Desmatamento na Amazônia em agosto cresce 222% em relação a 2018

Floresta perdeu 1.698 quilômetros quadrados de vegetação, segundo Inpe. Em agosto de 2018, foram 526 quilômetros quadrados. Nos oito primeiros meses de 2019, área desmatada foi 92% superior à do mesmo período de 2018.

desmatamento amazoniaFoto de satélite mostra áreas desmatadas na Amazônia: em julho, desmate cresceu 278% em relação a mesmo mês de 2018

A Amazônia perdeu em agosto deste ano 1.698 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, área 222% maior do que a desmatada no mesmo mês de 2018, que foi de 526 quilômetros quadrados, segundo dados divulgados neste domingo pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os números indicam que, apesar da devastação, houve redução na comparação com julho deste ano, em que houve destruição de 2.254 quilômetros quadrados.

Em comparação aos mesmos períodos de 2018, os meses de junho e julho apresentaram, respectivamente, crescimento de 90% e 278% no desmate.

Com os saltos, a área desflorestada da Amazônia nos oito primeiros meses de 2019 chegou a 6.404 quilômetros quadrados, número 92% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (3.337 quilômetros quadrados).

Os dados foram obtidos pelo Deter, levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, feito pelo Inpe.

Os informes podem ser usados para indicar tendências de aumento ou diminuição no desmate e servem de parâmetro para que os fiscais do Ibama atuem nas regiões mais ameaçadas.

Incêndios

Em agosto deste ano, foram registrados 30.901 focos de incêndio no bioma Amazônia, segundo dados divulgados dia 1° de setembro pelo Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse é o maior número registrado para o mês desde 2010, quando houve 45.018 focos.

Os dados mostraram ainda que, em relação ao mesmo mês do ano passado, os focos de incêndio triplicaram. Em agosto de 2018, foram registrados 10.421 incêndios. Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados ao todo 46.825 focos de incêndio na Amazônia. Esse número é mais do que o dobro observado no mesmo período do ano passado, 22.165.

Em resposta aos incêndios na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um decreto proibindo queimadas em todo o Brasil, por 60 dias. Um dia depois, porém, Bolsonaro voltou atrás e autorizou a prática em regiões que estão fora da Amazônia Legal.

A recente aceleração da devastação fez com que os governos de Alemanha e Noruega suspendessem repasses de verba ao Brasil para financiar projetos de desenvolvimento sustentável.

Devido ao desmatamento e às queimadas na região, Bolsonaro se tornou alvo de pesadas críticas de políticos europeus, que ameaçaram suspender o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Alguns políticos alemães chegaram a pedir sanções ao Brasil em razão da maneira como o governo Bolsonaro lida com o meio ambiente.

Bolsonaro se envolveu numa proloNgada troca de farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron, que o acusou de mentir sobre suas políticas ambientais durante o encontro do G20 em junho, no Japão, onde foi concluído o pacto comercial entre o bloco dos países sul-americanos e a UE.

MD/efe/ots

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Este artigo foi originalmente produzido pela Deutsche Welle [Aqui!].

Governo Bolsonaro asfixia ciência nacional e acelera o avanço para a neocolônia Brasil

C&TCortes feitos no financiamento do CNPq e da CAPES significam a interrupção de pesquisas estratégicas para o Brasil e deverão alimentar a fuga de cérebros.  Tânia Rego/Agência Brasil

Em um país com milhões de desempregados oficiais e outros tantos milhões vivendo de vender doces e salgados em semáforos na maioria das suas cidades, a decisão do governo Bolsonaro de cortar recursos que mantinham milhares de jovens cientistas pode até passar despercebida aos que passam fome e todo tipo de privação. Mas esta decisão que compromete o futuro da nossa capacidade de desenvolvimento econômico com um mínimo de autonomia não deveria passar em brancos por todos aqueles que entendem o papel da ciência e da tecnologia no processo de crescimento econômico.

É que sem ciência e tecnologia produzidas dentro de nossas fronteiras, o Brasil se tornará cada vez mais uma espécie de neocolônia dos países que estão hoje investindo pesadamente no desenvolvimento de sua capacidade de estabelecer novas formas de gerar riqueza sem depredar completamente rios e florestas, como é modelo que o governo Bolsonaro abraça com sofreguidão.

O que os cortes no investimento em ciência e tecnologia significam então é muito mais do que podar os sonhos de jovens pesquisadores que ficarão sem meios de sustento para continuarem dentro de universidades públicas (isso porque perto de 100% da ciência produzida no Brasil ocorre dentro delas) cada vez mais sucateadas e incapacitadas de pagarem sequer suas contas de água e eletricidade.

Gosto sempre de citar a entrevista que dei ao jornal Diário de Notícias que é publicado a partir de Lisboa onde teci um cenário tenebroso para a ciência brasileira com o nosso país sob o comando do presidente Jair Bolsonaro. Olhando em retrospectiva, penso que acertei na maior parte das minhas previsões do que estaríamos vivendo. Mas vejo que subestimei a intensidade do ataque que sofreríamos, e as condições que já estão postos representam quase que um extermínio de nossas instituições universitárias públicas.  Acrescento ainda que sob o impacto da forte recessão que vivemos, as instituições privadas de ensino superior também estão vivendo problemas graves que ameaçam deixar apenas com menor qualidade de portas abertas.

Um desdobramento imediato do ataque do governo Bolsonaro à ciência brasileira será a partida de milhares de jovens e não tão jovens pesquisadores para outras partes do mundo, começando pela Europa e pela América do Norte. É que em função dos investimentos feitos nos últimos 50 anos, o Brasil desenvolveu uma série de áreas da ciência que estão em forte demanda, o que implicará em um processo de recrutamento que nos tirará muita gente capacitada e que rumarão para o exrerior em busca das condições de estabilidade financeira e emocional que todo pesquisador necessita para avançar seus estudos.  Em outras palavras, continuada a atual situação asfixia financeira, o Brasil viverá um intenso processo de “fuga de cérebros” que provavelmente não ocorreu em períodos de exceção como foi a vigência do regime militar instalado em 1964. E com os saem sairão um enorme conhecimento acumulado em áreas como doenças tropicais,  aumento da produtividade agrícolas e novas formas de exploração do petróleo em áreas profundas.

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“A fuga de cérebros aponta o fracasso de um país”

Desta forma, considero que é mais necessário do que nunca que de dentro das universidades e instituições de pesquisa públicas seja iniciado um processo vigoroso de resistência política ao projeto de desmanche que está imposto pelo governo Bolsonaro sob a batuta trôpega de Jair Bolsonaro, Abraham Weintraub e Marcos Pontes. Isso precisa ser feito não apenas em nome das necessidades imediatas dos pesquisadores que tiveram suas bolsas cortadas, mas principalmente o futuro da ciência nacional.  Se nada for feito, a nossa transformação em uma neocolônia será inevitável.

 

Amazônia em chamas: do anúncio caro com erro de grafia ao avanço do espectro do boicote

Bolso fogo

O governo Bolsonaro parece ser mesmo composto por um bando de despreparados que a cada dia cuidam de afundar a imagem do Brasil em face das devastadoras queimadas que estão ocorrendo na Amazônia em 2019.  Essa é uma inferência lógica a partir de uma série de erros crassos que estão sendo cometidos não apenas na área da diplomacia com nossos principais parceiros comerciais, mas até na publicação de anúncios em revistas internacionais defendendo as indefensáveis posições do governo Bolsonaro.

Um exemplo das muitas gafes cometidas foi a publicação de um anúncio no site da revista Financial Times que continha dois erros de grafia na língua inglesa (ver abaixo, onde a palavra “”reafirm” foi grafada como “reaffirm” e “sovereign” foi escrita erroneamente como “sovereing“). Esse tipo de erro em um anúncio que deve ter custado uma fortuna ao tesouro nacional demonstra o estado de coisas que reina atualmente nos ministérios comandados pelos aliados do presidente Bolsonaro, e servem para piorar ainda mais a péssima imagem que o Brasil desfruta neste momento no resto do mundo.

brazil amazon

Mas não são só os erros crassos no uso da língua inglesa que estão comprometendo a situação da economia brasileira e do seu principal neste momento que é a exportação de commodities agrícolas e minerais.

É que segundo desde o dia 27 de Agosto (ou seja 10 dias) já se sabe, graças a matéria da agência Bloomberg, que os maiores investidores da Noruega, com ativos combinados sob sua administração de cerca de  R$ 680 bilhões, estão dizendo às empresas com quem fazem negócios para garantir que não estão contribuindo para os danos ambientais à Amazônia brasileira,  especialmente no que se referem aos devastadores incêndios que estão ocorrendo na região.

fundos

Ainda segundo a Bloomberg, a Storebrand ASA e o fundo de pensão, KLP informaram aos seus parceiros econômicos que estão intensificando suas pesquisas para mapear quem é responsável por qualquer dano potencial à região amazônica.  A Storebrand  também teria dito que os incêndios na Amazônia são os últimos sinais de como o desmatamento se tornou crítico, onde a limpeza de terras para o plantio de óleo de palma, soja, criação de gado e extração de madeira são as principais causas da degradação.

Além disso, a Bloomberg informou que a Storebrand ASA e o KLP estão planejando deixar de fazer negócios com empresas que contribuem para o desmatamento até 2025, caso o diálogo em curso em prol da adoção de medidas que contenham a destruição da Amazônia não atinja as mudanças desejadas.  No caso específico do fundo de pensão KLP, os seus diretores já teriam cobrado informações de empresas como Cargill Inc., Bunge Ltd. e Archer-Daniels-Midland Co. , as quais realizam negócios no Brasil.

Como se vê, a previsão do ex-ministro da Agricultura e um dos maiores figurões do agronegócio nacional, Blairo Maggi, de que o governo Bolsonaro acabaria retroagindo a capacidade brasileira de vender as suas commodities agrícolas à estaca zero está se tornando cada vez mais provável. 

Enquanto isso dentro do Congresso Nacional, com o apoio entusiasmado do presidente Jair Bolsonaro, crescem as ações para desmantelar o sistema de governança ambiental visando virtualmente acabar com licenciamento ambiental e abrir as áreas indígenas para a mineração. Com isso tudo acontecendo, o Brasil está muito próximo de severas punições e de um forte embargo contra seus produtos agrícolas e minerais. É que quando fundos de pensão e uma grande financeira sinalizam que vão fazer isso se o governo Bolsonaro não reverter curso, as chances disso se materializar são bem reais.

H&M amplia boicote sueco ao Brasil. Outras grandes empresas podem ser juntar ao movimento

H&MA cadeia H&M é a segunda maior do mundo no ramo da modo e o boicote da empresa contra o couro produzido no mundo deverá ter consequências amplas para a produção brasileira de couro.

A multinacional sueca Hennes & Mauritz (ou simplesmente H&M) anunciou hoje que suspenderá suas compras de couro brasileiro em função da devastação que está ocorrendo por causa das queimadas na Amazônia brasileira.

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A H&M é a segunda maior cadeia de produtos de moda do mundo comunicou oficialmente que “devido aos graves incêndios na parte brasileira da floresta amazônica e às conexões com a produção de gado, decidimos proibir temporariamente o couro do Brasil”. E seu comunicado a H&M afirmou ainda que a “a proibição permanecerá ativa até que existam sistemas de garantia credíveis para verificar se o couro não contribui para danos ambientais na Amazônia”.

Há que se lembra que foi na Suécia que em junho de 2019 foi lançado o primeiro boicote formal conta produtos brasileiros por causa do uso excessivo de agrotóxicos e do desmatamento na Amazônia. Naquela ocasião, o boicote foi declarado pelo fundador e CEO da rede de mercearias especializadas em produtos orgânicos Paradiset, Johannes Cullberg. 

Se naquela ocasião a embaixada brasileira em Estocolmo enviou uma carta para pressionar Cullberg a suspender o seu boicote aos produtos brasileiros. Entretanto,  Johannes Cullberg não apenas não cessou o boicote, mas como começou uma campanha na Suécia e em toda a Europa para ampliar o processo que ele iniciou em sua empresa. O esforço de Cullberg já está causando fortes pressões por partes de consumidores suecos sobre as grandes redes de supermercados da Suécia.

icaA cadeia de supermercados sueca Ica não descarta um boicote aos produtos brasileiros.

Agora, vamos ver como se comporta o governo Bolsonaro em face de ampliação do movimento de boicote a commodities agrícolas que já causando perdas milionárias ao agronegócio brasileiro, de onde saiu um vigoroso apoio à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro.

Por causa da Amazônia, de Portugal à Suécia cresce a pressão pelo boicote à carne brasileira

boicote

Dois jornais europeus (um de Portugal e outro da Suécia) publicaram de ontem para hoje matérias que colocam claramente em xeque as exportações da carne bovina produzida pelo Brasil por causa do atual ciclo de desmatamento e fogo que está ocorrendo na Amazônia brasileira.

carne brasileiracarne suecia

No caso português, a matéria assinada pela jornalista Margarida Cardoso informa que um número crescente de açougues e restaurantes portugueses estão trocando a carne brasileira por aquelas produzidas no Uruguai e na Argentina. A razão para isto é simples: os portugueses estão questionando cada vez mais a procedência da carne que irão consumir. 

Essa propensão dos portugueses a não querer consumir carne oriunda de desmatamentos realizados na Amazônia brasileira também está aparecendo em outros países da Europa, incluindo a Suécia que foi palco da primeira convocação de boicote aos produtos agrícolas brasileiros por meio de uma convocação realizada pelo CEO da rede de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg (ver vídeo abaixo dirigido aos brasileiros).

Um elemento novo que está surgindo nos países europeus é que a população parece não estar disposta a esperar pela ação de seus governos para impor de forma difusa um boicote popular aos produtos brasileiros. Esse boicote de natureza popular será mais difícil de ser combatido pelos próprios governantes europeus que não têm demonstrado muita disposição para enfrentar as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, a começar por Angela Merkel que continua defendendo o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, apesar do que está acontecendo na Amazônia.

Diante do quadro que está se formando na Europa, fico curioso sobre como se comportarão os barões do agronegócio exportador diante dos danos evidentes que as políticas anti-ambientais implantadas pelo governo Bolsonaro estão tendo sobre seus lucros.

Siemens declara boicote à mineração em áreas indígenas no Brasil

mineração áreas indigenas

A multinacional alemã Siemens informou hoje em sua página oficial na rede social Twitter que não fornecerá equipamentos nem apoio logístico para a realização de atividades de mineração em áreas indígenas  no Brasil (ver imagem abaixo).

siemens

Segundo a declaração bastante sucinta, a Siemens informou que  o respeito pelos direitos humanos seria “um princípio central” nas suas atividades em todo o mundo.

O fato é que o movimento de boicote às relações comerciais com o Brasil está crescendo rapidamente, muito em função das declarações desastradas que estão emanando do interior do governo federal, muitas deles pelo próprio presidente da república. Pelo jeito, só quando o somatório das diversas ações de boicote ficar claro é que o alarme será soado no empresariado nacional. Mas, talvez, quando isso acontecer a vaca já vai ter ido para o brejo.

O Brasil na imprensa alemã (28/08)

Queimadas na Amazônia continuam dominando o noticiário na Alemanha. Mídia atribui desastre à política ambiental de Bolsonaro e sua ligação com o agronegócio. Mas consumidores alemães também são responsáveis, diz revista.

queimada“Imagens de florestas tropicais queimadas e troncos de árvore carbonizados correm o mundo”

Süddeutsche Zeitung – Dias de fogo (26/08)

Em face dos devastadores incêndios na Amazônia, cresce a pressão para que o Brasil mude sua política ambiental. Também o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, propõe agora que o Brasil seja pressionado a adotar uma maior proteção climática por meio do acordo comercial com o Mercosul. “O fato de o acordo com o Mercosul ter sido finalmente resolvido nos dá oportunidades e meio de pressão para influenciar o que lá acontece”, disse o político social-democrata nesta segunda-feira. Ele acrescentou que existem certos valores e padrões “sem os quais nós não embarcamos”. O presidente francês, Emmanuel Macron, também fez comentários similares.

(…)

As Forças Armadas brasileiras começaram a jogar água nas áreas de incêndio com aviões de transporte Hércules. Ao mesmo tempo, a polícia está investigando os organizadores do chamado Dia do Fogo. A mídia local relatou que fazendeiros teriam combinado de queimar grandes áreas ao mesmo tempo, para dar espaço para pastos e plantações de soja. O ministro da Justiça, Sergio Moro, tuitou: “Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos.”

Esse é um novo tom, já que o presidente Jair Bolsonaro vem incentivando os agricultores a produzir fatos. O Ministério do Meio Ambiente teria tido conhecimento do planejado “Dia do Fogo”, mas não fez nada, segundo tuitou o jornalista investigativo Glenn Greenwald, que mora no Brasil. A diretora da Fundação Heinrich Böll no Rio de Janeiro, Annette von Schönfeld, também não vê mudanças políticas. “O governo Bolsonaro realmente não tem nenhum pensamento de política ambiental”, disse.

Spiegel Online – O negócio bilionário com os recursos naturais do Brasil (23/08)

Jair Bolsonaro ainda tem grandes planos para a Amazônia. Ele queria fazer da imensa área em torno do mais poderoso rio do mundo a “alma econômica” do Brasil, como anunciou o presidente recentemente durante uma visita à cidade de Manaus. “Nossa Amazônia, a região mais rica do planeta Terra”, disse Bolsonaro, acrescentando que ela pode se tornar o ponto de partida para uma nova recuperação econômica por todo o país. Em harmonia com a proteção ambiental, é claro.

O aumento dramático no desmatamento desde que Bolsonaro assumiu em janeiro ainda era uma questão regional na Amazônia naquela época. Mas agora as imagens de florestas tropicais queimadas, troncos de árvore carbonizados, grandes clareiras estéreis e o céu cinza escuro sobre São Paulo correm o mundo. E as estatísticas do instituto de pesquisa estatal Inpe parecem dar razão a todos os críticos, que sempre alertaram que a Amazônia seria impiedosamente explorada sob a égide de Bolsonaro.

(…)

Bolsonaro havia anunciado que reduziria as multas por delitos ambientais, reduziria os controles e liberaria as reservas indígenas para a mineração. Para ele, a conservação da natureza deve estar subordinada aos interesses da economia. E existem algumas empresas, corporações e indústrias que ganham muito dinheiro com a exploração da Amazônia. Em primeiro lugar está a poderosa indústria agrícola.

Focus Online – Nossa fome por carne e soja alimenta os incêndios florestais no Brasil (24/08)

As florestas tropicais do Brasil se tornaram um brinquedo das corporações do agronegócio. Onde hoje há incêndios, tem gado pastando amanhã. Os consumidores na Alemanha também são responsáveis pela ameaça à Região Amazônica. O maior apetite, no entanto, é dos chineses.

As imagens da floresta tropical em chamas no Brasil estão causando preocupação em todo o mundo. Embora os incêndios aconteçam a milhares de quilômetros da Alemanha, o desastre do outro lado do Atlântico também tem a ver com o comportamento do consumidor na Europa. Acima de tudo, o desejo por bifes suculentos e costeletas quentes alimenta o desmatamento e a queimada de grandes áreas na Amazônia.

“É claro que nossas ações na Alemanha têm muito a ver com a perda da floresta tropical”, diz o professor da economia mundial de alimentos da Universidade de Göttingen, Matin Qaim. “Por exemplo, estamos importando grandes quantidades de soja como ração para nossos bovinos e suínos, e o aumento do cultivo da soja está contribuindo para o corte de florestas tropicais no Brasil.”

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Este compêndio de notícias da imprensa alemã sobre a catástrofe ambiental na AmaZônia foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].