Tarcísio Freitas, o governador que só se preocupa com sua Coca Cola

Em uma entrevista coletiva em que supostamente procurava apresentar as medidas sendo tomadas por sua administração para coibir a disseminação de bebidas falsificadas no estado de São Paulo, o governador (?) Tarcísio Freitas saiu-se com uma declaração daquelas que relembram bem a sensibilidade com a dor alheia do seu mentor, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Do alto de sua insensibilidade, Tarcísio teria proferida a seguinte frase: no dia que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar. ainda bem que ainda não chegaram a esse ponto“.

E pensar que segundo as pesquisas eleitorais, Tarcísio Freitas está aparecendo com grandes chances de ser reeleito caso concorra para continuar governando São Paulo nas eleições de 2026.

Pois é.  Sem comentários.

AGU pede bloqueio milionário contra Syngenta por adulteração de agrotóxicos

A AGU baseia sua atuação em uma fiscalização do Ibama em uma fábrica da Syngenta em Paulínia (SP)

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Por Leonardo Gottems para o Agrolink

A Advocacia-Geral da União (AGU) moveu uma ação civil pública por dano ambiental contra a Syngenta na Justiça Federal de São Paulo. A multinacional de defensivos agrícolas é acusada de supostamente produzir e comercializar agroquímicos adulterados de forma irregular. A AGU quer que a Syngenta seja responsabilizada pela reparação de possíveis danos ambientais, além de pagar indenização por danos morais coletivos devido à exposição indevida da população aos produtos tóxicos.

A AGU requereu também o bloqueio de R$ 90 milhões da empresa para assegurar futuras reparações, caso a Syngenta não apresente garantias suficientes. Além disso, solicitou a suspensão do acesso da empresa a financiamentos em instituições de crédito públicas. A ação pede medidas urgentes para que a Syngenta recolha e dê destino adequado aos produtos adulterados que podem estar em circulação. A empresa deve apresentar um plano de integridade ambiental em 90 dias e divulgar informações sobre o processo judicial e suas decisões em seus canais digitais. Adicionalmente, a Syngenta deve incluir detalhes sobre a adulteração em seus relatórios e programas de sustentabilidade.

A entidade baseia sua atuação em uma fiscalização do Ibama que apontou um suposto uso irregular do conservante bronopol em níveis quase três vezes acima do permitido na produção do Engeo Pleno pela Syngenta. Além disso, o bronopol teria sido adicionado ilegalmente aos produtos Karate Zeon 250 CS e Karate Zeon 50 CS, que não possuíam autorização para essa substância em suas fórmulas. Estes agrotóxicos são amplamente utilizados em várias culturas agrícolas. Segundo registros de infração do Ibama apresentados na ação judicial, a Syngenta teria produzido um total de 4,7 milhões de litros desses produtos, dos quais pelo menos 4,4 milhões foram vendidos. 

Durante fiscalização, de acordo com a AGU, na fábrica da Syngenta, foi descoberto que funcionários receberam ordens para remover insumos da linha de produção de agrotóxicos para evitar detecção durante a visita do Ibama, tentando burlar a fiscalização. Em nota, a empresa se manifestou sobre o assunto negando prejuízos.


Fonte: Agrolink

Investigação de universidade canadense conclui que proeminente biólogo de aranhas fabricou e falsificou dados

Co-autores de artigos agora retratados de Jonathan Pruitt receberam descobertas resumidas de que o cientista violou a política de integridade de pesquisa da McMaster University

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O ex-ecologista comportamental da McMaster University, Jonathan Pruitt, falsificou e fabricou dados, de acordo com o resumo de uma investigação fornecida aos coautores. Photo: Kara Holsopple / The Allegheny Front

Por Claudia Lopez Lloreda

A McMaster University finalmente divulgou os resultados de sua investigação sobre alegações de fraude de dados pelo ecologista comportamental Jonathan Pruitt, descobrindo que o outrora amplamente celebrado cientista se envolveu na “fabricação e falsificação” de dados. A universidade canadense anunciou a notícia em um comunicado hoje , depois de compartilhá-la recentemente com co-autores em alguns dos artigos agora retratados de Pruitt.

A McMaster University disse à Science há 2 anos que sua investigação, conduzida por um Comitê de Audiências, foi concluída e que Pruitt estava deixando a escola após um acordo. Mas, para frustração da comunidade ecológica, na época não detalhou publicamente nenhuma descoberta sobre má conduta. Agora diz que o comitê descobriu que Pruitt “geralmente falhou em atender aos requisitos esperados de um professor titular sob a [Política de Integridade de Pesquisa da universidade] ao conduzir pesquisas”.

“Não acredito que [a universidade] esteja realmente dizendo isso publicamente”, diz Kate Laskowski, co-autora de três artigos com Pruitt que foram especificamente abordados na declaração da McMaster University hoje. “É um grande alívio que eles chamem de fabricação, e falsificação de falsificação. Eles não protegeram suas apostas.” (Laskowski twittou sobre a revelação ontem e Retraction Watch foi o primeiro a relatar o e-mail da escola.)

Laskowski diz que ouviu os representantes da McMaster University pela última vez quando eles a informaram em julho de 2022 que a escola havia feito um acordo com Pruitt para rescindir seu cargo. “Achei que era o fim, nunca pensei que ouviria mais nada”, diz ela.

Laskowski foi uma das primeiras a levantar questões sobre o trabalho de Pruitt. Em janeiro de 2020, ela anunciou no Twitter que estava se retratando de um artigo do qual era a primeira autora e Pruitt coautor. “Havia um número inesperado de valores duplicados que eu nunca havia notado antes”, ela compartilhou, explicando que, como Pruitt também não conseguiu explicar as anomalias nos dados, suas descobertas – sobre o comportamento social das formigas – não foram suportadas. por dados.

Dois outros artigos que Laskowski co-escreveu com Pruitt seriam retratados, e isso também levou ao escrutínio de muitos dos outros co-autores do cientista. Até o momento, 15 artigos de Pruitt foram retratados nos últimos 3 anos.

Após uma série de descobertas de alto nível no início de sua carreira, Pruitt recebeu o prestigioso título de Canada 150 Research Chair em 2018. Mas quando a investigação da McMaster sobre o que ficou conhecido como #PruittGate terminou, ele  foi colocado  em licença e eventualmente renunciou ao cargo .  

Em resposta ao Science Insider hoje, Pruitt se recusou a comentar sobre a investigação da McMaster University. “Estarei disponível para conversar no outono, quando meu primeiro livro for lançado”, eles responderam.

Quando as acusações contra Pruitt surgiram pela primeira vez há 3 anos, muitos jornais inicialmente esperaram que a McMaster University conduzisse sua investigação, particularmente à luz das cartas dos advogados de Pruitt instando-os a não retratar imediatamente nenhum documento . Mas uma vez que alguns editores obtiveram os dados originais para os jornais e viram que a investigação da universidade levaria tempo, os editores foram em frente e decidiram retratar os artigos de Pruitt por conta própria.

“Tornou-se óbvio que poderia demorar muito até que a decisão viesse da McMaster”, diz Susan Healy, que era editora executiva da revista Animal Behavior , que publicou e subseqüentemente retirou três dos artigos de Pruitt. Healy sugere que a McMaster University pode ter precisado de tempo para fazer uma investigação completa em um grande conjunto de artigos. Mas ela acrescenta: “Decidimos, em última análise, que poderíamos tomar as decisões sem eles”. A Animal Behavior, na qual Healy agora supervisiona a ética editorial, ainda não foi contatada diretamente pela McMaster University sobre as conclusões de sua investigação.

As descobertas resumidas da McMaster abrangem oito artigos de Pruitt e concluem que ele fez duplicação de dados e manutenção inadequada de registros. A evidência apresentada à universidade nos três artigos em coautoria com Laskowski “estabeleceu que os dados e sequências de dados foram duplicados em todos os três artigos”, concluiu o Comitê, acrescentando que também estava “satisfeito com as evidências no sentido que o Dr. Pruitt se envolveu na fabricação e falsificação a respeito de se as aranhas foram coletadas para o estudo realizado, sobre quais aranhas foram usadas, e se os ensaios foram conduzidos para apoiar a publicação dos artigos”. O Comitê também disse que “não há explicações estatísticas ou biológicas para os tipos de duplicação observados em outros dois artigos investigados”. 

Lena Grinsted, co-autora de Pruitt em três artigos, também compartilhou ontem no Twitter um aviso por e-mail da McMaster University dizendo que descobriu que Pruitt também fabricou dados nesses artigos, o mais recente dos quais foi retratado pela Nature . “Foi realmente uma jornada dolorosa para todos os envolvidos”, tuitou Grinsted, bióloga evolutiva da Universidade de Portsmouth . “Espero que todos nós tenhamos aprendido algumas lições valiosas com tudo isso.”

Alguns editores de periódicos dizem que a conclusão oficial de má conduta da McMaster não mudará muito em termos de investigações e retratações. “A maioria dos periódicos que estavam prestando atenção já faziam isso”, diz Daniel Bolnick, um biólogo evolutivo da Universidade de Connecticut, co-autor de alguns artigos de Pruitt e editor-chefe do The American Naturalist. Assim que o escândalo estourou, ele começou a investigar todos os artigos de Pruitt publicados na revista.

“Minha perspectiva como editor era: ‘Acredito nas conclusões biológicas?’ E a resposta foi não”, diz Bolnick. Mas se isso foi devido à fabricação de dados ou incompetência, era mais difícil para ele discernir, então ele deixou esse julgamento para a McMaster. “Eles claramente voltaram com a conclusão de que era fabricação e falsificação”, diz Bolnick.

Laskowski acha que isso pode ajudar outros co-autores a limpar o registro com periódicos. Também sinaliza para ela e outros o fechamento de um calvário de 3 anos. Ela costuma dar uma palestra sobre integridade de dados que inclui sua história e geralmente termina dizendo que a comunidade ecológica acredita que Pruitt fabricou dados. “Agora, posso atualizá-lo e dizer ‘Aqui está o fim’.”


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Este texto artigo escrito originalmente em inglês foi publicado pela Science [Aqui! ].

Faculdade em SP teria usado professores de fachada em curso de pós-graduação

Metade dos professores que aparecem em certificado com suspeita de fraude afirmou à Pública que não ministrou o curso

Faculdade em SP teria usado professores de fachada em curso de pós-graduação  - Agência Pública

  • Campos Salles foi denunciada ao MPF
  • Situação pode levar à responsabilização civil, administrativa e até criminal
  • Em nota, instituição diz que abriu procedimento administrativo

Por Rute Pina e Thiago Domenici para a agência Pública

Amanda* se espantou quando viu seu nome listado ao lado de outros nove professores em um diploma da pós-graduação das Faculdades Integradas Campos Salles (Fics). O nome da professora estava registrado em um certificado do curso de especialização em educação infantil, ministrado de outubro de 2018 a outubro de 2019 na instituição, localizada em São Paulo.

“Eu levei um baita susto porque eu nunca dei aula na pós-graduação. Eu não tinha nem conhecimento daquele curso”, diz a professora, que tem titulação de mestre na área de educação. Ela conta que trabalhou por quatro anos na faculdade, mas, por mais da metade do período do curso em que teria lecionado, já estava fora da instituição.

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A reportagem da Pública teve acesso ao certificado que atribuiu aulas que não foram ministradas pelos professores

A Agência Pública entrou em contato com os dez professores que aparecem no diploma sob suspeita de fraude na Fics. Metade confirmou à reportagem que nunca deu aula no curso mencionado – alguns, como Amanda, nem sequer haviam lecionado na pós-graduação. “Fomos usados como laranjas porque eles precisam de mestres e doutores”, avalia a docente.

Também o nome da professora Cimara Apóstolico é um dos que aparecem no corpo docente do curso de educação infantil. Segundo o certificado, ela teria dado a disciplina “Leitura e palavra: a criança como sujeito de educação no ensino infantil”, com duração total de 50 horas. Mas a professora negou à Pública ter ministrado tais aulas. “Eu não lecionei em momento algum na pós-graduação da Campos Salles. Só lecionei na graduação, em vários cursos. Mas, em 2018 e 2019, eu nem tinha horário para lecionar em mais nada. Então, com certeza, não fui eu. Usaram a titulação por alguma razão”, diz.

“Eu levei um baita susto porque eu nunca dei aula na pós-graduação”, afirmou uma professora à reportagem
A professora Silvia*, no entanto, afirmou que deu aula em todos os cursos da pós-graduação, mas não especificou se também no curso suspeito de fraude.

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Eu levei um baita susto porque eu nunca dei aula na pós-graduação”, afirmou uma professora à reportagem

A professora Silvia*, no entanto, afirmou que deu aula em todos os cursos da pós-graduação, mas não especificou se também no curso suspeito de fraude.

O curso teria sido oferecido pela universidade na modalidade EAD, ainda que o diploma obtido pela Pública, validado pelo Ministério da Educação (MEC), não especifique a modalidade. De acordo com um ex-aluno que prefere não se identificar, todo o curso de pós-graduação teria ocorrido sem a presença de professores, com uso de apostilas virtuais acessíveis por uma plataforma on-line – situação que não condiz com os critérios estabelecidos pelo MEC para o funcionamento de pós-graduações lato sensu.

A Resolução CNE/CES nº 1, que regula o setor, determina que metade do corpo docente dos cursos de especialização seja constituído de professores portadores de título de mestre ou de doutor, “obtido em programa de pós-graduação stricto sensu reconhecido”. Sem considerar condições extraordinárias, como a pandemia, outra exigência estabelecida pela norma é que “os cursos a distância deverão incluir, necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso”, o que, segundo o estudante procurado pela reportagem, não ocorreu.

Denúncia no MPF

Em julho de 2020, foi aberto um processo administrativo na Prefeitura de São Paulo para apurar irregularidades no curso oferecido pela Campos Salles, após uma notificação da Diretoria Regional de Educação. O procedimento, no entanto, foi arquivado por fugir à competência do município.

Mas, em março deste ano, suspeitas de fraude na instituição foram denunciadas ao Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, pelo gabinete do deputado estadual Carlos Gianazzi (Psol) e pela Rede de Educadores do Ensino Superior em Luta.

De acordo com o ofício entregue à Procuradoria, os indícios “sugerem um manuseio intencional, por parte da mantenedora, da atribuição de disciplinas e/ou cursos aos seus profissionais docentes, com o intuito de maximizar as notas de avaliação dos seus cursos, cujos critérios de pontuação passam também pela análise de títulos de todos os docentes vinculados à instituição e aos cursos oferecidos”.

A advogada Beatriz Branco, assessora jurídica do mandato de Giannazi, explica que, no caso de comprovada a utilização de professores de fachada, a instituição pode ser responsabilizada nas esferas civil, administrativa e até criminal.

“No âmbito civil, os professores que tiveram seus nomes utilizados indevidamente podem pleitear danos morais e exigir a retirada de seus nomes dos diplomas já emitidos. Caso ainda possuam vínculo trabalhista, a demanda pode também ir para a Justiça do Trabalho”, diz a advogada. O uso de informações falsas poderia acarretar também suspensão da oferta de cursos na instituição e, no âmbito penal, em investigação criminal na Polícia Federal ou no Ministério Público.

Procurado, o MPF não respondeu até a publicação sobre o andamento da denúncia.

fcs 3José Cícero da Silva/Agência Pública

Coordenação de cursos

A denúncia entregue ao MPF que cita “Falsificação de documento público” apontou também irregularidades na coordenação dos cursos de pós-graduação da universidade e no regime de contratação dos professores.

As Faculdades Integradas Campos Salles têm 127 cursos de especialização cadastrados no MEC, entre presenciais e EaD. A Pública constatou que 31 cursos são oferecidos com regularidade e, antes da pandemia, presencialmente. Destes, oito são coordenados por Luci Ana Santos da Cunha e 17 por Fabio Cristiano de Moraes – ou seja, dois professores são responsáveis pela coordenação de 80% dos cursos de pós-graduação oferecidos pela instituição. Luci, também funcionária pública, ainda acumula a coordenação dos cursos de pós-graduação com as atividades de jornada integral no ensino superior, como ministrar disciplinas em cursos regulares da instituição. Seus nomes também constam no certificado suspeito e denunciado ao MPF. Procurados, eles não retornaram até a publicação.

Profissionais do setor educacional consultados pela reportagem avaliam que coordenar tantos cursos seria uma tarefa sobre-humana. “O máximo que já vi na vida foram três cursos coordenados pelo mesmo profissional, e já era uma situação atípica”, avalia um professor que atua como coordenador numa universidade privada de São Paulo e prefere não se identificar. Apesar de não ser uma situação irregular, o coordenador vê com estranheza um único profissional coordenar 17 cursos.

Demissões e sucateamento

Em 2015, o grupo Campos Salles foi assumido por uma nova gestão. Para oferecer cursos a distância, a instituição teria comprado, em 2019, a plataforma e o material didático da multinacional britânica Pearson, que oferece em seu catálogo “soluções digitais” para mais de 300 disciplinas no ensino superior. Segundo relato de professores, a faculdade começou a aplicar o conteúdo externo da empresa para alunos em recuperação, mas teria expandido a utilização do material para os cursos regulares.

Amanda lembra que, no mesmo ano, a universidade iniciou um processo de demissões de professores. “A faculdade como um todo tinha um sistema bem precarizado de trabalho. Eu cheguei a dar aula para uma turma com quase 120 alunos presencialmente”, relata. Com a demissão de professores com vínculo CLT, a faculdade teria começado a contratação de professores como pessoas jurídicas.

“Eles não pagaram a gente por nada disso porque compraram essa apostila. Passam essa apostila para o aluno ler e um formulário do Google para responder, e ele está em conteúdo de especialização. Sem ter aula nenhuma, sem ter professor nenhum”, diz a professora. Mas, segundo ela, nem tudo pode ser automatizado: “Fomos usados porque eles precisam dos nomes de mestres e doutores para o MEC, né?”.

Segundo os relatos, outro problema que seria de conhecimento da instituição é um suposto histórico de calotes e atrasos de pagamento de salários dos professores. Cimara Apostólico, que está afastada da instituição há quase dois anos, conta que os professores ficaram sem receber por seis meses em 2014.

“Eles não tinham condições de pagar. As instituições de maneira geral passaram por vários ajustes. Aí, a gente vê lá o preço do curso, R$ 100. Alguma coisa está acontecendo, né? E o que está acontecendo, na verdade, é um sucateamento do salário do professor, uma desvalorização. Eles mandaram embora muitos professores, ficaram poucos na casa, recebendo um salário que não é um salário de professor universitário”, diz a professora. “A gente tem a responsabilidade na formação de um indivíduo que também vai formar outros.”

Desde 2015, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que abrange a cidade de São Paulo e as regiões de Guarulhos, Osasco, ABC paulista e Baixada Santista, já recebeu 73 novos processos trabalhistas contra a Associação Educativa Campos Salles, mantenedora da instituição de ensino. Só neste ano, 11 novos casos chegaram à Justiça do Trabalho.

Em setembro do ano passado, a Pública já havia relatado casos de outras universidades privadas que, em meio à pandemia, davam aulas on-line com 300 alunos e demitiram milhares de docentes, muitos por pop-up.

Outro lado

Em nota enviada à Pública, as Faculdades Integradas Campos Salles informaram a instauração de um procedimento administrativo para averiguar a existência de vícios formais ou materiais, “não apenas em relação à expedição do referido Certificado, mas também em relação à situação acadêmica e administrativa de toda a atuação discente e docente no curso”.

“Em toda a história da Fics, essa é a primeira vez que recebemos uma denúncia nestes termos, onde, havendo irregularidades, serão aplicadas as sanções previstas em nosso regimento e também na legislação pertinente”, diz nota enviada à reportagem. Sobre os “supostos indícios de manuseio intencional para maximização de notas em nossos cursos”, a instituição informou que os programas de pós-graduação lato sensu não possuem indicadores de qualidade vinculados à titulação.

“No desenvolvimento de nossos cursos, empregamos diversos tipos de conteúdos síncronos e assíncronos, com materiais próprios e de terceiros, constando em nossos certificados os professores que lecionaram aulas síncronas e assíncronas, presenciais ou à distância, professores responsáveis por seu desenvolvimento ou professores que atuam na construção conceitual das disciplinas de suas cátedras dos eixos de formação dos cursos participantes dos Núcleos de Desenvolvimento Estruturantes (NDE), Colegiados de Curso (CONCUR) e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE)”, afirma a nota da faculdade.

Procurado, o MEC não respondeu até a publicação

fecho

Este texto foi inicialmente publicado pela agência Pública [Aqui!].