O servidor municipal será feito de “Geni” no governo Wladimir Garotinho?

Não se deve jogar pedra na Geni | Opinião | Valor Econômico

Conversando com um amigo que considero uma das mentes mais astutas da cidade de Campos dos Goytacazes, ele me informou que eu talvez tenha de encurtar o prazo de cem dias que dei ao honorável prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Prontamente perguntei a este interlocutor a razão da previsão, e ele me adiantou que depois de salgou em mais 3% a contribuição dos servidores municipais, o prefeito ainda em início de gestão estaria planejando um pacote de maldades direcionado especificamente para os servidores da área da saúde.

Meio pasmo perguntei se isso aconteceria ainda em meio ao alastramento da pandemia da COVID-19 que segundo previsões do ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, tem tudo para virar uma tsunami por causa da variante amazonense do SARS-COV-2. A resposta foi tão direta quanto rápida: sim. A lógica que estaria guiando esse próximo ataque seria de executar um “pacote de maldades” nos primeiros seis meses de governo, para gerar dinheiro extra que então seria apresentado como “dinheiro novo”.

Pois bem, estará errando gravemente o prefeito Wladimir Garotinho se começar a tratar os servidores municipais, independente do setor em que atuam, como uma espécie de “Geni” (lembrando a famosa canção de Chico Buarque) onde todas as pedras são jogadas, enquanto os verdadeiros sugadores das receitas municipais continuam intocados.

A verdade é que são os servidores municipais que têm evitado que uma situação ainda pior tivesse se estabelecido no município de Campos dos Goytacazes.  O caminho a ser trilhado deveria ser o do fortalecimento da qualidade de trabalho e o respeito aos direitos que não estão sendo cumpridos.  

Aos servidores municipais, resta o caminho da organização e da pressão para que seus representantes sindicais atuem para defender direitos e impedir que ocorra uma regressão ainda maior na qualidade de vida de milhares de trabalhadores.

O nome é José Dirceu, mas pode chamar de “Geni da república”

zédirceu

Apesar de respeitar a sua trajetória na luta contra a ditadura militar de 1964, não nutro a mínima simpatia pessoal pelo ex-ministro José Dirceu.  Aliás, atribuo a ele boa parte da degeneração política na qual o Partido dos Trabalhadores (PT) se enlameou com suas alianças e fontes de financiamento questionáveis.

Agora, a última condenação de 23 anos imposta pelo juiz Sérgio Moro por alegada participação em esquema de corrupção da Lava Jato é algo que me parece totalmente parcial e com claros políticos para atingir ainda mais o PT e seus quadros dirigentes.

Se alguém me perguntar se acredito que José Dirceu é inocente, vou repetir o que o ex-senador Delcídio Amaral disse sobre o presidente interino Michel Temer: “não coloco a minha mão no fogo por ele.”

Agora, a coisa é que existentes corruptos da mais fina estirpe que continuam completamente impunes e vários deles participando do ministério interino de Temer, mesmo com acusações iguais ou piores do que as atribuídas à José Dirceu.  Um exemplo disso é a famigerada Lista de Furnas encabeçada pelo senador Aécio Neves.

Então, me desculpem os que acham que pegando José Dirceu para bode expiatório há qualquer avanço na luta contra a corrupção no Brasil, acredito que o efeito é justamente o oposto. Dirceu é hoje a Geni da república que é malhado em público para a roubalheira continuar intensa e impune.  Apenas isso. E joga pedra na Geni!