Por que é muito pouco para Jair Bolsonaro ter “sobrevivido” à entrevista no Jornal Nacional?

Bolso fogo

Fiador da política de desmanche ambiental realizada em seu governo, Jair Bolsonaro aumentou tamanho da Europa para esconder os seus malfeitos na Amazônia

A aguardada entrevista do presidente Jair Bolsonaro no “Jornal Nacional” da TV Globo acabou produzindo irritação naqueles que se opõem a ele, na medida em que a dupla de apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos parece ter optado por deixar o encontro rolar sem que o mandatário/candidato tivesse que explicar os aspectos mais controversos de sua gestão. Por outro lado, pelo menos uma comentarista das organizações Globo informou que nas hostes do Palácio do Planalto, o sentimento era algo como “sobrevivemos”.

Aos que esperavam uma posição aguerrida dos entrevistadores, só posso dizer que Papai Noel não existe. É que sendo os proprietários das Organizações Globo grandes beneficiários da política econômica que guiou o governo Bolsonaro não haveria como ser o Jornal Nacional o palco do ajustes de contas entre Jair Bolsonaro e o Brasil.  Por outro lado, é muito pouco para um presidente em exercício apenas sobreviver a uma entrevista quando está trilhando em todos os institutos de pesquisa em relação ao agora oficialmente candidato, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. É que mesmo que a dupla de entrevistadores saia dos personagens relativamente calmos da noite de ontem para uma posição mais aguerrida (o que tenho quase certeza que vai ocorrer), não haverá grande dano para a imagem de Lula, na medida em que o ex-presidente é uma figura política bem mais astuta do que Jair Bolsonaro.

Bolsonaro mentiu pelos cotovelos, mas quem esperaria o contrário?

Os jornalistas da agência de checagem “Aos fatos” rapidamente produziram uma análise das respostas dadas pelo presidente Jair Bolsonaro no Jornal Nacional e demonstraram que praticamente todas as respostas dadas eram “falsas”. 

Dentre as diversas respostas falsas de um Jair Bolsonaro no estilo “Paz e Amor” estavam coisas óbvias como a negação dos ataques aos ministros do STF, o condicionamento do aceite dos resultados das eleições  (caso ele perca, é claro!), a omissão deliberada no combate ao desmatamento na Amazônia, a negação dos erros na condução da pandemia, e até da imitação que o atual presidente fez das pessoas com falta de ar em função da COVID-19 (ver vídeo abaixo).

Mas, convenhamos, diante do caráter antipopular e truculento como tem sido o governo Bolsonaro, como poderia sair Jair Bolsonaro do modelito “minto porque quero” que, inclusive, lhe garantiu a eleição em 2018?  O atual presidente pode até não ser um gênio estrategista, mas não sobrevive na política brasileira há quase 30 anos por acaso. É que ele entende muito bem o jogo de cena que marca a relação com o eleitorado, especialmente aqueles que possuem completa ojeriza a qualquer tipo de concessão aos segmentos mais pobres da população.

Em outras palavras, esperar que Jair Bolsonaro repentinamente resolvesse dar uma de “sincerão”, e logo no Jornal Nacional, é demais.

A ausência de nocaute é boa para Jair Bolsonaro? 

Normalmente quando um lutador de categoria inferior entra em um ringue (tal como foi o caso da luta demonstração o ex-campeão mundial Acelino Popó Freitas  e o humorista Whindersson Nunes) e consegue não ser nocauteado por um adversário claramente superior, aquele que sobrevive tem toda razão para ficar feliz, ainda que saia com a cara desfigurada.

Mas e no caso de Jair Bolsonaro, sobreviver à essa entrevista é suficiente para reverter a sua condição de perdedor nas pesquisas eleitorais? Mesmo resguardando o fato de que pesquisa não é eleição, ter sobrevivido ontem apenas realça o fato de que Bolsonaro pode até ter acalmado os nervos de seus assessores e ministros, mas não resolveu o problema que lhe fustiga neste momento que é o de não conseguir mais furar o seu teto tradicional, correndo o risco de ter chegado ao seu limite potencial de votos.

Isso quer dizer que as eleições estão decididas? Obviamente que não, mas isso tampouco resolve os problemas do atual presidente. Um problema que poderá ocorrer é a debandada de parte do chamado “Centrão” que já vem sentindo o cheiro de sangue, e depois de ontem pode começar a deixar Bolsonaro sangrando sozinho.

Jair Bolsonaro está lutando com todos os meios por sua sobrevivência

Extrema-Direita brasileira ameaça realizar violência política nas eleições presidenciais de outubro

Manifestação contra Jair Bolsonaro, que está tentando por todos os meios impedir que seu concorrente Lula ganhe as eleições.

Manifestação contra Jair Bolsonaro, que está tentando por todos os meios impedir que seu concorrente Lula ganhe as eleições.  Foto: imago/Fotoarena
Por Niklas Franzen para o Neues Deutschland

Dezenas de embaixadores se reuniram na capital Brasília no dia 18 de junho. O motivo: Jair Bolsonaro havia convidado para uma reunião no palácio presidencial . Em seu discurso, o extremista de direita, conhecido por seu jeito colérico, não mediu suas palavras: semeou dúvidas sobre o sistema de votação eletrônica e atacou duramente os juízes individuais do Supremo. Para muitos, as declarações de Bolsonaro foram mais uma indicação de que tempos tempestuosos estavam por vir para o Brasil.

O primeiro turno das eleições presidenciais acontecerá no maior país da América Latina no dia 2 de outubro. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, haverá um segundo turno em 30 de outubro. É provável que haja um grande confronto entre o titular Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva . Atualmente, o social-democrata Lula está muito à frente nas pesquisas. O maior ponto negativo para Bolsonaro é a crise econômica. A inflação e o desemprego estão atingindo novos máximos, os preços da energia estão disparando e milhões estão passando fome. O país até foi reintegrado no mapa mundial da fome da ONU. Vídeos nas redes sociais mostram pessoas procurando restos de comida no lixo.

Muitos ex-seguidores, portanto, se afastaram de Bolsonaro. No entanto, pesquisas mostram que cerca de um quarto da população apoia Bolsonaro. E seus seguidores são extremamente ativos – online e na rua. Além disso, Bolsonaro pode contar com o apoio das influentes igrejas evangélicas. Vários pastores chamaram abertamente dos púlpitos para votar em Bolsonaro. Especialmente nas favelas, as igrejas estão presentes e fazem um trabalho hábil de proselitismo. Segundo as previsões, os evangélicos poderão constituir a maioria da população brasileira em apenas 20 anos. Para as igrejas ultraconservadoras, o governo entregou em todos os sentidos: Bolsonaro nomeou a pastora Damares Alves ministra das famílias, implementou bilhões em alívio de dívidas, lutou contra o fechamento de igrejas durante o auge da pandemia. No início de junho, Bolsonaro esteve presente em um evento evangélico no Rio de Janeiro, onde subiu ao palco com pastores que oravam fervorosamente e protestou contra o aborto e uma suposta “ideologia de gênero” diante de milhares de fiéis.

Jair Bolsonaro também pode contar com proprietários de terras influentes, principalmente brancos. Embora receba muitas críticas internacionalmente por sua política ambiental, ele recebe apoio dessas forças para seu curso antiambiental. No ano passado, um grupo desses empresários chegou a financiar protestos antidemocráticos de torcedores de Bolsonaro, como revelou a pesquisa. Não é à toa que Bolsonaro está à frente nos estados do agronegócio, enquanto está atrás de Lula no Nordeste pobre e na populosa São Paulo.

Bolsonaro parece ciente de sua posição e está preparando tudo para contestar os resultados das eleições. Não só no encontro com os diplomatas ele espalhou mentiras sobre o sistema de votação eletrônica. Segundo Bolsonaro, a eleição de 2018 foi falsificada. Ele não fornece nenhuma evidência para suas declarações. O sistema de votação passou por um teste de segurança em maio sem problemas. Segundo muitos especialistas, Bolsonaro está tentando criar problemas para possivelmente iniciar uma ruptura institucional. Mas apenas muito poucos esperam um golpe clássico, simplesmente não há suporte para isso.

A mídia agora está relatando de forma extremamente crítica, para muitos brasileiros, que Jair Bolsonaro é a figura máxima do ódio e os militares não estão sem reservas ao lado do presidente, que é um capitão da reserva. Alguns não podem perdoar suas travessuras como um jovem soldado, enquanto outros ficam incomodados com seu tom grosseiro. Mas Bolsonaro goza de muito apoio, especialmente nos escalões inferiores. E os militares receberam privilégios de longo alcance do governo de direita. Enquanto Bolsonaro empunhava o machado em quase todas as outras áreas, os militares receberam alocações orçamentárias recordes e foram poupados de cortes na reforma previdenciária. Mais de 3.000 militares trabalham para o governo, cerca de 340 em cargos bem remunerados, muitas vezes sem as qualificações adequadas. Mesmo no auge da ditadura, não havia tantos. Vários ministros tinham anteriormente carreiras militares, e os militares estão cada vez mais assumindo funções civis, administrando quase um terço dos negócios estatais. É duvidoso que eles estejam dispostos a abrir mão desses privilégios. Não está claro se eles estão mais comprometidos com o presidente ou com a Constituição.

É uma triste certeza para muitos que haverá violência no decorrer das eleições. Em 9 de junho, um apoiador de Bolsonaro assassinou um político local do PT em seu aniversário. Muitos culpam Bolsonaro, que repetidamente pediu o assassinato de esquerdistas. E há temores de que Bolsonaro possa incitar seus apoiadores em caso de derrota eleitoral. Edson Fachin, juiz da Suprema Corte e chefe da Comissão Eleitoral, também fez recentemente uma avaliação sombria: “Podemos ver um incidente ainda mais sério do que a invasão do Capitólio em Washington em 6 de janeiro de 2021”.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deustachland” [Aqui!].

De Olho nos Ruralistas lança dossiê sobre financiamento da bancada ruralista

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Relatório inédito revela participação direta de multinacionais no lobby ruralista; além de atuar em associações que financiam o Instituto Pensar Agro, empresas como Bayer, Basf, Syngenta, JBS, Cargill e Nestlé mantiveram 278 reuniões com o alto escalão do governo Bolsonaro

Por Alceu Luís Castilho e Bruno Stankevicius Bassi

Por trás da boiada estão as multinacionais. Os projetos de lei que constituem o Pacote da Destruição” — PL da Grilagem, PL do Veneno, PL do Licenciamento Ambiental, PL da Mineração em Terras Indígenas — não têm como origem a mente inspirada dos deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a faceta mais organizada da bancada ruralista no Congresso. O financiamento é nacional e internacional.

Existe um cérebro pensante por trás da FPA. E um mecanismo. Um conjunto de lobistas e executivos de entidades de classe e empresas, organizados através do Instituto Pensar Agro (IPA), que formula as pautas legislativas e define o posicionamento político da frente.

Em 2019, De Olho nos Ruralistas revelou a ponta desse iceberg, mostrando algumas das multinacionais que integravam associações mantenedoras do IPA: gigantes como as produtoras de agrotóxicos e sementes transgênicas Bayer, Basf e Syngenta, as processadoras de soja Cargill, Bunge, ADM e Louis Dreyfus; os frigoríficos JBS e Marfrig e indústrias do setor alimentício como Nestlé e Danone.

Essas corporações não são atores passivos no lobby ruralista em Brasília. É o que mostra o novo dossiê do observatório sobre o tema, publicado hoje (18): “Os Financiadores da Boiada: como as multinacionais do agronegócio sustentam a bancada ruralista e patrocinam o desmonte socioambiental“.

Ele mostra que, durante o governo de Jair Bolsonaro, empresas do setor se reuniram pelo menos 278 vezes com membros do alto escalão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em pauta, temas como a flexibilização de regras para agrotóxicos, a autorização de testes de novas substâncias químicas direto em campo (ao invés de laboratórios) e a autofiscalização sanitária.

Com capa ilustrada pelo premiado cartunista Renato Aroeira, o dossiê aponta a Syngenta como campeã na interlocução com o governo, com 81 reuniões; seguida por JBS, com 75; Bayer, 60; Basf, 26; Nestlé, 23; e Cargill, 13.

O relatório também pode ser acessado em inglês aqui.

Bayer foi recebida por servidores fora da agenda oficial

O levantamento de reuniões levou em consideração os encontros registrados na agenda oficial de autoridades do Ministério da Agricultura entre janeiro de 2019 e junho de 2022. No entanto, os registros de entrada no Mapa, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), contam outra história.

Durante esse período, a ex-chefe de Assuntos Públicos da Bayer, Silvia Menicucci, esteve presencialmente 25 vezes na sede do ministério. Destas, 16 não foram registradas em agenda oficial. Na Câmara a executiva esteve 14 vezes, entre 2018 e 2019.

Bolsonaro recebe Werner Baumann, CEO da Bayer, em 2019. (Foto: Reprodução/Pr)

O caso da empresa alemã é um dos destaques do dossiê, uma vez que demonstra a facilidade com que os conglomerados do agronegócio conseguem acesso ao alto escalão do governo. Em outubro de 2019, o então CEO global da companhia, Werner Baumann, se reuniu pessoalmente com Bolsonaro, em evento promovido pela agência de fomento às exportações Apex-Brasil, onde Menicucci havia atuado como servidora.

Em 2022, foi a vez da ex-ministra Tereza Cristina prestigiar a empresa ao participar de um vídeo produzido pela Bayer, postado em um dos canais oficiais da companhia, para falar sobre seguro rural. Também participou do vídeo o diretor do Departamento de Política Agrícola e Seguro Rural do Mapa, Pedro Loyola.

Em resposta aos dados do relatório, a empresa afirmou que as reuniões com agentes de órgãos públicos são “normatizadas pela legislação federal e por políticas internas da própria companhia” e que estas foram “formalmente solicitadas aos órgãos com quem a empresa mantém interações”. Procurado, o Mapa classificou a participação da então ministra no vídeo institucional como uma “entrevista”, tendo como objetivo “prestar informações sobre as políticas públicas realizadas por este Ministério, especialmente sobre o Programa de Seguro Rural”. O órgão não se pronunciou sobre as reuniões fora da agenda.

Confira a íntegra das respostas aqui.

Sob Bolsonaro, Instituto Pensar Agro e ministério se misturam 

Desde a publicação da primeira série de reportagens sobre a cadeia de financiamento do Instituto Pensar Agro, em 2019, o think tank ruralista cresceu e prosperou. Hoje, o IPA conta com 48 associações participantes. Com o aumento de verbas, o instituto multiplicou sua equipe, avançando não só na atuação legislativa como na elaboração de campanhas pró-agronegócio.

Bolsonaro e Tereza Cristina em reunião com presidente da FPA. (Foto: Agência FPA)

A atuação publicitária do IPA não se limita a promover o setor. Por meio dos canais da Frente Parlamentar da Agropecuária, a organização ruralista iniciou em 2021 uma campanha contra este observatório, insinuando que matérias críticas aos seus interesses são “fake news“.

Esse fortalecimento é fruto também do poder que IPA e FPA passaram a ter no governo federal desde a posse de Bolsonaro. Além das reuniões com empresas, o dossiê “Os Financiadores da Boiada” mostra que lobistas e líderes ruralistas se reuniram 160 vezes com servidores do Mapa. Destas, 20 contaram com a presença da então ministra Tereza Cristina, ex-presidente da FPA.

Além da pasta de Agricultura, eles foram recebidos nos ministérios da Economia (33), do Meio Ambiente (4), da Justiça e Segurança Pública (1) e da Educação (1), esta última para falar sobre a versão rural do “Escola Sem Partido”: “Lobby do agronegócio se organiza para “fiscalizar” material escolar“.

A aliança com o Mapa fica explícita até mesmo nas respostas aos dados levantados do relatório. Poucas horas após enviar pedido de informações ao Ministério, a equipe do De Olho nos Ruralistas foi contatada pela assessora de imprensa do IPA, que informou ter “ficado sabendo” sobre as perguntas direcionadas ao governo sobre a relação com o instituto e exigindo ter acesso aos dados.

Procurados oficialmente para se posicionar sobre as informações do dossiê, nem IPA nem FPA enviaram resposta.

Dossiê abre série de reportagens sobre lobby ruralista

A publicação do dossiê “Os Financiadores da Boiada: como as multinacionais do agronegócio sustentam a bancada ruralista e patrocinam o desmonte socioambiental” abre a cobertura eleitoral do observatório sobre a atuação da FPA e do IPA junto ao governo Bolsonaro. Até outubro, serão publicados novos relatórios e reportagens explorando o papel de empresas, associações e lobistas no ecossistema do lobby ruralista em Brasília.

É preciso mudar também o Congresso, não somente a Presidência da República. (Imagem: De Olho nos Ruralistas)

Parte dos dados foi apresentada de forma inédita na última quinta-feira (14), em reunião com eurodeputados em São Paulo: “De Olho nos Ruralistas apresenta dossiê sobre lobby a membros do Parlamento Europeu“. Os resultados preliminares do levantamento de reuniões de multinacionais dos agrotóxicos já haviam baseado um dos capítulos do estudo Comércio Tóxico, a ofensiva do lobby dos agrotóxicos, lançado em abril pela rede ambientalista Friends of the Earth Europe, sob coordenação das pesquisadoras Audrey Changoe e Larissa Bombardi.

De Olho nos Ruralistas iniciou em junho uma cobertura especial e inédita, com o objetivo de esmiuçar as políticas agrárias e ambientais dos últimos anos, as candidaturas do agronegócio e o funcionamento da FPA. Até outubro, lançaremos novos dossiês e multiplicaremos as reportagens e os vídeos, com uma equipe ampliada.

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Imagem principal (Aroeira/De Olho nos Ruralistas): relatório expõe as multinacionais que patrocinam a boiada

Alceu Luís Castilho é diretor de redação do De Olho nos Ruralistas. |

|| Bruno Stankevicius Bassi é coordenador de projetos do observatório. ||


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Este texto foi originalmente publicado pelo site “De olho nos ruralistas” [Aqui!] .

A sombra da fraude apenas serve para tentar esconder o medo da derrota por Jair Bolsonaro

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O site UOL publicou neste domingo uma matéria assinada pela jornalista Carla Araújo que retrata mais uma intromissão indevida do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, no sistema eletrônico que controla as eleições no Brasil. A intromissão é indevida porque não há nenhuma base constitucional para que as forças armadas possam interferir, ao menos de forma republicana, no processo eleitoral. Como testemunha ocular do antigo processo eleitoral via cédulas de papel, sei bem que o general Paulo Sérgio Nogueira tem a perfeita noção de que em nome do presidente Jair Bolsonaro, ele está usando o poder armado dos militares para impor uma pressão indevida sobre o sistema eleitoral brasileiro.

A questão de fundo é que a imensa maioria dos brasileiros já sabe que o que leva o presidente Jair Bolsonaro não possui nenhuma preocupação eleitoral com transparência eleitoral, na medida em que ele é o presidente que criou o incrível sistema de cem anos de bloqueio sobre questões que envolvam o funcionamento do seu (des) governo.

REPORTAGEM DE 1993 MOSTRA QUE BOLSONARO CRITICA MESMO É A URNA, ELETRÔNICA  OU NÃO | Cortes 247 - YouTube

Então o que move Jair Bolsonaro e seus parceiros militares? Claramente o medo de perder as eleições, as quais as pesquisas mostram como praticamente um caso perdido.  A raiz desse medo, ao menos por parte do presidente Jair Bolsonaro, é justamente que o eventual vencedor, provavelmente o ex-presidente Lula, comece o próximo ciclo de governo justamente acabando com o segredo de 100 anos.

Em outras palavras, questionar o sistema eletrônico não tem nada a ver com democracia, mas com o medo dela. 

Dica para reconhecer um bolsonarista

bolsonarista

Muito se fala e se aposta com o que acontecerá no Brasil após uma eventual derrota eleitoral do presidente Jair Bolsonaro nas eleições gerais de outubro. Mas como vários outros observadores da atual realidade brasileira, eu não me animo com a simples derrota eleitoral, pois o que se vê hoje é que o “Bolsonarismo” se tornou algo maior que o seu mito criador.  E mais que existem realmente figuras que incorporaram de forma profunda os elementos que parecem constituir os traços essenciais de um bolsonarista.  O trabalho, diriam alguns, seria ter um método para reconhecer quando se encontra um.

Mas pessoalmente acho que nem é preciso muito esforço para se reconhecer quando estamos diante de um legítimo bolsonarista.  Mas ainda que a maioria deles goste de falar alto e usar gestos rápidos e animados, a criatura bolsonarista é também reconhecida por comportamentos explosivos em face de situações que seriam resolvíveis com um pouco de graça e boa vontade.

Hoje, por exemplo, estava em um grande estabelecimento comercial quando a funcionária do caixa me orientou a pegar caixas grátis em um dispensário que se encontrava logo a lado.  Como estou fazendo uma obra em casa ,resolvi pegar três caixas em vez de uma.  Quando já tive colocado as caixas no carrinho de compras, um senhor que empurrava um carrinho com um criança pequena no interior me perguntou se poderia pegar uma das caixas. Eu prontamente entreguei uma delas a ele, mas o homem de cabelos comletamente grisalhos me disse que não era aquela que queria, e jogou com violência a caixa entregue por mim no depósito. Calmamente peguei a caixa jogada e disse a ele que se ele não queria, eu levaria comigo como havia planejado originalmente, dando-lhe rapidamente as costas.

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Saí dali pensando como alguém que sequer foi maltratado poderia ter tido uma reação tão intempestiva e agressiva, especialmente enquanto cuidava de uma criança pequena. A resposta que me veio à cabeça foi imediata… esse aí é bolsonarista.

Então fica a dica: se alguém em pública fala muito alto sem necessidade, usa gestos exagerados e tem reações agressivas sem provocação, vai por mim, estás diante de um bolsonarista. E aconselho, faça como eu fiz: reaja friamente e se afaste o mais rápido que puder dessa pessoa, pois nada de bom vai acontecer enquanto você estivcer perto desse tipo de pessoa.

Educação e Saúde do Rio perdem até R$ 3,8 bilhões com benesses fiscais para combustíveis

O projeto de Lei Complementar proposto pelo governo federal para atenuar a alta dos combustíveis vai impor perdas de até R$ 3,8 bilhões para a Saúde e a Educação do Rio. Ao todo, o Estado pode deixar de arrecadar R$ 10 bilhões em ICMS sobre combustíveis. Os números fazem parte de levantamento exclusivo feito pelo gabinete do deputado estadual Renan Ferreirinha (PSD).


 “É inaceitável que o populismo irresponsável de Jair Bolsonaro ataque diretamente a educação e a saúde, durante a crise que enfrentamos”, afirma Ferreirinha, deputado estadual e ex-secretário municipal de Educação da capital. 

O PLP 18/2022 fixou um teto de 17% na alíquota do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, serviços de telecomunicações e transporte público, como parte da agenda do governo para evitar a ira de motoristas e caminhoneiros diante da disparada dos preços. 

Especialistas, porém, alertam que a medida terá impactos apenas temporários, uma vez que a gasolina e o diesel continuarão respondendo à alta do dólar e à escassez de petróleo diretamente relacionada à guerra na Ucrânia. 

De acordo com Renan Ferreirinha, os dados mostram que o Estado do Rio deixará de arrecadar este ano cerca de R$ 8,5 bilhões de ICMS, que estavam previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA 2022), como fonte de financiamento de serviços públicos para a população. 

Na prática, a Educação do Estado do Rio terá R$ 1,7 bilhão a menos em 2022 e o Fundeb deixará de aplicar outro R$ 1,3 bilhão, com a aprovação da benesse fiscal pela União. As transferências para os municípios decaem R$ 2,1 bilhões.

As novas perdas se somam ao bloqueio do Orçamento federal para a Educação, que na semana passada chegou a R$ 3,6 bilhões. “É uma inversão de prioridades enorme, esse dinheiro serve para manter escolas e universidades abertas e funcionando. É um dos maiores ataques da história sobre nossos alunos e professores”, afirmou Renan Ferreirinha, que defende o remanejamento de recursos de outras áreas do Orçamento para compensar as perdas da educação e da saúde. 

Quando se leva em conta a premissa de redução de R$ 10 bilhões na arrecadação do ICMS, o prejuízo para a educação chega a R$ 2,4 bilhões e, para a Saúde, R$ 1,28 bilhão. Os dados foram compilados pelas assessoria fiscais da Alerj e do gabinete de Ferreirinha. 

A ‘entrega da Amazônia a bandidos por Jair Bolsonaro contribuiu para os assassinatos de Phillips e Pereira’

O desmantelamento de salvaguardas ambientais do presidente brasileiro é parcialmente culpado, diz político que lidera inquérito

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Randolfe Rodrigues, senador brasileiro que lidera um inquérito do Congresso sobre os assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira, visita a região amazônica onde eles foram mortos. Fotografia: Roberto Stuckert

Por Tom Phillips para o “The Guardian”

A demolição dos serviços de proteção ambiental e indígena do Brasil por Jair Bolsonaro e a “entrega da Amazônia aos bandidos” desempenharam um papel direto nos assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira, afirmou o político que lidera um inquérito do Congresso sobre o crime.

Um mês após o assassinato do jornalista britânico e defensor do índio brasileiro no rio Itaquaí, três homens estão presos: dois pescadores locais e um terceiro homem chamado Jeferson da Silva Lima.

A polícia federal inicialmente descartou o envolvimento de um mentor criminoso mais poderoso em uma região sem lei no coração do tráfico de drogas da América do Sul, embora os investigadores estejam examinando se o crime foi um assassinato ordenado.

Seja qual for a verdade, o político que lidera uma investigação do Senado sobre os assassinatos alegou que o presidente de extrema direita do Brasil também tinha culpa significativa por ter paralisado as agências de proteção que poderiam ter mantido os homens seguros durante sua viagem à região remota do Vale do Javari.

“O governo é cúmplice direto e participante dos assassinatos dos dois homens”, disse Randolfe Rodrigues, senador da oposição do estado do Amapá, no Amazonas.

“A política do governo Bolsonaro de desmantelar e desestruturar [as salvaguardas indígenas e ambientais] é responsável direta pelo ponto que o Vale do Javari chegou.”

Rodrigues, que visitou a região na semana passada, lembrou como Bolsonaro uma vez repreendeu publicamente Phillips quando o jornalista britânico o desafiou sobre o desmatamento crescente. “A primeira coisa que você precisa entender é que a Amazônia é do Brasil, não sua”, disse o nacionalista brasileiro a Phillips, um colaborador de longa data do  “The Guardian”.

O senador afirmou que Bolsonaro cedeu o controle da Amazônia para gangues de garimpeiros, caçadores e pescadores ilegais ligados ao crime organizado, abrindo caminho para o tipo de violência que custou a vida de Phillips e Pereira.

“Bolsonaro entregou a Amazônia aos bandidos, ao crime – e o que aconteceu com Dom e Bruno ilustra isso”, disse o senador, denunciando o naufrágio sistemático das agências indígenas e ambientais do Brasil desde que Bolsonaro assumiu o cargo em 2019.

“Não há mais presença estatal na região do Vale do Javari. O Vale do Javari não tem mais [o órgão ambiental] Ibama para coibir o crime ambiental. [A Agência Indígena] A Funai e os poucos especialistas indígenas que permanecem estão enfrentando ameaças de morte e intimidações. Há um número insuficiente de policiais federais lá e o exército brasileiro também não tem tropas suficientes”, disse Rodrigues.

“A região está entregue à pesca ilegal, à caça ilegal [e] ao garimpo ilegal – tudo ligado ao narcotráfico”, afirmou o senador. “Jair Bolsonaro falou em não entregar a Amazônia – mas a entregou ao pior banditismo que existe.”

A presidência do Brasil não respondeu a um pedido para comentar as reivindicações. 

Randolfe Rodrigues visita região amazônica onde foram mortos na semana passada

Randolfe Rodrigues visita a região amazônica onde Dom Phillips e Bruno Pereira foram assassinados. Fotografia: Roberto Stuckert

Membros do comitê de nove senadores de Rodrigues voaram para Atalaia do Norte, o portal ribeirinho para o Vale do Javari, na semana passada para reunir depoimentos para sua investigação de dois meses.

O político disse estar chocado com a “total ausência de presença e autoridade do Estado” ali. Ele temia mais derramamento de sangue à medida que criminosos ambientais fortemente armados continuavam avançando no território indígena do Vale do Javari supostamente protegido para saquear suas riquezas naturais. A vasta extensão de rios e selva, sobre a qual Phillips estava relatando quando foi morto, abriga a maior concentração de tribos isoladas da Terra.

“A região está à beira de um grave colapso humanitário”, alertou Rodrigues.

“Esses criminosos chegam armados com fuzis e quando encontram os povos isolados, os isolados reagirão a eles. Dado que os [criminosos] estão muito mais bem armados, vão promover um tremendo banho de sangue. Não há estado para proteger os povos indígenas lá.

Rodrigues admitiu que seu comitê teria apenas um efeito “paliativo” dada a oposição de Bolsonaro às proteções ambientais e indígenas. “Enquanto Jair Bolsonaro continuar governando, uma mudança de paradigma é inconcebível”, admitiu Rodrigues, que esperava que os eleitores acabassem com “o pesadelo de Bolsonaro” nas eleições presidenciais de outubro. Pesquisas sugerem que Bolsonaro perderá esse voto para o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, cuja campanha Rodrigues está ajudando a coordenar.

No entanto, o senador disse que a comissão fará recomendações concretas, incluindo a destituição do chefe da Funai indicado por Bolsonaro e “uma ofensiva anticrime determinada” no Vale do Javari.

Rodrigues relembrou sentir-se impotente com os assassinatos de Phillips e Pereira e perceber que a região havia sido “conquistada pelo crime”.

“Era como se a seleção brasileira tivesse acabado de sofrer o quinto gol em uma partida da Copa do Mundo e não tivesse a menor esperança de revidar.” ele disse.

Ele ficou indignado com a tentativa de Bolsonaro de difamar os dois mortos, ao insinuar que eles eram responsáveis ​​por suas próprias mortes terem empreendido uma “aventura” imprudente. “Mas, ao mesmo tempo, me deu muita coragem para lutar ainda mais contra ele. Bolsonaro é… um dos piores fascistas que a humanidade já produziu”, disse Rodrigues.

Phillips havia relatado extensivamente sobre o desmantelamento das salvaguardas ambientais e indígenas no Brasil desde que o antecessor conservador de Bolsonaro, Michel Temer, assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

“Na base da Funai em Atalaia do Norte, cidade mais próxima da reserva [do Javari], os telefones estão cortados e a internet parou de funcionar. Contratos de combustível e outros suprimentos estão sendo encerrados em meio a rumores de que será fechado”, escreveu Phillips em 2018.

No ano seguinte, ele viajou para o território Yanomami para relatar como milhares de garimpeiros ilegais invadiram aquelas terras. “A atual  invasão piorou depois que Bolsonaro assumiu o cargo”, relatou Phillips .

Rodrigues disse que é crucial que o trabalho de Phillips e Pereira seja mantido vivo. “Não podemos permitir que sejam esquecidos… A sociedade – não apenas a sociedade brasileira ou a sociedade amazônica – mas a sociedade global deve manter seus olhos na Amazônia… Devemos sempre nos levantar e nos fazer ouvir.”


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

O medo real de Jair Bolsonaro não é perder as eleições, mas sair preso do Palácio do Planalto

bolsonaro cabeça quente

As recentes revelações acerca do “presságio” do presidente Jair Bolsonaro de que o ex-ministro da Educação, o pastor presbiteriano e ex-reitor da Universidade Mackenzie, Milton Ribeiro seria alvo de uma ação da Policia Federal causaram um desespero evidente não apenas do chefe do executivo federal, mas em seus assessores mais graduados. O motivo para isso é simples: ao aparentemente antecipar uma operação policial, o presidente da república cometeu o que se denomina de obstrução de justiça“.

Aliás, como as evidências dessa eventual obstrução de justiça estão bem documentadas a partir da intercepção telefônica entre Milton Ribeiro e sua filha, alguém já disse que o caso não se trata de “um batom na cueca, mas de uma cueca no batom”, tão graves são as implicações que a interferência de Jair Bolsonaro e provavelmente também do ministro da Justiça Anderson Torres que é quem tem o comando final sobre a Polícia Federal.

Como os escândalos de corrupção dentro do Ministério da Educação e Cultura (MEC) estão aparecendo aos borbotões e com indicações de que o presidente da república tem envolvimento direto na indicação de seus autores, no caso explicito dos dois pastores da Igreja Assembleia de Deus que foram presos junto com Milton Ribeiro, não é de surpreender que seu comportamento em relação aos resultados das eleições presidenciais esteja se tornando ameaçador. É que certamente cresce em Jair Bolsonaro a preocupação do que o futuro pode lhe reservar, mesmo porque seu governo afundou o país em uma profunda crise econômica, política e social. 

Em suma, o maior medo de Jair Bolsonaro não é mais perder as eleições até no primeiro turno, mas ter que sentir o peso da lei após ser removido pelo voto do cargo que ocupa. Aliás, não estivessem os ricos brasileiros tão felizes com os frutos do governo impopular e antinacional de Jair Bolsonaro, o mais provável é que ele estivesse sentindo repercussões das revelações que se seguiram à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro.

Prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e de dois pastores da IAD por caso do FNDE prega selo de corrupto no governo de Jair Bolsonaro

bolsonaro e os pastores

O presidente Jair Bolsonaro ao lado do ex-ministro Milton Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura

Apesar de todas as evidências do contrário, o presidente Jair Bolsonaro vinha tergiversando acerca dos múltiplos sinais de que seu governo estava impregnado por práticas de corrupção. Essa aura de pureza foi brutalmente dilacerada na manhã desta 4a. feira (22/06) com a prisão pela Polícia Federal do dublê de pastor e ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e de dois pastores importantes da  Igreja Assembleia de Deus (IAD), Gilmar Santos e Arilton Moura, por comandarem um esquema de apropriação ilegal de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O grande problema para Jair Bolsonaro é que não apenas ele indicou Milton Ribeiro para ser mais um dos seus medíocres ministros da Educação, mas como também aparentemente o instou a estabelecer Santos e Moura como seus prepostos no processo de apropriação ilegal de verbas do FNDE. 

Como a lista de crimes atribuída Milton Ribeiro e os dois pastores da IAD é ampla, incluindo corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência, é bem possível que eles resolvam fazer o que mais sabem fazer, qual seja, recitar versículos para se livrarem das penas que a legislação brasileira imputa a esse tipo de caso.

Mas de antemão já se sabe que, em pelo menos uma gravação, o ex-ministro Milton Ribeiro diz atender a uma solicitação de Jair Bolsonaro, mencionando ainda  pedidos de apoio que seriam supostamente
direcionados para construção de igrejas (da IAD, se supõe).

O fato é que se apenas “bolsonaristas” raiz ainda caiam na ladainha de que inexistiam casos de corrupção dentro do governo comandado por Jair Bolsonaro, as prisões de hoje e as revelações que as acompanham deverão representar um profundo abalo na base política que o presidente da república ainda possui, principalmente no chamado eleitorado protestante, especialmente entre os membros da IAD.

Mortes de Bruno e Dom são citadas na capa da edição diária do “The Washington Post”

Dom e Bruno foram mortos a tiros, confessa Pelado - Amazônia Real

Os assassinatos brutais do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips são um dos assuntos mais comentados fora do Brasil neste dia de Corpus Christi. O jornal “The Washington Post” dedicou uma matéria de capa ao assunto (ver imagens abaixo).

É importante notar que a matéria assinada pelos jornalistas Terrence McCoy e Gabriela Sá Pessoa não apenas expõe as condições nas quais Pereira e Phillips foram assassinados, mas também enfatiza a posição pró-  garimpeiros e desmatadores ilegais do presidente Jair Bolsonaro, indicando ainda que o mandatário brasileiro culpou Phillips por seu desaparecimento.  Neste caso os jornalistas se referem a um comunicado ocorrido na quarta-feira,  quando Jair Bolsonaro afirmou que o jornalista era “malvisto na região”, por ter feito ” muitas matérias contra a mineração de ouro e sobre questões ambientais”.

Com esse relato jornalístico é quase certo que a imagem de Jair Bolsonaro, e a do Brasil por associação, que já não era boa, certamente vai piorar. E eu acrescento, com toda a razão.