Fuga com renúncia? Saída de Cláudio Castro pode não resolver seu drama legal

Às vésperas de possível cassação, saída do governador levanta suspeitas de manobra política e reacende debate sobre legitimidade democrática no estado

A renúncia de Cláudio Castro (PL) ao governo do Rio de Janeiro não é apenas mais um capítulo da política fluminense — é um retrato explícito de como o poder se reorganiza quando confrontado pela Justiça. Anunciada na véspera da retomada de seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a saída soa menos como decisão estratégica de carreira e mais como um movimento defensivo diante de um cenário adverso. Com dois votos já favoráveis à cassação e à inelegibilidade, a permanência no cargo se tornava um risco alto demais.

A pergunta que paira é inevitável: Castro saiu porque quis — ou porque não tinha mais escolha?

Uma jogada para controlar o dano

Ao deixar o cargo antes de uma eventual condenação, Castro evita o pior cenário político: a convocação de eleições diretas. Em vez disso, transfere a decisão para a Assembleia Legislativa, onde o jogo é outro — menos transparente, mais negociado, mais previsível para quem ainda tem influência.

Não se trata apenas de sair. Trata-se de escolher o terreno onde a disputa continua.

Democracia indireta ou arranjo de bastidor?

Com a renúncia, o estado entra em uma situação de dupla vacância e será governado provisoriamente até que deputados escolham, de forma indireta, o próximo governador. A tendência de voto secreto, respaldada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), reforça a sensação de distanciamento entre decisão política e controle público. Para a população, resta assistir. Para os parlamentares, negociar.

Em momentos como este, a fronteira entre institucionalidade e conveniência política se torna perigosamente tênue.

O peso das acusações não desaparece

O processo no TSE segue seu curso. As investigações envolvendo a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro apontam para o uso da máquina pública com fins eleitorais — uma das acusações mais graves no campo democrático. A renúncia não apaga essas suspeitas. No máximo, muda o tabuleiro onde elas serão julgadas.

E há um detalhe crucial: mesmo fora do cargo, Cláudio Castro ainda pode ser declarado inelegível. Ou seja, seu plano de disputar o Senado pode ser interrompido antes mesmo de ganhar as ruas.

Entre o discurso e os fatos

Em sua despedida, Castro falou em legado, realizações e gratidão. É o discurso esperado. Mas o contexto impõe outra leitura: a de um governo que termina não por conclusão natural, mas por pressão institucional.

Na política, o momento da saída costuma dizer mais do que o próprio discurso.

O que está em jogo agora

A crise aberta pela renúncia deixa marcas profundas e levanta questões difíceis de ignorar:

  • Quem realmente decide os rumos do estado em momentos críticos?
  • Até que ponto mecanismos legais podem ser usados como instrumentos políticos?
  • E o mais importante: qual o impacto disso tudo na já fragilizada confiança da população fluminense nos seus governantes e representantes no parlamento?

A saída de Cláudio Castro não encerra uma crise — ela apenas muda sua forma.  E talvez a torne ainda mais visível.

 

A fuga de Eduardo Bolsonaro para os EUA e a pergunta que clama resposta: quem banca essa festa cara?

Tchau, querido!': a reação dos políticos de esquerda após Eduardo Bolsonaro  anunciar permanência nos EUA

O dia de ontem (18/03) foi marcado por um ato de embuste explícito, qual seja, a fuga do agora licenciado (licenciado?) deputado federal por São Paulo (São Paulo?), Eduardo Bolsonaro. A explicação dada é similar à que foi apresentada por Jean Wyllis (ex-PSOL e atual PT):  escafedeu-se do Brasil para supostamente se proteger de forças ameaçadoras para continuar o bom combate na terra de Uncle Sam. Com isso, Bolsonaro filho deu uma verdadeira banana para os mais de 700 mil eleitores que o elegeram em 2022, mas quem se importa?

Pois bem, como vivi nos EUA por alguns anos, eu sei que a vida é cara já que ninguém dá cafézinho de graça, especialmente se você é “Hispanic” como somos todos enquadrados por lá, apesar de nossos conquistadores coloniais serem os portugueses.

Assim, se ninguém lá está bancada a permanência desse fujão, quem está bancando está festa cara? Como deputado licenciado, Eduardo Bolsonaro não deverá ter as benesses fáceis que o cargo lhe emprestava, e não consta que tampouco receberá o seu salário da Polícia Federal. Aliás, ele também pediu licença do cargo que ocupa na corporação, ou isto é coisa do passado?

A coisa agora é ver o que a Câmara de Deputados fará com o pedido de “licença” de Eduardo Bolsonaro, pois o que promete fazer enquanto estiver batendo pernas nas terras do Uncle Sam estão mais para mandado de busca e apreensão do que para licença.

Esperemos e vejamos!

A estranha fuga de Abraham Weintraub para a Terra do Uncle Sam

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Abraham Weintraub vai para os EUA e deixa para trás um rastro de questões estranhas para serem respondidas pelo governo Bolsonaro

Quando se pensa que as estranhezas que marcam o governo Bolsonaro já chegaram a um limite, a realidade vem mostrar que o buraco sempre pode ser mais fundo. O fato da vez é a escapada protagonizada pelo ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que rumou para os EUA na velocidade daqueles que estão indo levar os filhos na Dysnelândia.  No caso de Weintraub, até agora não ficaram claras as circunstâncias pelas quais eles conseguiu entregar nos EUA, onde a entrada de brasileiros comuns está proibida pelo governo Trump.

A coisa é tão rocambolesca que o próprio Weintraub teve que confirmar via a rede social Twitter, já na gloriosa Miami, que tinha conseguido se escafeder do Brasil (ver imagem abaixo).

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Outra esquisitice dessa escapada é que a publicação da exoneração de Weintraub só se deu via uma edição extraordinária do Diário Oficial da União que foi publicada neste sábado, quando supostamente Abraham Weintraub já se encontrava em território estadunidense (ver imagem abaixo).

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Essa sincronia entre chegada nos EUA e demissão do cargo de ministro da Educação tem levado a muitos analistas a concluir que Weintraub entrou pelos portões da imigração em Miami de posse de um passaporte diplomático que foi tornado inválido por sua exoneração quando ele ainda estava no ar.

Mas, convenhamos, toda essa velocidade em sair do Brasil não é explicada apenas pelo que já se sabe de todas as pataquadas em que Abraham Weintraub esteve publicamente envolvido enquanto esteve ministro da Educação.  A verdade é que a ruindade da gestão no Ministério da Educação pode ser até um crime contra o futuro do Brasil, mas isto não está necessariamente tipificado no Código Penal. Sair assim no Brasil, meio que levando apenas as roupas do corpo, é sinal de que algo mais grave ainda está por vir a público, restando agora saber do que é.

Como vivi quase 7 anos nos EUA e tive dezenas de encontros com agentes da imigração, tenho quase certeza que Abraham Weintraub não entrou lá sem a devida proteção do governo Bolsonaro, a começar pela posse de algum documento oficial explicando o porquê do ex-ministro estar chegando lá neste momento, e quanto tempo a estadia deverá durar. Além disso, como ninguém chega nos EUA sem ter que explicar para onde está se dirigindo, há a grande possibilidade de que Weintraub não saiu do Brasil sem eira nem beira. Me ocorre ainda a lembrança de que dada a atual restrição para a entrada de brasileiros nos EUA, Weintraub não teria entrado sem algum tipo de visto daqueles que se concede apenas para “pessoas especiais”, o que implica em algum tipo de colaboração da embaixada estadunidense em Brasília.

Todas essas questões tornam a fuga de Weintraub ainda mais estranha e cercada de mistérios. Agora nos resta esperar o que será revelado nos próximos dias. Entretanto, apoiada ou não, essa fuga adiciona pitadas graves de crise a um governo que já está com uma cota bastante alta de imbróglios para resolver.

Enquanto isso Weintraub poderá, digamos, curtir a vida na terra do Tio Sam, como se não houvesse amanhã, que, aliás, talvez seja uma boa escolha para ele.