Sérgio Cabral, o dedo duro conveniente

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O ex (des) governador Sérgio Cabral Filho no dia da entrega da medalha Tiradentes ao seu filho Marco Antônio.  Eduardo Paes presente na cerimônia é um dos inúmeros atingidos pela metralhadora giratória de delações do hoje hóspede involuntário do sistema prisional fluminense.

Premido pela perspectiva de passar um bom tempo na cadeia, o ex (des) governador Sérgio Cabral se transformou em uma metralhadora giratória de delações nas quais procura tentar compartilhar os seus alegados descaminhos à frente do executivo fluminense. Até certa medida, Cabral está repetindo a trajetória de outro encrencado ilustre, o ex-super poderoso Antonio Palocci cujo esforço recente tem sido impingir aos seus antigos companheiros toda sorte de transgressão na esperança de se livrar de cumprir as suas próprias penas.

 

Vídeo da campanha de Sérgio Cabral (Filho) para a prefeitura do Rio de Janeiro de 1992. O dedo duro de hoje era vendido então como o “jovem e habilidoso” protótipo do político honesto.

Entretanto, Sérgio Cabral talvez esteja chegando atrasado no mercado das delações premiadas. É que depois das estripulias dos “lavajatenses” de Curitiba, especialmente no caso da tal fundação privada que deveria gerir recursos bilionários retiradas dos caixas da Petrobras e da construtora Odebrecht, o encanto da classe média punitivista parece estar em arrefecimento.  Isso é lamentável para Sérgio Cabral porque o humor mudou e agora vai ser preciso mais do que delações puras e simples, mas principalmente documentos comprobatórios do que está se dizendo dos crimes que este ou aquele personagem cometeu.

Obviamente, especialmente no caso do ex-governador Anthony Garotinho, já é possível notar uma clara euforia dos seus adversários e inimigos paroquiais. É que premidos pelas evidências de que Garotinho é uma espécie de Fênix política, há um claro senso de desespero para que ele seja abatido antes das eleições de 2020. É que se ele permanecer livre, as chances maiores é de que o jovem prefeito Rafael Diniz vai ter que voltar para sua condição de funcionário público onde provavelmente terá que passar a apertar o botão do ponto eletrônico que ele supostamente está impondo aos servidores públicos municipais em Campos dos Goytacazes.

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Sérgio Cabral e Anthony Garotinho celebrando juntos nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro quando ainda não haviam se transformado em inimigos figadais.

Entretanto, voltando a Sérgio Cabral, considero especialmente covarde o ataque ao falecido governador Leonel Brizola do qual sempre se declarou inimigo político. É que por uma Leonel Brizola está morto e não tem como se defender das acusações de que teria participado das mesmas práticas que colocaram Cabral na cadeia. A segunda questão é que os dados históricos existentes apontam no sentido oposto do que Sérgio Cabral está dizendo que Brizola praticou. Qualquer um com um pingo de memória histórica sabe que Leonel Brizola foi o único governador pós-ditadura militar que procurou estabelecer um mínimo de controle sobre as castas que controlam o transporte público no estado do Rio de Janeiro. Nesse sentido, ao atacar Leonel Brizola, o que Sérgio Cabral faz é tentar colocar todos na vala comum em que ele se jogou por vontade própria.

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Sérgio Cabral e seu material de campanha nas eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro em 1992: mirando em Leonel Brizola com fervor.

Mas esperar o quê de Sérgio Cabral a estas alturas do campeonato senão este tipo de comportamento? Mas pior do que a repentina compulsão de Sérgio Cabral de tentar “socializar” a autoria de supostos crimes contra a administração pública é a propensão que alguns estão demonstrando em comprar sua narrativa de forma acrítica apenas para preencher interesses que são, em alguns casos, inconfessáveis. Por isso, cuidado com quem abraça de forma tão apaixonada as delações de Sérgio Cabral. Há preciso verificar primeiro se quem abraça a delação hoje não estava abraçado antes na generosa distribuição de verbas com que o hoje aprisionado (des)governador fabricou sua imagem agora dilacerada de governante moderno e eficiente. Afinal, é aquela coisa, digame com quem andastes abraçado que dir-te-ei quem és. Simples assim!

ADUENF lança carta aberta aos pais de alunas e alunos da UENF

CARTA ABERTA AOS PAIS DE ALUNAS E ALUNOS DA UENF

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), criada em 1993 por Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro, teve como princípio fundacional a interiorização do ensino público superior, gratuito e de excelência. Neste sentido, na sua concepção original a UENF como é conhecida, foi a primeira universidade no país a possuir 100% do seu corpo docente com doutorado e dedicação exclusiva, iniciar simultaneamente o ensino de graduação e pós-graduação que foi apoiado por um amplo programa de bolsas para apoio estudantil. A UENF e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foram as primeiras universidades brasileiras que estabelecerem o programa de cotas estudantis como um política afirmativa e de inclusão social. A UENF, juntamente com as universidades públicas existentes no estado do Rio de Janeiro, também foi a precursora do Ensino Público a Distância no estado fazendo parte desde o início da criação do Consórcio das Universidades Públicas e, juntas, oferecem hoje 45 mil vagas para 15 cursos (http://cederj.edu.br/cederj/sobre/).

Hoje, estamos em uma greve prolongada que afeta a vida de toda comunidade acadêmica, isto é, alunos, técnicos e professores. Esta greve não é apenas pela total falta de perspectiva salarial, mas também pelas condições degradantes de trabalho. Não há segurança no campus universitário, a limpeza e iluminação são precárias e a UENF não recebe os recursos necessários para manutenção das suas instalações desde outubro de 2015.

Em muitos momentos, discursos inflamados clamam pelo retorno às aulas porque estamos prejudicando a vida dos nossos alunos, porém, temos que deixar claro que este é um discurso falacioso, pois as vidas, de professores e servidores técnicos, também estão sendo prejudicadas. Há meses, vários servidores têm apresentado problemas de saúde, física e mental, e precisamos ressaltar que todos nós temos famílias, as quais dependem dos nossos salários e da nossa estabilidade emocional.

Em síntese, a greve tem como princípio a defesa incondicional da UENF e do seu melhor funcionamento para atender aos nossos alunos e a toda comunidade regional e nacional. Não somos inconsequentes em nossos atos, e enfatizamos que pensamos nas inúmeras gerações que têm o direito de usufruir de uma universidade pública, gratuita e de excelência, tal como a UENF foi constituída e pensada na sua fundação. Portanto, através desta correspondência, estamos esclarecendo a todos os pais de alunas e alunos que defendem estes princípios e chamamos a todos para se unirem em defesa da UENF. Gostaríamos ainda de chamar para reflexão toda sociedade brasileira e especialmente a do Norte Fluminense, pois este é um momento crítico na história das universidades públicas brasileiras. O fato é que o caminho traçado até a presente data pelos  governos comandados por Luiz Fernando Pezão e   Michel  Temer compromete nosso futuro como sociedade e afeta duramente a soberania nacional que passa fundamentalmente pela Educação e a Ciência.  Nesse sentido, se faz ainda mais relevante a frase de Darcy Ribeiro que dizia: A crise na Educação não é uma crise e sim um projeto.

Por último, deixamos a mensagem exposta no portal da UENF: O Governador Leonel de Moura Brizola fez erguer esta Universidade Estadual do Norte Fluminense para que no Brasil floresça uma civilização mais bela, uma sociedade mais livre e mais justa, onde viva um povo mais feliz.  A missão de todos que entendem a importância da UENF como instituição é contribuir para que este momento de dificuldade seja ultrapassado, pois sobre ela há a responsabilidade de um futuro melhor para os cidadãos deste país, e em especial dos segmentos mais pobres da população do Rio de Janeiro.  Por isso, convidamos a que todos se engajem ativamente na defesa da UENF, de modo a pressionar o governo Pezão a interromper o projeto de destruição do ensino superior público estadual.

A UENF é todos nós, defende-la é preciso!

Campos dos Goytacazes, 19 de Outubro de 2017.

COMANDO DE GREVE DA ADUENF

Lembrando do dia em que Leonel Brizola visitou a Uenf para defender a autonomia universitária

Em tempos difíceis como o que atravessam as universidades estaduais sob o tacão impiedoso do (des) governo Pezão é bom sempre recorrer a determinados momentos em que personagens se fizeram presentes do lado certo da História. Esse foi o caso da visita que um dos fundadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o ex- governador Leonel Brizola, fez ao campus que ainda levava o nome de Darcy Ribeiro no dia 01 de Junho de 2001.

A situação era igualmente marcada por uma greve que era realizada para forçar o então governador Anthony Garotinho a cumprir o compromisso de dar a personalidade jurídica que livraria a Uenf de uma relação insustentável com a Fundação Estadual Norte Fluminense (Fenorte) sua então mantenedora.

Naquele dia Leonel Brizola se colocou ao lado da comunidade universitária uenfiana apoiou entusiasticamente a autonomia universitária da Uenf. Aos presentes ainda instou a que continuassem a sua luta pela consolidação da Universidade do Terceiro Milênio que ele e Darcy Ribeiro tinham dado sua contribuição decisiva para instalar em Campos dos Goytacazes.

Interessante lembrar que após a conquista da autonomia, a Uenf teve o nome de Darcy Ribeiro acrescido ao seu nome, e o campus  passou, com toda justiça ao papel que cumpriu na sua construção da instituição, a ser chamado de Leonel Brizola.

Por esta visita e a defesa que fez da Uenf sempre lembrarei Leonel Brizola  de forma positiva, em que pesem  as  minhas diferenças políticas com ele.

Abaixo imagens daquela visita histórica.

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Uma explicação para a postura imperial de William Bonner diante de candidatos

Uma explicação para a postura imperial de William Bonner diante de candidatos

Por Luiz Carlos Azenha, no Viomundo

Trata-se de um simulacro de jornalismo, que nem original é. Nos Estados Unidos, muitos âncoras se promoveram com agressividade em suposta defesa do “interesse público”. Eu friso o “suposta”. Lembro-me de um, da CNN, que fez fama atacando a invasão do país por imigrantes ilegais. Hoje muitos âncoras do jornalismo policial fazem o mesmo estilo, como se representassem a sociedade contra o crime.

William Bonner está assumindo o papel de garoto-propaganda da criminalização da política. Ao criminalizar a política, fazendo dela algo sujo e com o qual não devemos lidar, ganham as grandes corporações midiáticas. Quanto mais fracas forem as instituições, mais fortes ficam as empresas jornalísticas para extrair concessões de todo tipo — do Executivo, do Legislativo, do Judiciário.

A postura supostamente independente de Bonner, igualmente agressivo com todos os candidatos, faz parecer que as Organizações Globo pairam sobre a política, que nunca apoiaram a ditadura militar, nem tentaram “ganhar” eleições no grito. Que os irmãos Marinho não fazem politica diuturnamente, com lobistas em Brasília. Que os irmãos Marinho não tem lado, não fazem escolhas e nem defendem com unhas e dentes, se preciso atropelando as leis, os seus interesses. Como em “multa de 600 milhões de reais” por sonegar impostos na compra dos direitos de televisão das Copas de 2002 e 2006.

A agressividade de Bonner também ajuda a mascarar onde se dá a verdadeira manipulação da emissora, nos dias de hoje: na pauta e no direcionamento dos recursos de investigação de que a Globo dispõe. Exemplo: hoje mesmo, no Bom Dia Brasil, uma dona-de-casa do interior de São Paulo explicava como está fazendo para economizar água.

A emissora não teve a curiosidade de explicar que a seca que afeta milhões no Estado não é apenas um problema climático, resulta também de falta de investimentos do governo de Geraldo Alckmin, que beneficiou acionistas da Sabesp quando deveria ter investido o dinheiro no aumento da capacidade de captação de água. Uma pauta complicada, não é mesmo?

A não ser que eu esteja enganado, a Globo não deslocou um repórter sequer para visitar o aeroporto de Montezuma, que Aécio Neves mandou reformar quando governador de Minas Gerais perto das terras de sua própria família. Vai ver que faltou dinheiro.

Tanto Alckmin quanto Aécio são tucanos. Na entrevista com Dilma, Bonner listou uma série de escândalos. Não falou, obviamente, de escândalos relacionados à iniciativa privada, nem em outras esferas de governo. Dilma poderia muito bem tê-lo lembrado disso, deixando claro que a corrupção é uma praga generalizada, inclusive na esfera privada, envolvendo entre outras coisas sonegação gigantesca de impostos. Mas aí já seria coisa para o Leonel Brizola.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/08/uma-explicacao-para-postura-imperial-de-william-bonner-diante-de-candidatos/

UENF: um aniversário para lembrar o passado e lutar por um futuro melhor

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A Universidade Estadual do Norte (UENF) celebra hoje (15/08) 21 anos de existência. Essa instituição que é fruto das visões de longa profundidade de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, também é produto da organização da população de Campos dos Goytacazes.  Essa junção de vontades gestou uma instituição com ideias e práticas que revolucionaram a forma com que as universidades públicas brasileiras.

Darcy Ribeiro viajou por diversas partes do mundo para produzir um modelo institucional que permitisse a todos os membros da UENF realizar o máximo de suas potencialidades. Darcy começou por quebrar as amarras departamentais que, em sua opinião, sufocavam a criatividade e burocratizavam o cotidiano das universidades brasileiras. Além disso, Darcy Ribeiro elevou a barra dos requisitos para alguém fosse professor na UENF ao estabelecer o título de doutor para que alguém pleiteasse o direito de trabalhar na instituição. Além disso, Darcy estabeleceu que todos os professores deveriam trabalhar em regime de Dedicação Exclusiva.  Com o passar dos anos, todas as universidades públicas brasileiras se dirigiram no sentido de adotar esses pré-requisitos, mesmo esquecendo que toda essa mudança começou com a criação da UENF.

Agora a UENF vive uma crise sem precedentes em sua jovem história. E o principal problema, não o único, é a rala compreensão que os atuais (des) governantes estaduais possuem da importância das universidades públicas fluminenses para um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que seja inclusivo e democrático. Ao contrário, nos anos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, o que temos é o encurtamento de salários, o aprofundamento da terceirização e o desrespeito pela autonomia universitária.  Essa visão rala é o ponto de partida da situação de quase insolvência financeira em que não só a UENF, mas também a UERJ e a UEZO se encontram!

Para compor esses problemas, temos na reitora da UENF um grupo de gestores que simplesmente não entendem a estatura dos cargos que ocupam. É por isso que, em vez de enfrentarem o (des) governo de frente, preferem insistir num diálogo de surdos e mudos com o (des) governo Pezão, enquanto precisam assumir que já não conseguem pagar os fornecedores e prestadores de serviços.

Mas como alguém que já está na UENF desde 1998, eu acredito firmemente que a comunidade universitária tem plenas capacidades de superar tudo isso, e continuar realizando as tarefas idealizadas por Darcy Ribeiro e seu parceiro de projeto, Leonel Brizola, nos deixaram. 

Darcy Ribeiro dizia que “a crise na educação não é uma crise, mas um projeto”. Assim, em vez de cairmos no desânimo e na apatia, creio que o caminho devemos ampliar a resistência aos que querem destruir a UENF com um projeto político de privatização do estado do Rio de Janeiro.  Só dessa forma estaremos à altura das tarefas que nos foram deixadas pelos fundadores da UENF.

Por isso tudo, é que devemos celebrar esse aniversário com altivez e não com meras celebrações de fachada. E só lembrando Chico Buarque de Holanda, eu dedico ao (des) governador Luiz Fernando Pezão, que aqui simboliza os inimigos da UENF, a canção “Apesar de você”.