Mais um incidente ambiental é causado pela Vale em Minas Gerais

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Quando se falava que o incidente ambiental causado pela Mineradora Samarco (Vale+BHP Billiton) não seria o último a ocorrer a Minas Gerais, quem avisava era taxado de inimigo do desenvolvimento econômico.

Eis que na última segunda-feira (13/03) um duto da mineradora Vale se rompeu e causou mais um incidente ambiental que afetou corpos hídricos nos municípios de Congonhas, Ouro Preto.

E o pior é que até hoje os atingidos pelo TsuLama continuam a ver navios em Minas Gerais e no Espírito Santo. Se depender do governo de Minas Gerais e do governo do presidente “de facto” Michel Temer, assim também ficarão os atingidos por mais esse desastre causado pela Vale.

A questão que se coloca é a seguinte: até quando vamos tolerar tanta impunidade?

Abaixo matéria sobre este incidente pela ONG Greenpeace.

Até quando seremos reféns da Vale?

Duto da mineradora rompe no município de Congonhas (MG) e polui rios da região

Vazamento em duto da Vale causa contaminação em córregos e rios na região de Congonhas, Ouro Preto e Itabirito, em Minas. Foto: Secretaria Municipal de Itabirito/Divulgação

 

Minas Gerais carrega a dependência econômica da mineração em seu nome. E depender do minério significa se sujeitar a poucas empresas que dominam a região, patrocinam eleições e estão enraizadas na vida econômica das cidades. Nesta última segunda-feira (13), um duto da Vale se rompeu na cidade de Congonhas, na Mina da Fábrica, e atingiu os córregos e rios da região. A contaminação de rejeitos foi autuada pelo órgão ambiental e está prestes a ser esquecido. Em reportagem do Bom Dia Brasil, o secretário de Meio Ambiente de Itabirito apenas afirmou que: “o vazamento foi localizado e já estava sendo consertado por técnicos da mineradora.”

Nos corredores parlamentares, a muitos quilômetros dali, congressistas buscam “flexibilizar” o licenciamento ambiental no Brasil, que já é bastante fraco pois há carência de corpo técnico no governo para fazer as análises adequadas dos danos humanos e ambientais de obras. Há sempre o interesse das empresas em operar com menor custo possível de implementação, muitas vezes reduzindo as medidas de prevenção de danos. Isso significa que grandes empresas, como a Vale, continuam causando desastres socioambientais em seus empreendimentos. As consequências são sentidas por quem depende dos recursos naturais para sua sobrevivência, como a vulnerabilidade social e econômica nas regiões que desaprenderam a diversificar sua fonte de renda, sendo manipuladas e obrigadas a aceitar o patriarcalismo da mineração.

O emblemático caso do desastre de Mariana (MG) é apenas um exemplo de situação em que os moradores da cidade culpam os atingidos pela crise econômica após o fechamento da empresa Samarco, cujas donas são Vale e BHP Billiton. Eles se esquecem que a culpa pela falta de empregos e a crise econômica é da mineradora, que age de maneira irresponsável, matando fauna, flora, destruindo enormes regiões, que ficam sem poder realizar outra atividade econômica. Pescadores e pequenos produtores ao longo do rio Doce, e agora, no caso deste vazamento no rio Itabirito, são estrangulados pelas mineradoras. Minas Gerais, em muitas regiões, fez sua população depender da extração do minério e do comércio alimentado por ele, quando não, dos cartões sociais para quem foi atingido por um desastre. O patriarcalismo da Vale tem que acabar em prol de um desenvolvimento de estado sustentável, diversificado e inclusivo.

FONTE: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Ate-quando-seremos-refens-da-Vale/

Mineração Herculano: após um ano, sai apuração policial que constata omissão como causa do incidente

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A matéria abaixo assinada pelo jornalista Danilo Emerich para o jornal “O TEMPO” mostra que após um ano, a Polícia Civil de Minas Gerais chegou a uma conclusão das causas do rompimento da barragem de rejeitos da Mineração Herculano no município de Itabirito.

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O que fica demonstrado nas apurações feitas pela Polícia Civil é que o incidente de Itabirito foi como que um prenúncio do que viria a acontecer em Mariana na barragem da Mineradora Samarco. Tivessem as autoridades mineiras tratado o evento de Itabirito com a devida responsabilidade, em vez de também se omitir, é bem possível que não tivéssemos tido que presenciar a hecatombe ambiental iniciada pelo rompimento da barragem do Fundão.

A minha dúvida é se efetivamente algo foi aprendido com esses dois incidentes, visto que existem um número de barragens de rejeitos em Minas Gerais que se encontram em estado de alta precariedade. Por último, vejo com ceticismo qualquer possibilidade de punição pelos crimes perpetrados pela Mineração Herculano que, aliás, foram inúmeros.  Para quem quiser ler a matéria completa, basta clicar (Aqui!).

Falha em estrada causa suspensão da licença de operação da Vale em Itabirito

Hoje em Dia

 

MPMG/Divulgação
Justiça suspende licença de operação da Vale em Itabirito
Estrada é para o transporte de minério, mas traz ris riscos à fauna, flora e a população
A Justiça determinou que a Vale suspenda a operação de uma estrada que liga a Mina do Pico à Mina da Fábrica, em Itabirito, região Central do Estado. Conforme a 1ª Vara da Fazenda Pública de Minas Gerais, a rodovia, usada exclusivamente para o transporte de minério, por não cumprir algumas normas traz riscos à fauna, à flora e prejudica o sistema de abastecimento de água na região.
 
Pela decisão, a mineradora só pode voltar a operar no local após a licença definitiva emitida pela Unidade Regional Colegiada do Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (URC-Copam). A Vale informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não foi notificada oficialmente. Por isso, a empresa não irá se manifestar sobre o caso.
 
Risco
 
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que ajuizou Ação Civil Pública (ACP) contra a Vale e contra o Estado, a rodovia é potencial causadora de impacto sobre a fauna, “uma vez que representa uma barreira entre as populações locais, além de ser fonte de ruídos e trazer risco de atropelamentos”.
 
O empreendimento foi instalado próximo ao manancial de abastecimento público de água de Itabirito e, por direcionar a drenagem pluvial da estrada para a Bacia do Córrego do Bação, “gera sério risco de contaminação das águas e de interrupção parcial do seu fornecimento à população”, apontou o MPMG.
 
O promotor de Justiça Mauro Ellovitch, coordenador regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba, ressalta que a estrada está em área pertencente à Unidade de Conservação de Proteção Integral Estação Ecológica de Arêdes.
 
Exigência
 
Mesmo em desacordo com as medidas que deveriam ser adotadas para minimizar o impacto ambiental, o Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, concedeu antecipação dos efeitos da licença até referendo pela URC-Copam, o que ampara a atual operação da estrada.
 
No entanto, a unidade determinou que a Vale apresente estudos para justificar a alternativa adotada para o sistema de drenagem pluvial em relação às alternativas que não direcionem águas para a bacia do Córrego do Bação. O plano de contingência e emergência para a bacia também precisa de aprovação prévia e formal do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itabirito e análise da Superintendência Regional de Meio Ambiente Central Metropolitana (Supram-CM).
 
Além disso, a URC-Copam precisa da comprovação da implantação das medidas de controle de fauna, especialmente a instalação dos radares e da passagem de fauna ou de alguma alternativa viável a essa passagem de fauna durante o período de instalação e também a justificativa da diferença de quantidade de supressão da vegetação entre o que está no parecer único da Supram e o que constava na autorização para supressão de vegetação e comprovação da regularidade das compensações ambientais.
 FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/horizontes/falha-em-estrada-causa-suspens-o-da-licenca-de-operac-o-da-vale-em-itabirito-1.295799

Mineração faz vítimas fatais em Minas Gerais

Deslizamento de terra em mina deixa vítimas e mobiliza bombeiros em Itabirito

Conforme bombeiros, ficaram soterrados um caminhão com o motorista, uma escavadeira com o operador e um Fiat Uno com o condutor. O secretário de Meio Ambiente, Antonio Marcos Generoso, confirmou esses três mortos no acidente

Por Luana Cruz

Na imagem é possível ver dois caminhões tombados na área onde houve deslocamento de terra (Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais )  
Na imagem é possível ver dois caminhões tombados na área onde houve deslocamento de terra

O deslizamento de terra em uma mina da empresa Herculano, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, mobiliza bombeiros na manhã desta quarta-feira. De acordo com a corporação, pelo menos oito vítimas foram soterradas. Os militares foram acionados por volta de 7h50 e já trabalham há mais de quatro horas no resgate de funcionários. O secretário municipal de Meio Ambiente, Antonio Marcos Generoso, confirmou três mortos no acidente e uma pessoa socorrida para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, apesar de os bombeiros tratatem como um óbito e dois desaparecidos. 

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Segundo o Corpo de Bombeiros, houve o rompimento de uma barragem desativada que contém o resto de lavagem de minério. Funcionários faziam manutenção nessa barragem no início da manhã, quando aconteceu o acidente. Uma grande quantidade de rejeitos (lama com água) desceu atingindo veículos e operários em terra. 

Conforme os militares, ficaram soterrados um caminhão com o motorista, uma escavadeira com o operador e um Fiat Uno com o condutor. Essas três vítimas estavam desaparecidas e bombeiros trabalharam com escavação manual do terreno tentando encontrá-las. O secretário Generoso confirmou as mortes desses funcionários.   

Quatro operários que estavam a pé na área do acidente foram retirados com vida pelos bombeiros com apoio de colegas de trabalho. O motorista de outro caminhão ficou preso apenas pelas pernas e foi resgatado com ferimentos. 

De acordo com o secretário de meio ambiente, a preocupação agora é ter certeza de que não há mais vítimas. A empresa informou a Generoso que não há outros desaparecidos. A Defesa Civil está monitorando a descida de água na barragem onde ocorreu o deslizamento, para que o volume seja contido. Conforme os bombeiros, outra barragem da mina está interditada pelo risco no local. 

Conforme a corporação, a situação foi desesperadora na hora do deslizamento. Muitas pessoas tentaram salvar os colegas puxando com as próprias mãos debaixo da terra, mas sem sucesso. Testemunhas relataram o pânico aos bombeiros no atendimento. Estão envolvidas no trabalho equipes de três viaturas dos bombeiros de Ouro Preto, duas de Itabirito e três de Belo Horizonte. O helicóptero Arcanjo também deu apoio no socorro às vítimas. 

O secretário afirma que ainda é cedo para falar sobre o que provocu a tragédia. “Estamos trabalhando junto com a Polícia Militar Ambiental, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Defesa Civil para saber posteriormente as causas do acidente e os impactos disso para a cidade”, afirma Generoso. 

 (Arte Soraia Piva)

A mineradora Herculano fica na região conhecida como Sítio Retiro Sapecado, perto da BR-040 em direção ao Pico de Itabirito. Os bombeiros demoraram pelo menos meia hora para chegar ao local do deslizamento por causa da distância do pelotão até a barragem. O em.com.br tentou falar com a empresa pelo telefone da mina e da sede, mas não conseguiu. A mina está completamente fechada com proibição de entrada até para prestadores de serviços. Somente viaturas têm acesso ao local. 

 (Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais )

ACIDENTE EM AGOSTO 

O desmoronamento de um túnel em um terreno da Vale mobilizou o Corpo de Bombeiros no dia 26 de agosto também na cidade de Itabirito. Um homem morreu soterrado no acidente. Ele estava em cima da estrutura que cedeu. Outro operário também estava junto ao colega, mas conseguiu escapar. Um caminhão também foi atingido pela terra. O motorista foi retirado por socorristas da empresa.

MEMÓRIA 

Em 2001, um grave acidente em mina parou o distrito de São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde ocorreu uma avalanche de rejeitos de minério. O rompimento da cava 1 da barragem de contenção da Mineração Rio Verde causou a morte de cinco operários e deixou um rastro de destruição ao longo de quilômetros. 

Quase dois anos depois, na Indústria de Papel Cataguases, na Zona da Mata, a mesma estrutura se rompeu, despejando 1,2 bilhão de litros de material tóxico no Rio Pomba e no Ribeirão do Cágado, na Bacia do Paraíba do Sul. As lavouras ficaram contaminadas. Mais recentemente (em 2006 e 2007), em Miraí, também na Zona da Mata, o vazamento de rejeitos de bauxita da Rio Pomba Mineração interrompeu o fornecimento de água e cobriu a cidade de lama. 

(Com informações de Valquíria Lopes)

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/09/10/interna_gerais,567542/deslizamento-de-terra-em-mina-mobiliza-bombeiros-em-itabirito.shtml