Caso “Odebrecht versus José Serra” quebra recorde olímpico de desaparecimento de assunto na mídia corporativa

JS

A revelação de que o tucano José Serra recebeu a bagatela de R$ 23 milhões da empreiteira Odebrecht, ministro das Relações Exteriores do governo interino de Michel Temer (PMDB), que foi noticiado ontem pelo jornal Folha de São Paulo desapareceu com uma velocidade digna de Usain Bolt nos 100 metros rasos. 

A notícia que foi veiculada ontem pelo jornal Folha de São Paulo (Aqui!) é de tal potencial destrutivo que se um petista que tivesse sido apanhado, as manchetes e veiculações das mesmas seriam quase instantâneas ao longo do dia de hoje por todos os veículos da mídia corporativa. 

Aliás, eu desconfio que se fosse um petista o delatado, já teríamos tido um desfilhe de camburões com contingentes fortemente armados da Polícia Federal para ir apanhar o incauto.

Mas não penso que esse sumiço midiático tem a ver só com o fato de que José Serra é um tucano de fina plumagem.  O problema é que o pessoal da Odebrecht também delatou o próprio Michel Temer como beneficiário de recursos vindos do chamado “Petrolão”, o que torna toda a narrativa vigente de que só os petistas são corruptos totalmente inválida. Não que os petistas sejam vestais nesse mundo obscuro dos financiamentos ilegais de campanha, mas apenas não são os únicos.

Nunca é demais lembrar que no plano municipal de Campos dos Goytacazes, as revelações em torno de Michel Temer e José Serra atingem tanto a situação quanto a oposição. É que o candidato a vice-prefeito na chapa governista é o vereador Mauro Silva que está filiado ao PSDB. Ao mesmo tempo, todos os principais candidatos da oposição têm algum tipo de relação (direta ou indireta) com o PMDB no plano estadual.

Em função disso é que a mídia local decidiu literalmente ignorar a situação delicada em que José Serra e Michel Temer se encontram após a delação dos executivos da Odebrecht (que, aliás, já tinham delatado também o ex (des) governador Sérgio Cabral).  Esse silêncio pode não ser lá muito jornalístico, mas é compreensível.  É que estando todo mundo junto e misturado, o melhor mesmo é se fingir de morto para não ter que dar explicação.

 

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