Cid Gomes foi demitido por falar a verdade!

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Não nutro qualquer tipo de simpatia pelo agora ex-ministro da Educação Cid  Gomes, mas há que se admitir que sua demissão espelha bem a crise política por que passa o Brasil neste momento.

Cid Gomes, sabe-se lá por quais motivos, afirmou recentemente que no congresso federal existem 400 achacadores que vivem querendo que o circo pegue fogo para cobrar mais por suas lealdades de alguel. Hoje teve de ir na Câmara de Deputados para uma penitência. Mas Cid Gomes não só deixou de mostrar arrependimento cobrado, como também chamou Eduardo Cunha de achacador em prima face. De quebra, Cid exigiu fidelidade dos que se dizem da base do governo, mas que se comportam como se fossem de oposição. Nesse sentido, Cid lembrou que cabe à oposição fazer oposição, enquanto à situação cabe agir como situação. E ainda mandou na lata o fato de quem não quisesse agir como governo deveria “largar o osso”

Saiu de lá hostilizado e depois foi demitido, supostamente a pedido, por Dilma! E por que? Por ter dito a verdade! Agora é provável que ele volte para a sua doce vida no Ceará, enquanto que Dilma Rousseff terá que continuar convivendo com “aliados” do calibre de Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Aliás, com aliados como esse, quem precisa de Aécio Never para fazer oposição?

 

A colocação da UENF no IGC do MEC e a venda da ilusão

A Assessoria de Comunicação da UENF acaba de abrir um lapso no recesso acadêmico para  comunicar ao mundo que recebemos novamente ótimas colocações (em nível nacional e estadual) no Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério de  Educação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) (Aqui!). Esse ranking, um dos muitos que existem, tem sido utilizado como parâmetro para diferentes interpretações das demandas e necessidade da instituição, seja no plano institucional ou sindical. Afinal, a partir de diferentes parâmetros o MEC construiu uma hierarquia das instituições de ensino superior brasileiras que desde seu nascedouro coloca a UENF em uma colocação bastante boa.

Mas mesmo correndo o risco de ser apontado como arrivista, essa colocação no IGC/MEC deveria ser relativizada e colocada no seu devido lugar. Bons administradores usariam esse ranking para localizar deficiências e pontos que necessitam um olhar mais cuidadoso para corrigir distorções e apontar soluções. Mas, lamentavelmente, não para isso que o IGC tem servido. O fato é que a partir desse único ranking vende-se a ideia de que a UENF é uma ilha de excelência acadêmica e dotada de todo o apoio que requereria para alcançar os patamares de excelência com que sonhava Darcy Ribeiro. 

Entretanto, essa não é a realidade. Como avaliador do próprio MEC nos últimos anos tenho visitado diversas instituições de ensino superior em diferentes pontos do território nacional. Em função dessa experiência como avaliador, posso dizer sem medo de errar que a UENF não passaria incólume pelo crivo do instrumento de avaliação que tenho aplicado seguindo as diretrizes de avaliação da qualidade de cursos de graduação. Essa realidade só não apareceu ainda porque somos uma universidade estadual e, por causa disso, não temos que passar pela mesma avaliação que as universidades federais e as instituições privadas são obrigadas a passar para poderem ter seus cursos reconhecidos pelo MEC.

Outro fato que esse ranking esconde é que a UENF vem sendo gravemente sucateada pelos diferentes governos que se sucederam ao de Leonel Brizola, mas especialmente ao longo dos últimos 8 anos de (des) governos do PMDB. A forma com que a dupla Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão vem tratando a UENF é lamentável e digna de repúdio.  E isso ficou claro na greve que paralisou a UENF em 2014, a qual só ocorreu porque Cabral e Pezão tripudiaram sobre as justas demandas de servidores e professores, e menosprezaram completamente as reivindicações dos estudantes. É que enquanto a comunidade e seus sindicatos imploravam por diálogo e negociação, Cabral, Pezão e seus secretários tratavam a UENF de forma truculenta e arrogante.

Como se explicam essas boas colocações alcançadas pela UENF então? É simples: pelo trabalho árduo que estudantes, servidores e professores desenvolvem apesar da política de destruição imposta pela (des) governo estadual e da completa inoperância da reitoria da UENF. Aliás, a reitoria da UENF já faria muito se não atrapalhasse, o que invariavelmente faz.

Assim, se alguém se der ao trabalho de conversar com os estudantes ouvirá histórias tenebrosas sobre como hoje é difícil conseguir coisas básicas para o funcionamento dos diferentes cursos de graduação que a UENF mantém aos trancos e barrancos. E a coisa só não fica pior porque faz algum tempo, a captação de recursos para a investigação científica está sendo também utilizada para sustentar os cursos de graduação e pós-graduação. E esta é uma distorção que cedo ou tarde vai causar sérios problemas na formação acadêmica de nossos estudantes.

Por último uma ironia. Em 2013, a reitoria da UENF tentou acabar com o regime de Dedicação Exclusiva  (DE) que todo professor da UENF é obrigado a cumprir. A explicação dada no plano interno seria que esta seria uma exigência do (des) governo estadual para remunerar a DE. Depois de muita mobilização de professores e estudantes, o então secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Pereira, declarou que essa teria sido uma ideia criada pela própria reitoria e se distanciou de qualquer responsabilidade sobre essa proposta que seria desastrosa para a UENF, inclusive para sua colocação no IGC. E a explicação é simples: como a UENF só contrato professores com título de doutorado para trabalhar em regime de DE acaba obtendo o grau máximo num quesito importante na forma da nota do IGC. Em suma, a reitoria tentou matar a galinha de ovos de ouro, sabe-se lá para atender quais interesses!

Assim, ainda que todos os que torcem pela UENF devam se sentir orgulhosos pela performance da instituição, o fato é que hoje pairam sobre nossa jovem universidade nuvens pesadas e ameaçadoras colocadas por um governo que tem ojeriza ao pensamento crítico e ao compromisso com os interesses da maioria do nosso povo. Assim, a unidade em torno do projeto de excelência idealizado por Darcy Ribeiro deverá ser uma tarefa a ser abraçada por todos os que desejam um futuro socialmente justo e um modelo de desenvolvimento inclusivo e distributivo no Rio de Janeiro. Estejam  eles dentro da UENF ou não. 

1996: o ano em que FHC cortou a minha bolsa e eu tive que me virar

Vou dizer logo de cara que não votarei em Dilma Rousseff.  É que as diferenças profundas que mantenho com o projeto de governo que ela representa não me permitem cruzar o rabecão e declarar um voto útil em sua continuidade. 

Agora que já deixei claro porque não voto em Dilma, deixe-me dizer uma das razões, que pode parecer pessoal mas não é, pelas quais eu jamais votaria em Aécio Neves e o seu partido lesa-pátria, o PSDB.  Estava eu no início do meu quarto ano de doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University quando recebi a notificação de que minha bolsa de doutorado estava encerrada, apesar do meu desempenho para lá de satisfatório. É que contrariando documentos que eu havia assinado ao obter a minha bolsa de doutorado no exterior pelo CNPq, o governo Fernando Henrique havia decidido não mais dar a extensão de um ano a que eu tinha direito pelo meu desempenho.

Liguei para o CNPq e de lá ouvi uma resposta curta e direta da servidora que ouvia as minhas ponderações sobre o efeito de que aquele cortado injustificado teria na minha vida: se  vira!

Como não iria voltar para o Brasil sem um título de doutor que estava praticamente nas mãos, fiz o que todo estudante duro faz: fiz empréstimos bancários e terminei o meu doutorado com um dívida que girava em torno de US$ 10 mil, já que tive de pagar todas as taxas que o CNPq havia me dito que pagaria, além do aluguel e alimentação. 

Passei quase 10 anos pagando essa dívida, mas não graças ao governo FHC. É que após ser forçado a voltar para o Brasil por exigências contratuais com o CNPq, cheguei num país onde não havia concursos para professores nas universidades federais que viviam comendo o pão que o diabo amassou nas mãos de FHC e do seu ministro da Educação, Paulo Renato.

Se não fosse pela UENF, eu certamente teria arrumado as minhas malas e voltado para o exterior, como muitos colegas fizeram naquela época.

Assim, posso não votar em Dilma, mas Aécio e PSDB, nunca!

A reitoria da UENF celebra aquilo que quer desmanchar

Os atuais ocupantes da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) parecem viver num eterno “Alice no País das Maravilhas”. É que só isso explica a celebração que estão promovendo da manutenção da UENF no Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC como sendo a melhor universidade do Rio de Janeiro e a décima-segunda do Brasil.

Para quem não entendeu eu explico. É que em julho de 2013, a reitoria da UENF fez aprovar de forma açodada a minuta de um projeto de lei que visa desmantelar o regime de Dedicação Exclusiva que atualmente todos os professores cumprem desde a criação da instituição em 1993. De quebra, os “iluminados” gestores da UENF criaram uma estapafúrdia categoria de professores titulares horistas que inexiste no Brasil, mesmo nas instituições particulares.

O problema é que um dos fatores incluídos no cálculo do IGC é justamente o regime de trabalho no qual a UENF obtém atualmente o grau máximo, coisa que mudaria imediatamente se a UENF passasse a precarizar o seu quadro docente. Os únicos que parecem não ter entendido esse impacto negativo foram os ocupantes da reitoria.

Assim, mais do que nunca, urge pressionar o (des) governo de Sérgio Cabral para que não encaminhe essa proposta descabida para a aprovação da ALERJ.

Paradoxo da UENF: melhor universidade do Rio, piores salários do Brasil

A divulgação dos resultados da avaliação do Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério de Educação e Cultura (MEC) que coloca a Universidade Estadual do Norte Fluminense como a melhor universidade do Rio de Janeiro e a décima-segunda do Brasil não poderia vir num momento mais paradoxal, pois os seus professores estão terminando o ano sem que o (des) governo de Sérgio Cabral tenha cumprido a promessa de resolver a grave crise salarial instalada na instituição.

Para quem não se lembra, os professores suspenderam uma greve no final de 2012 sob o compromisso do (des) governo Cabral que neste ano haveria uma resposta positiva para o problema salarial que aflige todos os servidores da UENF. Mas nada de positivo aconteceu, apesar das dezenas de viagens e manifestações da Associação de Docentes da UENF (ADUENF).

Aliás, o que houve por parte desse (des) governo, sob a batuta do Sr. Sérgio Ruy, (des) secretário estadual de Planejamento e Gestão, de destruir o modelo de universidade criado por Darcy Ribeiro, que se baseia no regime de Dedicação Exclusiva para todos os seus professores-doutores. Para isso, o (des) governo estadual contou com a valorosa ajuda da reitoria da UENF que fez aprovar a toque de caixa uma minuta de lei no Conselho Universitário que não apenas quebrou a espinha dorsal do modelo institucional, mas instituiu uma escabrosa figura do professor titular 20 horas.

Agora, voltando ao ranking do MEC, há que se dizer que não sou um desses fãs ardosos deste tipo de classificação, pois se nivelam maças com batatas sob um viés normalizador que certamente causa distorções graves. Mas mesmo assim, não deixa de ser interessante que, ao menos neste ranking, a UENF se mantenha consistentemente bem posicionada desde 2008, enquanto os salários dos seus servidores vão morro abaixo. A conta simplesmente não fecha, e as consequências já são vistas dentro do campus, pois está cada vez mais difícil trabalhar.

E se cedo ou tarde a UENF implodir pela evasão incontrolável de seus professores-doutores, o principal culpado disso  será o (des) governador Sérgio Cabral e seus (des) secretários, tendo o Sr. Sérgio Ruy à frente. Por outro lado, que ninguém reclame se os professores voltarem à greve no início de 2014. Pois paciência tem limite, até a de professores-doutores que precisam pagar contas e criar seus filhos como qualquer outro trabalhador.