O medo se espalha pelas cidades com grandes barragens de rejeitos em Minas Gerais

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Kinross Brasil Mineração em Paracatu — Foto: Emílio Braga/G1

A eclosão do segundo Tsulama da Vale na cidade de Brumadinho (MG) serviu para romper com toda a falsa calma que havia em muitas cidades mineiras que estão abaixo de grandes reservatórios de rejeitos de mineração. E com justa razão, pois agora se sabe que muitos destes reservatórios possuem, como os reservatórios da Vale em Brumadinho, alto poder de destruição.

Já citei aqui os exemplos de Santa Bárbara que abriga uma mega barragem da mineradora de ouro AngloGold Ashanti e Congonhas do Campo que abriga outra da Companhia Sideúrgica Nacional. 

Mas a população do município de  Paracatu, localizado no Noroeste de Minas Gerais, tem razões para conviver com o medo, pois é ali que existe atualmente o maior volume de reservatórios de mineração do território mineiro (ver imagem abaixo), resultado das operações da mineradora canadense Kinross.

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Imagem de satélite capturada no Google Earth mostra a localização das barragens da mineradora canadense Kinross acima da área urbana de Paracatu (MG).

Apesar das garantias oferecidas por representantes da Kinross, que é uma das maiores mineradoras de ouro do planeta, de que não há motivo para pânico, há que se lembrar que essa multinacional teve que fechar uma mina no Chile por causa da “gestão inadequada de impactos ambientais imprevistos na bacia Pantanillo-Ciénaga Redonda“.

O que parece mais inacreditável é que os órgãos ambientais tenham deixado que a Kinross acumular um montante de rejeitos (547 milhões de metros cúbicos) que é cerca de 40 vezes maior do que a Vale possuía em seus reservatórios em Brumadinho. É que dada a precariedade estrutural dos órgãos de fiscalização tanto em nível estadual como federal, a população de Paracatu nas mãos de uma corporação multinacional. E, pior, num tipo de mineração que tende a guardar resíduos altamente tóxicos com potencial de destruição ainda maior do que aqueles gerados pela mineração de ferro.

Por isso,  é mais do que justo a sensação de medo que se espalha por Paracatu.   A minha expectativa é que a consciência que foi acordada pela tragédia em Brumadinho sirva como fator de mobilização por mais segurança não apenas em Paracatu, mas em todos os municípios que possuam este tipo de estrutura de estoque de rejeitos.

Um pensamento sobre “O medo se espalha pelas cidades com grandes barragens de rejeitos em Minas Gerais

  1. […] No dia 27 de janeiro escrevi uma postagem intitulada “Façam suas apostas: onde e quando ocorrerá o próximo Tsulama em Minas Gerais?” onde apontei para o fato de que Minas Gerais possui  450 barragens,  e que pelo menos 22 delas não têm garantia de estabilidade.  Já no dia 03 de fevereiro escrevi sobre o medo que rondava cidades mineiras que estão próximas de grandes barragens. […]

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