Estudo aponta que grandes propriedades apresentam maiores áreas de déficit ambiental em municípios da Mata Atlântica

Gestores de 117 municípios podem utilizar dados para a tomada de decisão quanto ao uso e conservação do bioma

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Mata Atlântica. Ao fundo, cidade do Rio de Janeiro. Foto: Dmitry V. Petrenko/ Shutterstock.com

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) lançam o sumário executivo “Resumo Fundiário, Uso do Solo e de Remanescentes Florestais de 117 Municípios da Mata Atlântica“, como parte de um relatório mais abrangente que reúne uma série de estudos sobre conservação, uso e ocupação do solo no bioma. O objetivo da iniciativa é oferecer conhecimento sobre a situação atual dos municípios para auxiliar gestores públicos na tomada de decisão de políticas públicas ambientais. Além de estatísticas, o relatório traz mapas de todos os municípios analisados. A apresentação do relatório aconteceu durante webinar nesta quinta (30), às 15h.  

Acesse o sumário executivo

Para solicitar o relatório completo entre em contato com info@sosma.org.br

Segundo o estudo, nos municípios analisados, as grandes propriedades – que correspondem a 3% do total, apresentam as maiores áreas de déficit de Área de Preservação Permanente (APP), com 46,6%, e de Reserva Legal, com 69,6%. Enquanto o ativo de vegetação natural em pequenas e médias soma 55,6%. Ao relacionar por tamanho das propriedades rurais (pequenas, médias e grandes), as grandes propriedades representam 48%, totalizando 5.659.506 hectares da área. Além disso, foi possível identificar uma predominância de vegetação natural nos municípios, com 6.326.971 de hectares, ou 37.7% do total, seguido da classe de agricultura com 5.167.435 de hectares, ou 30.8% do total.

“A Mata Atlântica foi o bioma mais impactado pelas anistias do novo Código Florestal, com um uma redução de 27%, uma área maior que a do estado do Sergipe. A falta de planejamento territorial contribui para uma gestão ineficiente dos recursos, causando, por exemplo, supressão de vegetação nativa, escassez hídrica e degradação do solo. E isso ocasiona a perda de serviços ecossistêmicos fundamentais e contribui para as mudanças climáticas, já cada vez mais acentuadas. Por isso, queremos colaborar com conhecimento para o melhor gerenciamento por partes dos gestores públicos locais”, afirma Rafael Bitante Fernandes, gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

O impacto ao meio ambiente também é visto como prejudicial à economia e à imagem do Brasil. Recentemente, um grupo de investidores que detém uma carteira de US﹩ 4,1 trilhões direcionou suas preocupações ambientais às embaixadas brasileiras em oito países. Empresários brasileiros também se uniram para pedir o combate ao desmatamento em todos os biomas do país.

Transparência, rastreabilidade, compromissos e ações em sinergia com meio ambiente são pilares cada vez mais estratégicos no mundo dos negócios, o que para o poder público e iniciativa privada podem ser uma grande oportunidade. Uma política pública ainda pouco utilizada e que vai ao encontro a isso são os Planos Municipais da Mata Atlântica (PMMAs), e esse relatório traz subsídios concretos para colocar isso em prática.

“Com os Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA), por exemplo, os gestores podem usar estes dados para apontar o que fazer, como e onde priorizar ações de uso e conservação”, reforça Rafael Bitante Fernandes.

A realização deste estudo se baseou em quatro critérios: remanescente de vegetação nativa; desmatamento; adequação do Código Florestal e uso do solo. Para a definição dos municípios analisados, foi feita uma análise multicritério em que foram escolhidas variáveis como desmatamento após 2008, déficit total, área de vegetação nativa, área de agronegócio, entre outras.

“O contexto atual reforça aquilo que já vínhamos demonstrando há décadas: não há dicotomia entre produção e conservação, pelo contrário. Não só é possível como, cada vez mais, urgente e obrigatório levar em conta os dados científicos disponíveis para a tomada de decisões de políticas públicas”, acredita Luis Fernando Guedes Pinto, Gerente de Políticas Públicas, engenheiro agrônomo e pesquisador do Imaflora. “Quem se propuser a utilizar tais dados para construir políticas de regeneração estará dando um sinal positivo para investidores, eleitores e a sociedade em geral.”

Para obter tais dados, os pesquisadores analisaram diversas pesquisas e metodologias, como o estudo “Números detalhados do novo Código Florestal e suas implicações para os PRAs”, do Imaflora; bases de dados governamentais públicas; o Atlas da Agropecuária brasileira; a base vetorial de hidrografia da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS); o MapBiomas e o Atlas da Mata Atlântica.

Em vista das eleições municipais no segundo semestre deste ano, o estudo traz importantes contribuições para que os atuais e futuros gestores destas cidades possam incluir a agenda ambiental como tema estratégico em seus planos.

“Assim como os órgãos estaduais de meio ambiente, a esfera municipal é crucial neste momento de pandemia e diante das fragilidades de políticas federais. Os órgãos municipais podem exercer cada vez mais um papel preponderante e protagonista na construção de uma agenda positiva e estratégica no campo da conservação e recuperação da Mata Atlântica. Principalmente para que sejam ativo essencial para o enfrentamento dos impactos do clima, na gestão da água, nas áreas protegidas, na sustentabilidade das atividades econômicas, na qualidade de vida e bem-estar da população”, conclui Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira criada em 1986 para inspirar a sociedade na defesa da floresta mais ameaçada do Brasil. Atua na promoção de políticas públicas para a conservação da Mata Atlântica por meio do monitoramento do bioma, produção de estudos, projetos demonstrativos, diálogo com setores públicos e privados, aprimoramento da legislação ambiental, comunicação e engajamento da sociedade em prol da restauração da floresta, valorização dos parques e reservas, água limpa e proteção do mar. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.

Sobre o Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma associação civil brasileira sem fins lucrativos, criada em 1995 sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e à gestão responsável dos recursos naturais. O Imaflora busca influenciar as cadeias dos produtos de origem florestal e agrícola, colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer a diferença nas regiões em que atua, criando modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em diferentes municípios, regiões e biomas do país. Mais informações: http://www.imaflora.org

Informações à imprensa

Fundação SOS Mata Atlântica

Luiz Soares,  Tel.: (11) 96199-1050, Email.: luiz@sosma.org.br

Imaflora

Israel Lippe,  Tel.: (11) 95041-3625,  Email.: israel.lippe@profilepr.com.br

 

 

P&G anuncia compromisso de ter todas as suas operações carbono neutro nesta década e realizará projeto de restauração da Mata Atlântica no Brasil

Até 2030 a companhia reduzirá emissões de gases de efeito estufa em 50% e chegará a utilizar 100% de eletricidade renovável em todas as fábricas no mundo; parte integral desse esforço é projeto de restauração que inclui Mata Atlântica brasileira

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A P&G acaba de anunciar o compromisso de que todas as suas operações sejam neutras em carbono nesta década, com intervenções de restauração da natureza, uma vez que os próximos dez anos representam uma janela crítica na luta contra o aquecimento global. No período, a P&G se compromete a ir além das metas anteriormente definidas, desenvolvendo projetos de restaurações ambientais. Dentre as iniciativas, a companhia, em parceria com a World Wildlife Fund for Nature (WWF) e a Suzano, traz planos para a Mata Atlântica, no estado do Espírito Santo, com recuperação da paisagem florestal, gerando benefícios para a biodiversidade e as comunidades locais, além de segurança hídrica e captura de carbono.

“A mudança climática está acontecendo e são necessárias ações agora. Ao reduzir nossa pegada de carbono e investir em soluções climáticas naturais, seremos neutros em carbono em todas as nossas operações e ajudaremos a proteger ecossistemas vulneráveis e comunidades em todo o mundo”, diz David Taylor, CEO da P&G. Com base nas estimativas atuais, a companhia precisará equilibrar aproximadamente 30 milhões de toneladas de carbono de 2020 a 2030 e continuará buscando novos projetos eólicos, solares e geotérmicos para acelerar ainda mais a transição para energias renováveis.

Além de sequestrar mais carbono, um aspecto importante dos projetos de restauração é o potencial de gerar outros benefícios ambientais e socioeconômicos significativos, a fim de proteger e aprimorar a natureza, e melhorar os meios de subsistência das comunidades locais.

Junto com a Conservation International e a WWF, a P&G vem trabalhando para identificar e financiar uma série de projetos voltados para proteger, melhorar e restaurar ecossistemas críticos. Adicionalmente ao projeto no Brasil, os demais incluem:

– Evergreen Alliance com a Arbor Day Foundation:reunião de empresas, comunidades e cidadãos em ações críticas para preservar as necessidades das vidas afetadas pelas mudanças climáticas, plantio de árvores no Norte da Califórnia e na Alemanha para restaurar áreas devastadas por incêndios florestais.

– Proteção de Palawan, nas Filipinas, com a Conservation International: para proteger, melhorar e restaurar os manguezais e ecossistemas críticos de Palawan, a quarta área mais “insubstituível” do mundo para a vida selvagem única ameaçada.

No Brasil, a implementação do projeto conta com a experiência da Suzano, parceira da P&G na cadeia produtiva. “Essa aliança representa o olhar de futuro comum que une a Suzano, a P&G e o WWF em torno do desenvolvimento sustentável. A recuperação da Mata Atlântica tem importantes impactos ambientais e sociais positivos para a região e está alinhada com as nossas metas de longo prazo, que visam mitigar os efeitos causadores das mudanças climáticas e contribuir para maior desenvolvimento social das comunidades regionais”, diz Walter Schalka, Presidente da Suzano.

Período crítico

Relatórios recentes destacam que o mundo está abaixo das reduções de emissão de gases de efeito estufa necessárias, e a próxima década representa um período crítico para reduzir as emissões e estar no caminho de limitar o aumento da temperatura em até 1,5° C. Essa tarefa ficará muito mais difícil se a sociedade não começar a reduzir as emissões antes que a década acabe. Em 2050, as emissões de carbono devem cair para zero ou perto disso. A falta de ação agora colocará as gerações futuras em maior risco com os impactos das mudanças climáticas e dificultará o alcance das metas globais do Acordo de Paris.

“A natureza deve ser uma parte essencial de qualquer estratégia para combater a crise climática. Pesquisas mostram que não podemos cumprir nossas metas climáticas, a menos que protejamos, restauremos e melhoremos o gerenciamento de ecossistemas ricos em carbono. Feitos corretamente, esses esforços podem fornecer um terço das reduções de emissões necessárias na próxima década e, principalmente, apoiar os meios de subsistência das comunidades nas linhas de frente das mudanças climáticas. Estamos muito satisfeitos por trabalhar com a P&G para proteger a natureza – um investimento que é uma vitória para as pessoas e para o planeta”, explica Dr. M. Sanjayan, CEO da Conservation International.

“Trabalhamos com a P&G para impulsionar o progresso climático e salvaguardar as florestas, há mais de uma década, porque o escopo de seus negócios significa que eles podem fornecer resultados em uma escala que importa. É importante ressaltar que esse progresso não se limitou à sua presença corporativa. A P&G foi uma das primeiras parceiras da Renewable Energy Buyers Alliance que ajudou a expandir as compras corporativas de energia renovável nos EUA. O anúncio de hoje marca mais progresso, colocando um foco maior no papel que a preservação da natureza pode desempenhar – não apenas na absorção de emissões de carbono, mas no fornecimento de serviços e recursos que sustentam a vida na Terra. Esperamos trabalhar com a P&G para alcançar esses novos compromissos na próxima década”, comenta Carter Roberts, presidente e CEO dos EUA da WWF.

Complementando todos os esforços da P&G em prol do meio ambiente, em conjunto com a National Geographic, uma mesa-redonda com especialistas e líderes ambientais foi realizada para discutir o poder da natureza como uma solução climática. O CEO da P&G, David Taylor; a Chief Sustainability Officer da P&G, Virginie Helias; a CEO da Conservation International, Dr. M. Sanjayan; a CEO da Roberts, Carter Roberts, e defensores do clima, Kehkashan Basu, Jiaxuan Zhang, Vanessa Nakate e Clover Hogan, juntam-se para essa discussão, no dia 16 de julho. Para conferir o conteúdo, acesse http://www.nationalgeographic.com/its-our-home-2020/.

“Nosso papel como líderes é tornar possível uma economia e um estilo de vida com menos emissões, acessíveis e desejáveis ​​para todos. É nossa responsabilidade proteger reservas críticas de carbono e investir em soluções que regenerem nosso planeta. Os consumidores também querem fazer mais para lidar com as mudanças climáticas. Como empresa, tocamos 5 bilhões de pessoas com nossas marcas, estamos nos esforçando para fazer a diferença todos os dias, incentivando o consumo responsável com produtos eficazes e intuitivos, para adotar novos hábitos de menor emissão”, finaliza Virginie Helias, CSO da P&G.

 

Ricardo Salles aproveita caos da pandemia e age para ampliar devastação na Mata Atlântica

sallesRicardo Salles aproveita o caos causado pela pandemia para descaracterizar a Lei da Mata Atlântica para permitir a ampliação da devastação

Graças a uma reportagem escrita pelo jornalista Maurício Tuffani e publicado pelo “Direto da Ciência”, o Brasil amanhece ciente de que o ministro (ou seria anti-ministro?) do meio ambiente, o improbo Ricardo Salles, depois de afrouxar as amarras na Amazônia, voltou sua mira para ampliar a devastação no que ainda resta da Mata Atlântica.

É que, segundo o que mostra Maurício Tuffani, entre uma demissão de servidor e outra, enviou uma minuta de decreto para ser avaliada pelo presidente Jair Bolsonaro que, se sancionada, permitirá a devastação legalizada de pelo menos 10% da área de remanescentes do bioma da Mata Atlântica.

Segundo o que  disse um técnico da área de análise  de impacto ambiental da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, que  pediu anonimato , as modificações propostas por Ricardo Salles na chamada “Lei da Mata Atlântica”, servirão para  “facilitar o licenciamento ambiental de empreendimentos imobiliários em áreas  de transição entre ecossistemas de Mata Atlântica, principalmente em regiões urbanas”.

Dado que atualmente sobram apenas cerca de 8,0% de um bioma tão ou mais diverso do que a Amazônia, essa tentativa de Ricardo Salles de descaracterizar a Lei daMata Atlântica devem ser objeto de profundo repúdio e pronta ação de organizações da sociedade civil e da própria população.

Por outro lado, essa ação de Ricardo Salles confirma o que já observei em outros momentos acerca do comportamento do governo Bolsonaro em meio a uma pandemia mortal, qual seja, que a eficiência para desmontar (ou pelo menos tentar) as proteções ambientais existentes continua inabalada.

Exposição da Jaguar Parade em São Paulo

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A Jaguar Parade – intervenção artística urbana que reúne obras de onças-pintadas estilizadas – vai reunir as 90 esculturas nos shoppings da rede Iguatemi (Market Place, JK Iguatemi, Iguatemi SP e Pátio Higienópolis) a partir do dia 27 de setembro.

O projeto será a maior exposição a céu aberto da história de São Paulo e tem como objetivo chamar a atenção para a degradação da fauna silvestre do país, em especial da onça-pintada, que corre risco de extinção. Segundo o ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade -, essa espécie é classificada como vulnerável no Brasil. Porém, em alguns biomas como a Mata Atlântica, a espécie é considerada como criticamente ameaçada, pois existem menos de 300 indivíduos em toda sua extensão.

No dia 25 de outubro, as peças ganharão as ruas e praças da capital paulista.

Jaguar Parade

Serviço:

Jaguar Parade

Data: de 27 de setembro a 23 de novembro

Local: Shoppings da Rede Iguatemi (Market Place, JK Iguatemi, Iguatemi SP e Pátio Higienópolis)

Cronograma completo com os artistas: jaguarparade.com/pinturas/

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Informações à Imprensa – Index Assessoria

Erika Sena – erika@indexconectada.com.br

Ministério do Meio Ambiente tira da internet mapas de áreas de conservação

Imagens excluídas indicam áreas com ecossistema em extinção ou com espécies endêmicas e que precisam de proteção

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(foto: Registro de áreas de conservação estão indisponíveis no site do MMA. Foto: Reprodução MMA)

O Ministério do Meio Ambiente tirou da página na internet uma série de mapas de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade brasileira. As imagens, que estavam disponíveis na página do Ministério, indicam áreas com ecossistema em extinção ou com espécies endêmicas, isto é, que só existem naqueles locais específicos, e precisam de proteção. Esse zoneamento orienta técnicos da pasta e de autarquias como o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tanto em ações de fiscalização quanto de manejo e uso da terra.

Entre os ecossistemas das áreas prioritárias está a Mata Atlântica. O bioma, que sofreu diversas degradações, atualmente, ocupa menos de 10% do território inicial. A assessoria do Meio Ambiente informou que o hotsite foi retirado do ar,  “pois foi verificada a necessidade de ajustes no mapa das áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e repartição de benefícios”. Consta no texto que “os ajustes se fizeram necessários, pois havia um sombreamento entre biomas. A decisão de retirar do ar ocorreu para evitar a disseminação de informação equivocada.”

“Área sombreada” equivaleria a uma marcação de um bioma no mapa que, na verdade, pertence a outro tipo de ecossistema. Uma mancha errada sobreposta no desenho final. Questionada se isso havia ocorrido em todos os mapas, porém, a pasta não respondeu. Além disso, as matérias produzidas pela equipe do ministério e postadas no site a respeito dessas áreas também foram excluídas. Sem as imagens, qualquer iniciativa errônea que prejudique uma área de conservação prioritária, será mais difícil de detectar. “Informamos que os ajustes já estão sendo realizados e encontram-se em fase final. Tão logo seja finalizado, as informações serão republicadas”, respondeu o Meio Ambiente.

rsMinistério do Meio Ambiente é comandado por Ricardo Salles(foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADAO CONTEUDO )

O deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), que preside a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, comparou a ação no ministério com o processo que o ministro Ricardo Salles sofreu quando atuava como secretário do Meio Ambiente em São Paulo, por irregularidades na elaboração e aprovação do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Rio Tietê. “Ele tomou uma atitude grave, que se assemelha a que o levou a sofrer um processo em São Paulo. Ele decidiu apagar os arquivos, tirar do sistema os mapas de áreas prioritárias de conservação, que indicam as áreas mais sensíveis do país”, criticou. O ministro pode recorrer e, a uma emissora de TV, disse que a sentença do juiz reconheceu que não houve dano ambiental nem vantagem pessoal.

Presidente da Associação dos Servidores da Carreira Especialistas em Meio Ambiente do Distrito Federal, Alexandre Bahia Gontijo foi cuidadoso ao comentar o caso. “O cuidado com essas regiões é importante e caro até para organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas. Eu não sei o que o ministro quer ao retirar essas informações da rede. Mas, se as informações não são mais públicas, isso é um problema”, avaliou. Para Gontijo, será importante comparar os mapas anteriores com os que serão postados.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo jornal Correio Braziliense [Aqui!].

Em nota pública da Confederação Nacional de Reservas Particulares de Patrimônio Natural condena ameaças em Casimiro de Abreu

A nota abaixo assinada pelo presidente da Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (CNRPPN) relata situação de ameaça ao Sr. Luiz Nelson, proprietário da RPPN Fazenda Bom Retiro que fica localizada no município de Casimiro de Abreu.

Já tive a oportunidade de visitar a RPPN Fazenda Bom Retiro e conversar pessoalmente com o Sr. Luiz Nelson sobre o impacto esforço de preservação socioambiental que ele vem liderando, de forma praticamente solitária, há quase três décadas.

Qualquer ameaça à sua integridade física é, acima de tudo, uma ameaça à proteção ambiental da Mata Atlântica fluminense. Desde já considero que é fundamental que sejam tomadas providências para apurar este caso e assegurar a proteção do Sr. Luiz Nelson.

CNRPPN

Minhas posses são poucas, mas isso não quer dizer que não sejam valiosas

Ao contrário de muitos que vêem na acumulação de posses um caminho de afirmação, faço questão de não acumular propriedades. É que existem muitas coisas nesse mundo que eu prefiro ver e presenciar, em vez de me preocupar com as contas que imóveis nababescos com que sonha a classe média sempre acarretam. Essa é uma decisão que muitos estranham, mas que me mantem relativamente saudável dos pontos de vistas mental e financeiro.

A única propriedade que eu possuo, e graças a uma herança, é um pedaço de floresta de Mata Atlântica no município paranaense de Ortigueira que nós alcunhamos de “Sítio Esperança”. Lá pretendo viver um dia para passar meus melhores dias com o som da natureza como meu background cotidiano.

E como não sou mesquinho, compartilho abaixo a visão e o som que emerge de um dos vários riachos que cortam a área de 15,0 hectares cuja propriedade divido em condomínio com meus 3 irmãos e minha irmã. E, um conselho aumentem o volume da caixa de som!

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Marketing acadêmico: 10 anos do Herbário da UENF

Apesar de todas as pressões negativas causadas pelos que não querem universidades públicas, gratuitas e de qualidade, a vida ainda pulsa! Uma prova disso são 10 anos de existência do herbário da Uenf, no que se constitui num esforço vitorioso de acumulação e transmissão de conhecimento acerca da biodiversidade, especialmente a existente no interior do bioma da Mata Atlântica.

As atividades são de livre acesso aos interessados. Abaixo o material de divulgação que foi preparado para informar os interessados em participar do evento.

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Marketing Acadêmico: defesa de tese de doutorado no Programa de Ecologia e Recursos Naturais da UENF

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Em que pese o momento complicado que a Uenf vive neste momento, na próxima segunda-feira (18/05) deverá ocorrer a defesa de tese de doutorado do meu orientando Vinicius Rocha Leite que realizou seu trabalho no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais.

O título da tese é “Análise da efetividade de unidades de conservação para proteção de ecossistemas localizados em paisagens fragmentadas e sob intensa pressão antrópica no bioma da Mata Atlântica”.  A expectativa é de que em sendo aprovada a tese, as descobertas acadêmicas que o mesmo traz possam ter utilidade nos esforços de proteção e conservação do que ainda resta do riquíssimo bioma da Mata Atlântica.

 Abaixo vai o convite para esse evento que espero seja interessante para todos, especialmente o candidato a doutor que neste dia terá a tarefa de defender o rigor científico do seu trabalho.

vinicius

Do Blog do Maurício Tuffani: Desmatamento na Amazônia mantém tendência de dobrar,

Por MAURÍCIO TUFFANI 

A estimativa da devastação florestal na Amazônia em março feita pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) não afastou a perspectiva de dobrar a taxa anual do desmatamento na região, que deverá ser divulgada no segundo semestre pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os dados mais recentes do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, apontaram um aumento de 214% no corte raso na floresta Amazônica brasileira de agosto do ano passado a março deste ano em comparação com o mesmo período de oito meses de 2013 a 2014, como mostra o gráfico a seguir, extraído do boletim divulgado na semana passada pela ONG.

Desmatamento por corte raso até março

Gráfico comparativo dos registros de desmatamentos na Amazônia Legal nos períodos de agosto de 2013 e julho de 2014 (barras azuis) e de agosto de 2014 a março de 2015 (barras vermelhas) pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

Esses dados mostram a manutenção da tendência que vem sendo apontada pelo Imazon, que no mês passado apontou o aumento de 215% no corte raso de agosto do ano passado a fevereiro deste ano em comparação com o período equivalente de sete meses de 2013 a 2014, com mostrou a figura a seguir, que já havíamos apresentado neste blog no post A volta da pátria desmatadora (22.mar).

Desmatamento por corte raso até fevereiro

Gráfico comparativo dos registros de desmatamentos na Amazônia Legal nos períodos de 2013-2014 e 2014-205 pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

A redução de um ponto percentual nessa comparação, estendida com o acréscimo dos dados de março, não atenua a tendência de a devastação dobrar na parte brasileira da floresta Amazônica. O corte raso, que havia sido reduzido com sucesso de 2005 a 2012,  já havia voltado a crescer no período 2012-2013.

Degradação

No corte raso foi registrado o total de 1.761 km2 de áreas de floresta derrubada nesses oito meses, em comparação com os 560 km2 no mesmo período entre 2013 e 2014, segundo o SAD. Os três maiores desmatadores continuaram sendo os mesmos: Mato Grosso (639 km2), Pará (434 km2) e Rondônia (347 km2).

Além do dobro do corte raso, o SAD registrou também que cresceu mais de sete vezes a degradação sem derrubada total da floresta agravada por secas e queimadas e induzida por extração seletiva e outras formas de exploração, como mostram as barras cor de laranja na figura a seguir.

Degradação da floresta sem corte raso até março

Degradação florestal sem corte raso até março: gráfico comparativo dos registros de áreas degradadas de floresta sem derrubada total na Amazônia Legal nos períodos de agosto de 2013 a julho de 2014 (barras pretas) e de agosto de 2014 a março de 2015 (barras cor de laranja) pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

Os boletins do SAD são mensais. Para o mês de fevereiro, apesar de mais da metade (59%) da área florestal da Amazônia Legal ter sido coberta por nuvens, esse sistema detectou 42 km2 de desmatamentos. Esse dado corresponde a quase o triplo (282%) dos 11 km2 registrados em fevereiro de 2014, quando a cobertura de nuvens foi maior (69%).

Mata Atlântica

Como já havia assinalado este blog, o aumento da devastação florestal com queda na economia é ainda mais preocupante. Até alguns anos atrás os períodos de desaquecimento da atividade econômica sempre dificultaram os desmatamentos, chegando até a reduzi-los.

Antes da fase de reduções das taxas anuais de desmatamento da Amazônia por meio de programas de fiscalização do governo federal, a partir de 2007, o índice mais baixo havia sido o de 1991, ano posterior ao início do governo de Fernando Collor (1990-1992), que congelou investimentos, inclusive cadernetas de poupança.

Entre outros fatores, não há como desvincular esse retrocesso do esquartejamento do Código Florestal que foi alterado por uma lei aprovada em 2012, desprovida da sistematização normativa de preceitos ambientais e fundamentos científicos. Algumas pesquisas já deixaram clara essa conexão, como uma publicada pela revista Science em maio do ano passado.

Até julho de 2014 foram desmatados 764.061 km2 da floresta Amazônica, uma área pouco maior que a da metade do Amazonas ou do triplo do Estado de São Paulo —ou do triplo do Reino Unido, se for preferível uma comparação internacional. E​ssa extensão corresponde a 19,1% da extensão original da floresta Amazônica, que era de aproximadamente 3,99 milhões de quilômetros quadrados.

PS – Desde o dia 13 assumi a função de editor-chefe da revista “Scientific American Brasil”. Desse modo, não estou mais colaborando com reportagens diárias para a Folha, mas continuo com a satisfação de manter o blog. Aproveito para agradecer aos leitores por toda a atenção dispensada e também pela participação com sugestões, críticas e comentários.

FONTE: http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2015/04/21/desmatamento-na-amazonia-mantem-tendencia-de-dobrar/