Mídia empresarial em crise financeira: Folha de São Paulo demite 50 profissionais e põe culpa na economia

Editor-executivo da Folha repete discurso de 2013 e culpa momento econômico por demissões

Assim como ocorrido em 2013, o editor-executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila, voltou a relacionar o momento econômico brasileiro e a consequente queda de anúncios publicitários às recentes demissões de profissionais da redação do diário. Em carta direcionada aos jornalistas na tarde de segunda-feira, 13, o gestor afirmou que a redução no quadro de funcionários faz parte “ajustes em sua equipe”.

“A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade”, escreveu o editor-executivo ao se dirigir aos colaboradores. Com outras palavras, a afirmação vai ao encontro do episódio de junho de 2013, quando outra série de demissões atingiu a redação. “O fraco desempenho da economia e seu reflexo na publicidade dos jornais obrigaram a Folha a fazer ajustes pontuais em suas despesas, com corte de vagas de trabalho”, afirmou Dávila dois anos atrás.

O posicionamento oficial de Dávila é divulgado na semana seguinte aos cortes promovidos pela direção. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo chegou a falar em 50 vagas fechadas e demonstrou preocupação com a possibilidade de “demissões em massa” no veículo de comunicação. O executivo, no entanto, não menciona o número de jornalistas que foram dispensados, mas garante que novas demissões não serão realizadas, apesar da marca preparar “reformas morfológicas” para o decorrer dos próximos dias.

O editor-executivo da Folha ressalta que determinados setores do jornal não sofreram baixas desta vez, caso da reportagem da secretaria, a área digital e o colunismo. Há afirmação, ainda, de que os profissionais que deixaram o diário paulistano na semana passada encerraram suas passagens “em comum acordo” com a empresa. Mesmo assim, Dávila reforça que as demissões são sempre vistas como último recurso da companhia e que as que foram seladas há dias ocorreram depois de semanas de negociações com a direção.

Em outro trecho da carta destinada aos integrantes do jornalismo da Folha de S. Paulo, Dávila fala da readequação de editorias e cadernos, com alguns setores sendo incorporados a outros. “Buscamos também reagrupar as editorias de equipes menores em núcleos maiores, caso de Ciência e Saúde, que passaram para Cotidiano; F5, que se incorporou à Ilustrada; e Comida, Folhinha e Turismo, agora juntos em Semanais”.

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Folha demitiu jornalistas na última semana

Confira a íntegra da carta enviada por Sérgio Dávila aos jornalistas da Folha:

Caros colegas,

A Folha realizou nos últimos dias ajustes em sua equipe. A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade.

As negociações entre o comando da Redação e a empresa duraram semanas e tentaram preservar ao máximo os jornalistas. Em alguns casos, os cortes, sempre o último recurso, foram feitos em comum acordo com o profissional.

Algumas áreas estratégicas do jornal não foram afetadas, como a reportagem da Secretaria, que até ganhou um novo integrante, a área digital, que sofreu uma reordenação interna, e o colunismo.

Nós buscamos também reagrupar as editorias de equipes menores em núcleos maiores, caso de Ciência e Saúde, que passaram para Cotidiano; F5, que se incorporou à Ilustrada; e Comida, Folhinha e Turismo, agora juntos em Semanais.

Reformas morfológicas estão em discussão e devem ser anunciadas nos próximos dias. Elas não envolverão novos ajustes de equipe, no entanto. A meta é tornar o jornal mais eficiente para atender as demandas do leitor bem como otimizar o funcionamento da Redação.

A Folha continua líder em seu segmento, seja em circulação, audiência ou fatia publicitária, faz parte de uma empresa sem dívidas, que integra o segundo maior grupo de mídia do país, e preserva sua capacidade de investimentos editoriais.

Por mais dolorosos que sejam os  cortes – e eles sempre o são – , o objetivo é adequar o jornal para os tempos atuais, de extrema competitividade pela atenção do leitor e pela verba publicitária.

Contamos com vocês para esse desafio. Se tiverem dúvidas, sugestões ou críticas, não deixem de me procurar, ao vivo, por e-mail ou no ramal abaixo.

Obrigado,

Sérgio Dávila

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Sérgio Dávila é editor-executivo da Folha de S. Paulo desde 2010 (Imagem: Rogério Lorenzoni/Studio3x)

FONTE: http://portal.comunique-se.com.br/index.php/destaque-home/76994-editor-executivo-da-folha-repete-discurso-de-2013-e-culpa-momento-economico-por-demissoes

Agência determina redução de água do Paraíba do Sul enviada ao Rio

folhapress

SÃO PAULO  –  A Agência Nacional de Águas (ANA) mandou reduzir a vazão do rio Paraíba do Sul sobre a barragem de Santa Cecília, de onde a água é direcionada para produzir energia elétrica e para abastecer cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio.

Em resolução publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, a agência federal manda diminuir o envio de água à barragem de 190 mil para 165 mil litros por segundo, a partir de 30 de setembro.

Segundo a ANA, a medida visa “preservar os estoques de água disponíveis” na bacia do rio Paraíba do Sul, cujos reservatórios têm hoje apenas 18,2% do volume que são capazes de armazenar –sua pior marca desde 2003.

A água da bacia do rio Paraíba do Sul foi alvo de controvérsia entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro em agosto, quando a gestão Alckmin (PSDB) reduziu por três dias o envio de água ao trecho fluminense da bacia, alegando a necessidade de reservá-la para consumo humano.

O impasse foi resolvido com a mediação do governo federal no dia 18 de agosto, quando os Estados firmaram acordo em que ambas as partes cederiam para preservar o fornecimento de água e a produção de energia ao longo da bacia do Paraíba do Sul.

Com mais de 62 mil km², a bacia do rio Paraíba do Sul cruza 184 municípios e é utilizada para diversas finalidades: abastecimento, diluição de esgotos, irrigação e geração de energia hidrelétrica.

(Folhapress)

FONTE: http://www.valor.com.br/brasil/3676540/agencia-determina-reducao-de-agua-do-paraiba-do-sul-enviada-ao-rio

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O jogo perigoso da desinformação

Por Luciano Martins Costa

Os três principais jornais de circulação nacional, que ainda definem a agenda institucional no país, fecham a semana com uma proeza digna de figurar na longa lista de trapalhadas da imprensa, cujo troféu mais lustroso é o caso da Escola Base. Por uma dessas ironias da história, no dia 22 do mês que vem completam-se vinte anos do noticiário que inventou um caso de pedofilia numa escola infantil de São Paulo, e o roteiro se repete perversamente.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido na cabeça por um rojão de alta potência durante manifestação no Rio de Janeiro, tem todos os ingredientes para se tornar uma versão revista e ampliada desse que foi o marco do jornalismo espetaculoso e irresponsável no Brasil.

Os ingredientes para uma grande farsa estão reunidos: os dois jovens que foram identificados como autores do homicídio são compulsoriamente representados por um advogado que ganhou dinheiro com a defesa de milicianos e – colocados no grande liquidificador da mídia –, produzem uma sucessão de declarações que, a rigor, não poderiam ser incluídas num inquérito. E tudo que dizem – ou alguém diz que disseram – vira manchete.

Na sexta-feira (14/2), o alvo do noticiário é uma lista de doadores que contribuíram para a realização de uma festa, no dia 23 de dezembro do ano passado, intitulada “Celebração da Rua – Mais Amor, Menos Capital”. O evento foi realizado na Cinelândia, no centro do Rio, com coleta de doações em benefício de moradores de rua e vítimas das enchentes (ver aqui), juntando militantes de todos os tipos, inclusive professores e ativistas contra a Copa do Mundo. Os jornais citam vereadores, um delegado de polícia e até um juiz do Tribunal de Justiça, insinuando que eles estavam apoiando o movimento chamado Black Bloc.

Nessa corrente de declarações, suposições e especulações, a imprensa já afirmou que os atos de vandalismo que acompanham a onda de protestos no Rio de Janeiro têm o dedo do deputado Marcelo Freixo, do PSOL; depois, o Globo citou uma investigação que acusa o deputado e ex-governador do Rio Anthony Garotinho, do PR, de incentivar a violência.

Um exemplo desse jornalismo de fancaria: o título publicado no domingo (9/2) pelo portal G1, do grupo Globo (ver aqui): “Estagiário de advogado diz que ativista afirmou que homem que acendeu rojão era ligado ao deputado Marcelo Freixo”.

O fundo do poço

Nas edições de sexta-feira (14/2), os jornais fazem malabarismos para concentrar a denúncia no PSOL, PSTU e numa organização pouco conhecida chamada Frente Independente Popular.

A citação dessas organizações foi tirada de uma frase do auxiliar de limpeza Caio Silva de Souza, acusado de haver acendido o petardo que matou o cinegrafista. Segundo os jornais, o jovem disse acreditar que os partidos que levam bandeiras às manifestações são os mesmos que pagam a ativistas que se dedicam a depredações e a enfrentamentos com a polícia. Nenhuma referência às investigações sobre a participação de militantes ligados a Anthony Garotinho, ainda que tais informações tenham como fonte um inquérito oficial em vez de declarações fora de contexto.

Exatamente como no caso da Escola Base, o julgamento apressado produz desinformação: pinta-se um perfil bipolar dos dois jovens, ora como se fossem perigosos terroristas, ora como se se tratasse de duas criaturas desamparadas que foram aliciadas por forças políticas interessadas em uma espécie de “revolução bolivariana”, para usar a expressão irônica da colunista Barbara Gancia, na Folha de S. Paulo (ver aqui).

Nas duas versões, o enredo vai compondo um painel cujo resultado parece a cada dia mais claro: a demonização da política partidária, com foco muito claro em agremiações de pouca expressão eleitoral, todas coincidentemente alinhadas à esquerda do espectro político.

Pode-se discordar de objetivos e estratégias de partidos, indivíduos e organizações que se consideram artífices de uma revolução, pode-se acusá-los de tentar compensar a falta de correligionários com bumbos e palavras de ordem, mas o jogo torna-se muito perigoso quando a imprensa, hegemonicamente, atua no sentido de criminalizar o direito à manifestação pública de opiniões sobre o que quer que seja.

Nas redes sociais, esse noticiário tendencioso e irresponsável alimenta o extremismo reacionário ao ponto de inspirar chamamentos ao crime.

Se não é o fundo do poço para a imprensa, estamos quase lá.

FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br./news/view/o_jogo_perigoso_da_desinformacao