Hyatt e Marriott: estudo liga hotéis de luxo a extração ilegal de madeira na Amazônia

Relatório da organização Environmental Investigation Agency (EIA) mostra como a madeira extraída ilegalmente no Pará pode ‘contaminar’ a cadeia produtiva de importadores na Europa e Estados Unidos; Um dos exportadores brasileiros citados no estudo já comprou de madeireiras abastecidas por fazendas flagradas com trabalho escravo, revela a Repórter Brasil

 

Por Poliana Dallabrida/ Edição Juliano Barros para “Repórter Brasil” 

Importadores de madeira brasileira na Europa e Estados Unidos compram produto com “alto risco de ilegalidade”, aponta novo estudo da EIA (Environmental Investigation Agency), organização especializada na investigação de crimes ambientais. 

O relatório “Contrabandistas, Corretores e Compradores” (disponível apenas em inglês), publicado na última terça-feira (20), revela como toras extraídas ilegalmente de áreas protegidas no Pará, como territórios indígenas e reservas ambientais, podem ter virado decks em hotéis de luxo nos EUA e calçadões em praias da Riviera Francesa. 

A investigação reuniu documentos de transporte de mais de 25 mil metros cúbicos de madeira – o suficiente para encher 830 contêineres – extraídos de três áreas do Pará que até tinham autorização para retirada de madeira, mas apresentaram indícios de ilegalidade, segundo a organização. 

A EIA mapeou 11 serrarias que forneceram madeira para oito exportadores. Estes, por sua vez, forneceram decks de madeiras Ipê e Cumaru para outros 11 importadores nos Estados Unidos, Portugal, França e Alemanha. 

Uma das citadas pela EIA é a Global Forest Lumber Company, importadora dos Estados Unidos. Segundo registros de redes sociais listados no relatório, uma das empresas do grupo forneceu madeira de Ipê a empreiteiros americanos que realizaram reformas em unidades das redes de hotéis Marriott e Hyatt, ambos na Flórida, e na área VIP do Grand Prix da Fórmula 1 em Miami em 2023 e 2025. 

“No entanto, como já foi documentado em múltiplos relatórios da EIA, nenhuma das grandes marcas ou clientes pode garantir que toda a madeira tenha vindo de uma área legal”, aponta a EIA no estudo. 

A Repórter Brasil entrou em contato com os hotéis Marriott e Hyatt e com a assessoria de imprensa da Fórmula 1, mas não obteve respostas até o fechamento deste texto. A reportagem não localizou o contato da Global Forest Lumber Company. O espaço segue aberto para manifestações futuras. 

Madeira da Terra Indígena Munduruku

O relatório da EIA destaca a devastação ilegal para extração de madeira na Terra Indígena Munduruku, localizada na borda oeste do chamado Arco do Desmatamento na Amazônia. 

A EIA, em parceria com a organização Munduruku Associação de Mulheres Wakoborũn, identificou uma operação ilegal de extração de madeira dentro do território entre 2023 e 2024. 

Com base em imagens de satélite, a EIA mapeou cerca de 60 km de estradas abertas no período, conectadas a uma área de garimpo e a uma pista clandestina no Parque Nacional do Rio Novo, unidade de conversação vizinha à TI. As imagens (ver abaixo) indicam centenas de toras estocadas ao longo das vias e em pontos de carga – a EIA estima a carga em 1,2 mil metros cúbicos de madeira. 

Via imagens de satélite, a EIA identificou uma operação de extração ilegal de madeira em grande escala no Território Indígena Munduruku entre 2023 e 2024. (Reprodução/Imagens de satélite fornecidas por CNES; mapa e localizações identificados pela EIA)
Via imagens de satélite, a EIA identificou uma operação de extração ilegal de madeira em grande escala no Território Indígena Munduruku entre 2023 e 2024. (Reprodução/Imagens de satélite fornecidas por CNES; mapa e localizações identificados pela EIA)

“A atividade teria cessado em novembro de 2024, quando o governo intensificou a repressão ao garimpo, mas já havia afetado cerca de 5 mil hectares de floresta intacta”, aponta a organização. “Há suspeitas de que madeira de alto valor, como Ipê e Cumaru, tenha sido ‘lavada’ na cadeia produtiva e possivelmente exportada para mercados como EUA e União Europeia”, complementa o relatório.

Verniz de legalidade

Para a EIA, a madeira extraída em áreas não autorizadas pode ser facilmente “lavada” e inserida no comércio nacional e internacional usando documentos oficiais de áreas formalmente licenciadas. No Pará, aponta a organização, grandes volumes de madeira não são originários das áreas declaradas nas licenças de exploração madeireira. 

Um dos casos detalhados no relatório é o da Fazenda Odila, localizada no município paraense de Óbidos, próximo à TI Munduruku. 

Entre junho de 2021 e junho de 2022, a propriedade obteve a autorização da Semas-PA (Secretaria do Meio Ambiente do Pará) para a extração de 16,9 mil metros cúbicos de madeira – volume que poderia encher um trem de carga de 3 km. A autorização foi concedida mesmo após multa do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), registrada em 2018 em nome do dono declarado da propriedade por apresentar informações falsas em documentos de exploração madeireira. 

Guias de transporte de madeira acessadas pela EIA indicam que, entre novembro de 2021 e junho de 2022, 16,3 mil metros cúbicos de madeira teriam saído do local. No entanto, ao analisar imagens de satélite, a organização não identificou sinais de exploração madeireira em escala industrial. “Apenas uma pequena estrada de acesso surgiu em outubro de 2021, insuficiente para justificar esse volume”, diz trecho do relatório. 

A madeira da Fazenda Odila alcançou mercados globais. A produção da área foi adquirida por 11 serrarias – dez delas com multas registradas pelo Ibama ou pela Semas-PA. 

“Entre 2022 e 2025, dez dessas serrarias revenderam para seis exportadoras brasileiras – todas também multadas pelo Ibama em casos diferentes – que, por sua vez, embarcaram para quatro importadoras nos EUA e três na União Europeia”, detalha a EIA.

Repórter Brasil não localizou contatos de representantes da Fazenda Odila. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Fornecedor flagrado com trabalho escravo

Uma das exportadoras brasileiras citadas no caso da Fazenda Odila é a Amazon Comércio Atacadista e Exportação de Madeira. Uma investigação adicional realizada pela Repórter Brasil identificou que a empresa já foi abastecida, em 2023, por duas madeireiras que compraram o produto de fazendas flagradas com trabalho escravo. 

A primeira é a Fazenda Sipasa, onde 16 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em junho de 2023 em Moju (PA). Os trabalhadores haviam sido contratados para realizar a derrubada de 477 hectares de vegetação nativa dentro de uma área da fazenda, como mostrou a Repórter Brasil em reportagem publicada em fevereiro de 2024. Pelo flagrante, a dona da propriedade, Sipasa Seringa Industrial do Pará S/A, entrou em abril de 2025 na chamada Lista Suja do trabalho escravo, cadastro oficial do governo federal com os dados dos empregadores responsabilizados pelo crime.

Dias após o flagrante de trabalho escravo, a Sipasa forneceu toras de Ipê para a DAB Madeiras e Empreendimentos Florestais, em Tailândia (PA), segundo guias de transporte de madeira acessadas pela reportagem. Dois meses depois, a DAB forneceu toras da mesma espécie de madeira para a Amazon.

A exportadora brasileira também foi abastecida por outra madeireira que comprou o produto de uma fazenda flagrada com trabalho escravo. No mesmo período da fiscalização na Fazenda Sipasa, auditores fiscais do Trabalho resgataram outros 17 trabalhadores na Fazenda Citag, em Moju (PA).

A propriedade está registrada em nome de Wilson Fabricio Campos de Sá, conforme descrito pela Repórter Brasil em matéria publicada em outubro do ano passado. A empresa terceirizada que contratou os trabalhadores é quem foi responsabilizada pela prática de trabalho escravo e entrou na Lista Suja em abril de 2025.

Guias de transporte de madeira acessadas pela reportagem mostram que Wilson de Sá forneceu, em setembro de 2023, toras de Ipê-amarelo para a Madeireira Barreto, de Tailândia (PA). Dias depois, a madeireira forneceu o mesmo produto para a exportadora Amazon.

Estudo identificou que áreas no Pará com autorização para retirada de madeira apresentaram indícios de ilegalidade (Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace)
Estudo identificou que áreas no Pará com autorização para retirada de madeira apresentaram indícios de ilegalidade (Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace)

“O trabalho escravo é outra faceta da convergência de crimes associados ao desmatamento ilegal e destaca a importância das leis da UE e dos EUA que exigem que as empresas que compram commodities de alto risco, como madeira da floresta amazônica, realizem a devida diligência na cadeia de abastecimento”, avalia Rick Jacobsen, Gerente sênior de Política de Commodities da EIA.

À época da publicação da reportagem sobre o caso de trabalho escravo, a defesa da Sipasa Seringa Industrial do Pará afirmou que os trabalhadores foram contratados por uma empresa terceirizada, responsável pela contratação de mão de obra, que não foram submetidos à jornada excessiva de trabalho e que os alojamentos eram “condizentes com as condições de abrigo e de vida dos habitantes da própria Região Norte”. 

Procurado pela Repórter Brasil, o advogado de defesa de Wilson de Sá, da Fazenda Citag, disse que as vendas de madeira da propriedade foram realizadas “ao rigor da lei, com todas as licenças emitidas à época”, e que não tem nada mais a declarar sobre o caso.

As madeireiras DAB e Barreto e a exportadora Amazon também foram procuradas, mas não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Regras mais rígidas

Para a EIA, o setor madeireiro brasileiro apresenta um “padrão contínuo de crimes e impunidade”. A organização também ressalta limitações atuais do sistema de rastreabilidade da madeira e dos esforços de fiscalização no país, “que ainda permitem a circulação de grandes volumes de madeira ilegal nas cadeias de suprimentos nacionais e internacionais, causando danos irreparáveis aos povos indígenas e à Amazônia”. 

A Semas-PA foi procurada pela Repórter Brasil para comentar o relatório e as informações sobre o caso da Fazenda Odila, mas não respondeu até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

A EIA sugere rastreabilidade em tempo real, com validação em campo, combinada com maior transparência de dados públicos. “O Ministério Público do Pará já começou a enfrentar a situação ao recomendar uma série de medidas que melhorariam significativamente o sistema – e que deveriam ser apoiadas e implementadas em nível nacional”, diz o relatório.

A organização sustenta ainda que os casos apresentados no estudo indicam um “descumprimento generalizado” do EUTR (Regulamento da União Europeia sobre a Madeira) e da Lei Lacey, que proíbe a importação de madeira ilegal para os EUA. “Para compradores dos EUA e da UE, os casos apresentados nos dois relatórios da EIA levantam sérias questões sobre suas práticas de devida diligência”, aponta a organização.

Para a EIA, requisitos mais rigorosos de devida diligência do Regulamento da UE sobre Desmatamento (EUDR), que substituirá o EUTR, são “urgentemente necessários” para interromper o fluxo de madeira ilegal da Amazônia para o mercado da União Europeia. No caso americano, a organização espera que os EUA “façam sua parte para aplicar de forma efetiva o Lacey Act”.

“Em conjunto, essas soluções podem ajudar a reduzir de maneira eficaz o crime florestal e proteger uma das últimas florestas tropicais remanescentes do mundo”, afirmam.


Fonte: Repórter Brasil

Reportagem da Pública revela a íntima relação entre narcotráfico e extração ilegal de madeira na Amazônia

Pesquisadores e policiais apontam uso crescente de cargas de origem florestal na exportação de drogas — madeira de crime ambiental é hoje uma das principais “maquiagens”

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Por Ciro Barros para a Agência Pública

Os produtos florestais, frequentemente oriundos de crimes ambientais, vêm servindo cada vez mais de maquiagem para o envio de drogas ao exterior. O destaque vai para as cargas de madeira, campeãs de apreensões nos contêineres enviados do Brasil à Europa.

Pesquisas recentes já apontam o volume significativo de exploração ilegal no mercado madeireiro nacional e sua relação com o desmatamento na Amazônia. Segundo um estudo da ONG Imazon publicado em 2020, cerca de 70% da madeira explorada no Pará entre agosto de 2017 e julho de 2018 tinha origem ilícita — a exploração ocorreu em áreas onde não havia autorização do Estado. 

Além de apontar a grilagem e a extração ilegal de madeira como duas das principais causas do desmatamento, o relatório Máfias do Ipê”, produzido pela ONG Human Rights Watch em 2019, mostrou a relação dessa atividade com a violência. A pesquisa analisou 28 casos de assassinatos, 4 tentativas de assassinato e outros 40 casos de ameaças relacionadas à extração ilegal de madeira entre 2015 e 2019.

A novidade apontada pelos entrevistados é a sobreposição cada vez maior das rotas entre as facções criminosas do narcotráfico e os grupos ligados aos crimes ambientais. Pesquisadores dizem que o crime ambiental pode estar servindo como uma nova forma de capitalização para os narcotraficantes, com indícios do uso de cargas de origem florestal para maquiar o envio de drogas ao exterior.

A situação é apontada por fontes ligadas à Polícia Federal (PF) e por pesquisadores da área de segurança pública ouvidos pela Pública. “O principal produto florestal usado para a exportação de drogas para a Europa é a madeira”, afirma Aiala Couto, geógrafo da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e pesquisador associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ao Instituto Clima e Sociedade. Couto desenvolve uma pesquisa a ser publicada neste ano que trata da territorialização do crime organizado na Amazônia e a relação deste com os crimes ambientais. Segundo ele, os produtos minerais, com destaque para o manganês, ocupam o segundo lugar na lista de apreensões.

Um levantamento da Pública feito com base em notícias das apreensões nos sites oficiais do governo e na imprensa identificou ao menos 16 grandes apreensões de cocaína em cargas de madeira destinadas à exportação por via marítima entre 2017 e 2021.  Ao todo, as apreensões somaram cerca de 9 toneladas da droga e tinham como destino países europeus como Espanha, Bélgica, França, Alemanha, Portugal, Itália e Eslovênia. Elas ocorreram com mais frequência em portos do Sul e Sudeste do Brasil em cargas de madeira em toras, vigas, pallets e laminados.

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Fotos de apreensões de cocaína acondicionada em cargas de madeira nos portos de Itaguaí (RJ), Itapoá (SC) e Paranaguá (PR) entre 2019 e 2021. Ascom/Receita Federal/Polícia Federal

A pesquisa de Couto mostra que cerca de 9 toneladas de drogas foram apreendidas na Amazônia Legal — principalmente cocaína e maconha —, vindas do Suriname, Colômbia, Bolívia, Venezuela e Peru entre 2017 e 2020. As drogas vieram principalmente por via fluvial e terrestre. Os dados foram compilados também em notícias a respeito das apreensões. A informação colhida pelo pesquisador aponta para uma sobreposição entre áreas onde há apreensão de madeira ilegal e contrabando de minério e áreas de apreensão de drogas.

De acordo com informações da Receita Federal repassadas à Pública, mais de 2 toneladas de narcóticos acondicionados em produtos de origem extrativista foram apreendidas somente no porto de Santos (SP) entre 2019 e 2021. As drogas foram encontradas em pallets de madeira, fibras de amianto, cargas de grafite, microssílica e corindo (mineral à base de óxido de alumínio).

Segundo o delegado titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF no Amazonas, Victor Mota, já se constatou que a madeira é a carga mais usada pelo narcotráfico na exportação de drogas. “A gente já fez um levantamento das exportações do tráfico de drogas para a Europa e a primeira carga disparada [onde as drogas são escondidas] é a madeira. Seja na forma de móveis, seja na forma de vigas, seja em outras formas. A principal forma que eles escondem a droga para o envio para a Europa é a madeira”, diz o delegado, em entrevista à Pública. Segundo Mota, essa informação consta em um levantamento interno já produzido pela PF, mas a instituição negou o acesso ao documento após um pedido da reportagem.

Facções veem crimes ambientais como oportunidade de acumular capital

“As rotas que são utilizadas para o tráfico de drogas também são utilizadas para o contrabando de madeira, e algumas estão próximas em áreas de contrabando de minério, sobretudo na exploração ilegal de ouro”, afirma o pesquisador Aiala Couto. “Há uma mistura nessas relações [entre o narcotráfico e os crimes ambientais]. E isso faz com que a gente consiga associar o discurso do governo em relação à questão ambiental com esse fortalecimento das ações dessas atividades criminosas que dizem respeito ao meio ambiente. Isso possibilitou que grupos criminosos organizados enxergassem esses crimes como uma possibilidade dentro do seu campo de ação para acumulação de capital”, argumenta.

Couto aponta que já há registros de facções criminosas comprando ilegalmente áreas de floresta para lucrar com a exploração ilegal de madeira e até mesmo para montar áreas de produção de maconha, como tem ocorrido no chamado “polígono da maconha” ou “polígono do capim”, situado no nordeste do Pará, nos municípios de São Domingos do Capim, Concórdia do Pará, Bujaru, Tomé-Açu, Cachoeira do Piriá, Nova Esperança do Piriá, Garrafão do Norte, Moju e Tailândia.

A pesquisa de Couto registra a apreensão de mais de 2 milhões de pés de maconha na Amazônia Legal entre 2015 e 2020, 55% do total apreendido no estado do Pará, com grande destaque para os municípios do polígono. Em agosto de 2020, a Operação Colheita Maldita, deflagrada em conjunto pela PF e pela Polícia Civil do Pará, apreendeu cerca de 200 toneladas de maconha no nordeste paraense (mais de 400 mil pés). Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), já há registros de conflito entre traficantes e comunidades tradicionais, como um caso de ataque de piratas à comunidade ribeirinha de Itamimbuca, no município de Igarapé-Miri, ocorrido em janeiro deste ano. 

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Deflagrada em agosto de 2020, a Operação Colheita Maldita destruiu milhares de pés de maconha no nordeste do Pará, em área chamada de “polígono da maconha”. Leandro Santana/Polícia Civil do Pará

“Há relatos de pessoas envolvidas em conflitos agrários com essa questão [das organizações criminosas]”, afirma a coordenadora do Núcleo de Questões Agrárias e Fundiárias do Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA), Ione Nakamura. A promotora, porém, diz que o tema ainda é incipiente no MP e que nunca foi alvo de investigação da promotoria agrária.

Há associação de grupos criminosos com grupos econômicos que já exploram ativamente o garimpo ilegal na Amazônia, como revelado pela Amazônia Real no caso dos garimpos clandestinos situados em áreas Yanomami, em Roraima. 

Mais do que o mero compartilhamento de rotas, Couto vê um entrelaçamento crescente entre o narcotráfico e o crime ambiental que acelerou acompanhando a disputa dos grupos criminosos pelas principais rotas da Amazônia, que frequentemente coincidem com as dos crimes ambientais. Apesar disso, o combate ao crime na Amazônia por vezes desconsidera essa ligação e isso acaba por fortalecer as facções. “Há várias áreas da Amazônia onde existe esta sobreposição entre estas atividades criminosas como o garimpo ilegal, a exploração ilegal de madeira, o narcotráfico”, argumenta Aiala. “Nós temos um governo que se elegeu com a bandeira da segurança pública, mas que não consegue enxergar que existe essa relação entre segurança pública e o meio ambiente. E toda a narrativa, o discurso e a ação [do governo] potencializou o crescimento do crime organizado na Amazônia hoje. Os números se intensificaram do governo Bolsonaro para cá. O crime organizado tem que ser entendido para além da sigla PCC e Comando Vermelho, por exemplo, há grupos que se envolvem no garimpo ilegal, na grilagem de terras, na extração ilegal de madeira, no contrabando de ouro, na invasão de terras indígenas. Esses grupos criam empresas, lavam dinheiro, participam do contrabando, do tráfico de drogas e armas. A relação é ampla e complexa”, alerta.

Para o ex-superintendente da PF no Amazonas, o delegado Alexandre Saraiva, as punições leves para os crimes ambientais na legislação e a possibilidade de lucros atraem cada vez mais as organizações criminosas para o crime ambiental. “Há uma simples análise de risco por parte do criminoso. Ele olha lá na legislação ambiental e vê que, se for aplicada apenas a legislação ambiental, ela é extremamente limitada. Ele não precisa pensar muito. É possível ver pessoas ligadas às organizações criminosas atuando no comércio ilegal de madeira”, diz Saraiva, que comandou uma das maiores operações de combate à madeira ilegal da história do país, a Operação Arquimedes. 

Barcarena ganha importância na saída de drogas da Amazônia ao exterior

O porto de Vila do Conde, em Barcarena, vem se consolidando como uma das principais rotas de saída de entorpecentes da Amazônia para a Europa. É comum que cargas de entorpecentes saiam de lá e passem por portos do Sul e Sudeste do país, como os de Santos e Paranaguá (PR), antes de ir ao exterior, mas é cada vez mais frequente o envio direto. “Quanto à remessa da cocaína para outros países, o que se tem notado é a utilização de outros portos para despachar a droga, na espécie, pode-se citar o porto de Vila do Conde no estado do Pará”, afirmou em entrevista ao Valor Econômico, o delegado Elvis Secco, ex-coordenador-geral de Polícia de Repressão a Drogas e Facções Criminosas (CGPRE) da PF.

Barcarena já é uma região fértil em conflitos agrários, segundo os dados da CPT. A organização registra mais de 12 mil famílias envolvidas em conflitos de água e terra no município entre 2011 e 2021 e mais de 22 casos de violência contra pessoas no campo no mesmo período (incluindo dois assassinatos). A crescente importância do local como rota do narcotráfico pode agravar o quadro de violência geral nas áreas urbanas e rurais da cidade.

Operações recentes da PF e da Polícia Civil do Pará vêm focando as exportações por Barcarena e a violência em municípios próximos nos últimos anos. É o caso, por exemplo, da Operação Flashback, que, deflagrada pela PF em 2017, desarticulou uma organização criminosa que tinha dois portos como polos principais de suas operações. O porto de Paranaguá e o porto de Vila do Conde, em Barcarena. Este era comandado, segundo as investigações, por Antônio Salazar Nuez, chamado de “Tony Filipino”. Nascido nas Filipinas e baseado em Belém (PA), Tony foi descrito pelo Ministério Público Federal (MPF) como “idealizador do esquema de tráfico de drogas para a Europa, a partir do Porto de Vila do Conde no Pará”. 

Segundo o MPF, Tony aliciava tripulantes, normalmente conterrâneos filipinos, de embarcações que iam a países do exterior. Ainda em 2015, diálogos interceptados pela PF mostraram que ele articulou o envio de cocaína em uma carga de madeira destinada à Turquia. Tony foi condenado a 24 anos de prisão por enviar outros  22 kg de cocaína para a Bélgica e atualmente cumpre pena em regime fechado.

Operações mais recentes vêm confirmando a importância da região portuária de Barcarena na rota do narcotráfico na Amazônia. Em março deste ano, a Polícia Civil do Pará apreendeu 120 kg de cocaína, que, distribuídos em 117 tabletes, seriam exportadas à Europa em vigas de madeira. Quatro pessoas foram presas e uma quantia de aproximadamente R$ 200 mil em espécie foi apreendida pelos policiais. A polícia informou, segundo decisões judiciais, que a operação é resultado de mais de um ano de investigações sobre um suposto esquema de envio de drogas ao exterior que já movimentou “milhões de dólares, euros e reais em um complexo sistema de remessa de cocaína para destinos variados”. 

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Operação Mandarim, deflagrada pela Polícia Civil do Pará em março deste ano, apreendeu 120 kg de cocaína de um grupo criminoso voltado ao tráfico internacional em Barcarena. Reprodução/Polícia Civil do Pará

Um dos suspeitos apontados como líder do esquema possui uma empresa regularizada na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) do Pará para exportação de madeira pelo porto de Vila dos Cabanos, outro distrito de Barcarena. Segundo a polícia, a droga era acondicionada nas toras de madeira e posteriormente vendida a clientes no exterior. O processo segue em sigilo de justiça. Nem a Polícia Civil nem o MP-PA quiseram dar entrevista à Pública. 

Para o delegado Victor Mota, uma legislação ambiental frágil pode acabar colaborando para que outros crimes, como a exportação de drogas, cresçam. Um exemplo é o despacho 7036900, de fevereiro de 2020, publicado pelo ex-presidente do Ibama Eduardo Bim, que foi afastado do cargo por determinação judicial. O despacho motivou as investigações que culminaram na Operação Akuanduba, que tem o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e Bim como investigados. 

O documento dispensava a autorização do Ibama para as exportações de madeira, mas foi suspenso por decisão do ministro Alexandre de Moraes em maio deste ano. “Isso facilita [o envio de drogas ao exterior]. É uma coisa que acaba puxando a outra. Se você não tem uma fiscalização de que tipo de madeira está ali, o quanto de madeira está sendo transportado, se essa madeira pode ser exportada, de onde ela foi retirada. Se você não tem essa primeira desconfiança quanto ao material, como a gente vai desconfiar que lá dentro tem ou não entorpecente? Se você começa a criar uma vista grossa com esse material, os caras vão cada vez mais usar aquilo como esconderijo”, avalia.

O delegado Victor Mota foi responsável por uma das operações mais recentes a relacionar crimes ambientais e pessoas ligadas ao narcotráfico. Deflagrada em julho de 2020, a Operação Schelde investigou quem estava por trás do envio de 250 kg de cocaína para a Bélgica em uma carga de vigas de madeira de origem ilícita em 2019. A investigação foi recém-concluída pela PF e mostra a participação de pessoas com passado vinculado a facções criminosas no esquema.

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Deflagrada em julho de 2020, Operação Schelde apreendeu cerca de 250 kg de cocaína em vigas de madeira enviadas à Bélgica.  Ascom/PF

Do Brasil à Bélgica: a cocaína escondida num contêiner de madeira

Em seis de junho de 2019, uma carga de madeira oriunda do Brasil foi interceptada no porto de Antuérpia, na Bélgica. Os policiais belgas se surpreenderam quando fiscalizavam um contêiner de madeira em vigas enviado pela empresa brasileira J. S. Comércio Varejista de Ferragens e Ferramentas, sediada em Manaus (AM). O motivo da surpresa: as autoridades belgas encontraram 250 kg de cocaína refinada na carga de madeira, que tinha como destino a Holanda.

A polícia belga imediatamente alertou a PF no Brasil. Foi ali o início de uma investigação de dois anos, conduzida pela PF no Amazonas e recentemente encaminhada para análise do MPF. Para a PF, a J. S. era uma empresa de fachada usada por pessoas com passado ligado ao tráfico de drogas e a facções criminosas para maquiar o envio de drogas ao exterior. A madeira tinha origem ilegal segundo o inquérito policial.

A J. S. tem como único sócio Gil Vicente Valle Miraval. No decorrer das investigações, os policiais o classificaram como o protagonista da empreitada que levou os 250 kg de Manaus à Bélgica. Com a quebra de seus sigilos bancário e telemático, a PF descobriu que ele se encontrava na Europa no período em que estava prevista a chegada da carga de cocaína, transitando entre a Holanda e a Bélgica. “As investigações apontam que ele faria o recebimento da droga na Europa, receberia o valor do comprador e voltaria ao Brasil com esse valor em espécie, coisa que ele já tentou fazer em uma outra ocasião”, afirma em entrevista à Pública o delegado Victor Mota, responsável pela investigação. 

Descobriu-se também, em conversas obtidas com as quebras de sigilo, que Gil Vicente estava negociando carregamentos de maconha com outros contatos.

Dívida com suposto fornecedor da Família do Norte

Na quebra de sigilo telemático de Gil Vicente, apareceram comunicações com Osmerino Muca de Souza. Osmerino é um velho conhecido da PF amazonense. Em 2015, ele foi preso na Operação La Muralla, a primeira grande operação da PF que atingiu em cheio a facção criminosa Família do Norte (FDN).

publica 5Principal suspeito do envio de 250 kg de cocaína para o exterior, Gil Vicente Valle Miraval já havia sido preso em 2017 por uso de documento falso. Ascom/Polícia Civil do Pará

No relatório final da Operação La Muralla, Osmerino é descrito como um dos principais comparsas do colombiano Juan Angel Ocampo Cruz, vulgo “Chinês”, apontado com um dos grandes fornecedores de drogas do líder da FDN, José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”,  que cumpre pena de 130 anos de prisão na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

Em setembro de 2015, Osmerino foi preso junto com Chinês em um sítio de sua propriedade, no município de Manacapuru (AM), na região metropolitana de Manaus. Na ocasião, a PF apreendeu 27 kg de cocaína e outros 217 kg de maconha, além de armas de grosso calibre. 

Na investigação contra Gil Vicente, a PF encontrou registros de contatos telefônicos entre ele e Osmerino. “Essas ligações por vezes falavam de dívidas e de uma antecipação de uma certa quantidade de dinheiro. Se a gente analisar os antecedentes do Osmerino, ele já foi preso e nós temos informações que ele, depois de solto, continuava praticando o crime de tráfico de drogas”, explica o delegado Victor Mota. “Para mim ficou claro que ele [Osmerino] servia como um fornecedor de entorpecentes”, explica, referindo-se ao envio de drogas para a Bélgica. 

Em julho do ano passado, houve a fase ostensiva das investigações. Batizada de Operação Schelde, em referência ao rio que banha o porto de Antuérpia, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão contra Gil Vicente e Osmerino.

Concluído pela PF, o caso está em análise pelo MPF no Amazonas. O procurador responsável, Filipe Pessoa de Lucena, do 11o Ofício da Procuradoria da República no Amazonas, não quis dar entrevista à Pública. Gil Vicente foi solto e está em liberdade condicional desde dezembro de 2020, aguardando a manifestação do MPF. Osmerino não teve o pedido de liberdade condicional aceito pela Justiça e segue em prisão temporária.

A Pública buscou contato com o advogado de Gil Vicente, Euthiciano Mendes Muniz, em um número de telefone informado em um pedido de liberdade provisória, e enviou a ele quatro perguntas sobre os fatos imputados pela PF, mas não houve resposta até o fechamento. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Osmerino.

fecho

Esta reportagem foi originalmente produzida e publicada pela Agência Pública [Aqui! ].

Jornal suíço pergunta: o ministro mais importante de Jair Bolsonaro cobrava subornos da máfia da madeira tropical?

O judiciário brasileiro está investigando se o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ajudou contrabandistas de madeira. Mas Bolsonaro segura o ministro porque precisa dele: Salles é a figura-chave da atrasada política ambiental do Brasil.

madeira ilegalA maior parte da madeira tropical do Brasil é derrubada ilegalmente e depois exportada com documentos falsos. Sob o presidente Bolsonaro, os regulamentos para licenças de exportação foram amplamente revogados. Ueslei Marcelino/Reuters

Por Alexander Busch, Salvador, para o Neue Zürcher Zeitung

Três contêineres do Brasil com folheado de madeira deixaram as autoridades alfandegárias do porto de Savannah, no estado norte-americano da Geórgia, suspeitas em janeiro do ano passado. Porque a madeira veio de árvores tropicais protegidas, como Ipê e Jatobá, que só podem ser exportadas com certificado. No entanto, não houve evidência de que a madeira veio de áreas cultivadas de floresta tropical. Sem problemas: O chefe do órgão ambiental do Pará do Amazonas entregou pessoalmente a aprovação da exportação.

Duas semanas depois – em meados do carnaval brasileiro de 2020 – seu chefe, o presidente do órgão ambiental Ibama, garantiu que tais indagações não se repetissem no futuro: A pedido da indústria madeireira do estado, ele dispensou o indústria de quase todas as obrigações de licenciamento para exportações. Essa regra estava em vigor há oito anos e tornava difícil para os contrabandistas de madeira fazer negócios. Em um anúncio em jornais, a associação da indústria agradeceu publicamente ao chefe da autoridade pela cortesia.

Esse episódio do ano passado já era conhecido há muito tempo. Em particular, a agência de notícias Intercept no Brasil, fundada por Glenn Greenwald, publicou inúmeros documentos sobre o assunto. Mas a operação noite e névoa não teve consequências legais para nenhum dos envolvidos. Mas agora isso mudou

Movimentos suspeitos por conta do ministro

Na semana passada, com a aprovação de um juiz do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal investigou as contas, escritórios e residências do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Nove funcionários do órgão ambiental do Ibama que ele indicou, incluindo o presidente, estão suspensos do cargo por 90 dias. Há suspeita de auxílio e cumplicidade no contrabando de madeira, lavagem de dinheiro e corrupção. A Inspecção Financeira detectou movimentos suspeitos nas contas do Gabinete do Ministro. O texto de 62 páginas do juiz do tribunal federal baseia-se principalmente em informações das autoridades alfandegárias americanas. A mídia suspeita que a cooperação entre as autoridades americanas e o judiciário brasileiro em questões ambientais ganhou novo fôlego desde a mudança do presidente nos EUA

sallesO ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é o homem mais bem-sucedido de Bolsonaro no gabinete: apesar de todas as críticas no Brasil e no exterior, ele dá continuidade à reestruturação da política ambiental brasileira. Adriano Machado / Reuters

Para o ministro do Meio Ambiente, 45 anos, Ricardo Salles, ameaçar com o aproveitamento do escritório corporativo não é novidade. Ele parecia predestinado ao cargo de ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro porque em sua carreira já havia defendido empresas contra as regulamentações ambientais ou prestado assessoria administrativa como secretário estadual do meio ambiente em São Paulo e como advogado. Ele concorreu a quatro partidos – mas nunca foi eleito. Sua carreira política ameaçou terminar cedo quando ele foi condenado a uma multa pesada em dezembro de 2018 e seus direitos políticos foram privados de seus direitos políticos por três anos. Ele mudou os planos de uso público no interesse das empresas.

Mas duas semanas depois, Bolsonaro o nomeou ministro do Meio Ambiente – embora Salles declarasse francamente que nunca tinha estado na Amazônia e que também não conhecia o lendário protetor da floresta tropical Chico Mendes. Isso foi bastante benéfico para seu novo cargo no governo de Bolsonaro. “Quando vi a veemência com que os ambientalistas criticam a sua nomeação, soube que tinha escolhido a certa”, explicou Bolsonaro.

De fato, nos dois anos e meio de mandato, Salles reduziu ou fechou sistematicamente todas as instituições de controle e monitoramento da floresta por meio de cortes de orçamento e pessoal. Demitiu chefes de quase todos os departamentos e os substituiu por militares e policiais paulistas, que não faziam ideia da Amazônia. Sob Salles, as ações contra os madeireiros foram interrompidas e quase nenhuma penalidade foi imposta

O ministro se solidariza com a máfia da madeira

Só recentemente ele garantiu pessoalmente que a enorme quantidade de 200.000 metros cúbicos de madeira tropical fosse liberada para exportação. Esse montante – cerca de um quinto das exportações de 2020 de madeira tropical processada do Brasil – foi apreendido pela Polícia Federal. As árvores foram suspeitas de terem sido derrubadas ilegalmente. Mas o chefe da Polícia Federal na Amazônia foi transferido à força. Salles se reuniu com os comerciantes de madeira e mostrou solidariedade.

Em uma reunião de gabinete há um ano, Salles disse que, enquanto a mídia estiver distraída, a pandemia deve ser usada para fazer com que as leis ambientais sejam criticadas pela oposição no Congresso de uma só vez. O clamor público foi grande.

Mas isso não impede Salles de fazer exatamente isso agora: o governo quer legalizar a posse ilegal na Amazônia retrospectivamente. Os parlamentares acabam de aprovar um projeto de lei sem uma audiência pública, segundo o qual as empresas poderão, no futuro, emitir licenças ambientais elas mesmas e os municípios e estados membros poderão promulgar leis diferentes.

Bolsonaro precisa de Salles para a degradação da proteção ambiental

É bem possível que Salles sobreviva politicamente às atuais investigações do judiciário. O promotor-chefe nomeado por Bolsonaro até agora admitiu todos os processos de corrupção contra a família presidencial e seus confidentes. Imediatamente após a ação judicial contra Salles, Bolsonaro deixou claro que continuaria a apoiá-lo. Ele é um “ministro excepcional”.

E isso é absolutamente verdade. Em contraste com muitos dos ministros conservadores de direita no gabinete de Bolsonaro, que se desqualificaram por incompetência e fracassaram, Salles está continuando de forma eloquente e eficiente sua reestruturação ideologicamente motivada da política ambiental do Brasil. Ele é, portanto, insubstituível para Bolsonaro. Salles não faz apenas a política para garimpeiros e lenhadores, mas também a política ambiental que a maioria dos agricultores, mas também muitos empresários, querem de Jair Bolsonaro.

fecho

Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo “Neue Zürcher Zeitung” [Aqui!].