Bolsonaro está se livrando de possíveis processos de impeachment, mas a conta será salgada

A eleição de seus aliados como presidentes do parlamento dá ao presidente Bolsonaro um impulso na corrida pela reeleição no próximo ano. Porém, a nova aliança com os partidos de centro-direita do Centrão não é grátis

bolso flagO presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, celebra cerimônia para abaixar a bandeira nacional do Brasil durante a noite, no Palácio da Alvorada, em meio ao surto da COVID-19, em Brasília, Brasil, em 15 de julho de 2020. REUTERS / Ueslei Marcelino

Por Thomas Spleen, Rio de Janeiro, para o  Neue Zürcher Zeitung

Quem quiser governar o Brasil deve, mais cedo ou mais tarde, aliar-se aos partidos do chamado Centrão, ou seja, os partidos de centro-direita. Politicamente, você sempre inclina a balança. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sabe disso, porque nos trinta anos de sua carreira política foi membro de quase todos esses partidos em algum momento. O mais irônico é que ele jurou na campanha eleitoral de 2018 que a política do pós-xadrez típica do Centrão acabaria de uma vez por todas. Em vez disso, uma “nova política” começa com seu mandato, sem os partidos de centro-direita marcados pela corrupção.

Mas o mais tardar com a vitória dos dois deputados do Centrão Arthur Lira e Rodrigo Pacheco na eleição dos presidentes do Congresso na noite de segunda-feira, Bolsonaro finalmente voltou à rejeitada “velha política”. Ele já havia buscado e encontrado o apoio do Centrão nos últimos meses, quando foi duramente atingido devido à catastrófica corona política e ao envolvimento de seus filhos em diversos escândalos. Os votos deram-lhe uma minoria de bloqueio para evitar possíveis processos de impeachment.

64 pedidos de impeachment provavelmente irão desaparecer na gaveta

Isso só pode ser iniciado pelo presidente da Câmara dos Representantes. Este cargo está nas mãos do confidente do Bolsonaro, Arthur Lira, desde segunda-feira à noite. O advogado, cuja carreira política é orlada por denúncias de corrupção, provavelmente vai colocar na gaveta todas as 64 ações de impeachment contra o Bolsonaro que foram apresentadas até o momento. Ele também ajudará o presidente a finalmente aprovar sua agenda política no Congresso. Isso inclui leis mais flexíveis sobre a aquisição de armas e uma redução nas regulamentações ambientais. Rodrigo Pacheco também preside o Senado com um político do Centrão que enfrenta o Bolsonaro.

Mas o presidente brasileiro pagará caro por esse apoio. Nos últimos dias, ele teria cortejado os favores do Centrão com cargos importantes no governo e orçamentos extras generosos para os constituintes, conforme relatado por fontes internas. Para isso, ele agora terá de dispensar alguns de seus seguidores leais para abrir espaço para os novos amigos no gabinete. Sua promessa feita na eleição de 2018 de encher seu governo de especialistas e não de aliados foi quebrada para sempre.

A crescente influência dos novos aliados é devastadora para a  economia brasileira. Com a entrada do Centrão no governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ter que esquecer a liberalização da economia. Em vez de privatizar as empresas estatais não lucrativas, as posições mais lucrativas agora serão divididas entre os novos aliados. E nos discursos inaugurais dos dois novos presidentes do congresso na segunda-feira, dada a situação de pandemia ainda tensa, outra rodada de ajuda custosa contra a crise causada pelo coronavírus foi solicitada. O Brasil não pode pagar por isso.

Mas desde que a ajuda contra a crise causada pelo coronavírus expirou no final do ano, a popularidade do Bolsonaro diminuiu. Além disso, muitos cidadãos culpam o presidente pela falta de oxigênio para os pacientes da COVID-19 em algumas regiões e pelo lento início da vacinação. No meio da segunda onda corona, mais de mil brasileiros morrem todos os dias. Caso a luta contra a pandemia e, portanto, a recuperação econômica tenha sucesso, o “Centrão” pode servir de base para a reeleição de Bolsonaro no final de 2022. No entanto, os partidos do centro são muito sensíveis ao estado de espírito das pessoas. Se cair contra o Bolsonaro, os lados serão trocados durante a noite. A presidente de esquerda Dilma Rousseff teve recentemente essa experiência dolorosa. Ela foi destituída do cargo em 2016 pelo até então aliado Centrão.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo  Neue Zürcher Zeitung [Aqui!]. 

Os sinos dobram para Jair Bolsonaro

bolso michelleO contraste dos Bolsonaro: Michelle com máscara, Jair sem máscara. (crédito: Marcos Corrêa/PR)

A situação do presidente Jair Bolsonaro começa a se deteriorar rapidamente, a ponto de vários representantes estelares da mídia corporativa nacional (incluindo a direção dos jornais Estadão e Folha de São Paulo) estarem falando abertamente no seu impeachment.

Mesmo concordando com o fato de que o presidente Bolsonaro já mostrou não possuir a mínima capacidade de gerir o governo federal em um momento que combina profunda crise econômica e crise sanitária gravíssima,  tenho certeza de que a súbita mudança em seu destino político não se deve a isso. O mais provável é que Bolsonaro, tal como Dilma Rousseff, esteja tendo sua continuidade no cargo ameaçada por não entregar o que as oligarquias que controlam a economia brasileira querem na velocidade em que elas desejam, que são as grandes estatais como o Banco do Brasil e a Petrobras.

Há ainda que se notar que a rápida deterioração da capacidade de Jair Bolsonaro de se manter no poder não está sendo precedida pelo mesmo nível de ataques e desgaste político a que Dilma Rousseff foi submetida. A chamada oposição de esquerda até poucos dias atrás estava mais preocupada em barganhar cargos na mesa da Câmara de Deputados e do Senado Federal do que colocar a sua militância na rua, coisa que só começou a acontecer no dia de ontem. Em outras palavras, se Bolsonaro está começando a balançar no cargo, isto se deve a um acordo por cima entre as oligarquia econômicas brasileiras, e não por mérito da esquerda.

A manobra para tirar Jair Bolsonaro poupa claramente o vice-presidente general Hamilton Mourão, que já se sabe é adepto da mesmíssima agenda econômica, apenas sem os histrionismos que acometem o ex-capitão. Da mesma forma, apesar de toda a sua ação desastrosa, se poupa o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes.  O que se trama, mais uma vez, é a mera substituição de um chefe de estado por um vice mais confiável para executar as tarefas que estão postas para aprofundar a transformação do Brasil em uma espécie de neocolônia, de preferência dos chineses que consomem boa parte das nossas commodities agrícolas e nos vendem quase todos os agrotóxicos que poluem nossos campos e comida.

Diante desse cenário, o que se deve fazer? À primeira vista não cair na armadilha que está posta de tirar apenas Jair Bolsonaro do cargo, e ampliar a ação para a derrubada de seu governo como um todo, incluindo o seu vice-presidente. Afinal, se Bolsonaro está sendo culpabilizado pelas dimensões épicas que a pandemia da COVID-19 no Brasil, o que dizer de seu vice-presidente que até agora seguiu estritamente a mesma cartilha negacionista?

Uma coisa é certa: as próximas semanas serão decisivas para o destino político do governo Bolsonaro, e provavelmente veremos um esforço monumental para reverter a raiz da sua crise que é a falta de uma resposta efetiva contra a pandemia. Assim, que ninguém se surpreenda se o próprio Jair Bolsonaro vire garoto propaganda de uma campanha nacional de vacinação, e que a cabeça do general Eduardo Pazuello seja servida por ele em uma bandeja de prata.

Jânio de Freitas vaticina que sem o impeachment de Bolsonaro, o Brasil pode estar se transformando em “um país no finalzinho”

A conduta na balbúrdia da vacina basta para justificar impeachment de Bolsonaro Diante de todos os desastres que o corroem, o Brasil parece morto

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Por Janio de Freitas, jornalista

É impossível imaginar o que falta ainda para a única providência que salve vidas —quantas, senão muitos milhares?— da sanha mortífera de Jair Bolsonaro. Mas não é preciso imaginar a indecência da combinação de “elites” e políticos, para ver o que e quem concede liberdade homicida em troca de ganhos.

Pessoas com autoridade formal para o conceito que têm emitido, além de suas respeitabilidades, como o jurista Oscar Vilhena Vieira, o ex-ministro da Justiça e criminalista José Carlos Dias e o médico Celso Ferreira Ramos Filho, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, entre outros altos quilates, têm qualificado com clareza e destemor a anti-ação de Bolsonaro e seus militares na mortalidade pandêmica.  Crime, criminoso (os), organização familiar criminosa, homicidas, desumanidade —são algumas das palavras e expressões aplicadas ao que é feito contra a vida. Contra o próprio país, portanto.

A conduta da Presidência e de seus auxiliares na Saúde, na balbúrdia da vacina, basta para justificar o processo de interdição ou de impeachment, sem precisar dos anteriores crimes de responsabilidade e outros cometidos por Bolsonaro e pelo relapso general Eduardo Pazuello. Nem se sabe mais o número de requerimentos para processo de impeachment apresentados à Câmara. Sobre eles, Rodrigo Maia, presidente da casa. Lançou uma sentença sucinta: “Não há agora exame de impeachment nem vai haver depois”.

Nítido abuso de poder, nessa recusa a priori. É dever do presidente da Câmara o exame de tais requerimentos, daí resultando o envio justificado para arquivamento ou para discussão em comissões técnicas. Rodrigo Maia jamais explicou sua atitude. Daí se deduz que não lhe convém fazê-lo, com duas hipóteses preliminares: repele a possível entrega da Presidência ao vice Mourão ou considera a iniciativa inconveniente a eventual candidatura sua a presidente em 2022.

Seja como for, Rodrigo Maia macula sua condução da Câmara, bastante digna em outros aspectos, e se associa à continuidade do desmando igualado ao crime de índole medieval. Os constituintes construíram um percurso difícil e longo para o processo de impeachment, e que assim desestimulasse sua frequência. Mas deixaram com um só político o poder de consentir ou não na abertura do processo. Fácil via para o abuso do poder. E sem alternativa para o restante do país, mesmo na dupla calamidade de uma pandemia letal e um governo que a propaga.

Há denúncias protocolares da situação por entidades, não muitas, e por um número também baixo de pessoas tocadas, de algum modo, pelo senso de responsabilidade, a inquietação, a dor. Movimento para que os genocidas vocacionais sejam enfrentados, nenhum. As camadas sociais que continuam tranquilas com seus rendimentos são, entende-se, as que podem manipular os ânimos públicos. São também as que têm mais noção do que se passa, mas sem que isso atenue o seu egoísmo e desprezo pelas camadas abaixo. Assim, não há reação ao duplo ataque. Diante de todos os desastres que o corroem, o Brasil parece morto.

Mas nem com esse aspecto, ou essa realidade, precisaria descer tão baixo na imoralidade. Sobrassem alguns resquícios de decência nas classes que, a rigor, são o poder no Brasil, a descoberta de que a Abin, a abjeta Agência Nacional de Informação, foi mobilizada para ajudar Flávio Bolsonaro no processo criminal da rachadinha” criaria alguma indignação. E levaria ao pronto afastamento de todos os beneficiários e comprometidos com esse crime contra a Constituição, as instituições, os trâmites da Justiça e a população em geral.

O general Augusto Heleno Pereira negou a revelação da revista Época. É um velho mentiroso. Isso está provado desde os anos 90, quando me escreveu uma carta negando sua suspeita ligação com Nicolau dos Santos Neto, o juiz da alta corrupção no TRT paulista. Tive provas documentais para desmenti-lo. Estava então no Planalto de Fernando Henrique. Com Bolsonaro, além de desviar a Abin em comum com Alexandre Ramagem, que a dirige, Augusto Heleno já esteve em reuniões com os advogados de Flávio, que é agora quem o desmente.

Ramagem, por sua vez, é o delegado que Bolsonaro quis na direção da Polícia Federal, causando a saída de Sérgio Moro do governo. Fica demonstrado, portanto, pelas figuras de Augusto Heleno e Ramagem no desvio de finalidade da Abin, que Bolsonaro tentou controlar a PF para usá-la na defesa de Flávio, de si mesmo, de Carlos, de Michelle, de Fabrício Queiroz e sua mulher Márcia e demais componentes do grupo.

Se nem essa corrupção institucional levar à retirada de toda a corja, será forçoso reconhecer um finalzinho. Não dá pandemia, como disse Bolsonaro. Do Brasil, mesmo.

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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Folha de São Paulo [Aqui!].

O delírio de Crapulinski

A demissão de Moro parece endereçar o governo Bolsonaro em rota cada vez mais próxima ao abismo.

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Por Ricardo Antunes*

O herói Crapulinski, nosso exemplo de arquétipo representante da ralé da sociedade burguesa, parece que começou a se desmilinguir por derrelição. É verdade que faz tempo que esse cenário vem se desenhando. Devastação na economia, explosão do desemprego, ultra-precarização do trabalho, destruição ambiental, proliferação das queimadas e da extração mineral, massacres nas comunidades indígenas, xenofobia, homofobia, racismo, tudo isso e muito mais sempre esteve presente nesta variante achincalhada de Trumpismo colonial. Seria muito difícil que seu derretimento, em algum momento, não viesse começar a se acelerar.

O culto da ignorância, o desprezo pela ciência, a privatização da res publica, com a consequente destruição da saúde, da educação e da previdência, tudo isso fortemente respaldado pelo ideário e pela pragmática demencial de amplos setores do empresariado, que só queriam ver a força de trabalho ralando para lhes dar mais produção e lhes garantir a boa vida, que tão enfaticamente o nosso Crapulinski sempre achava um jeito de defender. Não sem acrescentar que os beneficiários seriam os “mais pobres”.

E veio, então, o inesperado. A brutalidade da pandemia, a “gripezinha” do mito (ou mico?), pegou o país econômica e socialmente destroçado. Se não bastasse a crise econômica esgarçando ainda mais o tecido social brasileiro, ampliando a corrosão e devastação do trabalho, a pandemia letal do coronavírus encontrou aqui seu cenário ideal: na presidência, um indigente e ignóbil, praticante fidelíssimo do culto da ignorância, do “santo nome em vão”, sempre em linha de depravação, algo que não encontra paralelo em quase nenhuma parte do mundo.

A primeira crise veio com o Ministro da Saúde, Luiz H. Mandetta. Desde logo, é preciso dizer que se trata de um médico neoliberal que desde o início imaginou fazer uma gestão negocial e privatista na saúde. Com a eclosão do coronavirus, entretanto, tomou um banho de realidade, tendo sido sustentado e enquadrado pela dignidade do que se conseguiu a muito custo e trabalho se preservar no S.U.S.

A recente deposição de Mandetta, que poderia ser o mote para a explosão do Fora Bolsonaro!, parece ter inflado o ego do Crapulinski. Imaginando-se fortalecido, depois do ato dos boçais-do-bolsonaro no último domingo (19 de abril), chegou a vez de começar a arquitetar as demissões de seus ministros considerados mais fortes, o da Justiça em primeiro lugar, que lhe fazia uma incomoda sombra eleitoral junto ao eleitorado da extrema direita e da direita.

Para acobertar as práticas clandestinas de seus parceiros nas milícias e nas falanges, que defendem a ditadura militar, a tortura, a brutalidade, o vilipêndio e o abjeto, e também para preservar a sua matilha familiar, o presidente-de-tipo-lumpen jogou a cartada de risco mais forte até o presente. Emparedou ninguém menos que Sergio Moro, o juiz que tinha um faro infalível somente em direção ao PT e seus partidos aliados durante seus governos. Algo que já vinha sendo urdido desde os fins do ano passado e que, depois da demissão de Mandetta, parecia encontrar seu momento oportuno.

Parece que o tiro saiu pela culatra. Moro saiu soltando petardos que municiam mais de um impeachment, além de ajudar a esfacelar ainda mais a base de apoio de Bolsonaro na extrema direitaPara não recordar as tantas afrontas anteriores, este episódio que resultou na demissão de Moro atesta: primeiro, que a motivação foi adulterada (não houve o “a pedido” formal do atual Diretor-Geral da Polícia Federal); segundo, a assinatura digital de Moro foi adicionada sem a sua concordância; terceiro, e que tem a potência de bomba muito explosiva, como se deduz das palavras do ex-MinistroO presidente me disse mais de uma vez que queria ter uma pessoa da confiança pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência. Seja diretor, seja superintendente. E não é o papel da polícia federal prestar esse tipo de informação”.

Assim, a demissão de Moro parece endereçar o governo Bolsonaro em rota cada vez mais próxima ao abismo. Será difícil para a Câmara (com seu pacato líder Rodrigo Maia) permanecer obstaculizando esse clamor crescente na sociedade (com exceção do que resta das falanges fascistas) e que ganha nova impulsão com os inúmeros desdobramentos políticos e institucionais que já começaram após a explosiva denúncia do ex-juiz da Lava Jato. Imaginar que a intervenção na cúpula da Polícia Federal era causada por causa do atentado sofrido pelo ex-capitão ainda candidato, ou ainda pelas perseguições ao seu filho “04”, conforme as próprias palavras de Bolsonaro em sua resposta a Moro, se assemelha mais a uma história de carochinha….

Qual será, então, a posição dos ministros militares, que imaginavam poder controlar o intempestivo? A primeira reação destes ministros e farda foi se postar ao lado de Bolsonaro, em sua defesa aos ataques de Moro. Irão, então, continuar participando desse governo das cavernas e das trevas?

E como se comportará a tutela militar que até o presente vem respaldando a autocracia de Bolsonaro?

E, por fim, as oposições? O que mais vão esperar, para fazer deslanchar o já tardio impeachment de Bolsonaro, que está levando o país para uma monumental cova coletiva?

* Ricardo Antunes é professor titular de Sociologia do Trabalho na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da coleção Mundo do Trabalho, da Boitempo Editorial. Organizou os livros Riqueza e miséria do trabalho no Brasil (2007) e Infoproletários: a degradação real do trabalho virtual (2009), ambos publicados pela Boitempo. É autor, entre outros, de Os sentidos do trabalho (1999), O caracol e sua concha (2005), O continente do labor, (2011) e o mais recente O privilégio da servidão, que acaba de ganhar uma nova edição, revista e ampliada, este ano.

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Este texto foi originalmente publicado no “Blog da Boitempo” [Aqui!].

Líder improvável, Alexandre Frota clama “saiam do Twitter” e organizem o impeachment de Bolsonaro

af jbO deputado federal Alexandre Frota (PSDB/SP) e o presidente Jair Bolsonaro no tempo em que eram aliados

Se há uma máxima imutável na política é que não existe espaço vazio que fique vago por muito tempo. É enquanto os partidos da esquerda têm flagrantemente patinado em relação ao que fazer diante das ações do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB/SP) resolveu partir para uma defesa aberta para a criação de um movimento suprapartidário cujo objetivo seria apear do poder, via impeachment, o presidente Jair Bolsonaro (ver vídeo abaixo).

Em que pese a linguagem adotada, Alexandre Frota explicita questões objetivas sobre os mecanismos que têm sido adotados para fazer frente aos ataques desferidos pelo presidente Bolsonaro e seus seguidores contra as instituições democráticas e, principalmente, aos esforços de controle e combate à pandemia causada pelo coronavírus.

De forma enfática, Frota coloca o dedo na ferida quando diz que “não adianta ficar no Twitter fazendo críticas, palestrinhas, discursos acalorados e repetitivos. Twitter não é resposta para este tipo de gente. Twitter não é resposta para o Bolsonaro. A resposta é o impeachment“.

Não custa nada lembrar que Alexandre Frota foi, digamos, uma das faces que ajudaram a tornar o candidato Jair Bolsonaro mais palatável para determinados setores da população. E que estando atualmente no PSDB,  Frota não fez nenhum giro ideológico em relação, por exemplo, ao modelo de economia ultraneoliberal que o governo Bolsonaro está impondo.  Desta forma, a consolidação de uma postura pró-impeachment de Alexandre Frota pode representar apenas uma exaustão da utilidade da figura de Jair Bolsonaro para determinados setores das elites brasileiras.

A pergunta que se coloca é a seguinte: os partidos de esquerda e movimentos sociais vão deixar que Frota lidere o caminho do impeachment?

Pesquisador protocola pedido de impeachment de Jair Bolsonaro com base em artigo publicado na Science

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Um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro foi protocolado na manhã desta segunda-feira (20/04) junto à Câmara Federal, tendo com base resultados de um artigo publicado no dia 17 de Abril de 202 pela prestigiosa revista científica Science (ver imagem abaixo). 

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O autor deste pedido de impeachment é um dos autores do trabalho, o doutorando Lucas Ferrante do Programa de ECologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).  No ofício por meio do qual protocolou o pedido de impeachment do presidente Bolsonaro, Ferrante aponta que o artigo publicado pela Science aponta que ” a medida que a doença de coronavírus do 2019 (COVID-19) se espalha pelo Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro negou repetidamente a gravidade da pandemia e  transmitiu informações enganosas e mensagens mistas sobre como responder, defendo o uso de hidroxicloroquina e o fim da quarentena. As evidências científicas atuais contradizem essas informações, e o discurso do Presidente coloca a população em risco.

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Ferrante lembra que o artigo ainda diz que “ na escala nacional o Brasil deve manter uma quarentena nacional para mitigar o impacto da doença. Medidas favorecidas pelo presidente do Brasil, como isolamento vertical ou uma quebra parcial do isolamento, entram em conflito com as recomendações da Organização Mundial da Saúde e com estudos científicos, colocando em risco toda a população do Brasil. A eficácia da hidroxicloroquina não é confirmada, embora seus riscos sejam.

Em seu ofício à Câmara de Deputados, Lucas Ferrante lembra que “com base nessas informações publicadas no maior periódico do mundo torna-se claro que o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro vem cometendo crime de responsabilidade
contra a saúde pública colocando todo o povo brasileiro em risco eminente“.

Ainda que não se saiba o destino que será dado a esse pedido de impeachment, o fato é que temos diante de nós uma novidade: em vez de um documento preparado por advogados como foi o caso do impeachment de Dilma Rousseff. Tampouco o pedido está sendo apresentado por um partido político ou representante dele. Em vez disso, o que temos agora são alegações iniciais baseadas em um artigo científico que passou pelo crivo rígido dos editores da Science, simplesmente a maior revista científica do planeta. Um aspecto interessante é que ocorre em face de um presidente que é conhecido por desdenhar do conhecimento científico e por ter um ministro da Educação, o insuperável Abraham Weintraub, que fez do seu ofício principal trabalhar para precarizar as universidades e institutos federais. Se isso não for um tipo de ironia suprema, eu não sei o que seria.

 

A repercussão internacional do “golden shower” de Bolsonaro pode ser mais desastrosa do que se pensa

Fosse o presidente Jair Bolsonaro minimamente orientado sobre o que significa o cargo que ocupa é bem provável que ele não tivesse reagido de forma tão figadal às imagens de multidões gigantescas aproveitando as festas de Momo para lhe mandar um duro recado. Mas a verdade que ele não é e agora não apenas o Brasil, mas boa parte do planeta já sabe que não só estamos com um presidente cabeça quente, mas como ele não possui uma boa assessoria de comunicação. E isso está sendo deixado absolutamente claro pela mídia internacional que já publicou incontáveis matérias expondo com crueza o mato sem cachorro em que o Brasil se encontra neste momento pelo simples fato de ter eleito uma pessoa que não está à altura das tarefas do cargo.

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Obviamente falo aqui da repercussão mundial aos tweets que o presidente Bolsonaro publicou na sua página oficial na rede social Twitter sobre um ato público envolvendo o agora conhecido “golden shower” (que não passa do ato de alguém urinar na cabeça de outro com o consentimento do urinado, normalmente em momentos envolvendo a prática de sexo).

Ao contrário de muitos comentaristas, não atribuo grande significado aos tweets no mero plano do respeito ao cargo que Jair Bolsonaro ocupa por ter alcançado a maioria dos votos válidos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. É que o cargo de presidente já foi usado para coisas bem mais graves e que feriram o país de forma bem mais contundente, e ninguém veio falar em respeito à liturgia que deveria cercar o exercício da presidência da república. A privataria tucana que entregou centenas de bilhões de dinheiro público acumulado em estatais a preço de banana a uma malta de especuladores e outros tipos de chupins da riqueza nacional.

O problema para mim é outro. É que com pouco mais de 60 dias de governo Bolsonaro, a imagem do Brasil já tinha sido duramente desacreditada pelas pérolas emitidas por uma penca de ministros que trataram de demonstrar que nosso país está na mão de pessoas que, no mínimo, não entendem a importância das questões geopolíticas que determinam, entre outras coisas, quais países ocupam papéis centrais e quais são relegados ao ostracismo completo.

Mas agora não é um ministro ou ministra que tratou de colocar o Brasil numa posição de fragilidade, mas seu presidente. E isto, independente de se ter votado ou não em Jair Bolsonaro, terá consequências nas esferas econômica e política.  É que num momento em que a economia mundial passa por um instante de claro sobressalto, vai ser importante ter líderes que sejam respeitados e não tratados como instáveis e despreparados. O pior é que sinais de que estávamos sendo empurrados por vontade própria para a posição de párias da comunidade internacional já estavam claros. Agora, com essa exposição desnecessária do chefe do executivo federal, não há que ser grande expert em relações internacionais para prognosticar que as coisas que andavam ruins irão piorar.

E quem achar que a situação será facilmente resolvida com o impeachment de Jair Bolsonaro pode acabar quebrando a cara. É que mal saímos do impeachment de Dilma Rousseff e os efeitos desastrosos do golpe parlamentar estão mais do que evidentes, bem como quem foram os culpados.  Assim, qualquer tentativa de remover outro presidente eleito poderá ter efeitos imprevisíveis para um país afundado em uma grave crise econômica e social. Melhor que as elites tivessem sido menos irresponsáveis quando jogaram seu peso econômico e político para eleger Jair Bolsonaro. Parafraseando Jair Bolsonaro no tweet em que lançou o vídeo do “golden shower“, eu diria… “tirem suas conslusões”….

Rafael Diniz não tem ninguém a temer mais do que a si mesmo e seu estelionato eleitoral


Vejo que existe na mídia corporativa local um esforço para blindar o jovem prefeito Rafael Diniz de uma campanha de desgaste político que estaria sendo comandada pelo ex-governador Anthony Garotinho, que estaria ainda inconformado com a derrota acachapante que seu grupo político sofreu nas eleições para prefeito em 2016.
Minha reação a isso é simples. Se o jovem prefeito não tivesse praticado um dos maiores estelionatos eleitorais da política brasileira na história recente do nosso país, é provável que estivesse completando a tarefa de acabar com a influência política de Anthony Garotinho na política local.
Entretanto, como sua gestão à prefeitura de Campos dos Goytacazes tem estado numa posição de 180 graus de diferença em relação ao que prometeu em sua esfuziante campanha eleitoral, Rafael Diniz não só não acabou com a influência de Anthony Garotinho, como causou uma recuperação tipo “the Flash” de sua legitimidade política em amplos setores da população, habilitando-o a continuar não apenas como ator proeminente, mas como também como um poderoso cabo eleitoral.
E é melhor o jovem prefeito Rafael Diniz rever mais coisas do que simplesmente os valores escorchantes que queria praticar no IPTU. Do contrário, não vai precisar que Anthony Garotinho mexa um dedo para a população se rebelar para demandar o seu processo de impeachment pela Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes.
E conhecendo o comportamento recente de muitos ilustres vereadores que lá estão, é bom que Rafael Diniz não deposite seu futuro político nas mãos deles. É que será mais fácil ver sua base jogando mais gasolina na fogueira do que ligando para o Corpo de Bombeiros. Simples assim!

Fora Temer, eleições diretas já!

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Não há outra saída para o presidente “de facto” Michel Temer que não a renúncia se não quiser enfrentar um vexaminoso processo de impeachment.

Mas a renúncia ou impeachment não poderão, sob o risco de grave convulsão social ocorrer no Brasil, ser seguidos por uma eleição indireta via um congresso que igualmente perdeu a condição de legislar, quanto mais indicar um presidente postiço.

Para evitar aventuras de gabinete não há outra saída que não a maioria da população se colocar nas ruas para exigir a imediata realização de eleições diretas para presidente. E se isso não for bastante, que seja iniciada uma greve geral por tempo indeterminado. Simples assim!

Reunidos em assembleia, professores da Uenf aprovam atividades de resistência e pedido de impeachment do (des) governador Pezão

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Reunidos em assembleia na tarde desta 4a. feira, os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense avaliaram e aprovaram uma série de atividades para avançar o processo de luta contra o ataque que vem sendo realizado contra as universidades estaduais pelo (des) governo Pezão.

Uma das decisões se refere à realização de uma atividade que permitirá a que a população do Norte e Noroeste Fluminense, em especial a da cidade de Campos dos Goytacazes, possa ver de perto os projetos de pesquisa e extensão que estão sendo realizados na Uenf.

Os professores também decidiram que irão participar dos atos que estão sendo convocados pelo MUSPE para derrubar o pacote de maldades do (des) governo Pezão que inclui a privatização da CEDAE e a redução de salários.

A principal decisão política da assembleia foi a aprovação da preparação do pedido de impeachment do (des) governador Luiz Fernando Pezão por causa dos seus atos destrutivos contra a Uenf e as universidades estaduais.

Finalmente, os professores também decidiram manter o estado de greve como uma sinalização da sua disposição de lutar contra o projeto de desmanche das universidades estaduais pelo (des) governo Pezão.

Após a tomada dessas decisões, várias comissões foram formadas para implementar as decisões aprovadas na assembleia.

A Uenf resiste!