Campos dos Goytacazes e a fome que ronda por suas ruas: o terrorismo fiscal não será a resposta

rp-cgO fechamento do restaurante popular  pelo prefeito Rafael Diniz em 09 de junho de 2017 desmantelou uma importante política social, e o principal disso foi o aumento da fome em Campos dos Goytacazes

As estatísticas apontam que o município de Campos dos Goytacazes possui pelo menos 45 mil famílias em condições de pobreza extrema (perfazendo menos de R$ 100 de renda mensalmente). A fome é uma realidade objetiva para algo em torno de 200 mil pessoas, pouco menos do que a metade da sua população total.

Pois bem, enquanto isso prosseguem os esforços para ocultar essa situação inaceitável sob o argumento de que vivemos uma crise econômica sem precedentes, a qual demanda decisões extremas que deverão atingir principalmente os servidores públicos, apontados como uma fonte de sangramento das finanças públicas.

Segundo dados levantados pelo economista Ranulfo Vidigal no Portal da Transparência do governo federal, o problema da fome só não está pior porque temos algo cerca de 180 mil campistas que estão recebendo recursos via o chamado “Auxílio Emergencial” que foi aprovado no valor de R$ 600 pelo congresso nacional, a contragosto do presidente Jair Bolsonaro e seu ministro/banqueiro Paulo Guedes.

Como essa boia de salvação para os mais pobres tem inimigos poderosos na república, a começar pelo presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), a fome que hoje campeia as ruas de Campos dos Goytacazes deverá aumentar exponencialmente a partir de janeiro de 2021, caso os planos de acabar o Auxílio Emergencial sejam concretizados.

fome 1Pessoas pobres em busca de comida no Mosteiro Santa Face (Foto: Carlos Grevi)

Diante desse cenário crítico, me parece que é passada a hora de que os mais ricos sejam instados a abrir de parte de suas fortunas para impedir uma catástrofe social.  O suposto valente prefeito Rafael Diniz alega ter aumentado a renda própria do município em cerca de R$ 100 milhões.  O que ele não diz é que boa parte dessa renda não foi obtida com os mais ricos que desfilam com seus carrões importados (alguns valendo mais que apartamentos construídos em áreas nobres da cidade) pelas mesmas ruas onde uma legião de pobres tenta obter algum dinheiro para assegurar uma micro-renda que os permita comer alguma coisa ao final do dia. Os grandes punidos pela mini derrama fiscal de Rafael Diniz foram os pobres, essa é a verdade.

Desta forma, me parece urgente cobrar dos candidatos que pretendem substituir Rafael Diniz (o próprio já disse que vai manter o que está fazendo, por isso seria inútil perguntar a ele o que mudaria se por alguma surpresa do destino conseguisse se reeleger) propostas claras para aumentar a renda própria do município sem ter que apelar para a tentação de demitir ou reduzir os salários de servidores públicos. Essa cobrança é urgente, pois, do contrário, quem quer que seja eleito ficaria livre para repetir a agenda desastrada que se aplicou no município pelo chamado “governo da mudança”.

Antes que digam que estou com ideias extremadas,  sugiro que se comece a aumentar a renda própria do município, por exemplo, pela cobrança das dívidas milionárias acumuladas pelo chamado Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam) que , segundo um balanço feito em 2017,  amargava um prejuízo que beirava os R$ 450 milhões, em função de dívidas acumuladas por 40 empresas e negócios que pegaram os recursos do fundo e não realizaram os pagamentos devidos.  Apenas com esses valores seria possível reabrir e manter aberto o Restaurante Popular por mais de 100 anos!

Finalmente, tenho que concordar com alguns candidatos a prefeito que são defensores do terrorismo fiscal no sentido de que não se deve fazer promessas incumpríveis. Basta apenas prometer que vai se cobrar o que é devido ao município pelos mesmos ricos que sugerem a demissão de servidores públicos para garantir o equilíbrio das finanças públicas. Parece justo, não?

Eike Batista, Rosinha e Garotinho discutem desenvolvimento regional. Como assim?

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Divulgação/Facebook

A matéria abaixo do site Ururau traz a primeira repercussão sobre a estranha reunião ocorrida hoje na Prefeitura de Campos dos Goytacazes reunindo a prefeita Rosinha Garotinho, o ainda deputado federal Anthony Garotinho e o já não mais bilionário Eike Batista. Se a coisa já estava soando estranho, o título da matéria torna a coisa ainda mais bizarra. É que o encontro teria servido para que o trio discutisse “projetos no setor rural em Campos, e de (sic) ações de desenvolvimento regional”. 

Ainda que Eike Batista esteja tentando dar a volta por cima, e diversificando o seu portfólio (tendo inclusive entrada na área de medicamentos para resolver problemas de impotência sexual), o ex-bilionário seria uma aposta complicada tanto na área rural, quanto na de ações visando de desenvolvimento regional. É que sem capital financeiro, e com sua imagem de Midas infalível enterrada por seus próprios erros à frente das múltiplas empresas “X”, Eike Batista não teria muito que oferecer, e muito a pedir especialmente na forma de aporte de capital. Mas como ações no setor rural rimam com FUNDECAM, pode ser que esteja ai a chave do mistério. 

Finalmente, outra estranheza é que Rosinha e Anthony Garotinho estejam discutindo desenvolvimento regional e, ainda por cima, com Eike Batista.  Mais certo seria se discutissem desenvolvimento municipal, o que se tratando de Campos dos Goytacazes há muito para fazer. Resta saber se haveria algum ganho em trazer Eike Batista para dentro da roda. O seu passado imediato mostra que não. 

A ver!

 

Eike Batista, Rosinha e Garotinho discutem desenvolvimento regional

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Divulgação/Facebook

Na pauta, investimentos do Grupo EBX na área do agronegócio na cidade

O empresário Eike Batista e o Gerente Geral do EBX, Gunnar Pimentel, estão em Campos nesta segunda-feira (17/11), participando de uma reunião, com a prefeita Rosinha Garotinho e o deputado federal Anthony Garotinho. O encontro acontece no Centro Executivo José Alves de Azevedo. Na pauta, projetos no setor rural em Campos e de ações de desenvolvimento regional.

O motivo da audiência com a Prefeita é apresentar iniciativas na área de produção agrícola em Campos. A imprensa não pode assistir a reunião. A Secretaria de Comunicação informou que enviará um release no final da tarde.

FONTE: http://ujornal.com.br/cidades51042_Eike-Batista,-Rosinha-e-Garotinho-discutem-desenvolvimento-regional

Eike Batista: do BNDES ao FUNDECAM?

A propalada visita do ex-bilionário Eike Batista que deve ainda estar em curso na Prefeitura de Campos dos Goytacazes foi anunciado como um encontro onde deverão ser discutidos projetos em empreendimentos rurais e hoteleiros.

Como Eike Batista hoje está com caixa para lá de baixo, uma possibilidade óbvia dessa visita é de que ele venha aqui tentar sensibilizar a prefeita Rosinha Garotinho e o ainda deputado federal Anthony Garotinho a lhe emprestar alguns milhões por meio do Fundo de Desenvolvimento de Campos (FUNDECAM). 

Que Eike Batista, acostumado aos empréstimos para lá de generosos do BNDES queira ainda mais apoio do tesouro público até é compreensível. Mas o município de Campos dos Goytacazes que ainda possui tantas outras necessidades deveria cogitar financiar Eike Batista? 

Essa é uma pergunta que pode valer muitas centenas de milhões de reais!