Reforma administrativa de Bolsonaro ameaça criar um Brasil sem professores

professores

A (anti) reforma administrativa recém-enviada pelo governo Bolsonaro (e recebida com saudações efusivas pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), deixou de fora as carreiras mais caras do serviço público (justamente aquelas que deveriam ser as primeiras a passarem por mudanças para acabar com uma série de regalias).

Por outro lado, a reforma Bolsonaro/Guedes vai criar condições ainda mais difíceis para as categorias que recebem os menores salários, a começar pelos professores. É curiosamente sobre esses segmentos já conhecidos por serem altamente sacrificados em termos da demanda de serviços, condições difíceis de trabalho e adoecimento que a chamada administrativa mais deverá pesar. E saliente-se que isso trará pouca ou nenhuma mudança na situação daquelas carreiras que causam mais custos aos cofres públicos.

Uma consequência dessa (contra) reforma seria uma menor atratibilidade para a profissão de professor no Brasil.  E note-se que já há algum tempo que os cursos de licenciatura, justamente aqueles que formam profissionais para a área da Educação, estão com cada vez menos interessados nas vagas abertas, seja na rede privada ou pública de ensino superior.

Corte de turmas de colégios estaduais causa superlotação em salas no ensino  fundamental - Educação - Extra OnlineSalas de aulas lotadas são apenas um dos elementos que diminuem o interesse na carreira de professor

Esta perda de interesse dos jovens em se tornarem professores já resultou em um envelhecimento da população de professores em atividade em nosso país. Com a falta de renovação que a (contra) reforma de Bolsonaro e Guedes deverá criar, não é impensável que até o final desta década, o Brasil talvez tenha que importar professores se não quiser que suas escolas fechem.

Problema semelhante deverá ocorrer também na área da Saúde, onde igualmente as condições de trabalho já são bastante difíceis. Com a perda de direitos e a consequente perda de poder aquisitivo, não será surpreendente que também faltem pessoas interessadas em oferecer seus serviços em ambientes altamente insalubres como os existentes na maioria das unidades hospitalares.

reforma

O interessante é que nada disso parece ter sido pensado pela genial equipe do dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes.  Há que se ver se haverá alguém que lembre a Rodrigo Maia que esta reforma que ele tanto parece apreciar é uma espécie de um Cavalo de Tróia que arriscar tornar o Brasil em um deserto pedagógico, onde ninguém vai querer ser professor.

Reforma agrária perto de zero no Brasil

mst bahiaApesar da maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros vir da agricultura familiar, mesmo em tempo de carestia da cesta básica, o governo Bolsonaro paralisa os investimentos na reforma agrária

Por Christian.russau@fdcl.org

O governo do extremista de direita Jair Bolsonaro apresentou o orçamento planejado para a agência de reforma agrícola INCRA para o ano de 2021, no qual haverá grandes cortes nas medidas de reforma agrícola, mas uma expansão do pagamento de indenizações para grandes proprietários de terras. A notícia é do jornal Folha de S. Paulo, citando análise de assistentes parlamentares da facção do PT no Congresso Nacional, confirmada pelo INCRA a pedido de jornalistas da Folha .

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Jair Bolsonaro usa o machado para cortar a reforma agrária. Pointer image christianrussau

O orçamento anual da agência de reforma agrícola INCRA para 2021 aumentaria em um total de 4% de 3,3 bilhões de reais para 3,4 bilhões de reais (atualmente o equivalente a cerca de 550 milhões de euros), mas 66% (2,1 bilhões de reais) seriam contabilizados pelo Pagamentos de indenizações dos grandes proprietários de terras que, subsequentemente, obtêm pagamentos de indenizações mais elevados dos tribunais em processos de desapropriação para a reforma agrícola do passado. Enquanto as indenizações para os grandes aumentaram 22% ao ano, de acordo com a Folha, os fundos do programa estadual para assessoria técnica em reforma agrícola e treinamento em reforma agrícola, nas questões de cultivo e direitos à terra para os pequenos seriam reduzidos em espantosos 99%.

Assim, enquanto o governo federal brasileiro, a conselho do homem forte em questões fundiárias do governo Bolsonaro – Nabhan Garcia – envia as unidades militares da Força Nacional diretamente subordinadas ao presidente para atacar os assentamentos do MST , a reforma agrária é de fato por meio de cavernas e a redução do escopo financeiro da autoridade competente deve ser reduzida a zero. Isso é mostrado de fato nos números.

Olhando para os últimos 25 anos, foi sobretudo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva que impulsionou a reforma agrícola no Brasil de forma mais numérica. Embora o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) também tenha atingido máximas em 1997 e 1998 com 81.944 e 101.094 famílias respectivamente, o governo Lula (2003-2010) atingiu suas máximas históricas em 2005 (127.506 famílias ) e 2006 (136.358 famílias). Durante o governo Dilma Rousseff, o número de assentamentos no âmbito da reforma agrária oscilou entre 22.012 famílias relativamente modestas (2011) e 32.019 famílias (2014).

O governo de Michel Temer (2016-2018), que sucedeu em 2016 por meio de um impeachment parlamentar, o golpe parlamentar contra a presidente eleita Dilma Rousseff ao poder em Brasília, dissolveu o ministério da reforma agrária e o órgão de reforma agrária INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) reporta-se diretamente à Presidência da Casa Civil . Em março de 2018, soube-se que a implementação da reforma agrária no Brasil e Michel Temer quase paralisou antes que o ponto zero fosse alcançado no governo de Bolsonaro.

Famílias assentadas por meio da reforma agrária:

ano Número de famílias
1994 58.317 famílias
1995 42.912 famílias
1996 62.044 famílias
1997 81.944 famílias
1998 101.094 famílias
1999 85.226 famílias
2000 60.521 famílias
2001 63.477 famílias
2002 43.486 famílias
2003 36.301 famílias
2004 81.254 famílias
2005 127.506 famílias
2006 136.358 famílias
2007 67.535 famílias
2008 70.157 famílias
2009 55.498 famílias
2010 39.479 famílias
2011 22.012 famílias
2012 23.075 famílias
2013 30.239 famílias
2014 32.019 famílias
2015 26.335 famílias
2016 1.686 famílias
2017 1.205 famílias
2018 – Em setembro de 2020, não havia números no site do INCRA. Última atualização de acordo com o INCRA em 4 de fevereiro de 2019
2019 – Em setembro de 2020, não havia números no site do INCRA. Última atualização de acordo com o INCRA em 4 de fevereiro de 2019

Números: Agência de Reforma Agrária INCRA 1

1 Ver http://www.incra.gov.br/pt/n%C3%BAmeros-da-reforma-agr%C3%A1ria.html

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Kooperation Brasilien [Aqui!  ].

Cenas da 25a. edição do “Grito dos Excluídos”

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Apesar das dificuldades criadas pela pandemia da COVID-19 para a ocorrência de aglomerações humanas (que não seja aquelas vistas nas praias cariocas e paulistas, quer dizer), hoje ocorreu mais uma edição do “Grito dos Excluídos” que é realizado pelo Brasil afora desde 1995 (ver imagens abaixo).

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Essa ação organizada por movimentos que contaram com a participação de ativistas e lideranças políticas é uma clara sinalização de que há em curso a construção de uma forte oposição às políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro/Guedes, o que deverá ficar mais evidente após a pandemia da COVID-19.

No Dia da Amazônia, Salles continua passando sua boiada

Hoje, 5 de agosto, é celebrado o Dia da Amazônia. O que deveria ser um dia de celebração da preservação da maior área de florestas tropicais do planeta, acaba servindo para marcar e denunciar a situação catastrófica que reina naquela região sob o comando de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão e Ricardo Salles.

passando a boiada

Falando em Salles, esse dia 05 de agosto certamente celebrado por ele como um dos dias da Amazônia em que conseguiu atravessar a sua boiada sobre o conjunto de leis que deveriam proteger os biomas amazônicos.

Imagem

Somente neste 05 de agosto ocorreram 2494 incêndios na Amazônia

Mas não há de ser nada, e a devida reação já está ocorrendo em todas as partes da Terr. E cedo ou tarde, os custos políticos e econômicos obrigarão a uma mudança radical na forma pela qual o Brasil está hoje destruindo seus biomas altamente diversos para o plantio de soja e a criação de gado.

Enquanto, celebremos toda a resistência que já ocorre dentro e fora do Brasil. É que dessa resistência virão dias da Amazônia que serão dignos de serem celebrados.

Cronologia de um desastre anunciado: Ascema Nacional lança dossiê sobre desmonte das leis ambientais pelo governo Bolsonaro

salles bolso mourãoRicardo Salles, Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão são, segundo a Ascema Nacional, os executores da destruição das leis ambientais brasileiras

O atual cenário político e socioambiental brasileiro demonstra o resultado do desmonte realizado pelo Governo Bolsonaro, os ataques constantes contra os órgãos e entidades socioambientais, além dos discursos contra a atuação dos servidores e as normas ambientais. Em função disso, a Associação Nacional dos Servidores de Meio Ambiente (Ascema Nacional) decidiu preparar um relatório elencando todas as ações realizadas pelo governo Bolsonaro para destruir a governança ambiental existente, bem como para inviabilizar o funcionamento dos sistemas de comando e controle da área ambiental.

cronologia

Segundo a Ascema, des o início do atual governo tem havido um aumento em número e extensão dos incêndios florestais, expansão do desmatamento da Amazônia; vazamento de óleo atingiu diversos pontos da costa brasileira sem que o governo se mostrasse capaz de dar uma resposta rápida e competente que possibilitasse descobrir os responsáveis por sua origem; as tentativas de incriminar e intimidar indígenas, ambientalistas e organizações não-governamentais, além de intimidação e cerceamento da ação dos servidores da área ambiental, resultando em um real e deliberado desmonte das instituições públicas de meio ambiente.

A diretoria da Ascema lembra que a trajetória do presidente Jair Bolsonaro é marcada por controvérsias e ataques ao meio ambiente e aos órgãos e servidores ambientais. Um exemplo citado ocorreu em 2002 quando Jair Bolsonaro foi multado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por pesca ilegal na Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis (RJ). Um ano após o ocorrido, o então deputado apresentou um projeto de lei ( o PL 5720/2013) que visava proibir o porte de armas de servidores designados para atividades de fiscalização de caça.  A Ascema lembra que o projeto acabou sendo retirado de tramitação pelo próprio Jair Bolsonaro.

A Ascema denuncia que os servidores de órgãos ambientais federais (MMA, IBAMA, ICMBio e SFB), mesmo sofrendo com o assédio institucional e perseguição, vêm alertando sobre a gravidade dos problemas que, por sua vez, são reforçados pela falta de eficiência da gestão e a estratégia de desmonte. Nesse sentido, a Ascema aponta que a desestruturação e enfraquecimento do MMA e de suas autarquias, como a extinção de setores e cargos de direção deixados vagos por longos períodos nos órgãos, contribuem para a paralisação e deliberada ineficiência das suas atividades.

Além disso, a Ascema relata a falta de critérios técnicos para a nomeação de pessoas, muitas sem conhecimento suficiente e sem experiência prévia para cargos de direção, com destaque para a substituição de servidores de carreira por militares das Forças Armadas ou policiais militares (inexperientes, porém obedientes), demonstram a intencionalidade do enfraquecimento da área ambiental na atual gestão.

Outra denúncia importante feita pela Ascema refere à tramitação de uma imensa e injustificada proporção dos processos administrativos do ICMBio em caráter restrito ou sigiloso, em muitos casos sem qualquer justificativa legal que dê amparo à medida, ferindo o princípio da transparência no serviço público, prevista na lei de acesso à informação (Lei 12.527/2011).

Para quem desejar o relatório da Ascema em sua íntegra, bastante clicar [Aqui!]

MST repudia uso da Força Nacional contra Sem Terra na Bahia

Em um momento como o que enfrentamos, é ultrajante que o governo faça uso da força para invadir nossos espaço produtivos

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Da Página do MST

O Movimento Sem Terra vem a público repudiar as ações de ataque do (des) Governo Federal contra à Reforma Agrária no estado da Bahia.

Na manhã desta quarta-feira (2), ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), André Mendonça, publicou no Diário Oficial a portaria n°493, de 1 de setembro de 2020, que autoriza a Força Nacional Brasileira a atacar as áreas do MST nos municípios de Prado e Mucuri, região do Extremo Sul da Bahia.

Por meio dela, o Ministério da Agricultura terá apoio, até o dia 2 outubro, para ações de reintegração de posse contra assentamentos do MST na região.

O extremo sul da Bahia está localizado em um território com ricas e férteis terras alvos de especulação financeira, do capital internacional e das oligarquias locais.

Após a última eleição presidencial, que elegeu uma figura que criminaliza publicamente os movimentos sociais populares, as famílias Sem Terra vêm sofrendo persistentes e crescentes ataques e retirada de direitos auferidas ao longo do tempo.

Desde 2008, as famílias Sem Terra do estado se organizam e denunciam o avanço indiscriminado, irresponsável e insustentável do agronegócio na região que provoca a destruição da Mata Atlântica, contamina rios e nascentes, expulsa comunidades tradicionais, povos indígenas, além de contribuir diretamente com o aumento dos índices de desigualdade social na região.

Em virtude das ameaças e investidas arbitrárias, o MST reafirma seu compromisso de seguir organizado e em luta para que as áreas de assentamento e acampamento permaneçam cada vez mais fortalecidas.

Em um momento como o que enfrentamos, é ultrajante que o governo faça uso da força para invadir nossos espaço produtivos, quando, na verdade, deveria se preocupar com a saúde do povo.

Essa investida nada mais é, do que um desejo sombrio e infundado de acabar com a luta pela terra no país.

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Este texto foi originalmente publicado na página oficial do MST [Aqui!].

Fogo! Reuters revela que dados de queimadas na Amazônia estão errados e catástrofe é maior do que o divulgado até aqui

EXCLUSIVO-Dados de queimadas na Amazônia precisam ser corrigidos; provavelmente foi pior mês de agosto em 10 anos

fogoQueimada em área de floresta próxima de Humaitá (AM). Reuters/Ueslei Marcelino

Por Jake Springs para a agência Reuters

BRASÍLIA (Reuters) – Os dados oficiais de agosto sobre focos de incêndio na Amazônia precisam ser corrigidos e provavelmente vão mostrar uma alta na comparação com o ano passado, o que significará o pior mês de agosto em uma década, disse à Reuters nesta quarta-feira um dos pesquisadores responsáveis pelos números.

Segundo o pesquisador Alberto Setzer, não estão corretos dados que apontam que os incêndios  na Amazônia caíram 5% em agosto, conforme informação disponível atualmente no sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O pesquisador do Inpe, que trabalha na produção dos dados oficiais sobre focos de incêndios, disse que o registro de dados finalizados sofreu um atraso por um erro em uma satélite da Nasa. 

Quando a questão for resolvida, afirmou, agosto deste ano provavelmente registrará um aumento de 1% a 2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Isso significa que seria o pior mês de agosto em números de incêndios desde 2010.

A assessoria de imprensa do Inpe encaminhou um pedido de comentário para Setzer, que deu mais detalhes sobre seus cálculos e alertou que uma variação de 1% a 2% ficaria dentro da margem de erro.

O Ministério da Ciência e Tecnologia, ao qual o Inpe é vinculado, não respondeu a um pedido de comentário.

Já a assessoria do presidente Jair Bolsonaro não quis comentar, direcionando perguntas ao gabinete do vice-presidente da República Hamilton Mourão, que coordena o Conselho Nacional da Amazônia Legal. O gabinete de Mourão não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Uma porta-voz do Ministério do Meio Ambiente não quis comentar.

Uma onda de focos de incêndios na Amazônia, em agosto de 2019, que levou a um pico das queimadas em nove anos, provocou protestos pelo mundo e no Brasil, com críticas à política de proteção da maior floresta tropical do mundo. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a trocar farpas com Bolsonaro à época.

Setzer disse que o Inpe tem procurado fontes alternativas para corrigir o problema, estimando que pode demorar de uma a duas semanas para que os dados finais sejam publicados.

Uma vez corrigidos os dados, com falhas para a Amazônia a partir de 16 de agosto, juntamente com diferenças menores produzidas por dados ausentes para o norte da Amazônia desde então, o número final deve mostrar um ligeiro aumento, afirmou Setzer. 

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Este artigo foi inicialmente publicado pela agência Reuters [Aqui!].

Amazônia ‘condenada à destruição’ com a proliferação de incêndios

 O fogo e o desmatamento marcam a reserva florestal nacional do Iriri, perto de Novo Progresso, na Amazônia brasileira. ‘Essa história de que a Amazônia está pegando fogo é uma mentira’, disse o presidente Jair Bolsonaro. Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

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A vasta floresta tropical está experimentando uma repetição das chamas devastadoras do ano passado e os críticos dizem que Bolsonaro tem a responsabilidade final

Por Lucas Landau em Novo Progresso e Tom Phillips para o The Guardian

Jair Bolsonaro sorri de um outdoor de propaganda na entrada desse posto avançado da Amazônia, dando as boas-vindas aos viajantes em sua “rota para o desenvolvimento”.

Mas 20 meses após a presidência de Bolsonaro – e um ano após a eclosão devastadora de incêndios na Amazônia causou indignação global – os incêndios estão de volta, e muitos temem que o líder do Brasil esteja conduzindo seu país para a ruína ambiental.

novo progressoA entrada de Novo Progresso. Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

Durante um voo de monitoramento de duas horas pelos céus ao redor de Novo Progresso, o Guardião viu colunas gigantes de fumaça branca e cinza subindo das florestas supostamente protegidas abaixo.

Em outros lugares, minas de ouro ilegais podiam ser vistas dentro do território indígena Baú – uma tapeçaria caótica de poças lamacentas e acampamentos improvisados ​​onde antes existia uma floresta intocada. Áreas recentemente desmatadas de árvores caídas e carbonizadas eram visíveis dentro da reserva florestal de Iriri.

“A Amazônia está condenada à destruição”, desesperou-se um ex-alto funcionário do enfraquecido órgão ambiental brasileiro , o Ibama, acusando o populista de extrema direita de supervisionar uma “demolição” por atacado dos esforços de proteção.

“Sob este governo não haverá combate [à destruição da floresta]”, disse o ex-funcionário. “O futuro parece sombrio.”

Em 2020 já ocorreu o mesmo número de queimadas ocorridas em 2019

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Sob pressão de investidores estrangeiros, governos e líderes empresariais brasileiros para evitar uma repetição do escândalo do ano passado – quando celebridades e líderes mundiais como Leonardo DiCaprio e Emmanuel Macron condenaram o tratamento que Bolsonaro deu à Amazônia – o governo brasileiro partiu para a ofensiva.

“Essa história de que a Amazônia está pegando fogo é uma mentira”, Bolsonaro insistiu no início deste mês, apesar das evidências crescentes em contrário.

Em maio, milhares de soldados foram enviados à Amazônia como parte de uma missão militar supostamente projetada para reduzir o crime ambiental – mas que alguns afirmam estar piorando as coisas .

Em julho, com o aumento da pressão de investidores internacionais , o Brasil anunciou a proibição de queimar por quatro meses, com o objetivo de tranquilizar o mundo de que algo estava sendo feito.

Mas imagens de satélite recolhidas pela própria agência espacial brasileira, Inpe, sugerem que esses esforços estão aquém. Em agosto, foram detectados mais de 7.600 incêndios no Amazonas – um dos nove estados que compõem a Amazônia brasileira – o maior número desde 1998 e quase 1.000 a mais que no ano passado. Na terça-feira, o Inpe anunciou que em toda a região amazônica foram detectados mais de 29.307 incêndios em agosto – o segundo maior número em uma década e apenas um pouco menos que o número do ano passado de 30.900.

guardian 4Uma área de garimpo ilegal chamada Coringa, localizada na terra indígena Baú, Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

O Greenpeace calculou que, apesar da mobilização militar e da proibição das queimadas, houve apenas uma redução de 8% nos incêndios entre meados de julho e meados de agosto, em comparação com o ano passado.

“Estamos vendo a tragédia do ano passado se repetir”, disse Rômulo Batista, ativista do Greenpeace em Manaus, capital do Amazonas.

Durante um recente vôo de vigilância sobre quatro estados da Amazônia – Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Pará – Batista também testemunhou cenas chocantes de devastação.

“Vimos pastagens que estavam queimando, áreas desmatadas que estavam queimando, áreas de floresta que estavam queimando. E era óbvio que lá embaixo na floresta abaixo de nós ninguém estava ficando em casa [por causa do coronavírus] ”, disse ele.

“Todos – madeireiros ilegais, grileiros, mineiros ilegais – estão todos trabalhando e, ainda mais do que o normal, seguros de que as inspeções do governo foram reduzidas por causa da pandemia .”

Um monitor da ONG indígena Instituto Kabu, que organizou o voo monomotor do Guardian sobre o estado do Pará, disse: “Houve um aumento flagrante da mineração ilegal e da extração de madeira nos últimos dois anos. A falta de fiscalização do Ibama e da Polícia Federal nessa região acabou incentivando crimes ambientais em terras indígenas ”.

Bep Protti Mekrãgnoti Re, um cacique do povo indígena Kayapó, disse que suas comunidades estão pagando um alto preço pela postura anti-ambiental do governo.

guardian 5Protesto de indígenas Kayapó  que bloqueou a rodovia BR-163 próximo a Novo Progresso, no Pará, no dia 17 de agosto. Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

“O que o desenvolvimento de Bolsonaro significa é a destruição dentro de nossa reserva”, disse Bep Protti, que recentemente liderou um bloqueio de uma semana da rodovia Amazônica cortando Novo Progresso para exigir proteção.

Ele pediu uma ação urgente para monitorar e proteger as florestas da região e a vida selvagem em seu interior: “É com a floresta e os rios que eu me alimento”.

O cacique disse que dois modelos de desenvolvimento se enfrentam atualmente na Amazônia: “o desenvolvimento da destruição” e o “desenvolvimento sustentável da construção e do conhecimento”.

Os ambientalistas têm certeza de qual modelo Bolsonaro – que assumiu o cargo em janeiro de 2019 prometendo abrir a Amazônia e suas reservas indígenas ao desenvolvimento – está buscando.

“Este é sem dúvida o pior momento em mais de 30 anos que vivemos no Brasil. E infelizmente era totalmente esperado porque o presidente foi eleito graças à sua retórica anti-ambiental – e agora ele está cumprindo essas promessas ”, disse Carlos Rittl, um ambientalista brasileiro que trabalha no Instituto de Estudos Avançados de Sustentabilidade da Alemanha.

“O sentimento é de desolação”, disse Rittl, acrescentando: “2020 vai ser um ano terrível”.

guardian 6 Incêndio em fazenda na região de Novo Progresso, no Pará, no dia 25 de agosto. Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

Batista comparou a abordagem de Bolsonaro aos incêndios florestais ao seu manejo negador do coronavírus , que já matou mais de 120.000 brasileiros. O populista de extrema direita esperava negar as imagens de satélite e a ciência e projetar “um ar de normalidade” para o mundo “assim como fez com a COVID-19”. “Infelizmente, isso simplesmente não é verdade.”

O ex-funcionário do Ibama foi igualmente pessimista, alegando que suas operações estavam “completamente paralisadas” e as políticas ambientais do Brasil em frangalhos. A organização, sofrendo com anos de cortes, tinha apenas seis helicópteros para policiar os 2,1 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, com planos de tirar mais dois deles fora de serviço. “Se você me perguntar, para combater o desmatamento precisaríamos de pelo menos 12.”

Na semana passada, o ministro do meio ambiente do Brasil anunciou que todas as operações anti-desmatamento deveriam ser interrompidas, embora isso tenha sido revertido após um protesto.

Rittl chamou os últimos incêndios – que devem continuar até outubro – de “uma tragédia prevista” e a consequência de “um governo absolutamente sem compromisso com o meio ambiente”.

“Sob Bolsonaro, o Brasil está se tornando talvez o maior inimigo global do meio ambiente. É tão triste ver ”, disse ele. “Um pequeno número de pessoas enriquece muito com isso – e todos nós perdemos.”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Outdoors pela democracia já estão nas ruas de Campos dos Goytacazes

Vakinha pela democracia finalmente está nas ruas!

Por Edmundo Siqueira

O movimento democrático conseguiu arrecadar mais de R$ 7.000,00 💰e os primeiros outdoors já estão colocados. Como disse anteriormente, o site da vaquinha — para minha surpresa — demora 14 dias para repassar o dinheiro, então levantei aqui o valor “do bolso” para contratar 7 mídias a um custo de aproximadamente R$ 4.000,00.

O bolsonarismo é bem presente em Campos, pude ver ainda mais nesses dias, que me trouxeram muitas dificuldades para colocar em prática nosso movimento. Mas é preciso resistir e garantir o mesmo espaço e voz a todos os lados, tendo a democracia como norte.

Desde o início do movimento muitas pessoas me procuraram e ofereceram ajuda, para fazer as artes, dando ideias, ajudando na divulgação e apoiando a causa, que é de todos nós que valorizamos a democracia. Agradeço muito a todos e todas que contribuíram de alguma maneira.

Acabei tento muitas outras ideias para fortalecer esse movimento e informar sobre a realidade dos fatos ao maior número de pessoas possível. Criei uma página no Instagram também, sigam @campospelademocracia – https://instagram.com/campospelademocracia?igshid=1lm5df6cpjfbk.

Vem mais novidades por aí! ✅

A empresa alegou alguns problemas de pessoal, que impediram os outdoors sempre colocados ontem, mas hoje pela manhã já estavam nas ruas, nos seguintes pontos:

– Na rotatória de entrada do Shopping Boulevard.

– Após a Rodoviária Shopping Estrada, sentido Rio, lado direito.

– Na Avenida 28 de Março, sentido Jockey, antes da Universidade Estácio de Sá.

– Em Guarus, em frente ao IFF, no contorno após a ponte.

– Rua dos Goitacazes, descida da ponte da lapa.

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Este texto foi originalmente publicado na página de Edmundo Siqueira na rede social Facebook [Aqui!].

A floresta tropical do Brasil está queimando como não fazia há muito tempo: 7766 íncêndios só no estado do Amazonas

O governo Bolsonaro anunciou que trabalharia para proteger a floresta tropical. Mas, aparentemente, isso foi apenas conversa fiada. Dados de satélite mostram que o número de incêndios na Amazônia continua aumentando.

Brände im Amazonas-Gebiet in Brasilien

Fogo na região amazônica no município de Novo Progresso, estado brasileiro do Pará. Foto: Andre Penner / dpa

O estado brasileiro do Amazonas tem quase metade do tamanho da Alemanha. Nele encontra-se grande parte da floresta tropical da região, a vasta área é monitorada do espaço há anos. Dados confiáveis ​​sobre o estado dos pulmões verdes do planeta são importantes. Agências espaciais como a NASA ficam de olho na área, mas o inventário do espaço é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). E , finalmente, os relatórios dos especialistas não foram nada encorajadores : já havia relatórios dramáticos em junho e julho sobre o alto número de incêndios na região.

Também neste mês, os dados de satélite comprovam uma tragédia: as imagens do Inpe mostram nada menos que 7.766 incêndios no estado do Amazonas entre 1º e 30 de agosto. Este é o valor mais alto para este mês desde o início da pesquisa em 1998.

A estação seca nesta região vai de julho a novembro. Agosto é geralmente considerado um dos meses mais secos. No entanto, a floresta amazônica não pega fogo sozinha. De acordo com especialistas, a maioria dos incêndios é iniciada para fornecer terras para agricultura e pecuária.

Muitas queimadas ocorrem ao longo das estradas da área. Os produtos feitos com o auxílio das áreas desmatadas são exportados para diversos países, inclusive para a Europa. Assim, um estudo recentemente mostrou que nas exportações brasileiras de carne bovina cerca de 17 por cento para alimentar os animais relacionados à soja da ex-floresta tropical e savana se originam em áreas desmatadas ilegalmente.

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela revista Die Spiegel [Aqui!].