Luciano Huck, o Bolsa Família e o preconceito de classe travestido de preocupação fiscal

Enquanto criminaliza um programa social que reduz a fome e consome parcela modesta do orçamento público, o apresentador silencia sobre os privilégios do sistema financeiro, os gastos bilionários com a dívida pública e as conexões com o universo bancário de Daniel Vorcaro e do Banco Master

O recente episódio envolvendo o apresentador Luciano Huck e suas declarações sobre o Bolsa Família revela mais do que uma simples opinião mal formulada sobre políticas sociais. Expõe, na verdade, um preconceito estrutural profundamente arraigado entre parcelas das elites econômicas e midiáticas brasileiras: a ideia de que os pobres seriam naturalmente inclinados à acomodação, à dependência e à fraude, enquanto os privilégios dos muito ricos seriam vistos como expressão legítima de mérito e empreendedorismo.

Durante participação em um fórum empresarial promovido pela Esfera Brasil, Huck afirmou que o Bolsa Família criaria “atalhos” para que famílias permanecessem “ad aeternum” no programa, desestimulando a busca por emprego. A reação negativa foi imediata porque os dados oficiais e os estudos acadêmicos disponíveis contradizem frontalmente essa narrativa.

Segundo levantamento citado pelo próprio UOL, estudos do FMI, Banco Mundial, FGV e Ipea mostram que mais da metade dos beneficiários deixou o Bolsa Família na última década. Além disso, análises reiteradas demonstram que a maioria esmagadora dos beneficiários trabalha — geralmente em empregos precários, mal remunerados e informais — utilizando o programa apenas como complemento mínimo de renda para sobreviver em um país marcado por desigualdades brutais.

O preconceito implícito na fala de Luciano Huck não é novo. Ele ecoa uma longa tradição brasileira de criminalização da pobreza. O pobre que recebe algumas centenas de reais do Estado é imediatamente suspeito de parasitismo social. Já os mecanismos permanentes de transferência de riqueza pública para o sistema financeiro raramente provocam indignação semelhante entre celebridades empresariais e apresentadores de televisão.

E aqui reside uma contradição central que deveria ser debatida publicamente: por que Luciano Huck demonstra tanta preocupação com o Bolsa Família — um programa que representa parcela relativamente pequena do orçamento federal e possui efeitos concretos na redução da fome e da extrema pobreza — enquanto permanece silencioso sobre o gigantesco volume de recursos drenados anualmente pelo pagamento de juros e amortizações da dívida pública?

O debate sobre gastos públicos no Brasil costuma ser profundamente seletivo. O problema nunca parece ser o custo do rentismo financeiro, dos privilégios tributários dos super-ricos, das desonerações empresariais ou dos mecanismos de remuneração da especulação financeira. O alvo preferencial é quase sempre o gasto social destinado aos mais pobres. Trata-se de uma pedagogia ideológica extremamente funcional às elites: convencer a população de que o problema fiscal do país está nos miseráveis, e não nos mecanismos estruturais de concentração de renda.

A situação torna-se ainda mais delicada quando se observa a relação de Huck com o universo financeiro que hoje se encontra no centro de outra grande controvérsia nacional: o colapso do Banco Master e as conexões empresariais de seu controlador, Daniel Vorcaro. Diferentes reportagens apontam que Huck foi garoto-propaganda do Will Bank, instituição ligada ao grupo Master, além de ter mantido relações próximas com Vorcaro. Há ainda relatos de que o apresentador participou de negociações envolvendo possível aquisição do banco digital antes do aprofundamento da crise financeira da instituição.

Nesse contexto, a pergunta inevitável é: qual a opinião de Luciano Huck sobre os custos já produzidos ao Tesouro Nacional e ao sistema financeiro pela crise envolvendo o Banco Master? Afinal, enquanto o Bolsa Família transfere renda para milhões de famílias pobres, os episódios recorrentes de socialização de prejuízos bancários historicamente transferem bilhões de reais para salvar instituições privadas e preservar interesses do mercado financeiro.

A seletividade moral é gritante. Quando o dinheiro público vai para pobres comprarem comida, fala-se em “dependência”. Quando vai para estabilizar bancos, remunerar rentistas ou salvar instituições financeiras problemáticas, fala-se em “responsabilidade fiscal” ou “estabilidade do sistema”.

No fundo, a polêmica em torno de Luciano Huck ajuda a revelar uma disputa muito maior sobre o próprio significado do Estado brasileiro. Um Estado que segue sendo extremamente generoso com o capital financeiro, mas cuja elite econômica reage com indignação sempre que parcelas mínimas da riqueza nacional são direcionadas para garantir dignidade aos mais pobres.

Talvez o maior mérito involuntário da fala de Huck tenha sido justamente escancarar esse duplo padrão moral. Porque o verdadeiro debate nunca foi sobre “dependência” dos pobres. O Brasil convive há décadas, isto sim, com a dependência estrutural de suas elites em relação ao fundo público.

A semana nas Redes – Reforma da Previdência e Luciano Huck

Resultado de imagem para semana nas redes sociais

A edição desta semana do “DAPP Report – A Semana em Dados”,  relatório produzido pela FGV/RJ, publicada nesta sexta-feira (16/02), mostra que Reforma da Previdência mobilizou 151 mil menções no Twitter desde o início de fevereiro. O debate, porém, não ganhou volume no decorrer dos últimos 10 dias, indicando perspectiva negativa para a votação da medida. Ao lançar a hashtag #todospelareforma em canais oficiais do Twitter, o governo federal acabou atropelado em relação à própria campanha, porque a hashtag foi extensamente usada para atacar outros projetos do Executivo e para ironizar a reforma, com críticas, por exemplo, à Reforma Trabalhista e a acusações de corrupção envolvendo atores do MDB e da base de apoio do presidente Michel Temer.

Confira íntegra do estudo em PDF

Além disso, o desfile da escola de samba Paraíso do Tuiutí também foi relacionado com a reforma e contribuiu com as críticas no debate online, 1,5 mil menções no Twitter relacionam o desfile com a Previdência. Enquanto #todospelareforma foi citada 12,5 mil vezes, as hashtags #sevotarnãovolta e #quemvotarnãovolta foram verificadas 23,2 mil vezes.

Em meio ao carnaval, o apresentador Luciano Huck – antes do anúncio de sua desistência da candidatura – e João Doria tiveram expressivo aumento do debate nas redes sociais devido a pautas negativas no período. O ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso também deu declarações sobre a possível candidatura de Huck, o que retomou o debate acerca do apresentador relacionado às eleições.

FONTE: Insight Comunicação

A proto candidatura Luciano Huck como expressão do vácuo político brasileiro

Confesso que nos últimos 7 anos pouco vi ou ouvi do apresentador global Luciano Huck depois que optei por não ter a TV Globo como um dos canais a que assisto. Mas lembro bem do início dele em meio a Tiazinhas e Feiticeiras no programa de triste memóriam, o “H” que ao ar nos de 1990 na Band TV, e de como ele tentou usar o seu programa “Caldeirão do Huck” como uma espécie de “match maker” para jovens brasileiras e visitantes estrangeiros durante a última Copa do Mundo no natimorto quadro “Namorada para Gringo” [1].

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Mas também acompanhei as idas e vindas de Luciano Huck com amigos que hoje se encontram totalmente encalacrados em situações complicadas com a justiça, incluindo o ainda senador Aécio Neves e o ainda empresário Joesley Batista. E não esqueçamos também do ex-bilionário Eike Batista.

Aliás, um dos vídeos mais acessados deste blog é um que mostra Luciano Huck fugindo do local onde Aécio Neves acompanhava com quase certeza as apurações das eleições presidenciais de 2014 (ver abaixo).

Nos últimos tempos foi acrescida  a este compêndio de relações problemáticas a informação de que a Body Tech, academia em que tinha como sócio o empresário Alexandre Accioly era uma espécie de ponta para o esquema de propinas do ainda senador Aécio Neves [2].

Aécio Neves e Alexandre Accioly. Foto: Reprodução Rede Social

Por outro lado, não consigo esquecer que Luciano Huck teve uma lei especialmente aprovada para sí pelo hoje aprisionado ex (des) governador Sérgio Cabral para que pudesse manter uma casa em área de proteção ambiental no litoral do município de Angra dos Reis [3]

Mas se Luciano Huck é essa figura com pendores para relações pessoais pouco lustrosas e negócios um tanto obscuros, por que raios ainda se está gastando tempo para discutir uma possível candidatura do dublê de apresentador e empresário à presidência do Brasil? A resposta mais provável se dá pelo fato de que na esterilização do sistema político que a chamada Operação Lava Jato acabou causando, as elites econômicas que apoiaram o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff estejam reconhecendo que o processo também lhes privou de quadros mais preparados. Daí que Luciano Huck acaba aparecendo como uma opção palatável, especialmente para as Organizações Globo.

O problema dessa candidatura nem é tanto a tentativa de vender o velho pelo novo, mas sim o fato de que Luciano Huck é apenas mais um desses que se eleito vai agir para aumentar ainda mais o já profundo fosso social em que está metida a maioria do povo brasileiro.

Enfim, pode-se dizer que com Luciano Huck presidente a imensa maioria pobre do povo brasileiro não precisará mais de intermediários para acabar no caldeirão. Por essa e outras que entendo agora perfeitamente porque o Brasil inspirou a Claude Lévi-Strauss a publicar em 1955 o seminal livro “Tristes trópicos”. 


[1] http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/bombardeado-na-internet-huck-rebate-criticas-a-quadro-de-namoro-3895

[2] http://www.srzd.com/brasil/aecio-50-milhoes-propina-via-bodytech-de-aciolly-e-huck/

[3] ww.estadao.com.br/noticias/geral,decreto-de-cabral-favoreceu-cliente-de-sua-mulher-em-angra,502671

Luciano Huck sai de fininho na festa da derrota de Aécio Neves

aecio huck derrota

Luciano Huck, aquele empreendedor televisivo que já recebeu até uma lei específica do (des) governador Sérgio Cabral para construir uma mansão numa área de proteção ambiental, estava no local onde Aécio Neves acompanhou sua derrota pela televisão, como mostra a imagem acima.

Mas o que o vídeo abaixo mostra é que Luciano Huck, depois de conhecida a derrota de seu candidato, resolveu botar no pé na estrada de fininho. Se não fosse por nada, só poder assistir essa cena, já valeria a pena não ter que aturar Aécio Never! na presidência da república.