeia por causa da morte de abelhas e pássaros, para os quais os fabricantes vão ter que garantir mercados até que sejam definitivamente proibidos em todo o mundo.

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Mas o que pode ser chamado de o “rei dos contra-argumentos”  que é aquele que indica que sem o uso de agrotóxicos haverá uma queda na produção de alimentos e, consequentemente,  o aumento da fome no Brasil. A verdade é que a maior parte da produção associada ao uso intensivo de agrotóxicos não se destina ao consumo interno ou, tampouco, para matar a fome de habitantes de outros países. O caso da monocultura da soja é apenas o mais emblemático já que parte significativa do montante exportado acaba sendo usado na alimentação de animais. 

A verdade é que a indústria química que produz os agrotóxicos já está realizando uma espécie de sucessão nas substâncias que são utilizadas nos sistemas agrícolas associados aos modelos da Revolução Verde [3], e brevemente teremos uma predominância do chamado controle biológico de pragas [4]. E até por esse fato, o que está ocorrendo é uma espécie de corrida final para vender agrotóxicos nos países da periferia capitalista, de forma a maximizar os lucros com substâncias que saíram do mercado.

Em suma, o conjunto de contra-argumentos apresentado no vídeo para fazer frente às supostas fake news contidas no vídeo produzido para denunciar o projeto de veneno é que traz informações se não falsas são distorcidas. Ao fazer isto, os produtores da versão adulterada do vídeo original nada mais fazem do politizar e partidarizar a discussão sobre o que está contido no pacote do veneno.  Algo mais fake news do que isso, impossível. Mas vindo da bancada ruralista daria para termos algo diferente? Me parece que não. Por isso, que ninguém se deixe enganar: agrotóxicos são perigosos e fazem mal à nossa saúde e vem contribuindo para uma espécie de apocalipse ecológico que poderá nos levar a um mundo onde comer e beber água se tornarão atividades de alto risco.


[1] https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2018/06/20/em-meio-a-polemica-dos-agrotoxicos-ruralistas-contratam-publicitario-nizan-guanaes-para-trabalhar-imagem-do-setor.ghtml

[2] http://www.mst.org.br/2018/03/20/uso-intenso-de-agrotoxicos-contamina-aguas.html

[3] https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-revolucao-verde.htm

[4] https://www.embrapa.br/tema-controle-biologico/sobre-o-tema

A monocultura da mídia corporativa está na raiz da produção em massa de “fake news”

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Há pouco mais de 8 anos resolvi lançar um blog para externar ideias e disseminar informações que normalmente não encontrava disponível na mídia corporativa.  Ainda que esta decisão tenha me obrigado a um processo de aprendizagem sobre como e o que veicular, esta ferramenta vem sobrevivendo, até porque vejo que existe gente que procura este espaço para se informar sobre o que de fato está ocorrendo, por exemplo, em Campos dos Goytacazes.

É que se formos deixados à mercê da mídia corporativa, independente do tamanho da empresa que controle um determinado veículo, estaremos submetidos à uma visão patronal da realidade.  O fato é que mídia corporativa tem sempre um dono interessado em preservar uma certa narrativa que necessariamente não apresenta fatos, mas versões deles e sempre a serviço de alguém. 

No Brasil, essa colonização da realidade se dá sempre na forma do que os burgueses (ou aspirantes à burgueses) mais preferem, qual seja, o da monocultura ou, melhor ainda, de uma “mono-cultura”. E nos mesmos raros momentos em que a mídia corporativa oferece a realidade e não construções alegóricas da mesma e com finalidades que não são publicáveis nem, tampouco, publicadas.

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Tomemos por exemplo o caso da cobertura que se dá ao momento que estamos vivendo em Campos dos Goytacazes. Diferente do momento anterior em que um espirro da prefeita Rosinha Garotinho era apresentado em manchetes garrafais como sendo uma demonstração de que ela tinha pneumonia, agora vivemos como vivêssemos numa cidade à frente do seu tempos.  E aqueles milhares buracos que apareceram nos últimos 18 meses nas ruas de Campos dos Goytacazes? Esses são agora meras ilusões de ótica que não estão infernizando a vida de quem precisa dirigir. Nem a tinta verde que está se espalhando pela cidade afora parece fazer que esta situação deplorável possa ocupar sequer uma coluna secundária numa página que a maioria dos leitores nem presta atenção.

Importante notar que não se pode culpar os bravos jornalistas, a maioria deles muito jovens e recém saídos do curso de graduação, por essa monocultura colonizadora da nossa realidade. É que o profissional que ousa questionar ou mesmo trabalhar com esmero acaba como ganhando como prêmio o caminho da rua. Por isso, muitas vezes, muitos desses jornalistas acabam abandonando a profissão, ou mesmo criando seus próprios espaços de informação para, finalmente, poderem exercer com liberdade o ofício que escolheram.

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Por tudo isso, em que pese não ter a ambição de ampliar o escopo de atuação deste blog, pois meu tempo é razoavelmente ocupado pelas minhas tarefas de professor universitário, é que me animo quando vejo espaços da mídia alternativa alcançando maiores fatias do público leitor, enquanto os veículos da mídia corporativa entram em franca decadência. Desse processo que se assemelha a um processo de sucessão ecológica é que podemos esperar a quebra da monocultura midiática que mantém nosso povo prisioneiro das “fake news” que são produzidas para nos manter enquanto uma sociedade profundamente desigual e injusta.

 

Antonio Sarlo: enquanto o (des) governo Pezão se prepara para ser o executor, reitor da Uenf quer ser o coveiro

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua imersa na maior crise financeira da sua vitoriosa história de menos de 25 anos.  O (des) governo Pezão, ao arrepio do que determina a Constituição Estadual pós-aprovação da PEC 47, ainda não repassou o mínimo de 25% para cobrir as despesas básicas relativas aos serviços essenciais para o funcionamento cotidiano da universidade.

A coisa anda tão precária que eu mesmo tive que oferecer cera para que uma das salas de aula em que ministro uma disciplina de graduação pudesse ficar apta ao uso.  Além disso, inexistem suprimentos básicos incluindo sacos de lixo e materiais para limpar vidraças, por exemplo.

Essa situação de continua calamidade institucional deveria estar colocando a reitoria da Uenf num plano mais racional em que a preocupação fosse impedir uma degradação ainda maior das condições em que as atividades de ensino, pesquisa e extensão estão sendo realizadas, evitando assumir compromissos que comprometem ainda mais a frágil estabilidade sobre a qual a universidade vem funcionando.

Mas não é isso que está ocorrendo. Em vez disso, o reitor da Uenf,  Luis Passoni, veio a público nesta 3ª. feira (08/05) para alardear o plano de incorporar a tradicional Escola Técnica Estadual Agrícola Antonio Sarlo ao quadro institucional da universidade.

E nesse esforço de agradar sabe-se lá quem, o reitor da Uenf produz uma dessas peças lamentáveis de “fake news” que desinforma os tantos leitores do jornal Folha da Manhã que se dispuserem a ler o seu artigo intitulado “Sobre o Antonio Sarlo” (ver abaixo).

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Quem não conhece a situação de perto vai ser levado a acreditar, de forma equivocada é preciso que se diga que há efetivamente uma discussão organizada para salvar o Antonio Sarlo do destino inglório que lhe destina o (des) governo Pezão.  O reitor da Uenf insinua que a discussão sobre a incorporação do Antonio Sarlo é antiga na Uenf, mas esquece (propositalmente eu diria) que essa incorporação significaria na prática o fechamento de uma das principais escolas técnicas do estado do Rio de Janeiro.

É que diferente do que afirma o reitor, não houve qualquer sinalização interna no Conselho Universitário da Uenf para incorporar o Antonio Sarlo, já que as negociações (como depois é reconhecido) já vem se dando com o (des) governo Pezão que não vê a hora de fechar mais uma escola, independente da sua importância para o processo de desenvolvimento econômico do Norte Fluminense.

Ao sinalizar que colocará a discussão da integração do Antonio Sarlo para ser debatida no dia 18 de maio, o reitor omite que inexistem condições básicas para preservar o funcionamento dos níveis de ensino que hoje lá são oferecidos. A começar pelo fato de que não há documento formal que garanta que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes vá efetivamente se encarregar de continuar o oferecimento do ensino fundamental que hoje ocorre na Antonio Sarlo. Aliás, em uma reunião recente com coordenadores de Educação no Campo, o secretário Brand Arenari deixou os presentes de cabelo em pé ao afirmar que as crianças do campo “querem ver as cores da cidade”, sinalizando que vem mais fechamento de escolas rurais por aí, num município que já é recordista neste tipo de ataque à educação do campo para as crianças que lá vivem.

Mas há que se frisar que tampouco há um projeto minimamente discutido para viabilizar o oferecimento de pelo menos um curso técnico agrícola pela Uenf. Nesse sentido, é revelador o fato de que o Centro de Ciências do Homem onde estão os encarregados de pensar as políticas educacionais tenha sinalizado de que não vai embarcar nessa aventura irresponsável (para não dizer coisa pior).

Há que se lembrar de que as instalações do Antonio Sarlo foram deixadas em completo abandono e hoje se encontram em condições deploráveis. Mas a Uenf não possui recursos sequer para manter o que já é de sua responsabilidade, e não objetivamente não terá como colocar um centavo que seja na recuperação das salas de aula e laboratórios do Antonio Sarlo.  Aliás, se me permitirem uma metáfora, o papel que a reitoria da Uenf está cumprindo nesta história insólita equivale ao do sujeito que pula no Rio Paraíba do Sul para salvar um amigo querido, esquecendo-se, contudo, que ele mesmo não sabe nadar.

A questão é pura e simples: o (des) governo Pezão decidiu fechar a Escola Antonio Sarlo, sem pesar as drásticas consequências que isso trará para seus atuais estudantes e futuras gerações que ficaram desprovidas de uma escola que já foi um dos maiores orgulhos dos habitantes do Norte Fluminense. De sua parte, a reitoria da Uenf está se prestando ao lamentável papel de coveiro do Antonio Sarlo. E qualquer discurso que seja feito tentando mostrar o contrário será vazio e sem qualquer base real.  Assim, que ninguém se deixe enganar pela promessa de que o objetivo é retornar o Antonio Sarlo aos seus anos dourados. O fato inalienável é que está se preparando o seu enterro, sem pompa nem circunstância.

Aos que não concordarem com  a “solução final” que o (des) governo quer impor ao Antonio Sarlo, a hora de reagir agora, pois os que querem enterrá-lo têm pressa.