Apagão de dados no CNPq representa o auge da desconstrução da ciência brasileira pelo governo Bolsonaro

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Se as informações fornecidas pelo jornalista Marcelo Hailer, do “Fórum”, o que aconteceu no CNPq é mais grave do que o prosaico informe postado pela diretoria da principal agência de fomento nacional. Segundo Hailer, o que aconteceu foi que o servidor onde estavam depositadas as plataformas do CNPq “queimou” sem que houvesse um sistema de back up.

Em outras palavras, tudo o que estava armazenado nas plataformas do CNPq, a começar pela Base Lattes, pode ter sido perdido. Se isso de fato aconteceu, estamos diante da perda de décadas de informações científicas que ali estavam depositadas nos currículos dos pesquisadores brasileiros.

Como vivemos um período em que informação é mais uma commodity, essa perda, se confirmada, trará custos monstruosos para o Brasil, em um momento em que inexistem verbas sequer para necessidades básicas dos pesquisadores brasileiros.

Em outras palavras, podemos estar diante de um mega apagão de dados científicos com prejuízos incalculáveis. Agora veremos o que fará o dublê de ministro e vendedor de travesseiros, o tenente-coronel aviador Marcos Pontes. Provavelmente o que faz desde que sentou na cadeira de ministro, ou seja, nada.

Depois de ficar sem verbas para pesquisa, CNPq fica com sistemas indisponíveis

No governo Bolsonaro, nada está tão ruim que não possa piorar

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A situação de completa asfixia financeira que tem sido imposto às agências federais de fomento à pesquisa científica e tecnológica pelo governo Bolsonaro deixou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) completamente incapaz de atender as necessidades mínimas de fomento de centenas de grupos de pesquisa e empurrou uma quantidade de jovens pesquisadores para o exílio, no que se configura em uma lamentável fuga de cérebros.

Mas como a primeira “Lei de Murphy” bem diagnostica, nada que está tão ruim que não possa piorar. Eis que agora todos as plataformas do CNPq se encontram indisponíveis (a começar pela celebrada Plataforma Lattrs), deixando os pesquisadores brasileiros em um voo na escuridão.

A diretoria do CNPq respondeu a essa situação inédita circulando um informe onde diz que está tomando as providências para “o restabelecimento dos sistemas após evento (indeterminado, grifo meu) que causou a indisponibilidade das plataformas (ver imagem abaixo).

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Se depender da habilidade e disponibilidade para o trabalho do ministro e dublê de astronauta, o tenente-coronel aviador da reserva da Aeronáutica Marcos Pontes, uma coisa é certa: as plataformas do CNPq continuarão indisponíveis até o final do trágico governo que ele compõe. 

O problema é que esse governo ainda durará longos dezenove meses e os estragos que ainda poderá causar ao futuro do sistema científico nacional são incontáveis, e resistir a esse desmanche programado será uma tarefa central não apenas da comunidade científica, mas de todos os que desejam defender a capacidade do Brasil de gerar conhecimento de ponta. Às ruas, pesquisadores!

8a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária da UFRRJ debate Desmonte das políticas agrárias e ambientais

8ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária
📆⏰Em 27 de julho de 2021, às 19h


A atividade será transmitida ao vivo no youtube do Terra Crioula através do link: https://youtu.be/-FRWogNGtig

O fortalecimento dos ruralistas junto ao Congresso e ao Executivo nos últimos anos tem levado ao desmonte das políticas agrárias e ambientais e à intensificação dos casos de grilagem de terras, desmatamento e de violência no campo. Esta mesa busca discutir esse contexto, dando destaque à crescente influência da bancada ruralista, as investidas nas terras indígenas e quilombolas e na regularização da grilagem.

O incrível nova dieta do neoliberalismo Bolsonarista e a distração cubana

cubaProtestos em Cuba provarem ser uma ótima distração em meio ao avanço da fome e da pandemia da COVID-19 no Brasil

Nos últimos dias dois fatos ajudaram a maioria dos brasileiros a se distraírem dos seus males: a internação do presidente Jair Bolsonaro por causa de uma prisão ventre aguda e as manifestações políticas em Cuba. Essas duas coisas juntas ajudaram a entorpecer as almas aflitas, principalmente da classe média brasileira que se apega ao ideário defendido por Bolsonaro.

Enquanto isso, o neoliberalismo Bolsonarista engendra um avanço descomunal da carestia que já provoca cenas de choro nas filas dos supermercados por brasileiros que não têm mais como comprar alimentos.  De quebra, temos o “livre mercado” aproveitando a situação para empurrar para as gôndolas dos supermercados aqui que antes era descartado. Um caso exemplar é o “fragmentos de arroz” que antes servia, quando muito por causa do seu baixíssimo valor comercial, como ração animal, mas que agora é vendido quase que ao preço do arroz próprio para consumo (ver imagem abaixo).

fragmentos de arroz

Mas é quase certo que ao ver esse “novo” produto nas prateleiras, a classe média bolsonarista irá saudar a venda dos fragmentos de arroz como uma prova das engenhosas soluções que o livre mercado quando lhe é permitido florescer, como na presente situação brasileira.

E dá-lhe discussão sobre a prisão de ventre do presidente e as manifestações em Cuba para fazer o povo ser feliz com fragmentos de arroz.

Desmatamento faz com que floresta amazônica emita mais CO2 do que absorva

A redução das emissões é mais urgente do que nunca, dizem os cientistas, com a floresta produzindo mais de um bilhão de toneladas de dióxido de carbono por ano

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O estudo descobriu que os incêndios produziram cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2 por ano, com o crescimento da floresta removendo 0,5 bilhão de toneladas. O 1 bilhão de toneladas restantes na atmosfera é equivalente às emissões anuais do Japão. Fotografia: Carl de Souza / AFP / Getty Images

Por Damian Carrington Editor de Meio Ambiente do “The Guardian”

floresta amazônica agora está emitindo mais dióxido de carbono do que é capaz de absorver, confirmaram os cientistas pela primeira vez.

As emissões chegam a um bilhão de toneladas de dióxido de carbono por ano, de acordo com um estudo. A floresta gigante antes era um sumidouro de carbono, absorvendo as emissões que impulsionavam a crise climática, mas agora está causando sua aceleração, disseram os pesquisadores.

A maioria das emissões são causadas por incêndios, muitos deliberadamente destinados a limpar terras para a produção de carne soja . Mas mesmo sem incêndios, temperaturas mais altas e secas significam que o sudeste da Amazônia se tornou uma fonte de CO2, em vez de um sumidouro.

O cultivo de árvores e plantas absorveu cerca de um quarto de todas as emissões de combustíveis fósseis desde 1960, com a Amazônia desempenhando um papel importante como a maior floresta tropical. Perder o poder da Amazônia de capturar CO2 é um forte aviso de que reduzir as emissões de combustíveis fósseis é mais urgente do que nunca, disseram os cientistas.

A pesquisa usou pequenos aviões para medir os níveis de CO2 de até 4.500 m acima da floresta na última década, mostrando como toda a Amazônia está mudando. Estudos anteriores indicando que a Amazônia estava se tornando uma fonte de CO2 foram baseados em dados de satélite, que podem ser dificultados pela cobertura de nuvens ou medições do solo de árvores, que podem cobrir apenas uma pequena parte da vasta região.

Ondas de fumaça em um incêndio na floresta amazônica em Oiapoque, estado do Amapá, Brasil, em outubro passado.A destruição das florestas mundiais aumentou drasticamente em 2020

Os cientistas disseram que a descoberta de que parte da Amazônia estava emitindo carbono mesmo sem incêndios foi particularmente preocupante. Eles disseram que provavelmente era o resultado do desmatamento e dos incêndios a cada ano, tornando as florestas adjacentes mais suscetíveis no ano seguinte. As árvores produzem grande parte da chuva da região, portanto, menos árvores significam secas mais severas e ondas de calor e mais mortes de árvores e incêndios.

O governo do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi duramente criticado por encorajar mais desmatamento , que atingiu o máximo em 12 anos , enquanto os incêndios atingiram seu nível mais alto em junho desde 2007 .

Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil e que liderou a pesquisa, disse: “A primeira notícia muito ruim é que a queima da floresta produz cerca de três vezes mais CO2 do que a floresta absorve. A segunda má notícia é que os locais onde o desmatamento é de 30% ou mais apresentam emissões de carbono 10 vezes maiores do que onde o desmatamento é inferior a 20%. ”

Menos árvores significam menos chuva e temperaturas mais altas, tornando a estação seca ainda pior para a floresta remanescente, ela disse: “Temos um ciclo muito negativo que torna a floresta mais suscetível a incêndios descontrolados”.

Grande parte da madeira, carne bovina e soja da Amazônia é exportada do Brasil. “Precisamos de um acordo global para salvar a Amazônia”, disse Gatti. Algumas nações europeias disseram que bloquearão um acordo comercial da UE com o Brasil e outros países, a menos que Bolsonaro concorde em fazer mais para combater a destruição da Amazônia.

Foto aérea tirada de áreas queimadas da floresta amazônica, perto de Porto Velho, estado de Rondônia, Brasil.Marcas de alimentos desafiam as regras de desmatamento na lei ambiental do Reino Unido

A pesquisapublicada na revista Nature , envolveu o levantamento de 600 perfis verticais de CO2 e monóxido de carbono, que é produzido pelas queimadas, em quatro locais na Amazônia brasileira de 2010 a 2018. Ela encontrou incêndios que produziram cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2 a ano, com o crescimento da floresta removendo 0,5 bilhão de toneladas. O 1 bilhão de toneladas restantes na atmosfera equivale às emissões anuais do Japão, o quinto maior poluidor do mundo.

“Este é um estudo verdadeiramente impressionante”, disse o Prof Simon Lewis, da University College London. “Voar a cada duas semanas e manter medições laboratoriais consistentes por nove anos é um feito incrível.”

“O feedback positivo, onde o desmatamento e as mudanças climáticas impulsionam a liberação de carbono da floresta remanescente, o que reforça o aquecimento adicional e mais perda de carbono, é o que os cientistas temiam que acontecesse”, disse ele. “Agora temos boas evidências de que isso está acontecendo. A história do sumidouro até a fonte do sudeste da Amazônia é mais um forte aviso de que os impactos climáticos estão se acelerando ”.

O professor Scott Denning, da Colorado State University, disse que a campanha de pesquisa aérea foi heróica. “No sudeste, a floresta não está mais crescendo mais rápido do que está morrendo. Isso é ruim – ter o absorvedor de carbono mais produtivo do planeta mudando de um sumidouro para uma fonte significa que temos que eliminar os combustíveis fósseis mais rápido do que pensávamos. ”

Um estudo de satélite publicado em abril descobriu que a Amazônia brasileira liberou quase 20% mais dióxido de carbono na atmosfera na última década do que absorveu. Uma pesquisa que rastreou 300.000 árvores ao longo de 30 anos, publicada em 2020, mostrou que as florestas tropicais estavam absorvendo menos CO2 do que antes. Denning disse: “Eles são estudos complementares com métodos radicalmente diferentes que chegam a conclusões muito semelhantes”.

“Imagine se pudéssemos proibir incêndios na Amazônia – poderia ser um sumidouro de carbono”, disse Gatti. “Mas estamos fazendo o oposto – estamos acelerando as mudanças climáticas.”

“A pior parte é que não usamos a ciência para tomar decisões”, disse ela. “As pessoas pensam que converter mais terras para a agricultura significará mais produtividade, mas na verdade perdemos produtividade por causa do impacto negativo nas chuvas.”

Pesquisa publicada na sexta-feira estimou que a indústria de soja do Brasil perde US $ 3,5 bilhões por ano devido ao aumento imediato do calor extremo que se segue à destruição da floresta.

 Este artigo foi emendado em 14 de julho de 2021. A referência à mudança das florestas “de um sumidouro para uma fonte” de carbono foi expressa ao contrário em uma versão anterior.

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Este artigo foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui! ].

Velhos venenos indesejados são liberados no Brasil: Governo Bolsonaro autoriza agrotóxicos banidos há 20 anos na União Europeia

Estudo mostra que a maioria dos produtos liberados tem ingredientes ativos proibidos nos países europeus, devido à toxicidade. E que muitos deles foram aprovados no Brasil anos após o banimento por lá

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Contaminação: avião agrícola pulveriza agrotóxicos em lavouras próximas ao rio

Por Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – A política de Jair Bolsonaro em relação aos agrotóxicos causa indignação não só pelo número recorde de produtos autorizados desde que assumiu, em janeiro de 2019. De lá para cá foram liberados 1.257 no total, dos quais apenas 160 de ação biológica. É como se um produto químico diferente chegasse ao mercado a cada dia.

O problema é que muitos desses “novos” produtos já foram proibidos em países da União Europeia há 20 anos. Uma proibição, aliás, decidida a partir de políticas baseadas em estudos científicos sobre os impactos trazidos à saúde humana e a outros organismos. Mas que são desprezados por órgãos do governo brasileiro.É o caso do herbicida Ametrina, banido em 2002. De 2019 para cá foi liberado para 20 “novos” produtos. Diretamente associado ao surgimento de câncer na próstata e no ovário, causa alterações nos organismos dos peixes. A Anvisa e o Ministério da Agricultura entendem que apesar disso vale a pena autorizar seu uso contra plantas invasoras em lavouras de abacaxi, algodão, banana, café, cana-de-açúcar, citros, mandioca, milho e uva, entre outras.

Agrotóxico contra a saúde

E também do herbicida Tebutiurom, banido na União Europeia no mesmo ano. Estudos mostram que a molécula deixa resíduos persistentes na água e em organismos em geral. Ou seja, segue causando danos por anos e anos. Mais recentemente, foi descoberto que a produto se acumula em peixes, nos quais causa alterações no sistema endocrinológico. Ou seja, tem ação sobre hormônios e pode prejudicar todo o funcionamento do organismo. Mesmo assim, de 2019 para cá, foi liberado como ingrediente ativo de 23 produtos ou em combinações, para cultivos de cana e as pastagens.

Sem contar o inseticida e acaridicida Clorfenapir, proibido em 2001. O mais velho da lista foi liberado para compor dez “novos” produtos destinados a culturas de acerola, algodão, alho, amora, amendoim, batata, cebola, citros, couve, crisântemo, eucalipto, feijão, framboesa, maracujá, mamão, melancia, melão, milho, morango, pimentão, pitanga, repolho, rosa, soja e tomate. Itens muito presentes na alimentação dos brasileiros.

“São moléculas muito antigas, que correspondem a 70% do total liberado. E muitos foram autorizados no Brasil depois de terem sido banidos em outros países. É uma vergonha um país fazer papel de lixeira”, disse à RBA Sonia Corina Hess, professora aposentada do curso de Engenharia Florestal e Agronomia do campus Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Juntamente com o professor e pesquisador Rubens Onofre Nodari, do Centro de Ciências Agrárias da mesma universidade, e a pesquisadora Mônica Lopes Ferreira, do Instituto Butantan, ligado ao governo estadual paulista, Sonia analisou as autorizações para a comercialização e o consumo de agrotóxicos no país na última década.

Liberações no governo Bolsonaro

E com olhos mais atentos sobre as liberações nos três primeiros semestres do governo Bolsonaro. Os resultados foram publicados no último dia 30, em artigo na revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A edição foi toda dedicada à discussão do agronegócio em tempos de colapso planetário.

Diante dos dados encontrados, a professora passou a analisar o conjunto das autorizações recorde do Ministério da Agricultura, comandado pela ruralista Tereza Cristina, a “musa do veneno”. O apelido foi dado em 2018, quando a ainda deputada federal, então presidente de comissão especial, conseguiu aprovar o substitutivo para o PL 5.622 – o Pacote do Veneno –, que está pronto para ser votado pelo plenário. Se for aprovado, a importação, produção, rotulagem, venda, distribuição, uso e armazenamento de agrotóxicos ficarão facilitados. Por isso o tema desperta o interesse de todos.

Do total de “novos” produtos autorizados recentemente, há 522 (41,5%) contendo 153 ingredientes ativos, dos quais 53 banidos ou sequer registrados nesses países, conforme apurou Sonia Hess. Mas isso não foi motivo suficiente para serem excluídos.

A tabela a seguir mostra quais são os principais ingredientes banidos, o ano da proibição e em quantos “novos” produtos são utilizados. Repare os danos à saúde humana e ambiental atribuídos ao seu contato.

“E ainda autorizam produto ‘venenosíssimo’, proibido na União Europeia, para ser usado em alface, repolho, couve”, disse a professora, referindo-se à Bifentrina. O ingrediente ativo banido há 11 anos está em 22 dos “novos” produtos, para uso nas culturas de acelga, agrião, alface, almeirão, brócolis, centeio, cevada, chicória, couve, couve-chinesa, couve-flor, couve-de-bruxelas, espinafre, repolho, rúcula e tomate, entre outros.

E também ao inseticida e acaricida Tolfenpirade, autorizado no final de dezembro passado. Muito perigoso ao meio ambiente e altamente tóxico, é autorizado para o cultivo de brócolis, mandioca, alface, couve, couve-de-Bruxelas, couve-flor, repolho e tomate.

A produção de hortaliças, entretanto, não está entre os principais alvos dos agrotóxicos, e sim às lavouras de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, que se estendem por latifúndios. Essas culturas consomem 80% de todo o agrotóxico vendido no Brasil, conforme o atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, de Larissa Bombardi.

Pulverizações aéreas

Embora esses produtos sejam de exportação no mercado de commodities, o Brasil sofre com as consequências do uso desses produtos. As pulverizações aéreas de misturas de venenos contaminam o solo, os rios e lençóis freáticos a quilômetros de distância da aplicação, sem contar os impactos à saúde das populações atingidas.

Mais de 60% das empresas que têm obtido registros no Brasil estão sediadas na China, que por sua vez é o maior comprador da soja brasileira produzida sob banhos de agrotóxicos. Para o agrônomo Leonardo Melgarejo, coordenador-adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, esses empresários estariam se aproveitando de vantagens.

Por um lado usufruem das facilidades para despejar aqui esses produtos todos. “É uma enxurrada de venenos proibidos na União Europeia que vão sendo produzidos com outros nomes, em combinações com outros nomes, sem submeter a análises. Então, sem ser avaliados, estes antigos aparecem aqui como ‘novidade’, de ‘ficha limpa’. Uma vergonha com articulação internacional para ‘lavagem’”, disse.

Lucros com agrotóxicos

Por outro lado lucram com a soja comprada. “Até porque o volume de veneno aplicado supera em milhares de vezes o que retorna, dentro dos grãos. E em todas as nações, mesmo no socialismo chinês, a morte de pessoas por sequelas dos agrotóxicos não é considerada problemática. Afeta especialmente os mais pobres e idosos”, disse à RBA.

Entre 2010 e 2018 a venda de agrotóxicos no Brasil aumentou 43%. Partiu de 384.501,28 toneladas para 549.280,44 em 2018. No mesmo período, porém, a área cultivada para as culturas temporárias e permanentes cresceu apenas 20%, passando de 65.374.591 hectares para 78.502.422 hectares em 2018, conforme o IBGE.

O sinal verde de Bolsonaro aos agrotóxicos banidos na União Europeia já era comum em outros governos, mas não com a mesma intensidade. Em 2003 foram aprovados dez produtos, dos quais sete banidos no ano anterior. E sete banidos em 2009 foram autorizados no Brasil em 2010, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017, conforme o gráfico.

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Este texto foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Pondo fumaça nos olhos: governo Bolsonaro retira do INPE a divulgação dos dados de queimadas e incêndios na Amazônia

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Em mais uma manobra para enfraquecer o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e por tabela a ciência de excelência que seus pesquisadores realizam há décadas, o governo Bolsonaro retirou da alçada do órgão a atribuição de divulgar os dados sobre queimadas e incêndios florestais na Amazônia, repassando a tarefa para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este órgão abrigado mais do que convenientemente no Ministério da Agricultura, comandado pela “pesticide lover”, Tereza Cristina (DEM/MS).

A explicação estapafúrdia dada para justificar mais este ataque ao Inpe e à ciência brasileira é de que esse movimento irá facilitar a integração de dados, visto que o Inmet cuidaria da parte meteorológica e agora irá também cuidar da divulgação dos dados de queimada e incêndios florestais. Essa explicação não faz o menor sentido cientificamente, pois a “expertise científica” estabelecida no Inpe, onde existem pesquisadores de renome internacional justamente por causa dos estudos ali conduzidos sobre queimadas e incêndios florestais, que o movimento contrário seria o mais óbvio, até porque no Inpe está localizado o chamado “Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos” (Cpetec), que é outro nicho de excelência científica operando dentro do Inpe.

Esse movimento é do tipo “jogar fumaça nos olhos” não apenas da comunidade científica que depende dos dados gerados pelo Inpe para fazer estudos justamente sobre queimadas e incêndios, mas também para dificultar o monitoramento por parte dos principais parceiros comerciais brasileiros que hoje cobram não apenas um maior controle sobre o desmatamento, mas também dos pontos de queimadas e incêndios florestais.

Lembro aqui que no artigo que foi publicado na Science em setembro de 2020, identificamos a área atingida pelos incêndios florestais e demonstramos que eles são um dos principais agentes de degradação da floresta amazônica. Assim, fica evidente que não está se operando um esforço para dificultar a transparência sobre o que, de fato, está ocorrendo em termos da área atingida e degradada por incêndios, mas principalmente que se identifique onde incêndios criminosos estão sendo iniciados para acelerar a degradação dos biomas amazônicos.

Por outro lado, há que se lembrar que 2021 deverá ter um dos maiores ciclos de queimadas e incêndios florestais das últimas décadas em função do desmatamento recorde que vem ocorrendo na Amazônia brasileira ao longo deste ano. Assim, é quase certo que os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, via o Inmet,  não terão o mesmo nível de excelência do trabalho realizado pelos pesquisadores do Inpe nas últimas décadas. 

Mas uma coisa parece estar sendo ignorada pelos mentores dessa manobra: a expertise criada pelo Inpe sobre a incidência de queimadas e incêndios florestais já gerou dezenas de projetos de pesquisa em universidades brasileiras e internacionais, e que irão continuar monitorando de forma mais fidedigna a ocorrência de queimadas e incêndios florestais não apenas na Amazônia, mas nos demais biomas florestais brasileiros.  Em outras palavras: a ciência pode ser atrapalhada e boicotada, mas dificilmente se consegue impedir o seu funcionamento dada a capilarização que mais de 200 anos de avanços científicos já garantiram.

Luz verde para crimes ambientais

O governo brasileiro usa métodos criminosos para destruir a natureza. Uma conversa com Eliane Gomes-Alves e Cristiane Mazzetti

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A destruição da Amazônia continua

Por Ute Evers para a OXI e publicado pelo Neues Deutschland

Eliane Gomes-Alves está fazendo seu doutorado nas áreas de clima e meio ambiente. Ela está atualmente trabalhando como cientista no Instituto Max Planck de Biogeoquímica em Jena.

Cristiane Mazzetti é Gerente Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics and Political Sciences (LSE). Como especialista ambiental, ela trabalha com questões como desmatamento e uso do solo, principalmente por meio de campanhas e lobby. Atualmente, ela faz parte da equipe do Greenpeace Amazon como ativista sênior. A entrevista foi conduzida por Ute Evers.

Você pode nos explicar brevemente sobre o que é sua pesquisa?

Eliane Gomes-Alves: É sobre plantas, gases e clima! As plantas produzem gases comumente conhecidos como odores de plantas. Esses cheiros são, por ex. B. responsável por atrair polinizadores ou afastar predadores. Cumprida essa função ecológica, os gases permanecem no ar e passam por reações químicas que levam à produção de partículas, que por sua vez atuam como núcleos de vapor d’água, que se condensa e inicia a formação de nuvens de chuva. Portanto, há uma conexão entre o cheiro da floresta e a formação de nuvens. Minha pesquisa visa entender como as plantas liberam esses gases / cheiros e como isso varia ao longo do ano.

Você está se concentrando na Amazônia?

Eliane Gomes-Alves: Sim! A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e um importante reservatório de carbono; a preservação da floresta contribui enormemente para a regulação do clima regional e global. Quando comecei a olhar para o meio ambiente em geral, comecei a me preocupar com questões como aquecimento global e mudanças climáticas. Então, eu queria entender como essa floresta afeta o clima.

A floresta tropical brasileira ganhou destaque internacional nos últimos anos devido aos incêndios devastadores e à política climática do presidente Jair Bolsonaro. Qual é o maior dano causado pelo atual governo?

Cristiane Mazzetti:A destruição de uma política pública que levou anos para ser construída e exigiu enormes recursos financeiros para ser projetada e implementada! O plano de ação do PPCDAm (plano de ação para prevenção e controle do desmatamento na Amazônia legal), que conseguiu reduzir as taxas de desmatamento entre 2004 e 2012, incluiu medidas como a criação de áreas protegidas e terras indígenas ou o estabelecimento de medidas de controle. No governo de Bolsonaro, as autoridades de controle (Ibama e ICMBio) foram incapacitadas pela militarização de seus quadros, cortes orçamentários e perda de liderança na implementação dos objetivos. Nenhum projeto apresentado pelo governo brasileiro inclui a criação de novas áreas protegidas, embora existam cerca de 50 milhões de hectares de florestas públicas não designadas,

Além disso, o governo tem incentivado o crime ambiental por meio de medidas provisórias e projetos de lei que visam relaxar a proteção ambiental e legalizar o crime ambiental. Essa combinação dá luz verde à destruição, que não é facilmente reversível. Por exemplo, a ocupação ilegal e a invasão de terras públicas aumentaram porque a aplicação das leis é muito baixa, associada a propostas para abrir terras indígenas para mineração ou para flexibilizar os critérios de regularização fundiária. Os infratores sabem que não apenas não serão punidos, mas também devem ser recompensados ​​pelas mudanças no aparato jurídico.

Entre 2004 e 2012, muitos sinais foram dados para não tolerar crimes ambientais. O que foi conquistado naquela época se perde dia a dia hoje.

É assim que você vê do ponto de vista científico, Eliane?

Eliane Gomes-Alves: Com certeza! Eu vejo três razões para isso. A primeira é que o Brasil já teve uma queda nos investimentos em pesquisa, mas só piorou a partir de 2018. O valor das bolsas de pós-graduação e auxiliares de pesquisa foi reduzido, o que diminui o número de pesquisas. No Brasil, grande parte da pesquisa científica é realizada por pós-graduados. São os doutorandos e pós-doutores que constituem uma parte significativa das publicações científicas. Se o número de bolsas diminuir, diminui o número de pessoas que trabalham e produzem ciência no Brasil.

Além disso, muitos jovens são desestimulados a seguir a carreira científica na área ambiental, visto o quanto está sendo destruído e desconsiderado. Há um sentimento de impotência diante de tanta negligência e ataque à ciência. Embora o mundo todo já tenha entendido por meio da ciência que as mudanças climáticas são um fato e que afetarão gravemente a vida de muitas pessoas, o Brasil vai contra a corrente. O Brasil tem excelentes cientistas. Mas a ciência não tem valor e, portanto, não há incentivo. Dedicar-se às ciências ambientais aqui exige um certo ativismo, que nem todos estão dispostos a assumir.

Como resultado, muitos pesquisadores deixam o Brasil. Sou um exemplo disso: como brasileiro, trabalho para um instituto alemão e posso ser mais ativo cientificamente do que no Brasil. Tudo isso tem implicações de médio e longo prazo, pois a ciência só pode progredir com investimento em recursos financeiros e humanos e com o reconhecimento de sua importância.

Depois dos incêndios devastadores na floresta amazônica no ano passado, eclodiram os protestos da economia internacional. Em junho de 2020, CEOs de empresas brasileiras e internacionais, bem como participantes do setor, ameaçaram em uma carta ao governo que retirariam seus investimentos se a destruição da floresta amazônica não fosse interrompida. Quão credíveis são essas ações se entre os signatários está a gigante agroquímica alemã Bayer, que é famosa pelas exportações de venenos para o sul global?

Cristiane Mazzetti: A política anti-ambiental do governo Bolsonaro provocou reações negativas de muitos atores internacionais – alguns com críticas mais ou menos credíveis à destruição contínua de florestas e degradação ambiental.

A falta de recursos é uma das principais linhas de defesa do governo federal para justificar sua inação, mas não é verdade. Há dinheiro disponível que poderia ser desembolsado para conter o desmatamento e prevenir incêndios florestais. Um exemplo é o Fundo Amazônia com cerca de três bilhões de reais. Organizações da sociedade civil e partidos políticos já apelaram do seu congelamento ao Supremo Tribunal. O Fundo Amazônia já financiou atividades relacionadas à gestão de áreas protegidas e monitoramento ambiental.

Além disso, a Lei do Orçamento de 2021 apresentou o menor valor para o meio ambiente em 21 anos. Bolsonaro somou seu veto à já ruim proposta do Executivo e cortou ainda mais o orçamento para as autoridades ambientais. O problema não é a disponibilidade de recursos, mas a vontade política. Deixar de usar os recursos existentes e cortar orçamentos é uma forma de minar a proteção ambiental e matar os órgãos ambientais (como o Ibama e o ICMBio) por inação. Em relação à Bayer e outras empresas exportadoras de agrotóxicos proibidos da União Européia para o Brasil, a posição de várias organizações da sociedade civil é clara. Nenhum produto pode ser exportado para outros países, cujo uso é proibido no bloco econômico!

A Amazônia como “pulmão verde do mundo” é um mito popular. Como cientista, o que você acha disso?

Eliane Gomes-Alves: Dizer que a Amazônia é o pulmão do mundo é colocar todo o seu significado em uma formulação errada e simplista. Há pesquisas suficientes para mostrar que a maior parte do oxigênio global é produzida pelo fitoplâncton (algas) nos oceanos. Mas as pessoas querem respostas simples para problemas complexos. Mas a ciência não nos dá respostas simples e imutáveis. Freqüentemente, há situações em que novas descobertas derrubam as antigas, e quanto mais ciência é produzida, mais complexo se torna o seu entendimento. Existem muitas pesquisas que mostram a importância da Amazônia em termos de biodiversidade e distribuição de água. Isso de forma alguma o coloca em um nível menos importante, como se ele fosse o pulmão do mundo (o que ele não é). As razões para a conservação da floresta são inúmeras e não podem ser substituídas por um slogan que leve à desinformação. Uma imprensa de boa reputação tem a obrigação moral e ética de investigar e não divulgar informações falsas.

Quão ativos podem ser os movimentos civis pelo clima e os ativistas políticos nos tempos de Bolsonaro?

Cristiane Mazzetti: No passado (antes do governo Bolsonaro), o governo federal via a sociedade civil como um ator estratégico na formulação de políticas públicas e nas ações que ajudavam a reduzir o desmatamento. A moratória da soja foi até citada em relatórios do PPCDAm como uma medida para conter o desmatamento. Esta promessa do setor privado, assinada por comerciantes de soja, foi em resposta à pressão de campanhas da sociedade civil destacando a ligação entre soja e desmatamento florestal na Amazônia.

Atualmente, o governo não apenas interrompeu o diálogo com ONGs, movimentos rurais e povos indígenas, mas também reduziu e eliminou a participação de representantes da sociedade civil nos conselhos. Além disso, um dos rascunhos do plano de enfrentamento ao desmatamento na Amazônia continha a intenção de controlar 100% das ONGs que atuam na área. Já houve casos de denúncias, intimidações e (in) ações judiciais contra ativistas e ambientalistas. A medida tornou-se absurda quando o serviço secreto brasileiro (Abin) foi utilizado para monitorar a sociedade civil durante a conferência do clima em Madri (2019).

Eliane, você passou um tempo na Amazônia. Houve algum momento decisivo que influenciou sua abordagem de pesquisa?

Eliane Gomes-Alves: Com certeza. O conhecimento tradicional das pessoas que moram perto dos locais de teste contribuiu muito para minha pesquisa. São os locais que sabem identificar as plantas com que trabalho, que sabem se locomover na floresta e que conhecem o clima do ponto de vista empírico. Foi meu contato com o povo amazônico que me ensinou sobre a floresta, o que estudar e como fazer minhas pesquisas. Seus conhecimentos tradicionais influenciam o desenvolvimento de projetos experimentais de pesquisa e as adaptações de dispositivos que são construídos apenas para uso em regiões de latitude média, como a Europa.

Que desafios você tem que enfrentar como jovem na pesquisa?

Eliane Gomes-Alves:Os desafios são principalmente resultado do patriarcado. Eu faço pesquisas em uma área, as geociências, que ainda é dominada pelos homens. Em várias expedições, fui a única ou a única parte de um grupo muito pequeno de mulheres que participaram como cientistas. Tenho enfrentado situações caracterizadas por discriminação e preconceito, por ex. Por exemplo, não me deixar dirigir porque sou mulher, para situações reais de assédio sexual. Infelizmente, ainda é comum eu ouvir comentários que às vezes reduzem minhas habilidades cognitivas por meio do preconceito contra as mulheres; que as mulheres são vistas como menos capazes e, às vezes, degradando minha humanidade na forma de uma falta de respeito pelo meu corpo e intelecto.

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Esta entrevista foi produzida pela OXI – Thinking Business Different. OXI, que é um jornal mensal economicamente crítico que está incluído no »nd DIE WOCHE, e foi publicada pelo Neues Deutschland [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: governo Bolsonaro libera mais 93 agrotóxicos e chega a 1.265 liberações em 30 meses

Aumento das fabricantes chinesas e o uso de agrotóxicos altamente perigosos são marcas da tsunami de aprovações do governo Bolsonaro

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Em que pese a crise política, econômica e sanitária que o Brasil atravessa neste momento, o governo Bolsonaro continua com a tsunami de liberações de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo.   Em apenas dois atos publicados em maio e junho (Atos 26 e 29, respectivamente) foram liberados mais 93 agrotóxicos, o que implica em um “grande total” de 1.265 agrotóxicos liberados sob a batuta de Jair Bolsonaro e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS). 

Essa verdadeira tsunami tóxica visa basicamente acelerar a compra de agrotóxicos por grandes latifundiários que estavam envolvidos com as monoculturas de exportação que incluem a soja, o milho, o algodão e a cana-de-açúcar. Em uma análise rápida dos 93 agrotóxicos aprovados é possível verificar que a maioria dos agrotóxicos liberados (seja para uso imediato por agricultores ou para fabricação de produtos pela indústria do veneno instalada no Brasil) é a persistência de produtos antigos (os chamados pós-patente) e a hegemonia de empresas chinesas em seu fornecimento.  Essas características estão certamente relacionadas a um aperto das regras de fabricação e uso em mercados mais exigentes, a começar pela União Europeia, e o envio desses produtos antigos para regiões cujos governos são mais dependentes das renda gerada pela exportação de commodities agrícolas, como é o caso do Brasil.

Produtos altamente venenosos classificados como pouco danosos à saúde humana e ao meio ambiente

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Outra característica que está presente na tsunami tóxica do governo Bolsonaro é a liberação de produtos banidos por terem sido identificados como altamente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente, e ainda por cima com definições de risco baixo. Exemplos gritantes disso são os agrotóxicos Ametrina, Atrazina e o exterminador de abelhas Fipronil. Aliás, com os produtos liberados pelo Ato No. 26, o governo Bolsonaro liberou o incrível total de 34 produtos formulados ou técnicos contendo o Fipronil. Como esse produto é conhecido por causar o extermínio de polinizadores benignos como é o caso das abelhas, os riscos ambientais que estão sendo impostos ao meio ambiente são altíssimos apenas quando se considera o Fipronil.  Mas como o Fipronil não é o único exterminador de abelhas que está sendo liberado, que ninguém se surpreenda se em breve tivermos uma série falta de mel e quebra de safras de culturas que dependam de polinizadores para suas floradas.

O avanço da indústria chinesa no mercado de agrotóxicos brasileiros

Outra característica marcante dos Atos 26 e 29 é a confirmação de que o Brasil se tornou um mercado preferencial para a crescente indústria chinesa de agrotóxicos. No caso do Ato No. 29 que liberou 29 produtos, o predomínio de empresas chineses ficou mais do que evidente, já que estas são as fabricantes de 24 dos agrotóxicos liberados (82,7%). Mas outro fenômeno aparente é a instalação de subsidiárias das indústrias chinesas que estão dispensado os intermediários para obter a autorização para a venda de seus produtos no mercado brasileiro. Com a velocidade de liberação que está sendo propiciada pelo governo Bolsonaro, não será de se estranhar que a influência da indústria chinesa de venenos agrícolas comece em breve a colocar em xeque a hegemonia das gigantes europeias e estadunidenses como Basf, Bayer e DowDupont.

O Brasil como zona de sacrifício de agrotóxicos altamente perigosos

Ainda que não haja a devida cobertura jornalística, o Brasil está imerso em uma combinação perversa que mistura o avanço do desmatamento na Amazônia com o aumento da demanda por agrotóxicos naquela onde as condições climáticas aceleram o processo de regeneração primária e o aumento de populações de insetos e de doenças causadas por fungus e vírus. Em certo sentido, o avanço do desmatamento na Amazônia está sendo um forte vetor para o consumo de agrotóxicos, o que em face dos últimos dados de remoção total das áreas florestas amazônicas deverá aumentar exponencialmente a demanda por venenos agrícolas.

O problema é que ao contrário do prometido não está havendo nenhuma modernização dos agrotóxicos, o que nem interessa aos fabricantes desses produtos que ganham rios de dinheiro sem que tenham que efetivamente buscar qualquer tipo de inovação no seu portfólio de produtos, já que a demanda tende apenas a crescer.

No final o que estamos nos defrontando é a transformação do Brasil em uma zona de sacrifício capitalista, onde a geração de margens espremidas de lucros pelo latifúndio agro-exportador força o avanço da franja de desmatamento dentro da Amazônia com base em sistemas agrícolas altamente dependentes do consumo de agrotóxicos. 

Quem desejar as planilhas do Ato No. 26, basta clicar [Aqui!], e a do Ato No. 29 [Aqui! ]. Já os interessados em baixar a planilha contendo a descrição completa dos 1.265 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro desde janeiro de 2019, basta clicar [Aqui!]. 

 

DETER confirma tendência de aumento dos alertas de desmatamentos e junho tem novo recorde

Foram 326Km2 de área desmatada somente na última semana do mês

desmatamento amazoniaFoto: Imagem aérea de desmatamento registrada pelo Greenpeace durante sobrevoo no estado de Roraima em abril de 2021.

Manaus, 09 de Julho de 2021 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje demonstram que os alertas de desmatamento na Amazônia não param de crescer. Os dados do mês de junho mostram uma área destruída de 1.062 Km2, que representa um aumento de 1,8% na área com alertas de desmatamento em relação aos registrados em junho de 2020. Somente na última semana do mês passado foram 326 Km2 e o acumulado no ano já soma 3.610 Km2, 17,1% maior que o mesmo período de 2020.

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Gráfico: Área dos alertas de desmatamento para o mês de junho, segundo o Programa DETER-B/INPE. Consultado às 07:00am em 09/07/2021.

Apesar dos números crescentes, o governo federal insiste em manter uma operação cara e comprovadamente ineficaz em lidar com o problema, enviando as tropas militares através da GLO, para combater o desmatamento. Dessa forma, validando a política antiambiental do atual governo que fragilizou órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio.

“É mais um triste recorde para a floresta e seus povos, esse número só confirma que o Governo Federal, não tem capacidade de combater toda essa destruição ambiental. Enviar o exército à Amazônia, somente neste momento em que o fogo e a devastação estão, mais uma vez, avançando sobre a floresta, é uma estratégia tardia e equivocada, deixando evidente que na verdade não há interesse em combater o desmatamento”, declara Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

Esse tipo de operação vem, há dois anos, mobilizando recursos públicos muitas vezes superiores ao orçamento anual do IBAMA para fiscalização e um grande número de militares, sem efetividade na prevenção do desmatamento e queimadas, o resultado é o aumento desses números. Além de não evitar o desmatamento, o próprio governo divulgou os 26 municípios onde atuarão as Forças Armadas, o que compromete o “elemento surpresa” necessário para encontrar e punir criminosos.

Estamos vivendo uma crise climática que se agrava com esses recordes de queimadas e desmatamentos, os reflexos no Brasil já podem ser vistos, como por exemplo a crise hídrica, causando o aumento da conta de luz e a aumento no preço dos alimentos. Mas ao invés de prevenir e combater o crime ambiental, esquemas organizados e patrocinados por grandes proprietários e grileiros de terra encontram-se amparados pelo esvaziamento das políticas de proteção ambiental, das atividades de fiscalização e pelas sinalizações vindas também do Congresso Nacional, que vem atuando para legalizar o ilegal. Exemplo são os Projetos de Lei 2633/2020 e 490/2017 que anistia grileiros e abre terras indígenas para atividades predatórias – respectivamente.

“Ao invés dos parlamentares estarem focados em conter os impactos da pandemia e combater o crime que avança na floresta, e que não só queima nossas riquezas naturais, mas também a imagem e a economia do país, eles tentam aprovar projetos que irão acelerar ainda mais o desmatamento, os conflitos no campo e a invasão de terras públicas. Nosso país não precisa da aprovação destes projetos, e o Presidente da Câmara dos deputados, Arthur Lira, não deve pautar o PL da grilagem e muito menos o PL 490 que é um ataque direto aos direitos dos povos indígenas. O que precisamos é de vontade política para avançar no combate ao desmatamento, queimadas e grilagem de terras”, finaliza Rômulo.