Butantan: Nova proposta permite derrubada de Mata Atlântica e instalações industriais em toda a área

O governador de SP Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, que desdenharam da vacina, agora saem em defesa para aprovar projeto mal explicado e afinado com seus interesses políticos

Protesto contra desmatamento: “Vacina, sim. Mas com sustentabilidade” – Foto: Daniel Garcia/Adusp

Por Cida de Oliveira*

O trator da devastação da floresta urbana no Instituto Butantan ganhou mais potência nesta semana. Na segunda (11), ambientalistas, moradores, vereadores da oposição e servidores foram surpreendidos com a publicação de uma nova proposta do prefeito de São Paulo, o bolsonarista Ricardo Nunes (MDB). Na minuta de substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 691/2025, de sua autoria, ele autoriza instalações industriais em toda a área do Instituto Butantan, localizado no bairro de mesmo na zona oeste da capital paulista, ao lado da Cidade Universitária (USP).

Conforme o vereador Nabil Bonduk (PT), integrante da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara, o texto é “inaceitável”. E piora o projeto original, aprovado em primeira votação em junho. Isso porque:

  • Libera loteamento de todo o terreno do instituto Butantan;
  • Permite o corte de toda a vegetação, já que a prefeitura não considera a Mata Atlântica em estado médio ou avançado de regeneração existe na área;
  • Legaliza os prédios problemáticos já em funcionamento, que estão incomodando a população devido ao barulho, e permite que sejam ampliados;
  • O substitutivo difere completamente de mapa já apresentado, que limitava desmatamento às áreas onde já estão os prédios; agora libera cortes em todo terreno do instituto;
  • Permite atividades industriais de alto potencial para incomodar os moradores do entorno;
  • Autoriza ruídos até 65 decibéis, índice para área industrial; e
  • Libera até eventos no local.

“É importante o Instituto ampliar a produção de vacinas, mas isso precisa estar compatibilizado com a proteção ambiental e sem prejudicar a vizinhança”, disse Bonduki. O vereador, que dialogou com todas as partes envolvidas, elaborou um substitutivo que possibilitava a ampliação fabril, mas restrita à área do atual complexo industrial, e com prédios mais altos. Isso para não devastar o bosque que inclui exemplares da Mata Atlântica. Obteve apoio das bancadas do PT, PSB e Rede, mas não foi acolhido pela Câmara. Segundo o mandato, ainda há diálogo em busca de um substitutivo capaz de garantir a proteção ambiental e da vizinhança.

Vacina sim, mas com sustentabilidade

Na avaliação do Movimento SOS Instituto Butantan, o projeto e a minuta de substitutivo são uma tentativa clara de viabilizar o plano diretor do Instituto Butantan, carregado de ilegalidades de natureza ambiental, urbanística, social e sanitária. Em nota de repúdio, o grupo apontou “a falta de lealdade e de transparência” do diretor do instituto, o médico Esper Kallás. Em audiência pública no último dia 5, ele disse que o plano previa o corte de aproximadamente 6.600 árvores, o que foi reduzido para 1.550 exóticas e 150 nativas. E na véspera, em entrevistas à grande mídia, ele havia assumido compromisso de preservação do restante da área do Instituto.

“Nos bastidores, pelo visto, já se preparava um outro substitutivo para viabilizar a execução completa do Plano Diretor original e muito mais. A notícia em audiência pública e que ganhou manchetes, então, não era verdadeira? Seria só uma estratégia para captar a simpatia do espectador e da mídia?”, questiona o movimento na nota. Ο SOS Instituto Butantan voltou a defender que a construção de fábricas para a produção de vacinas contra a dengue, gripe aviária e vírus sincicial seja realocada para uma outra área, em outro ponto, devido aos riscos que representa. “E eventual atraso na produção de vacinas, se há ou se haverá, não pode ser imputado à sociedade civil, mas será resultado da falta da Fundação e do Instituto Butantan, que há anos resistem em adotar procedimentos legais obrigatórios que já lhes teriam rendido condições de ter alcançado seu objetivo institucional”, disse o movimento, que reitera a defesa da vacina e da sua produção, mas em local adequado.

Se não fossem sórdidos, os pontos do projeto de licença para o crime ambiental ainda estão em desacordo com o seu próprio relatório de sustentabilidade, referente a 2023. Segundo a publicação oficial, “a flora e a fauna do Instituto Butantan são predominantemente típicas da Mata Atlântica, destacando-se tanto as árvores centenárias que compõem o ambiente arbóreo, como o cedro-rosa e o jatobá, quanto a diversidade de mamíferos, aves e répteis que habitam suas dependências”. E que o parque do instituto “se destaca por agir sobre o microclima local e a possibilidade de lazer e contato com a natureza”.

Além disso, ainda segundo o documento, a vegetação conta com espécies de árvores nativas e exóticas, com valor histórico significativo e de importância “para a manutenção das demais espécies, além de contribuir para um ambiente mais saudável e para o bem-estar da comunidade nas proximidades”. Mais: tem papel fundamental “na manutenção de processos ecológicos essenciais e no abrigo de populações remanescentes de animais e plantas nativas”, servindo de abrigo e fonte de recursos para a fauna local e descanso e alimentação para espécies migratórias.

Segundo o relatório, há no local espécies arbóreas típicas, como cedro-rosa, jatobá, angico-branco, paineira, figueira-branca, com mais de 100 anos e significativo valor histórico e ambiental, “tanto para o Instituto quanto para a Mata Atlântica Paulistana”. Quanto à fauna local, abriga mamíferos como o gambá-de-orelha- -preta, preá, sagui, tatu-galinha e esquilo, entre outros, com funções essenciais ao habitat. Há ainda mais de 60 espécies de aves, como a rolinha, asa-branca, beija-flor-tesoura, tucano-de-bico-verde, pica-pau-de-cabeça-amarela, carcará, periquito-verde, joão-de-barro, bem-te-vi e sabiá-laranjeira, entre outros. E também espécies de répteis e anfíbios.

Reunião da tropa de choque

Combinada com a apresentação da proposta nefasta, na mesma segunda-feira o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) reuniu no Palácio dos Bandeirantes o prefeito Nunes e seus vereadores aliados. Muito provavelmente para pressionar a aprovação dos planos governamentais para o Butantan “em nome da vacina”, já que a pressão popular ganha força. E também porque o PL do prefeito passou em votação no primeiro turno com 33 votos favoráveis, seis contrários e oito abstenções. Embora sejam necessários 28 votos, a votação foi considerada apertada.

Um dos vereadores presentes, Danilo do Posto de Saúde (Podemos) festejou a reunião. Em seu post em uma rede social, destacou a participação em encontro para discutir “importante projeto de ampliação da produção de vacinas do Instituto Butantan que devemos votar na Câmara nos próximos dias”. O tom eufemista do parlamentar que sempre votou a favor dos interesses da gestão e contra o dos trabalhadores da sua categoria, aliás, foi ofuscado por um leitor. Em seu comentário, lembrou o posicionamento antivacina de Tarcísio e Nunes. “Eu hein, vão pensando que esqueci em quem esses dois apoiam. Quem era contra vacina e oferecia cloroquina enquanto 700,000 morriam. Contra fatos não existem argumentos.”

 Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes chamaram vereadores para reunião no Palácio dos Bandeirantes, como Danilo do Posto de Saúde (Podemos) para tratar da aprovação da ampliação do Butantan

Em outubro de 2024, durante campanha que o elegeu prefeito, Nunes reafirmou ser contra o passaporte de vacina da covid-19, uma exigência criada pela prefeitura no início de 2022 em eventos realizados na capital. “Imagina você ter que ter um documento para ir a uma missa, ir a um culto, ir a um restaurante. Acho que isso não tem sentido”, disse. Dias antes, afirmou ser contra a obrigatoriedade da vacina em participação no podcast do também bolsonarista Paulo Figueiredo. O empresário ligado à extrema direita é o mesmo parceiro de Eduardo Bolsonaro em suas incursões contra o Brasil junto a autoridades dos Estados Unidos. “Tenho muita tranquilidade, depois de toda experiência, e tenho humildade para te falar que hoje sou contra a questão da obrigatoriedade [da vacina]”.

Embora tenha classificado recentemente como erro o discurso contra vacinas do então presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador Tarcísio, bolsonarista, chegou a dizer em entrevistas ser contra a obrigatoriedade. “Acreditamos na vacina, vamos ter uma política de estímulo à vacinação, de conscientização de pais e mães. Mas entendo que a vacina não deve ser obrigatória. Devemos despertar a consciência”, Tal posicionamento, que desestimula pais a levarem seus filhos aos postos de vacinação, está entre as causas da perigosa redução da cobertura vacinal no Brasil.  Coerentemente, o governador vetou, em setembro de 2023, um projeto de lei para ampliação da prevenção do HPV, levando para as escolas a vacinação de crianças e adolescentes contra o vírus. O projeto havia sido apresentado pelas deputadas Marina Helou (Rede), Edna Macedo (Republicanos), Delegada Graciela (PL) e Patrícia Gama (PSDB). Ao vetar, Tarcísio alegou que já havia em execução políticas nesse sentido.

Ex-negacionistas antivacina

De uns tempos para cá, porém, os gestores dão sinais de que mudaram de opinião. E até apresentam e defendem a aprovação de mudanças na lei, que permitem até devastação ambiental, em nome da ampliação da produção de vacinas. Mas chama a atenção que esse discurso em favor do Instituto e sua importância para a saúde, não inclua ações para reverter o desmonte do instituto em curso há tempos, nem para recuperar os salários dos seus pesquisadores, defasado há pelo menos uma década em relação ao de outros órgãos, como a Fiocruz.

Novamente na mira de privatização na gestão João Doria, o centenário centro de pesquisa saiu ileso devido à pandemia. O então governador percebeu que importar uma vacina contra a covid-19, envasando e distribuindo com o selo Butantan, vinculado ao estado de São Paulo, traria mais dividendos políticos do que privatizar.

O fantasma da privatização voltou com o governador bolsonarista, que entregou a Sabesp e tem outros processos avançando. Curiosamente, em abril do ano passado seu governo colocou o Butantan em uma lista de 200 bens públicos a serem vendidos em um site para anunciar imóveis à venda, criado em 2016 com a aprovação da lei que permite a venda de bens públicos. O caso foi denunciado pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado (APqC), que representa pesquisadores do Butantan e outros órgãos. E acabou retirado do ar após a repercussão negativa. O governo Tarcísio alegou que houve um erro técnico, que publicou informações descontextualizadas. A APqC não caiu na conversa e acredita que o que ocorreu, na verdade, foi a realização de uma pesquisa de mercado por parte do governo de SP.

Privatização velada

Seja como for, há entre os pesquisadores antigos do Butantan a avaliação de que o instituto já vive um processo velado de privatização desde a criação da Fundação Butantan, em 1989. De direito privado, a fundação criada para gerir o instituto do ponto de vista financeiro e administrativo tem atualmente cerca de 3.500 empregados. Já o instituto, com perto de 400 servidores, convém à fundação por seu caráter público. Com o passar do tempo, a fundação não investiu no instituto. E apenas em si mesma.

A fundação, aliás, vive no radar de órgãos de fiscalização, como o Ministério Público, que já recomendou a preservação das árvores. E também o Ministério Público de Contas do estado. O procurador José Mendes Neto, que já reprovou contas da Fundação Butantan e por isso passou a estudar a relação Fundação-Instituto. Em audiência pública na Assembleia Legislativa (Alesp) em novembro passado, destacou absurdos, como salários acima do teto do funcionalismo na fundação. E a impossibilidade de estabelecer onde termina o público e começa o privado nessa relação.

Segundo ele, o desequilíbrio no número de funcionários e o faturamento com venda de vacinas e outros imunobiológicos, deixam claro a inconstitucionalidade da relação. Em 2015, o instituto tinha 688 servidores e 847 vagas a serem preenchidas por concurso, o que há muito não realiza. Já a fundação tinha naquele ano 1.298 empregados atuando no instituto. “A fundação virou um braço para atuar onde deveria ter funcionários públicos concursados”, disse.

Em 2018, eram 1.531 celetistas na fundação. Em 2022, no período pós-covid, eram 3.352 empregados no complexo Butantan. “O instituto tinha 415 estatutários. Hoje menos de 400 servidores, muitos em vias de se aposentar”.

Fundação inconstitucional

Quanto ao faturamento, em 2015 a fundação teve um bruto de R$ 1,259 bi. E em 2018, R$ 1,796 bi. Na ocasião ele não tinha dados sobre 2021, auge da remuneração com a venda da vacina contra a covid. Mas estimou que, em 2022, esteve em torno de R$ 3,337 bi.  “Como um órgão público, que não tem personalidade jurídica, o instituto é uma UGE (Unidade Gestora Executora) da Secretaria Estadual de Saúde de SP, junto com a Fundação Butantan, que é uma associação sem fins lucrativos, pode ter um faturamento de bilhões com a venda de vacinas e biofármacos, concorrendo com empresas imensas do ramo farmacêutico?”, questionou.

E emendou: “Afirmo: essa relação é inconstitucional. Porque quando o estado intervém na economia, explorando atividade econômica e a produção de vacinas, concorrendo com o setor privado, ele só pode fazer de duas formas, conforme o artigo 173 da Constituição federal. Ou por sociedade de economia mista ou empresa pública. Não existe na Constituição a ideia de que um órgão público misturado a uma associação privada sem fins lucrativos tenha atividade empresarial tão grande e tão lucrativa”, disse. 

Essa corrida para a derrubada de exemplares de Mata Atlântica, protegidas e tombadas, em nome da alegada ampliação fabril do Butantan, permite muitas indagações. Entre elas, a possibilidade de esse projeto sair do papel com a mesma rapidez com que querem passar seu trator. Em razão da burocracia e da falta de recursos, a Fiocruz enfrenta dificuldades para avançar em seu Complexo Industrial de Biotecnologia (Cibs). Segundo Acordão do TCU, as obras iniciadas em 2009 foram paralisadas logo que começaram, em um distrito industrial no distante bairro de Santa Cruz, no Rio, que lembra um pasto. Há apenas alicerces para os 46 prédios projetados para fabricar imunizantes. Ainda não há previsão de retomada das obras.

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*Cida de Oliveira é jornalista

Boiada: Projeto de expansão do complexo Butantan avança sobre floresta tombada

Sem licenciamento ambiental nem transparência, projeto com aval da prefeitura paulistana já cortou quase 600 árvores, a maioria nativas

Prédio símbolo do Butantan em meio à floresta urbana protegida, porém sob ataque. Foto: Acervo Butantan

Por Cida de Oliveira 

O incremento da produção nacional de vacinas, com a fabricação propriamente dita, que vai além do envase e distribuição de formulações importadas, tem o apoio de todas as pessoas preocupadas com a saúde pública e a soberania brasileira no setor. No entanto, a direção do Complexo Butantan tem se agarrado a esse argumento para justificar seu projeto de ampliação à custa da derrubada de 6.629 árvores da floresta urbana na qual o instituto está inserido há 120 anos. Bem como da construção de novas fábricas, algumas já em curso, em áreas devastadas com o corte de quase 700 árvores, a maioria nativas, sem o devido licenciamento ambiental. Se fosse pouco, moradores de bairros densamente povoados no entorno enfrentam a possibilidade de alto risco biológico, inclusive a comunidade universitária da vizinha USP. Estão no horizonte também prejuízos socioambientais à cidade de São Paulo como um todo, com impacto não calculado.

“É preciso subir obra para produzir vacinas, para ampliar a capacidade de produção e atender necessidades”, defende o médico infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan. O especialista indicado para o cargo pelo governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a repetir a cantilena em uma audiência pública nesta terça (5), na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Após uma introdução enaltecendo a trajetória do instituto e sua importância para a saúde da população e o SUS, Kallás minimizou os efeitos nocivos do processo em curso. E chegou a afirmar que, antes dele ser alçado ao comando do instituto, o projeto era cortar mais de 10 mil árvores. A mudança, segundo ele, foi devido a uma revisão do plano diretor.

Segundo seus auxiliares, o que há na instituição é um “projeto de restauração ecológica” em consonância com o marco legal da Mata Atlântica, que prevê o plantio de aproximadamente 9 mil árvores nativas. O objetivo seria compensar o corte previsto com uma certa vantagem ambiental, segundo eles. Isso porque, entre as árvores na mira da motosserra, estão muitas exóticas, que representariam “riscos ecológicos e provocariam degradação do solo”, entre outros problemas. “O Butantan quer devolver vegetação nativa”, afirmaram.

Proteção ao patrimônio ambiental

Os argumentos do gestor do Butantan e seus auxiliares, entretanto, não convencem representantes da sociedade civil reunidos no movimento SOS Butantan. “A redução do número, do volume de corte de árvores, [não tem impacto] no tempo de crescimento de outras. E por mais que sejam árvores exóticas, não deixa de ser um prejuízo. Em tempos de crise climática que nós vivemos isso é um problema; não é uma coisa qualquer cortar árvores na cidade de São Paulo”, refutou o ativista Ernesto Maeda.

Do mesmo grupo, Andrea Caetano destacou que a mata ameaçada do Butantan está imune de corte. “É área de preservação, protegida por lei e deve ser preservada. Somos contra o desmatamento de qualquer árvore que seja”, afirmou.

De fato, o Instituto Butantan teve seu patrimônio arquitetônico e paisagístico tombado em 1981 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). E, em 1981, pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). Entre um tombamento e outro, o então governador paulista Orestes Quércia (1938-2010) assinou o Decreto n° 30.443, de 20 de setembro de 1989, que considera as árvores do Butantan, nativas ou não, patrimônio ambiental e por isso imunes de corte. Quercia levou em conta, entre outras coisas, o dever do poder público de preservar o meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida, incluindo a proteção da fauna e da flora. E vedou práticas que põem em risco a função ecológica e que provoquem a extinção de espécies. Em suma, o decreto visa contribuir com a preservação dos exemplares arbóreos urbanos, especialmente aqueles situados em áreas de grande densidade populacional a exemplo da capital paulista.

Falta de participação da sociedade

Apesar disso, o Complexo Butantan – formado pelo instituto centenário, responsável pela pesquisa científica que respalda a produção, e a Fundação Butantan, ente privado criado para gerir o instituto administrativa e financeiramente – segue seu projeto. Sem ouvir a população, atua junto à esfera pública para incluir mudanças de seu interesse na legislação. E também para obter autorizações em conselhos de preservação do patrimônio.

Sem nenhuma audiência pública, a Câmara aprovou no último dia 25 de junho, em primeiro turno, o PL 691/2025, de autoria do Executivo municipal. Foi apertado, com 33 votos favoráveis, seis contrários e oito abstenções. Falta passar em segunda votação, ainda sem data.

Em seu texto, o prefeito Nunes estabelece uma Zona de Ocupação Especial (ZOE) em que insere a área do Instituto Butantan. A iniciativa, se aprovada em segundo turno, permitirá edificações com até 48 metros de gabarito. Ou seja, com a mesma altura de 16 andares, bem no meio da cobertura vegetal tombada. A legislação atual permite no máximo 18 metros, equivalente a 6 andares.

O prefeito atende assim a pedido da direção do Butantan, que quer adequar a legislação municipal aos seus interesses. “As alterações promovidas [conforme o projeto apresentado] derivam de pedido formal apresentado pelo Instituto Butantan, para melhor compatibilização do Plano de Intervenção Urbana do Arco Pinheiros (PIU-ACP) com suas atividades, que são essenciais para o desenvolvimento e para a saúde em âmbito nacional”, argumenta.

Trata-se de instalações para a produção de vacinas, como da Dengue, Chikungunya e HPV, além de soros e medicamentos monoclonais. Segundo Nunes, há recursos do Ministério da Saúde, BNDES, Governo do Estado de São Paulo e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID, totalizando investimento de aproximadamente R$ 1,2 bilhões.

Vista grossa a irregularidades

Ainda para justificar seu projeto, Nunes destaca que o mesmo plano diretor que prevê a ampliação do parque produtivo e a devastação florestal foi aprovado pelo Conpresp e o Condephaat. No entanto o plano, chamado oficialmente de Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), não estava assim nos conformes. O Conpresp aprovou sua revisão em 2024, após dois anos da apresentação.

O órgão fez vista grossa a aspectos graves apontados em análise técnica do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo: redução da cobertura vegetal e da área permeável, da geração de processo erosivo, alteração no escoamento das águas pluviais, perda de habitats da fauna e mudanças microclimáticas. O mesmo para os impactos causados pela ampliação da atividade industrial. É o caso da poluição sonora e atmosférica, aumento do consumo de água e da produção de efluentes líquidos e resíduos sólidos.

E aprovou o plano do Butantan reduzindo levemente a altura do gabarito máximo para novas obras. Em vez dos 60 metros pleiteados pelo complexo, baixou para 48 metros, ainda assim mais alto que os 28 metros autorizados para a Zona de Ocupação Especial (ZOE) na qual atualmente estão inseridos o Instituto Butantan e a Cidade Universitária da USP. Essa zona, aliás, é desmembrada no projeto de Nunes em análise na Câmara dos Vereadores.

Imagem aérea dá uma ideia da cobertura florestal tombada, porém seriamente ameaçada de destruição

Conflito de interesse e improbidade

Já no Condephaat a aprovação do PDDI do Butantan resultou de uma relação que revela sinais aparentes de promiscuidade. Em 2018 a direção contratou o escritório privado de Carlos Augusto Mattei Faggin para elaborar o plano, pagando mais de R$ 1 milhão. Só que havia conflito de interesses, já que Faggin era o presidente do órgão de defesa da preservação desde 2017.

Além disso, o autor do plano tem biografia manchada por condenação por improbidade administrativa. Em novembro de 2024 a Justiça o condenou novamente após cancelamento de decisão anterior. Trata-se da emissão, em 2010, de um parecer técnico em que Faggin se manifestou contrário ao tombamento de um casarão em Guarulhos, importante para a preservação da história da imigração italiana no município. Para ele, que já atuava no Condephaat, o imóvel não tinha relevância suficiente. Acabou demolido para dar lugar a vagas de estacionamento de um shopping.

Segundo Faggin informou por escrito aos conselheiros do Condephaat, sua consultoria ao Instituto Butantan envolveu três contratos. O primeiro entre 2018 e 2019, o segundo em 2021 e o terceiro entre maio de 2022 e fevereiro de 2023. Segundo ele, o trabalho de elaboração do PDDI se estendeu por doze anos até ser aprovado no órgão. Mas que não houve, no período, sua participação nas discussões, deliberações e nas votações da matéria.

Ruptura ecológica

Arquiteta e ativista, a vereadora paulistana Renata Falzoni (PSB) tem muitas críticas e argumentos contra o projeto de expansaão. Deixando claro que o que está em discussão não é a importância da vacina ou do Butantan, e sim o uso do solo, cobrou o debate na Câmara sobre preservação ambiental e aprovação de projeto que prevê a supressão de 6.629 árvores. “A gente tem de começar a discutir aqui esse marco legal que permite esse tipo de coisa. Como pode permitir a extinção de uma floresta urbana? Fala-se que vai ter compensação. Quando? Onde? Como saber que depois de 20 anos essas novas árvores vão contribuir para o ambiente da cidade da mesma forma que as atuais [na mira da derrubada]?”, questiona.

A parlamentar lembra ainda que o PL do prefeito Nunes, sob encomenda do Butantan, embute uma “ruptura ecológica e urbanista”. “Isso tem de ser levado em consideração porque compromete a continuidade de ecossistemas vinculados à floresta urbana. A gente vai ter fragmentação dos corredores ecológicos, com impacto na fauna silvestre urbana que usa esses corredores para se deslocar”.

Outro alerta é que a construção de prédios mais altos prevista no projeto, cujas sombras serão projetadas sobre a cobertura vegetal, terá efeito nefasto sobre essa floresta. E questiona: “Será que não tem mesmo alternativa? Não é possível ocupar galpões vazios localizados em outras regiões mais distantes da cidade?”. Ela lembra que a Fiocruz, em seu processo de expansão, transferiu-se para bairros distantes do Rio de Janeiro, como Santa Cruz, por atender demandas pensadas e estruturadas de forma ecológica. A gente não pode mais suprimir árvore alguma”.

A vereadora Luana Alves (Psol) cobra do Instituto Butantan seu compromisso com a preservação ambiental enquanto instituição pública. E se queixa da falta de justificativa plausível e detalhada da alegada inviabilidade de construção de fábricas em uma grande área do instituto no município de Araçariguama, na região de Sorocaba, entre as rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares.

Alternativas locacionais e outros mistérios

Segundo ela, seu mandato vai pedir oficialmente ao Butantan que apresente a discriminação de dados e valores que demonstrem essa inviabilidade. “Será que o custo será mesmo maior do que ter fábricas em área densamente povoada, com impactos ambientais? Precisamos avaliar”, pondera.

A apresentação de alternativas locacionais ao projeto foi questionada também pelo vereador Nabil Bonduki (PT). Urbanista, o parlamentar cobrou informações sobre possíveis negociações conduzidas pelo Estado em busca de outras áreas. E também em relação à possibilidade de uso do patrimônio federal na região do Jaguaré. 

Em 2022, o Movimento Defenda São Paulo ingressou com representação no Ministério Público estadual para investigar o plano diretor. A princípio acolhida, a demanda por investigação não prosperou. Para o movimento SOS Butantan, muitas questões relativas a indícios de vícios ou irregularidades envolvendo o plano de ampliação seguem sem resposta, apesar dos esforços para obtenção de esclarecimentos. Confira algumas delas:

Como é possível defender a implantação de uma indústria de vacinas, do porte proposto pelo PDDI, com classificação de nível de risco biológico 3 em escala de 0 a 4, em área densamente povoada como é o bairro do Butantã?

Onde estão os relatórios básicos (EIA/RIMA), alvarás e certidões exigidos pela legislação municipal?

Onde e quando o Instituto Butantan protocolou o EIA/RIMA para a expansão pretendida, já que os indícios regulatórios apontam fortemente para essa exigência, em razão do porte industrial e da complexidade do PDDI?

Como a Cetesb pôde licenciar o projeto sem a apresentação do EIA/RIMA?

Por que as alternativas locacionais, previstas em lei, não foram apresentadas aos órgãos competentes?

Por que a obrigatoriedade de audiências públicas durante o licenciamento foi descumprida?

Por que a blindagem do processo de análise do PDDI pelo MP? O prazo de quatro meses aventado pela Fundação Butantan para solucionar o problema da poluição sonora ininterrupta, que inferniza os moradores da região, configura “caráter de urgência”?

Como se deu a mudança brusca de pareceres do MP, de favorável à demanda da Rede Butantã, com sólido parecer dado em 2022, para “denúncia inconsistente”?


Cida de Oliveira é jornalista

Estudo aponta que Coronavac neutraliza a ômicron

omicron coronavac

Um trabalho publicado na última segunda (10) na plataforma de preprints Research Square mostrou que pessoas que completaram o esquema vacinal de duas doses com CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac, e depois foram infectados pela variante delta do vírus SARS-CoV-2 estão protegidas contra a cepa ômicron – o que não acontece com quem teve a doença mas não tomou a vacina. Pesquisadores da Universidade Médica Hebei, em Shijiazhuang, e do Beijing Instituto de Microbiologia e Epidemiologia, ambos da China, descobriram que, nessas condições, a efetividade de neutralização da vacina é 14 vezes maior na comparação com quem não recebeu a imunização.

Os cientistas avaliaram a atividade neutralizante de soros coletados de dois grupos de pacientes previamente infectados pela variante delta: o primeiro grupo, de 18 a 77 anos, havia sido vacinado com duas doses da CoronaVac, e o segundo grupo, de nove a 17 anos, não havia sido vacinado. Todos foram infectados durante um surto da delta entre outubro e novembro de 2021 na cidade de Shijiazhuang. Todas as amostras analisadas na pesquisa foram coletadas entre 47 e 53 dias após o aparecimento dos primeiros sintomas. As avaliações foram feitas em relação à cepa original de Wuhan e às variantes beta, delta e ômicron.

“Descobrimos que os níveis de anticorpos contra a cepa original de Wuhan e contra a variante ômicron no grupo vacinado foi significativamente maior do que o observado no grupo não imunizado”, apontaram os pesquisadores. “É importante ressaltar que, após a vacinação, os pacientes com a infecção delta induziram efetivamente um aumento substancial na neutralização do soro contra o vírus de Wuhan e a variante ômicron.”

No grupo vacinado com CoronaVac, formado por 31 convalescentes, foi observado que a infecção com delta após a vacinação aumentou a resposta de anticorpos contra a cepa de Wuhan para 3.942 (títulos), sete vezes mais do que o observado no grupo não-imunizado. Já a resposta de anticorpos contra a variante delta foi de 1.160 (títulos). Com relação à ômicron, a efetividade de neutralização foi avaliada em 269 títulos de neutralização, ou seja, 14 vezes maior do que o resultado do grupo convalescente não-vacinado.

O grupo não vacinado, que serviu de base de comparação, era formado por 28 convalescentes, sendo 26 deles jovens com idades entre nove e 17 anos. Ao realizar o ensaio de neutralização do soro deste grupo, os pesquisadores verificaram um grau de neutralização contra a cepa de Wuhan muito menor do que o do grupo vacinado (média de 563 títulos de neutralização) e praticamente igual em relação à variante delta (1.245 títulos), que havia causado a infecção e contra a qual haviam ganhado imunidade. No entanto, a atividade neutralizante contra a variante beta mostrou-se bem menor (38,5 títulos) e apenas seis amostras de soro exibiram atividade neutralizante detectável contra a ômicron, com média de 19,2 títulos de neutralização.

De acordo com os pesquisadores, a neutralização aprimorada para variantes entre os vacinados com CoronaVac pode ser devido à ampla e potente atividade neutralizante de anticorpos produzidos pelas células B de memória. “Nossos dados sugerem que a infecção por delta após a vacinação pode gerar uma forte resposta de anticorpos para indivíduos previamente vacinados, não apenas ao considerar os níveis de anticorpos, mas também ao examinar os resultados da atividade neutralizante para as variantes”, apontaram os pesquisadores.

Os ensaios foram realizados com pseudovírus da cepa original de Wuhan e das variantes beta, delta e ômicron. Pseudovírus são elementos que podem ser produzidos naturalmente durante uma infecção ou artificialmente em laboratório. Comparado a um vírus vivo, um pseudovírus contém fragmentos de DNA da célula humana infectada pelo SARS-CoV-2 sem conter componentes genéticos do vírus, o que torna sua manipulação muito mais segura.

Instituto Butantan lança dossiê sobre todo conteúdo publicado sobre a eficiência da Coronavac

O material contém mais de 700 páginas e comprova, mais uma vez, que a vacina é segura eficaz e recomendada para todos os públicos

dossie-coronavac

A partir desta sexta-feira (7), o dossiê digital CoronaVac – O que a ciência comprova, que reúne pesquisas de efetividade e ensaios clínicos publicados nas principais plataformas científicas de todo o mundo, passa a ficar disponível para especialistas em saúde pública, médicos, pesquisadores e sociedade civil.

O material traz temas como a alta resposta imune provocada pela CoronaVac, a capacidade da vacina de combater as variantes do SARS-CoV-2, sua segurança para gestantes, bebês, crianças, adolescentes, idosos, pessoas com comorbidades e imunossuprimidos, além de dados sobre a importância da dose de reforço e os registros de segurança, que mostram a baixa incidência de efeitos adversos do imunizante.

Com mais de 700 páginas e dividido em oito capítulos, o dossiê contempla pesquisas veiculadas em publicações internacionais como The Lancet, Vaccine, Frontiers of Immunology, Future Oncology, entre outras. Cada capítulo possui uma introdução resumida em português e diversas publicações originais em inglês.

Veja os capítulos do dossiê abaixo:

Capítulo 1 – Alta resposta imune 

Em janeiro de 2021, a CoronaVac teve sua eficácia comprovada conforme as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos meses seguintes também foram publicados outros artigos científicos que confirmam a capacidade de proteção e segurança da vacina do Butantan.

Capítulo 2 – Combate às variantes do coronavírus

A efetividade da vacina contra as variantes beta, gama e delta do SARS-CoV-2 foram demonstradas em estudos realizados no Brasil e em outros países.

Capítulo 3 – Segurança para gestantes e para os bebês 

Estudos comprovaram 85% de eficácia da CoronaVac na prevenção de casos graves entre gestantes e puérperas e mostraram que a proteção do imunizante é passada aos bebês pelo leite materno.  

Capítulo 4 – Proteção a indivíduos com comorbidades

A CoronaVac é segura e gera soroconversão em pessoas que têm HIV, hepatite B, câncer, doenças reumáticas, entre outras imunodepressões. 

Capítulo 5 – Eficácia em idosos

A CoronaVac foi o imunizante que iniciou a vacinação contra a Covid-19 no Brasil, protegendo profissionais da saúde e pessoas acima de 60 anos. Em poucos meses, a queda da mortalidade entre idosos já pode ser sentida, comprovando novamente a efetividade da vacina. 

Capítulo 6 – Proteção a crianças e adolescentes 

Estudos de ensaios clínicos com jovens de três a 17 anos mostram que a CoronaVac é segura e gera forte resposta imune nesta população. 

Capítulo 7 – Multiplicação de anticorpos na dose de reforço 

A dose de reforço da CoronaVac eleva a proteção contra a Covid-19 para 80%, segundo números do governo chileno. Além disso, aumenta mais de 12 vezes o nível de anticorpos de quem tomou duas doses. 

Capítulo 8 – Raros efeitos adversos

Entre todas as vacinas aplicadas no Brasil, a CoronaVac é a que causa menos efeitos adversos, e mais leves, de acordo com números de ensaios clínicos e de estudos científicos.

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Cianobactérias tóxicas são identificadas em reservatórios usados para captação de água em Campina Grande (PB)

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Um grupo de pesquisadores de diferentes instituições brasileiras (UFRJ, UENF, Instituto Butantan, Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto e da  Secretaria de Saúde de Campina Grande) acaba de publicar um artigo na revista “Frontiers in Microbiology” sob o título “Occurrence of Harmful Cyanobacteria in Drinking Water from a Severely Drought-Impacted Semi-arid Region“. 

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Neste trabalho são apresentados os resultados de um estudo  realizado para investigar a qualidade da água de vários reservatórios de água usada para consumo pela população da região metropolitana de Campina Grande (PB). O trabalho traz algumas descobertas importantes acerca da proliferação de cianobacterias potencialmente tóxicas e, por isto, nocivas à saúde humana nos reservatórios estudados.

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Para chegar a estes resultados, o grupo de pesquisadores utilizou uma ampla gama de metodologias  que incluiu  metagenômica, quantificação de abundância microbiana, Teste ELISA para três cianotoxinas (microcistina, nodularinas e cilíndrospermopsina) e ainda testes ecotoxicológicos in vitru com embriões de peixe zebra.

A análise de citometria mostrou alta abundância de cianobactérias, enquanto a metagenômica identificou uma média de 10,6% das seqüências cianobacterianas, e ainda demonstrou a presença de genes de codificação de microcystis, cilíndrospermose e toxina em todas as lagoas estudadas.  Além disso, os embriões de peixes-zebra apresentaram  alta mortalidade e diferentes malformações, o que foi atribuído à presença das cianobactérias identificadas.

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Este estudo é importante na medida visto que há um histórico de escassez de água na região Nordeste, o que vem a se somar com o processo de contaminação das fontes de água existentes, especificamente por cianobactérias. Mas o alcance do estudo vai além, na medida em que a maioria das cidades brasileiras ainda não oferecem água potável tratada em condições adequadas para toda sua população, obrigando especialmente os segmentos mais pobres a lançarem de outras fontes, muitas delas com potencial para apresentar o mesmo tipo de contaminação por cianobactérias.

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