O Governo Bolsonaro está em queda livre

Confidentes do presidente caem ou são presos, o vírus se espalha a um ritmo alarmante. O gabinete afunda no caos

grafite 1Um grafite em São Paulo mostra um cabo de guerra entre médicos de um lado e o presidente Bolsonaro do outro lado. O chefe de estado é apoiado pelo vírus corona (Foto: AP)

Por Christoph Gurk de Buenos Aires para o Süddeutsche Zeitung

Enquanto o número de pacientes infectados com o novo coronavírus aumentou para mais de um milhão no Brasil, o governo do país está afundando cada vez mais no caos. O ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub, anunciou sua renúncia na quinta-feira. O ex-banqueiro de investimentos era considerado um linha-dura da direita no governo. Ele lamentou a “infiltração socialista” de seu ministério e cortou drasticamente os fundos das universidades públicas porque as considerava um refúgio de comunistas.

Weintraub também interferiu em outras áreas da política. Nas últimas semanas, ele foi atingido por ter cometido ataques racistas contra a China em conexão com a pandemia d COVID-19. Há algumas semanas, ele comparou as buscas domiciliares da polícia federal com os apoiadores de Bolsonaro à Noite dos Cristais que ocorreu em 9 de novembro de 1938 na Alemanha nazista. E ele chamou os juízes da Suprema Corte de “vagabundos” que deveriam estar na prisão.

A renúncia de Weintraub é provavelmente a conseqüência da crescente pressão do judiciário brasileiro que o está investigando por seus comentários racistas e envolvimento em uma rede de notícias falsas. Para o governo de Jair Bolsonaro , a saída de Weintraub é uma perda irritante. O ministro era particularmente popular entre os cada vez mais importantes apoiadores de direita. A renúncia é vista como uma derrota para o governo na luta com o Supremo Tribunal Federal.

As estações de TV transmitem a prisão ao vivo

Quase simultaneamente à renúncia de Weintraub, a polícia brasileira prendeu Fabrício Queiroz, um íntimo confidente da família Bolsonaro, na quinta-feira (18/06). O presidente e o ex-policial se conhecem desde os anos de 1980. Mais recentemente, o jogador de 54 anos trabalhou oficialmente como motorista do filho de Jair Bolsonaro, Flávio. Não-oficialmente, diz-se que Queiroz ajudou o filho presidencial, que era ativo na política, a desviar fundos públicos para suas próprias contas. O caso pode ter consequências desagradáveis ​​para Jair Bolsonaro. Ele foi eleito para o cargo em 2018, principalmente porque foi considerado um político de fora do sistema político por muitos brasileiros, sem estar envolvido na ampla cultura de corrupção na política, sem conexão com as práticas de nepotismo e enriquecimento pessoal.

O presidente e sua família negam todas as alegações; o próprio Queiroz fugiu depois que as acusações se tornaram conhecidas. A polícia o prendeu perto de São Paulo, na propriedade de um dos advogados da família Bolsonaro. A prisão causou sensação no Brasil. Dos helicópteros, as equipes das emissoras de TV transmitiram a prisão ao vivo.

O judiciário está aumentando a pressão sobre o presidente brasileiro. Outra investigação já está em andamento contra Jair Bolsonaro: ele teria usado seu cargo político e poder para impedir a investigação da Polícia Federal sobre seus filhos. Além disso, os índices de aprovação do presidente continuam em declínio no decorrer da pandemia da COVID-19. Na noite de sexta-feira, o Brasil deverá exceder a marca de um milhão de infectados.

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Este artigo foi publicado originalmente pelo jornal Süddeutsche Zeitung [Aqui!].

Acharam (prenderam) o Queiróz, treme a república

queirozFabrício Queiroz é conduzido para a prisão após ser ser apreendido em um situação pertencente ao advogado Frederico Wassef no município de Atibaia (SP)

Em um desdobramento que deverá aumentar a temperatura política no Brasil, a Polícia Civil e o Ministério Público do estado de São Paulo prenderam na manhã desta 5a. feira, o ex-motorista e “jack of all trades” (em português, o bom e velho “pau para toda obra”) Fabrício Queiroz, que estava desaparecido sob as vistas de todo mundo há mais de um ano.

E essa prisão começa imersa em uma mar de ironias. A primeira ironia que eu vejo nessa história em desenvolvimento é que a prisão aconteceu em São Paulo, e não no Rio de Janeiro onde os supostos crimes cometidos por Queiroz teriam sido cometidos.  A segunda é que Fabrício Queiroz teria sido preso em um sítio localizado no já famoso município de Atibaia, onde também existe outro sítio que foi celebrizado por ter sido o objeto da segunda condenação judicial do ex-presidente Lula. A terceira ironia é que o proprietário do sítio onde Queiroz foi encontrado é nada menos que um dos advogados do senador Flávio Bolsonaro, o mesmo para quem o ex-motorista teria agido para, entre outras coisas, recolher parte dos salários dos servidores lotados no gabinete do então deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Uma quarta ironia é que ontem mesmo, o dono do sítio, o advogado Frederick Wassef, esteve presente ontem na cerimônia de posse do novo ministro da Comunicação, o deputado federal Fábio Faria (PSD/RN). A quinta e última ironia que eu consiga lembrar é o fato de que o impeachment do hoje senador Fernando Collor teve como ponto de partida uma denúncia de uma transação irregular envolvendo um veículo Elba da Fiat. A ironia é que o exílio de Queiroz não foi na Ilha de Elba, mas em Atibaia, em uma conjunção inesperado com o destino do ex-presidente Lula, por quem o presidente Jair Bolsonaro não nutre os melhores sentimentos.

O advogado de Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef, negando saber o paradeiro de Fabrício Queiroz que passou um ano hospedado em um imóvel de sua propriedade em Atibaia (SP)

Ironias à parte, a prisão de Fabrício Queiroz tem o efeito potencial de fazer tremer a república, pode-se assim dizer. É que essa prisão, somada a outros desdobramentos que ocorreram no Rio de Janeiro, tem o potencial de atingir o presidente Jair Bolsonaro onde ele mais teme ser atingido que são os seus filhos. Como o filho senador é o mais exposto deles, exatamente em função das brechas que já estão abertas pelo esquema da “rachadinha” comandado por Fabrício Queiroz no gabinete  de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

Essa prisão também é ruim porque ocorre em um momento em que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro já vinha cambaleando em função da gestão desastrosa da pandemia da COVID-19 que já causou oficialmente 46.665 mortes no Brasil. Agora, com a prisão de Fabrício Queiroz, o risco é que capa de paladino anti-corrupção seja rasgada de vez, e o presidente tenha que explicar, por exemplo, o ainda inexplicado depósito que ex-motorista fez na conta bancária da primeira dama Michelle Bolsonaro.

michelleFabrício Queiroz afirmou ter dado dez cheques, no valor total de R$ 40 mil, a Michelle Bolsonaro Foto: Jorge William / Agência O Globo

Em um sinal que sentiu o golpe, o presidente Jair Bolsonaro deixou hoje de fazer a famosa parada que realiza matinalmente no “cercadinho” fora da residência oficial da presidência. O dia de hoje promete, e a república treme. Eu não me surpreenderia se hoje tivéssemos uma série de declarações de pessoas ilustres dessa mesma república que apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro negando que um dia apostaram nele para dirigir o Brasil. A ver!

A blitz em Wilson Witzel e o aprofundamento da crise política no Brasil

witzel bolsoO hoje governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC/RJ), posando com camisa do então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.

A população do Rio de Janeiro amanheceu mais uma vez com notícias de ações da Polícia Federal para apurar supostas irregularidades na área da Saúde cometidas por um governador em exercício, no caso o ex-juiz Wilson Witzel. Essa operação alcunhada de “Placebo” por causa de alegado superfaturamento na montagem dos famigerados hospitais de campanha é uma espécie de “déjà vu” porque nos últimos anos tivemos casos rumorosos envolvendo os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

A diferença nesse caso é a rara celeridade com que a detecção das supostas irregularidades no governo estadual do Rio de Janeiro resultou em uma operação da Polícia Federal que a mídia corporativa informa está vasculhando endereços oficiais e pessoais de Wilson Witzel.  E, curiosamente, com um destacamento da Polícia Federal lotada no Distrito Federal.

Essa celeridade inaudita já levanta o espectro da perseguição política por parte do presidente Jair Bolsonaro que hoje tem em Witzel um enorme desafeto. Contribuiu para a presença desse espectro, as declarações de véspera da deputada federal Carla Zambelli (PSL/SP) (uma das ardorosas aliadas da família Bolsonaro no congresso nacional) que teria previsto com o poder de um oráculo a deflagração da operação policial de hoje. Se isso for confirmado, há, inclusive que se apurar se isso não contribuiu para a destruição de provas, já que entre o anúncio de Zambelli e a deflagração da operação Placebo passaram-se horas suficientes para destruir um caminhão de provas.

Mas colocando-se de lado a evidente disputa política que ocorre atualmente entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador fluminense, ninguém pode discordar de que é necessário apurar se realmente, em meio a uma pandemia letal, ocorreram crimes contra o estado do Rio de Janeiro com a prática de sobrepreço, por exemplo.  Ser contra a apuração e a punição de crimes de corrupção não parece razoável, especialmente se isso ocorre quando milhares de pessoas estão pessoas por falta de estruturas próprias de saúde.

Além disso, é preciso lembrar que, embora brigados no momento, Jair Bolsonaro e Wilson Witzel são praticamente inseparáveis em termos ideológicos, especialmente no que tange ao uso da força extrema para obter um apaziguamento social que se mostra totalmente deletério para o interesse da maioria pobre da população fluminense. A ligação entre Bolsonaro e Witzel é tão grande que o secretário de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues, um dos acusados de terem praticados crimes de corrupção, é o segundo suplente do senador Flávio Bolsonaro, tendo convivido de forma próxima com o próprio presidente Jair Bolsonaro.

xleonardo_flavio.jpg.pagespeed.ic.YTdaazNep0Leonardo Rodrigues, suplente de Flávio Bolsonaro e atual secretário de Ciência e Tecnologia Foto: Reprodução / Redes Sociais

Além disso, sob o comando de Wilson Witzel, as polícias do Rio de Janeiro adotaram uma tática de violência extrema dentro de comunidades controladas pelo narcotráfico, o que motivou o jornal estadunidense a publicar uma longa matéria intitulada “License to Kill: Inside Rio´s Record Year of Police Killings” (ou em português “Licença para matar: dentro do ano recorde de assassinatos pela polícia”). Nesse sentido, há ainda que se lembrar que mesmo durante a pandemia da COVID-19, ocorreram diversos assassinatos de jovens negros dentro de comunidades da cidade do Rio de Janeiro, sendo que em algumas delas as operações policiais ocorreram durante a distribuição de cestas básicas para famílias que se encontram em dificuldades para adquirir alimentos.

license to killMatéria publicada pelo “The New York Times” no dia 18 de maio de 2020 abordou as ações letais em número recorde realizadas pela polícia fluminense em comunidades pobres da região metropolitana do Rio de Janeiro em 2019.

Desta forma, me parece que qualquer propensão a tomar posição em favor de Wilson Witzel em razão da possível interferência do presidente Jair Bolsonaro deverá levar em conta os diversos aspectos envolvendo não apenas os fatos já publicizados sobre as acusações de corrupção envolvendo o governo do Rio de Janeiro, mas também a natureza da relação política que levou os dois ao poder.

De toda forma, há ainda que se esperar o pronunciamento do governador Wilson Witzel, um ex-juiz com esperada experiência na análise processual deste tipo de operação. Se ele encontrar furos nos procedimentos que levaram à autorização da operação Placebo, é bem provável que ele saia rapidamente da defesa para o ataque. E dependendo do calibre que ele tiver nas mãos para realizar este contra-ataque, é bem possível que tenhamos um aprofundamento ainda maior da crise política que hoje se mistura com o avanço da pandemia da COVID-19.

Suplente de Flávio Bolsonaro lançou a mãe de todas as delações e diz que PF avisou sobre operação envolvendo Fabrício Queiróz

Entenda o Caso Queiroz e qual a relação de Flávio de Bolsonaro ...Flávio e Jair Bolsonaro almoçam com Fabrício Queiróz

O empresário Paulo Marinho (PSDB), suplente de senador pelo Rio de Janeiro,  decidiu lançar o que poderá ser chamada de “mãe de todas as delações” ao revelar ao jornal “Folha de São Paulo” que um delegado da Polícia Federal (PF) avisou com antecedência ao  candidato a senador Flávio Bolsonaro que seria deflagrada uma operação policial, como consequência  da chamada Operação Furna da Onça, para apurar a realização de “rachadinhas” (ou seja, a apropriação ilegal de parte dos salários de servidores) no gabinete do então deputado estadual, orientando inclusive para que fossem feitas as demissões do “jack of all trades” (pau para toda a obra) Fabrício Queiróz , seus familiares e ainda parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

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Como Paulo Marinho foi um dos mentores da campanha do agora presidente Jair Bolsonaro, ele não poderá ser ignorado ou, simplesmente, rotulado como mais um traidor comunista pelos apoiadores do presidente da república. Essa entrevista tem conteúdo extremamente explosivo não só pelo detalhe da “indiscrição” do delegado da PF que avisou sobre a iminente deflagração da operação policial sobre o esquema das rachadinhas, mas também porque Marinho revela a existência de um telefone do falecido Gustavo Bebiano onde estariam armazenadas todas as conversas mantidas entre ele e o agora presidente Jair Bolsonaro. O problema é que o material ali contido pode ser nitroglicerina pura, pois armazena mais de um ano de conversas entre Bebianno e Jair Bolsonaro.

As próximas semanas serão extremamente problemáticas no Brasil, pois ao aumento do número de mortes pela COVID-19 serão adicionadas pitadas generosas de de crise política. E não vejo como os militares que estão hoje dentro do governo federal dando sustentação a Jair Bolsonaro poderão continuar fazendo cara de paisagem frente a essas revelações que me parecem ainda incompletas. 

E pensar que Fernando Collor caiu por causa de um Fiat Elba e Dilma Rousseff por causa de pedaladas fiscais inexistentes.  Agora está mais do que provado que em se tratando de motivos, Jair Bolsonaro não será lembrado como um presidente que foi parcimonioso no quesito “escândalo”.

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Finalmente, o Brasil agora aguarda ansioso a revelação do nome do delegado da Polícia Federal que revelou a Flávio Bolsonaro que uma operação da PF seria lançada às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. É que dependendo de quem for esse delegado-informante, a coisa vai ficar ainda mais quente do que já está.

Com a morte do ex- capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega, fecha-se um arquivo humano

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Ex-capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega, foi homenageado com Medalha Tiradentes e tinha mãe e esposa lotadas no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro

A mídia corporativa informa nesta manhã de domingo que foi morto na área rural do pequeno município baiano de Esplanada (cerca de 170 km ao norte de Salvador), o ex capitão do Batalhão de Operação Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega. As notícias dão conta que Nóbrega teria enfrentado uma força policial composta de contingentes de pelo menos 3 estados e morrido em uma unidade hospitalar em função dos tiros que recebeu durante um tiroteio que eclodiu quando os policiais tentavam entregar um mandado de prisão.

Com a morte do ex-capitão do Bope sobre quem pesam acusações de ser um chefe de milícias e membro de um grupo de matadores de aluguel (o “Escritório do Crime”) ficaremos sem saber se ele realmente esteve envolvido na morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018. 

Mas a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega faz mais do que nos deixar desprovidos de informações cruciais sobre  a morte de Marielle e Anderson. É que precisamos lembrar que Nóbrega não apenas foi homenageado com a principal honraria emitida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Medalha Tiradentes, pelo hoje senador Flávio Bolsonaro, mas como teve sua mãe e esposa ocupando cargos no gabinete do então deputado estadual. Além disso, Adriano da Nóbrega era amigo de outra figura notória por causa de suas relações com a família Bolsonaro, o ex-policial e motorista Fabrício Queiróz.

Por essas questões todas é que a morte de Adriano da Nóbrega pode ser facilmente classificado como o fechamento de um arquivo humano, pois o ex-policial certamente tinha um vultoso acerca de informações de suas relações profissionais e pessoais com setores que hoje teriam muito a perder se ele resolvesse contar tudo o que sabia. Por isso, desconfio que a sensação que algumas cabeças coroadas da república estejam tendo hoje seja mais de alívio do que de tristeza. Afinal, para quem tinha relações com esse arquivo, melhor ele fechado do que aberta, não é?

MP-RJ faz busca e apreensão em endereços de Queiroz e parentes de Bolsonaro

Apura esquema de rachadinha. Ex-mulher do presidente é alvo

flavio-bolsonaro-e-amigo-Queiroz-1O ex-assessor Fabrício Queiroz (dir.) com o senador e Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ): Queiroz movimentou mais de R$ 1,2 mi de 2016 a 2017, enquanto estava lotado no gabinete de Flávio

Por

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) cumpre na manhã desta 4ª feira (18.dez.2019) diversos mandados de busca e apreensão em endereços de ex-assessores do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) tanto na capital como em Resende, no Sul do Estado do Rio. Segundo o portal G1, são alvo das medidas cautelares os endereços de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, e parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

A operação é 1 desdobramento da investigação sobre lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) no âmbito do antigo gabinete de Flávio, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (2003 a 2019).

Queiroz é investigado após constatação de movimentações bancárias atípicas em suas contas. Relatório do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, hoje Unidade de Inteligência Financeira) apresentou a movimentação de R$ 1,2 milhão de 2016 a 2017. Os pagamentos recebidos por Queiroz eram em datas próximas da folha de pagamento dos funcionários do gabinete, o que leva a suspeita de devolução de parte do salário, a chamada rachadinha.

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Esta notícia foi originalmente publicada pelo site PODER360 [Aqui!].

Forças-tarefas da Lava Jato e Greenfield divulgam nota pública sobre decisão do ministro Dias Toffoli

Magistrado suspendeu investigações e processos instaurados a partir do compartilhamento de informações fiscais e bancárias com o MP

nota publica

Os procuradores da República que integram as forças-tarefas das operações Lava Jato e Greenfield divulgaram na tarde desta quarta-feira (17), nota pública sobre decisão do ministro Dias Toffoli. Confira:

“As forças-tarefas das operações Greenfield e Lava Jato em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro externam grande preocupação em relação à decisão monocrática emitida pelo presidente do E. STF, Min. Dias Toffoli, que determinou a suspensão de investigações e processos instaurados a partir do compartilhamento com o Ministério Público de informações fiscais e bancárias sobre crimes “que foram além da identificação dos titulares das operações bancárias e dos montantes globais”, sem prévia decisão do Poder Judiciário. 

A referida decisão contraria recomendações internacionais de conferir maior amplitude à ação das unidades de inteligência financeira, como o COAF, inclusive em sua interação com os órgãos públicos para prevenir e reprimir a lavagem de dinheiro. 

As forças-tarefas, ao longo dos últimos cinco anos, receberam inúmeras informações sobre crimes da Receita, do COAF e do BACEN, inclusive a partir da iniciativa dos órgãos quando se depararam com indícios de atividade criminosa. A base para o compartilhamento na última situação é o dever de autoridades de comunicar atividade criminosa identificada. 

Embora seja inviável identificar imediatamente quantos dos milhares de procedimentos e processos em curso nas forças-tarefas podem ser impactados pela decisão do E. STF, esta impactará muitos casos que apuram corrupção e lavagem de dinheiro nas grandes investigações e no país, criando risco à segurança jurídica do trabalho.

A suspensão de investigações e processos por prazo indeterminado reduz a perspectiva de seu sucesso, porque o decurso do tempo lhes é desfavorável. Com o passar do tempo, documentos se dissipam, a memória de testemunhas esmorece e se esvai o prazo de retenção pelas instituições de informações telefônicas, fiscais e financeiras.

Por tudo isso, as forças-tarefas ressaltam a importância de que o caso seja apreciado, com a urgência possível, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, manifestando confiança de que a Corte definirá a questão com a necessária urgência, conferindo segurança jurídica para o desenvolvimento das investigações e processos suspensos”.

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Este texto foi produzido pela Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro.

O filho de Bolsonaro (Flávio) entendeu tudo errado em relação às mudanças climáticas

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Por Ignacio Amigo para a ClimaTracker.org

Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente do Brasil, escreveu um artigo de opinião em que nega as mudanças climáticas. Assinado com um colega senador, Márcio Bittar, o texto é cheio de falsidades e mentiras descaradas. Nos parágrafos seguintes, vamos desmascarar algumas de suas alegações selvagens. Como eles não apóiam suas declarações com qualquer tipo de evidência, será a palavra deles contra a ciência.

“Sabe-se que a ideologia verde tem sido um paraíso para os esquerdistas de todos os tipos. Há um emaranhado complexo de grupos anticapitalistas defendendo a irracionalidade e gerando um falso consenso científico ”

A política verde não é, de modo algum, uma exclusividade da esquerda. O acordo de Paris foi assinado por governos de todos os tipos, da Venezuela à Arábia Saudita. Não há “falso consenso científico” em torno das mudanças climáticas, apenas consenso científico. Organizações científicas em todo o mundo e órgãos intergovernamentais concordam que o aquecimento global é real e está sendo causado pela ação humana. Você pode encontrar mais informações no site da NASA.

“O mais famoso e refutado [discurso apocalíptico] é que o aquecimento global é causado por humanos. Outros existiam: a preservação do mico-leão-dourado [um primata endêmico e ameaçado do Brasil], a destruição da camada de ozônio, o fim da biodiversidade, a superpopulação, a Amazônia como o pulmão do mundo, entre outras mentiras repetidas ”

Uma estratégia comum para espalhar notícias falsas é misturar fatos reais com mentiras. Mas este não é o caso. Aqui os autores simplesmente listam fatos bem estabelecidos e exemplos de sucesso e os chamam de “mentiras”.

O mico-leão-dourado estava quase extinto há 60 anos, devido ao desmatamento na Mata Atlântica do Brasil. Desde então, uma campanha de conservação de sucesso ajudou a espécie a sobreviver e o número de indivíduos aumentou substancialmente. Se você quiser ler mais sobre a história do mico-leão-dourado, você pode ler este estudo da Universidade de Utrecht.

A destruição da camada de ozônio é um fato bem documentado. Foi descrita pela primeira vez nos anos 70 por Payul Crutzen, Mario Molina e Sherwood Roland, que ganhou o Prêmio Nobel em 1995 por essas descobertas. A ciência é a seguinte: compostos presentes em aerossóis e refrigeradores chamados gases de clorofluorocarbonetos, se decompõem na estratosfera gerando cloro. As moléculas de cloro, por sua vez, reagem com as moléculas de ozônio, esgotando-as. Isso tem sérias conseqüências, porque as moléculas de ozônio absorvem radiações ultravioletas do sol que, entre outras coisas, causam câncer. Essas descobertas levaram ao Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio, adotado em 1987 por todos os países da ONU. Desde então, os níveis de ozono aumentaram. Erik Solheim, chefe da ONU para o Meio Ambiente, descreveu o protocolo como “um dos acordos multilaterais de maior sucesso na história”. Você pode aprender mais sobre a destruição do ozônio nesta peça da National Geographic.

A perda de biodiversidade é outra questão premente do nosso tempo. Muitos estudos científicos mostram que as taxas de extinção de espécies são maiores agora do que em estágios pré-humanos. Aqui está um exemplo de um estudo de 2014 publicado na Science: “As taxas atuais de extinção são cerca de 1000 vezes a taxa de fundo de extinção [taxa antes dos humanos]. Estes são mais elevados do que o estimado anteriormente e provavelmente ainda são subestimados ”.

A superpopulação também é real. O número de humanos na Terra aumentou três vezes mais entre 1900 e 2000 do que durante o resto da era humana. Embora os números sugiram que possamos estar perto de alcançar o pico, a população humana continuará a crescer nas próximas décadas. Isto tem várias implicações, especialmente considerando que as mudanças climáticas e a população humana estão inter-relacionadas e que as cidades continuarão a crescer à custa das áreas rurais. Confira este site para mais dados e fatos sobre a população humana.

Pode soar como um clichê, mas a floresta amazônica é o pulmão da Terra. É a maior floresta tropical do mundo. Libera uma parte substancial do oxigênio que respiramos e regula o ciclo da água na região.

“Eles até dizem que as florestas criam chuvas, desafiando o conhecimento bem estabelecido do ciclo da água: evaporação dos oceanos, lagos, rios (calor do sol), condensação (nuvens) e precipitação (chuvas). Há florestas densas porque há chuvas intensas ”

Embora seja verdade que as chuvas afetam as florestas, isso não significa que as florestas não afetam as chuvas. Por exemplo, as árvores são críticas para reter a água no solo. Sem árvores, as chuvas degradam o solo e a água cai. Um estudo publicado na Science em 2016 mostrou que a umidade do solo afeta os padrões de chuva. Outro estudo de 2017 publicado na PNAS mostra que o vapor de água das árvores na Amazônia desencadeia as chuvas que iniciam a estação chuvosa. Você pode ler sobre este estudo nesta peça chamada “Árvores na Amazônia fazem sua própria chuva”.

“Você só precisa pesquisar para saber que humanos podem mudar o clima local, mas não o clima global. Houve momentos em que a produção humana era pequena e o mundo era mais quente. Apesar do aumento nas emissões de CO2, dizem os cientistas, o mundo está passando por um resfriamento global ”

Conforme observado acima, há uma grande quantidade de pesquisas indicando que os seres humanos estão mudando o clima global. Você pode ler mais sobre isso nesta história da National Geographic. Os cinco anos mais quentes registrados são, nesta ordem, 2016, 2015, 2017, 2018 e 2014. Não há evidências que sugiram que o resfriamento global está ocorrendo e os fatos mostram exatamente o contrário.

“Está bem estabelecido que os grandes reguladores climáticos são o sol, os oceanos e os vulcões. Nada disso pode ser alcançado pela ação humana ”.

Os seres humanos estão mudando a atmosfera, que por sua vez tem um impacto sobre a radiação solar que atinge a Terra. Nós também estamos poluindo os oceanos e a mudança climática está piorando ainda mais. Erupções vulcânicas podem afetar o clima, mas os autores provavelmente estão exagerando sua importância.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pela ClimateTracker [Aqui!]

Projeto de lei para extinção da reserva legal trará mais devastação ambiental

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Fim da reserva legal servirá para legalizar o que atualmente é crime.

No que se apresenta como mais um ataque ao sistema nacional de meio ambiente, a dupla formada pelos senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) e Márcio Bittar (MDB/AC) apresentaram projeto de lei com o objetivo de revogar o quarto capítulo do Código Florestal, chamado de “Da área de reserva legal”.

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Se consumada a aprovação desse projeto de lei, o que teremos será uma ampliação desenfreada da devastação dos biomas florestais brasileiros, em especial o Amazõnico para onde convergem todos os interesses manifestos de exploração de seus recursos naturais.

A alegação por detrás desse atentado contra não apenas as nossas florestas, mas principalmente a biodiversidade que as mesmas possuem e os serviços ambientais que fornecem. Também sofrerão as duras consequências do que promete ser um avanço descontrolado do desmatamento as comunidades tradicionais e povos indígenas que dependem do que as florestas fornecem para garantir sua reprodução social e sobrevivência econômica.

Como estudioso do processo de desmatamento da Amazônia, com diversas publicações em revistas internacionais de alto impacto desde 1993, posso testemunhar que hoje há mais terra desmatada do que se necessita para cultivar ou plantar pastagens. A quantidade de terra desmatada que se tornou improdutiva é significativamente alta, e a remoção das florestas atende a outras interesses que não os alegados pelos dois senadores.

Um detalhe a mais que me faz ser totalmente contra esse projeto pró-desmatamento é o fato de ser junto com meus irmãos e irmã o co-proprietário de uma área de 17 ha de floresta ombrófilo mista que contém centenas de árvores de auracaria, e por onde passam 3 riachos que seguem fornecendo água para as propriedades vizinhas. Essa floresta só existe porque meu avô paterno cumpriu por mais de 70 anos as regras relacionadas à reserva legal.  E é nesse fragmento que ainda resistem inúmeras espécies de pássaros, serpentes, insetos e orquídeas.  E, apesar do custo anual com a manutenção de cercas e aceros, temos atualmente um início de retorno econômico com a apicultura, o que deverá ao menos subsidiar o o pagamento  desses serviços.  E isso tudo só é possível por causa da reserva legal que agora querem extinguir.

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Propriedade familiar que já foi uma reserva legal por mais de 70 anos: é esse tipo de estratégia de conservação que será exterminada pelo projeto de Flávio Bolsonaro e Márcio Bittar.

Venho dizendo e repito que todos esses ataques à proteção ambiental de ecossistemas e biomas nacionais ainda custará cara ao Brasil, e não me surpreenderei se houver a imposição de barreiras comerciais por causa da destruição que está sendo permitida ou engendrada pelo governo Bolsonaro. 

Aliás, a recente suspensão do jantar de entrega de um prêmio ao presidente Jair Bolsonaro nas dependências do Museu de História Natural se deveu justamente por causa dos ataques realizados contra a proteção ambiental na Amazônia.  Mas essa refrega não parece ter sido bem compreendida no âmbito dos apoiadores da destruição ambiental no Brasil. Disso certamente resultarão novas e mais dolorosas lições.

 

Flávio Bolsonaro e a suprema irresponsabilidade de um neófito

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Movimento Hamas emitiu comunicado de imprensa que irritou o senador Flávio Bolsonaro.

O agora (ou seria ainda?) senador Flávio Bolsonaro mostrou o característico pavio curto que parece caracterizar a sua família e respondeu a uma crítica do movimento “Hamas” dizendo (ou desejando) que queria que o movimento palestino explodisse (ver imagem abaixo)

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A mídia corporativa informa que provavelmente orientado por pessoas mais racionais que o acompanham na viagem que ainda realiza a Israel, Flávio Bolsonaro apagou o tweet em que informava ao Hamas seu desejo de que se explodisse.

O primeiro problema aqui é que o Hamas possui notório conhecimento em mídias digitais e certamente não só de um “print” no tweet com o desejo do filho mais velho de Jair Bolsonaro, como já o está circulando em suas mídias.

O segundo problema, que decorre diretamente do primeiro, é que faltou a um senador da república o mínimo de sensibilidade ao se dirigir a um movimento que já demonstrou forte capacidade de ação militar e de usar com grande êxito táticas heterodoxas típicas da guerra de guerrilha.

Juntados os dois erros, o que temos é um agravamento do risco político causado pela visita e dos compromissos firmados pelo presidente Jair Bolsonaro com o líder israelense Benjamin Netanyahu.

Outro aspecto que gostaria de ressaltar é a impossibilidade de concretização de desejos de boa parte da mídia corporativa de que o alto número de militares no governo Bolsonaro serviria como uma espécie de contrapeso racional às manifestações intempestivas que brotam do presidente e de seus três filhos.  O que está provocação ao Hamas demonstra é que eles são incontroláveis e impulsionados por sua condição de neófitos em ação política internacional estão a nos causar danos irreparáveis nas relações comerciais, e ainda nos expondo a uma possível fúria do Hamas. Simples, mas ainda assim totalmente trágico.