Negacionismo tosco versus negacionismo: duas faces da mesma moeda

Por Grupo de Estudo Ecologia e Marxismo

O negacionismo ambiental da extrema direita é tosco, nega o que todas as evidências comprovam e trata a comunidade científica como um bando de conspiradores a serviço de um plano secreto dos globalistas (ou da China, ou da ONU). Ao mesmo tempo, espalham “teorias” esdrúxulas, sem nenhuma base na realidade, que buscam essencialmente esconder a responsabilidade da sociedade capitalista industrial pelo colapso ambiental, como o HAARP e as chemtrails (rastros químicos). Defendem o bonde do capital sem freios.

O negacionismo ambiental da esquerda da ordem é sutil, mas é negacionismo e serve à ilusão de um capitalismo verde. O discurso é bonito, mas o modelo de “desenvolvimento” do país segue fazendo avançar o colapso ambiental. O negacionismo sutil não nega a existência da questão ambiental, mas insiste em chamar colapso de “crise” e parece não perceber a urgência, a gravidade e a profundidade do problema. Defendem reformas para criar uma economia capitalista sustentável.

Enquanto isso, as perspectivas para a questão ambiental no Brasil seguem mais do que alarmantes.

1- Relações internacionais voltadas para expandir a venda de soja, gado e minério. Acordos com a União Europeia e a China, por exemplo.

2- Novos poços de petróleo, inclusive na Amazônia.

3- Política trilionária de financiamento do latifúndio através do Plano Safra, Lei Kandir etc.

4- Investimentos em infraestrutura para exportação de commodities e produção de energia:

a. Pavimentação de rodovias no coração da Amazônia, com destaque para a BR-319.

b. Construção de hidrovias e ferrovias.

c. Novas hidrelétricas na Amazônia.

d. Expansão de outras formas predatórias de exploração de energias não fósseis como as “fazendas” eólicas e solares.

5- Liberação indiscriminada de agrotóxicos.

6- Proliferação de datacenters.

7- Aumento da mineração de terras raras.

8- Retrocesso legislativo generalizado.

Os governos brasileiros são reféns da nossa condição de economia periférica do capitalismo e da nossa história de fornecedores de commodities para os países ricos.

O governo Lula pratica o negacionismo sutil. Finge que não é negacionista, mas mantém a política de desenvolvimento que nos aproxima cada vez mais do colapso. Um eventual governo Bolsonaro fará mais ou menos a mesma política, mas sem pudor nenhum de pisar no acelerador. Sem sutileza, bem tosco.

Radicalizar os ecologistas. Ecologizar os radicais.
Produzir menos. Produzir diferente. Dividir melhor.

Revolução ou extinção.
A saída é comunista, ecológica e libertária.

 

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