Testes realizados na Flórida detectam glifosato em marcas de populares de pães

State warns families about glyphosate levels in popular bread brands

Por Carey Gillam para “The New Lede” 

Autoridades da Flórida divulgaram esta semana os resultados de testes que mostraram que vários pães comumente vendidos  em supermercados no estado continham resíduos de glifosato, um herbicida que cientistas associam ao câncer.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou em um comunicado à imprensa que os testes em produtos de panificação fazem parte de um programa de testes mais amplo, concebido para “fornecer aos floridianos as informações necessárias para que façam as melhores escolhas para o bem-estar de suas famílias”.

O Departamento de Saúde do estado encontrou glifosato em seis dos oito produtos de panificação testados: Nature’s Own Butter Bread, Nature’s Own Perfectly Crafted White, Dave’s Killer Bread White Done Right, Wonder Bread Classic White, Sara Lee Honey Wheat e Dave’s Killer Bread 21 Whole Grain, informou o estado.

As marcas de pão Dave’s Killer Bread possuem certificação orgânica e são rotuladas como livres de ingredientes geneticamente modificados (GM). O pão Nature’s Own Perfectly Crafted White também é rotulado como não contendo ingredientes GM. A Flowers Foods, proprietária de ambas as marcas, não respondeu ao pedido de comentário.

Fonte: Healthy Florida First

O glifosato é um herbicida químico introduzido na década de 1970 pela Monsanto, que se tornou o herbicida mais utilizado no mundo. Presente em marcas como o Roundup, é popular entre agricultores de todo o mundo, principalmente aqueles que cultivam culturas geneticamente modificadas para tolerar a pulverização direta com o herbicida.

O glifosato também é usado como agente dessecante no trigo e em outras culturas não transgênicas antes da colheita, uma prática que torna a colheita mais eficiente para os agricultores, mas pode deixar maiores resíduos de glifosato nos grãos.

Ao longo dos anos, diversos testes realizados por pesquisadores detectaram resíduos de glifosato não apenas em pães, mas também em uma variedade de alimentos , incluindo mingau de aveia para bebês .

A Monsanto e sua proprietária alemã, a Bayer, afirmam que o glifosato não representa um risco à saúde , e autoridades governamentais dizem que os resíduos de glifosato e outros agrotóxicos encontrados em produtos alimentícios são quase sempre tão baixos que não são considerados prejudiciais.

No entanto, cientistas internacionais ligados à Organização Mundial da Saúde classificaram o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos, e estudos recentes realizados na Europa descobriram que os herbicidas à base de glifosato representam não apenas risco de câncer , mas também outros riscos à saúde.

“O pão é um alimento básico para muitas famílias da Flórida, e elas devem poder consumi-lo sem se preocupar com toxinas ”, disse o Dr. Joseph Ladapo, Cirurgião-Geral do Estado, em um comunicado .  “Nossos testes encontraram altos níveis de glifosato em algumas marcas populares de pão. A exposição crônica ao glifosato está ligada a alterações prejudiciais na microbiota intestinal, inflamação do fígado e efeitos neurológicos adversos. A Flórida está tomando medidas por meio da transparência, testes contínuos e um foco claro na redução da exposição para proteger as famílias.”

O anúncio sobre o glifosato surge depois de autoridades da Flórida terem afirmado, no mês passado, que testes realizados em 24 fórmulas infantis detectaram níveis elevados de mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo.


Fonte: The New Lede

Conexão Flórida-Paraguai inunda o Brasil com diplomas falsos de pós-graduação. E essa é só a ponta do iceberg

7 signs your school may be a diploma mill - eCampus News

O “Extra Classe”, jornal do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) está produzindo uma série de reportagens sobre uma verdadeira fábrica de diplomas de pós-graduação (as ‘diploma mills’) que está assentada primariamente no Paraguai e na Flórida. Como as diversas reportagens do “Extra Classe” mostram há um esquema azeitado que vai da expedição de diplomas falsos até a sua revalidação em território nacional via a Plataforma Carolina Bori que foi desenvolvida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) com a finalidade de tornar estes diplomas reconhecidos no território nacional.

O esquema de atrair incautos (outros nem tanto) para a obtenção de diplomas falsos no Paraguai e na Argentina já era de meu conhecimento desde o início deste blog.  O que eu não tinha conhecimento era do fato de que o esquema tinha se estendido para os EUA onde existem instituições que são verdadeiras fábricas de diplomas em diversos estados, começando pelo Arizona e chegando na Flórida.

Como membro do Conselho Universitário da Universitário da Uenf vejo chegar um pequeno número de pedidos de revalidação de diplomas, os quais passam pela devida avaliação por comissões formadas com a finalidade de verificar se os pedidos são, digamos, compatíveis de serem aprovados. O problema é que, como mostra a série de reportagens do “Extra Classe”, os esquemas estão cada vez mais profissionais e envolvem uma série de “colaboradores” espalhados por diferentes regiões brasileiras.

O fato é que a demanda por diplomas de pós-graduação vem aumentando por causa dos requisitos inseridos nos Planos de Carreira de educadores em todos os estados e municípios brasileiros, sem que se dê o devido suporte e orientação para os profissionais que desejarem ter melhores salariais em função do avanço do seu treinamento profissional.  Com isso, se abre a possibilidade de que esses esquemas ilegais sejam abraçados sem muitos questionamentos. O resultado é que o está se descobrindo com as reportagens do “Extra Classe”:  as fábricas de diplomas estão funcionando a todo vapor, gerando custos para quem entra nos esquemas e prejuízos para os cofres de estados e municípios que passam a pagar salários ancorados em diplomas inexistentes.

Outro problema é que a expectativa de alguém que possua títulos de pós-graduação é que, em troca dos melhores salários, os profissionais possam entregar e empregar conteúdos de melhor qualidade.  Como é de esperar em qualquer esquema ancorado em falsidades, esse princípio acaba não se confirmando, gerando um ciclo vicioso que envolve profissionais mal treinados e alunos recebendo o mesmo de sempre.

A solução para este imbróglio seria a realização de investimentos de  ponta a ponta, começando pelos salários até a consolidação de um sistema nacional de pós-graduação que possa efetivamente assimilar a demanda que está sendo gerada com as pressões exercidas sobre os profissionais da educação. Mas este cenário, convenhamos, esbarra na política de controle orçamentário que vem encurtando brutalmente os investimentos em saúde, educação e desenvolvimento científico.  Com isso, as reportagens do “Extra Classe” estão provavelmente apenas mostrando a ponta de um longo iceberg. Há provavelmente ainda muita coisa a ser descoberta pela Polícia Federal. E salve-se quem puder.

Furacão Irma como exemplo didático do impacto das mudanças climáticas

Ainda não recuperados dos efeitos devastadores do furacão Harvey, os estadunidenses estão agora presenciando a presença do Irma que está quebrando todos os recordes já estabelecidos para este tipo de fenômeno climático.

Ainda que furacões sejam uma realidade anual no Caribe e na América do Norte, o que está surpreendendo até os mais céticos é a combinação de fatores que normalmente ocorrem na passagem de qualquer furacão, mas que com Harvey e Irma tomaram proporções épicas.

Talvez agora possamos ter uma discussão séria sobre o que está por vir a partir das inevitáveis mudanças climáticas que estão sendo causadas pela sociedade capitalista. Melhor ainda se começando pelos EUA, possamos ter um debate pautado pelo que já foi estabelecido pela ciência e não pelo ceticismo com que este problema muitas vezes é tratado.

Abaixo um dos muitos vídeos que já foram postados no Youtube sobre a chegada do Irma na Flórida.