Dívida do Estado do Rio atinge R$ 81 bilhões, segundo Marcelo Freixo.

“Estado está falido”, alerta o deputado, que ressaltou greve dos servidores

Jornal do Brasil

O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) afirmou nesta quarta-feira, no plenário da Alerj, que a dívida pública do Estado do Rio, que era de R$ 48 bilhões em 2006 no Governo Rosinha, cresceu para R$ 81 bilhões em fevereiro deste ano no Governo Cabral. Falou ainda da crise generalizada de representatividade e do movimento crescente de insatisfação, que deve gerar mais greves de diversas categorias de servidores.

“Venho a esta tribuna falar sobre a situação econômica que o Rio de Janeiro está vivendo, e também sobre as relações que isso pode ter ao conjunto de greves e manifestações pela cidade. (…) Há um endividamento crescente do Estado, e isso não significou melhorias nas condições de trabalho do servidor público”, alertou o deputado.

“(Estado) governou para seus sócios, para seus amigos, e agora não consegue atender às reivindicações mais básicas”, disse Freixo

Freixo ressaltou que a prova concreta disso seria a recente explosão de greves de diversas categorias. Criticou também a incapacidade política do governo do Estado de dialogar, aliada à “incompetência” econômica, enquanto aumenta o sentimento de insatisfação das pessoas.

“A chance de termos mais crises de categorias durante todo o ano é enorme, porque o Estado está falido.” Destacou ainda que a situação “governou para seus sócios, para seus amigos, e agora não consegue atender às reivindicações mais básicas”.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/05/14/divida-do-estado-do-rio-atinge-r-81-bilhoes-segundo-marcelo-freixo/

Sem resposta

Por Jânio de Freitas

Mesmo as denúncias vazias podem ter caroços; se não surgem com caroços, logo aparece quem os ponha

O advogado Jonas Tadeu enveredou por caminhos pedregosos e de direção incerta. Tanto se pode supor que levem a mais desvios da verdade para servir a seus dois clientes do momento como se pode suspeitar de objetivos muito maiores.

Ainda bem que o estranhíssimo percurso feito ontem por Jonas Tadeu foi demarcado por sugestões involuntárias de precaução dos seus ouvintes, quanto ao que ouviam. Fossem reconhecimentos de inverdades ditas nos dias anteriores, fossem respostas burladas, na longa entrevista à excelente Leila Sterenberg, da GloboNews, estava a mensagem: inverdades de antes previnem contra as verdades de hoje.

“Ninguém pagará” a Jonas Tadeu pela defesa de Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa, os causadores da morte de Santiago Andrade. Por quê? Resposta obscura. Já defendeu outros manifestantes acusados de violência? Resposta tortuosa. Não conhecia Caio, só se falaram por telefone duas vezes sobre fuga e prisão, mas cita até o valor do aluguel pago pela mãe de Caio. “Fabinho”, sim, conhece-o há muito tempo, é amigo dos seus assistentes. A propósito, aquilo dito sobre Fábio ser tatuador era mentira, ele mora sozinho, mas é desocupado.

Já que era o capítulo dos desmentidos, outro dos vários: “Eu sabia desde o começo que Fábio conhecia o Caio”. Apesar de corrigir-se, tornou ainda maior o alegado número de intermediários até identificar Caio, rapidamente, inclusive com RG, CPF e dois endereços, para dar à polícia. “Um miserável.” “Não no sentido ruim.” Miserável por precisar do que recebe para ir às manifestações. “R$ 150.”

Foi a entrada no trecho sempre reto, longo, de aceleração invariável. “Os manifestantes violentos são pagos.” Quem paga? “Vão buscá-los em casa.” Quem vai? “Tem organização por trás deles.” Quem? “É preciso investigar vereadores, deputados, diretórios regionais de partidos.” Quem? Quais? “Minhas conversas indicaram, é preciso investigar vereadores, deputados, diretórios regionais, não só do Rio, de São Paulo e outros Estados também.” “Vereadores, deputados, diretórios”, “vereadores, deputados, diretórios” –sem fim. Quem e quais? “Não me disseram.”

Jonas Tadeu é reconhecido como muito habilidoso nas artimanhas próprias da advocacia que pratica. Para quem duvide, uma credencial de peso, no gênero: já foi advogado de Natalino Guimarães, preso em 2008 sob a acusação de chefiar uma milícia que atuava em Campo Grande (zona oeste do Rio). Não é provável que acrescentar aos dois clientes atuais a condição de mercenários convenha à defesa. Poderia, sim, abrir caminho, por exemplo, para uma delação premiada, com os dois implicando alguém ou determinadas pessoas. Mas essa é uma especulação útil apenas para lembrar que mesmo as denúncias vazias podem ter caroços. Aliás, tê-los é da sua natureza: se não surgem com caroços, logo aparece quem os ponha.

Cedo ainda, ontem já aparecia no rádio um comentarista a falar na “extrema esquerda” como a possível pagadora das arruaças. Por que não também o possível interesse da direita, que toma outras muitas providências de organização encoberta para impor-se na sucessão presidencial? Jonas Tadeu recomenda não responder a certas perguntas.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/151966-sem-resposta.shtml