
O escritor e filólogo italiano Umberto Eco afirmou no dia em que recebia o título de Honoris Causa na Universidade de Turim que as redes sociais deram o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade” [1].
O problema é que a “legião de imbecis” de Umberto Eco está se sentindo livre o bastante para conspurcar pessoas e suas ideias, mesmo após a morte de quem é vitima das imbecilidades dos legionários.
Vejamos o caso ainda recente da vereadora Marielle Franco que está sendo vítima de ataques vis vindo de pessoas igualmente vis. O problema é que as mentiras e imbecilidades que estão sendo espalhadas como fezes ao vento encontram eco (e não estou falando de Umberto Eco) em pessoas das quais se esperaria mais bom senso e capacidade crítica.
Desconfiar das informações que criminalizam alguém que foi brutalmente assassinada por causa de suas ideias deveria ser a primeira tarefa de qualquer cidadão responsável, especialmente aqueles que se dizem “pessoas de bem” e “cristãs”. Mas não é isso o que estamos vendo, pois o preconceito e a inveja estão sendo usados para impedir que se veja claramente o significado e as consequências do extermínio físico de uma liderança política emergente que era bem preparada intelectualmente, e que recusava perder de vista com quem estavam as suas reais preocupações e responsabilidades.
Uma coisa é certa. Aqueles que reproduzirem todo o lixo que está sendo produzido para apagar quem foi Marielle Franco e o que ela significou para as pessoas que dela precisaram vão ser banidos das minhas redes sociais. De gente que usa subterfúgios para pregar o ódio de classe e o preconceito racial quero distância. Elas simplesmente não cabem em minhas relações.
E luta que segue, pois certamente seria isso que Marielle Franco nos diria para fazer em sua ausência.