Placar das delações mostra Aécio 8 x Mantega 1. Por que só o ex-ministro foi em cana?

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Tenho amigos que acreditam piamente na imparcialidade dos procuradores da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro. Eu, confesso, nunca me deixei levar por essa euforia punitiva que cerca os torquemadas curitibanos.

É que tendo Sérgio Moro conduzido os casos do Banestado e de uma tal operação “Castelo de Areia” que acabaram anulados pela própria justiça por erros de condução do ilustríssimo magistrado, sempre me reservei ao direito da desconfiança. Deve ser que como paranaense da região dos Campos Gerais, sei bem como funciona a justiça no Paraná.

Agora, vejamos dois casos bastante díspares em termos de delações e os rumos completamente opostos que eles tiveram até o momento.  O primeiro é o do senador e ex-governador tucano Aécio Neves que foi delatado em pelo menos 8 depoimentos.  E o que aconteceu até agora com ele? Absolutamente nada!

Já o ex-ministro Guido Mantega (PT) foi denunciado uma única vez, e logo por Eike Batista! O que aconteceu com ele? Foi indiciado e finalmente preso hoje no momento em que acompanhava uma operação cirúrgica de seu esposa que sofre de câncer.

Ainda que posteriormente Sérgio Moro tenha revogado a prisão temporária de Guido Mantega, a exposição dele e do PT já se deu com evidentes prejuízos pessoais para o ex-ministro e eleitorais para o seu partido.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: não dá para o pessoal da Lava Jato pelo menos tentar disfarçar a parcialidade de suas ações?

Finalmente, quem é que hoje compraria um prego que fosse de Eike Batista? Será que ele como delator é mais confiável do que como empresário? Sei lá, posso ser apenas eu, mas Eike Batista não me parece confiável nem como dedo duro.

A saga de Eike Batista: de empreendedor bilionário a delator na Lava Jato

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O Brasil acordou hoje com a notícia da prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega enquanto acompanhava uma cirurgia para tratamento de um câncer no Hospital Albert Einstein (Aqui!).  Mas o nome desta nova fase da Lava Jato traz outra informação importante para o âmbito regional: Operação Arquivo X.

E como no Brasil X rima com Eike Batista, bastou procurar um pouco mais para descobrir que o delator que implicou Guido Mantega na Lava Jato era o próprio ex-bilionário  (Aqui!).

Interessante notar que já noticiei anteriormente, a partir de uma interessante matéria assinada pelos jornalistas Cláudia Freitas e Matt Roper,  o envolvimento das empresas de Eike Batista no chamado “Petrolão” (Aqui!). 

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Agora, independente do que vier acontecer com Guido Mantega e outros denunciados, uma coisa é certa: o futuro de Eike Batista no mundo corporativo acaba de ser irremediavelmente selado.  O fato é que ele pode ter até se livrado da prisão com essa delação, mas para isso chamou para si a pecha de ser um dedo duro. E no imperfeito mundo corporativo isso normalmente rende uma pena mais dura do que a dispensada pelo juiz Moro aos criminosos que optaram por se transformar em seus colaboradores.

Finalmente, como parte das denúncias envolvendo Eike Batista e suas empresas está diretamente relacionada ao seu principal empreendimento, o Porto do Açu, eu não me surpreenderia se a força tarefa da Lava Jato não estivesse deslocando uma equipe para fazer diligências em São João da Barra nos próximos dias.  E aqui não se trata de dar uma de “Mãe Diná”, mas de uma inferência básica sobre o personagem e a obra (quer dizer entre Eike Batista e suas tratativas para alavancar recursos para o Porto do Açu). A ver!