Mais tragédias rondam Minas Gerais na forma de barragens de rejeitos

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Barragem da Mina Gongo Soco da Vale em Barão de Cocais (MG).

No dia 27 de janeiro escrevi uma postagem intitulada “Façam suas apostas: onde e quando ocorrerá o próximo Tsulama em Minas Gerais?” onde apontei para o fato de que Minas Gerais possui  450 barragens,  e que pelo menos 22 delas não têm garantia de estabilidade.  Já no dia 03 de fevereiro escrevi sobre o medo que rondava cidades mineiras que estão próximas de grandes barragens.

Nesta 6a. feira o que era medo potencial passou a risco iminente para duas cidades que até então não apareciam na lista das mais ameçadas pela possibilidade da eclosão de Tsulama.  Essas duas cidades, Itatiaiuçu e Barão de Cocais, hospedam, respectivamente, barragens da Vale e da Arcelor Mital.  Em ambos os casos moradores tiveram de ser retirados das áreas que seriam atingidas por uma eventual ruptura das barragens e não possuem prazo para serem retornados para suas casas (ver vídeo abaixo com o depoimento de um militante do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB).

O fato é que apenas em Minas Gerais existem neste momento um alto potencial para a repetição das tragédias socioambientais que já ocorreram em Mariana e Brumadinho. Além disso, como os casos de Itatiaiuçu e Barão de Cocais demonstram é que há sim razão para que os habitantes de municípios que abrigam barragens de rejeitos, algumas delas maiores do que as que já romperam,  estejam tomados pela sensação de medo.

Por outro lado, o que essa situação que agora toma ares de emergência total escancara é que a ideia de deixar as mineradoras como fiéis depositárias de seus próprios rejeitos é um modelo superado, o que só seria agravado pelo aprofundamento e legalização do modelo de autolicenciamento “de facto” que vem sendo executado em função da atitude benevolente da maioria dos governantes brasileiros.

Desta forma, é fundamental que sejam organizadas atividades para alertar os habitantes das cidades que estejam próximas de barragens, de forma a educá-las para que pressionem as mineradores a adotarem medidas urgentes para monitorar a real condição dessas estruturas. Do contrário, tudo indica que efetivamente não só teremos novos “Tsulamas”, mas como não existirão os necessários mecanismos de alerta que são fundamentais para impedir a enorme perda de vidas humanas que ocorreu em Brumadinho.