Que diria Carlos Marighella da chapa presidencial do capitão e do general?

Sou um feliz portador de uma cópia do livro “Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo” do jornalista Mário Magalhães.  Como tive a oportunidade de organizar lançamento da obra na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), lembrei hoje de uma das muitas histórias curiosas que constam da obra de Mário Magalhães, e que ele compartilhou com a plateia que esteve presente no evento realizado na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem.

Resultado de imagem para marighella o guerrilheiro que incendiou o mundo mario magalhaes

Essa história, aliás, estava imortalizada na página 424 do livro, e narra um encontro frustrado entre Carlos Marighella e Carlos Lamarca onde o líder da Aliança Libertadora Nacional não conseguiu que sua organização e a Vanguarda Popular Revolucionária lançassem um documento comum, apesar da concordância do seu interlocutor.  O que impediu a assinatura do documento que indicaria uma unidade política entre a ALN e a VPR foi a oposição de Onofre Pinto, outra liderança da organização comandada por Lamarca.

marighella

O fracasso da negociação teria então irritado Marighella, já que Onofre Pinto era sargento, enquanto Carlos Lamarca era capitão. Em função disso, Marighella teria dito que “nunca vi capitão obedecer a sargento“.

Pois bem, passados 39 anos daquele momento crucial na luta armada contra o regime militar, temos uma chapa presidencial que tem um capitão concorrendo a presidente, enquanto a vice-presidência é pleiteada por um general.

bolsonaro

Não tendo como não notar a semelhança na inversão hierárquica, eu me pergunto sobre o teria Carlos Marighella a dizer sobre a chapa Bolsonaro/Mourão.  Certamente teria muito mais a dizer do que simplesmente notar a evidente inversão hierárquica.

O impeachment de Dilma: nada mais que um golpe “muy” vagabundíssimo

temer_dilma_desemprego

Há dois atrás o jornalista Mário Magalhães aplicou um rótulo inapelável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff: um golpe vagabundíssimo (Aqui!). Entretanto, ao ver o resultado das duas votações que ocorreram hoje no Senado Federal (um para impedir a continuidade da presidente para o cargo para o qual foi eleita e outra para manter seus direitos políticos), eu tendo a dizer que este é um golpe “muy” vagabundíssimo.

A coisa beira a farsa completa já que se cassam os mais de 54 milhões de votos dados a Dilma Rousseff, mas ela continua habilitada a concorrer a outros cargos e para os quais será irremediavelmente eleita caso decida participar de outra eleição. 

A verdade é que Dilma Rousseff está sendo apeada do cargo por uma maioria de parlamentares na Câmara e no Senado que possui incontáveis processos em curso na justiça pelos mais variados tipos de atos ilegais, enquanto que a agora ex-presidente possui uma ficha ilibada.

De toda forma, o que fica claro é que este golpe “light” não foi contra Dilma Rousseff (que continuará com seus direitos políticos) mas contra os seus eleitores que votaram para que as mudanças sociais fossem aprofundadas no Brasil. Esse fato torna Michel Temer apenas mais um dos títeres que já ocuparam a presidência do Brasil para aplicar políticas anti-populares e anti-nacionais. E à luz de qualquer avaliação minimamente isenta, Michel Temer será um presidente desprovido de qualquer legitimidade democrática.

E como Michel Temer e o grupo que se apossou da presidência da república via este golpe “soft” pretendem impor políticas diametralmente opostas ao programa com o qual Dilma Rousseff foi eleita, não há como esperar qualquer chance de que entremos numa fase de estabilidade econômico e, muito menos, política. Aliás, com essas decisões dúbias do Senado Federal, o que teremos é uma ex-presidente que se fez mais legitima após reagir à traição de seu vice, e um presidente em exercício que enfrentará uma oposição socialmente organizada para a qual ele não está preparado para enfrentar.

A conclusão desse capítulo que se abre com esse golpe “muy” vagabundíssimo ainda está por ser escrita. Mas olhando de fora do hospício em que o congresso nacional se transformou desde o início de 2014 quando Dilma Rousseff assumiu seu segundo mandato, o que eu vejo é que as elites brasileiras ainda vão se arrepender muito da aventura em que meteram o Brasil. A ver!

Mário Magalhães detona o golpe: Mais um golpe vagabundíssimo

 

latuff

Com ressalvas insignificantes em relação conteúdo abaixo, penso que o jornalista Mário Magalhães matou a bola no peito e mandou para dentro do gol.  O artigo que ele acaba de postar talvez entre para um tipo de galeria de artigos notáveis dada a capacidade que ele teve de desvelar a natureza mais reacionária do golpe de estado que estamos vendo neste momento.

A única coisa que eu tenho a observar é que, como já tenho dito várias vezes nos últimos meses aqui mesmo neste blog, os golpistas estão esquecendo de combinar o jogo com os russos, neste caso a maioria pobre da população brasileira. E, por isto, é bem provável que venham colher ventos e tempestades muito além do que desejariam. É que como bem observou aquele banqueiro que levou a babá para empurrar seus filhos numa manifestação em Copacabana, vai ser muito complicado explicar para os pobres porque eles terão que abrir mão do pouco que conseguiram evoluir nos últimos 13 anos em nome da possibilidade que as elites brancas possam a voltar a viajar tranquilamente para Miami.

Mais um golpe vagabundíssimo

Por Mário Magalhães

O muso, a cara e o coração do impeachment – Foto Pedro Ladeira/Folhapress

Poucos anos depois da deposição do presidente constitucional João Goulart, em 1964, um dos arautos mais estridentes do movimento avacalhou-o como “golpe vagabundíssimo”. Houvera, de fato, golpe de Estado. Mas antes o arauto o incensara como “Revolução”, em caixa-alta. E como cruzada em defesa da democracia e contra a corrupção.

Proclamaram que seria uma “Revolução” destinada a assegurar eleições diretas para o Planalto. Logo aboliram-nas. Denunciados pelos golpistas como larápios, Jango e o ex-presidente Juscelino Kubitschek tiveram a vida devassada, e os esbirros não obtiveram uma só prova de que os investigados tivessem se apropriado de patrimônio público. Os dois acabaram formando ao lado do velho antagonista. Batalhando pela redemocratização, conforme os dois ex-governantes, ou democratização, como preferia o arauto do 1º de abril. Juntos contra a ditadura parida pela derrubada de Goulart.

Neste exato instante, começo da tarde de 11 de maio de 2016, o Senado debate o afastamento da presidente constitucional Dilma Rousseff. A guilhotina tem hora marcada, a madrugada vindoura. Sem blindados nas ruas e divisões de infantaria nas estradas. Com uma embalagem menos vulgar que a de 52 anos atrás. Mas mesmo assim um golpe de Estado. Mais um golpe vagabundíssimo.

Dilma sofre processo de impeachment sem que exista um único indício ou prova de que tenha cometido crime. Ao contrário de numerosos algozes, os senadores e deputados denunciados por uma vastidão de artigos do Código Penal. As manobras fiscais de créditos e ditas pedaladas não constituem subtração de dinheiro do povo. Eram práticas corriqueiras de todos os grandes partidos, aqueles que em maioria se preparam para eliminar a presidente consagrada em 2014 por 54.501.118 votos. Configura injustiça _ou golpe_ aplicar determinados critérios punitivos a gestores de certa coloração, e a de outras, não.

Dilma Rousseff não está sendo deposta em virtude do seu desastroso segundo mandato. Ao trocar suas promessas de palanque pela plataforma do candidato derrotado, ela impôs à sua base social os maiores sacrifícios da crise. Agravou-a, castigando os brasileiros mais pobres. Um dia a história talvez esclareça por que a presidente fez o que fez.

Seria indigno, contudo, culpar Dilma pelo golpe. As responsabilidades são dos autores. Na raiz do impeachment se identifica a rejeição à soberania do voto popular, cultivada atavicamente por castas sociais poderosas. Quatro dias após a reeleição, o PSDB já questionava a legitimidade da candidata que triunfara. Diante da inércia e da hesitação do governo, grupelhos de fanáticos de extrema-direita se vitaminaram, deflagrando a formação de coalização semelhante à que fulminou Jango (as Forças Armadas e a Igreja são exceções notáveis; os grandes proprietários de terras, o empresariado mais graúdo, os meios de comunicação hegemônicos, o Congresso conservador e a classe média mais radicalizada reeditam o papel desempenhado há meio século; a Casa Branca, rápida no gatilho para pitacar até sobre corrida de calhambeques mundo afora, cala sobre a farsa antidemocrática no Brasil).

A recusa às urnas não é mera idiossincrasia desvinculada de outros propósitos. Coube a um jornalista bem-humorado boa explicação. Falando pela boca da dona História, Luis Fernando Verissimo escreveu: “[…] A ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância. Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima. Era isso que estava acontecendo [em 2016]”.

Não é no piscar de olhos histórico de pouco mais de um século desde a Abolição que são suprimidas relações de poder obscenas na derradeira nação a extinguir a escravidão formal. O Brasil permanece como um dos dez países mais desiguais. A terra onde uma patroa de classe média tinha e quem sabe ainda tenha chiliques ao se deparar com a empregada doméstica trajando roupa igual à sua.

Há uma pegadinha marota, abrangendo apenas três anos e pouco, nos balanços da economia e de indicadores sociais na queda de Dilma. Seu governo agoniza, mas o cartão vermelho é sobretudo para os 13 anos e quatro meses de representantes do PT na Presidência. Perdas e danos devem ser contabilizados desde 2003.

Nesse período, ninguém insinuou revolução ou ameaça aos interesses mais caros dos manda-chuvas de sempre. Mas o que se passou não foi indiferente à população que desde o desembarque de Cabral levou a pior. Nos 13 anos petistas, a renda dos mais pobres teve 129% de aumento real, descontada a inflação. E a dos mais ricos, 32%.

De 2001 a 2009, a taxa de pobreza no país despencou de 35,2% para 21,4%. A da extrema pobreza, para menos da metade, de 15,3% para 7,3%. O programa Bolsa Família contribuiu para a queda, bem como o aumento real do salário mínimo em 53%, nos oito anos de Lula (2003-2010). Em 2013, 13,8 milhões de famílias eram atendidas pelo Bolsa Família, aproximadamente 27% da população ou ao menos 50 milhões de viventes. Poucas iniciativas dos anos Lula-Dilma foram tão demonizadas como o Bolsa Família. O programa tem notórias limitações, mas comer um prato de comida não é capricho para os ao menos 30 milhões de seres humanos que deixaram a miséria absoluta, a da fome.

Nesses 13 anos, as universidades receberam mais estudantes que antes. E mais negros. Avião deixou de ser transporte só de bacana. Empregadas domésticas conquistaram carteira assinada. O desemprego hoje, a despeito do aumento recente, é menor do que em tempos de Fernando Henrique Cardoso. A mortalidade infantil despencou. O salário mínimo recuperou-se também com Dilma.

Nada foi benesse, e sim conquista de quem foi à luta. Mas tudo sobreveio de 2003 a 2016, o que é fato, e não opinião.

Eis o que a dona História, de Verissimo, quis dizer: até dividir um pouquinho da riqueza é inaceitável para os donos do dinheiro.

Tomara que no porvir os historiadores não minimizem um capítulo decisivo da deposição de Dilma: o golpe não ocorreria se o PT tivesse aceitado livrar Eduardo Cunha do voto pró-cassação por quebra de decoro parlamentar. Para retaliar, Cunha instaurou a ação do impeachment, acelerou-a, tramou e presidiu a sessão da Câmara em 17 de abril, encaminhando a degola.

Dilma paga por um gesto de decência do PT, e não por uma das numerosas ações indecentes que caracterizam a trajetória do partido. Se Aécio Neves tivesse se submetido à manifestação soberana dos cidadãos em 2014, talvez o impeachment não prosperasse. Sem Eduardo Cunha, com certeza a conspiração não teria vingado.

O PMDB participou das administrações do PSDB e do PT. Agora deve alcançar o poder, sem intermediários. O Brasil cai na mão do que existe de mais atrasado, e não apenas em matéria de zelo pela coisa pública. É medieval a agenda sobre comportamento e direitos civis de muitos figurões do impeachment e do iminente governo Michel Temer. Quem assume é a agremiação de Eduardo Cunha.

Collor foi apeado em 1992 depois de comprovadamente ter cometido crime. Com Dilma, isso não ocorreu. A deposição de 2016 pertence à família da de 1964.

A saída à força da presidente é menos uma derrota pessoal e muito mais uma tragédia para o Brasil e a democracia tão golpeada.

P.S.: o autor da expressão “golpe vagabundíssimo” é Carlos Lacerda, governador da Guanabara em 1964. Durante sua vida, Lacerda (1914-1977) foi protagonista de golpes bem ou mal sucedidos. Mas enfrentou duas ditaduras e muitas vezes lutou pela democracia e contra o golpismo. Militou no comunismo, tornou-se anticomunista. “Não era um homem, mas uma convulsão da natureza”, disse Barbosa Lima Sobrinho. É legítimo supor que hoje Lacerda estaria deste ou daquele lado. Não me arrisco a chutar. Ele é o protagonista do meu próximo livro, a sair pela Companhia das Letras no ano que vem. Sem deixar de contar as décadas anteriores, concentro-me no período 1964-1977. Ao iniciar a empreitada do livro, sabia que seus personagens e temas permanecem apaixonantes. Mas não imaginava que seriam tão atuais.

(O blog está no Facebook e no Twitter )

Grotesco e perigoso: em pleno 2016, vivandeiras querem intervenção militar

Por Mário Magalhães*

Verbete no dicionário "Houaiss"

Verbete do dicionário “Houaiss”

O mundo gira, a lusitana roda, e as vivandeiras continuam na ativa. Pelo menos no Brasil.

Eu as supunhas extintas, como contei no ano passado, em post reproduzido abaixo.

Agora, elas chegaram ao jornalismo. Ou melhor, regressaram, décadas mais tarde.

Como no século XX, ninguém diz que quer intervenção militar para rasgar a Constituição.

As vivandeiras falam em proteger a ordem constitucional. Mas, cá entre nós, pode chamar de golpismo.

A essa altura do século 21, as vivandeiras são grotescas.

Podem ser também perigosas.

*

Tudo é história: vivandeiras

(Publicado no blog em 14 de outubro de 2015)

Um bom método para avaliar se o Brasil melhorou ou piorou, e levantar um pouco o astral, é catar palavras que caíram em desuso.

Muitos jovens nunca ouviram falar em “anjinhos”. Não que eles não mais existam. Mas é cada vez mais difícil encontrá-los, graças à decadência da mortalidade infantil.

Anjinhos são bebês ou crianças mortos. Quase sempre por doenças associadas à desnutrição, ou à fome, para falar em bom português. Eram comuns nos cenários nordestinos.

Quantos brasileiros sem cabelos brancos sabem o que é “empastelamento”?

Houve uma época, no trepidante século XX, em que as autoridades empastelavam jornais. Isto é, fechavam na marra publicações que não acolhiam as ideias do poder.

E “vivandeira”, alguém ainda liga o nome à pessoa?

Na origem, como ensina o verbete do “Houaiss” reproduzido no alto, era a “mulher que acompanha uma tropa, vendendo ou levando mantimentos e bebidas”.

Mais tarde, ganhou outra conotação, a de quem incentiva a desinteligência entre militares. E atiça a sua intervenção ilegal e ilegítima na ordem constitucional, derrubando e promovendo governos.

As vivandeiras grassaram no país da década de 1920 à de 1980.

Eu as supunha extintas, como a varíola.

Lembrei-me delas por causa do assanhamento de um pessoal que anda provocando as Forças Armadas a fazerem o que, salve, salve, elas têm reiterado que não farão. Quer dizer, não pretendem estuprar a democracia.

Para frustração das, como é mesmo?… vivandeiras.

*Mário Magalhães nasceu no Rio de Janeiro na primeira semana de abril de 1964. Formou-se em Jornalismo na Escola de Comunicação da UFRJ. Trabalhou nos jornais “Tribuna da Imprensa”, “O Globo”, “O Estado de S. Paulo” e “Folha de S. Paulo”, diário do qual foi repórter especial, colunista e ombudsman. Recebeu mais de 20 prêmios e menções honrosas no Brasil e no exterior, entre eles: Every Human Has Rights Media Awards, Lorenzo Natali Prize, Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e Anistia, Grande Prêmio Esso de Jornalismo, Prêmio Folha de Reportagem, Prêmio Direitos Humanos-RS, Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa (da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Prêmio Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), Medalha Chico Mendes de Direitos Humanos, Prêmio AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e Prêmio da Associação Interamericana de Imprensa. Lançou em 2012 o livro “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, pela Companhia das Letras. O livro recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) como melhor biografia do ano.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2016/03/07/grotesco-e-perigoso-em-pleno-2016-vivandeiras-querem-intervencao-militar/

Mário Magalhães analisa de forma contundente a situação em que o (des) governo Pezão deixou a UERJ

Imunda, sem segurança e abandonada, Uerj fecha as portas por uma semana

Por Mário Magalhães
xcxcxcxcx

No sábado, pombos se divertiam no lixo da Uerj – Foto do blog

blog - uerj reitor

 

A partir de hoje a Universidade do Estado do Rio de Janeiro interrompe as atividades acadêmicas, ao menos por uma semana. O anúncio foi feito ontem pelo reitor Ricardo Vieiralves, em comunicado reproduzido acima.

O reitor alega “situação de insalubridade” (imundície) e “descontinuidade dos serviços terceirizados, que afeta a segurança das pessoas e do patrimônio” (falta de segurança).

Tudo causado “pela situação pública da grave crise de financiamento do Estado do Rio de Janeiro”. Isto é, o governo estadual deixou de honrar os pagamentos às empresas terceirizadas, também às que cuidam da limpeza e da segurança da Uerj.

Por atividades acadêmicas entenda-se aulas, pesquisa, extensão. Na instituição que mantém nível de excelência em muitas áreas, como letras e direito (nos últimos anos, três professores ou ex-professores da Uerj foram _ou são_ ministros do STF: Joaquim Barbosa, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux).

A Uerj é pioneira no bem-sucedido sistema de cotas.

É patrimônio público de enorme valor para o ensino e a ciência.

Na pindaíba, o governo suspendeu pagamentos. Mas poderia ter preservado os essenciais à educação.

Não é a primeira demonstração de descaso com a Uerj, como demonstram os recorrentes atrasos nas bolsas de pesquisa.

Na sexta-feira, o lixo se acumulava no campus ao lado do Maracanã, como mostrou o blog.

No sábado, pombos já faziam a farra (foto no alto).

Talvez já tenha chegado a vez dos urubus.

Talvez, não: como urubuzam a Uerj e a educação no Rio de Janeiro!

Enquanto isso, o governador Luiz Fernando Pezão dizia ontem que são “fofocas” as comprovadas e reconhecidas agressões do seu correligionário (PMDB) Pedro Paulo à ex-mulher.

A educação anda mesmo mal.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/11/24/imunda-sem-seguranca-e-abandonada-uerj-fecha-as-portas-por-uma-semana/

Mário Magalhães fulmina: ruína moral é pior que vexame da seleção

thiago-silva-camisa

Por  Mário Magalhães

Depois do 1 a 1 indigente no tempo regulamentar, o Brasil foi eliminado da Copa América pelo Paraguai, 4 a 3 nos pênaltis.

Portanto, Neymar, suspenso contra a Colômbia, está fora dos dois primeiros jogos das Eliminatórias do Mundial 2018.

Os quatro semifinalistas da Copa América são treinados por argentinos.

É mais um vexame, após o 7 a 1 do ano passado.

Pior que o futebolzinho é a ruína moral em torno da seleção brasileira.

O jogo da seleção foi soporífero enquanto a bola rolou.

Quase não ameaçou, inclusive no primeiro tempo. No segundo, conseguiu ser ainda mais fraco.

Consciente das suas limitações técnicas, os veteranos paraguaios se aplicaram taticamente e lograram empatar, antes de triunfar nos penais.

Os brasileiros pareciam nunca ter treinado juntos.

É imenso o abismo entre a categoria dos boleiros das duas equipes.

Os nossos são melhores em todas ou quase todas as posições.

Como os paraguaios jogam de igual para igual e fazem até por merecer a vitória nos 90 minutos?

Como treina a seleção brasileira?

Por que os oponentes mostram mais conjunto, mesmo times renovados?

A maior diferença da Colômbia frente ao Brasil e à Argentina foi de postura: contra nós, vieram para cima, confiantes; diante de Messi e companhia, tremeram, sem se arriscar.

Não assustamos mais ninguém.

O Brasil abriu o placar neste sábado com gol de Robinho, em cruzamento de Daniel Alves.

Robinho era reserva, até a suspensão de Neymar.

Daniel, apesar da ótima temporada no Barça, só foi convocado para a Copa América na última hora.

Muito pior que a miséria em campo é a ruína moral, insisto.

O cartola que convidou Dunga para ser o técnico, José Maria Marin, está em cana por falcatruas.

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não foi ao Chile. Medo de ser preso?

O chefe da delegação, João Dória Jr., nem no Chile ficou permanentemente.

Dunga ousou dizer que afrodescendentes gostam de apanhar.

Nessa atmosfera, o futebol ridículo não é o mais trágico

Que horror!

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/06/27/ruina-moral-e-pior-que-vexame-da-selecao/

Mário Magalhães e sua habilidade de resistir aos “brinquedos” de Eike Batista

O jornalista Mário Magalhães, autor do best seller “Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo” é um amigo de longa data. Sempre que posso encontrá-lo, trocamos longos papos sobre a vida, nossas trajetórias profissionais,  e outros “causos” que eventualmente tenham ocorrido desde o nosso último encontro.  A narrativa que ele compartilha em seu blog, e que posto abaixo, eu já havia ouvido pessoalmente pouco depois dos fatos acontecerem. 

E, olhando em retrospectiva o gesto do Mário de recusar um mimo oferecido por Eike Batista num momento em que se encontrava exercendo sua profissão, vejo como a força de caráter e a ética apurada sempre são companheiras daqueles que decidem ver e entender o mundo de forma autônoma e crítica. Por essa compreensão é que eu vejo que eu sou muito sortudo nos amigos que amealhei ao longo da vida. É que eles podem não formar uma multidão, mas sempre me deixam muito orgulhoso de poder chamá-los de amigos.

Dá para resistir aos ‘brinquedos’ de Eike Batista? Eu resisti…

Por Mário Magalhães

É, quem sabe, pode ser, corro o risco de ceder ao cabotinismo, mas as fotografias do juiz federal Flávio Roberto de Souza ao volante do Porsche Cayenne do empresário Eike Batista me trouxeram novamente à lembrança um episódio que contei de passagem aqui no blog, no post Retrato de Eike no auge: o dia, ou melhor, a noite, em que eu resisti a um brinquedo do ex-marido da Luma tão sedutor quanto os seus carrões.

(Claro que o digno magistrado só estava zelando pelo bem público, ao contrário do que pensam cabeças maliciosas e espalham línguas maledicentes…)

Pela altura de setembro, outubro de 2009, eu jantava com Eike e dois colaboradores dele no restaurante Mr. Lam, de propriedade do então postulante a terráqueo mais rico e ainda hoje a melhor cozinha asiática do Rio.

O dono apontou para o mezanino da casa à beira da lagoa Rodrigo de Freitas, onde ficava um adega metálica assim descrita no site do Mr. Lam:

“A adega Veuve Clicquot Vertical Limit da Porsche Design Studio é a única em restaurantes no mundo. Um objeto de arte nascido da tradição francesa em vinhos e a audácia inovadora de uma das líderes em design. Feita em aço escovado, mede 2,10m de altura por 60 cm de largura e possui doze prateleiras iluminadas individualmente. As portas e os ângulos são soldados à mão e é totalmente à prova de som e vibração. A temperatura é mantida constantemente a 12º, exatamente igual às adegas da Veuve Clicquot, em Reims, França”.

Isto é, outra obra-prima da Porsche, como confirma a imagem lá do alto.

Em 2007, foram produzidas, informou o fabricante, 15 unidades.

Com uma dúzia de garrafas magnum, as grandonas, em cada adega.

Só com champagne vintage, de safras supimpas, desde a década de 1950.

Adoro espumantes, tenho-os como bebida para cima, ao contrário de outras, derrubadoras e depressivas.

Não sou nenhum connaisseur de champagne-champagne, aqueles produzidos em determinado solo francês.

Mas já provei o suficiente para apreciar as viuvinhas brut, ou Veuve Clicquot, mais secas que, por exemplo, o champagne Cristal frutado que novos-ricos bebiam no Brasil do alvorecer da década de 1990, para imitar o presidente Collor.

E não é que o Eike Batista propôs que compartilhássemos uma garrafa?

Tudo porque, depois de ele falar sobre a adega, indaguei que conquista o faria abrir uma magnum.

No lançamento, em 2007, cobravam nos Estados Unidos 70 mil dólares por unidade da superadega Porsche com o líquido precioso incluído.

Não dava para aceitar o convite gentil do Mr. X.

Porque eu estava escrevendo um perfil dele para a “Folha”.

Evidentemente, baita desgraça, configuraria conflito de interesses.

Se tacasse o pau, poderiam dizer que era para mostrar independência, apesar do jabá.

Caso a reportagem soasse simpática, talvez insinuassem que eu me vendera por uns goles da safra 1955.

Questão de ética jornalística, em suma.

No final, fiquei sem passear de Porsche, ou seja, sem beber o champagne guardado noutra máquina Porsche.

Dá para resistir?

Dá, mantendo afiado o simancol, também conhecido como escrúpulos.

Por causa do passeio do juiz com o carrão, voltei a me perguntar: como deve ser uma viuvinha tão antiga?

Será que o velho espumante ainda borbulha?

Ironia: naquela noite de anos atrás, Eike Batista contou que não gosta muito de bebida alcoólica.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/02/26/da-para-resistir-aos-brinquedos-de-eike-batista-eu-resisti/