Caso “Odebrecht versus José Serra” quebra recorde olímpico de desaparecimento de assunto na mídia corporativa

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A revelação de que o tucano José Serra recebeu a bagatela de R$ 23 milhões da empreiteira Odebrecht, ministro das Relações Exteriores do governo interino de Michel Temer (PMDB), que foi noticiado ontem pelo jornal Folha de São Paulo desapareceu com uma velocidade digna de Usain Bolt nos 100 metros rasos. 

A notícia que foi veiculada ontem pelo jornal Folha de São Paulo (Aqui!) é de tal potencial destrutivo que se um petista que tivesse sido apanhado, as manchetes e veiculações das mesmas seriam quase instantâneas ao longo do dia de hoje por todos os veículos da mídia corporativa. 

Aliás, eu desconfio que se fosse um petista o delatado, já teríamos tido um desfilhe de camburões com contingentes fortemente armados da Polícia Federal para ir apanhar o incauto.

Mas não penso que esse sumiço midiático tem a ver só com o fato de que José Serra é um tucano de fina plumagem.  O problema é que o pessoal da Odebrecht também delatou o próprio Michel Temer como beneficiário de recursos vindos do chamado “Petrolão”, o que torna toda a narrativa vigente de que só os petistas são corruptos totalmente inválida. Não que os petistas sejam vestais nesse mundo obscuro dos financiamentos ilegais de campanha, mas apenas não são os únicos.

Nunca é demais lembrar que no plano municipal de Campos dos Goytacazes, as revelações em torno de Michel Temer e José Serra atingem tanto a situação quanto a oposição. É que o candidato a vice-prefeito na chapa governista é o vereador Mauro Silva que está filiado ao PSDB. Ao mesmo tempo, todos os principais candidatos da oposição têm algum tipo de relação (direta ou indireta) com o PMDB no plano estadual.

Em função disso é que a mídia local decidiu literalmente ignorar a situação delicada em que José Serra e Michel Temer se encontram após a delação dos executivos da Odebrecht (que, aliás, já tinham delatado também o ex (des) governador Sérgio Cabral).  Esse silêncio pode não ser lá muito jornalístico, mas é compreensível.  É que estando todo mundo junto e misturado, o melhor mesmo é se fingir de morto para não ter que dar explicação.

 

Bala de prata em José Serra? Não sejamos ingênuos!

A manchete do jornal Folha de São Paulo mostra duas coisas separadas que juntas concederiam mais do que uma medalha de prata para a política brasileira.

serra

É que graças a mais um desses vazamentos da equipe da Lava Jato somos informados de que o ministro das relações exteriores José Serra (PSDB/SP) teria recebido R$ 23 milhões via caixa 2 da empreiteira ODebrecht.

Mas me desculpem quem se empolgar com a manchete e seus efeitos imaginários de equalização do combate à corrupção no Brasil.

É que desde o livro “A Pìvrataria Tucana” de Amaury Ribeiro Junior  (Aqui!), José Serra já deveria ter sido instado a responder por determinadas questões. Mas não foi isso o que se viu. Assim, achar que agora isso vai acontecer pelas mãos da Lava Jato seria no mínimo ingenuidade.

E se há algum lugar onde não há espaço para ingenuidade no Brasil, esse lugar é o papel da equipe da Lava Jato na criação de um ambiente onde só o PT e seus membros são vistos como sendo corruptos.

Agora que é engraçado ver a sincronia entre a medalha de Felipe Wu e a notícia de que José Serra foi agraciado com alguns milhões pela Odebrecht, isto é!

Lava Jato: Força-tarefa no Rio denuncia 15 por corrupção e lavagem na construção de Angra 3

Essa é a primeira acusação da Lava Jato apresentada pelo MPF diretamente à Justiça Federal do Rio de Janeiro

            

Construção da Usina Angra 3 em 2011 – Divulgação – Ministério do Planejamento (Flickr)

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro apresentou, nesta quinta-feira (28), a primeira denúncia resultado do trabalho da Força-Tarefa Lava Jato no Estado contra 15 pessoas envolvidas na organização criminosa que comandava esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos entre Eletronuclear e as empresas Andrade Gutierrez e Engevix para as obras da Usina de Angra 3. Dentre os acusados, estão os ex-dirigentes da Eletronuclear Luiz Antônio de Amorim Soares, Luiz Manuel Amaral Messias, José Eduardo Brayner Costa Mattos, Edno Negrini e Pérsio José Gomes Jordani, além de ex-executivos da Andrade Gutierrez e Engevix (confira ao final tabela completa com nomes e crimes cometidos pelos denunciados). 

A Lava Jato iniciou-se em março de 2014 no Paraná e, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o processo contra o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz, sua filha Ana Cristina da Silva Toniolo e executivos da Andrade Gutierrez e da Engevix, foi remetido à Justiça Federal do Rio de Janeiro (autos n° 0510.926-86.2015.4.02.5101). Assim, desde o fim do ano passado, deu-se início ao aprofundamento das investigações no âmbito do MPF/RJ.

A Força-tarefa no Rio realizou um extenso trabalho de investigação, com a recente deflagração da Operação Pripyat, para sintetizar em 97 páginas a peça acusatória. Foram utilizados vários métodos de investigação, tais como quebras de sigilo bancário e fiscal, colaboração premiada, interceptações telefônicas, mandados de busca e apreensão, prisões preventivas ecompartilhamento de provas.

Para os procuradores da República Lauro Coelho Junior, Leonardo Cardoso de Freitas, Eduardo Ribeiro Gomes El Hage, e o procurador regional da República José Augusto Simões Vagos,que assinam a peça, “a presente denúncia apresenta o resultado da parcela mais significativa da investigação levada a cabo pelo Ministério Público Federal, cujo desfecho foi consumado na denominada Operação Pripyat, desdobramento da 16ª Fase da Operação Lava Jato (Radioatividade)”.

O objetivo era aprofundar a investigação de organização criminosa responsável pela prática de corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na construção da Usina de Angra 3 pela Eletronuclear. A partir de então, “descortinou-se a atuação de outros funcionários públicos, além do próprio ex-presidente da estatal Othon Luiz Pinheiro da Silva, e evidenciou-se a atuação de outros responsáveis por empresas interpostas utilizadas para viabilizar a lavagem dos ativos ilicitamente transferidos”, apontam os procuradores.

Com o aprofundamento das investigações, constatou-se que o núcleo administrativo da organização criminosa não se compunha apenas pelo ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz, mas também pelos gestores Luiz Antônio de Amorim Soares, Luiz Manuel Amaral, Messias José Eduardo Brayner Costa Mattos, Edno Negrini e Pérsio José Gomes Jordani, todos agora denunciados pelo MPF.

 
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Entenda a investigação da Força-tarefa Lava Jato no Rio

 A investigação baseou-se no conteúdo de quebras de sigilo bancário e fiscal das empresas Flexsystem, de responsabilidade do falecido Ney Gebran Pereira. Apesar de terem recebido volumosos pagamentos da Andrade Gutierrez e da Engevix, a empresa não possuía empregados registrados e estava localizada em endereço residencial de luxo no bairro do Joá, no Rio de Janeiro, despertando “a suspeita de se tratar de empresa de fachada utilizada para branquear o recebimento de propina”, detalham os procuradores.

As suspeitas em relação à Andrade Gutierrez foram confirmadas pelas colaborações premiadas celebradas pelos seus ex-executivos Rogério Nora, Clóvis Primo, Flávio Barra e Gustavo Botelho, que revelaram o pagamento de propina para os funcionários da Eletronuclear com prisão preventiva decretada.

Outros seis funcionários da Andrade Gutierrez aderiram ao acordo de leniência feito com MPF na Operação Lava Jato, detalhando o modus operandi do núcleo econômico da organização criminosa. A Andrade Gutierrez forneceu ao MPF documentos, notas fiscais e planilhas relativos aos contratos fraudulentos assumidamente celebrados.

A investigação também teve o apoio de Comissão Independente de Investigação instituída pela Eletrobras. A comissão, considerando a verificação de indevida interferência em seus trabalhos, inclusive com destruição de arquivos eletrônicos e influência no ânimo de testemunhas, havia determinado o afastamento de suas funções de Luiz Soares, Edno Negrini, Luiz Messias e José Eduardo Costa Mattos. Persio Jordani já havia deixado a Eletronuclear em 2014.

Durante a investigação, ainda foi realizado monitoramento telefônico que produziu prova da atuação da organização criminosa. Foram interceptadas conversas que revelaram destruição de documentos, ocultação patrimonial, interferência na investigação interna, inclusive com violação de ambientes lacrados, manutenção de influência de funcionários afastados e relações suspeitas com outras empresas. Ainda no curso da investigação, foi determinada a quebra de sigilo bancário e fiscal de Luiz Soares, Edno Negrini, Luiz Messias, José Eduardo Costa Mattos e Persio Jordani, além das empresas VW Refrigeração e seus sócios Marco Aurélio Barreto e Marco Aurélio Vianna.

Em conjunto à deflagração da Operação Pripyat, foi determinada a realização de busca e apreensão criminal e sequestro de bens e ativos dos investigados. Além disso, o denunciado José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix, resolveu colaborar espontaneamente com as investigações e assumiu que celebrou contratos fictícios com a empresa Flexsystem Engenharia para dissimular o repasse de propina para Luiz Soares, sendo certo que a vantagem indevida foi compartilhada ao menos com Luiz Messias.

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“A investigação ainda identificou, a partir da colaboração da Andrade Gutierrez, que os pagamentos de propina em espécie para funcionários da Eletronuclear eram suportados pelo ‘caixa 2’ da empreiteira. O esquema de lavagem de dinheiro era sustentado na celebração de contratos fictícios ou superfaturados com várias empresas, como a Empresa de Viação Angrense, de responsabilidade do denunciado Delmo Pereira Vieira”, detalham.

Para distribuição da propina, foi criada uma verdadeira contabilidade pela construtora Andrade Gutierrez, entre 2008 e 2014, com sistemático pagamento de vantagens aos envolvidos na organização criminosa (fora os valores destinados ao núcleo político investigado no âmbito do STF). Estima-se, entre outros repasses, que Othon Luiz recebeu até R$ 12 milhões, Luiz Soares e Edno Negrini receberam até R$ 3,6 milhões e Luiz Messias, José Eduardo Costa Mattos e Persio Jordani receberam até R$ 2,4 milhões em propinas da construtora. O cálculo pode até estar subestimado considerando que foram identificados pagamentos da Andrade Gutierrez para a Flexsystem no valor de R$ 5 milhões.

Denúncia do MPF/RJ
Diante das provas, o Ministério Público Federal denuncia:
Nome
Quem é?
O que fez? (crime)
Na lei
Luiz Antônio de Amorim Soares
Ex-diretor da Eletronuclear
– Corrupção passiva Fato 1 (F1)
– Lavagem de ativos F3
– Lavagem de ativos F4
– Corrupção passiva F7 (
– Lavagem de ativos F9
– Embaraço à investigação de organização criminosa F10
– Organização criminosa F12
– Art. 317, § 1º CP
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 317, § 1º CP
– Art. 1° §4 L. 9613/98
– A.2º §1 L. 12.850/03
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Luiz Manuel Amaral Messias
Ex-superint. Eletronuclear
– Corrupção passiva F1
– Corrupção passiva F7
– Lavagem de ativos F9
– Embaraço à investigação de organização criminosa F10
– Organização criminosa F12
– Art. 317, § 1º CP
– Art. 317, § 1º CP
– Art. 1° §4 L. 9613/98
– A.2º §1 L. 12.850/03
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
José Eduardo Brayner C.Mattos
Ex-superint.
Eletronuclear
– Corrupção passiva F1
– Lavagem de Ativos F5
– Organização criminosa F12
– Art. 317, § 1º CP
– Art. 1° §4 L. 9613/98
– A.2º §1 L. 12.850/03
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Edno Negrini
Ex-diretor da Eletronuclear
– Corrupção passiva F1
– Organização criminosa F12
– Art. 317, § 1º CP
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Pérsio José Gomes Jordani
Ex-diretor da Eletronuclear
– Corrupção passiva F1
– Organização criminosa F12
– Art. 317, § 1º CP
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Marco Aurélio Barreto Pereira Leite
Sócio VW Refrigeração
– Lavagem de Ativos F5
– Organização criminosa F12
– Art. 1º Lei 9.613/98
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Marco Aurélio Vianna Pereira
Sócio VW refrigeração
– Lavagem de Ativos F5
– Organização criminosa F12
– Art. 1º Lei 9.613/98
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Delmo Pereira Vieira
Sócio da EVAL
– Lavagem de ativos F6
– Organização criminosa F12
– Art. 1º Lei 9.613/98
– A. 2º §4, II, L. 12.850/13
Rogério Nora de Sá
Ex-executivo da Andrade Gutierrez
– corrupção ativa F2
– Lavagem de ativos F3
– Lavagem de ativos F4
– Lavagem de ativos F5
– Art. 333 § único CP
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
Clóvis Renato Numa Peixoto Primo
Ex-executivo da Andrade Gutierrez
– corrupção ativa F2
– Lavagem de ativos F3
– Lavagem de ativos F4
– Lavagem de ativos F5
– Lavagem de ativos F6
– Art. 333 § único CP
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
Flávio David Barra
Ex-executivo da Andrade Gutierrez
– Lavagem de ativos F3
– Lavagem de ativos F4
– Lavagem de ativos F5
– Lavagem de ativos F6
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
Gustavo Ribeiro de Andrade Botelho
Ex-executivo da Andrade Gutierrez
– corrupção ativa F2
– Lavagem de ativos F3
– Lavagem de ativos F4
– Lavagem de ativos F5
– Lavagem de ativos F6
– Art. 333 § único CP
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
– Art. 1º Lei 9.613/98
José Antunes Sobrinho
Sócio da Engevix
– Corrupção ativa F8
– Lavagem de ativos F9
– Art. 333, § único CP
– Art. 1° §4 L. 9613/98
Ludmila Gabriel Pereira
Sócia da FlexSystem
– Embaraço à investigação de organização criminosa F11
– A.2º §1 L. 12.850/03
Marlei Gabriel Pereira
– Embaraço à investigação de organização criminosa F11
– A.2º §1 L. 12.850/03
FONTE: Assessoria de Comunicação Social, Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Eike Batista na Lava Jato, o nosso furo de reportagem. E agora, Sérgio Cabral?

No dia 13 de maio de 2016, postei aqui neste blog um furo de reportagem assinado pelos jornalistas Cláudia Freitas e Matt Roper dando conta que o ex-bilionário Eike Batista havia sido arrolado na trama da Lava Jato (Aqui!).

Passados pouco mais de 10 dias, com as revelações da esposa do publicitário João Santana, Mônica Moura, Eike Batista parece ter entrado de cabeça nas investigações da Lava Jato (Aqui!).

O interessante nisso tudo é que até três anos atrás, Eike Batista rimava mais com PMDB do Rio de Janeiro (quer dizer Sérgio Cabral e Eduardo Paes) do que com PT. Quem se der ao trabalho de ler o livro escrito pela jornalista Malu Gaspar intitulado “Tudo ou Nada” poderá constatar que Eike Batista nunca teve o acesso que desejou aos financiamentos públicos, e que só chegou perto do ex-presidente Lula após um intenso trabalho de convencimento feito por Sérgio Cabral. Mesmo assim, como mostra Malu Gaspar,  Eike Batista nunca foi plenamente internalizado como um dos “campeões nacionais” do governo Lula. Já em relação a Sérgio Cabral e Eduardo Paes, as relações de Eike Batista beiram a simbiose.

Como tenho acompanhado de perto uma das heranças malditas de Eike Batista, o Porto do Açu, avalio que os principais atingidos por eventuais delações premiadas de Eike Batista serão figuras de proa do PMDB fluminense. É que apenas na questão das desapropriações de terras no V Distrito de São João da Barra e no processo de licenciamento ambiental “Fast Food” do Porto do Açu há muita coisa a ser apurada. É que apenas nesses dois casos, as impressões digitais de Sérgio Cabral e do atual secretário de Fazenda, Júlio Bueno, poderão ser encontradas de maneira farta. E, como já mostraram Cláudia Freitas e Matt Roper, as conexões entre Eike Batista e o Porto do Açu com a Lava Jato ainda poderão dar muito pano para manga.

E não posso deixar de mencionar o fato de que também em São João da Barra, o nível de preocupação com a chegada da Lava Jato em Eike Batista deve estar bastante alto. É que em nenhum outro município brasileiro, a presença de Eike Batista junto ao poder local foi tão forte e abrangente, tendo ele sido inclusive sido agraciado com o vistoso título de “Barão de São João da Barra” na gestão da prefeita Carla Machado. 

 

Romero Jucá: quer criar licenciamento ambiental “expresso”. Adivinha quem ganharia com isso!

jucaPor Observatório do Clima

Este é o novo ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ele é autor do Projeto de Lei 654/2015, que cria a figura do licenciamento ambiental “expresso” para grandes obras. Jucá acaba de ser apanhado numa conversa telefônica conspirando para enterrar a Operação Lava-Jato, aquela que revelou as ligações espúrias entre políticos e empreiteiras que fazem… grandes obras. Você vê alguma correlação?

http://goo.gl/vjaejB

FONTE: https://www.facebook.com/ObservatorioClima/photos/a.737024159659493.1073741828.140336485994933/1305407119487858/?type=3&theater

As gravações reveladoras de Romero Jucá e o cinismo do impeachment

A eclosão de gravações envolvendo o ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB/R (Aqui!) escancara de vez o fato de que o impeachment/golpe parlamentar de Dilma Rosseff representou um esforço escancarado para parar o combate à corrupção no Brasil.

Agora eu quero ver aquelas multidões vestindo, ironia das ironias, a camisa da CBF de volta nas ruas para exigir o impeachment do presidente interino Michel Temer. É que não há outra coisa a ser feita por quem dizia estar querendo ver o Brasil passado a limpo. Caso contrário o que teremos sacramentado o fato de que a corrupção só não é tolerada quando praticada pelo PT, o estranho no ninho das elites brasileiras.

Em relação ao PT, o que fica evidente é que a resposta tímida ao golpe pode ser decorrência dos mesmos interesses que foram escancarados pela divulgação das gravações de Romero Jucá. É que se o golpe tiver sucesso no controle das ações rotuladas de “Lava Jato”.  Resta agora ver como a direção do PT vai responder à afirmação de que o impeachment poderia ser a única via para salvar todos, inclusive Lula e Aécio.

Quanto a Jucá, o mais provável é que ele se torne um dos ministros mais breves da história da república, e que volte ainda hoje para o Senado preparar a sua defesa contra um inevitável pedido de cassação de seu mandato. É que, por comparação, as gravações envolvendo o ex-senador Delcídio Amaral e que motivaram a cassação relâmpago de seu mandato são brincadeira de criança. 

E, sim, como Romero Jucá disse ter conversado com vários ministros do STF sobre o impeachment de Dilma Rousseff como ferramenta para brecar a Lava Jato,  vamos ver o que dizem os digníssimos ministros daquele egrégio tribunal. O mínimo o que eu espero é que tenhamos declarações tão ou até mais ultrajadas do que aquelas proferidas quando uma gravação envolvendo o ex-presidente Lula mostrou uma fala dele dizendo que o STF estava de cócoras (ou coisa do gênero).

JB calcula número de trabalhadores desempregados por caso de corrupção envolvendo o ex-(des)governador Sérgio Cabral

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A imagem acima é uma reprodução parcial de uma matéria publicada neste sábado (14/05) pelo Jornal do Brasil sobre as denúncias feitas por delatores ligados à empreiteira Andrade Gutierrez no âmbito da chamada operação Lava Jato (Aqui!). 

Ainda que essa não seja a primeira denúncia que surge sobre o envolvimento do ex-(des) governador Sérgio Cabral nos últimos anos, a matéria levanta informações interessantes sobre o número de trabalhadores que a Andrade Gutierrez teria dispensado em função dos valores pagos. Além disso, também é apresentado um cálculo sobre quantos salários mínimos Sérgio Cabral receberia em função do montante declarado nas delações em que foi citado.

Não é preciso que os custos da alegada propina para os trabalhadores é enorme com um número estimado de 69 mil desmpregados. Mas um número que chama a atenção é de quanto salários mínimos Sérgio Cabral receberia se a propina declarada pelos delatores da Andrade Gutierrez tiver sido mesmo paga: 1 salário mínimo por hora num turna de 24 horas, o que época seria equivalente a R$ 12.000 por dia, R$ 350 mil por mês e R$ 4.2 milhões por ano!

Entretanto, há que se lembrar que, com raras exceções, a mídia corporativa (a começar pelas Organizações Globo) sempre ofereceu e continua oferecendo uma imensa blindagem a Sérgio Cabral e ao PMDB fluminense. Se essa proteção não tivesse ocorrido é bem possível  que mais escândalos envolvendo o ex_(des) governador Sérgio Cabral já tivessem surgido antes.

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Finalmente, não custa lembrar que Sérgio Cabral e seu herdeiro político, Luiz Fernando Pezão, geriram muitos mais obras como as envolvidas nas tratativas com a Andrade Gutierrez. Assim, mais do que nunca, há que se exigir uma imediata auditoria das contas estaduais. Quem sabe assim possamos entender o que de fato está acontecendo com os impostos recolhidos da população. É que eu desconfio que esta denúncia da Andrade Gutierrez é apenas uma pequena ponta de um imenso iceberg.

 

Depoimentos na Lava Jato envolvem empresa de Eike Batista, Mendes Jr. e Veólia em esquema de corrupção

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Por Cláudia Freitas e Matt Roper*

O magnata dos negócios que já foi um dos homens mais ricos do mundo, Eike Batista, está prestes a ser arrastado para o maior escândalo de corrupção do Brasil, após ser acusado de desviar milhões de dólares em crimes contra investidores em contratos de petróleo”. Segundo uma fonte ligada a Eike, depoimentos de ex-parceiros do empresário no conhecido Império X, em fevereiro, no âmbito da operação Lava Jato, da Polícia Federal, revelam que o consórcio Integra, formado pelas empresas OSX e Mendes Junior, teve participação em esquema de propina envolvendo a Petrobras.

Além disso, os depoentes teriam dito na Procuradoria-Geral da República no Paraná que os contratos com as multinacionais Veolia, da França, e Chemtec, subsidiária da Siemens da Alemanha, estariam superfaturados. As negociações estariam ligadas à construção de dois navios-plataforma P-67 e P-70 para as atividades do pré-sal na Bacia de Campos.

Batista se tornou o homem mais rico do Brasil no momento em que as ações da sua empresa de petróleo – a OGX – atingiu preços estratosféricos, logo após ele anunciar poços que seriam explorados pelo seu grupo, prometendo um capital de 1 trilhão de dólares em petróleo. No entanto, uma queda vertiginosa veio assim que o mercado descobriu que, na verdade, os poços eram secos. O fato se reverteu em denúncias por crimes contra investidores que tramitam na terceira varal criminal do Tribunal Federal do Rio de Janeiro.

Em fevereiro deste ano, depoimentos explosivos dados por ex-parceiros de negócios de Batista, segundo conta uma fonte que pediu para não ser identificada, surgiu nas investigações da Lava Jato e acusam o ex-magnata da mineração de participar de um esquema fraudulento para embolsar centenas de milhões em dinheiro público. Em declarações aos investigadores da operação, estes ex-parceiros teriam contado que Batista criou o consórcio de empresas – a sua OSX e a Mendes Júnior – com o único propósito de receber enormes quantias da Petrobras, na construção de dois navios-plataformas, o P-67 e P-70. A maior parte do dinheiro recebido por este consórcio chamado Integra serviu para alimentar o esquema de pagamento de propina, favorecendo outras empresas.

De acordo com o economista Aurelio Valporto, vice-presidente da Associação de Investidores Minoritários  do Brasil – “há evidência suficiente para colocar Eike na prisão e por muitos anos. Na verdade, se as autoridades do Rio de Janeiro não tivessem sido tão complacentes, ele já teria sido preso há muito tempo”. Valporto confirma que vem contribuindo com a operação Lava Jato há mais de um ano, fornecendo informações que teve de forma privilegiada enquanto líder do movimento dos minoritários. 

O economista ainda acusa Eike de usar indevidamente os investimentos feitos pelos minoritários no Império X, usando o dinheiro para manter seu estilo de vida extravagante e a sua posição de magnata. “Eike usava os recursos dos acionistas, que deveriam ser aplicados nas atividades da empresa, para fazer filantropia, que na verdade era uma compra de popularidade com dinheiro dos acionistas”, considera Valporto.

O grupo Integra teria sido formada após acordos entre Batista e executivos da Petrobras investigados no esquema de corrupção, de acordo com as declarações dos ex-parceiros. No centro das negociações a construção dos navios-plataforma P-67 e P-70. Novos documentos, apresentados pela mesma fonte, mostram que o consórcio movimentou centenas de  milhões de reais para pagar as empresas envolvidas nos acordos suspeitos. Uma planilha de pagamento entregue à equipe de reportagem mostra um total de £ 400 milhões (todos os contratos dessa folha foram efetuados até 2014, a taxa de câmbio foram 2 reais por libra) pagos pelo consórcio Integra aos empreiteiros, no período entre 2012 e 2014. Os pagamentos foram feitos a outras empresas nacionais e internacionais.

tabela eike

Um deles, de acordo a fonte, envolve a empresa francesa Veolia, cujos contratos estariam sendo superfaturados, segundo a fonte. A empresa de consultoria Tecna, que supostamente estaria ligada ao ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, seria outra participante do esquema e supostamente recebia por serviços 100% não executados.

Em um dos trechos dos depoimentos dados na Lava Jato, segundo a fonte, um ex-sócio de Eike teria dito que a Mendes Junior – “foi contratada para integrar as plataformas de petróleo, nunca apertou um único parafuso”. Outra empresa internacional supostamente envolvida no esquema é a Chemtec, uma subsidiária da Siemens da Alemanha, que teria recebido um total de £ 10 milhões em contratos de serviços de engenharia. A Siemens foi acusada de fazer parte de um esquema fraudulento semelhante envolvendo a construção de sistema de metrô de São Paulo, levando a polícia congelar os seus ativos no início de 2014.

Em sua delação premiada no âmbito da Lava Jato, o ex-gerente da área Internacional da Petrobras, Eduardo Musa, confirmou no ano passado que a OSX participou do esquema de propinas na estatal. O depoimento foi dado nas investigações sobre as influências para indicação do cargo no setor internacional da companhia, que teria a palavra final do presidente afastado da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Musa citou a planilha de pagamentos e as tratativas para a contratação dos FPSOs, no estaleiro do Porto do Açu, na região norte fluminense, no ano de 2012. Na época Musa disse não saber se Eike tinha conhecimento do esquema de corrupção, fato confirmado este ano por ex-diretores da OSX, em depoimentos na Lava Jato. Segundo Musa, a Veolia seria “representada” por José Dirceu.

“O sonho do Eike era entrar neste esquema de corrupção da Petrobras e ele estava forçando uma barra para isso acontecer. Ele conseguiu isso com o consórcio Integra”, conta um ex-sócio do empresário.

O procurador da República na Lava Jato, Júlio Noronha, não confirmou, mas também não descartou a informação de que teria ouvido os depoimentos dos ex-sócios de Eike. O procurador preferiu não comentar o assunto, para não interferir no andamento das investigações.

*Cláudia Freitas e Matt Roper são jornalistas