Irã aponta um fato inexorável: não há futuro no petróleo

O mundo acordou hoje para as consequências imediatas da suspensão do embargo econômico promovido contra a república islâmica do Irã após o governo daquele país cumprir as exigências feitas em relação ao abrandamento do seu programa nuclear.

Mas para quem pensa que está todo mundo contente com o retorno do Irã ao acesso pleno à economia mundial, engana-se redondamente. Para tanto, basta ver duas matérias publicadas sobre o assunto pela Rede Francesa de Informação (RFI) e pela BBC que são mostradas nas imagens abaixo.

É que a alegria do Irã em poder retomar US$ 100 bilhões de dólares que estavam arrestados nos países ocidentais e de poder vender seu petróleo livremente estão causando uma forte derrubada das bolsas de valores no Golfo Pérsico, deixando as monarquias da região em polvorosa. Aliás, o mesmo efeito deverá ser sentido nas bolsas da Ásia, da Europa e dos EUA. 

Aparentemente o que é bom para a paz e para o Irã é péssimo para os especuladores que operam no mercado de ações.

Agora, interessante mesmo é o conteúdo de uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo e que repercute conteúdo de agências internacionais. É que, como mostra a imagem abaixo, o governo dos aiatolás não quer que a economia iraniana continue dependente da venda do seu petróleo!

oil crise 3

É que além de saber que a entrada do seu próprio petróleo vai jogar ainda mais os preços que já estavam afundando, o Irã também sabe que há uma forte mudança em curso na matriz energética que tornará os combustíveis fósseis obsoletos.  Dai que a transição para menos dependência do petróleo deve estar sendo considerada como estratégica pelos iranianos.

Aliás, é só no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, que o petróleo ainda é tratado como esperança do futuro. Celso Furtado e Florestan Fernandes certamente atribuiriam este erro grosseiro de análise ao caráter dependente da economia brasileira. 

Refletindo crise, preço do petróleo cai ao menor valor desde 2009

 

petroleo

Um indicativo de que o comportamento regressivo da economia chinesa já está tendo impactos importantes, a Bloomberg News já colocou no ar uma matéria mostrando que o Índice Brent, principal indicador dos preços do petróleo bruto no mundo, caiu para menos de 45 dólares, o menor valor desde 2009 (algo em torno de US$ 43.72 como mostrado no infográfico acima).

Como os efeitos do desaquecimento da economia chinesa precisam ser associados ao aumento da oferta de petróleo, incluindo a entrada do óleo iraniano no mercado mundial, as expectativas é de que a queda nos preços vá continuar. Dai se depreende que a extração do petróleo do pré-sal poderá se tornar inviável economicamente.  Por outro lado, diante de preços cada vez menores, é de se esperar que em algum momento o preço da gasolina comece a cair no mercado brasileiro. Ou não!

Reuters: acordo nuclear do Irã vai derrubar ainda mais os preços do petróleo!

Pump Jacks are seen at sunrise near Bakersfield, California October 14, 2014. REUTERS/Lucy Nicholson/Files

A matéria abaixo publicada pela agência Reuters aponta que o acordo nuclear firmado pelo Irã terá como efeito indireto uma depressão ainda maior nos preços do petróleo em função do volta do país ao mercado internacional. O interessante é que o petróleo iraniano ainda vai levar um tempo para alcançar os mercados globais e os preços futuros já estão desabando. Além disso, como o mercado mundial de petróleo já está super carregado, quando o óleo iraniano chegar ao mercado mundial, a expectativa é de uma queda ainda maior nos preços.

Moral da história para os municípios petrorentistas na região da Bacia de Campos: apertem seus cintos, modernizem seu controle de gastos, e cortem os cargos comissionados. Do contrário, o que hoje parece ruim, vai parecer excelente como memória histórica.

 

Oil prices tumble as Iran, global powers reach nuclear deal

Oil prices tumbled more than $1 on Tuesday after Iran and six global powers reached a landmark nuclear deal that would see an easing of sanctions against Tehran and a gradual increase in its oil exports.

The agreement, which capped more than a decade of on-off talks, was hailed by Iranian and Western diplomats as a “historic moment” that opens the way to a new phase in international relations.

Under the deal, sanctions imposed by the United States, European Union and United Nations would be lifted in exchange for curbs on Iran’s nuclear programme.

There were no immediate details on how sanctions would be eased on oil.

Front-month Brent crude futures LCOc1 had dropped $1.15 to $56.70 a barrel by 0930 GMT. U.S. crude CLc1 was trading down $1.05 at $51.15 per barrel.

Analysts say it would take Iran many months to fully ramp up its export capacity following any easing of sanctions. But even a modest initial increase would be enough to pull international oil prices down further as the market is already producing around 2.5 million barrels per day above demand.

“Even with a historic deal, oil from Iran will take time to return, and will not be before next year, most likely the second half of 2016,” Amrita Sen, chief oil analyst at London-based consultancy Energy Aspects, told Reuters.

“But given how oversupplied the market is with Saudi output at record highs, the mere prospect of new oil will be bearish for sentiment.”

Sanctions on the Islamic Republic have almost halved its exports to a little over 1 million barrels per day. A deal could see Iran increase its oil exports by up to 60 percent within a year, a Reuters survey of analysts said.

“Sanctions have crippled Iran’s oil production, halving oil exports and severely limiting new development projects. The prospect of them being lifted is creating great excitement … as foreign trade and investment will allow Iran to make huge efficiencies and drive down the cost of production,” said Sarosh Zaiwalla, a London-based sanctions lawyer.

(Additional reporting by Hennning Gloysten in Singapore; Editing by Dale Hudson)

FONTE: http://uk.reuters.com/article/2015/07/14/uk-markets-oil-idUKKCN0PO01T20150714?utm_source=Facebook