Rafael Diniz: o governo do “Vai Ter” e não o “Da Mudança”

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Rafael Diniz que fez história ao vencer em primeiro turno, ainda não fez o governo da “Mudança”, sendo até aqui o do “Vai Ter”.

Tive a paciência de ouvir por uns 10 minutos a entrevista que o dublê de jornalista, blogueiro e secretário de governo, Alexandre Bastos,  concedeu no programa “Folha no Ar”, e tiro uma primeira conclusão sobre o governo do jovem prefeito Rafael Diniz: esse não é o governo da mudança, mas o do “Vai Ter”.

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Segundo o o dublê de jornalista, blogueiro e secretário de governo, Alexandre Bastos, o governo de Rafael Diniz agora vai!

É que ouvindo as falas de Alexandre Bastos, o que mais ficou marcado é que o governo Rafael Diniz está se preparando para dar uma “virada” nas suas práticas que têm sido, supostamente, técnicas e que passarão agora, segundo ele sob os olhares vigilantes da justiça, para um perfil mais “político”, seja lá o que isso signifique.

Mas afora prometer fazer em 20 meses o que não foi feito em 28, há ainda espaço para ataques nada sutis para quem aparece como candidato forte ao pleito municipal de 2020, no caso o deputado federal Wladimir Garotinho que foi acusado literalmente de estar tentando impedir a concretização de um projeto municipal, o que não foi explicado porque até hoje não saiu do papel.  Mas para valer mesmo só os ataques a Wladimir que claramente se colocou como candidato, o que ameaça a intenção também declarada de Rafael Diniz a concorrer à reeleição.

O mais curioso é que no caso do restaurante popular, informação sobre quando o mesmo será reaberto nada foi dito.  Aliás, demonstrando um desconhecimento constrangedor, Alexandre Bastos nem sabia dizer qual vai ser o novo do restaurante popular, como se o problema de centenas de pessoas que hoje passam fome fosse apenas uma questão “técnica” de mudança de nome.

Outra pérola é que foi dito que a passagem social do governo Rosinha foi quem quebrou as empresas de ônibus em Campos dos Goytacazes. Essa afirmação não só foi apresentada sem dados concretos que demonstrem a veracidade da mesma, mas desafia a realidade de que durante os mandatos de Rosinha Garotinho não havia o caos que hoje está estabelecido nos serviços de transporte público.  E quem fala isso não sou eu, mas as pessoas humildes com quem interajo e dizem sentir traídas pela piora significativa desses serviços.

Uma pergunta que não foi feita é de quanto deixou de ser entregue na via de aportes públicos às empresas de transporte público com o fim daquela política social, nem de como o aumento da dificuldade de locomoção dentro do município afetou, por exemplo, o comércio local, especialmente aquele destinado aos segmentos mais pobres da população e que funcionavam no centro da cidade de Campos dos Goytacazes.

Finalmente, eu realmente fico curioso para saber como nos próximos 24 meses se pretende dar uma virada nos rumos do governo de Rafael Diniz para que este saia do real do “Vai Ter” para o prometido durante a campanha que era o “Da Mudança”. É que, entre tantas outras coisas, a legislação eleitoral vai começar a estabelecer gargalos para que governantes que queiram concorrer ou apoiar outros candidatos possam realizar gastos sob a forma de políticas setoriais, incluindo a reabertura do restaurante popular. 

A verdade é que o “tic-tac” do relógio não para, enquanto o governo de Rafael Diniz segue sua sina do “Vai Ter”.  Vai chegar uma hora que não haverá espaço nem para promessas ou, tampouco, para ações concretas. E quando isso chegar, não vai adiantar demonizar os adversários políticos que irão, com toda legitimidade, escancarar a falta de ações concretas de um governo que prometeu mundos e fundos e até hoje não passou do “Vai Ter”. 

A velha política pode gerar a nova? A gestão Rafael Diniz prova que não

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O jovem prefeito Rafael Diniz no dia da sua posse onde a promessa de mudança ainda era apontada como o principal marco de sua futura gestão.

Já escrevi incontáveis postagens neste blog, bem como continuarei publicando novas edições da série “Campos dos Goytacazes: entre becos e saídas”, onde analiso o desempenho pífio da gestão do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) à frente da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes. A incapacidade desta gestão de, digamos, entregar o toucinho prometido é evidente por todas as ruas e avenida desta pobre/rica cidade.

Seja no esgoto vazando no canal Campos/Macaé que supostamente foi despoluído numa parceria público/privada entre a prefeitura e a concessionária Águas do Paraíba, ou nas centenas de pessoas que buscam alguma forma de sustento nas esquinas, o fato é que a mudança prometida para melhor não passava de um embuste eleitoral. E, pior, como já foi dito numa das entrevistas que já foram publicadas neste blog, a atual gestão conseguiu reduzir a eficácia da máquina pública (que já não era alta, diga-se de passagem) e temos hoje um misto de incompetência passiva com a arrogância que emana das falas dos menudos neoliberais que fingem que comandam as secretarias municipais.

Mas até aqui, confesso, não disse nenhuma novidade. O ponto que me parece mais significativo se refere à falácia de que o jovem prefeito que venceu de forma acachapante em primeiro turno nos serviria o que seus áulicos ousam rotular de “nova política”.  É que até aqui o temos visto desta gestão, apesar das caras bem barbeadas e das roupas bem  passadas, sempre emana aquele cheiro inconfundível de naftalina.  Isto aparece não apenas repetição de práticas que antes eram condenadas, mas, principalmente, na aplicação de uma forma arrogante de governar onde, sabe-se lá como, os atuais ocupantes do executivo municipal podem até ouvir críticas, mas se reservam um direito quase imperial de continuar tocando as coisas como melhor lhes parece.

E isso meu amigo não tem nada de novo, muito pelo contrário.  É que, independente dos rearranjos em termos de apoios, muitos dos que eram situação  continuaram sendo. E, eu acrescento, de forma inexplicável frente ao claro mandato popular que foi dado para se implantar novas formas de gerir e governar o município de Campos dos Goytacazes. Mas a disposição de confrontar o velho parece ter se esfumaçado tão rapidamente quanto as promessas de que os programas sociais que aliviavam a pobreza extrema de muitos não só seriam mantidos, como também seriam aperfeiçoados.

Entretanto, eu não culpo o jovem prefeito e seus menudos neoliberais pelo cenário desastroso que estamos vivendo neste momento em Campos dos Goytacazes. Na verdade, tudo o que está acontecendo era mais do que previsível, já que o velho nunca gera o novo. O principal problema parece ser a incapacidade existente de vencer a desorganização política para efetivamente implantar novas formas de fazer política, formas essas que finalmente venham a privilegiar os que sempre foram deixados de lado na hora de dividir a riqueza que este município efetivamente gera, a qual continua sendo apropriada por um grupo muito pequeno de famílias, para as quais nunca há crise ou suas manifestações mais medonhas como fome e disseminação doenças que só se reproduzem em condições de grande pobreza e segregação social.