Memória, greve e insurgência: 11 de agosto, dia nacional de lutas em defesa da Educação Pública*

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Por Luciane Soares Silva**

Hoje temos uma data especial em nosso calendário. Em um momento de ataque à educação e especialmente às universidades públicas, temos em nossa agenda, o dia do Estudante. Uma data estabelecida a partir da criação das Faculdades de Direito do Recife e São Paulo em 1827. Creio que como não poderia ser diferente, este texto dialoga com as novas gerações. E como representante de uma associação docente, sinto-me muito a vontade para desenvolver a seguinte reflexão: qual a relação entre memória, democracia, greve e luta pela Educação Pública?

Devo começar por minha própria experiência. A primeira greve que acompanhei, foi a dos químicos em Porto Alegre. Ainda era perceptível o medo dos trabalhadores, creio que estávamos em 1983. o método dos carros de som e das mobilizações chamou minha atenção pois ainda não tinha presenciado tantas pessoas reunidas em um espaço aberto. Todos eram trabalhadores de um mesmo ramo de atividades. Acompanhei de muito perto aos 12 anos as eleições de 1989 que tinham candidatos tão curiosos quanto performáticos. Um deles, como vocês sabem, foi eleito. Fazia exercícios físicos, confiscou a poupança. Precisou de alguma ajuda de publicitários para parecer parte do povo.

Em 1992 participei ativamente das manifestações que tomaram o pais e ganharam as mídias a partir do termo “caras pintadas”.  Ainda naquele ano, lembro de que nossa professora de história nos apresentara Danton e em literatura, Mário de Andrade e Macunaíma. Considerando que meu desempenho com a tabela periódica era sofrível e com logaritmos não era melhor, diria que Danton e Macunaíma salvaram meu último ano de ensino médio em 1992. Aos 17 anos, sofri em minha escola a intervenção imposta pelo governador Alceu Collares. Enviaram para lá uma diretora que vinha de administração do Presídio Feminino Madre Pelletier. Os alunos ocuparam a escola nos três turnos, a imprensa foi chamada, portas foram quebradas, banheiros interditados e os dois diretores permaneceram isolados na sala dos professores por 24 horas, temendo sair daquele espaço.

Lembro perfeitamente do medo que meus pais, dois operários, tinham em relação aos problemas com a polícia, com o Estado. É sobretudo pela repressão que estes regimes têm mantido a população “pacífica” no Brasil. Mas eu não diria que há uma população pacífica e sim pacificada. Era nosso direito, como estudantes, permanecer com uma direção eleita. Professores que foram essenciais na minha formação e que teriam de submeter suas atividades à um governo que obrigou centenas de famílias gaúchas a dormirem em filas intermináveis para assegurar uma vaga na escola para seus filhos. Tenho viva esta memória de resistência em minha escola e esta considero a principal lição  aprendida (claro que foi importante também, entender genes dominantes e recessivos para passar na UFRGS, em janeiro de 1993). Uma escola democrática não diminui a exigência quanto ao domínio de conteúdo. Mas podemos sim, falar em gênero, racismo e homofobia, mitocôndrias e Bhaskara.

Anos mais tarde, eu conheceria um dos filmes que desde então exerce um fascínio sobre minha relação com a classe trabalhadora: “Eles não usam Black Tie”. Em 1958, como peça de teatro de Gianfrancesco Guarnieri, o tema dos operários ganhava espaço dentro do movimento conhecido como Cinema Novo. Filmado por Leon Hirszman no fim da década de 70, mas exibido apenas na decada de 90, o filme estava enquadrado em um período  de avanço da crise econômica gerada pelas metas de modernização da ditadura. O drama vivido entre um pai sindicalista e um filho “fura-greve” nos serve perfeitamente como pano de fundo para o dia 11, dia não só do estudante mas de mobilizações pela Educação Pública em todo Brasil.

O desejo de Tião, de viver sua vida confortável com sua esposa e seu filho entra em conflito com o de seu pai, Otávio, sindicalista. Tião decide entrar na fábrica para trabalhar, demonstrando desconsiderar o movimento. Tião tem um discurso imediatista, que pretende apresentar como superior ao desejos dos demais trabalhadores. Tião imagina poder jogar com o patrão, ser mais esperto, alcançar um padrão de vida que o distinguiria dos demais. Suas ambições são frustradas quando a noiva, grávida, protagoniza um dos discursos que mais me marcaram na juventude: tudo que ele queria, ela também almejava. O amor, o filho, a casa bacana. Mas sua pergunta, após levar pontapés na barriga dos policiais que reprimiram a greve era mas a que custo Tião, a que custo?”.

Ao não aceitar o comportamento do noivo, ela rompe com um papel esperado da mulher e acena com o novo. E o novo tem seu preço. A dissolução do casamento e da relação familiar entre pai e filho, explicita a crítica do diretor ao projeto de vida do personagem. E me lembra uma discussão de Theodor Adorno sobre a personalidade fascista. Sobre a adesão de parte da população a discursos de violência e ódio ao próximo (neste caso o ódio pode ser endereçado ao vizinho, ao sírio ou mesmo ao professor). Tião acredita em uma possível aliança com o sistema para o qual trabalha. E despreza aqueles que como seu pai, seriam os “perdedores da história”. História neste caso, como um termo semiótico. A classe, o projeto de vida, o trem do tempo, o destino de Tião e sua noiva.

A que custo devemos permanecer trabalhando diante de um governo afundado em crises internas e de representação? Pergunto às novas gerações, a que custo devemos apoiar um comportamento de defesa dos interesses individuais ou mesmo de uma categoria? Uma greve não é apenas um instrumento de reivindicação salarial. Não! Uma greve é um processo fundamental de interação e produção de laços de solidariedade. É também uma sinalização sobre um horizonte possível — Certamente antes dos operários de 1917, deveria parecer impossível realizar uma greve geral no Brasil. E percebam que, em 2017, vimos as potencialidades de organização da classe trabalhadora em sua greve geral de 28 de abril.

Caros estudantes, é preciso sonhar com muito mais que um diploma de agronomia. É preciso sonhar com a agricultura familiar. É preciso acreditar que além de um título em arquitetura, devemos pensar cidades mais humanas. Que além de alfabetizar, é preciso compreender que meninas negras têm outras experiências e elas devem estar nos livros de gramática. Aos estudantes da Uenf eu digo que este é sem dúvida um dos momentos mais difíceis desta universidade.

Mas a importância das Comissões da Verdade, das teses e dissertações sobre Estado Novo, Ditadura, Upps, é manter viva em nossa memória as vidas daqueles que ousaram pensar outro mundo e foram tragados, torturados, mortos e desaparecidos nas mãos do Estado. E eles pararam, escreveram panfletos, foram às ruas. Inseriram no cenário, arte de contestação, a cara da periferia, os desejos dos campesinos, as mãos dos negros. Os pequenos documentários que realizamos na disciplina de pensamento social iam muito além de escolher entre 7,5 e 9,4. Eram a possibilidade de apresentar Darcy, Guerreiro Ramos, Sérgio Buarque, Nina Rodrigues a platéias que nunca ouviram falar destes nomes.

Manter uma universidade viva é manter uma universidade cumprindo este papel Menos que isto não me interessa.

*Luciane Soares Silva é presidente da Associação de Docentes da Uenf e professora associada do Laboratório de Estudos sobre a Sociedade Civil e o Estado (Lesce) do Centro de Ciências do Homem.

*Artigo originalmente publicado pelo jornal Folha da Manhã [Aqui!]

Resistência  resignada,  na prática, é submissão. O caso das universidades estaduais do Rio de Janeiro

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Professores da Uenf protestam em frente do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, contra o confisco dos seus salários pelo (des) governo Pezão.

Em  face da crise provocada nas universidades estaduais do Rio de Janeiro tornou-se corrente a ideia de que continuar trabalhando como se não faltassem salários e aportes mínimos de custeio seria uma forma de resistir ao projeto privatizante que está por detrás dessas ações do (des) governo Pezão. Essa forma de resistência passiva é encantadora e desperta em muitos aquela velha noção de que ser professor é uma espécie de sacerdócio, onde o sacrifício em nome do bem comum serve para enobrecer quem o pratica.

Um problema inicial em torno da ideia do trabalho sem remuneração e em condições impraticáveis é que nisso não há nada de sacerdócio, mesmo porque os sacerdotes da Igreja Católica são muito bem amparados para que disseminam as suas doutrinas religiosas.  O nome correto para trabalhar em condições degradantes e sem pagamento dos salários devidos  é, na verdade, escravidão.

Assim, num país com tamanho legado escravocrata como o Brasil, aceitar a ocorrência de trabalho não remunerado em universidades públicas  deveria ser a primeira coisa a causar a insurgência contra os (des) governantes de plantão. Mas não, esse tipo de burla das regras básicas na relação patrão X empregado acaba sendo vendido como um exemplo de um estoicismo [1] de botequim  que apenas serve aos interesses de destruição das universidades enquanto entes públicos. É que enquanto sofrem servidores e aposentados, o dinheiro público continua fluindo para os bancos e para as Organizações Sociais (OSs) para quem não há qualquer tipo de crise.

Mas para quem acha que a força desse estoicismo canhestro é pequeno, sugiro que visite os campi das três universidades estaduais existentes no Rio de Janeiro, pois ele está muito bem entranhado nas práticas cotidianas que resistem à qualquer movimento que efetivamente dê nome aos bois (no caso o governador Luiz Fernando Pezão) e as práticas dos mesmos.

Falar em movimentos que questionem o pano de fundo do confisco salarial dos servidores se tornou um ato pecaminoso para os estoicistas de botequim. Eles preferem apontar para a nobreza do gesto de trabalhar e acumular dívidas. As razões para esse tipo de comportamento podem estar na negação do próprio papel enquanto pertencentes à classe trabalhadora já que muitos se veem assim por serem detentores de títulos de mestres e doutores. Entretanto, acredito que a razão principal para que se concorde com o desmanche do aspecto público das universidades é que muitos entendem que o Estado não deve mesmo investir no ensino público para os pobres. Em suma, há uma opção de classe subliminar para que se abrace o estoicismo de botequim, seja qual for a forma em que o mesmo se apresente.

Por isso, toda vez que alguém vem me dizer que devemos resistir e trabalhar normalmente e sem salários, a leitura que faço é que a pessoa que enuncia o discurso é inimiga da possibilidade que os pobres tenham acesso a boas universidades, e que se resignem ao destino que a burguesia brasileira lhes reservou enquanto classe eternamente subalterna.

Um colega que é professor da UFF/Campos afirmou recentemente num evento público no campus da Uenf que mais do que resistir, o que deveríamos fazer contra os (des) governos de plantão no Rio de Janeiro e Brasília seria adotar a insurgência como lema. Eu concordo plenamente com esse colega. Não dá mais apenas para resistir, ainda mais na forma passiva que tem dominado esta dita resistência. Temos mesmo que nos insurgir contra este ataque em regra às instituições públicas que minimamente vem possibilitando a milhões de brasileiras possam ascender do interior dos grotões sociais para os bancos escolares. 

E neste processo não haverá espaço para o estoicismo de botequim que nos mantem paralisados frentes aos múltiplos ataques que estão sendo realizados contra o pouco de modernidade que se permitiu instalar no Brasil. E, por isso, não há como aceitar o que está sendo feito contra as universidades estaduais do Rio de Janeiro de forma resignada, pois isso seria a forma mais vil de submissão.

Mas a excelente notícia que brota como sementes da insurgência de dentro dos campi da Uenf, da Uerj, da Uezo e da Faetec é que os que rejeitam a resignação é maior do que os já resignados. E como bem  bem já disse Bertold Brecht “do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém chama de violentas as margens que o oprimem”.  

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[1] Estoicismo é uma doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade

As universidades do Rio de Janeiro não estão paradas, mas sim em greves de insurgência contra sua destruição programada

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Para o olho menos treinado, universidades onde um ou mais segmentos decretam greves estão paradas. Mas eu diria que é apenas durante greves que as universidades brasileiras chegam perto do tipo de movimento que a sociedade exige delas em termos de reflexão sobre a nossa dura realidade.

Como participante de diversas greves desde que cheguei na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) afirmo sem medo de errar que foi durante esses ricos processos de mobilização política que pude ver as nossas muitas mazelas discutidas de forma ampla e franca.

Um argumento que ouvi de forma repetida ao longo de quase 20 anos é que greves não resolvem nada em universidades porque elas não param a produção como fazem metalúrgicos ou petroleiros.  Depois de muito pensar sobre este argumento, cheguei à conclusão que vai de encontro às teses levantadas para apontar uma suposta inutilidade em nossas greves. É que basta olhar para o meu contra-cheque ou simplesmente para o número do CNPJ da Uenf que todas essas conquistas (sim, a Uenf ter seu próprio CNPJ é uma enorme conquista) resultaram de greves que foram muito duras, pois os governantes de plantão raramente aceitam argumentos lógicos.

Entretanto, a minha tese é de que somente nos períodos de greve que os governantes realmente se apavoram com o principal produto gerado por universidades, qual seja, o pensamento crítico que desnuda a real natureza de suas políticas. Por isso, sempre que há uma greve, os governantes oscilam das ameaças diretas ao sentar na mesa para que se cheguem a algum tipo de solução que encerre o movimento grevista.

No caso atual das três universidades estaduais do Rio de Janeiro cujos professores estão em greve para demandar o pagamento dos seus salários atrasados, é possível notar que as manifestações associadas aos grevistas pela mídia corporativa vão muito além disso. O principal aspecto, aliás, se refere  à recusa ao projeto de destruição da natureza pública dessas universidades em prol das chamadas “Parcerias Público Privadas” e da cobrança de mensalidades dos estudantes.  Nesses dois quesitos, ao entrarem em greve, os professores da Uenf, Uerj e Uezo levantam barreiras objetivas ao projeto de  ” precarizar para depois privatizar” as universidades estaduais.

Por isso, não se deixe enganar pelo que diz o (des) governo Pezão e seus áulicos na mídia corporativa. As universidades estaduais não estão paradas por causa da greve dos professores. Elas estão sim é um processo franco de insurgência contra um (des) governo que trabalha de forma diligente para remover a possibilidade de que jovens pobres possam ter direito a um tipo de ensino superior que só é oferecido por universidades públicas e gratuitas.

E se eu não estiver enganado,  nos próximos dias e semanas veremos muito movimento partindo de dentro para fora das universidades. É que toda energia que estava represada por um funcionamento totalmente precário vai ser liberada e jogará luz sobre os danos que o (des) governo Pezão vem causando nestas entidades públicas.

 

 

Professor da UFF/Campos apoia greve dos professores da Uenf com charge

 O cientista político Márcio Malta, professor da Universidade Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes,  é também um chargista talentoso. Em mais um ato de solidariedade à luta dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o professor  Malta produziu a charge abaixo.

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Em um tempo de ataques tão duros às universidades públicas brasileiras, em especial as estaduais do Rio de Janeiro, este é um gesto de solidariedade que fortalece a disposição dos que querem lutar para defender o ensino público no Brasil.

Ao professor Malta, os meus sinceros agradecimentos.

Comando de Greve da Aduenf envia documento ao (des) governador Pezão requerendo audiência

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O Comando de Greve dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) enviou no início da tarde desta 6a. feira uma correspondência ao (des) governador Luiz Fernando Pezão para comunicar o início da greve por tempo indeterminado determinada pela assembleia realizada no dia de ontem (03/08) [Aqui! ].

A correspondência aponta ainda para uma série de particularidades existentes na Uenf que torna a falta de pagamento dos salários dos professores ainda mais grave. O principal aspecto levantado é de que por cumprir contratos em regime de Dedicação Exclusiva, todos os professores da universidade estão impedidos de possuírem outras fontes de vencimento. Em outras palavras,  o fato de se dedicarem integralmente à Uenf, os professores agora sofrem o ônus de trabalharem sem sua única fonte de renda!

Interessante notar que em meio ao caos criado nas universidades estaduais, o (des) governador Luiz Fernando Pezão enviou para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o qual foi rapidamente aprovado e promulgado, para a retomada da farra de isenções fiscais que já custaram aos cofres estaduais mais de R$ 200 bilhões entre 2007 e 2016.  Em outras palavras, a crise que vive o Rio de Janeiro é seletiva, mas muito seletiva mesmo!

Felizmente agora os professores das três universidades estaduais decidiram partir para um processo de explicitação dessa seletividade ao se recusarem a continuar mantendo as universidades abertas sem que sequer seus salários sejam pagos.

Greve na UENF: Comando dos professores envia documento ao governador para requer audiência

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O Comando de Greve  da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) enviou na tarde desta 6a. feira (04/08) um ofício ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, informando sobre a deflagração do movimento paredista causado pelo atraso no pagamento dos salários de Maio e Junho e do 13o.salário de 2017 (ver  abaixo reprodução digital da correspondência).


O documento solicita que o governador do Rio de Janeiro realize uma audiência com o Comando de Greve da ADUENF para que se chegue a uma solução para o impasse criado pela falta do pagamento dos salários. No documento ainda há uma menção ao fato de que os professores da Uenf são uma das poucas categorias do serviço público estadual que cumprem contratos no regime de Dedicação Exclusiva, o que torna a falta de pagamento dos salários um problema ainda mais grave, visto que os mesmos estão assim legalmente impedidos de possuírem outras fontes de vencimentos.

A mesma correspondência foi enviada para o reitor da Uenf, Luís Passoni, e para os secretários de Fazenda, Gustavo Barbosa, e o de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca.

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/greve-na-uenf-comando-dos-professores.html

Notícias da ADUENF: Professores da UENF entram em greve por tempo indeterminado

Em uma assembleia que contou com a participação de mais de 120 professores, e após uma exaustiva discussão sobre como enfrentar a grave crise causada pela falta de pagamento de salários e bolsas, foi aprovada a proposta da diretoria da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) de entrada em greve por tempo indeterminado.  Isto implicará na suspensão imediata das aulas dos cursos de graduação e pós-graduação.

A decisão por ampla maioria foi alcançada após a diretoria da ADUENF apresentar um balanço das reuniões realizadas na Secretaria Estadual de Fazenda em que ficou evidente a indisposição do governo Pezão de sequer apresentar um calendário para o pagamento dos quatro salários devidos aos professores.  Nesse quesito causou especial comoção a afirmação do chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Fazenda de que a decisão de pagar ou não os salários dos professores da UENF  é uma “decisão de governo”.

Um aspecto que ficou bastante claro na assembleia é que a ampla maioria dos professores presentes considera inaceitável  o tratamento que tem sido dispensado à UENF, não apenas no tocante ao atraso dos salários dos servidores e bolsas que sustentam os estudantes, mas também na falta de repasses financeiros para a instituição custear suas atividades essenciais.

O Comando de Greve da ADUENF realizará uma primeira reunião nesta 6a. feira (04/08) para organizar um cronograma de atos políticos para pressionar o governo Pezão a mudar sua atitude em relação às universidades estaduais.

A UENF é um patrimônio da população do Rio de Janeiro e não aceitaremos a sua destruição de forma passiva. Essa é a mensagem que emerge de uma assembleia histórica e que certamente terá fortes repercussões na luta em defesa da UENF.

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/professores-da-uenf-decretam-greve-por.html

Notícias da Aduenf: Greve de professores na UERJ, assembleias na UEZO e na UENF

Em uma assembleia bastante concorrida, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) mantiveram por expressiva maioria a greve iniciada no dia 06 de Julho.

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Os professores da  Uerj exigem a regularização dos pagamentos dos salários para retomarem às atividades.  O primeiro ato da greve será o Quem Paga O Pacto? Crise E Financiamento Nas Universidades | UerjNaPraça, nesta quinta-feira (03/8), com as participações dos professores Bruno Sobral e Lia Rocha.

A presidente da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF), professora Luciane Soares, esteve presente na assembleia da Uerj e se manifestou no sentido de ressaltar a importância de que sejam realizadas ações conjuntas entre os servidores das três universidades estaduais para combater o projeto de destruição que está sendo executado pelo governo do Rio de Janeiro.

Nesta 4a. feira (02/08) será a vez dos professores do Centro Universitário da Zona Oeste (Uezo) se reunirem para decidirem se também entrão em greve pelos mesmos motivos que motivam a greve na Uerj.

Já na próxima 5a. feira (03/08) será a vez dos professores da Uenf realizarem sua assembleia para decidir como fazer frente aos ataques realizados pelo governo do Rio de Janeiro. A assembleia dos professores da Uenf ocorrerá no auditório 2 do P-5, a partir das 16:00 horas.

FONTE: https://aduenf.blogspot.com.br/2017/08/greve-de-professores-na-uerj.html