COP 26 chega ao fim em Glasgow

Texto final traz avanços, mas ainda não garante o cumprimento da meta de 1,5ºC

unnamed (40)Ativistas do Greenpeace erguem faixa dizendo “NÃO ESTÁ À VENDA” contra o icônico globo gigante no centro da sala de conferências da COP26 em Glasgow

Glasgow, 13 de Novembro de 2021 – A COP 26 chega ao fim e, apesar de alguns avanços, ainda nos deixa distantes do que seria necessário para garantirmos a meta de 1,5 ºC. O texto final da Conferência do Clima da ONU cita a eliminação progressiva do uso do carvão e dos subsídios aos combustíveis fósseis, mas precisávamos de mais. O texto também traz avanços para as discussões sobre adaptação climática e os países desenvolvidos finalmente começam a responder aos apelos dos países em desenvolvimento por financiamento para lidar com o aumento das temperaturas. No entanto, muito ainda ficou pendente.

“O objetivo em Glasgow era encerrar a lacuna para 1,5 ºC e isso não aconteceu, mas em 2022 as nações terão que voltar com metas mais ambiciosas. A única razão pela qual conseguimos o que fizemos aqui foi porque jovens, líderes indígenas, ativistas e países na linha de frente do clima forçaram concessões que foram feitas de má vontade. Sem eles, essas negociações sobre o clima teriam fracassado completamente”, afirmou Jennifer Morgan, Diretora Executiva do Greenpeace Internacional.

Houve reconhecimento de que os países em situação de vulnerabilidade estão sofrendo perdas e danos reais com a crise climática, mas o que foi prometido até agora ainda está longe das necessidades dos territórios. Essa questão deve estar no topo da agenda dos países desenvolvidos, principalmente na COP 27, que será realizada no Egito, ano que vem. A questão é que as palavras no texto precisam ser, de fato, implementadas pelos países e se tornarem ações.

Com as atuais contribuições apresentadas pelos países, ainda estamos longe do 1,5 ºC – um estudo do Carbon Action Tracker divulgado na COP, apontou para um aquecimento de 2,4 ºC até o final do século se todas as metas para 2030 forem atingidas. Precisamos aumentar a ambição ou estaremos colocando milhões de vidas em risco.

O Brasil deixa a Conferência com a assinatura de dois acordos e o compromisso de revisar sua NDC no ano que vem – assim como todos os países. “Apesar de muito esforço do governo federal para parecer comprometido com o clima e com a preservação da floresta, os dados de desmatamento na Amazônia divulgados na última sexta-feira mostram que mentira tem perna curta”, diz Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil. “Esperamos que essa revisão no ano que vem nos traga ambição – a NDC atual, anunciada aqui na COP, não fez mais do que nos levar de volta aos patamares anunciados pelo governo em 2015”, completa.

Organizações ambientais alertam contra rótulos verdes para gás natural e energia nuclear

ovelhasFoto: imago images / Chris Emil Janßen

Bruxelas. As organizações ambientais alertam a Comissão Europeia contra a classificação da energia nuclear e do gás natural como energias amigas do ambiente. Tal movimento contradiria as medidas que seriam necessárias para limitar a mudança climática a 1,5 graus, disse Sébastien Godinot do WWF na quinta-feira. A inclusão da energia nuclear e do gás natural na chamada taxonomia da UE seria “grosseiramente irresponsável”, disse a ativista do Greenpeace Silvia Pastorelli.

O pano de fundo para isso é o trabalho em andamento pela Comissão da UE em um sistema de classificação para investimentos sustentáveis. Isso deve dar aos investidores diretrizes claras sobre quais investimentos são considerados amigáveis ​​ao clima – o selo, portanto, oferece enormes vantagens financeiras.

Um documento circulou em Bruxelas pedindo que a energia nuclear e o gás fossem incluídos na taxonomia. De acordo com diplomatas, ele vem da França, mas também é apoiado por vários outros países, como a Polônia e a República Tcheca. Até agora, a Alemanha se manifestou claramente contra classificar a energia nuclear como amiga do clima. No entanto, existe um forte lobby para a promoção do gás como uma tecnologia de transição, a fim de garantir o fornecimento de eletricidade após a planejada eliminação da energia nuclear e do carvão.

Segundo os critérios propostos no documento, metade das fábricas de gás existentes na UE seriam consideradas “verdes”, disse Godinot. Também poderia financiar novas usinas de gás que poderiam durar até 2065. De acordo com o economista do WWF, isso não é compatível com os objetivos de proteção climática da UE.

Roger Spautz, do Greenpeace, alertou sobre as consequências ambientais dos resíduos radioativos produzidos pela fissão nuclear. “Em nossa opinião, a indústria nuclear quer entrar na taxonomia porque quer roubar dinheiro para manter seus antigos reatores funcionando”, disse Spautz. Depois de 70 anos, a indústria nuclear ainda não encontrou uma solução para o lixo nuclear, disse Godinot, colega do WWF.

De acordo com a comissária de finanças responsável da UE, Mairead McGuinness, a decisão sobre a classificação do nuclear e do gás deve ser tomada até o final do ano. Os estados membros e o Parlamento da UE têm então dois meses para levantar objeções – caso contrário, a taxonomia entrará em vigor. (dpa / jW)

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Greenpeace condena “sinal verde” por mais uma década de destruição da floresta

Após três anos sem planos para reduzir efetivamente o desmatamento, o governo promete cortar 15% do desmatamento no ano em que termina o mandato

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Vista aérea de um desmatamento na Amazônia para expansão pecuária, em Lábrea, Amazonas / © Victor Moriyama / Amazônia em Chamas

Glasgow, 2 de novembro de 2021 – A COP 26 trouxe uma enxurrada de anúncios sobre a “proteção” das florestas. Entre eles está um novo acordo entre governos, incluindo o Brasil, para conter o desmatamento até 2030. Mas o acordo na prática substitui a Declaração de Nova York sobre Florestas de 2014, que estabeleceu a meta para o ano de 2020 (embora o Brasil não o tenha assinado.

Respondendo de Glasgow ao anúncio, a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, afirma que “Há um bom motivo pelo qual Bolsonaro se sentiu confortável em assinar este novo acordo. Ele estende o prazo para acabar com a destruição da floresta em dez anos, não é obrigatório e, quando se trata de limpar as cadeias de abastecimento, parece ter como alvo apenas o desmatamento ilegal. Mas a Amazônia já está à beira do colapso e não pode sobreviver a mais uma década de destruição, legal ou não. Os povos indígenas estão clamando pela proteção de 80% da Amazônia até 2025, e eles têm razão; é o que é preciso. O clima e o mundo natural não têm condições de pagar por esse acordo.”

Após três anos sem planos para reduzir efetivamente o desmatamento, o governo promete agora cortar 15% do desmatamento em 2022, ano que termina o mandato. Se tivermos em 2021 taxas iguais de desmatamento dos últimos dois anos, esse número estaria por volta de 9.000 Km2, um aumento de 22% em relação ao ano de 2018, véspera do início do atual mandato. O governo antecipou também a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2028, mas a conta não fecha, até lá o governo estaria admitindo quase 42.200 km2 de desmatamento ilegal, uma área maior que a Holanda ou Suíça, por exemplo.

Enquanto o governo brasileiro se aproveita da visibilidade da COP 26 para lançar diversos programas, anunciar novas metas de redução do desmatamento ilegal, cortes de emissões e um plano para acelerar a economia verde, por trás das cenas – como mostrou a reportagem de investigação jornalística do Unearth -, a intenção é outra. O Brasil, ao lado de outros países, tentou interferir nas recomendações do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para excluir as menções à agropecuária como vilão do clima e a importância da adoção de uma dieta baseada em vegetais. É importante lembrar que o desmatamento e a agropecuária representam 72% do total das emissões dos gases do efeito estufa do Brasil. As emissões no país aumentaram 9,5% em 2020, impulsionadas pela destruição da Amazônia — resultado de escolhas políticas deliberadas do governo Bolsonaro.

A falta de ação para reduzir a demanda por carnes e laticínios industriais — uma indústria que está causando a destruição do ecossistema por meio da produção de gado e do uso de soja para ração animal -, nos mostra que há poucas chances do governo cumprir esse acordo e instigar políticas que colocariam o Brasil de volta ao caminho certo para diminuir o desmatamento. Enquanto não adotamos dietas baseadas em vegetais e reduzimos a quantidade de carne industrial e laticínios que consumimos, os direitos dos povos indígenas continuarão a ser ameaçados e a natureza continuará a ser destruída, em vez de ter a oportunidade de se restaurar e se recuperar.

Apesar da redução dos alertas de desmatamento na Amazônia, número ainda é maior que agosto de 2018

Dados do sistema Deter apontam queda de 32% no mês de agosto, mas ainda não é motivo para comemorar

unnamed (40)Queimada sobre área desmatada em área de floresta pública não destinada em Porto Velho, Rondônia

São Paulo, 10 de setembro de 2021 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, apontam que em agosto deste ano 918 km² da Amazônia estão com alertas de desmatamento. Apesar da queda em comparação com 2020, 32% menor, os alertas estão 42.7% maiores do que em agosto de 2018.

“Apesar dos dados divulgados hoje serem menores do que o mesmo mês de 2020, não podemos comemorar, pois é notório que não representa de fato uma queda, é apenas um declínio do padrão de destruição que se estabeleceu nos últimos anos, o “padrão Bolsonaro”. Não podemos normalizar a degradação da Amazônia e nos contentar com baixas tão irrisórias”, comenta Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Veja aqui imagens de desmatamento registradas em julho de 2021

De janeiro a agosto de 2021 os alertas de desmatamento somam 6026 km², praticamente igual ao mesmo período em 2020, onde os alertas somaram 6099 km². Este é o terceiro ano seguido em que o período, de janeiro a agosto, fica acima de 6.000 km2, algo que só ocorreu durante o governo Bolsonaro. O que vemos é o aumento assustador das queimadas, que é a outra face da mesma moeda do desmatamento. Esses números são reflexos não só da política antiambiental do governo, mas também de seus aliados no Congresso Nacional, que tentam aprovar projetos de leis que ameaçam as florestas e seus povos, como os PL 2633, PL 490 e outros. São estes projetos que estimulam e intensificam a corrida de madeireiros, grileiros, fazendeiros e garimpeiros pela ocupação da Amazônia.

“Nesta gestão ainda não existe estratégia capaz de conter os altos níveis de destruição. O fortalecimento dos órgãos ambientais, a criação de unidades de conservação e terras indígenas, o combate à grilagem deveriam ser prioridades. Mas ao invés disso, temos acompanhado as ações dos poderes executivo e legislativo no caminho contrário, estimulando a destruição ambiental ao invés de punir e coibir o crime”, completa Rômulo.

Queimadas na Amazônia intensificam e agosto mantém padrão de devastação dos últimos anos

A alta dos focos de calor registrada confirma o 3° pior mês de agosto dos últimos 11 anos e comprova que a prioridade do governo atual nunca foi proteger o meio ambiente

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São Paulo, 01 de Setembro de 2021 – Dados divulgados hoje pelo sistema de monitoramento do INPE mostram que, neste mês de agosto, o fogo na Amazônia registrou o número alarmante de 28.060 focos de calor. É o terceiro maior índice para o mês desde 2010, perdendo apenas para 2019 e 2020, sendo que todos esses anos foram marcados pelo governo Bolsonaro e sua política antiambiental. A alta segue, mesmo com o Decreto nº 10.735 em vigor desde 29 de junho, que proíbe o uso do fogo, portanto todas as queimadas registradas em agosto são ilegais.

“Desde 2019, a quantidade de focos de calor registrada em agosto tem atingido patamares absurdos. É como se o governo tivesse criado um “padrão Bolsonaro” de destruição, onde os focos de calor e desmatamento são bem superiores em comparação ao período anterior à gestão de Bolsonaro. Tamanha destruição é resultado de uma visão retrógrada de desenvolvimento que não conversa ou beneficia a maioria dos brasileiros, além de seguir na direção contrária dos esforços para conter a emergência climática”, declara Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace.

O estado do Amazonas, pela primeira vez no mês de agosto desde ao menos o ano 2000, concentrou o maior número de focos, foram 8.588, 30% do total, seguido do Pará (28%) e de Rondônia (15%). Os números refletem a preocupante escalada do desmatamento na região do sul do Amazonas, que já vinha sendo identificada pelos sistemas de monitoramento.

Veja aqui imagens registradas recentemente em sobrevoo ao sul do Amazonas e oeste do Pará.

“Estamos vivendo uma crise na saúde e uma crise climática, ambas agravadas com os recordes de queimadas e desmatamento. Mas ao invés de combater o crime ambiental e garantir o bem-estar dos mais impactados pelos incêndios florestais, o governo federal opta pelo enfraquecimento deliberado das políticas de proteção ambiental, enquanto o Congresso Nacional discute projetos que ameaçam as terras indígenas e que vão estimular mais grilagem, desmatamento e queimadas – PL 2633, PL 490 e outros – expondo ainda mais a saúde do povo brasileiro e contribuindo para novas crises hídricas que deixam a conta de luz dos brasileiros cada vez mais cara”, completa Cristiane.

A ameaça às nossas florestas e seus povos vêm de todos os lados, a tese do Marco Temporal, que propõe que povos indígenas só teriam direito ao território a partir de ocupação física deste no dia de promulgação da Constituição Federal, está em discussão essa semana no STF. O julgamento do caso será decisivo para o futuro dos povos e terras indígenas de todo o país, e portanto, a tese do Marco Temporal precisa ser rejeitada. A demarcação e proteção de territórios indígenas são fundamentais na proteção da Amazônia e no combate às mudanças climáticas.

DETER confirma: desmatamento na Amazônia segue fora de controle

Governo e Congresso seguem estimulando a destruição da nossa maior aliada na contenção da crise climática, a poucos dias da divulgação de novas conclusões da ciência para o clima

Fire Monitoring in the Amazon in July, 2021Monitoramento de Queimadas na Amazônia em Julho de 2021

Área queimada em polígono com desmatamento recente, identificado pelo Deter 2021 e Prodes 2019, em Aripuanã, Mato Grosso. Todos os anos o Greenpeace Brasil realiza uma série de sobrevoos de monitoramento, para acompanhar o avanço do desmatamento e das queimadas na Amazônia. 

Monitoramento de Queimadas na Amazônia em Julho de 2021

São Paulo, 06 de agosto, de 2021 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, confirmam a tendência dos meses anteriores: os alertas de desmatamento na Amazônia permanecem em patamares inaceitáveis. Os dados (área com alertas) até o dia 30 de julho, faltando um dia para que encerre o intervalo oficial (agosto-julho) da taxa anual de desmatamento aferida pelo Sistema Prodes (Inpe), apontou para uma área desmatada de 8.712 Km2, o segundo maior acumulado da série histórica do Deter-B.

Já era esperado que o governo não cumpriria a promessa de reduzir o desmatamento em 10%, já que a principal estratégia adotada, a GLO, é comprovadamente ineficiente. Além disso, os órgãos ambientais seguem enfraquecidos, enquanto o Congresso atua como aliado do governo no desmonte ambiental, discutindo e aprovando mudanças danosas na legislação, como o PL 2633/2020, aprovado esta semana na câmara dos deputados.”Se o senado aprovar o PL da Grilagem, estará estimulando o desmatamento de áreas extremamente estratégicas para enfrentar a crise do clima e contribuirá ativamente para o colapso da Amazônia, seguindo na direção oposta dos esforços necessários globalmente para a redução de emissões de gases do efeito estufa”, comenta Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace Brasil.

O acumulado em alertas de desmatamento (agosto 2020 – julho 2021) representa uma redução de apenas 5,47% em relação ao mesmo período anterior e aponta que a taxa oficial de 2021 será muito aquém da redução de 10%, prometida pelo vice-presidente no âmbito nacional e internacional. O cenário da Amazônia é crítico, foram 1.417 km² desmatados apenas no mês de julho, com destaque para o estado do Amazonas, que ocupa a segunda posição, com alertas de desmatamento em 402 km², atrás apenas do estado do Pará, que registrou alertas em 498 km².

Em sobrevoo realizado na última semana de julho, o Greenpeace flagrou diversas áreas com grandes desmatamentos (incluindo um desmatamento de 2.716 hectares, equivalente a 3.888 campos de futebol) que devem queimar nas próximas semanas, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo.

Veja imagens inéditas do sobrevoo aqui

“Estamos à beira da publicação do relatório do IPCC, que deve reforçar o papel das ações humanas na crise climática e a contribuição das emissões de carbono no agravamento de extremos climáticos. A acelerada destruição da Amazônia é um fator que contribui na intensificação de eventos como os vivenciados recentemente no Brasil, que vão desde inundações recordes no norte do país à crise hídrica nas demais regiões, trazendo impactos negativos para a sociedade brasileira como o aumento da conta de energia, do preço dos alimentos, além da ameaça de um racionamento de água e energia”, avalia Cristiane.

Greenpeace sobrevoa a Amazônia e flagra o avanço do fogo sobre a floresta

Dados divulgados pelo INPE e as imagens registradas na última semana de julho, reforçam a ineficiência do governo federal em combater a destruição

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Monitoramento de Queimadas na Amazônia em Julho de 2021. Coluna de fogo avança sobre floresta degradada em Porto Velho, Rondônia

São Paulo, 02 de agosto de 2021 – De acordo com os dados do Inpe Queimadas, julho registrou 4.977 focos de calor no bioma Amazônia, todos ilegais visto que o Decreto nº 10.735 proibiu o uso do fogo no Brasil desde 28 de junho de 2021, mesma data em que o governo federal autorizou novamente o uso das tropas militares para combater as queimadas. Como principal estratégia do governo federal para conter a destruição, a GLO é comprovadamente ineficiente. A Amazônia segue sob intensa ameaça e a ilegalidade e destruição continuam devastando grandes áreas, conforme mostram as imagens registradas pelo Greenpeace em sobrevoo.

Veja as imagens aqui

“É importante analisar os focos de calor considerando também o desmatamento ocorrido recentemente na Amazônia. Muitas áreas foram derrubadas e degradadas recentemente e devem ser queimadas ilegalmente nos próximos meses, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo. O pior está por vir, além dos próximos meses serem mais secos na Amazônia, os órgãos ambientais seguem enfraquecidos e o Congresso Nacional tem como uma de suas prioridades aprovar alterações na lei que incentivam ainda mais destruição ambiental e invasão de terras públicas”, comenta Cristiane Mazzetti, gestora ambiental do Greenpeace.

Enquanto nossas florestas seguem sendo destruídas, representantes ruralistas continuam tentando convencer a opinião pública e a comunidade internacional de que o Brasil está cuidando do meio ambiente. Como fizeram no mês passado ao reforçar a representantes diplomáticos a intenção de aprovar projetos como o PL da Grilagem (PL 2633/2020) que, ao contrário do que dizem os ruralistas, visa anistiar grileiros, ao legalizar o ilegal, além de aumentar a violência e conflitos no campo estimula novos ciclos de invasões marcados por desmatamento e queimadas.

O número de focos registrados na Amazônia em maio e junho já havia sido o maior para esses meses desde 2007. Em julho, houve uma redução de 27% quando comparados ao mesmo mês em 2020. Estados como Rondônia e Acre registraram aumento no número de focos (95% e 29% respectivamente) e a situação no Amazonas segue preocupante: o estado tem se destacado no aumento da devastação e o registrado no mês é superior à média histórica. Conforme ilustrado na figura abaixo:

A linha laranja traz em cada ponto o valor médio de hotspots nos últimos 10 dias, e isso permite comparação com valores médios de longo prazo, nos permitindo entender como os registros atuais se relacionam com a média histórica. A linha em amarelo é composta de pontos representando a média dos últimos 20 anos para cada dia. Gráfico extraído de: https://maps.greenpeace.org/fire_dashboard/?lang=pt, fonte dos dados: MODIS hotspots, com atributos de LANCE FIRMS operado pela NASA/GSFC/Sistema de Informação e Dados Científicos da Terra (ESDIS) com financiamento fornecido pela NASA/HQ.
“O impacto acumulado na Amazônia a partir do fogo e do desmatamento só aumenta, estamos empurrando a floresta cada vez para mais perto do seu limite e minando seu papel de aliada no enfrentamento às mudanças climáticas. Além disso, com a destruição crescente deste bioma rico em estoque de carbono, estamos contribuindo para que extremos climáticos como esses vivenciados recentemente ao redor do planeta e no Brasil se tornem mais frequentes e intensos no futuro”, completa Cristiane.

É Fogo – Dados e perspectivas para a cobertura das queimadas no Brasil

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Greenpeace e LASA (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ) abrem inscrições para o webinar de preparação para cobertura da temporada de fogo na Amazônia

A temporada de seca no Brasil traz com ela o aumento das queimadas, a maioria delas criminosas, e uma série de impactos ambientais, sociais e econômicos que afetam não só as pessoas e o país, mas o mundo.

Mas qual a diferença entre os incêndios na Califórnia, no Cerrado ou na Amazônia? Tudo é culpa das mudanças climáticas? Como é feito o monitoramento do fogo e como interpretar os dados das imagens de satélite? Para os jornalistas, como lidar com a guerra de narrativas e a desinformação promovida até mesmo pelo poder público?

Estas são algumas perguntas que iremos responder no webinar “É Fogo – Dados e perspectivas para a cobertura das queimadas no Brasil”, realizado pelo Greenpeace em parceria com o LASA – Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, nos dias 28 e 29 de julho, das 9h às 12h30.

As inscrições são gratuitas, inscreva-se AQUI e participe!

Greenpeace se manifesta contra Banco Central Europeu

 Novo estudo mostra: títulos de empresas de energia fóssil são preferidos pelo BCE

bce greenpeaceFoto: Bernd Hartung / Greenpeace

Berlim. Ativistas do Greenpeace manifestam-se hoje na sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt, contra a política monetária dos bancos centrais, que é prejudicial ao clima. Depois de pousarem com parapentes, eles rolaram uma grande faixa do telhado do prédio de entrada do BCE com as palavras: “Parem de financiar assassinos do clima!”

Ao mesmo tempo , o Greenpeace publica um novo estudo que mostra, usando o exemplo das garantias de empréstimo aceitas para títulos corporativos, que o BCE favorece maciçamente empresas que são particularmente prejudiciais ao clima. A próxima reunião do conselho com a Comissão Executiva e os presidentes dos bancos centrais europeus terá lugar no BCE na quinta-feira, sob a liderança da Presidente do BCE, Christine Lagarde. »Nosso estudo mostra que o BCE está sistematicamente minando a proteção climática. O Conselho Deliberativo deve apresentar rapidamente uma estratégia de política monetária baseada no Acordo do Clima de Paris ”, afirma Mauricio Vargas, especialista financeiro do Greenpeace.

BCE prefere empresas de energia fóssil

O novo estudo “Tornando o Quadro de Garantias do Eurosistema mais ecológico” analisa o quadro para as garantias de empréstimo aceites pelo Banco Central Europeu. É uma publicação conjunta do Greenpeace e da New Economics Foundation (NEF) e de duas universidades da Grã-Bretanha.

O Greenpeace é particularmente crítico quanto ao fato de que títulos de emissores prejudiciais ao clima se beneficiam de descontos mais baixos ao avaliar o risco, enquanto o BCE classifica os setores mais favoráveis ​​ao clima como mais arriscados e lhes dá descontos maiores. Além disso, o BCE aceita um número desproporcionalmente grande de títulos de empresas de energia fóssil. O estudo sugere três maneiras de reduzir a parcela intensiva em carbono e, portanto, os riscos associados à crise climática do quadro de garantias. Enquanto no primeiro cenário apenas os descontos de risco são aumentados de acordo com os danos climáticos, os dois cenários mais rigorosos também excluem empresas particularmente prejudiciais ao clima.

Com o seu poder de controlo e investimento, a política monetária do BCE é o enquadramento da área do euro. Em particular, a forma como lidam com os riscos climáticos é um sinal para o mundo financeiro europeu. Embora o chefe do BCE, Lagarde, tenha chamado a atenção para a conexão entre os riscos climáticos e a estabilidade de preços no ano passado, uma reforma da política monetária ainda está pendente. A nova estratégia de política monetária anunciada para a primavera de 2021 foi adiada até agora. WL

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui! ].

Greenpeace lança nota de R$ 2,3 milhões, em alerta sobre o Pantanal

Com criação da agência GUT, cédula traz o número de hectares queimados até o momento

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Um bioma inteiro ameaçado de extinção. Esta é a imagem de nota de R$ 2,3 milhões que o Greenpeace lança, em um protesto virtual nas redes sociais, para mostrar o real valor do descaso com o meio ambiente. O valor se refere à quantidade de hectares destruídos até o momento com o incêndio no Pantanal.

Somente nos 20 primeiros dias de setembro, o Pantanal registrou 5.820 focos de calor, um aumento de 101% em relação a setembro todo do ano passado. Além do Pantanal, a Amazônia também já registrou 27.486 focos entre os dias 1 e 20 de setembro, um aumento de 37% em relação ao mês de setembro inteiro de 2019.

Confira imagens do Pantanal aqui e da Amazônia aqui

“É devastador observar o quanto o Brasil está em chamas e vamos pagar uma conta muito alta por isso. A situação saiu do controle e atingiu um nível lamentável por conta do descaso das autoridades, colocando em cheque o nosso futuro, a biodiversidade e o clima. Precisamos urgentemente de medidas efetivas de curto, médio e longo prazo para combater e prevenir o desmatamento e as queimadas. O nosso patrimônio está sendo transformado em cinzas e essa nota é uma forma de alertar os brasileiros sobre a escala da destruição. Não são apenas nossos biomas queimando, mas também a nossa economia e o nosso futuro”, afirma Cristiane Mazzetti, porta-voz de florestas do Greenpeace.

A criação para a ação do Greenpeace é da Agência GUT, que trouxe a efígie da República chamuscada pela fuligem da queimada, no entorno da máscara, em referência aos tempos de Covid-19. Há ainda uma onça pintada caída e o retrato da queimada em árvores e nas matas.

Faça download da nota aqui

“As notas do Real trazem sempre uma espécie brasileira ameaçada de extinção e desta vez fizemos referência a um ecossistema inteiro que está em risco. Criamos a hashtag #NotadoPantanal para envolver a população nesta causa e engajar as conversas nas redes”, afirma Bruno Brux, ECD da GUT.

Assessoria de Imprensa Greenpeace