Protesto contra liberação de 239 agrotóxicos será realizado domingo (21/7) em SP

O governo Bolsonaro liberou, em apenas 200 dias de governo, 239 agrotóxicos, alguns proibidos na União Europeia por serem extremamente tóxicos. Prejudiciais para a saúde humana e causadores de doenças graves e fatais, como o câncer, os pesticidas também fazem mal para a natureza. Para lutar contra eles, uma manifestação foi marcada para o próximo domingo.

morango agrotoxicoFoto: Reprodução / Facebook

A manifestação, que recebeu o nome de “Marcha Agrotóxico MATA” será realizada a partir das 14 horas e a concentração será no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

“Em resumo, nos últimos seis meses, foram registrados no Brasil 33 novos produtos agrotóxicos altamente tóxicos para a saúde humana (aqueles cuja dose letal esta entre 5 e 50 mg/kg), 63 novos produtos extremamente tóxicos para a saúde humana (cuja dose letal esta em menos de 5 mg/kg), 115 novos produtos muito perigosos para o meio ambiente e cinco novos produtos altamente perigosos para o meio ambiente (considerando os parâmetros de bioacumulação, persistência, transporte, toxicidade a diversos organismos, potencial mutagênico, teratogênico e carcinogênico da Portaria 84/1996 do IBAMA)”, diz a descrição do evento no Facebook sobre o protesto. 

De acordo com a organização da manifestação, outros estados também estão se organizando para realizar atos contra a liberação dos agrotóxicos e, em breve, as datas e locais serão divulgados.

“Estamos sendo envenenados com tantos agrotóxicos e precisamos agir!”, dizem os organizadores.

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Este material foi originalmente publicado pela Agência de Direitos Animais (Anda) [Aqui!]

Professora da USP destroça mito do uso seguro de agrotóxicos no Brasil

agrotoxicos

A professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo  Larissa Mies Bombardi é hoje uma das maiores conhecedoras dos problemas envolvendo o uso de venenos agrícolas nas grandes monculturas plantadas para exportação no Brasil.  Em função disso, ela vem sendo atacada por entidades ligadas ao latifúndio agro-exportador (o chamado agrobusiness).

No vídeo abaixo ela fala de forma bastante esclarecedora sobre as graves consequências do uso descontrolado de venenos agrícolas em altas quantidades e sem qualquer fiscalização efetiva no cotidiano das áreas onde os mesmos são estudados.

Abaixo uma entrevista conduzida pelo jornalista Bob Fernandes onde a professora Larissa Bombardi discorre de forma esclarecedora sobre um dos maiores mitos criados para justificar o uso dos agrotóxicos na agricultura, qual seja, de que é possível fazer uso seguro dessas substâncias de forma segura.

A verdade inescapável que emerge dessa brilhante entrevista é de que estamos sendo envenenados em nome dos interesses econômicos dos grandes latifundiários brasileiros. E aqui, mais uma vez, é preciso defender a reputação científica da professora Larissa Bombardi que está sendo vilipendiada por causa de estudos rigorosos que ela vem conduzindo e que são de completo interesse público.

Dados do INPE mostram desmatamento em ritmo explosivo na Amazônia

deforestation

Enquanto o Brasil é distraído por situações e “causos” envolvendo as idas e vindas do governo Bolsonaro, a realidade imposta no chão das florestas continuam tomando um ritmo explosivo em termos de remoção de vegetação nativa. Isso é o que mostra a série de dados produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontam para a remoção de cerca 1.000 km2 de florestas apenas na primeira metade de julho (ver figura abaixo).

desmatamento

Esse avanço explosivo da franja de desmatamento resulta de uma política deliberada de desmantelamento dos mecanismos (limitados) de comando e controle que existiam no governo federal até a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da república, o que foi acompanhado pela colocação de um ministro anti-ambiente para dirigir a pasta estratégica do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles.

A continuarmos no atual ritmo, a possibilidade é de que não apenas haja uma alteração imediata no funcionamento dos ecossistemas em escala regional, mas também no plano nacional e global.  A coisa aqui é simples: a transferência da umidade que está diretamente associada à existência das florestas amazônicas cessará e poderá acarretar uma diminuição acentuada das precipitações em outras partes do Brasil, bem como contribuirá para uma elevação do aquecimento do planeta. 

Essa associação entre as florestas amazônicas e a regulação climática está estabelecida em estudos científicos rigorosos, e está sendo propositalmente negligenciada pelo governo Bolsonaro para atender alianças políticas com os setores mais retrógrados da política nacional, os quais, em muitos casos, estão diretamente envolvidos na pilhagem e destruição das florestas nacionais.

Esses dados de desmatamento explosivo certamente vão inquietar os governos europeus com quem o governo Bolsonaro recentemente celebrou um acordo de livre comércio. É que apesar dos interesses e ganhos econômicos imediatos que o acordo entre o Merco Sul e a União Europeia irão privilegiar, há na Europa uma pressão pública para o controle e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Essa pressão tenderá a aumentar quando os dados produzidos pelo Inpe se tornarem amplamente públicos.

Uma coisa que posso adiantar é que os mecanismos de espalhamento, as áreas preferenciais de pilhagem, e os agentes envolvidos no processo estão mapeados. Entender isso será fundamental para desmascarar quaisquer alegações feitas por agentes do governo Bolsonaro no sentido de menosprezar e denegrir os estudos feitos pela comunidade científica acerca da remoção das florestas amazônicas.

Não obstante a situação que está colocada na Amazônia e no Cerrado é extremamente grave e precisa ser devidamente respondida. Do contrário. todos os piores cenários estimados em centenas de artigos científicos publicados ao longo das últimas décadas serão empalidecidos pela realidade criada pelo governo Bolsonaro.

Finalmente, em função dos dados potencialmente danosos aos interesses políticos e econômicos dos aliados do governo Bolsonaro é bem provável que ocorra um ataque frontal à capacidade do Inpe de continuar monitorando o desmatamento na Amazônia e no Cerrado brasileiro. Apoiar politicamente os pesquisadores do Inpe que conduzem o processo de monitoramento do desmatamento é essencial neste momento. Do contrário, não me surpreenderia com o início de uma perseguição explícita a eles e a todos que utilizam os dados de alta qualidade que eles produzem.

 

Johannes Cullberg se dirige aos brasileiros para explicar sua campanha de boicote a produtos nacionais contaminados por agrotóxicos e desmatamento

cullberg

Johannes Cullberg, fundador e CEO da rede de supermercados orgânicos sueca Paradiset, está aumentando seus esforços para ampliar os participantes do boicote a produtos agrícolas brasileiros não orgânicos por causa de alta utilização de agrotóxicos e da associação direta com o desmatamento na Amazônia.

Para isto, Johannes Cullberg organizou um grupo de apoiadores na rede social Facebook, o #BoycottBrazilianFood, e também está utilizando a sua página oficial no Instagram para disseminar sua mensagem contra a aprovação em ritmo alucinado de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro e contra o desmatamento na Amazônia.

Johannes Cullberg também acaba de produzir um vídeo direcionado ao público brasileiro onde ele explica as razões do boicote que ele impôs dentro da rede Paradiset contra produtos contaminados por agrotóxicos vindos do Brasil.

No vídeo mostra acima, Cullberg informa sobre suas razões e conclama aos brasileiros para que se juntem ao boicote contra alimentos contaminados por agrotóxicos, dizendo que:

” Sou Johannes Cullberg, fundador da Paradiset, uma cadeia de supermercados de alimentos naturais e orgânicos na Suécia. Eu comecei minha empresa para que meus filhos e todos na Suécia pudessem obter comida que fosse boa para as pessoas e boa para o planeta. Quando vi o que Bolsonaro estava fazendo com vocês, o povo brasileiro e também o resto do mundo, usando pesticidas para produção de alimentos tão venenosos que não permitiam na Europa e também aumentando o desmatamento da Amazônia, fiquei muito zangado e chateado! Então decidi boicotar todos os produtos alimentícios não orgânicos do Brasil para mostrar que não podemos aceitar esse desenvolvimento. Em 2019, precisamos cuidar melhor do nosso planeta, não matá-lo. Nós já produzimos mais alimentos no mundo do que podemos comer e 1/3 de toda a comida é desperdiçada. Então não precisamos de mais comida. E nós não precisamos de mais comida venenosa. Precisamos de comida melhor para todos, não apenas para os ricos! A embaixada brasileira na Suécia me disse para parar a campanha, mas eu não vou. Em vez disso, vou me esforçar mais. Com a ajuda do povo da Suécia e da Europa, espero poder mostrar ao governo Bolsonoro que precisamos parar de envenenar o Brasil e o resto do mundo e começar a cuidar dele. Por favor, junte-se a mim neste boicote. Juntos podemos mover montanhas. E governos. Muito Obrigado!”

Dentre as informações importantes oferecidas por Johannes Cullberg no vídeo dirigido aos brasileiros está a que nos diz que a Embaixada do Brasil pediu para que ele suspendesse a sua campanha de boicote aos produtos contaminados por agrotóxicos e associados ao desmatamento da Amazônia. Esse é um gesto típico de quem não entende como os países democráticos realmente funcionam, além de demonstrar um parco entendimento do tipo de efeito colateral que esse tipo de cobrança indevida acabaria gerando.

De toda forma, o gesto de Johannes Cullberg de se dirigir diretamente aos brasilei, ros demonstra que ele vai continuar mobilizando esforços para ampliar o boicote à produção agrícola brasileira que não siga os padrões de sustentabilidade que ele almeja. Essa informação é fundamental para dinamizar os esforços contra a política de aprovação “fast track” de agrotóxicos altamente tóxicos pelo governo Bolsonaro.

E uma coisa é certa, aos se dirigir diretamente aos brasileiros e conclamar que eles se juntem ao boicote contra produtos contaminados por agrotóxicos e associados ao desmatamento na Amazônia, Johannes Cullberg mostra mais preocupação com a saúde brasileira do que todos os ministros do governo Bolsonaro juntos.

Mais uma barragem rompe no Brasil. Não será a última

bahia rompimento

A mídia corporativa está informando que mais uma barragem rompeu no Brasil, agora em  Pedro Alexandre (BA), tendo já inundado o povoado de Quati, que integra o município.  Segundo informações do site UOL, as águas que escaparam desta barragem também atingiram parte da cidade de Coronel João Sá, a 40 km do ponto de rompimento (ver vídeo abaixo).

O impacto em termos de perdas materiais e de vidas humanas certamente será medido nos próximos dias, mas é provável que mais uma vez não fiquemos sabendo da real extensão dos danos.

O problema da segurança das centenas de barragens espalhadas dentro do território nacional já tinha ficado explícito com os rompimentos que ocorreram em Mariana e Brumadinho, e seria de se esperar que medidas urgentes tivessem sido tomadas para a realização de uma auditoria nacional independente para que se estabelecesse o nível de risco a que essas estruturas se encontram.

Entretanto, a agenda de desmantelamento das estruturas de monitoramento e fiscalização que está sendo aplicada pelo governo Bolsonaro indica que continuaremos vivendo em uma espécie de voo cego em meio a centenas de barragens que possuem estruturas pouco inseguras ou em vias de rompimento, especialmente aquelas construídas por grandes mineradoras.

Por essas e outras é que não hesito em afirmar que o caso do rompimento dessa barragem não deverá ser o último. E salve-se quem puder.

Por onde andavam as centrais sindicais enquanto o governo Bolsonaro destruía a previdência social?

reforma 1Sem o apoio político e a mobilização de centrais sindicais e movimentos sociais, a bancada de oposição levou uma goleada de 379 a 131 na votação da contrarreforma da previdência.

Passei a tarde toda acompanhando a precária cobertura online que foi oferecida tanto pela mídia corporativa quanto pelos portais e blogs da chamada mídia alternativa. Enquanto se preparava o massacre da previdência social, algo que estava explicitamente óbvio da cobertura da mídia era que as principais centrais sindicais brasileiras não estavam do lado de fora se manifestando de forma massiva para inocular algum tipo de preocupação no coração dos nobres deputados que puderem assim em maioria esmagadora aprovar o projeto de contrarreforma que o governo Bolsonaro preparou para alimentar o sistema de especulação financeira que hoje asfixia a economia brasileira.

O placar final pela aprovação do chamado texto principal foi de 379 votos a favor e 131 votos contra, um verdadeiro baile da agenda de destruição da previdência social pelo governo de extrema-direita do presidente Jair Bolsonaro.

Mas é interessante notar que este placar nos remete a um número muito similar que foi o do impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Assim, nada de novo na capacidade das forças de direita mobilizarem um batalhão de deputados cuja compreensão das dimensões de determinadas decisões beira o zero.

Por isso, se há que se olhar para um lugar onde devem ocorrer correções para os graves embates sociais que ocorrerão em um futuro não muito distante é justamente dentro do sistema sindical e dos movimentos sociais que ontem, como já havia ocorrido no impeachment de Dilma Rousseff,  não se organizaram para defender conquistas duramente conquistadas pela classe trabalhadora brasileira. É neste e deste campo que precisamos cobrar explicações, de modo a que os seus dirigentes parem de fazer pose de estátua enquanto se amplia o massacre sobre os pobres brasileiros.

Uma curiosidade sobre a votação de ontem foram os votos dos deputados Tábata Amaral (PDT/SP) e Tiririca (PL/SP).  É que enquanto a primeira, muito festejada por segmentos da esquerda por sua participação na derrubada do pífio ministro da Educação  Ricardo Vélez-Rodriguez, votou a favor da destruição da previdência social dos trabalhadores, o segundo foi o único deputado do seu partido a votar contra. Esses dois votos mostram bem como o parlamento brasileiro não é um lugar onde pode se cair na primeira impressão ou esperar coerência.  Por isso mesmo a importância da organização popular e o fim de qualquer esperança de que o parlamento é um veículo útil para a luta dos trabalhadores e da juventude.

Finalmente, ficou demonstrado que a tal “nova política” do presidente Jair Bolsonaro só serve mesmo para iludir seus eleitores, pois na hora que foi preciso o que valeu mesmo foi a velhíssima política do tomá lá, dá cá.  E segue o cortejo!

Entidades se manifestam em defesa do Inpe

SBPC, ABC, Andifes, Conif, Confies, Confap e RBCIH encaminharam nesta quarta-feira, 10 de julho, uma carta ao presidente da República na qual reafirmam confiança na qualidade do monitoramento do desmatamento da Amazônia realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

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A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), junto a outras seis entidades científicas e acadêmicas nacionais, encaminhou nesta quarta-feira, 10 de julho, uma carta ao presidente da República, Jair Bolsonaro, em defesa do monitoramento independente e de excelência desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O documento foi encaminhado também à ministra da Agricultura, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias; e aos ministros da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

“A qualidade de seus dados é constantemente monitorada, resultando em um índice superior a 95% de precisão, e a política de transparência adotada pelo Inpe permite acesso irrestrito a todas as informações geradas pelos sistemas de monitoramento, possibilitando avaliações independentes pela comunidade usuária e acadêmica. A questão fundamental, portanto, não está na produção de dados confiáveis sobre a geografia do desmatamento, mas sim na necessidade de órgãos do governo de manter um sistema de fiscalização ágil, intenso e contínuo”, argumentam na carta.

Além da SBPC, assinam o documento a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), e a Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas.

Leia a carta neste link.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo Jornal da Ciência da SBPC [Aqui!].