Facebook virou entreposto da grilagem de terras na Amazônia

Parts of Amazon Rainforest in Brazil Are Being Illegally Offered for Sale  on Facebook Marketplace : US News : Latin Post - Latin news, immigration,  politics, culture

Não sei se o hoje multi bilionário Mark Zuckerberg imaginou que um dia o seu “Facebook” iria virar uma espécie de entreposto avançado da grilagem de terras em áreas de conservação ambiental e de terras indígenas na Amazônia brasileira, mas o fato é que virou.  E isto foi meticulosamente documentado por jornalista da rede BBC que acabam de lançar um documentário mostrando o uso da área de anúncios do Facebook, o Marketplace, para que terras públicas sejam vendidas ilegalmente em um esquema que envolve diferentes escalas de envolvimento.

O documentário “Our World: Selling the Amazon” (Amazônia à venda) expõe o funcionamento de um vigoroso mercado ilegal online que opera livremente no Facebook, e uma dos elementos mais comprometedores para o Facebook é que os grileiros admitem que as terras que anunciam não lhes pertencem. E o pior é que o levantamento feito pelos pelos jornalistas da BBC mostra que eles reconhecem que estão vendendo terras públicas, com um detalhe importante que é o fato deles contarem com a impunidade por acreditarem que o presidente Jair Bolsonaro é uma espécie de aliado nesse processo de grilagem de terras públicas.

Interessante notar que a equipe de jornalistas da BBC identificou que a maioria dos anúncios de venda ilegal de terras públicas veio do estado de Rondônia. Como conheço bem o estado já que realizei trabalhos de campo na sua região central entre os anos de 1991 e 2008, pude reconhecer algumas das práticas reveladas como recorrentes dos tempos em que cruzei as estradas empoeiradas na região central do estado.

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O documentário “Amazônia à Venda” tem um duração de 41:10 minutos e pode ser assistido abaixo.

Revelado: Mark Zuckerberg ameaçou retirar investimentos do Reino Unido em reunião secreta

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Por  Matthew Chapman para o  O Bureau of Investigative Journalism

O Bureau of Investigative Journalism acaba de revelar Mark Zuckerberg ameaçou retirar o investimento do Facebook do Reino Unido em uma reunião privada com Matt Hancock.

A ata da reunião, de maio de 2018, mostra que um obsequioso Hancock estava ansioso para agradar Zuckerberg, oferecendo “um novo começo” para o relacionamento do governo com as plataformas de mídia social. Ele se ofereceu para mudar a abordagem do governo de “ameaçar a regulamentação para encorajar o trabalho colaborativo para garantir que a legislação seja proporcional e favorável à inovação”.

Hancock procurou “aumentar o diálogo” com Zuckerberg, “para que ele possa transmitir a mensagem de que tem o apoio do Facebook ao mais alto nível”.

A reunião aconteceu na conferência VivaTech em Paris. Parece ter sido arranjado “após vários dias de disputa” por Matthew Gould, ex-funcionário do departamento de cultura que Hancock mais tarde fez executivo-chefe da NHS X .

Zuckerberg compareceu à reunião apenas alguns dias depois de Hancock – então secretário de estado do digital, cultura, mídia e esporte (DCMS) – tê-lo criticado publicamente por evitar uma reunião com parlamentares. Os funcionários públicos tiveram que dar a Zuckerberg garantia explícita de que a reunião seria positiva e Hancock não iria simplesmente exigir que ele participasse do comitê, e observou que a reunião começou com um ambiente de “hostilidade cautelosa”.

Esses detalhes podem finalmente ser tornados públicos após uma batalha de dois anos que culminou com o Gabinete do Comissário de Informação ordenando que o departamento divulgasse as atas. As notas recém-lançadas representam a primeira exibição pública das opiniões de Mark Zuckerberg em relação à legislação proposta do Reino Unido sobre segurança e regulamentação na Internet.

Zuckerberg falou de um “governo anti-tecnologia do Reino Unido”, brincando sobre fazer do Reino Unido um dos dois países que ele não visitaria. (O segundo país foi redigido nas notas liberadas para o Bureau. O tamanho da redação corresponde ao comprimento das palavras “exceto China”.)

As notas da reunião concluem: “Se realmente houver uma percepção generalizada no vale de que o governo do Reino Unido é anti-tecnologia, então mudar o tom é vital. A London Tech Week é uma grande oportunidade e não poderia ter chegado em melhor hora. ”

No mês seguinte, Hancock teve uma reunião de acompanhamento com Elliot Schrage, principal lobista do Facebook que mais tarde anunciou sua renúncia depois de contratar uma empresa de relações públicas para fazer uma campanha difamatória contra George Soros, um crítico vocal do Facebook. Mais tarde, Schrage escreveu a Hancock agradecendo-lhe por apresentar seu pensamento sobre “como podemos trabalhar juntos na construção de um modelo de co-regulação sensata em questões de segurança online”.

A carta também revela que Hancock deveria visitar o Facebook em setembro de 2018. (Hancock se tornou secretário de saúde antes que essa visita pudesse acontecer). Schrage escreveu que os “desafios da segurança online” devem ser “alcançados de forma construtiva e colaborativa”, antes de assinar, dizendo que o Facebook está perto de fornecer uma atualização sobre seu “compromisso com Londres”.

Batalha de dois anos

O governo lutou por dois anos para impedir a divulgação das atas da reunião entre Zuckerberg e Hancock depois que os detalhes foram solicitados pelo Bureau em novembro de 2018. Em agosto, os advogados do DCMS fizeram uma última tentativa de reter as notas após serem ordenados a divulgá-los pelo Information Commissioner’s Office (ICO).

Após trabalho pro bono dos advogados do Bureau, Leigh Day e Conor McCarthy em Monckton Chambers, o governo agora concordou em divulgar as notas da reunião, redigindo uma pequena parte que descreveu como a “opinião subjetiva” do tomador das notas. Entende-se que o material redigido é incidental para a discussão política.

A OIC repreendeu o DCMS por violar a lei de liberdade de informação depois que demorou um ano para reconhecer que mantinha anotações sobre a reunião entre Zuckerberg e Hancock. Também criticou o departamento por alegar que tornar as notas públicas levaria a futuras discussões “ocorrendo ‘off the record’ e não registradas por medo de uma possível divulgação”.

Acrescentou: “O acesso aos direitos de informação depende de autoridades públicas documentarem suas principais atividades e decisões. Não fazer isso pode minar a responsabilidade pública, o registro histórico e a confiança pública. ”

O ICO decidiu que divulgar as informações era de interesse público, declarando: “Como plataforma de mídia social dominante no mundo, o Facebook tem uma posição incomparável e capacidade de influenciar as políticas e regulamentações governamentais.

“Na opinião do comissário, a exigência de transparência e abertura é particularmente aguda no caso presente, dada a ausência do Sr. Zuckerberg no domínio público do Reino Unido … Em vista do alto nível de controle pessoal que o fundador e CEO do Facebook possui sobre alguns dos as plataformas de mídia social mais influentes e poderosas no Reino Unido, o Comissário considera que a demanda por tal transparência é correspondentemente alta. ”

Influência global

Os críticos afirmam que a falta de regulamentação do conteúdo do Facebook em suas plataformas – incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp – contribuiu para eventos trágicos em todo o mundo. Alguns dizem que as plataformas foram usadas por outros para incitar o genocídio da minoria muçulmana Rohingya em Mianmar, organizando um evento da milícia em Kenosha que levou à morte de duas pessoas, na transmissão ao vivo de um massacre de muçulmanos na Nova Zelândia, e contribuindo para o suicídio da adolescente britânica Molly Russell.

O comitê de seleção digital, cultural, de mídia e de esportes está atualmente examinando o papel do Facebook na disseminação de desinformação antivacinação em suas plataformas.

No Reino Unido, o governo está considerando como regulamentar o Facebook e outras plataformas para proteger as pessoas de “danos online”, incluindo desinformação, exploração sexual infantil, conteúdo terrorista, crime de ódio, incitação à violência, assédio e conteúdo que incentiva o suicídio. A legislação proposta envolverá efetivamente um regulador garantindo que as empresas de tecnologia cumpram seus próprios termos e condições.

No entanto, o comitê DCMS já expressou preocupação sobre essa regulamentação de toque suave. Em um relatório, disse: “O governo deve estabelecer uma lista abrangente de danos no escopo da legislação de danos on-line, em vez de permitir que as empresas o façam elas mesmas ou estabeleçam o que consideram aceitável por meio de seus termos e condições. O regulador deve ter o poder de julgar onde essas políticas são inadequadas e fazer recomendações adequadas contra esses danos. ”

O governo deve publicar sua resposta a uma consulta sobre propostas para regulamentar as empresas de mídia social nas próximas duas semanas.

Evitando escrutínio

Parece que Zuckerberg evita o escrutínio aberto pelos parlamentos onde pode. Em vez disso, ele parece favorecer as discussões políticas a portas fechadas.

Quando ele se recusou a comparecer perante um grande comitê internacional de notícias falsas em novembro de 2018, composto por membros de nove parlamentos nacionais, os legisladores colocaram uma cadeira vazia para ele em protesto. Sua decisão de não comparecer ao comitê DCMS atraiu a ira de Damian Collins, presidente do comitê.

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Collins disse ao Bureau: “Estas atas mostram que Mark Zuckerberg estava com medo do inquérito do comitê do DCMS, ele sabia tudo sobre isso e estava determinado a não aparecer na frente dele – e você precisa se perguntar por que isso acontece.”

Em um artigo para o Financial Times em fevereiro, Zuckerberg pediu “mais supervisão e responsabilidade” nas decisões sobre moderação de conteúdo nas mídias sociais, mas não comentou sobre as regulamentações propostas pelo Reino Unido.

Em um documento de política do Facebook publicado durante a viagem de Zuckerberg à Europa no início deste ano, a empresa argumentou contra as empresas de mídia social serem legalmente responsáveis ​​pelo conteúdo de suas plataformas, incluindo material ilegal ou prejudicial. Em vez disso, propôs “relatórios públicos periódicos” de quão bem fez cumprir suas próprias regras e políticas, e a empresa estabeleceu um conselho de supervisão independente com base nessas linhas.

O Facebook disse à BBC: “O Facebook há muito diz que precisamos de novos regulamentos para definir padrões elevados em toda a Internet”.

Imagem do cabeçalho: uma imagem composta de Matt Hancock e Mark Zuckerberg. Crédito: Peter Summers / Getty Images e Andrew Caballero-Reynolds / AFP via Getty Images

Este relatório foi financiado por fundos centrais do Bureau . Nosso relatório sobre Decision Machines é financiado pela Open Society Foundations, fundada por George Soros. Nenhum de nossos financiadores tem qualquer influência sobre as decisões editoriais ou resultados do Bureau.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo Bureau of Investigative Journalism [Aqui!].

Campanha de desfinanciamento contra mensagens de ódio e fake news já causou prejuízos bilionários à “holding” do Facebook

A campanha “Stop Hate for Profit” já causou prejuízos de pelo menos R$ 35 bilhões ao Facebook por sua suposta indolência em conter a disseminação mensagens de ódio e “fake news” em troca de verbas por propaganda

Um campanha iniciada por um grupo de organizações de direitos civis nos EUA chamada “Stop Hate for Profit” (Pare o ódio por lucro) já causando prejuízos bilionários à “holding” do Facebook (Facebook e Instagram) e também ao Twitter. É que dezenas de empresas, incluindo as arquirrivais Coca Cola e Pepsi, já informaram que irão suspender os anúncios em redes sociais, pois as empresas que as controlam não estão fazendo o suficiente para impedir a circulação de mensagens de ódio e “fake news” (notícias falsas) na rede mundial de computadores.

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A velocidade com que as empresas estão aderindo ao boicote do “Stop Hate for Profit” é resultado da percepção que a empresa de Mark Zuckerberg tem sido tolerante com empresas e pessoas que divulgam mensagens de ódio em função dos grandes lucros que a publicidade que elas pagam para serem mostradas no Facebook e no Instagram.

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Anúncio da multinacional Unilever diz que “Marcas têm o dever de ajudar a criar um ecossistema digital confiável e seguro. É por isso que nossas marcas irão parar de publicar propogandas no Facebook, Instagram e no Twitter nos EUA

Como apenas no caso do Facebook a renda obtida com a venda de espaços publicitários é de um valor em torno de  R$ 350 bilhões, a pressão que está aumentando em função da rápida ampliação da campanha boicote deverá gerar impactos importantes não apenas no tipo de propaganda que continuará sendo veiculada pelas redes sociais, mas também em processos eleitorais onde as campanhas de desinformação têm resultado na eleição de candidatos que se baseiam nas mensagens de ódio para se elegerem. 

Em uma demonstração de que a “Stop hate for Profit” já se fez notar pelas corporações que controlam as redes sociais, na última 6a. feira o próprio Mark Zuckerberg veio à público para reconhecer que o Facebook está enfrentando dificuldades por causa da sua percebida tolerância com mensagens de ódio e disseminação de notícias falsas, e que procuraria fazer mais para acalmar os críticos.

Entretanto, dada a posição ainda relativamente cômoda do Facebook em relação ao controle do mercado representado das redes sociais, isto não significa que algo mais efetivo vá ser feito pela empresa para conter a disseminação de mensagens de ódio. Esse fato, por sua vez, reforça a necessidade de se apoiar iniciativas que pressionem as corporações para que parem de pagar por espaços publicitários no Facebook e no Instagram até que mudanças substanciais sejam efetivamente realizadas.

Importante lembrar que no Brasil quem tem iniciou este tipo de pressão foi a “Sleeping Giants Brasil” que em pouco de existência já atingiu 375 mil seguidores no Twitter, e declara ter causado perdas significativas na renda publicitária que até pouco tempo movia a máquina de fake news que apoiava a disseminação de notícias falsas, a maioria em prol do presidente Jair Bolsonaro e seu governo.

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Mas a verdade é que a disputa em torno dos conteúdos publicitários nas redes sociais é apenas uma faceta de uma disputa política mais ampla. Para que haja a criação do ecossistema digital propalado pela Unilever há ainda muito trabalho a ser feito, pois há que se reconhecer que, como em qualquer outra seara do Capitalismo, os capitalistas não recusam facilmente a chance de obter lucro, nem que o instrumento de sua obtenção seja a divulgação do ódio e da mentira.

 

Quem checa os checadores de fatos?

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O vídeo abaixo, lamentavelmente em inglês, é uma porção de uma audiência pública realizada no congresso dos EUA em abril de 2018, onde o CEO da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, é fortemente questionado pela deputada Alejandra Ocasio-Cortez sobre a posição da empresa de permitir a publicação de conteúdos que sabidamente disseminam “fake news” (notícias falsas) ou mesmo mensagens consideradas como de ódio a minorias e oponentes políticos.

Após muita pressão por parte de Ocasio-Cortez, Zuckerberg reconheceu que o Facebook não pararia de publicar conteúdos pagos que pudessem ser eventualmente falsos. A alegação apresentada naquela audiência é que o Facebook disponha de “agências independentes de checagem de fatos” que verificariam a autenticidade de determinados conteúdos.  Em resposta a Zuckerberg, Ocasio-Cortez então perguntou se o CEO do Facebook que um dos seus “checadores de fatos” era ele próprio um disseminador de ideias racistas, e se, apesar disso, poderia ser considerado um checador confiável de conteúdos. 

Todo esse debate que permanece mais do que atual me leva à seguinte pergunta: quem checa os checadores de fatos? É que, como em outras partes do mundo, os tais “fact checkers” assumem como capazes de verificar o que é verdadeiro ou falso em termos do que circula com conteúdo na mídia, mas raramente se questiona quem são os “checadores”  e, mais importante ainda, quem paga pelo trabalho de checagem.  E também muito raramente é questionada quão neutros os checadores são em relação aos conteúdos que supostamente checam com imparcialidade. A verdade é que a “checagem de fatos” é, por si só um novo tipo de empreendimento, uma indústria se preferirem, que também é influenciada por interesses econômicos e políticos.

A questão da autenticidade das informações que circulam nas redes ganhou grande interesse esta semana com a operação policial a mando do Supremo Tribunal Federal que já se sabe paralisou parte da rede de “robôs” que dão apoio ao presidente Jair Bolsonaro, e já se sabe que isso poderá gerar uma grave descontinuidade na dinâmica pela qual a narrativa política acerca da realidade brasileira era apresentada até esta semana. É que justamente na hora que a justiça agiu para impor limites, a principal reclamação é que se está atacando o direito de livre expressão.

Mas não é só no Brasil que sérios conflitos estão ocorrendo entre as empresas que operam as novas mídias e governantes que até agora fizeram amplo uso para determinar o rumo dos debates políticos. O maior exemplo disso é o presidente dos EUA, Donald Trump, que é usuário contumaz das redes sociais que agora está sendo contrariado por causa dos limites que lhe estão sendo impostos pela rede social Twitter que finalmente resolver impor limites na disseminação de “fake news” e mensagens de ódio.

O mais interessante disso é que Mark Zuckerberg está sendo apontado como uma voz contrária a que se aplique regras de contenção na disseminação de conteúdos. Até aqui não há nenhuma surpresa, pois o Facebook gera bilhões de dólares em receitas por meio da publicação de conteúdos pagos. A questão aqui é que agora está ficando claro que é preciso que limites sejam estabelecidos para o tipo de conteúdo que pode ser livremente distribuído sem que haja a devida responsabilização daqueles que distribuem notícias falsas e mensagens de ódio.

Coronavirus: Facebook combats misinformation with facts in news feed

A pandemia da COVID-19 veio, entre outras coisa, para demonstrar que é preciso existirem limites e necessidade de responsabilizar os que distribuem conteúdos falsos ou apenas que não sobrevivem ao exame da racionalidade científica.  É que não se trata mais de vencer esta ou aquela eleição, mas também definir sobre a vida e a morte das pessoas que são influenciadas direta ou indiretamente pela disputa de narrativas que estão ocorrendo em torno da pandemia da COVID-19. O problema mais uma vez não se resume apenas sobre a checagem dos fatos, mas também dos seus checadores.

Privacidade Vendida: Facebook entregou dados de seus usuários a pelo menos 150 empresas

Facebook entregou mensagens privadas dos utilizadores a 150 empresas

Por Vitor M.*

Os utilizadores parecem ter pouco valor enquanto pessoas e organizações com direito à sua privacidade. São apenas um número para o Facebook fazer dinheiro.

Segundo informações avançadas pelo New York Times, a empresa de Mark Zuckerberg entregou dados e mensagens privadas dos utilizadores a empresas como a Amazon, Microsoft, Netflix, entre outras. Foram mais de 150 empresas que receberam informações dos utilizadores sem que estes dessem a autorização ou que tivessem sequer conhecimento.

*Vítor M. é o  responsável pelo Pplware, fundou o projeto em 2005 depois de ter criado em 1993 um rascunho em papel de jornal, o que mais tarde se tornou num portal de tecnologia mundial. Da área de gestão, foi na informática que sempre fez carreira.

FONTE:  https://pplware.sapo.pt/redes_sociais/facebook-entregou-mensagens-privadas/

Whatsapp se tornou uma ferramenta sob completa suspeita

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O aplicativo Whatsapp é uma das muitas ramificações da corporação multinacional que se esconde por debaixo do Facebook.  O Whatsapp foi adquirido pela empresa de Mark Zuckerberg pela “bagatela” de US$ 16 bilhões em 2014 e se encontra no topo dos aplicativos de sua natureza, até porque sua instalação é gratuita e promete a completa confidencialidade aos seus usuários.

Recentemente o Whastapp estabeleceu o limite máximo de 20 envios por vez, alegadamente para dificultar a disseminação das chamadas “fake news“.  É que seu uso para a opção preferencial para interessados em disseminar mensagens privadas em campanhas que visam alterar a percepção das pessoas sobre o que está se passando em um determinado contexto.

Mas eis que no dia de hoje o jornal Folha de São Paulo divulgou uma matéria bombástica revelando que um conjunto de empresários estaria envolvido na contratação de empresas para distribuir material contra o candidato Fernando Haddad e a favor de Jair Bolsonaro, o que envolveria o envio de centenas de milhões de disparos no Whatsapp (ver imagens abaixo).

caixa 0caixa 1Independente das consequências eleitorais que esta reportagem da Folha de São Paulo, é essencial que todos os usuários do Whatsapp que se preocupam não apenas com sua privacidade pessoal, mas também com manipulações que alterem o funcionamento do sistema democrático, comecem a avaliar seriamente se não é chegada a hora de procurar outros aplicativos para substituí-lo.   É que como já apontou o jornalista Leandro Beguoci em uma reportagem publicada pelo site VICE, o WhatsApp virou uma realidade paralela (e perigosa) no Brasil [1].

Como já existem outros aplicativos similares (Telegram e Signal, por exemplo),  a possibilidade de mudança não chega a ser difícil.  Resta saber se as pessoas estarão dispostas a sair da égide do oligopólio montado pelo Facebook. A ver!


[1] https://www.vice.com/pt_br/article/j53983/como-o-whatsapp-virou-uma-realidade-paralela-e-perigosa-no-brasil?utm_campaign=sharebutton

 

A profunda ligação entre a Monsanto e o Facebook

Da plantação até a prateleira do supermercado, tudo será determinado pelos interesses dos mesmos acionistas. Vamos conversar sobre liberdade de escolha?

Por Vandana Shiva – CommonDreams

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Enquanto a Agência Reguladora de Telecomunicações da Índia decide o futuro do programa “Free Basics”, Mark Zuckerberg está na Índia com um bilhão de rúpias, em moeda trocada, para fazer sua publicidade. O programa é um internet.org repaginado ou, em outras palavras, um sistema em que o Facebook decide qual parte da internet compõe o pacote básico para os usuários.
 
A Reliance, parceira indiana do Facebook na empreitada do Free Basics, é uma megacorporação indiana com interesses em telecomunicação, energia, alimentos, varejo, infraestrutura e, é claro, terras. A Reliance obteve territórios para suas torres rurais de celulares do governo da Índia e tomou terras de fazendeiros para Zonas Econômicas Especiais através de violência e golpes. Como resultado e quase sem custo, a Reliance obteve um grande público rural, semiurbano e suburbano, especialmente fazendeiros. Embora o Free Basics tenha sido banido (por enquanto), a Reliance continua oferecendo seu serviço através de suas redes.
 
Um ataque corporativo coletivo está em curso globalmente. Tendo já programado suas ações, veteranos de corporações americanas como Bill Gates estão se juntando à nova onda de imperialistas filantropos, que inclui Mark Zuckerberg. É incrível a semelhança nas relações públicas de Gates e Zuckerberg, perfeitamente ensaiadas, que envolvem um preparo retórico e doação de fortunas. Qualquer entidade com que os Zuckerbergs se unam para administrar os 45 bilhões de dólares investidos provavelmente vai terminar parecendo a Fundação Bill e Melinda Gates; isto é, poderosa o suficiente para influenciar negociações climáticas, apesar não serem efetivamente responsáveis por nada.

Mas o que Bill Gates e Mark Zuckerberg teriam a ganhar quando ditam os termos aos governos do mundo durante a conferência climática? “A Breakthrough Energy Coalition vai investir em ideias que podem transformar a maneira como todos nós produzimos e consumimos energia”, escreveu Zuckerberg em sua página no Facebook. Era um anúncio da Breakthrough Energy Coalition de Bill Gates, um fundo privado com uma riqueza combinada de centenas de bilhões de dólares de 28 investidores que irão influenciar a forma como o mundo produz e consome energia.
 
Ao mesmo tempo, Gates pressiona para forçar uma agricultura dependente de insumos químicos, combustíveis fósseis e transgênicos patenteados (#FossilAg) através da Aliança pela Revolução Verde na África (AGRA). Trata-se de uma tentativa de tornar fazendeiros africanos dependentes de combústiveis fósseis que deveriam ter permanecido no subsolo, além de criar uma relação de dependência com as sementes e petroquímicos da Monsanto.
 
95% do algodão na Índia pertence à Monsanto Bt Cotton. Em 2015, nas regiões de Punjab até Karnataka, 80% de sua plantação transgênica não vingou – isso significa que 76% dos produtores afiliados à Bt Cotton estavam sem algodão na época da colheita. Se tivessem opção, eles teriam trocado de variedade. Mas o que parece ser uma simples escolha entre sementes de algodão é na verdade a imposição de uma mesma semente Bt, comercializada por diferentes companhias com diferentes nomes, compradas por fazendeiros desesperados que tentam combinações de sementes, pesticidas, herbicidas e fungicidas – todos com nomes complexos o bastante para fazê-los se sentir inadequados – até que você não tenha nenhuma “escolha” a não ser tirar sua própria vida.
 
O que a Monsanto faz ao empurrar as leis de Direitos de Propriedade Intelectual (IPR) referentes ao comércio de sementes, Zuckerberg está tentando fazer com a liberdade de internet da Índia. E, assim como a Monsanto, ele está prejudicando os indianos mais marginalizados.
 
O Free Basics irá limitar o conteúdo da internet para a grande maioria de usuários indianos. Já de início, o programa afirmou que não irá permitir conteúdos de vídeo que interfiram nos serviços (leia-se: lucros) das companhias de telecomunicações – apesar da recomendação da própria Agência Reguladora de Telecomunicações da Índia de que conteúdo em vídeo seja acessível a diferentes partes da população.
 
Uma vez distribuída como um serviço gratuito, o que impedirá que as companhias de telecomunicações redefinam o uso da internet para satisfazer seus próprios interesses e o de seus parceiros? Afinal, a proibição ao Free Basics não impediu que a Reliance continuasse oferecendo seus serviços para uma grande base de usuários, muitos deles fazendeiros.
 
Por que deveria ficar a cargo de Mark Zuckerberg decidir o que é a internet para um fazendeiro em Punjab, que acabou de perder 80% de sua colheita de algodão por conta das sementes transgênicas da Monsanto e cujos produtos químicos (que foi coagido a usar) falharam completamente? Deveria a internet permitir que ele se informasse sobre o fracasso das tecnologias de transgênicos ao redor do mundo, que apenas são mantidas através de políticas de comércio injustas, ou deveria ela apenas induzir o uso de outra molécula patenteada em sua plantação?
 
A ligação entre o Facebook e a Monsanto é profunda. Os 12 maiores investidores da Monsanto são os mesmos que os 12 maiores investidores no Facebook, incluindo o Grupo Vanguard. Esse grupo é um grande investidor da John Deere, a novo parceira da Monsanto em “tratores inteligentes”, o que faz com que toda a produção e consumo de alimentos, da semente à informação, permaneça sob o controle de um pequeno punhado de investidores.
 
Não é de surpreender que a página do Facebook “March Against Monsanto” [Marcha contra a Monsanto], um grande movimento americano a favor da regulação e rotulagem de transgênicos, foi deletada.
 
Recentemente a Índia tem visto uma explosão em varejo online. Desde grande corporações a pequenos empreendedores, pessoas de todo o país tem podido vender o que produzem em um mercado previamente inacessível. Artesãos tem conseguido ampliar seus negócios, fazendas tem encontrado consumidores mais próximos.
 
Assim como a Monsanto e suas sementes patenteadas, Zuckerberg quer não apenas uma fatia, mas toda a pizza da economia indiana, especialmente seus fazendeiros e camponeses. O que o monopólio da Monsanto sobre informações climáticas significaria para fazendeiros escravizados através de um canal do Facebook com acesso limitado a essas informações? O que isso significaria para a internet e para a democracia alimentícia?
 
O direito ao alimento é o direito de escolher o que desejamos comer; saber o que está na nossa comida (#LabelGMOsNOW) e escolher alimentos saborosos e nutritivos – não os poucos alimentos processados que as corporações esperam que consumamos.
 
O direito à internet é o direito de escolher quais espaços e mídias nós acessamos; de escolher aquilo que nos enriquece – e não aquilo que as companhias pensam que deveria ser o nosso pacote básico.
 
Nosso direito de conhecer o que comemos é tão essencial quanto o direito à informação, qualquer informação. Nosso direito a uma internet aberta é tão essencial à nossa democracia quanto nosso direito de estocar, trocar e vender sementes polinizadas.
 
No eufemismo de Orwell, o “livre” para Zuckerberg significaria “privatizado”, algo totalmente diferente de privacidade – uma palavra inclusive estranha a ele. E assim como em acordos de “livre” comércio definidos por corporações, o Free Basics significa qualquer coisa menos ‘livre” para os cidadãos. É um cerceamento de bens essenciais, que deveriam ser acessíveis ao povo, sejam eles sementes, água, informação ou internet. Os Direitos de Propriedade Intelectual da Monsanto estão para as sementes como o Free Basics está para informação.
 
Tratores inteligentes da John Deere, utilizados em fazendas que plantam sementes patenteadas pela Monsanto, tratadas com insumos químicos da Bayer, com informações sobre clima e solo fornecidas pela Monsanto, transmitidas ao celular do fazendeiro pela Reliance, conectadas no perfil do Facebook, em terras pertencentes ao Grupo Vanguard.
 
Todos os passos de todos os processos, até o ponto em que você escolhe algo da prateleira de um supermercado, serão determinados pelos interesses dos mesmos acionistas.
 
Que tal conversarmos sobre liberdade de escolha?
 
tradução por Allan Brum

FONTE: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-profunda-ligacao-entre-a-Monsanto-e-o-Facebook/6/35309

Bélgica inicia processo contra Facebook por violações ao direito de privacidade de membros e não-membros de sua rede social

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O jornal inglês “The Independent” traz hoje uma interessante notícia dando conta que o governo da Bélgica resolveu iniciar um processo judicial contra o Facebook por violações contra o direito de privacidade (Aqui!).

Segundo o que afirma a comissão que regula o direito de privacidade dos cidadãos belgas (a Comissão Belga para a Privacidade), o Facebook utiliza mecanismos ilegais para realizar o rastreamento não apenas dos membros da sua rede social, mas também de não membros. A partir deste procedimento, o Facebook estaria armazenando dados de navegação da internet de membros que teriam declarado não desejar que isto fosse feita, o que consistiria numa clara violação do direito de privacidade.

Apesar da reação irada dos representantes do Facebook na Bélgica, agora caberá aos tribunais belgas decidirem se o processo deve seguir adiante ou não.

Nunca é demais lembrar que em recente encontro entre Dilma Rousseff e Mark Zuckerberg no Panamá onde ficou acertado que a multinacional estadunidense iria contribuir no esforço “para ampliar o acesso a Internet gratuito para populações de baixa renda e em áreas remotas do Brasil.” (Aqui!) Diante desse processo aberto na Bélgica, há que se pensar nos controles que deverão ser implementados para evitar que o Facebook usa as mesmas ferramentas de rastreamento ilegal com os assistidos por sua “generosa” contribuição para a disseminação de serviços de internet no Brasil.