Minas Gerais vê crescimento exponencial de casos de intoxicação por agrotóxicos

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O jornal mineiro “O TEMPO” publicou ontem (17/03) uma matéria sobre o aumento de quase 300% no número de casos notificados de intoxicação por agrotóxicos.  Uma das especialistas ouvidas pela jornalista Ludmila Pizarro foi  a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, que embora reconhecendo os problemas causados pelos agrotóxicos, sinalizou para a possibilidade de que “o aumento de registro de agrotóxicos no país não é necessariamente ruim” porque “novos registros podem trazer avanços tecnológicos e produtos com a toxicidade menor“.

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Tudo estaria ótimo se a realidade da aprovação de novos registros pelo governo Bolsonaro não estivesse lançando uma série de produtos com toxicidade maior de que os produtos disponíveis no mercado. E a razão para isto é simples que é o aumento da resistência de algumas espécies alvo aos uso repetido de determinadas substâncias, o que impõe a produção de agrotóxicos ainda mais tóxicos e letais.

E o resultado objetivo deste processo de aprovação de agrotóxicos com alta toxicidade e com efeitos devastadores sobre a saúde humana e o ambiente é o que está se vendo com o aumento dos casos notificados de intoxicação por agrotóxicos em Minas Gerais que, como informa a matéria, é uma das unidades das federação onde mais se usa agrotóxicos na agricultura.

Um problema adicional nesta equação de envenenamento coletivo por agrotóxicos é o fato de que no Brasil há uma forte subnotificação dos casos de intoxicação, pois para cada caso notificado, outros 50 ficam ser sem registrados

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Para agravar ainda mais esse cenário, a maioria das unidades de saúde no Brasil, sejam hospitais ou postos de saúde, não possuem profissionais preparados para identificar os casos de intoxicação por agrotóxicos. Essa falta de profissionais treinados para identificar a intoxicação por agrotóxicos não apenas aumenta a subnotificação, mas também dificulta a adoção de medidas de minimização dos efeitos trazidos pelo contato com agrotóxicos. 

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Como o caso de Minas Gerais não é certamente isolado, o Brasil está muito provavelmente vivendo uma epidemia causada pelo uso de agrotóxicos com graus de toxicidade cada vez mais alta. E o pior é que dada a volúpia mostrada pelo governo Bolsonaro para aprovar novos agrotóxicos para comercialização no território nacional, o problema que já é grave tenderá a aumentar ainda mais.