O Ururau Irado manda lembranças

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Bons tempos em que o “Ururau Irado” era o caçador de “jacarés” em textos alheios

Hoje tive a peculiar honra de ter um post deste blog citado em um blog hospedado em um veículo da mídia corporativa campista. Se eu bem entendi o que foi escrito para ser uma crítica, um erro datilográfico banal serviu para que meus vários diplomas fossem relativizados (sim, eu tenho três, e um deles sendo o de doutoramento em uma prestigiosa universidade dos EUA, a Virginia Polytechnic Institute and State University, a Virginia Tech), usando surpreendentemente um argumento levantado pelo ex-presidente Lula contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Aliás, confesso que meu título de PhD pela Virginia Tech é, sem dúvida, o meu maior triunfo.

Pois bem, sou réu confesso em escrever textos que possuem erros pontuais, pois nem sempre paro para revisar o que posto. Aliás, já foram incontáveis as vezes em que leitores me enviaram mensagens notificando de algum “jacaré” em uma das minhas postagens.

Nunca tomo essas mensagens que sugerem correções negativamente, pois mostram que alguém leu o que escrevi e se importou o suficiente para meu enviar uma notícia de erro. E como errar é parte de qualquer empreendimento humano, eu sempre agradeço quem me envia estes pedidos de correção e envio o “jacaré” para outras paragens.

Como estou há mais de duas décadas em Campos dos Goytacazes e este blog existe por uma, não consigo deixar de sentir certo saudosismo dos tempos em que corria solto por nossa planície o blog  “Ururau Irado” que fez fama caçando erros básicos de português produzidos em uma determinada redação, ainda que não somente nela.

É que, confesso, eu teria enorme honra de ser corrigido pelo “Ururau Irado”, pois do seu mentor eu esperaria mais do que piadas mal enjambradas com o meu sobrenome.  Mas que mais esperar quando quem nos critica é um conhecido intelectual de orelhas de livros e nada mais?

Quanto ao elemento de evidente irritação em minha postagem anterior, só posso reafirmar o meu entusiasmo pelo aparecimento do “Fonte Exclusiva“. É que nutro a esperança de que seu surgimento tenha repercussões positivas sobre a qualidade do que se vende como jornalismo em nossa cidade.  A ver!

Nascimento de agência de checagem de “fake news” é uma novidade que perturba quem vive da produção delas

fake news
Iniciativa do Portal Viu!, agência de checagem vai dificultar a vida de quem vive de produzir e vender fake news no Norte e Noroeste Fluminense e na região dos Lagos

A alvissareira notícia publicada no Portal Viu! de que as regiões Norte e Noroeste Fluminense e dos Lagos tem a sua primeira agência de checagem de notícias denominada “Fonte Exclusiva“.  

Essa iniciativa pioneira deve ser recebida com entusiasmo por todos aqueles que estão comprometidos com a distribuição de informações jornalísticas qualificadas, pois será diminuído poder dos agentes de transmissão de notícias falsas ou tendenciosas que causam sérios danos à democracia brasileira, que ficaram muito bem demonstrados nas últimas eleições presidenciais, quando uma poderosa rede de “fake news” influenciou diretamente no resultado.

Obviamente sempre haverá quem se sinta incomodado com a existência de uma agência de checagem, começando por aqueles que produzem as “fake news” como forma de imposição de poder político e, não raramente, de obtenção de patrocínios e outros quetais. 

Como corretamente apontou na matéria de lançamento do “Fonte Exclusiva” o jornalista Douglas Fernandes, em cidades do interior existem veículos da mídia corporativa que funcionam como “indústrias de fake news”,  especializando-se em “fofoca e futrica”. Os donos desses veículos certamente se sentirão incomodados com o aparecimento de uma agência que cheque a qualidade e veracidade daquilo que é publicado como informação jornalística, mas que muitas vezes não passa de manjadas fake news.

Aliás, um dos primeiros sintomas de que algo apresentado como jornalismo é, na verdade, fake news são os repetidos ataques de caráter em que nomes são omitidos, mas deixados implícitos para que não haja a devida verificação da verdade pelo leitor. Esse caráter covarde de muitas “matérias jornalísticas” é o primeiro indicador de que estamos diante de uma fake news, muitas vezes produzidas por indivíduos que sequer possuem um mínimo de experiência profissional no jornalismo (oxalá um diploma de jornalista).

Mas é exatamente por essas reações antagônicas que a iniciativa do Portal Viu! deve ser saudada com entusiasmo. A partir dessa iniciativa, talvez, ninguém possa produzir fake news impunemente. Isto em um período politicamente tão difícil é sim motivo de felicitação. Longa vida à Fonte Exclusiva!

Máscaras que caem….

mascara

Vivemos tempos de “fake news” e de figuras que se alimentam delas, e  não raramente se escondem sob os perfis de outras pessoas nas redes sociais para disseminar seus ódios e frustrações, enquanto posam de democratas e se fazem de vítimas quando são confrontadas com suas verdadeiras facetas pessoais.

Entendo que essa é uma marca nova para o surgimento de falsas lideranças e que, muitas vezes, preferem o anonimato e os ataques inominados para tentar pescar incautos e arrastá-los para o pântano político onde operam com inteira liberdade.

Já estou na seara do debate público há muito tempo para perder tempo precioso com figuras secundárias cuja ascensão meteórica só é ultrapassada por uma queda tão ou mais rápida na vala do esquecimento para já onde foram tantos outros similares. É que cedo ou tarde a  máscara que essas figuras usam acabam caindo , e daí para o completo e obsequioso esquecimento é um pulo.

A questão é que debate franco se faz com quem tem coragem de bater e levar. Aos covardes resta sempre a lata de lixo da história.

Jair Bolsonaro lança fake news sobre ONGs para esconder seus êxitos na destruição da Amazônia

fogo amazoniaAmazônia: Bolsonaro disse que organizações não-governamentais podem estar por trás das queimadas na região

Uma coisa que considero no mínimo curiosa é a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de abrir mão de reconhecer o maior êxito de seu governo até agora que é o desmantelamento do sistema de proteção ambiental no Brasil. Confrontado com o sucesso de suas políticas anti-ambientais no avanço devastador da franja do desmatamento na Amazônia, o presidente do Brasil saiu-se com uma estrondosa “fake news” para tentar se esquivar do que imagens de satélite, vídeos e fotografias estão mostrando o mundo.

É que Jair Bolsonaro declarou que as queimadas devastadoras que estão ocorrendo na Amazônia não são de responsabilidade de invasores de terras públicas e latifundiários despreocupados com o meio ambiente, mas sim de ativistas de organizações não governamentais de proteção ao meio ambiente.

Quando solicitado a oferecer provas materiais de uma acusação tão grave, o presidente saiu pela costumeira tangente, afirmando que coisas desse tipo não possuem planos escritos, o que dispensaria a ele o ônus do oferecimento da prova.

É provável que Jair Bolsonaro ache que suas falas possam ser suficientes para dotar o segmento da população brasileiro que o apoia cegamente, bem como para municiar as milicias digitais que espalham suas “fake news”.  Tal crença é compreensível, pois até agora esse tipo de tática vem funcionando de forma eficiente e sem grande contestação no plano interno do Brasil.

O que Jair Bolsonaro não está certamente levando em conta é que as imagens da devastação em curso em boa parte da Amazônia estão circulando rapidamente pelo planeta inteiro neste momento. E é aí que o bicho pega, pois as relações comerciais que o Brasil possui, principalmente com a União Europeia, estão diretamente sob a dependência de acordos firmados pelo próprio governo brasileiro com a proteção da Amazônia e do combate ao desmatamento desenfreado.

Em outras palavras, o uso do “estilo Chacrinha” de comunicação pode até ser suficiente no plano interno, mas dificilmente resolverá ou sumirá com as pressões por um boicote internacional aos produtos agrícolas brasileiros. E é nesse contexto mais amplo que essa acusação sem base real contra as ONGs ambientalistas vai acabar acelerando a tomada de medidas contra o Brasil por governos estrangeiros que já estão sob imensa pressão para agir em prol da proteção das florestas amazônicas.

 

Estudo da USP refuta alegação de Ricardo Salles sobre o dia que virou noite em São Paulo

queimada mais frente friaCinzas das queimadas da Amazônia fizeram o dia virar noite em São Paulo. Mas para o ministro Ricardo Salles, isso seria  notícia falsa

Até o mais quimicamente desinformado habitante da região metropolitana de São Paulo foi capaz de estabelecer rapidamente uma ligação entre o fenômeno que transformou o dia em noite na última segunda-feira às queimadas da Amazônia.  Rapidamente o improbo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (do partido “Novo”) veio à público para negar de forma peremptória qualquer ligação entre os fatos, alegando que isso seria uma “notícia falsa“.

Pois bem, um problema para Ricardo Salles é que a nuvem negra virou chuva, o que possibilitou que pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo examinassem amostras da água que caiu sobre a capital paulista.  Entre os compostos detectados hidrocarbonetos que são excelentes marcadores de origem do material, o que confirmou cientificamente o que os paulistanos já sabiam. Segundo a professora e pesquisadora Pérola de Castro Vasconcellos, do Instituto de Química da USP, “entre os hidrocarbonetos encontrados está o reteno, que é um marcador de queimada.”

Água de chuva coletada na região metropolitana de São Paulo continham elementos químicos associados às queimadas na Amazônia.

Desta situação se depreendem duas constatações. A primeira é que temos diante de nós é o resultado direto do transporte de material particulado oriundo das queimadas que estão ocorrendo na Amazônia e no Centro Oeste. A segunda é que temos um mentiroso contumaz sentado na cadeira de ministro de Meio Ambiente, o qual não se nega a cumprir o papel deliberado de mentiroso para fazer prevalecer as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro.

O problema é saber como agir a partir dessas constatações, pois a situação que está se criando a partir do alastramento da franja de desmatamento (principalmente dentro de terras públicas da União, é preciso que se diga) possui implicações para além dos impactos regionais na Amazônia.  É que se for mantida a velocidade do desmatamento na Amazônia, os problemas que serão criados para o clima não apenas do centro sul brasileiro, mas de todo o planeta, serão imensos.  E nesse contexto, ter uma figura como Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente somente ampliará a catástrofe que nos espreita.

Reitoria emite comunicado à comunidade universitária após “visita” à minha sala na UENF

Informei neste blog de uma inspeção que ocorreu na minha sala de trabalho no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense por pessoas que se apresentaram como sendo membros da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral  (TRE) em Campos dos Goytacazes [1].  Os que leram a postagem onde informei de tal “inspeção” notaram que houve uma série de comentários por parte do Sr. Matheus Machado, que se apresentou como fiscal do próprio TRE,  negando que qualquer operação de fiscalização oficial tivesse ocorrido no meu local de trabalho, e que eu estarei propagando uma “fake news“.

Pois bem, dado a gravidade do ocorrido, já que agora está clara a hipótese de que quem inspecionou a minha sala não estavam realizando uma operação oficial do TRE,  o reitor da Uenf, Prof. Luís Passoni, divulgou um comunicado à toda comunidade universitária da Uenf indicando o procedimento que deverá ser adotado na ocorrência de visitas de pessoas que se apresentem como “fiscais eleitorais” (ver documento abaixo).

comunicado reitoria

Como já disse de forma repetida, não tenho como prática a produção de “fake news” e não teria porque começar agora. Desta forma, vou aguardar os procedimentos que a Uenf adotará para apurar o que de fato ocorreu no meu espaço de trabalho e quem foram os responsáveis pelo fato.

Mais informações sobre esta situação inusitada serão oferecidas assim que forem obtidas.


[1] https://blogdopedlowski.com/2018/10/19/fiscais-do-tre-inspecionaram-minha-sala-na-uenf-vao-agora-nas-igrejas-e-templos/

Mídia global dá ampla repercussão ao financiamento ilegal de campanha envolvendo Jair Bolsonaro

Enquanto a mídia corporativa brasileira está tentando dar uma de “leão da montanha” em relação à descoberta de um esquema ilegal de financiamento de campanha em benefício da usina de “fake news” que foi utilizada para atacar a campanha de Fernando Haddad por empresários simpáticos a Jair Bolsonaro, a mídia internacional não está poupando tinta nas manchetes.

A repercussão está sendo tão grande que o caso está ocupando o topo dos chamados “trendings topics” do Twitter em nível internacional, e ameaça pior ainda mais a já péssima imagem que Jair Bolsonaro possui nos países desenvolvidos.

Abaixo mostro as matérias publicadas pelo The New York Times e Washington Post (EUA), El País (Espanha), Guardian e Telegraph (Reino Unido) e Público (Portugal).

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E que ninguém se surpreenda se a repercussão continuar aumentando, pois estes foram apenas os primeiros a repercutir o escândalo do financiamento ilegal de campanha que foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo.