Greve na FENORTE: Comissão de Greve lança “Carta Aberta à Sociedade”

Carta Aberta à Sociedade

Decretação DE GREVE FENORTE

Os membros da Comissão de GREVE dos Servidores da Fundação Estadual Norte Fluminense – FENORTE e TECNORTE – Parque de Alta Tecnologia, veem, respeitosamente comunicar a sociedade, que no dia 11/03/2014 foi decidido, em Assembleia Geral Extraordinária, que a partir do dia 17/03/2014 iniciaremos uma Greve Geral por prazo indeterminado pelos fatos e fundamentos expostos no presente ofício. Informamos e lembramos que nos encontramos abertos à negociação desde 14/08/2013 quando foi decretado o ESTADO DE GREVE, passamos aos fundamentos da GREVE:

A Fundação Estadual Norte Fluminense – FENORTE foi criada com o objetivo principal de ser a mantenedora da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF, à época em que referida universidade não possuía autonomia administrativa, e de gestão financeira e patrimonial.

Com a edição da Lei Complementar n° 99, de 23 de outubro de 2001, a UENF obteve sua autonomia universitária, passando a ser uma fundação pública de direito público. Para viabilizar o funcionamento da UENF, no mesmo dia 23 de outubro de 2001, a Lei 3.684/2001 permitiu que os funcionários da FENORTE optassem pela transferência para a UENF e o artigo 5°, §2°, desta mesma a lei previu a possibilidade de futura transferência de outros servidores da FENORTE para a UENF, mediante simples autorização de Vossa Excelência, sobretudo por se tratar do mesmo concurso com os mesmos cargos e atribuições.

Ocorre que, após a autonomia universitária obtida pela UENF, a FENORTE perdeu sua principal missão institucional e ao longo destes mais de 12 anos vem sendo subutilizada e os servidores encontram-se desestimulados e desvalorizados em virtude de estarem numa instituição que visivelmente perdeu sua razão de existir, com poucas e descontínuas ações de Governo.

A FENORTE passou a atender os interesses políticos dos aliados do Governador do Estado em exercício, compondo seus cargos em comissão e executando atividades esporádicas e limitadas à vontade daquele que assume a gestão da FENORTE, sem que haja em suas atividades uma ação permanente e contínua que seja de importância e finalidade significativa à Fundação e a sociedade.

Os servidores da FENORTE se veem desprestigiados e abandonados pelo Governo do Estado, pois a forma como o Governo trata a FENORTE sucateia nossa instituição, desmotiva e desprestigia o servidor;

Os problemas vivenciados pelos servidores da FENORTE e pela própria Instituição possuem a mesma causa, pois se a FENORTE não é valorizada pelo Estado o seu servidor também não o é, e se vê PREJUDICADO POR UM GOVERNO que não é capaz de conceder rumo adequado à nossa FENORTE.

Sem reajuste e sem reposição das perdas inflacionárias dos últimos 8 (oito) anos o servidor vem tendo dificuldade em manter sua família e sua dignidade pois o achatamento salarial sofrido é notório.

O nosso desprestígio no que refere à reposição das perdas inflacionárias se dá, sobretudo, ao fato da posição invisível na qual o Governo do Estado nos colocou.

Sendo assim e a partir do interesse demonstrado pelo Reitor da UENF a que se refere ao aproveitamento da qualificada mão de obra dos servidores da FENORTE, os servidores, já desacreditados com a situação da FENORTE, ao que tudo indica irreversível ou de difícil solução, aderiram maciçamente ao processo nº E-26/006/70/2013 que dispõe sobre a transferência em caráter definitivo dos servidores da FENORTE PARA A UENF.

Atualmente, já existe um novo processo E-12/001/4198/2013 originado na Secretaria da Casa Civil, que trata da transferência dos servidores da FENORTE para a UENF, contudo, ao que tudo indica, a pleiteada transferência não será atendida pelo simples fato dela ir de encontro aos interesses da Presidência da FENORTE.

Acreditamos, pelo histórico de insucessos que vivenciamos nos últimos anos, que não haja solução viável para FENORTE, sobretudo pela intencional incapacidade do Governo em dar rumo adequado à FUNDAÇÂO, e apesar de estarmos convictos que a única solução seja a transferência dos servidores da FENORTE para a UENF estamos cientes de que essa decisão, por ser mérito administrativo do poder executivo, cabe exclusivamente ao Governador do Estado do Rio de Janeiro.

Acontece que o Governo do Estado tem por obrigação dar uma resposta à sociedade e aos servidores da FENORTE, sendo assim se deseja que os servidores permaneçam na FENORTE que atenda os pleitos abaixo:

1. Reposição salarial de 63,3% pelas Perdas inflacionárias dos últimos 8(oito) anos 
2. Redefinição do estatuto da FENORTE, concedendo a mesma uma missão e visão concretas, alcançando as necessidades da sociedade e o caráter continuativo de suas ações;
3. Revitalização da FENORTE;
4. Reajuste do Auxílio-creche e Auxílio-alimentação dos servidores da FENORTE (esse último foi concedido num valor infinitamente inferior ao requerido).

Todos os pleitos acima devem ser atendidos na sua integra ou o Governo do Estado pode escolher transferir os servidores da FENORTE para a UENF e assim solucionar as reivindicações do movimento de Greve.

A Greve permanecerá até que todos os pleitos sejam devidamente atendidos.

Atenciosamente,
____________________________
Comissão de Greve da ASFETEC

Rio de Janeiro é o estado que menos gasta com servidores na federação brasileira

O material abaixo publicado no blog do Prof. Roberto Moraes mostra uma piora na condição de desembolso do estado do Rio de Janeiro (segunda economia da federação brasileira) no tocante ao pagamento dos salários dos seus servidores. O fato é que enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal permite que os governos gastem até 49% do orçamento com o pagamento de servidores, o (des) governo Sérgio Cabral gasta apenas 29,55%!

O mais impressionante nestes dados é que o arrocho salarial imposto por Cabral fica ainda mais evidente quando se verifica que o Maranhão (o ocupante do desonroso posto de 26 pior estado no pagamento de salários de servidores, gasta 39,3%, quase 10% a mais do que o Rio de Janeiro.

Para quem acha que a população não tem nada a ver com isso, os salários corroídos dos servidores possuem um impacto direto na qualidade dos serviços prestados, especialmente porque muitos servidores são obrigados a fazer bicos para complementar os salários corroídos que recebem do (des) governo Cabral. 

Mas uma coisa é boa nessa situação: se os professores da UENF entrarem mesmo em greve por causa de suas reivindicações salariais, já saberemos todos que falta de margem dentro da LRF não será um impedimento para o aumento da folha que os eventuais ganhos vão causar.

Rio de Janeiro é o estado com menor % de gastos de pessoal entre os 27 estados da federação

 
Reportagem publicada hoje pelo jornal Valor sobre gastos de pessoal dos 27 estados da federação brasileira em 2013, indicou que o Estado do Rio de Janeiro (ERJ) é o que tem proporcionalmente, o menor gasto com pessoal: 29,55%.

O estudo indica que o “limite prudencial” seria de 46,55%. Ao lado o infográfico do valor mostrando os percentuais de gastos com pessoal nos diversos estados brasileiros.

O limite máximo de gasto com pessoal do Poder Executivo é de 49% da receita corrente líquida. O estado do Tocantins chegou 51,69% ultrapassando este limite.

A situação confortável da conta de pessoal mostra para as categorias profissionais ligadas ao governo estadual que há espaços para pressões e correções salarias substantivas.

A informação junto da histórica conquista dos garis da Prefeitura do Rio tende a ampliar as mobilizações e lutas por reajustes salariais dos servidores do executivo fluminense. A justificativa do caixa e dos limites constitucionais desta vez não funcionará. A conferir!

Parafraseando Romário: a reitoria da UENF calada é uma poeta!

A nota abaixo que acaba de ser lançada pela reitoria da UENF numa tentativa débil de impedir a deflagração de uma greve a partir da assembléia de amanhã é uma expressão mais fina daquilo que o filósofo Romário já disse sobre o Pelé, qual seja, calado é um poeta.

A nota abaixo vai especialmente de encontro à verdade dos fatos. Segundo o que sei de informantes internos do alto poder uenfiano, a última reunião na SEPLAG não ocorreu porque a pessoa responsável por redigir a proposta de lei viajou para o Carnaval e “esqueceu” de voltar no dia combinado. Este tipo de descompromisso com a normalidade institucional deveria merecer era um imenso repúdio pelos dirigentes institucionais, em vez de vir a público tentar colocar panos quentes numa situação que já se tornou intolerável.

Além disso, se algo a greve dos garis da COMLURB nos lembrou é que governantes dizem querer a normalidade para negociar, mas só negociam objetivamente sobre forte pressão. Do contrário, vão empurrando o problema para frente, normalmente para impor condições totalmente pífias para os ganhos eventuais que queiram dar.

Outro aspecto que me intriga é a questão da data limite com que podemos ter ganhos concedidos em ano eleitoral. A reitoria está trabalhando com a data de 04 de Julho, mas o fato é que existem leis que vedam concessões de adicionais acima da reposição das perdas salariais após o dia 05/04.  Assim, já que a reitoria está com uma data dilatada seria de bom tom que também nos oferecessem as bases legais desta data dilatada. Do contrário, nos pedir calma e correr o risco de tudo acabar no dia 04/04, me parece temerário, especialmente para os nossos contra-cheques.

 Enfim, tenho que lembrar que no já distante mês de julho de 2013, a reitoria da UENF impôs uma minuta de lei para quebrar o regime de Dedicação Exclusiva na UENF sob a desculpa de que isto iria acelerar a concessão do Adicional de Dedicação Exclusiva. Então cade o resultado daquela pressa toda? Ah, sim, neste pedido intempestivo de calma para possibilitar uma negociação que mais parece estória de Coelhinho da Páscoa!!

Desde já, por é greve a partir de amanhã. Estou cansado desse conformismo que só tem nos empurrado cada vez mais para a condição de piores salários do Brasil.

Basta de enrolação!!

 Esclarecimentos à comunidade sobre Adicional de Dedicação Exclusiva

Tendo em vista o estágio das negociações com o governo do estado quanto ao pagamento do Adicional de Dedicação Exclusiva (ADE) aos docentes, a Reitoria não acredita que uma eventual greve seja a melhor opção para o bom desfecho do caso neste momento, ao passo que uma interrupção poderia trazer retrocessos no encaminhamento do Projeto de Lei à Assembleia Legislativa (ALERJ). Embora o governo tenha protelado o prazo inicialmente acordado para envio do projeto de lei – a saber, em fevereiro, na reabertura dos trabalhos legislativos -, as negociações para tal estão em andamento, com nova reunião a ser confirmada para esta semana.

Atualmente, a visão da Reitoria é que a manutenção das atividades contribuirá para a solução da questão em prazo hábil. Em decorrência da legislação eleitoral, o governo não poderá tomar qualquer iniciativa relativa ao pagamento do ADE a partir de quatro de julho (04/07).

A Reitoria reafirma todo o seu empenho junto ao governo, incluindo contatos frequentes com o governador para a solução dessa e das outras demandas aprovadas pelo Conselho Universitário, quais sejam: o reajuste salarial e a adequação da tabela de cargos e vencimentos.

Silvério de Paiva Freitas
Reitor da UENF

(Des) governo Cabral cancela reunião com a reitoria e aumenta exponencialmente chances de greve na UENF

SEPLAG cancela que ela mesma agendou e praticamente obriga realização de greve dos professores da UENF

A reunião que ocorreria hoje (10/03) na cidade do Rio de Janeiro para a reitoria da UENF conhecer a proposta do (des) governo do Rio de Janeiro para o pagamento da DE da UENF foi cancelada uniliteralmente, e sem nova data para sua realização.  O pior é que a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (SEPLAG) informou  apenas no último instante que iria cancelar um encontro em que finalmente apresentaria sua proposta, num processo que se arrasta desde a metade de 2013.

Ai é que eu digo: os membros do (des) governo Sérgio Cabral têm mais medo dos garis da COMLURB do que dos professores da UENF. Ou é isso ou o (des) governo Sérgio Cabral quer mesmo que os professores da UENF entrem em greve! Afinal, foram tantas concessões feitas em nome do diálogo para chegarmos a menos de um mês do prazo legal antes das eleições, que não existem outras explicações possíveis.

E depois que ninguém nesse (des) governo venha culpar os professores da UENF por entrarem em greve. Se existem culpados nesse história, eles estão nos gabinetes do Palácio Guanabara!

A greve dos garis e a nossa zelite

Por Renata Lins

Os garis. No carnaval. Tão educativo isso. Os garis pararam no carnaval. Já tinham ameaçado parar no Ano Novo, outro ponto delicado em que se nota mais do que normalmente o quanto eles são necessários. Mas não, no dia 1° as ruas estavam limpas, as praias estavam penteadas e com a areia tinindo, esperando turistas e locais que não têm que trabalhar no sol a pino do dia 1°.

E parece que os garis, esses que trabalharam duro no dia 1° para que os frequentadores das praias e das calçadas cariocas pudessem se espalhar sem medo, ficaram até o meio da tarde sem o espartano lanche e suco a que têm direito.

Não saiu uma linha nos jornais sobre isso. Viva as redes sociais.

Os garis pararam agora, no carnaval, numa jogada de mestre. O carnaval é, de fato, o momento de maior visibilidade para essa profissão invisível. Lembro do texto do menino da USP que, para fazer pesquisa de campo do seu trabalho sobre invisibilidade, foi trabalhar na limpeza da universidade. Pois bem. Nem seus colegas o reconheciam. Ninguém falava com ele. Não o reconheciam porque não o viam. O gari como árvore: faz parte da paisagem. Em silêncio, trabalhando de cabeça abaixada. Que faça seu serviço, que não atrapalhe quem estuda. Quem faz coisas sérias. Quem “faz por merecer”.

“Ah, não estudou!”.

Que lindo o país da meritocracia. Mais que isso: que lindo o país que prescinde de garis. Porque, né, claro. Os outros países, aqueles lá do primeiro mundo – assim, beeem primeiro mundo, tipo a Escandinávia … então, esses países: não têm garis, né? Afinal, lá todo mundo estudou… ah, tem? Como é isso então? Sim, entendi. Os garis são, tipo assim, imprescindíveis. Fundamentais. Essenciais.

Estão na base da nossa sociedade de consumo desenfreado. Da nossa sociedade produtora de lixo.

Os garis. Negros garis. Loiros médicos “ricos e cultos”, que se insurgiram contra os negros médicos cubanos. Em Cuba, como em todo lugar, tem garis. Negros, possivelmente. Mas também tem médicos negros em quantidade: aí a diferença.

Trabalho insalubre. Trabalho pesado.

Trabalho que necessitaria de muito mais proteção do que eles têm, por conta da exposição a doenças. Por conta do contato direto com o lixo dos outros. O lixo que eu, que você, que todo mundo produz em quantidade. Feio, fétido. O lixo que a gente não quer ver, do qual a gente não quer saber. Pois é. Quem dá conta dele são os garis.

Mas o moço branco que estudou em boas universidades e paga de liberal (mas, descubro, é um reaça de quatro costados) acha errado pagar mais aos garis. Que afinal não estudaram. Porque, diz o moço, se pagarem mais, outras pessoas vão fazer o concurso e vão desempregar os que realmente precisam desse emprego.

Ah, tá. Porque se o salário de gari fosse, vamos dizer, não os R$1.200 que eles estão pleiteando, mas … digamos… R$6.000 reais, que já é um salário bem razoável… eu vou correr lá pra fazer concurso pra gari? Ele vai? Meu vizinho?

Ah, não? Pois é, amigo, não é só o salário… o trabalho é punk, é pesado, é desagradável, é sujo, é insalubre. É essencial. Justamente por isso é que quem o faz merece dignidade. Merece ser tratado com respeito. Merece um salário que lhe permita alimentar sua família. Comprar remédios. Ter um mínimo de tranquilidade. Ter, quem sabe – oh, transgressão das transgressões – momentos de lazer.
Imagina. O gari na praia, relaxando. O gari viajando de férias. O gari vivendo a vida que não é só trabalho com lixo. Que ousado. Que revolucionário.

Só que não.

Não é nem revolucionário. Nem ousado. Nem “de esquerda”. Isso pode ser a vida de um gari na sociedade capitalista. Numa sociedade capitalista um pouco menos selvagem do que a nossa. Um pouco menos escravocrata. Um pouco menos elitista. Um pouco menos racista.

Pode ser, e certamente é.

Mas aqui não.

P.S. Recomendação de filme: “Segredos e Mentiras“.
Recomendação de texto: “Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública

FONTE: http://chopinhofeminino.blogspot.com.br/2014/03/a-greve-dos-garis-e-nossa-zelite.html?spref=tw

Quase treze anos depois da separação, UENF e FENORTE poderão se unir pela greve

A chance de uma greve ocorrendo ao mesmo tempo na UENF e na FENORTE é uma doce ironia porque representará um momento de reunificação imposta pela absoluta necessidade.

Em outubro de 2001, quando houve a separação de fato entre a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e sua então mantenedora, a Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE), quis o então governador, Anthony Garotinho, manter as duas instituições no mesmo local, ainda que sem nenhum laço efetivo. De lá para cá, a única coisa em comum que foi imposta aos servidores das duas instituições foi o descaso por seus destinos e uma impressionante corrosão das suas respectivas malhas salariais.

No caso da FENORTE, a sucessão de presidentes, que contou inclusive com o sempre lépido ex-reitor da UENF, Almy Junior, resultou numa depreciação salarial de tal tamanho que nem os minguados 22% concedidos aos servidores estaduais pelo (des) governador Sérgio Cabral em 2010 foi passada para os seus servidores. Aliás, segundo informou a Associação de Funcionários da FENORTE/TECNORTE, a última vez em que os salários da fundação foram melhorados foi em 2006! Essa negligência com as necessidades dos servidores da FENORTE nunca foi bem explicada, mas o objetivo só pode ter sido desmoralizar e quebrar espíritos, visto que não há qualquer outra razão para isso. O processo de desgaste só não se estendeu à nomeação dos ocupantes de 40 cargos comissionados que existem na estrutura da fundação, os quais continuaram a ser religiosamente ocupados, independentemente do grupo político que estivesse à frente da FENORTE.

De forma paralela, a situação dos servidores da UENF (docentes e não docentes) também foi sendo gradativamente degradada, ao ponto em que os professores doutores que trabalham em regime de Dedicação Exclusiva passaram da condição de detentores dos melhores salários do Brasil a de mais mal pagos em todo o território nacional. Além disso, a compressão orçamentária também está asfixiando o funcionamento de atividades essenciais, e contribuindo para a criação de um ambiente igualmente nebuloso e sem grandes perspectivas de melhora sob o tacão impiedoso da dupla Sérgio Cabral/ Sérgio Ruy.

Aliás, até parece que o elemento que mais conecta a UENF à FENORTE não é o seu berço comum no projeto idealizado por Darcy Ribeiro, mas o fato de estarem localizadas na cidade de Campos dos Goytacazes, berço político de Anthony Garotinho.  A verdade é que apenas por esse elemento da geopolítica fluminense seria possível explicar tanto destrato à duas instituições que cumprindo papéis distintos poderiam alavancar elementos importantes no esforço de dinamizar o desenvolvimento das regiões Norte e Noroeste do Rio de Janeiro. 

Agora, ironia das ironias, a UENF e a FENORTE que se separaram após uma longa greve dos servidores da primeira, podem se unir a partir de uma greve a partir da próxima 3a .feira (11/03). A ironia maior é que a luta dos servidores da mesma instituição é contra um (des) governo que não honra prazos e compromissos e que parece apostar sempre no pior. Pode ser que ao provocar a unidade pela greve, Sérgio Cabral esteja conseguindo exatamente isso, só que para ele e seu grupo político. Ai eu é que aproveito para avisar: se Cabral não negociar logo, quem vai pagar o custo político será o seu vice, o impoluto Pezão. O aviso está dado. E como diz o velho ditado, quem avisa, amigo é!

Garis do Rio de Janeiro provam que greve resolve sim!

garis vitoria

Vitória da greve deverá trazer efeitos pedagógicos para outras categorias que lutam por melhores salários e condições dignas de trabalho

As notícias que estão sendo disseminadas pela mídia corporativa dão conta que o movimento grevista dos garis da cidade do Rio de Janeiro acaba de arrancar uma vitória robusta que efetivamente humilha o (des) prefeito Eduardo Paes do PMDB. Após querer dar míseros 9% de aumento e chamar os grevistas de amotinados, Eduardo Paes teve que negociar e conceder ganhos que chegam bem próximo do que os garis demandavam. Assim, agora o salário base que era de R$ 803,00 passou para R$ 1.100,00. Os garis arrancaram ainda o pagamento de um adicional de insalubridade de 40% e um vale refeição de R$ 20,00 (que aliás é maior do que o que é pago hoje aos servidores da UENF!).

Apesar de parecer pouco, e é para o tipo de trabalho estratégico que os garis realizam, este resultado mostrou que quando uma categoria se organiza, não há (des) governo, sindicato pelego ou mídia comprada que impeça a vitória dos trabalhadores.

garis vitoria 2

Por outro lado, uma das repercussões importantes dessa greve vitoriosa dos garis é pedagógica. Afinal, que melhor exemplo para outras categorias de servidores públicos e do setor privado do exemplo que está sendo oferecido pelos garis da COMLURB? Eu pessoalmente espero que nos próximos movimentos que ocorrerem dentro da UENF eu não tenha mais que perder tempo explicando que greve continua sendo um instrumento essencial na luta dos trabalhadores por melhores salários e condições de trabalhos dignas! Aliás, o exemplo pedagógico dessa greve é ainda maior dados todos os obstáculos que os garis tiveram de superar para conseguir algo que já lhes deveria ter sido garantido há muito tempo.

Por essa magistral aula de como lutar por salários dignos e respeito pelo serviço que se faz, estamos todos em dívida com os garis cariocas.

E agora Nahim? Asfetec convoca assembléia para discutir realização de greve na FENORTE

Em recente intercâmbio de argumentos com o jornalista Esdras Pereira, o presidente da Fundação Estadual do Norte Fluminense (FEENORTE), Nelson Nahim ressaltou a eficiência dos trabalhos deste órgão. Pois bem, então é de se esperar que a convocação que está sendo feita pela Associação dos Funcionários da Fenorte e Tecnorte (ASFETEC) para esta terça-feira (11/03) com um único ponto de pauta (decretação de greve) seja recebida por ele com naturalidade e apoio. Afinal, se o desempenho dos trabalhos é de alta qualidade, o justo e correto é que os salários dos servidores também sejam. Ou não?

asfetec

Ato de garis greve fecha o centro do Rio de Janeiro; ué, mas não eram só 300 baderneiros?

O centro da cidade do Rio de Janeiro foi fechado nesta segunda-feira por uma multidão formada por garis em greve. A manifestação que se iniciou em frente à sede da prefeitura do Rio de Janeiro, e depois caminho pelas avenida Presidente Vargas e Rio Branco. 

Agora confiram as imagens abaixo e me respondam se a versão da Prefeitura e dos pelegos que dirigem o  Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município, ligados ao PTB de Roberto Jefferson, que o movimento é composto por um minoria se confirma ou não!

protesto garis 4

protesto garis protesto garis 2

PROTESTO GARIS 3

A greve dos garis e os argumentos de ocasião para justificar a repressão

leminski

O primeiro deles é a questão da oportunidade temporal da greve, já que a mesma ocorreu durante o Carnaval quando a cidade se torna mais suja por causa do lançamento quase ilimitado de restos da folia pelos seus participantes. Ai me desculpem os puristas, não há momento melhor do que esse para demonstrar a essencialidade de uma categoria que , convenhamos, é tratada de forma invisível pela imensa maioria das pessoas.

O segundo argumento tem a ver com a saúde pública que seria ameaçada pelo acúmulo de lixo. Ora, e a saúde dos trabalhadores que retiram esse lixo diariamente a troco de salários miseráveis não conta? Se não fosse o território fluminense palco de isenções bilionárias para grandes corporações econômicas, eu até me deixaria comover com tanta preocupação com a saúde coletiva. Enquanto esse cenário se mantiver, prefiro me preocupar com a saúde dos garis.

Um terceiro argumento é que essa greve está sendo manipulada pelos partidos aos quais estão ligados os deputados Marcelo Freixo e Anthony Garotinho. Isso daria então um caráter partidário ao movimento. Sem sequer levantar em conta que o sindicato dos garis da cidade do Rio de Janeiro é controlado pelo PTB, partido que está na base do governo Eduardo Paes, eu diria que se for verdade que o PR e o PSOL estão apoiando o movimento dos garis, estes partidos não fazem mais nada do que a sua obrigação.  Mas como existem outros partidos apoiando o movimento, a escolha seletiva do PR e do PSOL tem apenas o objetivo óbvio de desqualificar um movimento que possui amplo apoio na população carioca.

Para encerrar não há qualquer explicação financeira para o uso da Polícia Militar para “escoltar” garis que estão supostamente desejando trabalhar. Essa manobra representa um claro aprofundamento da criminalização da luta dos trabalhadores, e reflete uma visão autoritária de resolver pela força as justas demandas que emergem dos setores explorados da sociedade brasileira.  O problema é que esse uso contínuo da PM para ações que se assemelham à operações de contra-insurgência ainda poderá render frutos muito amargos para todos nós. Mas o que esperar de (des) governantes como Eduardo Paes e Sérgio Cabral se não o pior do pior? Mas o problema começa mesmo a ficar verdadeiramente grave quando pessoas que se pretendem de esquerda começam apoiar esse tipo de fórmula repressiva. Depois não venham chorar sobre o leite derramado. E não custa lembrar: em 24 dias teremos mais um aniversário do Golpe Militar de 1964.

latuff gari