Greve continua no Porto do Açu

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Trabalhadores do Porto do Açu prosseguem com manifestação nesta sexta-feira (8)

Por Isis Rodrigues para o Portal OZK

Trabalhadores de duas empresas do Complexo Portuário do Açu, em São João da Barra, realizam uma nova manifestação na manhã desta sexta-feira (8), na altura da localidade de Rua Nova – 5º Distrito. Hoje é o terceiro dia consecutivo de protesto.

De acordo com informações obtidas pelo Portalozk.com , duas empresas do Porto estariam realizando demissões em massa sem pagar os direitos dos colaboradores. Além disso, eles reivindicaram a falta de plano de saúde. A Andrade Gutierrez informou que “os acessos ao Porto Açu estão liberados”. Os ônibus foram parados na altura de Rua Nova. 

Nesta quinta houve uma reunião das duas empresas para tentar avançar nas negociações. Já que os trabalhadores querem que o final de ano seja pago trabalhando aos sábados até fevereiro e nem todos  tem previsão de quando serão demitidos.

Confira as reivindicações:  equiparações de salário, auxílio moradia, Ticket alimentação, folga de campo, forma de pagamento de dias em relação ao final de ano.

Nesta quarta, por volta das 08h, após não ter acordo, os trabalhadores foram liberados para suas casas.

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Esta nota foi originalmente publicada pelo Portal OZK New [Aqui!].

Greve de trabalhadores a outra face do “farinha pouca, meu pirão primeiro” do Porto do Açu

IMG-20191106-WA0009-1.jpgTrabalhadores das empresas Andrade Gutierrez e Acciona no Porto do Açu estão mobilizados para lutar por seus direitos trabalhistas

A implantação e o funcionamento do Porto do Açu no litoral norte do Rio de Janeiro têm sido marcados pela eclosão de movimentos paredistas organizados por trabalhadores que denunciam de tempos em tempos a realização de demissões em massa sem que sejam pagos os direitos  trabalhistas devidos.

Após algum tempo de aparente calmaria no interior do Porto do Açu,  há desde ontem (06/11) um forte movimento que impede a chegada dos trabalhadores no interior do megaempreendimento construído pelo Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista e hoje controlado pelo fundo de “private equity” EIG Global Partners.

Segundo o Portal OZK, o movimento paredista iniciado ontem é realizado por trabalhadores das empresas Andrade Gutierrez e Acciona que se mobilizam por causa do descumprimento de direitos devidos em processos de demissão. 

Essa situação vai de encontro à imagem cuidadosamente pintada de que o Porto do Açu seria uma espécie de redenção para os problemas sociais existentes em São João da Barra e nos municípios que o circundam.  A verdade é que, mais uma vez, os trabalhadores do porto são obrigados a impedir o seu funcionamento para garantir o pagamento de direitos.

Essa não é a primeira vez que isto ocorre e, muito provavelmente, não será a última. É que como no caso das desapropriações, o que vale é o lema do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.  Como no caso dos agricultores desapropriados por Sérgio Cabral, os trabalhadores do Porto do Açu são aquelas que ficam sem a farinha e o pirão.

Convocando a solidariedade aos professores das universidades estaduais da Bahia

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ANDES-SN lança campanha de solidariedade a docentes da Ueba

Fundo Nacional Permanente de Solidariedade aos Docentes foi aprovado no 37º Congresso da entidade

O ANDES-SN divulgou, na última sexta-feira (31), uma campanha para ajudar financeiramente os docentes das universidades estaduais da Bahia (Ueba). A categoria, em greve desde abril, teve o salário cortado pelo segundo mês consecutivo. O movimento paredista tem sofrido ataques à carreira e aposentadoria, arrocho salarial e contingenciamento de verbas nas universidades.

 

Docentes das Ueba em greve se manifestam em Salvador

O Fundo Nacional Permanente de Solidariedade aos Docentes será administrado pelas seções sindicais das Instituições Estaduais de Ensino (Iees) e pela diretoria da Regional Nordeste III do ANDES-SN. Uma conta criada irá receber doações de professores, das seções sindicais e outras entidades do movimento sindical e popular. A verba ajudará nas ações políticas das seções sindicais das quatro universidades – Uneb, Uesc, Uefs e Uesb.  Já os recursos serão repassados aos docentes na forma de empréstimos, que deverão ser quitados quando for regularizado o pagamento dos salários.

Caroline Lima, 1º secretaria e coordenadora do Setor das Instituições Estaduais e Municipais de Ensino (Iees/Imes) do ANDES-SN, afirma que o Fundo auxiliará os professores a resistirem até que a pauta de greve seja atendida.

“É importante que o ANDES-SN e as seções sindicais se empenhem nessa arrecadação e garanta minimamente as condições dos professores em sobreviver nesse período de corte nos salários. No caso da  Bahia, o governador Rui Costa [PT] está criminalizando o movimento grevista. Ele deu uma declaração de que não estaria pagando os salários dos professores para não parecer que eles estivessem ‘em férias’”, criticou a docente.

“Esperamos, através do debate de solidariedade de classe, uma contribuição para os professores das estaduais da Bahia que estão sem salários. A tesoureira do Sindicato Nacional, Raquel Dias, estará em Salvador, dando apoio e tirando dúvidas sobre o Fundo”, completou a diretora do ANDES-SN.

Os dados bancários foram divulgados na Circular 215/19 – Conta Corrente: 403727-8, Agência: 3599-8, Banco do Brasil. O CNPJ é: 00676296/0001-65. De acordo com o documento, é fundamental também que, além das doações das seções sindicais, a campanha seja divulgada junto à comunidade acadêmica e aos movimentos sociais, para que todos se envolvam nessa campanha de solidariedade.

Ataques

 

Docentes das quatro universidades estaduais da Bahia estão em greve

Nas quatro universidades estaduais, os direitos trabalhistas são desrespeitados, a exemplo das promoções, progressões e alterações de regime de trabalho. Somando-se a isso, o contingenciamento da verba destinada para investimento e manutenção das universidades estaduais, ano após ano, tem inviabilizando o funcionamento cotidiano das IEES baianas. Uma parcela significativa do recurso previsto no orçamento anual para esta rubrica não tem sido repassado.

Para ela, o fundo é uma conquista do ANDES-SN. “O debate conseguiu avançar e hoje pensamos para além das Estaduais, como também as Federais que também podem passar por isso durante uma greve e ter os salários cortados”, concluiu.

Fundo

Em junho de 2017, o Sindicato Nacional criou um fundo de solidariedade aos docentes das universidades estaduais do Rio de Janeiro devido ao atraso do pagamento de seus salários. No ano seguinte, durante o 37º Congresso do ANDES-SN, em Salvador, os docentes deliberaram pela transformação em um Fundo Nacional Permanente de Solidariedade aos Docentes.

Confira a Circular nº 215/19

Imagens de Fórum das ADs

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A matéria sobre a greve das universidades estaduais da Bahia foi originalmente publicada pelo ANDES-SN [Aqui!].

Professores portugueses entregam em greve contra a precarização da sua profissão

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Desde ontem entrei em contato direto com a capacidade de mobilização dos sindicatos portugueses.  O primeiro encontro foi no dia ontem e se deu em função da greve dos ferroviários que decidiram realizar um movimento paredista para exigir a contratação de mais trabalhadores para atender a malha ferroviária portuguesa.  O segundo encontro está sendo hoje com a greve por tempo determinado dos professores das escolas públicas que realizam um movimento para exigir a contagem correta do seu tempo de serviço que foi congelado durante os anos de reinado dos governos controlados pela Troika,  mudanças nos horários de trabalho e no tempo de trabalho para aposentadorias [1].

Um detalhe importante sobre a situação do número de professores nas escolas portugueses é que durante os 9 anos de governos associados à Troika, o número de servidores desta área diminui, e a situação não alterada após a entrada no governo da chamada “Geringonça” que removeu o governo ultraneoliberal comandado por Pedro Passos do Partido Social Democrático (PSD) (ver figura abaixo). Nesse sentido,  pauta da greve dos professores representa um desafio para os membros da aliança de esquerda que governa Portugual neste momento. 

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Agora uma coisa interessante é que em ambas as greves, a cobertura que os jornais portugueses estão dando seria vista como de esquerda no Brasil polarizado pela atual campanha eleitoral onde o deputado federal Jair Bolsonaro já apontou que seria favorável à implantação do ensino à distância desde o ensino básico.

Já a população portuguesa parece aceitar as greves como algo inerente ao  funcionamento da sua democracia. Algo que os coxinhas brasileiros que estão por aqui devem estar estranhando bastante.


[1] https://observador.pt/2018/09/19/professores-marcam-nova-greve-para-outubro/

A Uenf e sua insustentável aparência de rotina retomada

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Às vésperas de completar um mês do retorno às aulas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), já se pode ver que a rotina que muitos anseiam por ter está restabelecida, ao menos na superfície. Há aquele característico ir e vir de estudantes e professores por corredores mal iluminados, entrando e saindo de salas de aula em que o calor insuportável é uma das marcas principais, junto com a falta de ventiladores, é claro. Ah, sim, e no meu caso há também a verificação de que todo o clamor por aulas não se traduziu em frequência nas mesmas após sua retomada.
Por outro lado, as juras feitas por grupos de professores e estudantes desafetos do movimento de greve parecem ter tomado um rumo ignorado, tal qual um pistoleiro solitário rumando em direção do pôr-do-sol num daqueles filmes de western que fizeram a gloria de John Wayne e Edward Dew. Fica evidente que todo o ruído feito era simplesmente para o restabelecimento da rotina, a qual mesmo tendo sido precariamente obtida, já é suficiente para que se esqueçam as promessas de mobilização e resistência.
Aliás, a única coisa nova nessas 3 semanas de aula foi a ocorrência de uma campanha de denúncia de ocorrência de assédios moral e sexual contra estudantes por parte do autodenominado Coletivo Uenfiano de Mulheres. Mas mesmo essa campanha não motivou nenhum esforço mais sério de reflexão sobre o estado de coisas dentro da Uenf.
Mas afinal qual é o estado atual da Uenf? Para quem não sabe, até hoje a espetaculosa vitória (de Pirro) obtida na chamada PEC 47 não garantiu ainda o aporte de recursos financeiros que permitam à universidade voltar a funcionar com um mínimo de normalidade. Restou aos professores que ainda não viram a cor do seu 13º. salário de 2017 voltarem a colocar a mão no bolso para bancar pequenos consertos e compras de materiais essenciais para suas atividades profissionais. Em outras palavras, os professores da Uenf, cansados de guerra ou não, voltaram a usar seus salários como único mecanismo de financiamento de atividades básicas, repetindo uma rotina que tornou marca registrada a partir de 2015 quando o (des) governo Pezão iniciou seu processo deliberado de asfixia financeira de uma das melhores universidades brasileiras.
Como não há qualquer garantia que os salários não voltarão a atrasar ao longo de 2018, a Uenf hoje está sentada (ou assentada) sobre uma bomba relógio. É que se os atrasos voltarem, mesmo que a greve não retorne, mesmo a precária estabilidade existente não será mantida.
Interessante notar que agora que a Uenf não é mais palco de uma greve, aqueles veículos de mídia que ganharam agrados do (des) governo Pezão para achincalhar a greve de professores e servidores sem salários perderam completamente o interesse em cobrir o cotidiano da universidade. É que certamente não há interesse em se noticiar como a sabotagem feita pelo (des) governo Pezão causa prejuízos quase irreparáveis ao tripé ensino-pesquisa-extensão e, por consequência, na capacidade da Uenf de responder aos múltiplos desafios colocados pela atual conjuntura política e econômica, especialmente no município de Campos dos Goytacazes.
A mim resta a certeza de que o processo de insurgência contra o desmonte da Uenf que foi sintetizado pela greve de 6 meses serviu para criar um caldo de cultura que servirá para os inevitáveis que ainda ocorrerão em 2018. É que se dependêssemos das juras de amor dos inimigos das greves, a coisa já estaria perdida.
Finamente, que ninguém se iluda com os festejos oficiais de 25 anos que estão sendo promovidos pela reitoria da Uenf. É que não há qualquer motivo para festejar seja o que for neste momento. Nosso tempo e energia serão melhor gastos se forem utilizados para organizar a defesa da Uenf contra os seus muitos inimigos.

A ideologia neoliberal e a transformação do cidadão em consumidor

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Os estudos acerca dos impactos da ideologia Neoliberal já trouxeram inúmeros “insights” sobre o que acontece com os seres humanos que se deixam absorver pela visão de mundo que a mesma oferece [1 e 2]. A coisa vai da solidão profunda, passa pelo consumismo desenfreado e acrítico, e desemboca na completa insensibilidade frente aos semelhantes a partir de uma visão completamente individualista de realização pessoal, já que tudo deve ser resolvido a partir da capacidade de competir e, sim, vencer [3].

É interessante notar que no bojo da aplicação das políticas neoliberais houve um crescimento exponencial das taxas de desemprego e a precarização do acesso aos elementos de mitigação das enfermidades sociais e clínicas desenvolvidas a partir da criação de uma visão de mundo que por um lado infatiliza e, por outro, objetifica todas as relações pessoais e inter-pessoais.

O problema é que vejo grassando na atual greve dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense uma síntese de todas essas características neoliberais. É que de um lado os professores em greve são pintados como demônios insensíveis que não se preocupam com os impactos na formação dos alunos transformados em consumidores de conhecimento. Entretanto, em contrapartida, não há qualquer menção de se cobrar do (des) governo Pezão que pare de asfixiar financeiramente a instituição, fato esse que não apenas está no bojo da greve, como também impedirá que o estudante/consumidor=cliente possa alcançar uma formação minimamente qualificada para que possa assim pleitear uma colocação num mercado que cada vez cobra mais excelência para os poucos escolhidos para terem empregos. E, pior, com a aceitação tácita de que os fornecedores do conhecimento (i.e., professores) devam fazer isso, em que pese a falta de salários e condições de trabalho. A eles importa apenas o pleno exercício da sua condição de clientes preferenciais.

E aí parece residir uma das grandes dificuldades para se enfrentar as deformações psicossociais originadas pela hegemônia da ideologia neoliberal. É que o cidadão transformado em consumidor se torna plenamente apático quando se trata de enfrentar o aparato estatal que age para restringir o número de aquinhoados com as possibilidades de acessar os arquétipos que representam o sucesso no mundo neoliberal.

Certamente desconstruir a ideologia neoliberal não é uma tarefa simples, já que ela hoje se apresenta como hegemônica. Mas como Karl Marx já elaborou de forma seminal na “Ideologia Alemã”, a saída do labirinto neoliberal se dará a partir do oferecimento de práticas materiais que apontem no sentido da superação de seu modelo de mundo. E nas atuais circunstâncias da Uenf, por exemplo, aqueles que falam na superação das ideologias como método de volta a uma normalidade intangível sabem perfeitamente que estão exercendo práticas para evitar a fuga do labirinto em que se colocaram e querem atrair mais companhias para, provavelmente, diminuir a solidão em que se meteram.


[1] https://link.springer.com/article/10.1057/pcs.2014.5

[2] http://naspa.tandfonline.com/doi/pdf/10.2202/1940-1639.1620?needAccess=true

[3] https://www.researchgate.net/profile/Daniel_Butler5/publication/305402204_Falling_Through_the_Cracks_Precarity_Precocity_and_Other_Neoliberal_Pressures/links/578dc25008ae5c86c9a65d3a.pdf

Notícias da Aduenf: Nota pública explica posição da Aduenf sobre greve

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NOTA PÚBLICA DA ADUENF A RESPEITO DA GREVE E INÍCIO DAS AULAS

Buscando dirimir especulações e informações inverídicas, a ADUENF vem a público trazer alguns esclarecimentos sobre a presente greve e a perspectiva de um retorno às aulas.

Em 27/09/17, última assembleia em que a greve foi objeto de pauta, os professores por ampla maioria decidiram pela permanência em greve até que todos (i) os salários devidos fossem quitados ou (ii) houvesse a divulgação de um calendário de pagamentos oficial por parte do governo estadual. A assembleia, também por ampla maioria (45 a 15 dos presentes), também apresentou a (iii) exigência do restabelecimento das condições de trabalho no campus, com garantias mínimas de segurança e limpeza para que a comunidade acadêmica possa desenvolver suas atividades normais e dar continuidade a um trabalho de que tem sido reconhecido como de excelência por diversas instâncias avaliadoras.

Nesse ínterim, durante a greve e por meio da CI UENF/REIT no. 086/2017, a Reitoria decretou férias coletivas para o período de 02 a 31 de janeiro de 2018, condição em que atualmente professores, técnicos e alunos formal e juridicamente se encontram, independentemente da greve dos docentes.

No presente momento, apesar do recente pagamento do 13o salário do ano de 2016 e do salário do mês de novembro de 2017, os professores da UENF ainda aguardam o pagamento do salário de dezembro e do 13o de 2017, não se configurando, portanto, o restabelecimento da normalidade no pagamento de salários.

Caso se confirme a promessa do governo estadual de pagamento do salário de dezembro e do décimo terceiro de 2017 nos próximos dias, o comando de greve da ADUENF convocará uma nova assembleia logo após o fim das férias coletivas para que se decida quanto ao retorno das aulas.

Diversamente da Reitoria, a diretoria da ADUENF mantém sua posição crítica em relação à redação final da PEC 47 e os repasses escalonados nela previstos, que, ao menos no curto prazo, não serão suficientes para reverter a condição de penúria na qual se encontra o campus, com segurança, limpeza e manutenção precárias e que colocam em risco a segurança e a integridade física de professores, técnicos e alunos. Continuará vigilante em relação aos problemas da vida no Campus e aguardará o efetivo repasse dos duodécimos constitucionais, denunciando publicamente seu eventual descumprimento.

A Diretoria da ADUENF reafirma seu compromisso democrático com a verdade e com a decisão coletiva tomada em assembleia por seus associados, permanecendo na luta para que seus direitos trabalhistas sejam respeitados. Persevera também na luta para que a Universidade possa o quanto antes dar continuidade à sua missão de promover ensino, pesquisa e extensão de excelência e o desenvolvimento econômico, social e humano no Norte Fluminense.

COMANDO DE GREVE

Campos dos Goytacazes, 12 de Janeiro de 2018.