Pericia judicial mostra que peixes do rio Doce estão contaminados e impróprios para consumo

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Por Jornal Folha 1

Um dos esperados laudos feitos a pedido da 12ª Vara da Justiça Federal, relacionados ao Caso Samarco, acabou de sair e trouxe uma notícia muito preocupante: os peixes do rio Doce estão gravemente contaminados por produtos químicos como arsênio e mercúrio, capazes de comprometer a saúde de quem consume o produto.

O laudo feito a pedido da Justiça, que examinou peixes de 42 municípios mineiros e capixabas afetados pelo rompimento da barragem de Mariana, em 2015, mostrou o que muitos já esperavam: consumir peixe do rio Doce e região estuarina é uma temeridade. No Espírito Santo, foi examinado o pescado de municípios de Baixo Guandu, Aracruz, Colatina, Linhares e São Mateus e o resultado é extremamente preocupante.

Nas últimas semanas pescadores da região exibiram em redes sociais, fotos e filmagens de peixes com deformações, sugerindo doenças graves em função da contaminação da água do rio Doce, o que parece agora bem verdadeiro depois do laudo especializado feito a pedido da Justiça Federal.

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Peixe do tipo Caçari pescado na região próxima a Linhares, recentemente

Gravidade

A situação parece mesmo muito grave, de acordo com o laudo: segundo o documento, os peixes do rio Doce e região estuarina estão contaminados principalmente com mercúrio, metilmercúrio, arsênio inorgânico e as benifenilas policloradas, ou seja, um conjunto tóxico capaz de trazer consequências graves aos seres humanos que consomem o peixe. O laudo já provoca uma intensa repercussão na bacia do rio Doce e pode provocar, nas próximas horas, uma decisão judicial proibindo a pesca e a comercialização de peixes oriundos do próprio rio a da região estuarina – ou seja, o mar próximo da foz.

A Fundação Renova vinha divulgando outro resultado sobre a contaminação de peixes, garantindo que possui documentos que comprovam a segurança no consumo, porém agora está estabelecida uma forte controvérsia, decorrente do novo laudo apresentado à 12ª Vara da Justiça Federal.

Casualidade

Outra particularidade importante do laudo é que ele apontou ” nexo de casualidade”, ou seja , que os metais encontrados nos peixes tem relação com os rejeitos que foram despejados no rio Doce com o desastre ambiental “. Ou seja, a lama tóxica despejada pela barragem da Samarco, com responsabilidade direta também da Vale e da BHP, é que contaminou os peixes que permanecem quase 7 anos depois, impróprios para consumo.

Laudo a pedido da Justiça

Eis o laudo, com 316 páginas e feito por especialistas, que mostram o grave risco de consumir peixe do rio Doce e região estuarina: clique aqui para ler na íntegra.


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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Folha 1” [Aqui!].

Brumadinho: o crime ambiental completa três anos

Rompimento de barragem matou 264 pessoas e causou dano irreversível para o meio ambiente

unnamed (2)O mar de lama tóxica no Córrego do Feijão em Brumadinho (MG) | Foto: Greenpeace Brasil

São Paulo, 24 de janeiro de 2022  No dia 25 de janeiro, o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG), completará três anos. Ao todo, foram 264 pessoas mortas em decorrência do rompimento da barragem, sendo que seis vítimas ainda continuam desaparecidas. Ainda assim, são 36 meses de um crime ambiental que ainda segue impune. Durante esse período assistimos a negligência do poder público omisso e, principalmente, falta de comprometimento ambiental e humano da empresa Vale S.A, responsável pelo rompimento da barragem.

A barragem rompida apresentava um volume de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Essa grande quantidade de rejeitos, somados à velocidade em que foram liberados, destruiu grande parte da vegetação e da fauna locais. Segundo dados do Ibama, houve a perda de cerca de 134 hectares de florestas nativas de Mata Atlântica, o equivalente a 153 campos de futebol e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d’água afetados pelos rejeitos de mineração. Nos mais de 300 km do Rio Paraopeba analisados pela SOS Mata Atlântica (desde a região de Córrego do Feijão até o reservatório de Retiro Baixo, em Felixlândia), a água estava imprópria, sem condições de uso. A organização também verificou que os rejeitos contaminaram até o Rio São Francisco, um dos mais importantes do Brasil.

No que diz respeito às áreas urbanas, ao menos 17 municípios no entorno do Rio Paraopeba foram afetados, atingindo cerca de 600 mil pessoas. Os povos originários da região também foram impactados. Na aldeia Naô Xohã, que conta com indígenas das etnias pataxó e pataxó hã-hã-hãe, enquanto alguns permanecem no território, outros se deslocaram para os centros urbanos em razão do risco de contaminação. Entretanto, há ainda dezenas de indígenas que lutam para serem reconhecidos como atingidos e que exigem que a Vale S/A pague os valores emergenciais, além de garantir a realocação das famílias para um novo território.

Confira especial completo do Greenpeace Brasil sobre o caso Brumadinho aqui

Um dia depois do rompimento da barragem, o Greenpeace Brasil esteve em Brumadinho documentando o crime ambiental e cobrando justiça diante de tamanho crime ambiental.

De acordo com a porta-voz do Greenpeace Brasil, Pamela Gopi: “O que aconteceu em Brumadinho não foi um desastre ambiental de proporção local, foi um crime ambiental de alcance global, que afetam famílias, comunidades locais que sequer são consultadas no momento de implementação de uma barragem. Desde o primeiro momento, o Greenpeace esteve presente no local, não apenas coletando imagens, mas denunciando ocorrido e hoje seguimos cobrando ações efetivas do poder público para que crimes como estes não se repitam em nossa história”.

Outros “Brumadinhos” podem acontecer
A degradação do meio ambiente tem intensificado a ocorrência de eventos extremos como fortes chuvas, temperaturas altas, estiagens e secas que vêm ocasionando enchentes, deslizamentos de terras e tragédias como o rompimento de barragens. Tudo reflexo das mudanças climáticas.

Estados como Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Tocantins, Goiás, Piauí, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina são exemplos de regiões que atualmente estão sentindo de maneira intensa os efeitos da crise climática. Apesar disso, a maioria dos estados brasileiros não estão preparados para lidar com a crise: atualmente, somente sete unidades da federação (PE, MG, SP, AC,TO, RS e GO) possuem um plano de adaptação climática e, mesmo nesses casos, faltam ações efetivas.

“É urgente que os governantes, principalmente na esfera estadual, elaborem estratégias e planos de ações que proporcionem a mitigação das consequências das mudanças climáticas, zelando pela vida de suas populações. Os planos de adaptação climática e mapeamento de áreas de risco, além de orçamentos destinados a perdas e danos, e materiais para populações vulneráveis são apenas alguns exemplos de ações que devem ser priorizadas pelos governos diante da emergência climática”, finaliza Gopi.

Incidente em Mariana: Samarco cada vez mais enrolada na lama que despejou

Samarco acelerou ampliação da capacidade da barragem que estourou

Documentos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente indicam que aumento de capacidade da represa que se rompeu ocorreu anos antes do previsto inicialmente. Efeito da disparada da produção é uma das linhas de apuração do MP

 Guilherme Paranaiba

CBMMG/divulgação

A produção acelerada da mineradora Samarco em Mariana, na Região Central do estado, levou a empresa a apressar o planejamento para aumentar a capacidade de armazenar rejeitos na Barragem do Fundão – que se rompeu em 5 de novembro, liberando cerca de 60 milhões de metros cúbicos de lama e causando o maior desastre ambiental da história do país. A previsão da mineradora, estipulada na primeira licença de operação, aprovada pelo Conselho de Política Ambiental (Copam) em 2008, dava conta de que a barragem chegaria a 940 metros (em relação ao nível do mar) apenas em 2022 . Porém, documentos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) demonstram que em junho de 2017 a estrutura já teria essa condição. Em junho deste ano foi expedida licença para obra de alteamento da barragem, com previsão de dois anos de duração. O aumento da produção nos últimos anos, confirmado pela própria Samarco, é uma das linhas de investigação que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) seguem para entender a causa da tragédia.

O andamento da obra para atingir a cota de 940 metros foi confirmado pela Samarco e também pela Semad, que forneceu parecer único emitido por seus técnicos sugerindo o deferimento das licenças prévia e de instalação para a obra de alteamento entre as cotas 920 e 940, que duraria dois anos a partir de junho de 2015, data das licenças. Essa era apenas uma das obras que ocorriam no momento do desastre em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana. A segunda era uma ampliação da capacidade sem alteamento, já na cota 920, que foi autorizada em dezembro de 2013 e também tinha cronograma de dois anos, conforme a Semad. Esse é outro indício dos efeitos do aumento de produção da Samarco, já que a previsão inicial era de que a altura de 920 metros fosse atingida apenas dentro de cinco anos, em 2020. Porém, esse patamar já aparecia como implantado em documentos de 2013 – e é a informação com que o MPMG conta sobre a operação antes da tragédia, conforme o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto.

A Samarco se limita a informar que operava uma cota de 898 metros antes do desastre com a estrutura, apesar da autorização para chegar a 920, confirmada pela Semad. Técnicos da pasta já haviam emitido dois pareceres sugerindo o deferimento da operação de Fundão, que foram confirmados pelo Copam, responsável por aprovar as licenças em Minas Gerais. Um foi em 2008, a primeira licença de operação para a barragem. O outro, em 2013, é a revalidação da mesma licença, que tem validade de seis anos. Depois do acidente, a Semad embargou as operações na Mina do Germano, onde fica a Barragem do Fundão.

Investigação

Entender a evolução do armazenamento da barragem que se rompeu é considerada tarefa fundamental pelo Ministério Público de Minas para descobrir o que causou a tragédia. “O aumento da produção, e consequentemente, da deposição de rejeitos na barragem, é uma das linhas de investigação das causas que estamos seguindo”, diz o promotor Mauro Ellovitch, um dos integrantes da força-tarefa criada para investigar as causas e os desdobramentos dos danos ambientais, ao patrimônio e também as condições das duas barragens remanescentes no complexo. O Ministério Público Federal (MPF) também tem atenção especial sobre o histórico de produção da Samarco, especialmente nos últimos anos. “De cinco anos para cá, mais ou menos, o volume de rejeitos na barragem aumentou bastante”, disse o procurador federal José Adércio ao Estado de Minas.

O professor Roberto Galery, do Departamento de Engenharia de Minas da UFMG, lembra que duas situações diferentes verificadas no setor de mineração podem combinar com o aumento de produção das empresas. “Entre 2011 e 2013, tivemos um momento favorável para a produção do minério de ferro, com a tonelada custando US$ 140, chegando até a US$ 190. Isso causou uma mobilização maior do mercado para aumento de capacidade”, afirma o especialista. A partir de 2014, em virtude da crise econômica mundial, o preço caiu bastante, chegando a US$ 44 na semana passada. Porém, mesmo assim o aumento de produção foi mantido, segundo o professor. “Se a margem de lucro cai, é preciso produzir mais para pagar o investimento que foi feito”, completa.

Em 2008, quando a Samarco formalizou o pedido de licença de operação para a Barragem do Fundão na Semad, uma previsão de alcance do reservatório foi anexada ao parecer da secretaria, conforme o processo 15/1984/066/2008. Nessa estimativa, a empresa esperava chegar em 2022 a uma cota altimétrica de 940 metros. Em dezembro de 2012, a Samarco procurou novamente a Semad, desta vez para solicitar licenças prévia e de instalação (anteriores à operação) de uma ampliação da represa, porém, sem alteamento.

Chamada de otimização, a ampliação se daria em uma cota já atingida pela barragem em 920 metros, segundo o parecer único da Semad número 262/2013. As duas licenças só foram concedidas um ano depois, em dezembro de 2013, permitindo a obra estimada para durar até dezembro deste ano. Dois meses antes, em outubro, a Samarco também conseguiu a revalidação da licença de operação do Fundão, que garantia o funcionamento normal da barragem por mais seis anos. A concessão dessa licença ocorreu em 29 de outubro. Apenas dois dias depois, a empresa pediu novamente licenças prévia e de instalação, dessa vez para unificar as barragens de Fundão e Germano, com um alteamento que começaria em 920 metros e chegaria até os 940. A autorização se deu somente um ano e oito meses depois, em 30 de junho deste ano, mais uma vez com estimativa de obras que durariam dois anos.

Em nota, a Samarco confirmou que estava mobilizada para chegar à cota de 940 metros de alteamento, por meio de obra autorizada pela obtenção das licenças prévia e de instalação, aprovadas por unanimidade pelo Copam. A empresa confirmou o aumento de produção e esclareceu que entre 2008 e 2014 passou por dois períodos de expansão. Em 2009, inaugurou a terceira pelotização, que subiu a capacidade produtiva para 23,5 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano. Em 2014, foi inaugurada a quarta pelotização, que incrementou a produção em 37%, chegando a 30,5 milhões de toneladas.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/12/02/interna_gerais,713355/samarco-acelerou-ampliacao-da-capacidade-da-barragem-que-estourou.shtml

Incidente da Samarco: Em documentário, moradores de Regência (ES) colocam o dedo em todas as feridas

Documentário retrata apreensão da comunidade de Regência com onda de lama

 

👤Manaira Medeiros
LAMA

Últimos Dias em Regência. Com oito minutos de duração, um documentário produzido pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento do Estado (Geppedes) retrata o clima de apreensão e incertezas que predomina em Regência, Linhares (norte do Estado), com a chegada da onda de lama dos rejeitos da barragem daSamarco/Vale rompida em Mariana (MG). 

Na vila de pescadores está localizada a foz do rio Doce, onde a lama encontrou o oceano na tarde deste sábado (21) – foto ao lado. Os relatos mostram que as famílias estão há dias sem dormir, sensibilizadas não só com a perda da referência que o manancial sempre representou para a vila, como devido ao temor do que será deixado para as futuras gerações. 

“É a população humilde que depende do rio, não as empresas”, diz um dos pescadores do documentário. “A morte está chegando e vai matar quem está aqui na Boca do Rio”, sentencia outro.

Eles lembram que a comunidade já vem enfrentando dificuldades devido à seca do rio Doce e assoreamento, o que interferiu também no abastecimento de água aos moradores. Há dias isso é feito por poço artesiano e caminhões-pipa, já que o rio salinizou, com a baixa vazão e o avanço do mar.

A situação agora se agravou porque a navegação e a pesca já estão proibidas, impedindo que as famílias garantam seu sustento. Com a contaminação pela lama de rejeitos, a atividade se tornará impraticável.  Além disso, preocupam os moradores os impactos ao meio ambiente e à qualidade da água, e à própria alimentação dessas famílias. 

As entrevistas também revelam que a comunidade está desassistida tanto pelo poder público como pelas empresas responsáveis pela tragédia. O Estado não dá respostas e a mineradora também não aparece. “Ninguém chega aqui para conversar. E tem alguém culpado, né? Tomara que esse alguém chegue para conversar logo, porque a situação é crítica e delicada”.

“Estamos preocupados porque estamos vendo uma certa comodidade da empresa, por ela ser uma financiadora de grandes políticos. Eles não estão preocupados com a comunidade e sim com a questão empresarial de geração de renda e emprego, e não da vida. Estão preocupados em resolver o problema de voltar a gerar renda para a empresa”.

Outro temor é em relação ao processo que pretende instalar o porto da Manabi na região, o que também irá impactar Regência. Assim como tem acontecido agora na questão de lama, o documentário mostra que a ausência de informações e da presença do poder público na vila têm gerado conflitos dentro da própria comunidade, o que divide e desmobiliza, uma estratégia que atende aos interesses das empresas e seus grandes projetos impactantes. 

“A gente teme que a situação caia no dilema de ter que salvar Regência’ ou ‘ter que salvar o mar”.

Os autores do documentário são Daniela Zanetti, João Paulo Lyrio Izoton e Ana Oggioni.

Pedido de socorro

A comunidade de Regência vem fazendo insistentes apelos para que a onda de lama seja contida antes de chegar à foz do rio Doce. 

O mais recente deles foi feito na página Regência Surf, no Facebook, e denuncia a omissão em relação às comunidades da área – além de Regência, o distrito de Povoação.

“Depois de todos os pedidos e manifestações, nada foi feito até agora para que essa lama não chegue até Regência e a foz do rio Doce. 

A comunidade alerta que está em risco o futuro de 900 famílias, fora os moradores de Areal, que fica a seis quilômetros de Regência, e os ribeirinhos.

“Continuamos gritando por socorro e que nossas autoridades e os órgãos competentes tenham cuidado para não tomar decisões que poderão prejudicar a vida de muitas famílias, que estão aqui sem nenhum tipo de assistência ou orientação”.

Sem renda

O temor dos pescadores de Regência é sentido pelas famílias que dependem da atividade em Baixo Guandu e Colatina, cidades do noroeste do Estado, que já vivem os efeitos da chegada da onda de lama. 

Em contato com os rejeitos, os peixes do rio Doce morreram e não há qualquer expectativa em relação à renda que irá sustentar suas famílias a partir de agora. O desespero é o mesmo para os vendedores de peixes e produtores de redes de pesca.

Os pescadores que fizeram estoque para vender antes da enxurrada de rejeitos estão com as vendas paradas. Com medo de contaminação, a população se recusa a consumir peixe. “Nem nos restaurantes as pessoas querem peixe e até os de água salgada não têm saída”, contou o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB). 

Uma reunião entre os pescadores do município e a Samarco/Vale foi realizada nessa quinta-feira (19), cobrando medidas da empresa para a situação dessas famílias. Ainda não há, porém, qualquer resposta. Neto Barros alerta, ainda, que os pescadores não estão recebendo o benefício referente ao defeso.

Vídeo publicado no Facebook  mostra a quantidade de peixes mortos com a chegada da lama em Baixo Guandu e denuncia a tentativa da Samarco/Vale de maquiar o cenário.

FONTE: http://seculodiario.com.br/25977/10/documentario-retrata-apreensao-da-comunidade-de-regencia-com-chegada-da-onda-de-lama