O pacote de maldades “Meirelles/Pezão” vai fazer os dias atuais parecerem dourados

pezao meirelles

De tempos em tempos, leio a declaração de algum dirigente sindical ligado ao funcionalismo estadual fluminense afirmando que o pacote de maldades engendrado pelo ministro banqueiro Henrique Meirelles e piorado pelo (des) governador Luiz Fernando é a “única saída que sobrou para o Rio de Janeiro”.

Esse tipo de declaração cairia bem nas bocas desses vários (des) secretários de baixa qualidade que povoam o (des) governo Pezão, mas soa contraditório na boca de sindicalistas que estejam realmente comprometidos em defender sua classe.

E eu explico porque penso assim. É que não há neste conjunto de medidas qualquer elemento que sinalize uma melhora de médio e longo prazo na agonia financeira em que o governo de cleptocratas comandado por Sérgio Cabral et caterva nos colocou. Além disso, o que temos é a imposição de medidas de arrocho sobre o funcionalismo estadual, privatização de bens públicos e a perda de autonomia sobre a gestão financeira do Estado que, a partir de agora, terá de se submeter ao que for imposto pelos czares neoliberais que de Brasília estão regredindo o Brasil ao Século XVI.

Quanto mais cedo os servidores e, por extensão, a sociedade fluminense acordarem para esta realidade melhor será. É que se as pessoas estão achando que as coisas estão ruins agora, esperem para ver como a coisa vai ficar depois que esse pacote de maldades for aplicado em sua totalidade!

E, pior, esse pacote neoliberal não toca num fio de cabelo da farra fiscal que já causou uma perda de mais de R$ 200 bilhões aos cofres estaduais nem, tampouco, mexe na estrutura da dívida pública acumulada na última década para saciar uma estrutura sofisticada de drenagem de recursos públicos em nome de um punhado de políticos e suas empresas.

Assim, que nenhum servidor se iluda! A intenção desse pacote não é regularizar salários e pensões atrasados, mas sim iniciar um processo de enxugamento da máquina pública que ainda causará milhares de demissões, cassará direitos garantidos pela Constituição e ampliará ainda mais o controle do serviço público por empresas terceirizadas.

A única saída para o Rio de Janeiro será a ação política organizada para quebrar um ciclo vicioso que mistura práticas nada republicanas com um receituário neoliberal que deixaria Margareth Tatcher com inveja. 

E lembrem-se esse pacote de maldades não é a única saída que resta ao Rio de Janeiro. Este pacote é a única saída que interessa aos que vem saqueando o Rio de Janeiro.

Cesta básica? Os servidores e aposentados precisam é de seus salários e aposentadorias pagos em dia

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Em determinadas conjunturas históricas a realização de determinadas ações que parecem justas e corretas podem dificultar que se consigam as soluções para os problemas que as mesmas procuram resolver. Em muitos casos, podem até agravá-las.

Vejamos por exemplo a simpática campanha de recolhimento de cestas básicas que está sendo realizada pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe) para assistir servidores e aposentados que foram deixados de lado pelo (des) governo Pezão e estão há vários meses vivendo uma situação que não tem nada de “mero aborrecimento” como classificaram alguns juízes (com os gordos salários totalmente em dia, frise-se) do Tribunal de Justiça fluminense.

Essa campanha do Muspe pode até matar momentaneamente a fome dos servidores e aposentados, mas não resolve o problema. E, pior, os coloca na situação objetiva de aceitarem passivamente que o desrespeito continue, visto que quem vai para longas filas de doação, acaba voltando para casa com o piores sentimentos humanos, a começar pela completa sensação de humilhação e desprezo.

Então a ação de recolher e doar cestas básicas será inútil se não for acompanhada de um processo de politização que oferece um claro calendário de mobilizações que catalisem a raiva que tenho visto em muitos servidores, de modo eles a transformem em um sentimento positivo que, por sua vez, poderá ser mais eficiente para derrubar esse (des) governo que já não deveria existir mais faz tempo.

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Mas aí é que mora o problema, pois percebo uma aceitação passiva da cantilena de que o pacote de Maldades imposto pelo ministro/banqueiro Henrique Meirelles é uma pílula amarga aceitável para os servidores fluminenses,,  o único plano como gosta de dizer o agora licenciado (des) governador Pezão.  Não se fala nos prejuízos de curto e médio prazo que os servidores públicos do Rio de Janeiro irão ter que arcar para receberam seus corroídos salários em dia. Nem dos muitos direitos que foram ou serão cassados para que o estado tente de se recuperar das políticas desastrosas e da roubalheira que imperaram sob o comando de Sérgio Cabral et caterva.

Por isso, a decisão dos servidores da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECT) de se manterem nas ruas e pressionando o (des) governo Pezão poderia servir de exemplo para todas as categorias e seus sindicatos. É que está mais do que demonstrado que com o (des) governo Pezão a única linguagem que seus membros entendem é o da pressão das ruas, sem as quais as reuniões que ocorrem em portas fechadas só servem mesmo para que os participantes tomem cafezinho juntos e posem para fotos risonhas ao final delas.

Desta forma, é que reafirmo: o que os mais de 200 mil servidores e aposentados demandam são seus salários e aposentadorias pagos em dia. E essa demanda deve guiar as ações dos que realmente desejam construir uma saída positiva para a profunda crise política, financeira e moral em que o Rio de Janeiro foi colocado pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e seus colaboradores que hoje desfrutam as benesses oferecidas pelo estado ao prisioneiros de colarinho branco.

 

(Des) governo Pezão e a crise salarial: quando o acaso é descaso

O jornal “O DIA” desta 3a. feira (16/05) traz uma matéria informando que 4.500 servidores foram “sorteados” para ficarem sem seus salários pelo (des) governo Pezão,  a maioria referente ao mês de março (Aqui!). O número de “esquecidos” cresce um pouco (“só”  40.000 mil casos a mais) na matéria produzida pelo jornal “EXTRA” (Aqui!)

As informações que eu tenho é que até o sistema de pagamentos do estado do Rio de Janeiro entrou em parafuso com a ausência de comando no Palácio Guanabara.  Tal situação já é de conhecimento corrente, mas não explica como 4.500 salários de servidores da ativa e de 40 mil aposentados do RioPrevidência foram “sorteados” ao acaso para que não recebessem salários já atrasados. 

Como no (des) governo Pezão não há muito espaço para o acaso, o que sobra mesmo é descaso. E esse descaso é uma tática que visa dividir e humilhar servidores concursados com o objetivo claro de impedir que possam exercer suas atividades, das quais a população fluminense depende diretamente.

Aos servidores em geral é preciso lembrar que este “acaso” serviu ainda para fragmentar ainda o funcionalismo estadual entre os que receberam ou não seus salários. Por isso mesmo as ações reparadoras deveriam vir mesmo dos sindicatos cujas categorias já receberam até os salários de Abril. É que sem este tipo de solidariedade não haverá como derrotar o pacote de maldades que foi preparado pela dupla Temer/Meirelles para usar o Rio de Janeiro como laboratório avançado de seu extermínio do serviço público brasileiro.

Anaferj coloca o dedo na ferida: dinheiro para pagar salários existe, o que falta é vontade de fazer o certo

pezao meirelles

O blog mantido pela Associação de Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) publicou hoje uma postagem que deixa nu todo o argumento do (des) governo Pezão de que não há dinheiro para pagar os salários atrasados do servidores estaduais (Aqui!).

anaferj

Segundo a Anaferj, “a arrecadação do Estado é suficiente para pagar a folha. O governo deliberadamente opta por honrar outras despesas e rastejar no chão para a União em troca de mais endividamento.

Apesar de não ser analista de fazenda, faz tempo que eu desconfio dessa crise (seletiva) que assola o Rio de Janeiro. É que apenas nos últimos meses o governo “de facto” de Michel Temer já arrestou vários bilhões de reais para continuar pagando a misteriosa dívida acumulada pelo (des) governo do Rio de Janeiro ao arrepio da necessidade de mais de 200 mil famílias cujos cabeças são servidores estaduais.

Além disso, não me consta que haja ocorrido a suspensão de determinados pagamentos, a começar pelos bilionários contratos da área da saúde terceirizada. Quando muito ali vem ocorrendo demoras pontuais, mas nada que se compare ao que está sendo feito com os servidores públicos concursados.

Outra área para a qual venho chamando atenção é a do pagamento de debêntures, a começar pelas emitidas pelo chamado “Rio Oil Finance Trust“. Apenas para esse caso é certo que vários bilhões arrecadados por impostos foram parar nas contas bancárias dos chamados “fundos abutres” que estão se beneficiando da desastrosa operação Delaware que foi comandada pelo atual secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa. Só neste caso, a sangria é desatada, e ninguém parece se importar, já que os abutres estão sendo alimentados.

O fato é que uma parcela dos servidores estaduais e os pensionistas e aposentados do RioPrevidência estão sendo usados como bucha de canhão nas tratativas impostas por Michel Temer e Henrique Meirelles.  O problema do Rio de Janeiro é claramente político, e não financeiro.

E em outras palavras, a crise do Rio de Janeiro tem uma caráter seletivo, mas muito seletivo mesmo!

Por isso tudo é que realmente não me parece aceitável a postura da maioria dos sindicatos e associações de servidores que estão mantendo uma postura espectante frente não apenas ao drama de seus representados, mas, principalmente, diante da estratégia do (des) governo Pezão de usar o atraso no pagamento dos salários como uma ferramenta de guerra ideológica que visa mormente a desmoralizar os que estão sendo deixados, propositalmente é preciso que se diga, na rua da amargura.

Finalmente, há que se observar que há quem ainda trata o (des) governador Pezão e seus (des) secretários com a deferência que eles não merecem. Afinal de contas, nem interlocutores qualificados eles são mais.  Para tratar com esse (des) governo que seja apenas a data da renúncia ou do impeachment de Luiz Fernando Pezão. Simples assim.

Como Pezão ainda é o (des) governador do Rio de Janeiro?

pezao temer

Se um alienígena vindo de alguma galáxia distante aportasse no Rio de Janeiro neste momento não iria apenas se deslumbrar com suas belezas naturais, nem com seu povo que combina irreverência com disposição impar para continuar enfrentando as dificuldades do cotidiano. Essa alienígena provavelmente ficaria surpreso com a permanência do (des) governador Luiz Fernando Pezão à frente do executivo estadual.

É que , convenhamos, o seu (des) governo acabou mesmo antes de começar, e os últimos 16 meses têm sido uma completa tragédia. Não falo aqui apenas do calote salarial que está sendo aplicado, nem dos múltiplos de corrupção que chegaram muito perto do (des) governador e sua equipe.  A questão chave que emerge desse suplício coletivo em que o (des) governo Pezão se tornou é a sua flagrante incapacidade de gerar alternativas que não impliquem em mais sofrimento e degradação da qualidade de vida da maioria da população.

A última medida, que agora se encontra suspensa temporariamente pela justiça, foi a suspensão do passe escolar para mais de 27.000 estudantes  que sem este benefício não terão mais como ir para a escola e, provavelmente, se somarão a um crescente exército de pessoas que não possuem qualquer função social. E, por isso mesmo, se tornam cada vez mais dependentes dos bandos criminosos que parecem estar cada vez mais fortes.

Entretanto, apesar das evidências de que seu (des) governo se encontra numa condição de insolvência, Pezão continua firmemente sentado na cadeira de (des) governador. Essa situação é sui generis, já que Pezão não tem demonstrado sequer que entende as ramificações da falência política de seu (des) governo. Agora, se é assim por que é que Pezão ainda foi apeado do poder por meio dos mecanismos institucionais existentes?

A resposta para mim é simples: ele continua a ser útil ao projeto de desmanche do setor público, não apenas no âmbito fluminense, mas em todo o Brasil. E aí que parece surgir a real explicação da permanência de Pezão no Palácio Guanabara. É que sem ele, o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro e dublê de banqueiro Henrique Meirelles não teriam um estado que serviria como um experimento avançado para as medidas de arrocho que pretendem aplicar em todo o Brasil.

Entender essa relação entre Pezão e Temer é fundamental para que haja a devida reação contra seus planos de ataque ao serviço público e de constrangimento dos servidores públicos.  É que sem entender essa conexão vamos continuar no papel incompleto de vítimas de um (des) governante incompetente. A verdade é que a ameaça é muito maior, e o Rio de Janeiro é hoje apenas um laboratório para as políticas ultraneoliberais que já foram  aplicadas na Grécia e na Espanha.

Reagir a esse quadro então terá de passar por uma mudança de postura, principalmente dos sindicatos,  que precisam encarar o (des) governo Pezão como um inimigo estratégico que deve ser combatido sem nenhum tipo de concessão às chantagens que estão sendo impostas em troca de coisas básicas, como passes escolares e pagamentos de salários.

E não esqueçamos: Pezão é Temer, e Temer é Pezão!

Governo Temer corta orçamento pela metade e coloca em grave risco a sobrevivência da ciência brasileira

cortes

A revista Nature publicou ontem um artigo assinado pelo jornalista Cláudio Angelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, onde são apresentados dados sobre o corte de quase 50% do orçamento destinado ao financiamento de projetos científicos pelo governo “de facto” de Michel Temer ( Aqui!  ).

A figura abaixo que aparece na referida matéria mostra o aprofundamento de um ritmo de esvaziamento dos cofres das agências federais, mas que desemboca no menor orçamento para a área da ciência nos últimos 12 anos!

MCTIC2-budget

As consequências deste verdadeiro ataque ao desenvolvimento científico e tecnológico são muitas, pois o enxugamento orçamentário terá efeitos drásticos sobre o andamento de projetos estratégicos, bem como diminuirá o nível de formação de recursos humanos. Apenas estes dois fatores somados já deverão causar um profundo e duradouro retrocesso na capacidade brasileira de responder a uma série de desafios emergentes, começando, por exemplo, pelo retorno de doenças como a febre amarela.

Entretanto, o que este corte radical num orçamento que já vinha encolhendo deverá trazer como efeito colateral é a perda da capacidade ainda incipiente de gerar dinamismo a partir de tecnologia própria, aumentando ainda mais a nossa pesada dependência em conhecimento produzido fora do território nacional.

Entretanto, é preciso notar que se colocarmos a situação do financiamento da ciência dentro do projeto já esboçado pelo governo “de facto” de Michel Temer, há um perfeito encaixe. Afinal, um governo que avança um processo radical de terceirização do trabalho e quer impor um dos sistemas de pensões e aposentadorias mais draconianos do planeta não pode ter mesmo nenhum compromisso com o desenvolvimento científico.  Convenhamos que não haja porque Michel Temer ou o seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles fazerem diferente. Aliás, é preciso lembrar que essa tesourada radical no orçamento da ciência e tecnologia objetiva pura e simplesmente injetar mais dinheiro no sistema de especulação financeira. Em outras palavras, deixa-se a ciência à mingua por um lado e, por outro, se colcoa ainda mais recursos públicos no sistema de especulação rentista.

O problema até aqui é que as reações a estes cortes continua sendo mínimo, e mesmo os posicionamentos expressos pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foram meramente protocolares, pois não expressam de forma objetiva o tipo de desorganização que a falta de investimentos causará na ciência brasileira.

Toda essa situação deveria, ou deverá causar uma forte resposta de toda a comunidade científica brasileira. Denunciar o caráter obscurantista e retrógrado desses cortes é uma tarefa que toda a comunidade científica tem a obrigação de realizar. Ou é isso ou o caminho do aeroporto, ao menos para aqueles que ainda são jovens o suficiente para rumarem para o exterior.  

Operação “Carne Fraca” expõe os intestinos do comércio da carne no Brasil

Em 2008 realizei um trabalho de campo  onde percorri mais de 8.000 Km nos estados de Goiás e Mato Grosso onde visitei várias plantas de abate de gado bovino, bem como curtumes e até uma fábrica de “Dog Toys”. Com essa  experiência vi como operavam empresas como JBS, Marfrig, Minerva, Bertin, Margen, e outras menos conhecidas.  E o cenário não era nada animador, pois ficou claro que havia uma ligação entre a expansão da pecuária, o avanço da indústria da carne e o processo de desmatamento, principalmente na região conhecido como “Arco do Desmatamento” . Talvez por isso é que principalmente nas plantas do Grupo JBS a entrada da nossa equipe de pesquisa foi permitida apenas em Goiania, tendo sido proibidos de realizar coleta de dados em todas as demais plantas, distribuídas nos estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia.

Desde então, graças em parte aos generosos financiamentos do BNDES durante os governos do presidente Lula, o setor da carne alcançou no Brasil um nível de aglomeração que fez desaparecer várias marcas menores, as quais caíram nas mãos principalmente dos grupos  JBS e Marfrig. A JBS inclusive tornou-se a maior empresa de processamento de carne do planeta, comprando empresas na Argentina, EUA e Austrália.

Eis que agora, a Polícia Federal veio a público para anunciar a descoberta de um amplo esquema envolvendo funcionários públicos e grandes frigoríficos envolvidos na comercialização de produtos adulterados, ou em português claro, carne podre (ver figura explicativa do esquema abaixo).

carne 1

Ao longo desses anos, tivemos que assitir ao ator Tony Ramos atuando como menino propaganda da JBS cuja carne era apresentada como sendo produzida sendo os melhores padrões mundiais (Aqui!). Interessante notar que Tony Ramos já até se manifestou sobre a “Operação Carne Fraca” que foi desencadeada pela Polícia Federal no Paraná para apurar a venda de carne estragada e turbinada com produto potencialmente cancerígena  para ser vendida como se estivesse boa (Aqui!).  Segundo suas declarações, Tony Ramos está se declarando “surpreso” com as revelações trazidas à público pela Polícia Federal (Aqui!).

Mas surpreso mesmo deve estar o dublê deputado federal e ministro da justiça do governo “de facto” de Michel Temer, o paranaense Osmar Serraglio. É que Serraglio foi flagrado numa escuta telefônica tratando de uma inspeção com o suposto chefe do esquema hoje desbaratado pela Polícia Federal,   o fiscal agropecuário e superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016 , Daniel Gonçalves Filho, apontado pela PF como sendo “o líder da organização criminosa” que relaxava a fiscalização dos frigoríficos em troca de propinas. apontado pela PF como sendo “o líder da organização criminosa” que relaxava a fiscalização dos frigoríficos em troca de propinas  (Aqui!).

E aí que a porca torce o rabo. É que a partir daí o enredo fica mais denso, já que, segundo a Polícia Federal essa esquema de corrupção era utilizada para abastercer as contas bancárias do PMDB e o PP.  Esse vínculo serve para colocar por terra toda a noção vendida de que a corrupção no Brasil é algo vinculado apenas a um partido (no caso o PT) e que se dava apenas na PETROBRAS.  Na prática o que se vê é novamente a participação de dois partidos que estão no controle do governo federal (PMDB e PP), e que já estavam nos governos de Lula e Dilma.

Ah, sim, não podemos nos esquecer também que o dublê de ministro da Fazenda e banqueiro, Henrique Meirelles, já presidiu de 2012 a 2016 o conselho de administração da J&F, holding de empresas que controla o frigorífico JBS, maior processador de carnes do mundo (Aqui!). Como a Polícia Federal alega que o esquema é antiga, como fica a situação de Henrique Meirelles? Vai ser convidado a depor sobre as atividades do JBS?

Por outro lado, me desculpem os que veem algum tipo de  atentado contra os interesses nacionais ao se apurar a corrupção no setor da carne no Brasil. É que grupos como a JBS e RBF possuem negócios em escala global, e não porque aparecer com elementos nacionalistas para impedir que se prenda quem estava vendendo carne estragada para aumentar ainda mais suas fantásticas taxas de lucro.