Folha de São Paulo autentica material do “The Intercept” com série de reportagens

moro-bolso-continenciaFolha de São Paulo autentica material do ‘The Intercept” e inicia série de reportagens que poderá abalar de vez Sérgio Moro e levar de arrastão o governo do presidente Jair Bolsonaro.

A Folha de São Paulo inicia neste domingo a publicação de uma série de reportagens baseadas no material originalmente divulgado pelo site “The Intercept”. Esse não é um movimento qualquer, pois quebra a espinha dorsal dos argumentos usados até aqui pelo ex-juiz federal Sérgio Moro e pelos procuradores da Lava Jato de que o material teria sido adulterado. É que a Folha de São Paulo informa que verificou e confirmou a integridade do material (que inclui vídeos e áudios) antes de iniciar sua própria série de reportagens.

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Li a primeira reportagem da série e notei que a mesma não traz revelações que se possam ser chamadas de bombásticas. Para mim o principal elemento da primeira reportagem obedece a um objetivo mais estratégico que é o de assentar o caminho para o resto da série, na medida em que estabelece a legitimidade do material.

A continuidade da série é que deverá trazer aqueles elementos que demonstrem com mais clareza (como se fosse preciso a estas alturas do campeonato) as ações realizadas pelo atual ministro (ou seria ainda?) da (in) Justiça do governo Bolsonaro e seus aliados na equipe da “Lava Jato”.

O estrago político que a parceria entre a Folha de São Paulo e o “the Intercept” deverá ser enorme, na medida em que o veículo paulistano possui braços de disseminação de conteúdo que tornarão impossível a negação dos conteúdos e, pior, tornará o conhecimento sobre os mesmos de fácil acesso até para segmentos da população que até agora estavam imunes ao escândalo da #VazaJato.

O que tudo isso implicará para Sérgio Moro e Deltan Dallagnol (chefe da equipe de procuradores federais sediados em Curitiba) ainda não se sabe. Mas uma coisa é certa: o futuro político e profissional deles amanheceu mais problemático neste domingo. E junto com o deles, o do governo Bolsonaro que trouxe para dentro de si uma espécie de Cavalo de Troia na figura de um ministro da (in) Justiça que deveria ser um dos garantidores do “noveau régime“, e que agora mostra-se uma perigosa fonte de instabilidade. E, pior, em um momento politicamente chave que é o da aprovação da reforma da previdência.

Uma pergunta aos donos da Folha de São Paulo: por que, na Venezuela, a dita é dura e não branda?

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Se me perguntarem se apoio o governo Maduro, a minha resposta é um simples não. Outra coisa diferente seria desconhecer a intrincada conjuntura que o governo bolivariano está posto por causa da intolerância de governos de direita da América ue decidiram apoiar os EUA em uma mudança de regime para a qual faltou consultar o maior interessado que é a maioria pobre da população da Venezuela. Aliás, olhando para a situação de países como Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e Equador, fica difícil saber em qual deles a situação objetiva dos pobres é melhor do que aquela experimentada pelos venezuelanos.

Entretanto, mais descarada do que a falsa preocupação democrática de governos que dentro de seus territórios não toleram nem um décimo do que o governo Maduro tolera de seus opositores é o tratamento parcial dado pela mídia corporativa brasileira ao que está acontecendo na Venezuela. Cito explicitamente o jornal Folha de São Paulo que, indo além do que diz até a mídia estadunidense, resolveu classificar Nicolás Maduro como sendo um ditador. 

Ainda que essa seja uma decisão editorial, vindo da Folha de São Paulo, essa classificação deveria ser acompanhada de uma explicação aos seus leitores do porquê dessa definição. É que a Folha de São Paulo é o mesmo veículo da mídia corporativa brasileira que relativizou o regime militar de 1964 e seu alcance autoritária sobre o Brasil quando o classificou como sendo uma “dita branda”.  

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Por isso é que me ocorreu a pergunta aos proprietários da Folha de São Paulo sobre a situação venezuelano: por que lá é dita (dura) e não dita (branda)?

Às vésperas do 1o. turno, mídia corporativa dobra os sinos para Jair Bolsonaro

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“Por quem os sinos dobram” é um romance de 1940 do escritor estadunidense Ernest Hemingway, considerado pela crítica uma das suas melhores obras.  Se o título do livro fosse aplicado à atual campanha presidencial e aos seus candidatos, eu não teria dúvida de afirmar que eles dobram para Jair Bolsonaro e são embalados pelos mesmos veículos da mídia corporativa que o badalaram para o sucesso.

Exemplos recentes disso são as matérias publicadas pelo jornal Folha de São Paulo vando conta de problemas envolvendo a guarda de um de seus filhos [1 &2], e mais ainda a matéria publicada pela revista (revista?) Veja dando conta de um suposto roubo de um cofre contendo jóias e dinheiro vivo da mesma ex-mulher apontada pelo matutino da família Frias [3].

Como há muito tempo que se sabe que Jair Bolsonaro não é lá um santo (aliás santo é Geraldo Alckmin segundo a contabilidade paralela da Odebrecht), a pergunta é de porque somente agora esses fatos estão sendo trazidos ao conhecimento da população brasileira. Aliás, é incrível a lista de bens que Jair Bolsonaro já acumulava em 2007 (ver lista abaixo). O problema é de que porque só agora a revista Veja decidiu trazer isto ao conhecimento dos brasileiros.

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Por não crer em busca de elucidação jornalística genuína, o motivo só pode ser a decisão do grande capital rentista multinacional que domina a economia brasileira de que a dupla formada pelo capitão e pelo general não é suficientemente confiável para levar a cabo o plano de destruição da economia nacional que foi iniciada com grande maestria pelo presidente “de facto” Michel Temer.

E que os apoiadores dos candidatos de esquerda não se alegrem com essa repentina caçada à chapa dos militares. É que certamente ao tentarem destruir a imagem de Jair Bolsonaro. Certamente não é para garantir a vitória deles em eleições que estão marcadas por um claro processo de exceção. 


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/ex-mulher-afirmou-ter-sofrido-ameaca-de-morte-de-bolsonaro-diz-itamaraty.shtml

[2] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/brasileiros-que-conviveram-com-ex-mulher-de-bolsonaro-na-noruega-confirmam-que-ela-relatava-ameaca.shtml

[3] https://veja.abril.com.br/politica/o-outro-bolsonaro/

O uso de agrotóxicos retóricos no jornalismo

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Por Gustavo Conde* [1]

A Folha faz uma matéria extensa hoje sobre o uso dos agrotóxicos, no limite da canalhice. A matéria é aparentemente digna, o texto é gramaticalmente aceitável, as informações são no limite do razoável, as coletas de dados são médias, as afirmações dos especialistas parecem constituídas de relevância técnica e algum contexto histórico, enfim, o trabalho dos jornalistas Reinaldo José Lopes e Gabriel Alves poderia merecer até um ‘parabéns’ do editor-chefe.

 O problema, parceiro, é o viés. Essa coisinha chamada ‘viés’ é a grande desgraça do ‘Braziliam Journalism’. A manchete é “Veja mitos e verdades no debate dos agrotóxicos” e o ‘olho’ da matéria é: “Discussão do projeto que facilita a liberação dos produtos na agricultura acirrou os ânimos de ambientalistas e ruralistas”.

O protocolo das redações pode inocentar os missivistas: quem assina a matéria não é quem faz o ‘olho’ e a manchete, por isso os repórteres não podem ser responsabilizados pelo escopo explicitamente enviesado da matéria. Por que enviesado? Porque protege o governo Temer e sua tentativa canalha de enfiar agrotóxicos goela abaixo da população brasileira.  

Através de um pressuposto malicioso (o de que o agrotóxico é um mal necessário) e de ‘zonas de silêncio’ estrategicamente selecionadas (as de que o mundo do cultivo é exclusividade dos grandes produtores), a matéria instala uma falsa discussão ‘objetiva’ e técnica, na linha obsoleta da dicção que busca ‘neutralidade’.

Nota técnica da linguística: nada na língua é neutro. Essa falácia ainda impera na maioria das redações falimentares brasileiras. Eles leram a teoria da comunicação de Jakobson (publicada em 1962) e ficaram nisso. Ignoraram a imensidão que se produziu depois desta obra (e que a superou) na área dos estudos da linguagem. Óbvio que, para o jornalismo brasileiro e no que diz respeito às teorias da linguagem, o tempo parou nos anos 60. É o jornalismo retrô.

A matéria tem algumas qualidades. Mas os abutres editoriais, dominados pelos interesses da publicidade e das próprias fobias e vícios a assassinaram e a tornaram um argumento para a bancada ruralista desfilar sua sede de vingança e sadismo econômico em futuro próximo.

Não será de se admirar se um deputado ruralista empunhar a reportagem quando a matéria da Lei dos Agrotóxicos for finalmente votada no Congresso, tão adiada que foi, justamente, por não contar com a habitual maioria chantagista alimentada pelos repasses suculentos de Temer e Cia. O Congresso anda indócil em tempos de eleição e o preço individual por deputado aumentou.

A maior canalhice, no entanto, é dar um ar de ‘normalidade’ técnica ao debate e simplesmente ignorar os interesses econômicos e corporativistas que estão em jogo na discussão que ora se desenrola no Congresso. A matéria também não traz dados do impacto do uso dos agrotóxicos em populações ao longo da história. Dados como incidência de doenças em percentuais, taxas de mortalidade, impacto nutricional e ‘vida útil’ do trabalhador rural são olimpicamente ignorados.

O ‘Distúrbio de Colapso das Colônias’, estudo sério e consagrado, pesquisado por universidades americanas e pelas próprias agências de pesquisa brasileiras – que nada mais é que o desaparecimento das abelhas no hemisfério norte – é tratado como mito. Se jornalismo é isso, por favor me digam o que ele não é.

A matéria propõe 17 perguntas. Elas falam por si. Promovem a falsa objetividade técnica do tema e ainda conseguem a proeza se perderem no final, invadindo o campo arrasado e podre da politização barata:

Agrotóxico faz mal? É possível não usá-lo? Veja o que é verdade e mentira no debate

  1. Agrotóxico é a mesma coisa que defensivo agrícola e pesticida? 

​2. Quais são os tipos de agrotóxicos? O que eles fazem?

  1. As moléculas dos agrotóxicos são biodegradáveis?
  1. Pesticidas estão matando as abelhas e outros insetos polinizadores?
  1. O que acontece com as pragas após o uso constante das substâncias?
  1. Há mesmo vantagem dos agrotóxicos mais modernos em relação aos antigos?
  1. O uso combinado com transgênicos diminui a quantidade de defensivos na lavoura e a resistência das pragas?
  1. Supondo que o Brasil ou o mundo parasse de usar agrotóxicos, o que aconteceria ao ambiente?
  1. Quais são os modelos de cultivo que menos precisam de agrotóxicos?
  1. Qual seria o impacto econômico da proibição dos agrotóxicos?
  1. É possível ter o mesmo efeito de proteção contra pragas com menos aplicações dos produtos?
  1. Quais são as culturas que mais usam agrotóxicos no país?
  1. Quais os efeitos crônicos para a saúde?
  1. Alimentos orgânicos são mais seguros?
  1. Quais os efeitos agudos dos agrotóxicos no corpo? 
  1. Agrotóxicos podem causar a morte?

Primeiro, o conjunto de perguntas trata o leitor como um verdadeiro idiota. Essa é a linha editorial dos grandes jornais, para quem não sabe: ‘o leitor é idiota, tem que simplificar e facilitar ao máximo para ele’.

Para todas essas perguntas, as respostas são protocolares e ficam em cima do muro. Eles procuraram os pesquisadores certos (os de linhagem tucana), aqueles que têm compromisso apenas com a própria carreira.

É uma matéria para ‘limpar a barra’ do uso dos agrotóxicos. Não se pode olhar para ela (para o texto, para o tom, para o regime de sentidos), apenas com um olhar primitivo de leitor destituído de senso crítico.

A linguagem, caros amigos leitores, é muito mais complexa do que imagina a vã filosofia. Ela reverbera, ela estala, ela erode, ela chama, ela seduz, ela causa repulsa, ela, enfim, é mais que o sisteminha de comunicação obsoleto do linguista russo Roman Jakobson, com todo respeito a sua obra e aos limites epistemológicos de seu tempo histórico.

O mais canalha, no entanto, desta matéria claramente lotada de interesses econômicos e deliberadamente providenciada por um veículo que pretende aumentar seu faturamento junto a grandes produtores rurais e anunciantes indiretamente beneficiados por esse ‘presente editorial’, é o apagamento do ‘pequeno produtor rural’.

O ‘pequeno produtor rural’ nem aparece na matéria, quanto mais sua lógica e sua importância econômica e social. Mais grave: o ‘pequeno produtor rural’ é, justamente, a solução para questão do uso excessivo de agrotóxicos mundo afora. Qualquer pesquisador que não seja tucano (preguiçoso) sabe disso.

As plantações em menor escala possibilitam a personalização do cultivo e dispensam as doses cavalares de agrotóxicos. Mais do que isso, o pequeno agricultor resolve uma outra série de graves problemas sociais, como o êxodo rural e a restauração da cultura do homem do campo, que pode, assim, de posse de uma pequena área de cultivo, construir um entorno social mais produtivo solidário e, mais importante: muito mais eficiente economicamente, num processo que já nasce distribuindo renda.

O pequeno produtor é um anteparo para a concentração de renda no campo. Combate o trabalho escravo, o abuso, a fraude. Capilariza a receita destinada ao consumo de produtos mais saudáveis e beneficiados no escopo de um processo mais humanizado.

 A matéria da Folha de S. Paulo ignora completamente essa dimensão do argumento que está implícito de maneira consagrada na discussão sobre o uso dos agrotóxicos, no Brasil (em um Brasil que parece não existir mais) e no mundo.

Lamento dizer, contudo, que tratar o leitor – e o próprio repórter que acaba por fazer uma matéria que nem mesmo sabe o que ‘é’ nem o que ‘significa’ – como idiota é uma prática cada vez mais perigosa para a grande imprensa. Esse tempo já se foi. Depois da internet, fica um pouco mais difícil oferecer uma ração jornalística de tão baixa qualidade.

O jornalismo brasileiro ‘clássico’, se não quiser ser devorado pelas mídias digitais, precisa fazer uma autocrítica e um recall técnico. Eles até tentam – que eu sei – contratando uma consultoria aqui, outra ali. Mas a palavra ‘inócuo’ e até insuficiente para definir este protocolo de reciclagem profissional.

Não se pode ter medo de se elevar o nível do que quer que seja. Da política, da agricultura, da educação ou do jornalismo. Enquanto os jornais tradicionais insistirem em nivelar sua atuação por baixo, a agonia do segmento vai continuar, com demissões, sucateamento, mordaça e editorialismos canalhas.

  * Gustavo Conde é mestre em lingüística pela Universidade Estadual de Campinas. Trabalha com teorias do humor e com a história da representação do riso. As áreas do conhecimento que caracterizam sua pesquisa são: análise do discurso, psicanálise e semiótica. 

[1] Este texto foi originalmente publicado Aqui!

Mídia corporativa: da defesa do golpe aos gritos pela pacificação na base da porrada

Dois dois principais órgãos da mídia corporativa brasileira (Folha de São Paulo e “Estadão”), e que coincidentemente estão localizados no “tucanistão”, dedicaram espaços editoriais nesta 6a. feira (02/09) para insuflar o uso da violência contra os que questionam o golpe de estado “light” que apeou a presidente Dilma Rousseff do cargo para o cargo para o qual foi eleita por 54 milhões de brasileiros (Aqui! e  Aqui!) (ver reprodução parcial abaixo).

golpe ii

Mas será que alguém ainda fica surpreso com as posições emanadas dos donos da “Folha de São Paulo” e do “Estadão” em defesa do uso da violência estatal para garantir a permanência de políticas anti-populares e anti-nacionais? 

Eu sinceramente já não leio o que esses veículos publicam como fonte de informação jornalística faz tempo. Quando encontro algo qualificado nestes veículos é sempre nas frestas que ainda sobraram para algum jornalista tente inserir que não seja desinformação voltada para sacramentar uma narrativa que interessa apenas aos ultra-ricos brasileiros. O fato é que tanta a Folha de São Paulo como o “O Estado” são apenas caixas de ressonância das posições de seus donos e dos setores minoritários da população brasileira que possuem verdadeira e genuína ojeriza à diminuição das diferenças sociais abissais que existem no Brasil.

A questão nesses dois editoriais é que ambos os veículos estão indo além do que fazem normalmente e demandando que seja feito o uso da força contra quem ousar se mobilizar para denunciar o golpe parlamentar que acaba de colocar na cadeira da presidência da república um personagem cuja única capacitação é estar disposto a detonar com todos os direitos sociais que puder. E se ainda tiver tempo, o presidente golpista ainda irá entregar nossas riquezas nacionais numa volúpia que nem o tucano FHC conseguiu.

Mas esses gritos editoriais pelo uso da força são acima de tudo um reconhecimento da ilegitimidade e da fraqueza política de Michel Temer. Os donos desses dois veículos estão, de antemão, reconhecendo que só com violência será possível aplicar o programa que eles defendem para o Brasil neste momento.  E que ninguém se engane, se o governo golpista, porém civil, não der conta do recado, o que veremos num futuro não muito distante serão os gritos pela volta dos militares.  É que a mídia corporativa pode até ter feito penitência do golpe militar de 1964, mas todos nós sabemos de que lado eles estavam quando os chumbos se abaterem sobre nós.

Mídia empresarial em crise financeira: Folha de São Paulo demite 50 profissionais e põe culpa na economia

Editor-executivo da Folha repete discurso de 2013 e culpa momento econômico por demissões

Assim como ocorrido em 2013, o editor-executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila, voltou a relacionar o momento econômico brasileiro e a consequente queda de anúncios publicitários às recentes demissões de profissionais da redação do diário. Em carta direcionada aos jornalistas na tarde de segunda-feira, 13, o gestor afirmou que a redução no quadro de funcionários faz parte “ajustes em sua equipe”.

“A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade”, escreveu o editor-executivo ao se dirigir aos colaboradores. Com outras palavras, a afirmação vai ao encontro do episódio de junho de 2013, quando outra série de demissões atingiu a redação. “O fraco desempenho da economia e seu reflexo na publicidade dos jornais obrigaram a Folha a fazer ajustes pontuais em suas despesas, com corte de vagas de trabalho”, afirmou Dávila dois anos atrás.

O posicionamento oficial de Dávila é divulgado na semana seguinte aos cortes promovidos pela direção. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo chegou a falar em 50 vagas fechadas e demonstrou preocupação com a possibilidade de “demissões em massa” no veículo de comunicação. O executivo, no entanto, não menciona o número de jornalistas que foram dispensados, mas garante que novas demissões não serão realizadas, apesar da marca preparar “reformas morfológicas” para o decorrer dos próximos dias.

O editor-executivo da Folha ressalta que determinados setores do jornal não sofreram baixas desta vez, caso da reportagem da secretaria, a área digital e o colunismo. Há afirmação, ainda, de que os profissionais que deixaram o diário paulistano na semana passada encerraram suas passagens “em comum acordo” com a empresa. Mesmo assim, Dávila reforça que as demissões são sempre vistas como último recurso da companhia e que as que foram seladas há dias ocorreram depois de semanas de negociações com a direção.

Em outro trecho da carta destinada aos integrantes do jornalismo da Folha de S. Paulo, Dávila fala da readequação de editorias e cadernos, com alguns setores sendo incorporados a outros. “Buscamos também reagrupar as editorias de equipes menores em núcleos maiores, caso de Ciência e Saúde, que passaram para Cotidiano; F5, que se incorporou à Ilustrada; e Comida, Folhinha e Turismo, agora juntos em Semanais”.

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Folha demitiu jornalistas na última semana

Confira a íntegra da carta enviada por Sérgio Dávila aos jornalistas da Folha:

Caros colegas,

A Folha realizou nos últimos dias ajustes em sua equipe. A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade.

As negociações entre o comando da Redação e a empresa duraram semanas e tentaram preservar ao máximo os jornalistas. Em alguns casos, os cortes, sempre o último recurso, foram feitos em comum acordo com o profissional.

Algumas áreas estratégicas do jornal não foram afetadas, como a reportagem da Secretaria, que até ganhou um novo integrante, a área digital, que sofreu uma reordenação interna, e o colunismo.

Nós buscamos também reagrupar as editorias de equipes menores em núcleos maiores, caso de Ciência e Saúde, que passaram para Cotidiano; F5, que se incorporou à Ilustrada; e Comida, Folhinha e Turismo, agora juntos em Semanais.

Reformas morfológicas estão em discussão e devem ser anunciadas nos próximos dias. Elas não envolverão novos ajustes de equipe, no entanto. A meta é tornar o jornal mais eficiente para atender as demandas do leitor bem como otimizar o funcionamento da Redação.

A Folha continua líder em seu segmento, seja em circulação, audiência ou fatia publicitária, faz parte de uma empresa sem dívidas, que integra o segundo maior grupo de mídia do país, e preserva sua capacidade de investimentos editoriais.

Por mais dolorosos que sejam os  cortes – e eles sempre o são – , o objetivo é adequar o jornal para os tempos atuais, de extrema competitividade pela atenção do leitor e pela verba publicitária.

Contamos com vocês para esse desafio. Se tiverem dúvidas, sugestões ou críticas, não deixem de me procurar, ao vivo, por e-mail ou no ramal abaixo.

Obrigado,

Sérgio Dávila

Editor-executivo

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Sérgio Dávila é editor-executivo da Folha de S. Paulo desde 2010 (Imagem: Rogério Lorenzoni/Studio3x)

FONTE: http://portal.comunique-se.com.br/index.php/destaque-home/76994-editor-executivo-da-folha-repete-discurso-de-2013-e-culpa-momento-economico-por-demissoes

Agência determina redução de água do Paraíba do Sul enviada ao Rio

folhapress

SÃO PAULO  –  A Agência Nacional de Águas (ANA) mandou reduzir a vazão do rio Paraíba do Sul sobre a barragem de Santa Cecília, de onde a água é direcionada para produzir energia elétrica e para abastecer cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio.

Em resolução publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, a agência federal manda diminuir o envio de água à barragem de 190 mil para 165 mil litros por segundo, a partir de 30 de setembro.

Segundo a ANA, a medida visa “preservar os estoques de água disponíveis” na bacia do rio Paraíba do Sul, cujos reservatórios têm hoje apenas 18,2% do volume que são capazes de armazenar –sua pior marca desde 2003.

A água da bacia do rio Paraíba do Sul foi alvo de controvérsia entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro em agosto, quando a gestão Alckmin (PSDB) reduziu por três dias o envio de água ao trecho fluminense da bacia, alegando a necessidade de reservá-la para consumo humano.

O impasse foi resolvido com a mediação do governo federal no dia 18 de agosto, quando os Estados firmaram acordo em que ambas as partes cederiam para preservar o fornecimento de água e a produção de energia ao longo da bacia do Paraíba do Sul.

Com mais de 62 mil km², a bacia do rio Paraíba do Sul cruza 184 municípios e é utilizada para diversas finalidades: abastecimento, diluição de esgotos, irrigação e geração de energia hidrelétrica.

(Folhapress)

FONTE: http://www.valor.com.br/brasil/3676540/agencia-determina-reducao-de-agua-do-paraiba-do-sul-enviada-ao-rio

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