O (des) governo Pezão/Dornelles asfixia financeiramente a Uenf às vésperas 23o. aniversário. Mas resistir é uma obrigação!

23 anos

Após quatro meses de greve, os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) decidiram suspender temporariamente o movimento, ainda que nenhuma de suas reivindicações tenha sequer sido tratada com um mínimo de seriedade pelos representantes do (des) governo que, ironicamente, dispensa semanalmente milhões de reais em esquisitas “generosidades fiscais”. Esta parada permitirá que as celebrações oficiais pelo 23 anos de existência da universidade ocorra com uma superfície tênue de normalidade. 

Entretanto, a maioria dos professores presentes na assembleia realizada no dia de ontem (09/08) decidiu de forma sábia condicionar o retorno das aulas à garantia de que a volta das aulas se dará com um mínimo de segurança e com o fim da situação vergonhosa que aflige os servidores terceirizados que atuam na segurança do campus Leonel Brizola que estão trabalhando sem receber seus salários. Isto, aliás,  tem similaridades dentro de todo o serviço público estadual, onde empresas contratadas pelo Estado não estão cumprindo suas obrigações com os terceirizados.

No caso da Uenf, a situação é dramática já que não houve qualquer repasse de verba para custeio das atividades essenciais, o que acarreta uma dívida atual de pelo menos R$ 20 milhões de reais com contas de água, eletricidade, telefone e insumos básicos para pesquisa e ensino.

A grande questão é que sem o aporte de recursos mínimos, as aulas podem até voltar na Uenf, mas com custos altíssimos para a qualidade das atividades que são realizadas na instituição.   E o pior é que não há por parte dos representantes do (des) governo do Rio de Janeiro, seja no legislativo ou no executivo, qualquer disposição de se comprometer com qualquer aporte, por minimo que seja. O plano assim parece claro: asfixiar a Uenf até a morte enquanto universidade pública e gratuita, provavelmente para entregá-la a uma empresa de educação como muitas que hoje ganham bilhões de reais em troca de um ensino de baixíssima qualidade.

Sem esquecer que as unidades da rede estadual e da Faetec estão sob a mesmíssima situação, o caso da Uenf é particularmente emblemático porque a universidade logrou em menos de um quarto de século se tornar uma das melhores instituições de ensino superior da América Latina.  E há que se destacar que com um número pequeno de servidores e professores, a Uenf possui dezenas de cursos de graduação e pós-graduação e uma forte atuação também  na área de extensão.

Em suma, quando o governo do PMDB ataca a própria sobrevivência da Uenf, esta ação implica num ataque frontal às regiões Norte e Noroeste Fluminense e, por extensão, a qualquer possibilidade de que sua população possa se beneficiar de uma universidade pública de qualidade. É que, ao mesmo tempo em nega verbas mínimas para uma universidade pública altamente qualificada, bilhões estão sendo entregues a todo tipo de empresa, muitas sem qualquer contribuição para o desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Entretanto, a Uenf já se provou mais forte de que todos os governos que já tentaram precarizá-la no passado. A força do modelo institucional idealizado por Darcy Ribeiro é tamanha que mesmo (des) governos como o liderado por Luiz Fernando Pezão passaram e a Uenf cresceu e se fortaleceu. Deste modo, há sim que se celebrar o aniversário da Uenf, pois sua existência tem sido uma demonstração de que é possível construir uma sociedade mais justa e com oportunidades para todos os setores da sociedade, mas principalmente para os mais pobres e marginalizados.

E aos (des) governantes do Rio de Janeiro e seus apoiadores políticos dedico o “Poeminha do Contra” do poeta gaúcho Mario Quintana:

“Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!”

Entrevista no Canal do Blog Adilson Ribeiro: a crise na Uenf

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Estive ontem como parte de uma comissão do Comando de Greve da Aduenf numa sessão da Câmara de Vereadores de Itaperuna onde pudemos falar sobre a grave crise que levou à deflagração de uma greve no início de Abril. Antes de sermos ouvidos pelos vereadores presentes na sessão, acabei concedendo uma entrevista ao jornalista Nino Bellieny para o Canal do YouTube do Blog do Adilson Ribeiro (Aqui!) que é mostrado logo abaixo.

https://youtu.be/RH8UCgXT5iI

Em relação à entrevista apenas um esclarecimento em relação à legenda mostrada. Eu não me considero o líder do movimento em defesa da Uenf, pois este tem sido um movimento pautado pela discussão democrática dentro do Comando de Greve e das assembleias de professores.  De resto, espero que o conteúdo da entrevista seja esclarecedora sobre as causas da greve e da necessidade de sua continuidade.

Aduenf lança novo material para fortalecer a defesa da Uenf

A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte (Aduenf) acaba de lançar um novo material para fortalecer o processo de luta contra o sucateamento promovido pelo (des) governo do Rio de Janeiro.

E nesse material aparece de forma central a figura de seu idealizador, o antropólogo Darcy Ribeiro, que se ainda estivesse vivo estaria na linha de frente da Uenf. 

A charge que ancora esta nova fase do material de campanha da Aduenf foi cedida gentilmente pelo cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes, Márcio Malta,   que também é um chargista de mão cheio sob o condinome de “Nico”. 

Abaixo um primeiro material com a charge produzida pelo Prof. Márcio Malta. 

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Decreto do (des) governador Pezão oficializa atraso salarial dos servidores estaduais

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O servidor público do Rio de Janeiro vai ficar de cabeça ainda mais preocupada quando tiver acesso ao teor do Decreto 45.593/2016 que foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro no dia de hoje (09/03).

É que como mostra a imagem abaixo, o (des) governador Luiz Fernando Pezão determinou que a partir deste mês, o pagamento dos salários estaduais passará a ser realizado até o DÉCIMO dia útil de cada mês!

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Com isso, a situação dos servidores que já se encontrava em estágio desesperador vai subir (ou seria descer) mais um degrau em direção ao precipício. É que com esse atraso, as dívidas com empréstimos consignados e cheques especiais certamente alcançaram mais trabalhadores. E, pior, numa condição de alta inflacionária.

Já as joalherias, montadoras e cervejarias, estas continuam recebendo suas bilionárias isenções fiscais do (des) governo Pezão.

Estudantes fecham a Uenf e explicitam crise causada pelo (des) governo Pezão

A entrada principal do campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) amanheceu fechada por causa de um bloqueio (trancaço) realizado por estudantes de graduação e pós-graduação liderados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pela Associação de Pós-Graduandos (APG).

O protesto é parte de um movimento de greve que está sendo realizado pelos estudantes para pressionar o (des) governo estadual do Rio de Janeiro e também a reitoria da Uenf a apresentarem soluções práticas para uma série de problemas, a começar pelo atraso crônico no pagamento de várias modalidades de bolsas acadêmicas.

Os estudantes, que dependem diretamente do pagamento das bolsas, reclamam que sem as mesmas muitos estão abandonando os cursos de graduação e pós-graduação.  Mas os estudantes também demandam a regularização da situação financeira da Uenf que hoje possui dívidas milionárias com concessionárias de serviços públicos, num processo de precarização que poderá interromper e prejudicar gravemente pesquisas de longo prazo das quais os estudantes participam diretamente.

Como já abordei aqui, esse processo de precarização é parte de um receituário que invariavelmente leva ao processo de privatização de órgãos públicos. No caso da Uenf, essa precarização está em processo acelerado, já que a possibilidade de corte nos serviços de água e energia elétrica levaria ao “apagão” de pesquisas importantes que são realizadas na instituição.

Abaixo imagens do bloqueio promovido, ressalta-se de forma pacífica e organizada, pelos estudantes da Uenf. Apoiar esse movimento é fundamental para preservar a conquista que foi termos uma das melhores universidades brasileiras colocadas no interior do Rio de Janeiro.

 

Uenf: Diretório Central dos Estudantes divulga calendário de atividades de greve

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SÃO TEMPOS DE LUTA

Ontem durante reunião da Comissão de Greve Estudantil (a Comissão é composta por diversos estudantes, de diferentes cursos, que queiram construir a greve estudantil), foi definido o primeiro calendário de greve.

O calendário visa auxiliar na organização da próxima semana, que será marcada pelo retorno dos estudantes à Universidade e chegada dos calouros. Com o objetivo de incluir e conscientizar os estudantes recém-chegados foram definidas diversas atividades para incluí-los e mostrar a importância de nos mobilizarmos contra os ataques do (des)governo estadual à educação.

Na SEGUNDA-FEIRA, vamos receber os calouros em cada centro antes de se reunirem com os veteranos para os trotes e realizar breves intervenções para que já fiquem cientes do momento que estamos passando e como a greve estudantil pode auxiliar nas negociações. Durante todo o dia, grupos já definidos irão monitorar as salas de aula de cada prédio a fim de verificar se estão havendo ou não aula. Ainda esta semana será passada para cada secretaria e coordenação de curso uma circular sobre a legitimidade da greve estudantil e que a mesma deve ser respeitada.

TERÇA-FEIRA o dia já começa com uma grande aula pública sobre a conjuntura da educação no estado do RJ e sobre como a autonomia financeira é importante para uma Universidade livre. A aula é aberta para TODOS estudantes, inclusive de outras universidades. Simultaneamente ocorrerá um ato ainda a ser divulgado onde será necessária a presença de TODOS estudantes. Ao fim do dia vai rolar a primeira Assembleia de Greve Estudantil! Nesta assembleia iremos decidir as próximas ações da greve e por em pauta o tão discutido tema ‪#‎OcupaUENF2016‬ .

QUARTA-FEIRA iremos mais uma vez saudar nossos calouros com breves intervenções sobre a greve estudantil durante a recepção promovida pela atlética Ururau. No decorrer do dia, precisamos de um bom número de estudantes para trabalhar na confecção de panfletos que serão distribuídos pela cidade com o mote: “A UENF pode acabar?”, convocando para a passeata que irá ocorrer na quinta-feira. Novamente, durante o decorrer de todo o dia, iremos fazer passagens nas salas de cada centro a fim de evitar que aulas estejam ocorrendo durante a #‎greveestudantil‬.

A QUINTA-FEIRA é o dia da passeata. É muito importante estarmos presentes em grande número. Será mais uma denúncia dos descasos do governo estadual, como as que vem ocorrendo em número cada vez maior por todo RJ.

Nossa SEXTA-FEIRA será dedicada à auto-organização da greve a fim de nos prepararmos mais uma semana firmes e resistentes contra as pressões que com certeza serão impostas. Ao fim do dia, vai rolar uma culturalzinha bem bacana, em local ainda a ser definido, para interagirmos e conhecermos melhor quem são os estudantes de luta que estão construindo a greve estudantil da UENF!

Devemos sempre deixar claras nossas condições para o fim da greve: exigimos o pagamento imediato das bolsas em atraso (sem calendário e parcelamento, como proposto pelo governo) e implementação do auxílio-moradia já aprovado no legislativo do estado. Hoje retomamos mais uma pauta importantíssima e que será cobrada durante a greve: a criação da Pró Reitoria de Assuntos Estudantis, uma pró reitoria que poderia dedicar-se somente aos estudantes e a tudo que se refere a eles. Bolsas, restaurante universitário e diversas outras atividades.

Se estivermos unidos, podemos sair vitoriosos! Não é apenas pelas bolsas, é por respeito ao estudante! Lembrem-se que o estudante não é prejudicado pela greve, ele está em greve justamente por ser prejudicado.

DCE-UENF
Gestão 2016
“A Luta Não Pode Parar”

FONTE: https://www.facebook.com/DCEUENF/photos/a.734782106629077.1073741828.714811348626153/914182958688990/?type=3&theater

Porto do Açu: da propaganda à realidade, outra greve por falta de pagamento de salários

trabalhadores-braços-cruzados

No dia 14 de Outubro, os trabalhadores da empresa “Engesique  Engenharia, Construções e Montagens” que realizam obras no Porto do Açu “trancaram” as portas do empreendimento por (Aqui!). Pois bem, passadas duas semanas, eis que o mesmo grupo de trabalhadores está fechando novamente os acessos da “Roterdã dos trópicos” do ex-bilionário Eike Batista na manhã desta sexta-feira (30/10).

As notícias que me chegam da área do Porto do Açu é que a Engesique teria suspenso uma reunião de acordo que seria realizada hoje em São João da Barra, o que teria motivado mais esse movimento paredista que, aparentemente, bloqueia todas as vias de acesso ao empreendimento. 

Também fui informado de que há uma forte apreensão entre os trabalhadores quanto à possibilidade de demissão coletiva frente à incapacidade da Prumo Logística Global de honrar suas dívidas com a Engesique que, por sua vez, não honra as dívidas trabalhistas que possui com seus empregados.

Agora, talvez este fosse um bom momento para a diretoria da Prumo Logística Global vir a público vestindo as “sandálias da humildade” para informar à população e aos próprios investidores e parceiros sobre qual é a real situação financeira do Porto do Açu. É que me parece que o atual discurso de que “tudo está azul na América do Sul” simplesmente não se encaixa com a realidade dos fatos.  Diante desse cenário há ainda que se lembrar que o mercado pune quem fica prometendo maravilhas em apresentações de Powerpoint, mas não consegue transformar belas apresentações em realidade. Aliás, não há melhor disso do que o idealizador do Porto do Açu, o ex-bilionário Eike Batista.

Folha da Manhã dá novos detalhes de movimento paredista no Porto do Açu

Trabalhadores fecham acesso ao Porto do Açu

ProtestoCom informações do repórter Jhonattan Reis, da Folha da Manhã

Uma manifestação de funcionários da empresa Engesique, que presta serviço à Prumo Logística, fecha  o acesso ao Porto do Açu desde a madrugada, por volta das 4h, desta sexta-feira (16). São cerca de 80 trabalhadores bloqueando a entrada do Porto com galhos de árvores e pneus. Eles alegam que estão com salários atrasados há cerca de 12 dias, sendo que atrasos seriam recorrentes. Ainda segundo funcionários, cerca de 600 operários estariam na mesma situação.

Além do pagamento em atraso, os funcionários reivindicam melhores condições de trabalho em questões como segurança, alimentação e uniformes. Uma equipe da Polícia Militar está no local. No entanto, de acordo com o montador de andaimes Wellington Bezerra, 26 anos, o protesto não tem hora para ser encerrado.

Os trabalhadores ressaltam que este está sendo um ato pacífico, “sem atear fogo e nem quebrar nada, apenas para buscar os direitos”. Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Mobiliário (Sticoncimo/RJ), José Carlos Pereira da Silva afirmou que reuniões foram feitas, mas a situação não foi resolvida até então.

Representantes da empresa e dos trabalhadores se reuniram por volta das 10h para tentar um acordo. A Prumo ainda não se emitiu nenhum posicionamento sobre a manifestação.

Durante a manhã, filas de veículos foram formadas na entrada do Porto e algumas empresas já liberaram suas equipes para trabalhar de casa.

Mais informações a qualquer momento.

FONTE: http://fmanha.com.br/blogs/arnaldoneto/2015/10/16/trabalhadores-do-acu-fecham-acesso-ao-porto/

Braços cruzados nesta 6a. feira no Porto do Açu

Acabo de receber um informe vindo de dentro do Porto do Açu que hoje o dia por lá é de braços cruzados. A razão para mais este movimento paredista será o atraso nos repasses devidos pela Prumo Logística Global às diversas empresas que atuam nas obras ainda em curso dentro do empreendimento.]

Segundo o que me foi informado, uma das empresas mais afetadas por esta paralisação seria a “Engesique Engenharia, Construções e Montagens” cujos trabalhadores estão com salários atrasados. Ainda segundo essa fonte, a direção da Engesique teria se comprometido a pagar parte dos salários ao longo dessa semana, mas como isto não ocorreu, os trabalhadores resolveram cruzar os braços. A explicação para isto seria prosaica: a Prumo Logística não teria feito o repasso financeiro necessário para a Engesique honrar seus compromissos com os operários.

Há que se lembrar que essa não é a primeira vez em que a falta de pagamento de salários causa a realização de movimentos paredistas. Mas no presente momento essa situação serve para colocar em xeque o discurso corporativo de que tudo é um mar de rosas no Porto do Açu. Pelo jeito, está cada vez mais longe disso.