Operação “Xeque mate”: Bolsonaro deveria aproveitar ataque especulativo e comprar o máximo de ações da Petrobras

Após intervenção de Bolsonaro, Petrobras tem 2ª maior perda de valor de  mercado em um dia | Revista Fórum

Tendo observado todas as reações de pressão que estão sendo realizadas pelos barões da especulação financeira contra a Petrobras à luz da decisão de antecipar o fim do mandato do privatista Roberto Castello Branco, o presidente Jair Bolsonaro (que está sendo acusado de ser tão comunista quanto o PT), poderia tomar uma simples decisão de mercado: comprar o máximo que puder das ações da Petrobras que estão sendo desvalorizadas nesse ataque especulativo reverso, e isso gastando menos do que teria que gastar há um semana atrás.

Depois disso, Jair Bolsonaro poderia determinar que nenhuma refinaria seja privatizada, para depois colocá-las em sua capacidade máxima de refino, o que não só aumentaria o grau de controle sobre a produção nacional de gasolina e diesel, como causaria uma baixa rápida nos preços escorchantes que a política adotada no governo Temer por Pedro Parente criou.

Essas são medidas que poderiam ter sido adotadas durante os governos do PT quando ataques especulativos semelhantes ocorreram, mas não foram. O resultado é o que temos agora com os preços dolarizados dos combustíveis e uma perda acentuada do controle nacional sobre o petróleo e seus derivados.

Um risco para o Brasil se Jair Bolsonaro fizer o que estou sugerindo é que ele aumentará bastante suas chances de reeleição.  Já  risco para Bolsonaro é que ele seja derrubada via um golpe parlamentar como aquele em que ele citou a memória do Coronel Brilhante Ustra. 

Inevitável dizer que tudo isso seria no xadrez aquele momento em que um xeque mate se avizinha. O problema é que qualquer um dos lados pode ser o que dará ou levará o xeque mate. 

Os caminhoneiros e sua greve tolerada: atiraram no que se viram, mas acertaram no que não viram

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A estas alturas do campeonato, a greve dos caminhoneiros já parece ter servido aos propósitos que levaram milhares de trabalhadores rodoviários e seus patrões a colocarem o governo “de facto” de Michel Temer de joelhos. É que graça ao bloqueio de rodovias, o governo Temer já agiu para conceder R$ 5 bilhões em isenções fiscais que aliviam um pouco o fardo de quem mobiliza praticamente toda a produção nacional.

Eu diria que essa é parte visível do que os caminhoneiros acertaram, e esta não é principal coisa revelada por esta, digamos, greve. É que repentinamente todos os brasileiros se tornaram cientes de que o Brasil hoje regula os preços dos combustíveis a partir das leis de mercado que são estabelecidas pelas grandes petroleiras cujos escritórios estão alojados mormente nos países ricos. 

Aliás, com essa greve (ou seria lock out?), não teremos mais que fazer muito esforço (ou talvez tenhamos, sei lá) que explicar para aqueles milhões de esperançosos na capacidade de auto-regulação do mercado (a tal mão invisível) que isso é uma besteira completa e que só difundida para obscurecer o fato de que os donos do capital são quem controlam a economia e não uma entidade sobrenatural que teria a capacidade de fazer tudo se ajustar, de modo a que o sistema funcione da melhor maneira possível. Não, meus amigos leitores, enquanto vivermos no sistema capitalista, quem manda mesmo no mercado são os que possuem grandes quantidades de capital, e ponto final.

Outra grande descoberta para a maioria dos brasileiros é que, graças à política de desmanche da Petrobras imposta pelo tucano Pedro Parente, a produção de combustíveis derivados do petróleo teve uma forte diminuição em 2017 (ver figura abaixo).

dependente

Desta forma, o Brasil está fortemente dependente da importação de gasolina, especialmente dos EUA, aquele país para onde o juiz federal Sérgio Moro tanto adora viajar (ver gráfico abaixo).

gasolina brasil eua

Assim, a única forma de termos uma saída sustentada dessa armadilha criada pela gestão de Pedro Parente na Petrobras seria modificar radicalmente não a política de preços como tem sido aventada, mas retomar a lógica da diminuição da dependência que o Brasil possui em relação à importação de combustíveis, apesar de estar se tornando rapidamente, graças ao petróleo da camada Pré-Sal, um dos pesos pesados da produção de petróleo no mundo.

E é aí que o mora o principal problema e que deverá passar a dominar os debates presidenciais: qual dos candidatos que já se apresentaram vai se comprometer a reverter o processo de desnacionalização do refino do petróleo no Brasil, que tem sido a tônica da ação de Pedro Parente na ainda estatal Petrobras? Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, João Amoedo, Marina Silva, Ciro Gomes, Manuela D´Ávila, Guilherme Boulos ou, quem sabe, Lula? É que sem um presidente ou presidenta comprometida com o fim da dependência em termos de importação de combustíveis, o que estamos tendo agora é só uma pequena demonstração do que vai acontecer nos próximos anos e décadas: um país rico em petróleo e transformado numa neocolônia dos países ricos. 

Ah, sim, não deixa de ser curioso o comportamento dos “patos” que inundaram nossas ruas, avenidas e postos de gasolina para protestar contra a corrupção na Petrobras e que surtavam  quando o combustível custava módicos, comparados aos preços atuais, R$ 2,80. É que no meio dessa confusão toda, o que mais se destaca não são os caminhões bloqueando as estradas brasileiras, mas o silêncio dos patos paneleiros.

Por essas e outras é que eu digo: os caminhoneiros atiraram no que viram e acertaram no que não viram. É que sem querer, com sua greve eles alteraram radicalmente o rumo dos debates presidenciais que ainda vão acontecer. Vamos ver como cada candidato apresenta sua visão para a Petrobras e, por extensão, para o preço dos combustíveis no Brasil. Vai ser interessante!