O impeachment de Dilma: nada mais que um golpe “muy” vagabundíssimo

temer_dilma_desemprego

Há dois atrás o jornalista Mário Magalhães aplicou um rótulo inapelável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff: um golpe vagabundíssimo (Aqui!). Entretanto, ao ver o resultado das duas votações que ocorreram hoje no Senado Federal (um para impedir a continuidade da presidente para o cargo para o qual foi eleita e outra para manter seus direitos políticos), eu tendo a dizer que este é um golpe “muy” vagabundíssimo.

A coisa beira a farsa completa já que se cassam os mais de 54 milhões de votos dados a Dilma Rousseff, mas ela continua habilitada a concorrer a outros cargos e para os quais será irremediavelmente eleita caso decida participar de outra eleição. 

A verdade é que Dilma Rousseff está sendo apeada do cargo por uma maioria de parlamentares na Câmara e no Senado que possui incontáveis processos em curso na justiça pelos mais variados tipos de atos ilegais, enquanto que a agora ex-presidente possui uma ficha ilibada.

De toda forma, o que fica claro é que este golpe “light” não foi contra Dilma Rousseff (que continuará com seus direitos políticos) mas contra os seus eleitores que votaram para que as mudanças sociais fossem aprofundadas no Brasil. Esse fato torna Michel Temer apenas mais um dos títeres que já ocuparam a presidência do Brasil para aplicar políticas anti-populares e anti-nacionais. E à luz de qualquer avaliação minimamente isenta, Michel Temer será um presidente desprovido de qualquer legitimidade democrática.

E como Michel Temer e o grupo que se apossou da presidência da república via este golpe “soft” pretendem impor políticas diametralmente opostas ao programa com o qual Dilma Rousseff foi eleita, não há como esperar qualquer chance de que entremos numa fase de estabilidade econômico e, muito menos, política. Aliás, com essas decisões dúbias do Senado Federal, o que teremos é uma ex-presidente que se fez mais legitima após reagir à traição de seu vice, e um presidente em exercício que enfrentará uma oposição socialmente organizada para a qual ele não está preparado para enfrentar.

A conclusão desse capítulo que se abre com esse golpe “muy” vagabundíssimo ainda está por ser escrita. Mas olhando de fora do hospício em que o congresso nacional se transformou desde o início de 2014 quando Dilma Rousseff assumiu seu segundo mandato, o que eu vejo é que as elites brasileiras ainda vão se arrepender muito da aventura em que meteram o Brasil. A ver!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s