Michel Temer se salvou, mas por quanto tempo?

temer

A Câmara de Deputados rejeitou ontem a denúncia enviada pela Procuradoria Geral da República (PGR) relativa apenas à denúncia de corrupção passiva e obstrução de justiça relacionada ao Grupo JBS.  A votação relativamente apertada em favor de Michel Temer (263 favoraveis a Temer contra 227 favoráveis ao acatamento da denúncia).

Essa vitória tem tudo para ser uma de Pirro, pois existem pelo menos mais duas denúncias cozinhando no forno da PGR e que prometem ser ainda mais devastadoras contra Temer e seus associados políticos. Em outras palavras, a custosa sobrevivência garantida pela liberação de centenas de milhões de reais em verbas parlamentares poderá estar servindo apenas para prolongar o vexame cotidiano a que o Brasil está exposto por ter um presidente tão fraco e tão enrolado em denúncias de práticas criminosas.

Tenho visto muitas manifestações de desalento com o parlamento brasileiro após o encerramento da votação de ontem. Apesar de achar que isto é normal dentro das atuais circunstâncias, penso que todo esse processo de exposição das entranhas de um congresso putrefato acabará tendo repercussões positivas para o futuro da política no Brasil. É que apesar de todo o ruído que é produzido pela mídia corporativa para embaraçar a compreensão da maioria da população dos reais interesses que moveram a votação de ontem, o cidadão comum está silenciosamente observando como se comportam os nobres deputados e senadores e, com isso, talvez tenhamos uma poderosa onda de choque que abalará a estrutura partidária no Brasil.

Essa minha expectativa não me exime de lembrar aos eleitores brasileiros, em especial os do Rio de Janeiro, que os que votaram ontem para eximir Michel Temer de ter que se explicar sobre os crimes que lhes são imputados são os mesmos que estão impondo uma agenda ultraneoliberal que cassa direitos e torna inevitável o retorno de cenas já erradicadas de fome e mortes por doenças facilmente controláveis como a diarréia infantil. No caso dos eleitores do Norte Fluminense, chega a ser impensável que um cidadão já condenado e com perspectiva imediata de recolhimento a algum presídio seja o único parlamentar federal da região. Obviamente falo do deputado federal Paulo Feijó (PR) que se elegeu a partir do apoio do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho a quem ele hoje renega tão fortemente quanto Pedro negou Jesus na casa de Caifás.

Por isso, creio que fazer a população aprofundar essa experiência pedagógica com o parlamento burguês é uma tarefa a ser perseguida pelos que querem realmente mudar a conjuntura pavorosa em que nos encontramos.  Disso talvez dependa a nossa real possibilidade de alcançar dias melhores. E possibilidades para fazer isso não faltam, começando pelo enfrentamento com as políticas ultraneoliberais que estão sendo implementadas no plano dos municípios. Afinal, a lógica que emana do ministério da Fazenda comandado pelo ministro/banqueiro Henrique Meirelles claramente está fazendo sendo disseminada e aplicada tão ferozmente quanto no plano federal. Por isso, mãos à obra!

JBS joga bomba atômica no governo Temer, e ainda leva Aécio Neves junto

jbs temer

Michel Temer ao lado de Joesley Batista, um dos donos do Grupo JBS, durante inauguração de fábrica de celulose em Três Lagoas (MS) em 2012.

A situação política brasileira que já andava complicada subiu mais um degrau no sentido do caos no dia de hoje com a delação dos donos do Grupo JBS envolvendo diretamente o presidente “de facto” Michel Temer em uma série de atos nada republicanos.   O furo de reportagem que foi dado inicialmente pelo jornalista Lauro Jardim  (Aqui!), mas está se alastrando como fogo em canavial seco pela mídia nacional, internacional e na blogosfera (Aqui!AquiAqui! e Aqui!).

O teor da delação dos donos do JBS é especialmente danoso para Michel Temer, na medida em que as tratativas envolveram não apenas a passagem de dinheiro quando ele já era presidente, mas também a informação de que após ser informado empresa estava comprando o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha,  Temer sinalizou com a necessidade de que o mesmo fosse mantido calado.

Outro que foi envolvido nas delações da JBS, surpresa das supresas, é o senador tucano Aécio Neves que teria sido gravado requerendo  R$ 2 milhões sob a justificativa de que precisava dos recursos para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

Um detalhe particularmente explosivo é que as entregas feitas pelo Grupo JBS para atender os pedidos de Michel Temer e Aécio Neves teriam seguido orientações da Polícia Federal que não apenas gravou as entregas, mas também utilizou mecanismos de rastreamento das cédulas e das malas em que as mesmas foram carregadas.

Diante de tanto detalhe, não há como esperar que os próximos dias não sejam especialmente atribulados em Brasília e em outras partes do Brasil, começando por Minas Gerais. É que a estas alturas, outros políticos já sabem que também foram gravados pelo pessoal do JBS. Haja rivotril!